Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/12/2004

LOG BOOK: Never ask.

«(...) another great example is their (leftist) inconsistent stance on the "Race doesn't exist". (...) But without race, how can you have "diversity" and multiculturalism and all the other goals cherished by the left that actually "require" the existence of racial differences?»
[email from a Dissecting Leftism's reader about race and Leftist Logic]

«You are booing me because I'm not black»
[singer Christie Hynde during a show in Rio, quoted by the brazilian magazine Veja - seen in Sábado, a portuguese magazine]

03/12/2004

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Ainda a democracia das conveniências.

Do meu amigo AB e detractor do Impertinências, mais acidental que habitual:
«Li com atenção, apesar do pouco tempo que tenho nestes dias finais do ano, o seu texto sério sobre um assunto sério. Concordo com algumas coisas. Discordo de outras.

Sampaio, aceitou PSL para primeiro ministro há quatro meses. Apesar de considerar que iríamos entrar num período muito complicado devido principalmente à personalidade do novo primeiro ministro, considerei que o PR tomou a decisão correcta. Até aqui estamos ambos de acordo, parece-me.

Quatro meses depois, o PR dissolve a AR. E bem, segundo Je. Aqui discordamos.

Falar de «móbil» ou de «misterioso fundamento» enviesa a apresentação dos seus argumentos e por isso mesmo enfraquece-a. Haver interesses por detrás de qualquer decisão é inevitável em tudo na Vida. Na política ainda mais. Na baixa política muito, muito mais.

Parece-me evidente que os governos do PSL têm apresentado fissuras e atritos anormalmente altos. Remodelação após poucos meses, um ministro que se demite após uns dias em função, um mal-estar popular generalizado quanto ao Governo (fale com os taxistas, barómetro muito fiel da sociedade portuguesa, quer se fale de futebol quer se fale de política). Eu próprio, anti-socialista visceral, considero que a situação era ridícula e a curto prazo insustentável.

Se o PR não puniu Guterres, uma nódoa acabada, será isso motivo para não punir PSL? No máximo só provará a falta de consistência do PR. Mas quanto a isto, poucos tinham e têm dúvidas.

A política e mais particularmente a constituição não são obras cientificas. Em economia existe uma área, a dos contratos incompletos, na qual se prova que não é possível construir um contrato completo (no sentido de definir tudo sem deixar espaço para dúvidas). Se um contrato entre duas partes só pode ser incompleto, imagine-se quanto incompleta não poderá de ser uma constituição. E então a Constituição Portuguesa, fruto de calores revolucionários...

Os artigos que citou deixam uma ampla margem de manobra. É verdade: não há rebelião nem insurreição. Mas uma visão mais minimalista poderia considerar que um governo que não se aguenta 4 meses, um ministro que não se aguenta 4 dias, atritos evidentes entre os membros do Governo, a opinião generalizada que este não é um bom governo (e tudo isto sem uma oposição digna desse nome) é obra.

O governo não «funcionou regularmente»: não aguentou quatro meses, em maioria, sem crises de maior que pudessem de certo modo explicar a sua remodelação. Estamos todos de acordo que para gerir uma família, uma empresa, um país é preciso estabilidade. Conhece alguém mais desestabilizado do que o PSL? Quando há uns anos se criticava o modelo de gestão das empresas públicas com mudança de conselhos de administração de três em três anos, que dizer da governação de um país que não aguenta quatro meses e que honestamente surpreenderia se aguentasse os próximos quatro meses?

O professor Vital Moreira explica tudo isto muito melhor do que eu. Não sei se o faz do alto da sua autoridade mas em todo caso fá-lo e é reconhecido como sendo capaz de o fazer. Eventualmente poder-se-á não concordar com ele, mas deixe-o estar lá no alto da sua autoridade que apesar de tudo foi bem conquistada.

Os sound bites dos média certamente são um factor a considerar. Mas já encontrei o PSL duas vezes a entrar num restaurante (e eu não saio muito), com comitivas de cerca de duas dúzias de pessoas (das quais muitas mulheres, algumas jeitosas) quando eu estava a sair do restaurante. Não há nada que possa alterar o meu juízo: um primeiro ministro que sai para começar a jantar às 23h00 ou está vendido aos espanhóis e segue os horários e hábitos deles, incluindo a famosa siesta, ou então não pode governar a sério um país. Também pode não ser motivo formal para dissolver a assembleia, mas tem dúvidas que o pais está mal servido com PSL?

O PSD deu um tiro no pé ao eleger um palhaço. O PR teve a oportunidade de o tirar de lá. Se o fez no momento que mais lhe convém, que posso dizer? Foi esperto.

Em Espanha, o PP perdeu as eleições por causa de um erro. UM erro. UM só erro. Depois de tudo o que fez para desenvolver a Espanha. Será por isso menos democracia?

Ao retirar o tapete ao PSL, só vejo dois problemas: - se ele concorrer à eleições (poderá ele fazer outra coisa?) e ganhar estamos fritos; - se o PS ganhar estamos fritos.»

A resposta apressada do Impertinências (por email):
«Em muito do que diz, por de trás do óbvio bom senso, estão duas coisas: a falta de memória (com esses mesmos argumentos quase todos os governos anteriores deveriam ser demitidos - lembra-se da agitação social, das greves, das manifestações dia sim dia não?) e a ideia (perigosa) que os contratos sociais, isto é a constituição, se podem «ajeitar».

Os argumentos do bom senso resistem mal quando se considera o facto do PR pretender aprovar este orçamento para ser executado por um outro governo (ou o mesmo, mas nessa altura a dissolução terá sido inútil).

Não costumo entrar pelo caminho da análise conspiratória e também não vou fazê-lo desta vez. Alguém o fará por mim nos jornais.»

Mal escrevi esta última linha da mensagem fui expulso pela empregada que queria limpar o escritório e me obrigou a enviá-la assim mesmo, sofreando o o pesado fogo de artilharia que a mensagem do AB estava mesmo a pedir.

Quando a empregada finalmente me deixou regressar, já tinha perdido a virilina. Ainda mais porque ela partilhou comigo a sua análise da situação política:
ó sôtor o que é que me diz destes invejosos que estão a tramar o doutor Pedro? Têm mas é dor de cotovelo, porque ele gosta de mulheres e elas dele. Desses senhores nem as mulheres deles gostam, que são pagas para isso, quanto mais.
Vox popoli, vox Dei.

CASE STUDY: Uma democracia das conveniências.

Quando há 4 meses o PR nomeou o doutor Santana Lopes, a oposição em coro, acompanhada por solos dos gerontes e algumas vozes da maioria, clamou pela dissolução da AR esgrimindo argumentos políticos e esquecendo a letra da Constituição. O doutor Sampaio resolveu, e bem, não ouvir essas vozes. Tratou, e bem, de obter (frágeis) garantias de que o governo seguinte daria continuidade às políticas do governo cessante. Gostando-se ou não do doutor Lopes, tendo-o ou não na conta de incompetente, as leis da democracia é que a devem governar e não os juízos de valor ou as conveniências políticas. O doutor Sampaio não fez, e bem, juízos de probabilidade, ou pelo menos não tirou daí consequências institucionais, sobre o que o governo iria ou não fazer, em particular no que respeita à consolidação orçamental. E como, se o quisesse, extrairia consequências?

Quatro meses depois, o mesmo doutor Sampaio, anuncia a intenção de dissolver a AR «nos termos do art. 133º, alínea e) da Constituição da República». Esta alínea e) dá a competência ao presidente para «dissolver a Assembleia da República, observado o disposto no artigo 172.º, ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado».

[ver aqui o texto da Constituição - os dez mandamentos dos que não aceitam a sua alteração radical, mas a aplicam conforme as conveniências]

É claro que o móbil do doutor Sampaio é o governo ou, mais exactamente, o primeiro-ministro. Mas o que pode o PR fazer para se livrar deles? O invocado artigo 172.º não diz uma palavra sobre o fundamento da dissolução, mas tão só as circunstâncias em que não pode ter lugar e a subsistência da assembleia actual até à 1ª reunião da nova assembleia. Qual é então esse misterioso fundamento? A incompetência óbvia do primeiro ministro? Mesmo dando de barato que este primeiro ministro é mais incompetente do que o engenheiro Guterres, que o doutor Sampaio deixou alegremente torrar o baú do tesouro e fugir do pântano, qual o dispositivo constitucional para demitir o governo ou exonerar o primeiro ministro?

A alínea g) do artigo 133.º atribui ao PR a competência para demitir o Governo,«quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado» (n.º 2 do artigo 195.º). Está em causa o «regular funcionamento das instituições democráticas»? Temos alguma insurreição em marcha, um golpe de estado, uma revolução?

Quanto à exoneração do primeiro-ministro o PR só pode fazer «em caso em caso de demissão do Governo ... e na data da nomeação e posse do novo primeiro-ministro».

Em conclusão: o PR não encontrou, nem poderia encontrar, nenhum fundamento constitucional para exonerar o primeiro-ministro ou demitir o governo. Vê-se obrigado a uma pega de cernelha para exonerar o primeiro-ministro pela via dissolutiva da AR. Os mesmos que vaiaram o doutor Sampaio pela decisão de nomear o doutor Lopes primeiro-ministro exultam agora com a bondade da sua decisão de o exonerar por esta via dissolutiva.

O professor Vital Moreira do alto da sua autoridade explica-nos que «constitucionalmente trata-se de uma decisão discricionária; devendo ser politicamente justificada (desde logo perante o Conselho de Estado), ela pode porém basear-se em qualquer factor relevante, entre eles a instabilidade política, a falta de sustentação política e social do Governo, o descrédito parlamentar, etc.»

O Impertinências, um cidadão com os impostos em dia, aguarda ansiosamente que o doutor Sampaio explique que a instabilidade política pode ser medida pelos sound bites dos média, ou onde está a falta de sustentação política num governo apoiado por uma maioria na AR, ou quais os sinais de falta de sustentação social deste governo que são distintos dos de todos os governos anteriores, ou qual é a novidade do descrédito parlamentar. Ou que explique o etc. do professor Vital Moreira.

Entendamo-nos: pelos critérios da competência - os únicos que fazem sentido lógico e político, mas não constitucional - o primeiro-ministro, nunca devendo ter sido nomeado, não precisaria de ser exonerado. Mas ele foi escolhido pelas luminárias do partido mais votado pelos eleitores para substituir o doutor Barroso e 4 meses depois foi eleito unanimemente pelos aparatchiks desse mesmo partido. Terá sido a Constituição violada? Não parece.

Entendamo-nos: pelos critérios da competência quantos dos deputados desta e das assembleias anteriores deveriam ser chumbados? Quantos dos ministros deste e dos anteriores governos deveriam ser afastados? Quantos dos líderes centrais ou locais de todos os partidos nunca deveriam ter sido eleitos pelos aparatchiks? Quantos dos aparatchiks seriam rejeitados num exame de literacia e numeracia políticas?

Uma democracia pode funcionar assim? Só uma democracia das conveniências onde os políticos, os partidos e os próprios cidadãos cumprem as leis que lhes convém, quando lhes convém - desde as leis fiscais até à lei constitucional. E onde nos leva uma democracia das conveniências? A lado nenhum. Ficamos onde estamos.

02/12/2004

TRIVIALIDADES: Ejaculações terminais.

Uns dias antes da demissão anunciada pelo PR, o governo continuava a trabalhar para o nosso bem, produzindo abundantes ejaculações dos órgãos legislativos, como por exemplo as duas seguintes:
Despacho Normativo n.º 47/2004. DR 277 SÉRIE I-B de 2004-11-25 do Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas
Estabelece as regras de atribuição de um lote de direitos ao prémio à vaca em aleitamento, a partir da reserva nacional, para o ano de 2005

Portaria n.º 1452/2004. DR 278 SÉRIE I-B de 2004-11-26 do Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior
Autoriza o funcionamento do curso bietápico de licenciatura em Terapia da Fala na Escola Superior de Saúde Atlântica, da Universidade Atlântica, e aprova o respectivo plano de estudos
Podemos descansar que, com ou sem governo, a vaca em aleitamento terá prémio e haverá gente para nos explicar isso mesmo sem falas de ssssopinha de massssinha e sem molhar os eules.

TRIVIALIDADES: As sete vidas do doutor Lopes.

Alguns detractores habituais já apontaram o dedo sujo ao Impertinências, insinuando, a propósito da profunda análise política que pacientemente explanei aqui, que me estava a fazer a um lugar no governo do doutor Lopes, agora que ele vai ter que segurar os ministros que lhe restam com guitas.

Não confirmo, nem desminto, mas devo fazer um declaração de princípio. O doutor Lopes é o paradigma do político mal-amado. O homem faz tudo para gostarem dele, mas há uma longa lista de ingratos que o detestam: os jornalistas, os barões do PSD, o presidente da República e até a oposição, que deveria ser a sua primeira admiradora. O amor, tal como o ódio, é mau conselheiro, nestas coisas da política, como na vida real. Por isso, os que detestam o doutor Lopes já lhe passaram a certidão de óbito. Mais devagar. Desde quando um político incompetente não tem futuro em Portugal?

Esperai sentados pela passamento político do doutor Lopes. Ele é como o gato, tem sete vidas e ainda lhe restam duas - gastou uma a confundir o piano com o violino, outra no vai-e-vem Lapa-Figueira da Foz, outra na câmara de Lisboa, outra neste governo provisório e ainda outra na noite alfacinha. Que irá ele fazer com as duas vidas que lhe restam?

01/12/2004

DIÁRIO DE BORDO: As notícias da sua morte política são manifestamente exageradas.

As premissas

Premissa A
O bom povo português é profundamente feminino (ver, por exemplo, o post impertinente Macho? Moi?). Atributos do estereotipo feminino: ciúme do sucesso e amor desvelado ao desgraçadinho. Quem quer que seja visto como vítima tem garantida a sua simpatia.

Premissa B
O bom povo português está cansado de apertar o cinto e espera ansiosamente melhores tempos para trocar de casa, de carro, de electrodomésticos e passar das férias no pardieiro da Quarteira a outras paragens. Precisará de mais alguns anos e de várias crises para aceitar as drásticas reformas indispensáveis para o país sair da fossa e galopar atrás da Europa dos outros 24. Até lá, como bem antecipa o Jaquinzinhos, não haverá voluntários ao suicídio político que seria liderar um governo para fazer essas reformas.

Premissa C
O doutor Lopes, que é incompetente como primeiro ministro, mas não é parvo, renascerá das cinzas, vitimando-se. Tem boas razões para isso: os média, os comentadores, os analistas, os barões do seu próprio partido, o presidente da República, fizeram deste governo o bombo da festa (também tiveram boas razões para o fazer).

Premissa D
O doutor Lopes não precisará de nenhum congresso do PSD para se legitimar. Já foi eleito sem oposição. Os barões tiveram falta de comparência (com excepção do mais pequeno deles todos, mas que, nem por isso, é o menor) e perderam a legitimidade para colher os frutos da queda do governo. O doutor Cavaco tem mais do que fazer do que dar outra vez para o peditório do doutor Pacheco Pereira.


Os cenários

Cenário 1
O choradinho do doutor Lopes comove os eleitores que dão ao PSD a pole position, mas não a maioria (apesar de tudo o bom povo não é assim tão parvo). O doutor Portas, consegue um bom resultado e chega-se a frente para a coligação. O doutor Sampaio constata que deu dois tiros, um em cada pé, e convida o doutor Lopes a formar governo. O doutor Lopes, enquanto puder, derramará sobre o povo os frutos da sua bondade. Quando sair (Assembleia dissolvida pelo engenheiro Guterres, entretanto eleito) o povo terá compreendido, finalmente, que está fodido, mas poderá não ter ainda percebido o que será necessário para deixar de o estar.

Cenário 2
O choradinho do doutor Lopes não comove suficientemente os eleitores que dão ao PS a pole position, mas não a maioria (apesar de tudo o bom povo não é assim tão parvo). Dos dois tiros que deu nos pés, o doutor Sampaio só perceberá um deles, e convida o engenheiro Sócrates a formar governo. O engenheiro Sócrates não fará uma coligação com o doutor Jerónimo (não é parvo e percebe que daria uma injecção de adrenalina ao moribundo), nem com o doutor Anacleto (o engenheiro Sócrates é parvo, mas não tanto). O engenheiro Sócrates (que não é muito diferente do doutor Lopes, só que tem uma ejaculação menos precoce), fará umas reformazitas de emergência, deitará pela borda o pouco que o governo PSD-PP fez de positivo, e prolongará a ilusão do bom povo de que poderá continuar a empurrar o problema com a barriga para a frente. Quando terminar o seu trabalho podemos rebobinar e voltar ao princípio: os mesmos problemas, agravados, e alguns novos. O engenheiro Sócrates terá a desculpa de mau pagador do costume: não tem maioria. Poderá aspirar a um segundo mandato.

Cenário 3
O choradinho do doutor Lopes não comove suficientemente os eleitores e o povo está tão carente que vê no engenheiro Sócrates o embuçado saído do nevoeiro que o conduzirá ao paraíso sem esforço. O governo maioritário PS fará as mesmas coisas que no cenário 2 e acrescentará mais alguns dislates, apenas com a vantagem de, no final do mandato, não ter boas desculpas. Nessa altura podemos rebobinar, como no cenário 1, com a diferença que o engenheiro Sócrates terá as suas aspirações a um segundo mandato comprometidas.

Entre os 3 cenários, venha o diabo e escolha.

30/11/2004

ESTÓRIA E MORAL: O curriculum não engana. (ACTUALIZADO)

Estória
De acordo com a sondagem da Universidade Católica citada pelo PÚBLICO, o governo do doutor Santana Lopes é mau ou muito mau para 55% dos inquiridos, o que bate o recorde anterior (52%) de Julho de 2001 no 2.º consolado do engenheiro Guterres.

Aparentemente, não haveria razões para surpresas. Só algumas luminárias escreventes nos jornais lhe anunciavam um futuro radioso e a generalidade dos comentadores não dava um chavo pelas suas competências. Quem conhecesse o curriculum do doutor Lopes não deveria esperar grande coisa ou coisa muito diferente. Apesar disso, 50% dos inquiridos parecem ter sido surpreendidos queixando-se do governo ser "pior do que esperava". Isto não é culpa do doutor Lopes que, esforçadamente, nos últimos vinte anos, tornou a sua vida o mais pública possível.

Em conclusão, na melhor hipótese, os portugueses talvez retirem do consolado do doutor Lopes as devidas consequências e, após o máximo de 2 anos de desgovernação, dão-lhe guia de marcha para o limbo da política, por uma década. Apesar de ser um preço bastante alto, tenho que concordar que será preferível a uma legislatura completa.

Moral
É possível enganar toda a gente durante algum tempo e é possível enganar alguns toda a vida, mas não é possível enganar todos para sempre.

ACTUALIZAÇÃO:
Mais depressa eu escrevesse este post (era para ser de manhã), mais depressa o doutor Sampaio, roído de arrependimento há dois meses, entregava a guia de marcha ao doutor Lopes. Mas, não se engane o doutor Sampaio, a capacidade de vitimização do Lóló é quase infinita, bem como a parvoíce do bom povo.

29/11/2004

TRIVIALIDADES: O que fariam os portugueses libertos da tutela do estado?

Vá-se lá saber porquê, quando li esta anedota que mão amiga me enviou, lembrei-me da «desconfiança da livre iniciativa e do mercado enterrada nas entranhas de cada português» e da obsessão lusitana de viver sob a protecção dum estado omnipresente, imaginando o que aconteceria se um belo dia os portugueses amanhecessem libertos do estado.
As estátuas
Num jardim encontravam-se duas estátuas, de frente uma para a outra. Uma feminina, outra masculina. Um dia apareceu um anjo que lhes disse:
- Como vocês têm sido duas estátuas exemplares, trazendo tanto deleite a quem vos contempla, vou-vos conceder 30 minutos de vida, para que possam durante esse tempo, fazerem o que vos apetecer. Assim que o anjo se calou, as estátuas ganharam vida. Olharam uma para a outra, sorriram e correram para trás de uns arbustos. O anjo sorriu ao ouvir os seus risinhos, enquanto se ouvia o barulho dos arbustos e o restolhar das folhas. 15 minutos depois, as duas estátuas saíram de trás dos arbustos, com uma expressão de grande satisfação. O anjo ficou algo confuso e perguntou-lhes:
- Ainda vos restam 15 minutos! Não querem aproveitar esse tempo? A estátua masculina olhou para a sua companheira e perguntou-lhe:
- Queres repetir?
Sorrindo a estátua feminina respondeu:
- Claro! Mas desta vez, seguras tu no pombo e cago-lhe eu na cabeça.

28/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Se é isso, então demita-se.

No dia 24 os membros da Ordem dos Economistas receberam da Ordem o seguinte email:
«Por iniciativa conjunta da Ordem dos Economistas e da SEDES, o Senhor Ministro das Finanças vai proferir uma conferência, seguida de debate, sobre o Orçamento para 2005.
Esta conferência terá lugar no próximo dia 30 de Novembro de 2004, pelas 21 horas, nas instalações do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) - Rua do Quelhas (entrada pela Rua das Francesinhas).
Apela-se à comparência e participação dos Economistas nesta realização conjunta da Ordem dos Economistas e da SEDES.
»
No dia seguinte foi enviado outro email, desta vez assinado pelo Bastonário doutor Simões Lopes:
«Por motivos imponderáveis não se vai realizar, conforme anteriormente anunciado, a Conferência do Senhor Ministro das Finanças sobre o Orçamento de Estado para 2005, prevista para o dia 30 de Novembro às 21 horas no ISEG, numa realização conjunta deste Instituto, desta Ordem e da SEDES.»
Se os motivos imponderáveis são a vergonha de enfrentar os seus colegas para justificar uma das maiores operações de engenharia orçamental montada neste país [ver, por exemplo, «Bagão vai ao fundo»], então a sua ausência está justificada, e espera-se uma demissão nos próximos dias.

26/11/2004

DIÁRIO DE BORDO: Good vibrations.

Não se imagine que o Impertinências só vê buracos no queijo dos baby boomers, essa geração do make love not war, better red than dead, la plage sous le pavé, e outros dislates piores. Nada disso. Afinal, os baby boomers fizeram bem a primeira parte do trabalho - subverteram valores patologicamente reaccionários. Mas estragaram quase tudo quando, em vez de educarem os filhos, lhes transmitiram aquelas tretas que tinham servido para enfurecer os pais deles. O resultado da receita está à vista: olhem para os rapazes do radical chic, a masturbarem-se para o umbigo, incompetentes para ter uma família normal, incapazes de manterem filhos, ainda menos de os educarem.

Mas nem tudo se resume àquela tralha ideológica. Por exemplo, olhe-se para a herança deste baby boomer atrasada quase 40 anos. Ou melhor, escute-se o último sorriso dele - pop em estado puro onde está completamente ausente a obsessão de fazer de cada canção um manifesto da treta.

25/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Efeméride. (ACTUALIZADO)

Hoje foi um dia de luto para a esquerdalhada, desde os comunistas do cretácico até ao radical chic do paleoceno, passando pelo esquerdismo juvenil e senil, excluindo apenas os maoistas do MRPP.
Faz hoje 30 (*) anos a facção moderada da tropa (o grupo dos Nove) levou a cabo (só podia ser), com sucesso, um golpe (ou seria um contra-golpe?) levando de vencida o contra-golpe (ou seria um golpe?) da facção esquerdizante. Graças a esses moderados, esta jangada de pedra em que vivemos escapou ao destino de república socialista soviética, que lhe reservavam os que hoje estão de luto.
(*) Escreveu um detractor habitual do Impertinências que pareço um adiantado mental: o golpe (ou o contra-golpe, sabe-se lá) dos Nove tem 29 anos, só no próximo ano fará 30.

SERVIÇO PÚBLICO: Os alemães cheiram mal do sovaco.

O canal alemão ZDF filmou, em segredo, uma cerimónia numa mesquita de Berlim em que o pregador muçulmano disse aos fiéis:
«Estes alemães, estes ateístas, estes europeus não rapam os sovacos e o seu suor acumula-se sob os cabelos soltando um cheiro repelente que fede. Infiéis para o inferno! Abaixo as suas democracias e todos os democratas!» [Lido em Davids Medienkritik]
Por uma vez o Impertinências concorda com um mullah no que respeita ao sovaco dos alemães.


[Mullah insultando o sovaco germânico]

24/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: A herança de Arafat.

O ruído à volta da morte de Arafat, o histerismo durante o seu funeral na Muqata (vem a propósito lembrar o post «Muqata, banana e cola» do Homem a Dias) e a hipocrisia oficial e partidária apagaram convenientemente vários factos. Como os discursos dissonantes: em inglês (protestando amor à paz) e árabe (incitando ao terror). Como o deitar pela borda a proposta que lhe fora feita, em 2000 em Camp David, pelo então primeiro ministro israelita Ehud Barak, que incluía o abandono por Israel da faixa de Gaza, de partes de Jerusalém oriental e da maior parte da Margem ocidental. Ao mesmo tempo que rejeitava essa proposta, Arafat lançava a segunda Intifida, torrando qualquer hipótese de acordo, fazendo cair o governo de Barak e abrindo caminho para o falcão Sharon.

Vem isto a propósito de quê? Vem a propósito de Barak, agora ressuscitado para a política, pretender a realização de eleições antecipadas no próximo ano e, caso as ganhe e à liderança do partido Trabalhista, se preparar para oferecer à nova chefia palestina o mesmo que Sharon, acrescido de cerca de 90% da margem ocidental. Isto é Barak oferecerá em 2005 substancialmente menos do que oferecera a Arafat em 2000.

