Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

13/10/2005

BLOGARIDADES: exílio interior

«Como um espectro, regressa. Para quem se lembra, os próximos três meses serão dolorosos. Quem não se lembra provavelmente voltará a lembrar-se. Pensei, pensámos muitos, que há dez anos teríamos superado de vez esta fase - a constante invocação do superior «interesse de Portugal» para cobrir todas as suas conveniências (como voltámos já a ouvir por estes dias), aquele farisaísmo, aquele paternalismo antipolítico e antidemocrático. Mas, em dez anos, a direita não descobriu outro chefe, e a esquerda hipotecou o seu tempo com António Guterres, que até há poucos meses conseguiu deixar o PS ainda suspenso de uma putativa candidatura presidencial.
Há razões para a depressão, e não é só o défice. Mas também há razões para a acção.»


Substitua-se «interesse de Portugal» por «ética republicana», «dez anos» por «trinta anos», «direita» por «esquerda», «esquerda» por «direita», Guterres por Cavaco, PS por PSD e teremos o Ivan de A Praia a perguntar-se se não deveria trocar a promoção da candidatura do doutor Soares pela do doutor Cavaco. Teremos? Teríamos, se a esquerda, incluindo a esquerda inteligente, não vivesse num irredutível exílio interior e não fosse portadora duma insuperável dificuldade de conviver com a realidade.

Sem comentários: