Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

05/02/2006

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Mozart e a tabuada

Secção Still crazy after all these years
Confesso, por uma vez, que um dos meus inconfessáveis vícios com mulheres é ler a «Crónica Feminina» de Inês Pedrosa e a «Pluma Caprichosa» de Clara Ferreira Alves, no Expresso. Nos tempos difíceis que correm, são das poucas, além da patroa, que quase nunca me desiludem. Só por vergonha não descrevo compulsiva e frequentemente no Impertinências o deleite que me proporcionam essas leituras.

Desta vez, Inês Pedrosa fala-nos de Mozart e da sua música. Lamenta os tempos em que «os artistas eram, de facto, animais domésticos dos grandes senhores - animais bem escovados e cheios de laçarotes» e ainda não vagueavam pelas artérias públicas, com o pêlo desalinhado e sem laçarotes, disputando um lugar nas atravancadas tetas da vaca marsupial pública.

No meio das suas divagações mozartianas, Inês deixa cair distraidamente que «Portugal teria outra cadência se o ensino da música fosse tão natural como da tabuada», esquecendo que depois da passagem da doutora Ana Benavente (e dos seus antecessores) por uma qualquer secretaria de estado do ministério da educação, o ensino da tabuada actualmente se faz nos primeiros anos dos cursos de matemáticas superiores, convertendo-o em coisa tão natural como o ensino da música e tornando possível, já hoje, aquela «outra cadência» que Inês ambiciona.

Menos de 3 chateaubriands seria injusto oferecer a Inês - 2 pela música e 1 pela tabuada.

Sem comentários: