Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

20/07/2026

Crónica da passagem de um governo (59a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
No melhor pano cai a nódoa mais visível

A bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário é vergonhosa porque o que falhou são coisas que qualquer organização medianamente apetrechada e provida de gente competente resolveria sem problemas. Ainda assim, para dizer uma verdade simples e certamente impopular, seria disparatado concluir daí que deveria demitir-se ou ser demitido um ministro que em dois anos fez mais sem grandes alaridos do que o resto do governo (ver aqui o relato de João Duque). Seja como for, o atraso de alguns dias é uma gota de água no oceano dos atrasos sistemáticos no Estado sucial que nalguns casos se medem por décadas.

Então porquê tanta agitação? Simples, meu caro Watson. Porque o que o ministro fez interessa a poucos (os pais que se interessavam e têm dinheiro já inscreveram os filhos nas escolas privadas) e desagrada a muitos, a começar pelos exércitos de profs pastoreados pela Fenprof e açulados pelo Stop, que querem esperar sossegados pela reforma, e a acabar nos profs das universidades adeptos da endogamia e nos “investigadores” adeptos dos subsídios. Exagero? Nem por isso, veja-se a alegria com que os profs a quem o jornalismo de causas dá voz incitam os alunos a pedir revisão das provas na esperança de que a multiplicação dos pedidos prolongue a bagunça.

Teoria da relatividade

Não vou comparar o atraso de alguns dias na publicação das classificações dos exames com o atraso de muitas décadas do novo aeroporto de Lisboa (cuja capacidade estaria esgotada em 2007 ou 2008) nem mesmo compararei com os 23 anos do novo hospital de Lisboa, comparo apenas com a autorização ambiental da central solar Fernando Pessoa cujo processo de avaliação demorou três anos e anda por aí desde 2024.

Miudezas no Portugal dos Pequeninos

O Dr. Luís Neves, ministro da Administração Interna, até recentemente o único ministro estimado pelo PS, nos seus anos à frente da Polícia Judiciária (Judite), soube-se agora, envolveu-se numa série de indescritíveis trapalhadas menores que vão desde um tanque-piscina ilegal até obras no seu retiro alentejano feitas por um empreiteiro amigo com contratos com a Judite e um atrelado com produtos suspeitos (ler aqui a estória).

Não é preciso que algo mude para ficar tudo na mesma

Ao arrepio da larga maioria do jornalismo de causas e da comentadoria, quase metade (48%) dos eleitores preferem que o governo do Dr. Montenegro se arraste até ao fim do mandato e consideram que o actual titular e o desafiante Dr. Carneiro se equivalem na mediocridade com vantagem para o primeiro (fonte)

O salário único (excepto o dos apparatchiks) a caminho do socialismo

mais liberdade

Há um ministro que parece já ter percebido o lado B dos "centros de dados"

Já o escrevi várias vezes: a estratégia de fornecer energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses a centros de dados com chips produzidos em Taiwan a processarem dados do resto do mundo com software desenvolvido nos EUA, tem várias consequências, desde logo o aumento do stress da rede eléctrica. Por agora, só o Eng. Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, parece ter percebido que esses investimentos assim, sem mais, arriscam a que o Portugal dos Pequeninos seja «quase a lixeira da Europa».

(Continua)

18/07/2026

Trumpism at its finest: accusing China of trying to manipulate the 2020 elections while he himself tries to manipulate the 2026 elections

If he knows that these doctrines are not true, he is a
demagogue; if he believes his own lies, he is an idiot.

«(Wednesday night) President Trump delivered a rare prime-time speech, but his address fell well short of the hype. Purportedly, the president was going to make a major statement about election integrity, but in reality, the speech was dense and hoarsely delivered. As my colleagues report, he provided no evidence to back up his long-standing lie that the 2020 election was stolen. The White House also released four tranches of documents meant to support the speech, but Trump’s claims were a farrago of recycled information, misrepresentations of evidence, and tendentious claims based on materials too heavily redacted to parse. Major news networks, apparently concerned that Trump would mislead, declined to air the address live.

So why even deliver it? The speech was a sign of desperation. Trump spoke now not only to distract from his sputtering Iran war and its effects on the economy, but also because his attempts to concretely interfere with the 2026 election thus far have almost all failed. As his opportunities to change the rules of the game before November slip away from him, the president is falling back on one of the few tools he has left: attempting to sow chaos and doubt among Americans.»

Trump’s Plan for November Is Failing, The Atlantic

17/07/2026

Mitos (355) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIV) - O Paradoxo de Crutzen e a Lei de Morton

Outros posts desta série

Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja, para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que, levada às suas últimas consequências, conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

Negar os factos do progressivo aquecimento global exige cada vez mais uma fé quase religiosa (ver, por exemplo, os gráficos do post anterior desta série), fé que tem vindo a ser substituída pela fé contrária nos efeitos miraculosos das medidas defendidas pelo áctivismo ambiental, apesar dos avisos de há vinte anos do Prémio Nobel da Química Paul Crutzen que no seu ensaio «Albedo enhancements by stratospheric sulfur injections: a contribution to resolve a policy dilemma?» chamava a atenção para o paradoxo do ar limpo em que a redução da poluição atmosférica poderia aumentar o aquecimento global por via da redução do albedo (capacidade de reflexão da radiação solar pela superfície terrestre).

Pois bem, parece que é isso que está a acontecer: a redução dos poluentes atmosféricos, como o dióxido de enxofre (SO₂) e a fuligem, que, por um lado, reduzem a chuva ácida que mata milhões de pessoas anualmente e, por outro, têm o efeito de reflectir a luz solar e, assim, reduzir o aquecimento global.

Voltarei a este assunto e, entretanto, alinhavo, por agora, duas conclusões não sobre o clima, mas sobre a mente humana. A primeira, é que estamos, mais uma vez, perante um exemplo da Lei das «consequências imprevistas da acção social intencional» enunciada por Robert K. Merton em 1936.  A segunda é que estamos perante outro exemplo da difícil convivência do mundo real em geral, e da ciência em particular, com cérebros ideológicos (Leor Zmigrod, "The Ideological Brain") saturados com doses maciças de convicções inabaláveis alimentadas nas últimas décadas pelas redes sociais e há séculos pelo jornalismo de causas. E acrescento uma previsão: os que têm negado o aquecimento global vão passar a atribuir o inexistente aquecimento global às medidas para o mitigar. 

15/07/2026

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (14) - Áctivistas pró e anti-xenofobia ide manifestar-vos na África do Sul

 Outras propostas modestas

PBS News

Áctivistas de todas as tendências, nomeadamente especialistas em xenofobia, tendes agora mais oportunidade soberana de combater a discriminação contra os imigrantes que tanto vos indigna, reservai já o vosso voo para Joanesburgo. O desafio é extensivo aos áctivistas xenófobos que podem aproveitar a oportunidade para estágios com o movimento anti-migrações March & March. Boa viagem.

14/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 58a)

Mais um exemplo de montar a “transição digital” em cima do imobilismo medieval

Em síntese, que admito ser simplista, a bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário resulta de deixar tudo na mesma e criar uma superestrutura “moderna” sobre processos antiquados, altamente centralizados, da responsabilidade de serviços artríticos. Digna de estudo psiquiátrico é a reacção das lideranças governativas tentando instilar optimismo e chutar o problema para a frente, em contraste com as lideranças de oposição acusando a falha do governo de «insensibilidade atroz».

O Dr. Matias teve uma nova epifania

Para nos entreter enquanto não nos tornarmos «um líder mundial na IA», o Dr. Matias, ministro das Reformas, num intervalo da sua louvável campanha épica para retirar ao Tribunal de Contas o seu papel de empata nas decisões públicas, em concorrência desleal com os 11 governos que andam há 23 anos a empatar o novo hospital de Lisboa, produziu uma vibrante declaração de princípios, ou mais exactamente, de fins. Segundo ele, a reforma do Estado «consiste em resolver problemas dos portugueses». Peço desculpa por discordar, mas a reforma do Estado consiste em resolver problemas do Estado que dificultam aos portugueses resolver os seus próprios problemas.

E se em vez de nos tornarmos «um líder mundial na IA», nos tornarmos um líder nos apagões (continuação)

Já o escrevi, a estratégia proposta pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de rutura do sistema, como concluiu o Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico da Direção-Geral de Energia e Geologia. No meio do silêncio ensurdecedor das luminárias deste país apenas a voz de Miguel Stilwell se fez ouvir sobre o risco de «socialização do custo da energia» resultante da proliferação dos centros de dados (apud Bruno Faria Lopes).

Canários na mina de carvão

Apesar dos esforços do governo secundados pela imprensa amiga de animar os animal spirits keynesianos, depois de um primeiro trimestre com crescimento nulo, para o segundo as previsões das pitonisas de serviço variam entre 0,2% e 0,4% o que, em seguida à estagnação do 1.º trimestre, não é muito animador. A queda em Maio do índice de produção industrial também não é uma boa notícia. Só o turismo continua a crescer – e também a compra de automóveis, uma consequência imprevista, mas habitual, dos fundos da bazuca, suspeito.

Do lado do comércio externo até Maio também não há motivos de celebração com a queda de 0,2% das exportações, o aumento de 3,5% das importações e o agravamento de 14,4 mil milhões do défice (fonte),

Estamos a crescer mais do que a Óropa, já dizia o Dr. Costa e com ele o Dr. Castro Almeida

A maioria dos políticos parecem pensar que faz parte do seu papel infantilizar o eleitorado, dando boas notícias e praticando um optimismo de pacotilha (foi o Animal Feroz quem disse que um político é um profissional do optimismo, quando deveria dizer que é um profissional da aldrabice). O ministro da Economia, Dr. Castro Almeida, também parece praticar este mantra quando diz à SIC Notícias «que Portugal está a crescer pouco, mas está a crescer bastante acima da média europeia», como se fizesse algum sentido um país que tem um PIB per capita que é menos de metade dos países mais ricos e onde a produção da AutoEuropa (um investimento da VW), que em Portugal representa 1% do PIB, representaria no seu país de origem 130 vezes menos, crescesse abaixo desses países.

13/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A meritocracia do Estado sucial é uma espécie de caquistocracia

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Em entrevista ao Expresso, o actual presidente da CReSAP revela que 85% a 90% dos nomeados já estavam no cargo em regime de substituição, um expediente pelo qual, ainda que cumprindo as formalidades de avaliação, se colocava o escolhido de confiança numa situação de vantagem da qual saía nomeado com naturalidade.

 Com estas práticas, ninguém deveria ficar surpreendido por, nos últimos dois anos, 15 diretores distritais da Segurança Social com ligações conhecidas ao PS terem sido substituídos pelos homólogos do PSD (fonte).

O que tem de ser tem muita força. Uma medida errada pode ter duas consequências indesejadas

Em vez de simplificar os processos kafkianos de licenciamento e criar incentivos fiscais à construção de novas habitações (agora tardia e timidamente aprovados), ou seja, em vez de aumentar a oferta, o governo aprovou medidas como a Garantia Jovem para aumentar a procura (até o FMI ao longe percebeu o disparate e recomendou o fim desses apoios).

Uma das consequências, como acentuei na crónica da semana passada, foi o aumento em dois anos de quase 60% das novas operações de crédito à habitação o que determinou o aumento do endividamento das famílias.

mais liberdade

Outra consequência foi o aumento no 1.º trimestre de 17,8% do preços das casas, o maior aumento da UE. O resultado inevitável é o aumento do défice de novas construções e, inevitavelmente, o aumento dos que os preços de mercado reflectiram como um termómetro reflecte o aumento da febre.

Adicionalmente à simplificação dos processos de licenciamento e dos incentivos fiscais à construção de novas habitações, o governo poderia fazer algo muito mais simples, como promover o arrendamento das cerca de 250 mil fogos fora do mercado de venda ou arrendamento e, já agora, descongelar as rendas de cerca de 250 mil contratos, retirando aos senhorios o papel de substituto da segurança social.

Quem fala assim não é gago

Não são todos os dias que um presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana diz no parlamento «se há uma coisa da qual se pode acusar o Estado português é de gerir mal o seu património», explicando aos deputados ignaros que os imóveis que foram vendidos não tinham qualquer aptidão para habitação, coisa que os governos socialistas não perceberam durante quase uma década ao tentarem resolver o défice de habitação com os edifícios públicos.

(Continua)

12/07/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Câmara de Almada, um caso notável de incompetência individual e sistémica

Alfredo Martirena
Secção Res ipsa loquitur

A Dr.ª Inês de Medeiros, com um nome próprio acompanhado de seis apelidos, dois advérbios e um hífen, é um membro característico das elites de esquerda bem-pensante (também poderia ser das elites de direita, que vinha a dar ao mesmo), actriz de cinema, deputada pelo PS, é há 9 anos presidente da Câmara de Almada, onde chegou, sucedendo a uma dezena de vereações comunistas, sem qualquer experiência ou vocação para gerir o que quer que seja e com notável pesporrência.

Durante sete anos produziu inúmeras declarações, sendo uma das mais notáveis sobre a água, e ignorou olímpicamente a crescente degradação da rede de água, que tem uma das mais elevadas taxas de perda e serve um concelho com um consumo per capita muito superior à média, concelho que, segundo a Dr.ª de Medeiros, estaria «assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade» (apud Helena Matos). O que faz uma criatura bem-pensante quando a realidade da falta de água lhe entra pelo gabinete e os protestos dos munícipes pelos ouvidos? Procura rapidamente um culpado pelas consequências da sua negligência (o governo, Bruxelas) e alega a universal falta de meios (neste caso, os omnipresentes fundos generosamente providenciados pelos contribuintes europeus).

Concedo à Dr.ª Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida cinco urracas pela sua inacção na presidência, quatro bourbons por nada ter apreendido nem esquecido, cinco pilatos por lavar as mãos do assunto, apesar da falta de água, e três chateaubriands por imaginar que não faltaria a água em Almada, apesar do rio passar ao lado da cidade e não a atravessar. (avaliação contínua)

11/07/2026

Thought of the day: best deal ever


If you think this cartoon is inspired by Donald Trump, it is. But think again and look around you.

10/07/2026

De volta ao patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente

Faz um tempo zurzi o patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente do Dr. Tavares, que então investiu contra «os holandeses, os novos-ricos da Europa, actuando como gauleiters da Alemanha» tentando diminuir a Holanda para enaltecer o Portugal dos Pequeninos. Lembrei-me desse episódio ao cruzar-me com mais um exemplo de realizações notáveis dos holandeses, a acrescentar aos vários que então citei. 


Trata-se da ASML, o único fabricante mundial de máquinas de fotolitografia por ultravioleta extremo (EUV) cujos sistemas de precisão permitem produzir em massa os chips mais avançados, indispensáveis para a inteligência artificial, smartphones e data centers. As máquinas da ASML permitem imprimir circuitos com menos de 2 nanómetros (*) de largura para aplicações de IA da próxima geração.


É uma empresa espantosamente bem-sucedida, que em 2025 facturou mais de € 30 mil milhões e prevê facturar € 40 mil milhões este ano com cerca de 42 mil empregados de 140 nacionalidades. É a empresa europeia com maior valor de mercado - quase 700 mil milhões de euros ou mais do dobro do PIB português. É tão inovadora que a administração americana exigiu que, para continuar a operar nos EUA, a ASML não exportasse as suas máquinas para a China porque isso comprometeria a vantagem tecnológica americana, cada vez menor.

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(*) Equivalente a um milionésimo de milímetro; as células humanas têm, em média, um diâmetro entre 10 mil e 30 mil nanómetros, pelo que na largura de um circuito impresso da ASML caberiam de 5 mil a 10 mil células humanas. 

08/07/2026

07/07/2026

Crónica da passagem de um governo (57b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 57a)

O Dr. Miranda critica o Dr. Matias

Num qualquer Talk on Competition & Regulation, o Dr. Miranda, que, recorde-se, é o ministro de Estado e das Finanças deste governo, queixou-se que a falta de competitividade (ou “competividade”, de acordo com o Dr. Costa, agora a repousar em Bruxelas) resulta de «constrangimentos importantes» e apontou o dedo às «elevadas barreiras à entrada» e aos «encargos regulatórios e administrativos excessivos».

A verdade é uma coisa muito escorregadia ou o governo e o TdC a ensaiarem Così è (se vi pare) de Pirandello

Com umas décadas de atraso, Lisboa está a ser palco do Teatro do Grotesco, com o ministro da Reforma do Estado a desmentir o TdC depois do TdC ter desmentido o ministro em seguida ao TdC ter desmentido a versão do ministro.

Sim, os erros estatísticos do INE sobre a população residente são uma vergonha, mas vejamos a coisa pelo lado positivo

Agora que está em curso a negociação em Bruxelas do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034, em que se desenhava uma redução relativa do donativo para os pobrezinhos do Portugal dos Pequeninos, a descida do PIB per capita até dá jeito para justificar uma maior fatia.

Pensamentos mágicos
  • Pensamento mágico (1)
Criar um “fundo soberano” para gerir uma riqueza que não se tem (leitura recomendada para desenvolver a ideia: «O fundo soberano dirigista do ‘mágico’ Montenegro» de Óscar Afonso).
  • Pensamento mágico (2)
Construir um Innovation District no espaço da antiga refinaria de Matosinhos, onde serão criados 100 mil empregos e que terá impacto anual na economia portuguesa de dois mil milhões de euros, durante 30 anos. Vá-se lá saber por quê, ocorreu-me o estudo (aqui evocado) do Dr. Augusto Mateus para o governo socialista do Animal Feroz em que o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».
  • Pensamento mágico (3)
O Dr. Montenegro, que garante que «não está a festejar nada», anunciou que o financiamento total do modelo Amália atingirá 7 milhões de euros. Questionado o modelo Gemini da Google para estimar o custo total real e razoável de replicar ou manter um modelo como o Amália, obtive a seguinte resposta:
«Se uma empresa ou entidade privada quisesse desenvolver hoje o mesmo modelo, de forma otimizada e comercialmente viável, o custo real de mercado situar-se-ia entre 450.000 € e 850.000 € para o desenvolvimento, acrescido de um custo operacional contínuo (infraestrutura) que varia conforme a escala de utilização.» E pronto, that’s it.
«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Os excedentes orçamentais (que, recorde-se, são, na sua maioria, resultados de erros de previsão, atrasos no pagamento das despesas, ou, no final do ano, manobras orçamentais) estão a passar a défices, como no período até Maio que atingiu 1.762 milhões de euros, desta vez porque a despesa pública subiu quase 10%.

BdP

É claro que em Maio a dívida pública na ótica de Maastricht aumentou 1,7 mil milhões para 288,7 mil milhões.

06/07/2026

Crónica da passagem de um governo (57a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto Portugal não tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não?

(1) Evitar a vergonhosa bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário

Obnubilado pelas poeiras mediáticas, só percebi a génese da bagunça quando um professor me explicou que a avaliação das provas digitalizadas não estava a funcionar por várias razões, entre elas a incapacidade dos apparatchiks digitalizarem em tempo útil as centenas de milhares de provas, os erros de digitalização, como o de não associarem o número de controlo a uma prova, e a saturação dos servidores das redes do ME, incapazes de darem acesso simultaneamente a quase 90 mil professores.

Em suma, incapacidade de planear, incompetência, desleixo, amadorismo, you name it. E não me venham com estórias da carochinha de que o responsável é o ministro. Sim, é ele e mais a cadeia de apparatchiks entrincheirados no aparelho do ministério.

(2) Evitar os erros estatísticos gigantescos do INE

A coisa era tão óbvia que até o Dr. Marcelo, que não é conhecido pelo seu desvelo pelo rigor (*), concluiu, há precisamente um ano, que os números sobre a imigração da AIMA e do INE não eram compatíveis. Um ano depois, saíram debaixo do tapete 700 mil residentes, o que, entre outras consequências, fez o PIB per capita PPP do Portugal dos Pequeninos cair quatro lugares no ranking da UE e deitar para o caixote do lixo das estórias a convergência com que todos os governos dos últimos 40 anos nos têm tentado excitar.
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(*) Veja-se o exemplo da reversão pelo Dr. Costa do horário dos funcionários públicos para as 35 horas, apadrinhada pelo Dr. Marcelo, jurando que enviaria para o TC se a despesa aumentasse e vejam o que aconteceu à despesa.
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Afinal, a população residente, estava nas «milhentas fontes de informação» e era um segredo de Polichinelo que só INE não conhecia

Se a coisa era óbvia para o Dr. Marcelo, imagine-se o que seria para o Dr. Centeno, o Ronaldo das Finanças (supõe-se que o Ronaldo antes de ser estátua). Na dúvida, ele próprio veio esclarecer nas suas comunicações semanais ao país através das jornadas parlamentares do PS:
«É evidente, e eu insisto nisto, sabíamos que não éramos aquele número [10 milhões de população]. Sabíamos há anos e anos e anos. Eu ainda era ministro e já perguntava ao INE, sem quebrar a independência do INE, 'onde é que estava o PIB para aquele volume de emprego' e depois passou-se a fazer a pergunta 'onde é que estava na população o emprego que nós identificávamos nas milhentas fontes de informação.»
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Até Maio, o número de “utentes” sem médico de família aumentou cerca de 66 mil, totalizando 1.666.823, dos quais 70% na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Dr. Montenegro não é original, nisto como no resto, visto que está a continuar a obra do Dr. Costa.

A arte de deixar para o fim o mais difícil

O Dr. Dominguinhos disse ao jornal Sol que, a dois meses do fim do prazo, dos marcos e metas do PRR faltam precisamente os 25% mais difíceis de cumprir. Não é uma catástrofe, afinal, uma parte do dinheiro iria apenas ser derramada aumentando o consumo, e a outra parte são empréstimos que teriam de ser reembolsados.

Já que a oferta é insuficiente incentivemos a procura

Adaptado de BdP

Inebriado pela subida nas sondagens o Dr. Carneiro dá tiros nos pés

O Dr. Carneiro não está a conseguir ficar calado e fala mesmo quando não tem nada para dizer e nisso não é diferente de muitos outros. Mais grave é que foi a Grândola mostrar casas supostamente financiadas pela bazuca do Dr. Costa para habitação e afinal (segundo o Expresso) não foram financiadas pelo PRR nem se destinavam à habitação.

Poderia o Sr. Ministro explicar qual é a composição dos 2,01% da despesa com defesa?

O Dr. Nuno Melo vai à cimeira da NATO anunciar que Portugal atingirá 2,01% do PIB na Defesa, ou seja, vai ultrapassar os mínimos em um ponto-base, graças à inclusão das pensões de reformados e grande parte das despesas com a GNR. De acordo com os critérios estritos do Eurostat (COFOG), as despesas reais de defesa operacional andariam em torno de 0,8% do PIB.

(Continua)

04/07/2026

Crassus fits Donald better than Caligula

The folly of war

The Telegram (May 9th) compared Donald Trump to Caligula. As Caligula never started a war it would be more appropriate to compare Mr Trump to another Roman leader, Marcus Licinius Crassus. Crassus was a real-estate tycoon who made his fortune by buying the properties of those purged after a civil war. Frustrated that he had not received the credit he thought was his for having quelled Spartacus’s slave revolt, he was eager to gain glory through a victory against a “real” enemy. With the help of his buddies in the triumvirate, Caesar and Pompey, he got his chance in 53BC. Crassus was assigned to subdue Parthia, an empire that covered today’s Iraq and Iran. Ignoring advice from his generals, Crassus rushed headlong into the desert and the Parthian armoured cavalry, resulting in one of the largest defeats suffered by a Roman army. The Parthians cut off his head and poured molten gold into his mouth.

