Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

13/03/2014

Pro memoria (164) – O défice estrutural de memória das luminárias nacionais (II)

Continuação daqui.

O manifesto dos notáveis 70 manifestantes que apelaram à reestruturação da dívida está repleto de contradições e implícitas confirmações do falhanço das políticas defendidas no passado pelos notáveis. É o reconhecimento da insustentabilidade do crescimento, mísero sublinhe-se, baseado nas obras públicas e no consumo privado, tudo financiando pela dívida pública e privada ao estrangeiro.

É também, como salientou João Miranda, «o reconhecimento por parte da elite cainesiana portuguesa de que a dívida prejudica o crescimento. Depois de andarem anos a dizer que não há crescimento sem défice e dívida agora dizem que com tanta dívida não pode haver crescimento. Levaram uns 10 ou 20 anos a perceber, mas finalmente perceberam os custos do endividamento».

Felizmente algumas vozes se fizeram ouvir denunciando os delírios, coexistindo nalguns casos com hipocrisia, dos notáveis 70 manifestantes que apelaram à reestruturação da dívida. Uma dessas vozes foi a de José Gomes Ferreira da SIC Notícias que escreveu a «Carta a uma Geração Errada» (*), uma peça tanto mais notável quanto saída de um membro da corporação jornalística pouco dada a exercícios de lucidez.

(*) Uma dica de FD

Sem comentários: