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28/02/2006

CASE STUDY: fé limitada nos mercados

O governo espanhol, como todos os governos socialistas, professa uma fé limitada nos mercados. Tão minguada é essa fé que o governo espanhol a gasta toda fora de portas.

Para só citar os casos recentes mais mediáticos, os «corporate conquistadors» espanhóis tomaram ou estão a tentar tomar várias praças fortes inimigas, como por exemplo:
  • Cesky Telecom, operador incumbente checo, comprado pela Telefónica
  • O2, o segundo maior operador telemóvel britânico, comprado pela Telefónica
  • Abbey, um dos maiores bancos britânicos, comprado pelo Santander
  • Sovereign, uma instituição financeira americana, de que o Santander comprou 20%
  • Gecina, uma grande empresa imobiliária francesa, comprada pelo Metrovasa
  • BAA, o operador do aeroporto de Heathrow, a quem a Ferrovial propôs a compra.
Não há notícia que o governo espanhol tenha ficado preocupado com o funcionamento desses outros mercados.

Há notícia que o «governo espanhol aprovou medidas para tentar impedir a oferta de aquisição no valor de 29,1 mil milhões de euros lançada pela E.ON sobre a Endesa, uma oferta que poderá criar a maior «utility» do mundo, com mais de 50 milhões de clientes.» (JN)

Se o governo espanhol convencesse os governos dos outros países a não criar obstáculos para as empresas espanholas continuarem a opar empresas europeias, isso seria um jogada genial. Infelizmente para todos os europeus, a coisa não funciona assim e, mais do que mostrar a grande falta de vergonha do governo do Bambi, a jogada Endesa vai servir para alimentar a onda proteccionista da qual resultará um jogo de soma nula.

E a onda vem a caminho cavalgada pelo primeiro-ministro francês Dominique de Villepin, não por acaso um grande admirador (e biógrafo) de Napoleão Bonaparte.

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