Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/10/2004

LOG BOOK: Lucky me. I'm not obliged to make a choice «between two deeply flawed men».

Lucky me? Yes. But, as non-American, I would feel my self rather secure with a coherent guy at the driving seat. And, if the incoherent guy takes the seat, I can't wait to see sooner than later European Left's deep deception.

TRIVIALIDADES: A transparência dos serviços secretos.

Em declarações a O Independente, o director nacional adjunto da DCCB da PJ informou, a quem possa interessar, que a Secção de Combate ao Terrorismo «está a vigiar um cidadão argelino suspeito de integrar uma organização fundamentalista denominada En-Nahda».

Estou a ver o filme. O cidadão argelino suspeito, falando para os seus botões: parece que este gajo (um presumível agente da SCT, sob disfarce, que o persegue há horas nessa manhã de sexta-feira, escondendo o rosto com o Indy aberto - página 20 voltada para o suspeito) me está vigiar; deixa cá ver isto melhor. Aproxima-se, pé ante pé, do presumível agente, que ostenta um emblema na lapela do clube dos funcionários da PJ, e soletra nas primeiras linhas da página 20 as declarações do director adjunto. Alors, suspira o suspeito presumível argelino, interrogando-se, sempre para os seus botões, se o presumível agente me está mesmo a vigiar, quererá isso dizer que eu sou o presumível suspeito? Hélas, lamenta-se.

30/10/2004

ESTÓRIA E MORAL: Os malefícios de globalização.

Estória
Os malefícios da globalização começaram a ser sentidos sobretudo nos últimos cinco anos, como qualquer anacleto vos explicará impacientemente.
O mesmo anacleto que vos explicará esses malefícios, explicar-vos-à, arvorando aquele ar de superioridade moral e intelectual que a esquerdalhada gosta de hastear, que nesses malefícios se incluem o empobrecimento (absoluto ou relativo, conforme o grau de alienação do explicador) e o endividamento progressivos das economias dos países em desenvolvimento.
Antes de ir à moral, convém dar uma olhada pelos factos.

Moral
«Se os factos não confirmarem a teoria, devem-se descartar os factos» (Lei de Meier), mas, antes disso, «Primeiro apure os factos. Depois, pode distorcê-los à vontade» (Mark Twain).

29/10/2004

DIÁRIO DE BORDO: A estória está mal contada ou o Impertinências é a Tatiana Romanova.

Durante um almoço entre um professor universitário e político e um presidente dum grupo de média, no qual o primeiro fazia o papel de comentador, ambos pertencentes ao círculo das 200 famílias (193 alfacinhas, meia dúzia do Porto e uma de Marco de Canavezes) que constituem la crème de la crème da nação, com uma elevada taxa de inbreeding, os dois ligados por laços parentais (a namorada de um é irmão da mulher do outro), durante o almoço, dizia eu, o presidente pede ao comentador para «"repensar" o conteúdo dos seus comentários dominicais». Este considera-se pressionado e, após a sobremesa, conclui: «Só vejo uma solução, eu saio.» [ver por exemplo o DN]

Esta estória foi contada pelo comentador à AACS, após 3 semanas de intenso circo mediático, numa sessão que, por coincidência, foi aberta aos média e amplamente divulgada pelas televisões.

No dia seguinte um empregado (Pedro Pinto) do presidente do grupo de média, durante uma entrevista na televisão do grupo pergunta insolentemente ao seu patrão a propósito das declarações dele e do comentador: «há aqui duas versões de uma mesma conversa entre duas pessoas. Alguém está a mentir. Não acha Eng. Paes do Amaral?».

Se o professor Marcelo é uma vítima de pressões e de limitação da sua liberdade de expressão, então eu sou a Tatiana Romanova e vou ali e já venho. Quando voltar vou propor ao doutor Sampaio que receba em audiência o jornalista Pedro Pinto, lhe atribuia a Ordem de Santiago e, no próximo 10 de Junho, o declare herói da pátria por feitos na guerra contra o patronato pela defesa da liberdade de expressão.

PS: Com este post o Impertinências ascende à categoria de luminária (entretida com o circo do professor Marcelo). Não é todos os dias que isto acontece.

28/10/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Enquanto as luminárias se entretêm com o circo do professor Marcelo.

Polícias e justiças, habitualmente tão frouxas, no caso Casa Pia, como em quase tudo o resto, mostram-se, às 7 horas da manhã, eficientíssimas a fazer buscas (e apreender um PC) em casa dum bloguenauta procurando «documentação relacionada com o processo da Casa Pia» de que O Portugal Profundo, agora «constituído arguido do crime de desobediência», tem divulgado regularmente informação.

Não consta que alguma busca tenha sido feita em casa de presumíveis pedófilos para identificar e apreender o seu «material de trabalho».

DIÁRIO DE BORDO: A pedofilia não é um delito de opinião. Daniel Le Rouge a comissário para a Justiça. JÁ!

Rocco Buttiglione, comissário proposto para a Justiça e Assuntos Internos, foi rejeitado na Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos por «declarações controversas, durante a audição a que foi submetido, no dia 5, sobre a homossexualidade, que considerou um "pecado", e as mulheres, cujo papel, em seu entender, é terem filhos e serem protegidas pelos maridos.»
Temendo a rejeição pelo PE, o doutor Barroso pediu o adiamento da votação para remodelar a equipa.

Um dos grupos do Parlamento Europeu mais ferozmente opositores à nomeação de Buttiglione, são os Verdes, liderados por Daniel Cohn-Bendit, agora verde, mas conhecido como Daniel Le Rouge, durante as revoltas de estudantes em 1968 de que foi um dos principais protagonistas. José Manuel Fernandes recorda hoje no Público parte duma sua (de Cohn-Bendit, entenda-se) célebre entrevista (creio que ao Libèration de há uns anos atrás):
«Às vezes acontecia que algumas crianças abriam a minha braguilha e começavam a acariciar-me. (...) Se insistiam, também as acariciava. (...) As meninas de cinco anos tinham aprendido como excitar-me. É incrível.»
José Manuel Fernandes, pergunta-se: «Se, por acaso, (Cohn-Bendit) fosse indicado para comissário do mesmo pelouro que Buttiglione, alguém imagina que se levantaria idêntica tempestade entre os deputados?»

O Impertinências responde: levantar talvez levantasse, mas seria uma tempestade facilmente diluída pela matilha do politicamente correcto, que se faria de vítima de discriminação.

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Aldrabão ou mentiroso? (ACTUALIZADO)

Pergunta-me um detractor acidental se, quando escrevo aqui «John Kerry foi apanhado em mais uma aldrabice (inventando) um passado heróico no Vietname», o Impertinências deve ser classificado como «aldrabão ou mentiroso».

Enquanto fico a pensar melhor no assunto, proponho ao detractor que pare, olhe e escute o vídeo Stolen honor (via Blasfémias).

ADITAMENTO:
Algumas das aldrabices de Kerry [The Astute Blogger, citado por Dissecting Leftism]:
«Since his very first appearance on the national scene - as a water carrier for the communists of North Vietnam - Kerry has continuously LIED and EXAGGERATED. And he's been caught, over and over and over again... He slandered the US military in 1971; he lies about being at World Series games, about meeting with foreign leaders or UNSC members, about being in Cambodia - to name just a few!»

27/10/2004

DIÁRIO DE BORDO: O problema de Portugal.

O problema de Portugal não são os espanhóis, ou a globalização, ou o Bush. O problema de Portugal não é a pesada herança do fassismo (d'après O Anacleto). É a pesada herança de si próprio.

O problema de Portugal não são os políticos, ou os artistas, ou os intelectuais, ou os empresários, ou os trabalhadores. Deixemo-nos de merdas. O problema de Portugal são os portugueses. E não é a falta de auto-estima. É o excesso de auto-estima filho da auto-satisfação e da auto-complacência e neto do desleixo, da indolência, da inveja, da cobardia, que alimentam a estupidez e a ignorância.

Não se vai a lado nenhum a dar graxa aos portugueses, dizendo-lhes que são tão bons como os melhores. Não são. Podem ser quando resolvem dar corda aos sapatos, vão embora e se libertam do sufoco do culto da mediocridade. Alguns podem ir embora cá dentro, mas são poucos, muito poucos.

[A propósito do Retrato de Portugal num Dia Cinzento, segundo o Jaquinzinhos]

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Eu não sou o eu, nem sou o outro.

Secção Tiros nos pés
Há duas semanas, o Guardian - um jornal britânico assumidamente infestado pela esquerdalhada - lançou uma campanha induzindo os seus leitores a escreverem emails a eleitores americanos do Ohio (um dos swing states) influenciando o seu voto - imaginem em quem?

Algumas das reacções desses eleitores americanos foram compiladas pelo próprio Guardian aqui. Dividem-se em três grupos: palermices «internacionalistas» apreciativas da intrusão nas suas vidas dum emplastro britânico; indignação sincera e, em certos casos, vernácula por essa intrusão; preocupação de quem (democratas com as meninges em melhor estado) percebe que com amigos destes não são precisos inimigos.

Um exemplo deste último tipo:
«I just read a hilarious proposal to involve your readership in the upcoming US presidential election. At least, I'm hoping that it is genius satire. Nothing will do more to undermine the Democratic cause in Ohio than having patronising Brits wander around Clark County telling people how to vote. Just, for a second, imagine if the Washington Post sent folks from Ohio to do the same in Oxfordshire. I'm saying this as a Democrat, and as someone who has spent the last few years in the UK. That is, with all due respect. Please, please, be rational, and move slowly away from the self-defeating hubris.»
Com este «projecto» (que bela afinidade com a nossa esquerdalhada que também adora «projectos»), o Guardian ganha cinco merecidos chateaubriands por andar a fazer o lugar do outro.

Eu não sou o eu, nem sou o outro
Sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro

26/10/2004

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Uma aldrabice é uma aldrabice. Uma mentira é uma mentira.

Secção Com a verdade me enganas
Segundo o Washington Times, John Kerry foi apanhado em mais uma aldrabice. Depois de ter inventado um passado heróico no Vietname, de ter inventado uma visita a Bagdade durante a 1ª guerra do Golfo, inventou agora que teria «reunido várias horas com todos os membros do Conselho de Segurança uma semana antes da votação de Outubro de 2002 que autorizou o uso da força no Iraque». Até agora todos os putativos envolvidos negaram tal reunião.

Mesmo que Bush tenha mentido sobre as ADM, isto é, mesmo que ele soubesse JÁ ENTÃO, que elas não existiam - algo que talvez nem Saddam pudesse ter a certeza - é preciso reconhecer que, nesse caso, seria uma mentira relevante para os seus objectivos. Uma mentira cuja falsidade definitiva seria quase impossível de demonstrar - pode sempre dizer-se que ainda não foram descobertas, mas um dia podem ser. Seria uma mentira com propósito e deixaria a milhas de distância as pequenas aldrabices inúteis e inconsequentes dum Kerry, a revelar-se um vulgar troca-tintas.

Tem isto alguma importância? Citando, outra vez, Cavalcanti, «O homem com responsabilidade política não mente. Inventa a verdade». Inventando uma verdade trivial e merdosa, uma aldrabice, Kerry confirma o que se suspeitava: é um irresponsável político trivial e merdoso.

Para John Kerry, quatro merecidos ignóbeis, pela falta de vergonha, e cinco bourbons, porque parece ser um caso irremediavelmente compulsivo.

SERVIÇO PÚBLICO: Regra de bolso para medir o apetite da vaca e a generosidade do tratador.

«Para avaliar Orçamentos de Estado, há vários anos que uso uma regra simples: olhar para o que aconteceu ao total da despesa pública. Esquecer as parcelas e considerar, antes de mais, o total dos totais, a soma de todos os montantes gastos pela globalidade do Sector Público Administrativo (que inclui Estado, Fundos e Serviços Autónomos, Administração Regional e Local e a Segurança Social). Se esse valor desceu, o Orçamento é bom; se se manteve ou subiu, o Orçamento é mau; se subiu muito e, sobretudo, se subiu em percentagem do PIB, o Orçamento é péssimo»,
escreveu o professor João César das Neves na sua coluna «Não há almoços grátis» no DN.

Quem foram os campeões a dar palha à vaca marsupial pública? Quase todos:

«O quadro é fácil de traçar, porque o total da despesa só desceu, em termos reais, em quatro anos desde o 25 de Abril: 1982, 1986, 1994 e agora, por margem mínima, no Orçamento para 2005. Mas este último, ao contrário dos outros, ainda não está executado. Se o cumprir, o dr. Bagão Félix ficará bem classificado à luz desta regra de bolso.»
Quem foram então os tratadores mais parcos a atulhar a vaca? Se a memória não me falha: João Salgueiro, Miguel Cadilhe, Braga de Macedo e talvez (um grande TALVEZ) Bagão Félix.

25/10/2004

TRIVIALIDADES: Marocas - our movie star.

Quem imaginaria o nosso doutor Soares uma estrela de cinema? Mas é disso, exactamente, que se trata, como pode comprovar-se AQUI. (via ¡No Pasarán!)

[Marocas no filme «Eu e a queda do fassismo*»]
*d'après O Anacleto

TRIVIA: IF YOU ARE A GOOD TASTE FELLOW, PASS OVER THIS POST.

Someone told me that Monica Lewinsky just announced «I vote Republican this year. The Democrats left a bad taste in my mouth».

24/10/2004

LOG BOOK: May a classical analemma turn into a premiere?

«The analemma is a plot of the different positions of the Sun in the celestial sphere recorded at a certain point in time (at 24 hour intervals) and from the same location along the calendar year.» [Wikipedia]

«Anthony Ayiomamitis has captured the analemma in a completely vertical position by photographing it in Athens at 12:28:16 p.m. every several days over the course of a year. It is the first known image of its kind.» [Wired]

[A classical premiere]

23/10/2004

CASE STUDY: Crianças - os seres mais «fault tolerant» do universo.

De cada vez que os histerismos do jornalismo sensacionalista ou do jornalismo de causas (os dois frequentemente inextricáveis) produzem estridências à volta das crianças abusadas pelos pais, surgem imediatamente projectos de novas leis, comissões, organismos, medidas, planos para educar, controlar ou substituir pais relapsos.

De caminho metem-se no mesmo saco questões do foro criminal, actos de criaturas marginais, com a criação da prole por pais comuns - normais no sentido estatístico. É à criação da prole por pais normais que me refiro, por agora.

Uma das fábulas favoritas do politicamente correcto (PC) é a de que a educação das crianças é um assunto demasiado sério para ser deixado aos pais. Previsivelmente, um dos defensores da tese é Hillary Clinton. Não se chega a saber se estes emplastros acreditam, de facto, na fábula - caso em que estamos perante uma questão de idiotia - ou se simplesmente usam a tese como mais uma «conclusão científica instrumental» para à justificação dum papel ainda mais sufocante do estado na educação dos nossos filhos.

A observação dentro do círculo de relações pessoais de cada um indicia que existiu, existe e existirá uma certa proporção de pais substancialmente incompetentes. Mas, na sua maioria, os pais costumavam desobrigar-se da função com um módico de competência paternal. Sobretudo quando não pensam muito no assunto, amam os filhos e seguem o instinto. Ao contrário, quanto mais obsessivos (e ansiosos) os pais se mostram mais incompetentes se revelam.

O mais elementar senso comum levaria, portanto, a desconfiar das teses do PC. Todos nós já fomos, durante algum tempo, filhos e, numa proporção cada vez vez menor, somos ou seremos pais. Os nossos pais, os pais dos nossos pais, e por aí fora, não tiveram qualquer educação especial para serem pais. O instinto, o exemplo, algumas regras sociais elementares foram, são e serão suficientes para cumprir um papel que espécie exige de nós ou quase todos nós - os que herdaram a homossexualidade estão dispensados.

As crianças, ao contrário do que acreditam os emplastros, são seres razoavelmente resistentes e flexíveis, capazes de sobreviver a muitas asneiras paternais bem intencionadas. Elas são mais «fault tolerant» do que um servidor da Cisco.

Uma leitura recomendável: «The myth of 'infant determinism'» no Spiked online.

22/10/2004

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Maninfestação contínua - outra vez.

Introdução
A estória repete-se. A primeira vez como comédia, a segunda, a terceira e todas as seguintes, também.
Esta lei da repetição será um pouco maçadora mas tem a vantagem de permitir a reciclagem dos posts. Aqui vai, de novo, o post impertinente de 27-11-2003.

Secção Idiotas Inúteis
A festa continua? Melhor, a festa é contínua.
Na terça feira, umas centenas de ociosos, talvez matriculados em universidade, fizeram uma maninfestação (ver Glossário) em Lisboa, Porto e Coimbra, subindo a um patamar superior da luta de classes, os rapazes passaram a pedir a cabeça do primeiro ministro.
Provavelmente, a melhor palavra de ordem deve ter sido gritada no Porto: Propinem as empresas. Carago, acrescenta o Impertinente. Sempre é uma ideia. Não é grande coisa, mas é uma alternativa à propinação dos contribuintes.
Já sem inspiração para zurzir o tema, lembrei-me de pedir ajuda ao Prof. Saldanha Sanches que, apesar sua promiscuidade com a esquerdalhada, apresenta encorajadores sinais de lucidez, talvez devida à contaminação pela sua actividade como fiscalista, que certamente o sensibiliza aos custos das asneiras.
Escreveu ele no semanário do papel higiénico, que se a maioria dos estudantes de Coimbra (e de outros lugares, acrescento) acha que frequenta cursos tão maus que não vale a pena pagar a propina simbólica, então não vale a pena abrir a Universidade. Se esperamos lucidez dos reitores, é melhor esperarmos deitados, porque, diz ainda ele, há reitores das universidades públicas que têm hoje duas funções principais: bajular os estudantes e pedir dinheiro ao governo.
(Nota histórica: razão, antes de tempo, teve o grande dirigente da classe operária quando mandou expulsar do MRPP o então camarada Saldanha Sanches durante a primavera quente de 1975)
Em apoio à luta dos estudantes, o Impertinente exorta os matriculados maninfestantes a maninfestarem-se full time num qualquer maninfestódromo e deixarem em paz as criaturas que querem fazer pela vida. Como incentivo, os maninfestantes levam 3 bourbons e 4 chateaubriands.

CASE STUDY: Is homosexuality "inherited"?

«Scientists say they have shown how male homosexuality could be passed from generation to generation
Is homosexuality inherited like haemophilia, cystic fibrosis, muscular dystrophy, sickle cell anaemia or thalassaemia?
If so, why male gays are so proud parading all the time and boasting their inheritance?

21/10/2004

ESTÓRIA E MORAL: O apagador de promessas (Capítulo 1)

Estória
«O Governo está a ponderar uma nova descida da taxa de IRC em 2006, em linha com o prometido pelo anterior executivo, revelou hoje o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, noticiou a Lusa.
A descida da taxa de IRC em 2004, em cinco pontos percentuais, teve um efeito de 0,4 por cento no Produto Interno Bruto (PIB), disse Santana Lopes, na apresentação do Relatório para a Competitividade de 2004, elaborado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), em colaboração com a AEP (Associação Empresarial Portuguesa (AEP).
» [Jornal de Negócios]
A aritmética económica do doutor Lopes poderá parecer confusa - como explicar que a descida do IRC em 2004 tenha qualquer efeito no PIB de 2004? Mas isso é irrelevante para esta estória. O que é relevante é o registo, pelo menos enquanto tiver pachorra, para os vindouros, que o Impertinências passará a fazer desta e das imensas futuras promessas.

Moral
«Weigh oath with oath, and you will nothing weigh» (William Shakespeare's «A Midsummer Night's Dream»)

DIÁRIO DE BORDO: E não se pode exterminá-la?

«O ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, defendeu ontem que deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, uma vez que é o Executivo que responde pelas decisões adoptadas na estação pública», informa-nos o Público.

Estas declarações do doutor Sarmento excitaram imediatamente imensos espíritos. Entre os espíritos excitados ficou o doutor Arons de Carvalho, provavelmente o pior membro do pior governo dos últimos 25 anos (ou do segundo pior governo, se o corrente conseguir superar-se a si próprio). Dizer isto não é dizer pouco, quando a concorrência é fortíssima. Entre as suas realizações destaca-se a quadruplicação em 6 anos do défice da RTP que passou de 40 para 160 milhões de contos.
O Jaquinzinhos chegou a roupa ao pelo do doutor Arons de Carvalho, lembrando que «João Carlos Silva, deputado pelo Partido Socialista, foi nomeado pelo executivo de Guterres para acumular os cargos de Presidente do Conselho de Administração da Portugal Global empresa que engloba a RTP a RDP e a Agência Lusa, com o de Presidente, Director Geral e Director de Programas da RTP

É bem lembrado, mas passa ao lado do problema. E o problema é: para que queremos uma televisão pública?

O blasfemo João Miranda dá-lhe uma boa resposta (comentando os comentários do doutor Vital Moreira):
«O conceito de serviço público é definido pelas elites intelectuais e consiste na produção de programas de televisão que satisfazem as preferências ou que garantem o emprego desses mesmos intelectuais. Se isto é altruísmo, é um altruísmo muito suspeito porque os principais beneficiários do serviço público são precisamente aqueles que o conceberam e que o promovem.
Há uma contradição entre as preferências dos mais desfavorecidos e o conteúdo do serviço público de televisão que se traduz nas miseráveis audiências do canal 2. O canal 2 é visto precisamente e apenas por aqueles que não precisam dele. Os intelectuais defendem um serviço público que o público rejeita. Esta contradição é um sintoma de paternalismo e/ou hipocrisía.
A tentativa paternalista de dar aos mais desfavorecidos aquilo em que eles não estão interessados está condenada ao fracasso porque até os mais desfavorecidos têm telecomando. Numa sociedade aberta, não é possível dar cultura a quem não a quer.
»

Sendo assim, não se pode exterminá-la? Talvez. Mas um liberal realista e pragmático, vivendo no país mais colectivista da Europa, não deve esquecer que o povo não aprecia estas soluções radicais. À cautela é melhor propôr transformá-la numa PBS.

20/10/2004

CASE STUDY: Não lhes dêem dinheiro se eles não o souberem investir (o que é muito provável, senão não precisariam dele).

Apesar de um pouco hermético para quem não esteja familiarizado com o inevitável jargão, vale a penar ler aqui, um interessante artigo do doutor Lebre de Freitas que analisa a aplicação dos fundos estruturais na década de 90 nas ajudas às regiões do «Objectivo 1», isto é as regiões com um rendimento per capita inferior a 75% da média comunitária.
Fica razoavelmente demonstrado que, ao arrepio da vulgata eurocrática, «tal como a posse de petróleo ou de diamantes não constitui uma vantagem inequívoca para um país, as ajudas comunitárias também não serão uma condição suficiente para o crescimento económico das regiões.... mais importante do que a disponibilidade de fundos serão alguns factores específicos às regiões, como a qualidade dos seus recursos humanos, a qualidade das políticas económicas ou da administração pública
Dificilmente esta conclusão surpreenderá uma criatura liberal em matéria económica - se for possível encontrar alguma dessas criaturas por estas paragens.

19/10/2004

SERVIÇO PÚBLICO: O preço da capitulação tarda mas não falta.

«A polícia espanhola deteve sete pessoas numa operação contra uma rede de activistas islâmicos radicais, levada a cabo nas cidades de Almería, Málaga (Andaluzia), Valência e Madrid. Segundo as autoridades, os suspeitos pretendiam fazer explodir a sede da Audiência Nacional de Madrid com um camião carregado de explosivos
[Público]

«Zapatero ajoelha para melhor receber o golpe» escreveu-se aqui, premonitoriamente, no Impertinências em 19-04-2004.

BLOGARIDADES: Regressado à Bloguilha.

TEXTOS DE CONTRACAPA regressou à Bloguilha, depois duma longa ausência. Bem vindo (ou será benvindo?). Regressa armado da benzina do Eça, disposto a tirar a nódoa do governo. Percebo-o perfeitamente. Também já dei para esse peditório (a última vez aqui) e evaporou-se-me a benzina de tanto ensopar a boneca, ao fim de muitos anos e incontáveis governos.

18/10/2004

DIÁRIO DE BORDO: A história repete-se. Com outros actores, mas o mesmo libretto.

«The New York Times fez em Agosto uma pesquisa «não científica» em que apurou que os jornalistas que fazem a cobertura da actividade política em Washington são favoráveis a Kerry por uma margem de 12 para 1.»
«Vinte mil foi a estatística oficial das autoridades e, de facto, aquela que mais parecia aproximar-se da realidade.
O facto espelha duas notas negativas que servem para fazer o balanço deste terceiro Fórum Social Europeu: primeiro, a evidente perda de mobilização do evento; segundo, a recusa dos seus organizadores e participantes em reconhecer isto mesmo.
...
Este ano, por contraste, a figura apresentada como "cabeça de cartaz" foi Aleida Guevara - a filha do guerrilheiro cubano Che - que veio a Londres lançar um alerta ao o mundo para que os Estados Unidos querem entrar em Cuba quando saírem do Iraque.
»
Os tempos mudam, os cenários mudam, mas a história repete-se (a primeira vez bla bla bla, a segunda vez bla bla bla). Também durante o PREC a infestação da imprensa, da rádio e da televisão, transformou-as em imensas caixas de ressonância das produções fictícias da esquerdalhada, nas modalidades esquerdismo infantil e esquerdismo senil - o radical chic, filho duma união de facto, um mènage à trois, do PCP(Reconstruído)/UDP e LCI/PSR com a Moda Lisboa ainda não tinha nascido. Também durante o PREC, uma multidão de 30.000 esquerdalhos promovia maninfestações dia sim dia não, amplificadas pelas caixas de ressonâncias mediáticas. As primeiras eleições reduziram a coisa à sua irrelevância.

BLOGARIDADES: Carta aberta ao professor Salazar.

Caro senhor professor Salazar,
Começo por pedir que me releve o atrevimento de lhe escrever uma carta aberta, expediente que eu próprio já tinha classificado - levianamente, confesso - de «grande falta de vergonha».
É com alívio que tomo conhecimento do seu regresso, após quase 40 anos de ausência. Os portugueses merecem-no, cada vez mais, e o senhor professor merece-os desde sempre. Bem haja por ter regressado ao nosso convívio.
Aproveito para expressar o quanto me sinto honrado por incluir o Impertinências na sua secção «Deus nos livre!». Honrado, mas ao mesmo tempo, embaraçado. Com o devido respeito, senhor professor, tal Secção eu classificaria de albergue espanhol pela promiscuidade com que abriga criaturas que nunca coabitariam sob o mesmo tecto.
Sem querer ser pobre e mal agradecido, peço-lhe encarecidamente, senhor professor, que não me arrebanhe junto com as criaturas dos alterblogues (Barnabé, Blogue de Esquerda, entre outros da mesma família). Essas criaturas ficariam bem melhor na companhia do senhor professor, partilhando o mesmo criogénio onde se conservam.
Atento, venerador e grato
Pede deferimento
O Impertinente

Post scriptum:
Dou-me conta, com preocupação, que não incluiu o blogue O Anacleto no seu albergue «Deus nos livre!». É uma lacuna imperdoável que o exorto a colmatar quanto antes.
Admito que o senhor professor, apesar da sua imensa sapiência, desconheça o que seja um albergue espanhol. Poderá imaginar ser a pensão onde poderia ter ficado quando da sua única saída da Pátria para visitar o Generalissimo. Mas não é essa pensão. Para poupar explicações direi apenas albergue espanhol é uma coisa parecida com a «oposição ao regime» que senhor professor tão bem conheceu e a quem mandou dar uns «safanões» só para manter o respeito.

16/10/2004

DIÁRIO DE BORDO: So much ado for nothing.

A Visão desta semana, que folhei distraidamente enquanto tomava o pequeno-almoço, dedica talvez um quarto das suas páginas úteis ao folhetim do professor Marcelo.

O que tem este folhetim a ver com a liberdade de expressão? Não tem nada. Ou terá? Terá a ver com a liberdade dum pateta qualquer dum ministro qualquer exprimir publicamente uma qualquer patetice? Terá a ver (talvez) com a liberdade dum presidente ingénuo? (Que outra coisa pode ser quem dá uma abébia destas ao criador de factos políticos? - remember?). Um presidente dum grupo de média não pode tentar convencer um comentador, a quem paga, a evitar contundências que podem ofender os seus negócios?

Quem vê neste folhetim um atentado à liberdade de expressão propõe o quê? Que se silenciem os ministros patetas e os presidentes ingénuos? Que se suprima a sua liberdade de expressão? Em nome de quê? Em nome dum político, com ambições políticas, em comissão de serviço como comentador, continuar usar um púlpito de que ele abdicou voluntariamente? Um político que já tinha e tem, desde então, 24h/dia 7d/semana, dezenas de microfones e câmaras ansiosas por gravar todos os dislates que lhe apetecer dizer, mas que optou por ficar calado. Um político que, se fosse comentador independente sincero amante da liberdade de expressão, teria escolhido usar o seu último programa no domingo seguinte para, perante uma audiência de 2 milhões, denunciar as «pressões» que o governo, por interposta pessoa do cunhado da sua namorada, teria alegadamente feito para calar a sua voz incómoda.


[O amordaçado professor Marcelo visto pela impertinente Vitriolica]

Honra seja feita ao professor Marcelo que, uma vez mais, mostrou talento bastante para pôr as elites deste país a babarem piedade ou a espumarem raiva, conforme o caso. Sempre há uma esperança que sejam só as elites a masturbaram-se: o site da Visão mostrava, dos quase 10.000 respondentes à pergunta «Na sua opinião, houve, ou não, pressões do Governo para tentar silenciar o Professor Marcelo Rebelo de Sousa?», 51% respondem «Nem pensar» e 22% «Talvez não».

Haja deus. Porquê pessoas inteligentes e cultas dissipam as suas meninges nas duas últimas semanas a dissecar o folhetim? Bom, para mim, que já escrevi meia dúzia de posts sobre o tema, tenho uma explicação. Mas cadê o leitmotiv das luminárias?

15/10/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Imagine que fechamos. (ACTUALIZADO com foto de Anacleto La Fontaine)

«Imagine que fechamos Marcelo Rebelo de Sousa a criticar o Governo, o presidente da Media Capital, que tem negócios com o Governo, e o ministro dos Assuntos Parlamentares a acusar Marcelo de fazer comentários de ódio ao Governo. Aparece um ovo e é corrido o professor Marcelo. Quem é que pôs o ovo, senhor primeiro-ministro?», interrogava-se (via O Anacleto) ontem o professor Anacleto Louça na veneranda assembleia de República.
Resposta: não se sabe quem pôs o ovo. Só se sabe que o ovo, servindo de complemento a uma vichyssoise, foi comido pelo professor Marcelo.

M. Anacleto La Fontaine raconte chez le poulailler la fable «La Poule aux oeufs d'or»

«Militares da GNR Internados por Recusarem Cortar Erva» titula o Público (via Blasfémias), explicando que «os praças apresentaram atestados médicos civis alegando incapacidade psicológica e os clínicos militares aceitaram a justificação mas, entretanto, a psiquiatra responsável foi de férias e, como alegadamente só ela lhes poderá dar alta, permanecem no hospital.»
Imagine que fechamos os praças a protestar, a psiquiatra regressada de férias e o comandante da GNR. A relva aparece cortada. Quem a cortou ? Resposta: a relva foi comida pela vaca marsupial pública.

«É aqui que se vai abrir o espaço para aquilo que é uma das ideias obsessivas de Derrida: a desconstrução é afirmativa, é a mais alta celebração da vida, é a espera do inaudito, é um messianismo sem messias», escreveu, entre imensas outras aleivosias, o doutor Eduardo Prado Coelho (citado pelo Jaquinzinhos).
Imagine que fechamos Derrida, o efabulante doutor Coelho e o filósofo professor Carrilho. Derrida aparece morto. Quem é o assassino? Resposta: ninguém. Derrida foi vítima de um cancro desconstrutivista.

«Venda do fundo da CGD ameaça derrubar Bolsa», explica-nos o Jornal de Negócios.
Imagine que fechamos um ministro «neo-liberal», dirigentes sindicais «socialistas» e a doutora Cardona. Aparece nacionalizado o fundo de pensões privado de 2,5 mil milhões de euros (1,8% do PIB). Quem é a favor e quem é contra? Resposta: nunca se sabe.

«Europa está dominada por los maricones» escreveu elMundo(via Marretas), citando o ministro dos estrangeiros italiano Mirko Tremaglia, a propósito do chumbo por delito de opinião de Rocco Buttiglione.
Imagine que fechamos o indigitado comissário da justiça Rocco Buttiglione, o indigitado comissário do comércio Peter Mandelson e o namorado deste último (um brasileiro que ele conheceu quando foi fazer turismo gay ao Brasil). O namorado aparece grávido. Quem é o pai da criança? Resposta: Alexandre Frota. O namorado tinha passado um fim de semana na Quinta das Celebridades.

CASE STUDY: Gandhi para secretário-geral! Já!

Descobri há dias que os candidatos do PS se deram ao incómodo de responder ao teste Bússola Política que o PÚBLICO adaptou para português a partir do original do Political Compass.

O perfil dos candidatos posiciona-os no referencial esquerda-direita/libertarianismo-autoritarismo assim:


Os seus apoiantes mais notórios semearam-se também na vizinhança dos respectivos candidatos.


Os candidatos, que entre si quase não se distinguem, imaginem com quem se parecem todos eles.

Para quê eleições? Podiam ter jogado às moedas para escolher o gandhi de serviço.
[Contudo. Contudo, o meu desconfiómetro até parecia um contador Geiger em Chernobil. Quem é que vê libertários em tais admiradores, confessos ou envergonhados, do Estado Social (com Maiúsculas)?]

14/10/2004

PUBLIC SERVICE: Shame on you, Zeropeans.

«A mass grave being excavated in a north Iraqi village has yielded evidence that Iraqi forces executed women and children under Saddam Hussein.
Mr Kehoe said that work to uncover graves around Iraq, where about 300,000 people are thought to have been killed during Saddam Hussein's regime, was slow as experienced European investigators were not taking part.
The Europeans, he said, were staying away as the evidence might be used eventually to put Saddam Hussein to death
[BBC News]

Zeropeans is a word coined by Merde in France a member of ¡No Pasarán! crew nowadays.

TRIVIALIDADES: Who is the unidentified man? (Parte 2)

Um detractor do Impertinências, que se confessa admirador do doutor Lopes, comentando o post de ontem, informa que já não é a primeira vez que o nosso primeiro ministro ofusca personalidades internacionais com quem se encontra. Sempre segundo esse detractor/admirador, terá sido publicada há uns anos, num jornal da Figueira da Foz (será este?), uma foto do doutor Lopes com João Paulo II, tirada durante uma audiência. A legenda rezava assim: «O presidente Santana Lopes escuta atentamente um idoso não identificado».
Seria esta foto a mesma que o doutor Lopes tinha à sua beira durante a comunicação ao país esta semana dos milagres que o seu governo irá conceder ao povo no próximo ano?

13/10/2004

DIÁRIO DE BORDO: Mal estimados 7 - Ruínas do bolchevismo 1.

«Poder de fogo», disse ele (*).

(*) Gabriel Alves

SERVIÇO PÚBLICO: Chumbado por delito de opinião.

Rocco Buttiglione, comissário para a Justiça e Assuntos Internos, proposto pelo presidente da CE José Barroso (anteriormente conhecido por doutor Durão Barroso) foi rejeitado na Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos por «declarações controversas, durante a audição a que foi submetido, no dia 5, sobre a homossexualidade, que considerou um "pecado", e as mulheres, cujo papel, em seu entender, é terem filhos e serem protegidas pelos maridos.»

TRIVIALIDADES: Who is the unidentified man?

Esta foto Associated Press do nosso primeiro ministro

[cortesia de ARG!!!]
foi publicada com a seguinte legenda:
«Prime minister Pedro Lopes, right, greets an unidentified man and Guatemalan President Oscar Berger, center, at a luncheon for world leaders attending opening day of the 59th session of the United Nations General Assembly, Tuesday, Sept. 21, 2004, at the United Nations in New York
Estranhamente, nesta página da Yahoo News deixou de estar disponível a foto e a legenda não é a mesma. Não acredito em bruxas. Pero.