É esta a herança de Arafat. Sem esquecer os 1,3 mil milhões de euros que estão a ser disputados entre a OLP e a sua inconsolável viúva.

23/11/2004

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Há pior do que a imprensa regional portuguesa subsidiada?

Talvez. É o que se pode concluir pela amostra seguinte da imprensa regional francesa (subsidiada) que um detractor não residente enviou ao Impertinências:

Très gravement brûlée, elle s'est éteinte pendant son transport à l'hôpital.
(Dauphiné Actualité)

Des trous dans sa culotte laissaient entrevoir une famille pauvre.
(Le Parisien)

La conférence sur la constipation sera suivie d'un pot amical.
(Ouest-France)

Il abusait de la puissance de son sexe pour frapper son ex-épouse.

Ses hémorroïdes l'empêchait de fermer l'oeil.

Il y aura un appareil de réanimation dernier cri.

En raison de la chaleur, les musiciens ne porteront que la casquette de l'uniforme.

(Ouest France)

L'individu n'était pas à prendre avec du pain sec.

M. Jean C. remercie chaleureusement les personnes qui ont pris part au décès de son épouse.

Ses dernières paroles furent un silence farouche.

L'église étant en travaux, ses obsèques ont été célébrées à la salle des fêtes.

Tous portaient une crêpe à la boutonnière.

Comme il s'agissait d'un sourd, la police dut pour l'interroger avoir recours à l'alphabet braille.

Ayant débuté comme simple fossoyeur, il a, depuis, fait son trou.

Détail navrant, cette personne avait déjà été victime l'an dernier d'un accident mortel.

Quand vous doublez un cycliste, laissez lui toujours la place de tomber.

(Le Républicain Lorrain)

Les mosquées sont très nombreuses car les musulmans sont très chrétiens.
Il remue la queue en cadence comme un soldat à la parade.

Tombola de la Société Bayonnaise des Amis des Oiseaux : le numéro 5963 gagne un fusil de chasse.

A aucun moment le Christ n'a baissé les bras.

(Le Paroissien de Lamballe)

Le syndicat des inséminateurs fait appel à la vigueur de ses membres.

Les kinés se sont massés contre les grilles de la préfecture.

(Presse Océan)

Visiblement, la victime a été étranglée à coups de couteau.
(Journal du Dimanche)

A Montaigu, la fête du 1er mai aura lieu le 1er mai.
(Le Rouge Choletais)

Journée du sang : s'inscrire à la boucherie.
(Presse Océan)

ADITAMENTO:
Qualquer detractor habitual que envie uma tradução correcta destas besteiras ao Impertinências ganha uma proposta de inscrição no BE (fracção IV Internacional) ou na ala gauche do PS (com direito a uma entrevista com o filósofo e professor Manuel Maria Carrilho) e uma viagem a Nanterre para almoçar com o doutor Eduardo Lourenço.

22/11/2004

DIÁRIO DE BORDO: A poesia e o ocultismo nas provas de admissão para futuros desempregados. (ACTUALIZADO)

Um leitor habitual enviou ao Impertinências (e a mais 135.433 amigos dele) um poema de autor desconhecido (*), que poderia muito bem fazer parte duma prova nacional conjunta de Português e Matemática para admissão a qualquer um dos 1.637 cursos que constituem a oferta das nossas universidades aos jovens candidatos a futuros desempregados. Só seriam admitidos os candidatos que conseguissem explicar em verso branco todo o significado oculto que perpassa pelo poema (a referência ao ocultismo parece-me apropriada - quem não concorda que a matemática é uma ciência oculta aos tenros cérebros dos nossos jovens infantes?).

Matemática lírica

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...

Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.

Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.

"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.

Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas senoidais.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar

Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.

E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...

Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.

Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

ACTUALIZAÇÃO:
(*) O leitor habitual esqueceu-se de dizer que o poema não é de autor desconhecido. É do Millôr Fernandes. É muito difícil ter leitores decentes nos tempos que correm. A coisa só se desculpa porque, na prova de admissão que sugiro, qualquer das duas respostas à pergunta sobre a autoria feita aos infantes deveria ser considerada certa.
Seja como for, a verdade é que no Impertinências cada post não é um número e cada número não é exemplar.

21/11/2004

PUBLIC SERVICE: PEST is the suffering of Kerry supporters.

PEST Problem? Hope Is on the Way
Post Election Selection Trauma is no joke, say mental health officials in south Florida, and they don't appreciate talk-show host Rush Limbaugh's recent offer of "free therapy" for traumatized John Kerry supporters. "He's trying to ridicule the emotional state this presidential election produced in many of us.... Who is he to offer therapy?" asked a licensed clinician. According to the American Health Association, PEST is a real disorder, and the nonprofit is offering free group-therapy sessions for the afflicted. But the health association says that, thanks to Limbaugh, its phone lines are now clogged with both gloating and supportive Republicans, in addition to distraught Kerry supporters. Said a trauma specialist, "Many people have serious emotional pain over this election and it's unhealthy to stuff it down inside of you. Therapy is the best way."
[Jenny McKeel, Furthermore, Wired News, Nov 17th]

Is clear now why those suffering creatures feel sorry and had to have a Sorry Everybody site.

20/11/2004

LOG BOOK: Who is the racist?

Bush's appointees:

  • Colin Powell, former secretary of state - first black man to hold the post
  • Condoleezza Rice, current secretary of state - first black woman to hold the post
  • Rod Paige, former secretary of education - first black to hold the post
  • Ann Veneman, former secretary of agriculture - first woman to hold the post
  • Alberto Gonzales, attorney general (to be confirmed) - first Hispanic to hold the post
  • other posts in Bush's cabinet: an Arab-American and two Asian-Americans.

W, by ignoring race, makes racial history», M. Goodwin - via Dissecting Leftism]

Now you are ready to enjoy an irredeemable leftist cartoon (Le Monde):

«No way you can be more racist that the French» [¡No Pasarán!]

19/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Dilemas e trilemas.

«Repatriados da Costa do Marfim relatam violações de "mulheres brancas"»
«Uma mulher petrificada, alheada de tudo, tinha de ser sustida de pé por dois soldados, acabou por contar o seu calvário: violada por vinte e três homens, na presença do filho pequeno e do marido, que tinha uma pistola apontada à cabeça.»
Devemos levar isto à conta do multiculturalismo ou os criminosos têm que ser julgados e punidos?

«Agência de refugiados da ONU abandona Darfur»
«Nova resolução do Conselho de Segurança não prevê sanções contra o Sudão»
Devemos levar isto à conta do multilateralismo, ficamos a recitar o princípio da não ingerência enquanto o governo do Sudão acaba o trabalho ou pedimos à potência imperial para tomar conta do assunto?

18/11/2004

TRIVIALIDADES: Alguém anda a coimar o doutor Ruas. Será o burro ou o cigano?

«O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, criticou hoje a "febre de coimar" que diz ter atingido, nos últimos meses, os funcionários do Ministério do Ambiente, em relação a obras no concelho.
"Não é possível, em sede de Junta de Freguesia e muito menos do município, andarmos a tratar do bem comum e estarmos com um olho no burro e outro no cigano, com medo que venha o Ministério do Ambiente", disse Fernando Ruas aos jornalistas no final da reunião.»
(Público)

DIÁRIO DE BORDO: Perdei toda a esperança vós que esperais.

O 1º Congresso de Democracia, que serviu de púlpito ao Picareta Falante para anunciar urbi et orbi a sua descida do olimpo até ao pântano, também serviu para outros propósitos mais úteis.

O doutor Vitor Constâncio produziu um discurso notável pela clareza do pensamento, pelo rigor do diagnóstico e pela consistência das políticas e medidas propostas. Vale a pena lê-lo aqui.

Infelizmente, a esse discurso pode aplicar-se a boutade «há microeconomia e há má economia». E a razão é a mesma que justifica o segundo reparo: a doutrina económica do doutor Constâncio está irremediavelmente contaminada pelo papel central na economia que é atribuído ao estado e pelo paradigma do estado providência. Todas as soluções que ele vê para escapar ao atraso passam por uma forte intervenção do estado.

Mas não tenhamos ilusões, a doutrina subjacente ao discurso é porventura o mais longe que em matéria de política económica será possível ir neste país que tem a cultura mais colectivista da Europa (ver, uma vez mais, os estudos de Hofstede).

Desiludam-se os libertários e os liberais old fashioned. Serão (seriam) precisas gerações para corroer este amor extremado ao estado e esta desconfiança da livre iniciativa e do mercado enterrada nas entranhas de cada português. É por isso que os liberais, esses linces da serra da Malcata da política, terão que continuar a escolher o mal menor até ao fim dos tempos.