PAUL VANDERBROECK [Letter from a Reader of The Economist]

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Trump's BEAUTIFUL FINAL deadlines have a BIG mortality rate

  • Trump initially gave Iran a deadline to reopen the Strait.
  • He extended that deadline once rather than acting.
  • He extended it again by about 10 days, saying he was pausing military action while giving diplomacy another chance.
  • Today he issued a final 48-hour deadline, warning, «A whole civilization will die tonight».

02/07/2026

Continuamos muito "competivos", como dizia o Dr. Costa, e pouco competitivos

Continuação daqui e dali.

No último ranking de Competitividade do IMD, o Portugal dos Pequeninos volta a cair, desta vez para o 40.º lugar.


A queda resulta sobretudo de um score medíocre da eficiência empresarial, o que não deveria ser surpresa para ninguém que tenha um módico de conhecimento da estrutura empresarial e do funcionamento das empresas. 


À ineficiência empresarial não é alheio o facto de, num país com 11,4 milhões de residentes, existirem 1,5 milhões de empresas não financeiras, das quais 96% são microempresas (em muitos casos, meros expedientes de profissionais isolados para diminuir a punção fiscal), 3,9% são PME e os 0,1% residuais são as grandes empresas que representam 36,4% do VAB total. É isto que temos, empresas pequeninas num país pequenino, com mentes pequeninas e egos inchados, sofrendo do complexo de Eduardo Lourenço.

01/07/2026

A ameaça de falência do Estado Social na pátria do capitalismo

Fonte

Na altura da criação do fundo americano de segurança social, em 1940, por cada pensionista havia 150 contribuintes, actualmente há menos de três. As reservas que atingiram o máximo de USD 2,8 biliões caíram para USD 400 mil milhões (triliões e biliões, respectivamente na escala curta). A diferença entre os rendimentos do fundo e os pagamentos em 2025 ultrapassou USD 200 mil milhões (cerca de 0,7% do PIB). Se nada for feito, estima-se que em 7 a 8 anos o fundo se esgote e as pensões tenham de ser reduzidas todos os anos.

Por alturas da criação do fundo americano, não existia em Portugal um sistema de segurança social universal que só foi criado com a reforma de 1962. Em 1970, existiam cerca de 13 contribuintes por cada pensionista, rácio que foi descendo até 1,5 antes do surto de imigração, tem vindo a aumentar e situa-se actualmente em cerca de 1,7. Segundo as projecções, a partir de 2035 as contribuições deixarão de ser suficientes para pagar as pensões e o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) actualmente com 50 mil milhões, graças às contribuições dos imigrantes, ficará esgotado por volta de 2050.

30/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 56a)

Os malefícios da falta de concorrência

Uma da maiores falhas na construção do mercado único europeu é o sector de serviços onde está quase tudo inalterado, com excepção do tímido passo da Directiva FOS (Livre Prestação de Serviços). Uma das consequências práticas é que não há um mercado único de serviços, há 27 mercados nacionais num sector em que os obstáculos à concorrência são grandes, mesmo dentro do mesmo mercado nacional, devido à limitação pela dimensão e à granulosidade que impede a comparação entre serviços (exemplo entre muitos outros: na advocacia a diversidade dos quadros legais e regulamentares e das práticas jurídicas impedem praticamente a concorrência entre profissionais de países diferentes). Essa fragmentação dos mercados de serviços tem várias consequências, como seja a dificuldade dos operadores ganharem dimensão e melhorarem a qualidade dos serviços e a sua produtividade e a falta de concorrência com efeitos directos no nível dos preços.


O diagrama acima, extraído do relatório do FMI sobre Portugal, mostra bem como o impacto do aumento do preço dos serviços em Portugal é o factor determinante na inflação subjacente (core inflation).

A maldição da tabuada

Repetindo-me, a dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

Finalmente com atraso de anos, o INE informou-nos do resultado da irresponsabilidade da política socialista de imigração, nos anos dos governos do Dr. Costa em que o expediente da “manifestação de interesse” permitiu uma entrada descontrolada de imigrantes que encontraram emprego, como aqui já escrevemos várias vezes, nos sectores com menor valor acrescentado, principalmente agricultura e turismo onde os imigrantes representam quase metade da mão-de-obra.

E, de repente, o elefante entrou na sala

Toda a gente deveria saber que a riqueza de um país resulta principalmente da produtividade dos seus trabalhadores, que esta não se altera aumentando os salários e que a produtividade do trabalho depende do valor dos bens produzidos, do número de trabalhadores envolvidos e do tempo de trabalho. Por isso, se a produção se mantém e o número de trabalhadores e/ou o tempo de trabalho aumentam, a produtividade desce e o país fica mais pobre.

Como há anos se vem escrevendo nesta oficina, a baixa produtividade tem sido o calcanhar de Aquiles do Portugal dos Pequeninos. Ainda há dias nestas crónicas se constatava a diferença de 14,6 pontos percentuais entre a produtividade portuguesa de 66,8% da média da UE e o salário médio que representa 81,4% dessa média.

mais liberdade

Pois bem, agora que são conhecidos os números da população residente corrigidos pela emigração, descobrimos que, em vez dos 10,7 milhões, somos 11,4 milhões, o resultado é que o PIB per capita PPP foi corrigido e Portugal caiu quatro lugares no ranking da UE, ou mais exactamente os portugueses perceberam que o seu país afinal era mais pobre o que imaginavam.

29/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Amália, o teste à vacuidade

Ao discurso do Dr. Montenegro no congresso do PSD não se aplicaria a boutade de Helvétiuis «um dilúvio de palavras num deserto de ideias», mas antes «um dilúvio de palavras num dilúvio de vacuidades». Uma dessas vacuidades é a referência ao Amália, o modelo português de IA, que ele anunciou na Web Summit de 2024 e agora diz que estará pronta em Julho, e apresentou como uma das «Dez medidas de um Governo reformista para fazer Portugal maior». Segundo ele, a coisa irá promover a cultura portuguesa, «apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha em particular, através da análise segura de dados em tempo real em visitas virtuais ao nosso património cultural» e até «auxiliar e poupar tempo aos professores no planeamento das suas aulas».

E eu a pensar que o Amália seria apenas um karaokê alucinado. Afinal não é, porque com a falência da Unbabel o karaoke foi abandonado. É uma versão lusitana de um modelo europeu já existente o EuroLLM-9B, desenvolvido sob os auspícios da eurocracia bruxelense, e ao contrário deste último o Amália não será acessível pelos “utentes” e segundo o governo servirá para aplicações no Estado sucial, onde, não será difícil de prever, se dissolverá num oceano de incompetência, negligência e burocracia.

Fundo Soberano do Dr. Montenegro, uma espécie de PREC cor-de-laranja

Não estou surpreendido pelo facto da ideia, no mínimo bizarra, da criação de um “fundo soberano” não estar a ser mal acolhida pela comentadoria, com poucas excepções. Afinal explica-se pelo complexo de Eduardo Lourenço que os governos aproveitam para afagar os sentimentos de inferioridade de um país que não tem recursos naturais abundantes e elevadas reservas de divisas (como a Noruega ou os emiratos), nem capacidade de investimento público (os governos circulam numa autoestrada mexicana e nos últimos dois anos a taxa de execução desceu para 80% a 85% ), que os fundos soberanos exigem, nem a visão de longo prazo e hábitos de gestão rigorosa.

É um mal-entendido que Luís Marques descreve com ironia: «enquanto Medina, que é socialista, queria um fundo para promover “investimentos estruturantes”, uma ideia social-democrata, Luís Montenegro, que é social-democrata, propõe um fundo para investir em sectores estratégicos, uma ideia socialista».

Os "relações públicas" do governo da AD são quase tão bons como os do PS

Um pouco por todas as redacções, os jornalistas de causas amigos relevaram em títulos encomiásticos o lucro de 4,9 milhões da CP, ou seja, menos de 2% das suas receitas, que incluem 111 milhões de subsídios, que representaram mais de 1/3 da sua facturação (282,8 milhões de bilhetes e 21,4 milhões de manutenção).

O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas dispondo de um talento excepcional para fazer anúncios, também não é um bom contador de estórias

À estória do Dr. Matias que o TdC atrasou o novo hospital de Lisboa anos e lhe aumentou em 164 milhões o custo, respondeu o Tribunal com factos que estragaram a estória do Dr. Matias e entre eles o de que o contrato lhe chegou em Fevereiro de 2024, já com um reescalonamento de despesa, e teve o visto três meses depois. Em vez desta mal alinhavada, o Dr. Matias podia ter aproveitado a ocasião para contar uma outra estória que vem desde 2003, a do próprio novo hospital de Lisboa, para mostrar a inépcia de 11 (onze) governos) até chegar ao TdC, e retirar daí o prognóstico de que o Fundo Soberano que o seu chefe anunciou terá todas as condições para ser um grandioso fiasco, se não morrer às mãos do próximo governo.

O Estado sucial como máquina de extorsão

mais liberdade

Onde todos os governos, sem excepção que recorde, se têm revelado muito eficazes é na extração de rendimentos aos contribuintes com uma progressão progressiva do tipo função zingarilho, em que o escalão de rendimento mais alto aumentou mais do dobro do escalão mais baixo.

Canários na mina de carvão

O relatório do FMI sobre Portugal publicado há dias prevê a continuação dos crescimentos medíocres até 2028 (1,7%, 1,6% e 1,8%) e evidencia outros aspectos não menos preocupantes, como a contribuição crescente do consumo privado para o crescimento real do PIB, em comparação com a contribuição decrescente do investimento e das exportações.

















E agora algo muito impopular de se dizer

O sismo de Caracas - uma catástrofe num país a cair de maduro após três décadas de socialismo chávista - fez até agora milhares de vítimas às quais se acrescentarão muitas outras quando o balanço estiver feito. O governo português enviar ajuda para um país com uma importante presença de portugueses (50 mil nascidos em Portugal e cerca de 200 mil inscritos nos consulados), dos quais, até agora, seis portugueses e várias dezenas de descendentes se encontram entre as vítimas, faz todo o sentido. Fará sentido enviar como ajuda uma comitiva com 60 elementos dos quais nem um terço estarão qualificados para ter um papel activo no resgate das vítimas? Não será sobretudo mais um exemplo da ineficiência (e provável ineficácia) do Estado sucial a socorrer vítimas de acidentes?

(Continua)

25/06/2026

Crónica da passagem de um governo (55b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 55a)

Canários na mina de carvão

Com excepção do ministério das Finanças, que tem fé num crescimento de 2% este ano, todas as outras previsões variam entre o realismo da Católica (1,5%), que estranhamento não acredita em milagres, e o realismo tardio do FMI que na última revisão cortou mais 0,2 pontos percentuais e está agora em 1,7%. A economia que estagnou no 1.º trimestre em relação ao anterior, não dá mostras de se animar no 2.º trimestre, segundo a maioria dos gurus. (fonte)

O excedente externo até Abril desceu 47% em relação ao mesmo quadrimestre do ano passado (BdP). O saldo orçamental do 1.º trimestre, que no ano passado foi nulo, este ano foi, segundo o INE, negativo (510 milhões ou 0,7% do PIB).

Com este quadro, não é surpreendente que a emissão de mil milhões de euros de Bilhetes do Tesouro a 2 anos tenha ficado quase oito pontos-base acima da emissão comparável em Abril. (fonte)

O Dr. Montenegro exorta à competitividade

O Dr. Montenegro apela ao país para melhorar a produtividade, as competências profissionais e a inovação? Não exactamente, ele apela para o «Governo, a administração pública, as universidades, politécnicos, agentes económicos» serem competitivos a concorrer aos subsídios do fundo europeu de competitividade.

Aumentar o salário mínimo só precisa de um decreto. Aumentar a produtividade é um pouco mais difícil (Bis)
 
Expresso

Os 14,6 pontos percentuais de diferença entre uma produtividade que é 66,8% da média da UE, contra um salário médio que representa 81,4% dessa média, explicam muita coisa, 

[Não tendo a certeza de que Confúcio estivesse certo a respeito do valor das imagens, volto a publicar dois diagramas diferentes dos da semana passada, uma vez mais, em intenção das almas atreitas ao pensamento milagroso que acreditam que se aumenta a produtividade aumentando os salários ou que a riqueza se pode aumentar sem aumentar a produtividade ou que a produtividade se pode aumentar sem aumentar o desempenho dos trabalhadores.]

Promovendo a mediocracia no país…

mais liberdade

… e nos utentes da vaca marsupial pública

A AD pode estar a cair nas sondagens, mas isso não impede o governo de subir nas nomeações e ganhar terreno ao PS, o grande especialista da ocupação do aparelho do Estado sucial, e nomear os seus fiéis para dois terços dos centros distritais do Instituto da Segurança Social.

Boa Nova. Más notícias para os brilharetes dos excedentes fabricados

Como aqui explica o economista Óscar Afonso, a despesa líquida, isto é a despesa primária financiada pelo país, excluindo os donativos de Bruxelas, passará a ser o indicador principal para avaliar a execução orçamental. Das novas regras resultará que no próximo ano o défice orçamental possa ultrapassar 0,5% do PIB e dar origem a um procedimento por défice excessivo.

O Dr. Montenegro continua a abusar dos superlativos

À medida que a AD se afunda nas sondagens, mais o Dr. Montenegro se transcende ao adjectivar a realidade. A semana passada, entre os múltiplos exemplos de adjectivação aditivada com que nos brindou, destaco a sua declaração sobre a PSU que considera «uma proposta que quebra a armadilha da pobreza, acredita no potencial de cada um, reconhece o seu esforço e o seu mérito, incentiva o trabalho e apoia na construção de projetos de vida com futuro e com dignidade». Tal consideração não impediu uma negociação atabalhoada e sem princípios, ora com o Chega ora com o PSD, que conduziu a um resultado sobre o qual nem o próprio PS se entende.

É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença

Além do que já sabia sobre a propensão nacional à doença, segundo o relatório 'Saúde do Cérebro em Portugal', da Headway, quase metade da população (47,1%) sofre de doenças cerebrais e o impacto económico ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde (fonte).