12/10/2004

DIÁRIO DE BORDO: O discurso das promessas - tudo como dantes, quartel general em Abrantes.

O doutor Santana Lopes mostrou ontem na sua comunicação ao país que é aquilo que todos esperam que seja: um santo milagreiro. O seu governo vai aumentar os funcionários públicos e as pensões, reduzir o IRS e, milagre supremo, conter o défice. Vai ainda pagar as dívidas do estado e, outro milagre, não vai aumentar a dívida pública. Não disse, mas supõe-se, vai manter o exército de dependentes da vaca marsupial pública. Não disse, nem nunca diria, que vai manter a presença sufocante deste estado omnipresente e omnipotente a fazer de conta que cuida dos portugueses.

Há alguma novidade nisto? Nenhuma. O doutor Santana Lopes inscreve-se numa muita antiga tradição da política portuguesa e o seu retrato entra numa comprida galeria, imediatamente a seguir ao do engenheiro Guterres (o doutor José Barroso aka Durão Barroso não teve tempo de ser retratado para esta galeria). Na verdade, quase todos os seus antecessores usaram o estado como uma máquina de distribuir benesses e sinecuras com vista à sua perpetuação no poder. Nem mesmo o professor Oliveira Botas Salazar, um velho manhoso e forreta, escapou - ao contrário do que dizem os seus admiradores. Apenas administrou com muito mais competência e contenção a distribuição de tais benesses e sinecuras - sem esquecer que uma ditadura ajuda muito para conter os pedintes nos limites da pedincha.

PUBLIC SERVICE: Garbage in, garbage out.

«Sinclair Broadcasting Group, which owns the largest chain of TV stations in the United States, has told its stations to broadcast a documentary accusing Democratic presidential candidate John Kerry of betraying American prisoners during the Vietnam War, according to a news report Monday.
According to the Washington Post, Hunt Valley, Md.-based Sinclair has ordered its 62 stations -- some in states contested in the election such as Florida, Iowa, Ohio and Wisconsin -- to show "Stolen Honor: Wounds That Never Heal" during prime-time hours before the Nov. 2 election. The stations owned by Sinclair reach 24 percent of U.S. television households.»

[CBS MarketWatch]

11/10/2004

PUBLIC SERVICE: Afghan poll - ASAP and AFAP?

«A Kaboul, le principal groupe d'observateurs du processus, la Fondation afghane pour des élections libres et justes (FEFA, 2 300 observateurs), a, de son côté, estimé que la présidentielle s'était déroulée dans "un environnement assez démocratique"»
[Le Monde]

«As thousands of ballot boxes began reaching the capital by donkey, taxi and helicopter to be counted at an army base, Afghan and international officials reiterated their praise for the massive, peaceful demonstration of civic will shown by millions of voters, and they played down the complaints of voting irregularities initially made by 15 candidates
[Washington Post]

«In an initial assessment, the Free and Fair Election Foundation of Afghanistan (Fefa) said that despite many errors and some deliberate rigging the poll was largely successful. The Organisation for Security and Cooperation of Europe, which deployed 40 experts, gave a similar verdict
[The Guardian]

Should one say as soon as possible and as fair as possible?

10/10/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Uma má notícia, uma boa notícia e uma dúvida.

Todos os jornais, televisões e rádios deste país dedicam as suas manchetes ao show de palhaços imaginado pelo professor Marcelo, com a ajuda dum ignoto ministro dos assuntos parlamentares, a inépcia, na melhor hipótese, ou a ingenuidade, na pior, do engenheiro Paes do Amaral, e a prestimosa cooperação do nosso sofredor PR, encabeçando um longo e colorido cortejo de personalidades. Este circo é avidamente acompanhado por um número indeterminado de portugueses.

Todos os dias há cerca de 8 milhões de portugueses que não acompanham as aventuras da menina Cinha, da dona Tatiana Romanova, do troglodita de Marco de Canavezes, e das restantes criaturas que refocilam na Quinta das Celebridades.

Quantos destes 8 milhões de portugueses já se terão desinteressado do show montado pelo professor Marcelo? Não se sabe. Devem ser poucos. Serão eles «os Portugueses (que) querem ouvir a verdade por mais dura que se afigure»?

09/10/2004

TRIVIALIDADES: Um povo, uma cultura, um presidente, um discurso.

Está bem enganado quem imagine que o PR não interpreta o sentir da alma nacional. Segundo O Independente, na versão lida do discurso que o doutor Sampaio tinha atrasado dois meses e o Público adiantado 4 horas, foi suprimida a frase fatal: «os Portugueses querem ouvir a verdade por mais dura que se afigure».
Certamente escrita por um qualquer assessor conservado em clorofórmio numa das salas de Belém, ignorante do país real, do Portugal profundo e do Portugal superficial, a frase foi suprimida in extremis pelo presidente. Ao fazê-lo o doutor Sampaio mostrou, para quem tivesse dúvidas, que não dorme em serviço.

08/10/2004

BLOGARIDADES: «Professor: 25 de Abril sempre!»

O ridículo fez mais uma vítima mortal. Desta vez foi a camarada doutora Ana Cleta Gomes que, babando lisonja ao excelso Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, pôs o seu «modesto espaço de blog à sua disposição». «Mesmo, ou sobretudo, quando entenda criticar-me, como já sucedeu
[rrrggghhh, vómito]

TRIVIALIDADES: Se o ridículo fosse mortal, o país estaria juncado de cadáveres.

Haverá país para além do professor Marcelo? Talvez não. A nação interroga-se sobre a alegada censura (não é certo que exista) do alegado primeiro ministro (não é certo que exerça).
O professor Anacleto Louçã acusa o governo de «delírio antropofagista, em que a maioria se come a si própria». Preso por ter cão e preso por não ter. Não é verdade que os Anacletos defendem o direito de se comerem uns aos outros? Se eles podem, não poderá o governo?
O camarada Bernardino Anacleto Soares, queixa-se que «para qualquer democrata, deve ser preocupante a capacidade demonstrada por este Governo de influenciar um grande órgão de comunicação social». Terá ele em mente a democracia cubana ou a democracia norte coreana?
O presidente da República desdobra-se em contactos. Fala com o professor Marcelo. com o doutor Santana, e, várias vezes ao dia, com a doutora Maria José.
O doutor Sarmento não comenta e deixa-nos a roer as unhas. Só diz que «não houve pressões».
O professor Aníbal, ao acordar da sua sesta na vivenda Mariani, declarou que estamos «perante um caso muito, muito grave».
O doutor António Luís Marinho cita Cavalcanti:«O homem com responsabilidade política não mente. Inventa a verdade».
Já tudo foi dito? Ainda não. Falta dizer que o professor Marcelo foi tão sujeito a pressões como a minha prima Albertina quando ofegava ao ouvido do namorado: Amâncio amansa-o, amansa-o Amâncio. Tal como a minha prima Albertina, o professor Marcelo estava danado para aproveitar uma oportunidade que o nervoso e a incompetência do governo, mais cedo do que tarde, lhe iria oferecer. Não a incompetência governativa, que essa o doutor Santana vem esbanjando todos os dias, mas a incompetência mediática - único domínio onde ainda se supunha que o governo poderia contar com talentos vários. Supunha-se mal, como se poderia ter adivinhado pela gestão mediática desastrosa do caso Barco do Aborto pela luminária da manipulação comunicacional - doutor Portas.

