Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Lost in translation – there is no such thing as flag carrier ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Lost in translation – there is no such thing as flag carrier ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

08/07/2020

Lost in translation (339) - Com o pedronunismo nos comandos da TAP haverá rupturas nos bolsos dos sujeitos passivos

Como resultado da sua «bravata ideológica», o ministro das Superestruturas pagou 55 milhões ao accionista David Neeleman para ele se libertar do pesadelo TAP, comprometeu-se a considerá-lo credor privilegiado do seu empréstimo de 90 milhões a uma generosíssima taxa de 7,5%, conseguiu que a TAP fosse a única companhia europeia a não receber um apoio Covid, vai enterrar naquele cemitério 1.200 milhões como primeira de várias prestações a sacar aos contribuintes, despediu o único gestor que conhece o negócio de aviação e garantiu que irá recrutar para a gestão da TAP uma equipa de topo. A respeito desta última garantia só me ocorre o que escreveu José Diogo Quintela: «faz tanto sentido como a minha filha contratar o Chef Kiko para preparar o chá imaginário que ela serve às suas bonecas».

O Dr. Pedro Nuno Santos, a berrar há meses que a TAP está falida, teve de aceitar que a CE considerasse a TAP inviável, apesar dos capitais próprios e os resultados operacionais ainda serem positivos. E, a propósito, recorde-se que quem está de facto falida é a holding TAP SGPS porque uma das participadas é a TAP Manutenção e Engenharia que tem perdido milhões parcialmente compensados pelos lucros na operação da TAP. Recorde-se também que na compra e na gestão desta participada andaram as mãozinhas de Lacerda Machado, o amigo do Dr. Costa, e de outros socialistas (Almeida Santos, por exemplo).

Ah!, quase esquecia, o Dr. Pedro Nuno Santos ainda garantiu que «Não haverá rupturas. Não vamos deixar isso acontecer» o que é uma ameaça assustadora para os sujeitos passivos.

Qual o racional de comprometer os portugueses com o desastre anunciado? Salvar uma companhia de bandeira (leia-se o post there is no such thing as flag carrier)? Dos 10 milhões de portugueses só uma pequeníssima parte viaja regularmente na TAP e os outros milhões de portugueses não residentes, dispõem da oferta das low cost. Querem proporcionar voos baratos aos residentes nas Regiões Autónomas? Subsidie-se se necessário (e talvez não seja) os voos das low cost para as RA- já agora recorde-se que o turismo para os Açores só se começou a desenvolver quando a Ryanair e outras passaram a operar. Querem salvar dez mil postos de trabalho ao custo de 120 mil euros cada, só para começo de conversa?

E qual foi o resultado de tudo isto? Para citar Helena Garrido, «o Governo cavou um buraco ainda maior na TAP e salvou um dos accionistas privados de referência. Com a cumplicidade do primeiro-ministro, do Presidente da República e de todos os partidos. As vítimas desta gestão irracional do processo da TAP serão mais de dez mil famílias, os contribuintes portugueses e o dinheiro que vai faltar noutras áreas em que o Estado é importante

Há, porém, um hipotético, ainda que desmesuradamente caro, resultado positivo se o pequeno oráculo Marques Mendes tiver razão e a TAP vier a ser um «grande crematório político ... (que) pode queimar ministros a torto e a direito».

[Para uma recapitulação da saga veja-se etiqueta TAP]

Aditamento:

Já depois de publicado este post, li este artigo de André Abrantes Amaral citando alguns números comprovando a fraude da TAP ser uma "companhia de bandeira": «apenas 28% dos passageiros que chegam ao Funchal o fazem através da TAP. Para Ponta Delgada são apenas 17%. Quanto ao Porto só 20% dos passageiros que chegam à invicta o fazem por via da TAP. Mas a cereja em cima do bolo diz respeito a Faro. Sabia que a TAP foi responsável por apenas 3% (repito, 3%) dos turistas que chegaram ao Algarve no terceiro trimestre de 2019?» 

29/05/2015

Lost in translation (241) – there is no such thing as flag carrier (V)

A sublinhar a singularidade no concerto das nações da companhia de bandeira das caravelas dos Descobrimentos (d'après Costa), uma das vacas sagradas do regime, singularidade já aqui mostrada e agora outra vez reproduzida, registe-se que o governo irlandês decidiu vender a sua participação na Aer Lingus à IAG, a holding que detém a British Airways e a Iberia.


É claro que o governo irlandês não vai pagar à IAG para lhe ficar com a Aer Lingus, como eventualmente o governo português terá de fazer, porque para começar a Aer Lingus não tem o passivo da TAP nem está tecnicamente falida.

A Aer Lingus tem capitais próprios positivos de 660 milhões mais do que o buraco da TAP de 400 milhões and counting. Ou seja, em termos contabilísticos simplistas a Aer Lingus vale mais mil milhões do que a TAP. Em termos de resultados operacionais os 44 milhões da TAP comparam com os 72 milhões da Aer Lingus. Isto apesar da Aer Lingus transportar apenas 10 milhões de passageiros/ano com um staff de 4 mil contra 28 milhões da TAP com um staff de 11,5 mil. É claro que se metermos nos pratos da balança os mil pilotos da TAP, o seu sindicato e o seu consultor é o fim da conversa. (ver relatório de 2014 da Aer Lingus)

É por isso que o governo irlandês poderá arrecadar uns 1,4 mil milhões de euros vendendo a um consórcio que incorpora dois grandes operadores (British Airways e Iberia), enquanto o governo português se tem de contentar com os candidatos que apareceram (oremos para que seja adjudicado à Azul, porque quanto ao Sr. Efromovich estamos conversados).

02/04/2015

Lost in translation (233) – there is no such thing as flag carrier (IV) – Me too

Continuação de (I), II) e (III)

«A chegada das companhias aéreas de baixo custo aos Açores, que está a horas de se concretizar, já pôs a mexer a economia local. Hoje (29-03), a Easyjet começou a voar de Lisboa para Ponta Delgada. E a 1 de Abril, na quarta-feira, também a Ryanair estreará as suas ligações para São Miguel. As novas ligações serão um forte contributo para o aumento de passageiros que se espera no aeroporto João Paulo II.» (SOL)

«A TAP decidiu reformular a operação para os Açores, acrescentando mais voos às ligações do Continente às principais ilhas, anunciou hoje (30-03) a empresa». (DN)

Dionísio Pestana disse recentemente «A TAP pouco contribuiu para o crescimento do Algarve, Madeira ou Porto. Temos de agradecer às companhias Low cost, que foram os grandes salvadores do turismo.» A omissão dos Açores explica-se porque o grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro português, ainda não tem um hotel nos Açores.

Entretanto, para não variar a TAP, vive «um desespero completo de tesouraria». (RR)

23/02/2015

Lost in translation (227) – there is no such thing as flag carrier (III)

Continuação de (I) e (II)
«A TAP pouco contribuiu para o crescimento do Algarve, Madeira ou Porto. Temos de agradecer às companhias Low cost, que foram os grandes salvadores do turismo
Entrevista ao Expresso de Dionísio Pestana, presidente do grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro português «com 6.335 unidades de alojamento, 12.980 camas e 59 empreendimentos turísticos... aproximadamente o dobro de unidades de alojamento do segundo classificado» (fonte).

19/01/2015

Lost in translation (219) – there is no such thing as flag carrier (II)

A singularidade da companhia de bandeira das caravelas lusitanas (d'après Costa), uma das vacas sagradas do regime, no concerto das nações.



16/12/2014

Lost in translation (216) – there is no such thing as flag carrier

Se eu fosse maldizente, poderia insinuar que a aprovação da greve da TAP pela parte de Miguel Sousa Tavares por ser a favor de «qualquer medida que se possa tomar contra a privatização da TAP» decorreria de um outro favor do governo socialista de há 8 anos, chefiado pelo seu ídolo José Sócrates, agora na cadeia de Évora, ao seu compadre Ricardo Salgado mandando a TAP comprar-lhe a sua participada PGA Portugália. E, já agora, a propósito, segundo o presidente da TAP, no período do verão passado em que 120 voos foram cancelados por razões técnicas «56%  ... foram na frota PGA [Portugália], que é muito mais pequena do que a frota da TAP»,

Não sendo maldizente, atribuo o favor de MST à sua dificuldade de lidar com os números e com a realidade em geral, dificuldade que o torna imune a factos como a TAP se fosse uma empresa privada estaria condenada à falência pelo Código das Sociedades Comerciais, já que o seu capital pífio de 15 milhões está totalmente consumido, os seus capitais próprios eram em 2013 negativos de 373 milhões (agora devem chegar aos 500 milhões negativos) e a coisa não tem remissão com um EBITDA de 44 milhões, já em si miserável para um volume de negócios de 2,7 mil milhões, insuficiente para pagar os juros de um passivo total de 2 mil milhões de euros (60% do qual passivo de curto prazo).

E em cima de uma situação crónica de falência temos greves recorrentes convocadas pela dúzia de sindicatos que protegem os direitos adquiridos das corporações lá instaladas. E não temos nenhuma evidência de inconvenientes nas dúzias de países prósperos que não têm uma coisa chamada «companhia de bandeira» - «there is no such thing as flag carrier» teria dito Margaret Thatcher se lhe perguntassem se a British Airways Plc deveria comprar a Iberia aos espanhóis.

Para uma retrospectiva da saga Take another plane veja a etiqueta TAP. Leia-se igualmente esta portentosa estória contada pelo jornalista Paulo Ferreira sobre a oferta do Diário Económico aos passageiros da classe executiva da TAP que foi recusada pelo então (finais dos anos 90) presidente da TAP porque «colocar um jornal em cada um dos assentos da classe executiva - serão 15 ou 20 por avião? - antes da entrada dos passageiros seria uma rotina nova para o pessoal de cabine, não prevista na lista de tarefas que constava dos acordos da empresa. Para que os trabalhadores passassem a desempenhá-la a administração teria de abrir negociações laborais e atrás desse outros temas seriam colocados em cima da mesa pelos sindicatos, como contrapartida. Era abrir uma caixa de Pandora numa empresa que vivia em permanente convulsão laboral.»