07/10/2004

TRIVIALIDADES: Se o ridículo fosse mortal, haveria dois cadáveres hoje às 12:45 em Belém.

«O presidente da República recebe hoje o comentador político e ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa, em audiência agendada para as 12h45.

Segundo disse à Agência Lusa fonte do palácio de Belém, a iniciativa partiu de Jorge Sampaio, na sequência do anúncio da saída de Marcelo Rebelo Sousa da TVI, onde fazia comentários políticos ao domingo, no telejornal daquela estação


Um problema que este país tem: é uma freguesia. Tem um presidente de junta que andou na escola com as forças vivas. A socialite local já dormiu toda entre si. As elites da freguesia encontram-se, dia sim dia não, nos mesmos sítios, nas mesmas conferências, nos mesmos colóquios. Lambem-se socialmente ou odeiam-se amavelmente em circuito fechado. Os fihos deles andam todos nas mesmas escolas e quando crescem vão frequentar as mesmas universidades, ter lugar nas mesmas empresas, gastar as noites nas mesmas discotecas.

PUBLIC SERVICE: A new search engine.


Go for it!

06/10/2004

CONTINUOUS APPRAISAL: Do sexual orgies eliminate social tensions? Oh yeah!

Section Assaults of thoughts
«Supreme Court Justice Antonin Scalia, despite his defense of anti-sodomy laws, told a Harvard University audience this week that he's in favor of orgies. He derided a 2000 decision by the European Court of Human Rights that struck down a British law barring group gay sex because the law invaded privacy. Scalia asked how many people would have to take part in a sex act before it would not be considered private. "Presumably it is some number between five and the number of people required to fill the Coliseum," he said. But Scalia insisted his personal opinions are unrelated to his court decisions. "I even take the position that sexual orgies eliminate social tensions and ought to be encouraged," he said. "But it is blindingly clear that judges have no greater capacity than the rest of us to decide what is moral."»
[Debra Jones, Furthermore - Wired News]

For his boldness at easing off orgy as therapy while sticking firmly non-sodomite Justice Scalia deserves 3 Chateaubriands to reward his mental disorder - he didn't realize how sodomy could enlarge orgy possible participants and combinations and hence eliminate even more social tensions.

05/10/2004

SERVIÇO PÚBLICO (especial comemoração da república): A reforma de Mira Amaral vista dum ângulo impertinente.

O engenheiro Mira Amaral reformou-se antecipadamente aos 58 anos, depois de 36 anos de inscrição na Caixa Geral de Aposentações (CGA). Por ter antecipado a reforma, terá tido uma dedução de 9%, nos termos do artigo 37ºA do DL 498/72 de 9-12 (ver a explicação mais abaixo). Como se reformou ao serviço da CGD, será o fundo de pensões desta que pagará a sua pensão (a mesma que receberia da CGA).

O que tem isto de extraordinário? Nada. Qualquer outro dos mais de 700.000 funcionários públicos tem exactamente o mesmo direito de antecipar a reforma nas mesmas condições.

O engenheiro Mira Amaral, como administrador da CGD, com 36 anos de inscrição na CGA, teve direito a uma pensão calculada em 90% da sua remuneração para efeitos de descontos. O que tem isto de extraordinário? Nada. Qualquer funcionário público tem a sua pensão calculada com base em 100% da última remuneração (artigo 47º do DL 498/72).

Foi atribuída ao engenheiro Mira Amaral uma pensão mensal de 18.000 euros calculada com aquelas regras aplicáveis à ultima remuneração. Esta última remuneração é extraordinária para o cargo desempenhado? Não parece. Muitos administradores de bancos privados mais pequenos têm remunerações superiores (se o engenheiro Mira Amaral vale ou não o salário que tinha é uma outra questão).

Vejamos tudo isto num outro ângulo - o ângulo dos tansos que com os seus impostos sustentam a vaca marsupial pública que engole metade da palha que o país produz.

O que tem de extraordinário a pensão dos funcionários públicos ser baseada na última remuneração? Imenso. Simplificando o regime do DL 35/2002 de 19-02: qualquer empregado duma empresa privada tem direito à reforma aos 65 anos com uma pensão que é de 2% a 2,3% por ano de contribuição para a Segurança Social (SS), aplicando-se a percentagem resultante à remuneração média de toda carreira contributiva.
Se quiser antecipar a reforma (artigos 23º e 38ºA do DL 329/93 de 25-09), esse empregado terá que descontar 4,5% por cada ano de antecipação em relação aos 65 anos. No caso de ter mais de 30 anos de desconto aos 55 anos de idade, tem uma bonificação de um ano por cada 3 do excesso. No caso dum funcionário público, a antecipação é calculada em relação aos 60 anos e a bonificação tem lugar com mais de 36 anos de desconto aos 55 anos de idade.
Transitoriamente até 2016, a maioria das pensões será ainda calculada com base em 2% por ano de contribuição com o máximo de 80% da média dos melhores 10 dos últimos 15 anos de descontos (e não da última remuneração, como nos funcionários públicos, geralmente superior ou mesmo muito superior).

EXEMPLOS:
Um pensionista do regime geral que opte pelo regime anterior (opção mais do que provável), se antecipar a reforma aos 58 anos, com 36 anos de descontos, teria uma pensão de 49,5% [=36x2%-(65-58-2)x4,5%] da média dos tais 10 melhores anos. Se esta média fosse de 75% do último salário a pensão ficaria praticamente reduzida a 37% do último salário. O que tem isto de extraordinário? Nada. Mesmo assim, o sistema de SS não é financeiramente sustentável nestas condições.
O mesmo pensionista, se for funcionário público, ao antecipar a reforma teria uma pensão de 91% [=100%-(60-58-0)x4,5%], isto é 2,5 vezes a pensão do pensionista do regime geral. O que tem isto de extraordinário? Imenso se considerarmos também o facto do salário médio na função pública ser o dobro da média das empresas privadas, o que faria em média, neste exemplo, a pensão do utente da vaca marsupial pública cinco vezes a do cidadão contribuinte.

O que tem de extraordinário a aposentação do engenheiro Mira Amaral ter sido tratada, quase sem excepção, demagogicamente pelos média? Nada. Vivemos num país com uma matriz colectivista e um paradigma feminino (a inveja, sempre ela). Um país que tem os média infestados de anacletos com diferentes matizes, frequentemente preguiçosos, incompetentes e eticamente frouxos.

Até aqui há alguma coisa extraordinária? Só uma. Ninguém ter referido que não há um escândalo da pensão do engenheiro Mira Amaral. Há o escândalo do regime de excepção das pensões dos funcionários públicos, com financiamento pelo OE (pelos impostos pagos pelos contribuintes) e não pelo seus descontos. Claro que escrever isto não é popular e é contrário à cartilha anacleta.

O que tem de extraordinário este tema ter sido tratado pela Bloguilha quase sempre pela mesma bitola dos média? Nada. Afinal vivemos todos nesta república dos bananas que faz hoje 94 anos.

SERVIÇO PÚBLICO: O presidente, o Público e a máquina do tempo.

Às 7:34 da madrugada de hoje, quase 4 horas antes do discurso que o presidente da República começou, agora mesmo, a pronunciar na praça do Município, na varanda da Câmara municipal, o Público relatava as «condições ao Governo» que o doutor Sampaio iria anunciar com um atraso de mais de 2 meses em relação à nomeação desse governo

BLOGARIDADES: Os anacletos em Serpa, Vila Morena.

Não perder o relato pel'O Anacleto do encontro em Serpa, Vila Morena do encontro dum «grande grupo de brilhantes pensadores da esquerda moderna», isto é um encontro de anacletos.

Infelizmente, O Anacleto não nos elucida sobre a participação no encontro da camarada Ana Cleta Gomes.

04/10/2004

DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Harcèlement, disse ele? / Did he say harassment?

Querem (mais) uma prova de insanidade mental do Impertinências? Aqui vai. Há mais de 40 anos tenho como amigo um estupor que faz um cartune abjecto (¡No Pasarán!) como este publicado no Monde (link disponível aqui para quem é «abonado»)

Não tenho desculpa. O gajo é assim desde que o conheço. É um caso incurável de ortodoxia estalinista, esquerdismo infantil e esquerdismo senil, sucessivamente, por esta ordem.

Summary for the sake of
I have no excuse. The guy cartoonist, that motherfucker former Stalinist, nowadays senile leftist, he use to be a friend of mine for more than 40 years. Need to say more about my insanity?

03/10/2004

TRIVIALIDADES: A convergência das gravatas na conferência hispânica.

Teve lugar a semana passada um encontro do presidente do governo espanhol, doutor Sapateiro, com os presidentes de algumas regiões autónomas, como a Galiza, Estremadura e também Portugal, entre outras.
Em representação da região de Portugal esteve o presidente doutor Lopez, antigo alcaide de Lisboa. O doutor Lopez teve um papel de destaque e foi honrado pelo doutor Sapateiro com a «convergência na escolha da cor azul para as gravatas», segundo um semanário de Pazo de los Arcos.
A declaração mais polémica foi produzida àquele semanário pelo presidente da Estremadura, a respeito da região de Portugal. «Não se podem pedir fundos europeus para construir auto-estradas e não querer que por estas venham camiões da Siemens, da Zara ou da Volvo», disse o doutor Rodrigues e Barra, ignorando que na região portuguesa é muito popular o desejo de ter sol na eira e chuva no nabal, ao mesmo tempo.

02/10/2004

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um discurso não ortorrômbico.

Secção Universos paralelos
O doutor Jaime Gaime fez hoje um discurso no congresso socialista. Pode concordar-se ou discordar-se, mais ou menos, mas não ficaram dúvidas que se trata dum dos poucos socialistas que tem um pensamento político. Só isso já seria uma novidade. Mas tem um pensamento político não ortorrômbico, arejado, o que é uma raridade naquelas paragens.

Para o doutor Gama, o peixe de águas profundas, que emerge de vez em quando, vão dois afonsos, por ter dito o que disse naquele congresso e com uma plateia que não deve ter apreciado excessivamente as suas liberalidades.

01/10/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Os herdeiros em minoria e a reforma do doutor Anacleto que talvez o cannabis nos poupe.

Afinal os herdeiros espirituais de admiradores confessos do regime soviético que exigiram a Blair que pedisse desculpa, no que foram «sinceramente» atendidos, não estavam em maioria na conferência anual trabalhista. Ou então mudaram de opinião, porque a maioria dos delegados «defende a permanência das tropas inglesas no Iraque» rejeitando a moção que «defendia o abandono total e imediato dos militares ingleses do cenário de guerra», aprovada por apenas 14%. [ver DN aqui]

O professor Louçã considerou a reforma do engenheiro Mira Amaral «um insulto depois de menos de dois anos de trabalho». Não consta que este doutor Anacleto inclua na categoria dos insultos a sua própria reforma ao fim de 8 anos a coçar a bunda e a puir as calças pelas cadeiras de S. Bento, enquanto enche o éter com os sound bites da sua cassete.

«O consumo da cannabis está a ganhar cada vez mais peso nas mortes em que há detecção de drogas. No ano passado a substância foi identificada na proporção recorde de 22 por cento do total», escreveu o Público.
Poderemos nós, contribuintes, ter esperança que não vamos ter que pagar a reforma dos doutores Anacletos?

CASE STUDY: Um país diferente? (4)

Depois destas, destas e destas, as últimas questões, a propósito do Statistical pocketbook do Eurostat «Living conditions in Europe (1998-2002)».

Habitação
Percentagem de lares:
Vivendo em moradias com rendimento do lar (1999) Portugal UE(15)
menor que 60% da mediana.........................82%(*)...49%
(*) a 2ª mais alta
maior ou igual a 140% da mediana.................44%(*)...54%
(*) a 4ª mais baixa

Proprietários da habitação com rendimento do lar (1999)
menor que 60% da mediana.........................82%(*)...50%
(*) a 5ª mais alta
maior ou igual a 140% da mediana.................70%(*)...71%
(*) a 2ª mais baixa

Habitações sobrelotadas (1999)...................21%(*)...10%
(*) a 3ª mais alta

Habitações sem condições sanitárias (+) com
rendimento do lar:
menor que 60% da mediana.........................96%(*)...35%
maior ou igual a 140% da mediana.................80%(*)...10%
(+) falta de pelo menos uma das seguintes: banho,
sanita interior, água quente
(*) a mais alta

Saúde
Percentagem da população que considera ter más
ou muito más condições de saúde (2001)
maiores de 16 anos...............................19,4%....11,4%
maiores de 65 anos...............................54,6%....25,8%

Percentagem da população (16-64) que declara ter
problemas persistentes de saúde ou uma invalidez (2002)
Homens...........................................20,1%....16,4%
Mulheres.........................................21,6%....16,3%

Novos casos de SIDA por milhão de habitantes
1995.............................................78,2.....65,0
2001............................................102,5.....23,3

Acidentes de trabalho
Acidentes com baixa superior a 3 dias por
100.000 trabalhadores (2000)..................4.863(*)..4.016
(*) a 4ª mais alta

Acidentes mortais.................................9(*).....5
(*) a mais alta

Acidentes nos transportes (1999)
Taxa bruta não corrigida de mortalidade..........27,6(*)..18,1
(*) a mais alta

Participação social
Percentagem da população cujas actividades diárias
incluem dar assistências não remunerada a:
A crianças
- Homens..........................................8(*)....19
(*) a mais baixa
- Mulheres.......................................28.......31
A outros
- Homens..........................................1(*).....5
(*) a mais baixa
- Mulheres........................................6........8


Mais perguntas impertinentes:

  • Como explicar que são os portugueses com menores rendimentos que mais vivem em moradias - quase sempre sua propriedade? (A propósito veja o post Um país de proprietários ou um país de insolventes?
  • Para quê ser proprietário de casas sobrelotadas e maioritariamente sem condições sanitárias?
  • Será possível que só 4% das casas dos lares com menores rendimentos tenham essas condições mínimas?
  • Restam dúvidas sobre as demonstrações empíricas do Impertinências da falta de saúde dos portugueses? (ver os sete capítulos de «É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença»)
  • Porque diabo temos uma produtividade tão baixa e nos matamos a trabalhar - literalmente?
  • Será que somos o país com a cultura mais feminina da Europa porque são as mulheres que tomam conta de nós, desde que nascemos até que morremos?