Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

26/01/2026

Crónica da passagem de um governo (34)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Não deram um lugar ao Dr. Centeno? Preparem-se para o aturar mais quatro anos

A candidatura do Dr. Centeno à vice-presidência do BCE (Banco Central Europeu) ficou pelo caminho, porque, especula-se, o Dr. Miranda Sarmento não se empenhou o suficiente porque, dizem, quando este era ainda candidato a ministro das Finanças, o Dr. Centeno o apelidar de Professor Pardal. Se foi assim, foi um erro porque se tivessem ajudado do Dr. Centeno a ir para Bruxelas não teriam de o aturar, ainda para mais ressabiado por todas as suas sucessivas candidaturas terem falhado: sucessor do Dr. Costa, sucessor do Dr. Marcelo, vice-presidência da EBA ou do BCE.

Quem disse que os portugueses têm falta de iniciativa? Ou de como criar um problema para não resolver outro

A criação da Autodeclaração de doença (“auto-baixa” no patuá jornalístico) foi uma das inovações do governo do Dr. Costa em 2023. Tratava-se, diziam, de reduzir o congestionamento das urgências dos hospitais - que, como se sabe, continuaram. Está a ser uma medida de grande sucesso – o ano passado os portugueses atribuíram-se mais de meio milhão de baixas, sobretudo às segundas e quartas-feiras. Nas palavras esclarecidas do presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, a criação das falsas baixas «foi das medidas mais úteis para acabar com ‘falsas urgências’»

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». O triunfo da iniciativa privada nos serviços públicos

O médico Luís Duarte Costa que dirige o Serviço de Urgência do hospital Amadora-Sintra, depois de 18 anos no Hospital da Luz, reconheceu haver «24 horas de espera para pulseiras amarelas … Portugal é o país da OCDE em que o número de urgências por 100 mil habitantes é maior. A seguir vem Espanha, mas com metade do nosso valor. Por contraste, o nosso país é o último da lista na capacidade de obter uma consulta para doença aguda num espaço de três dias (…) doentes com indicação para internamento que ficam dias em macas no balcão».

Nada de novo. Novo é o Dr. Duarte Costa reconhecer que «é ridículo e imoral haver cirurgiões que, num dia útil normal, fazem duas cirurgias e quando estão no SIGIC, no mesmo número de horas, operam oito ou dez pessoas. Pode-me dizer: “Porque têm o dinheiro à frente.” Então que se ponha o dinheiro à frente.»

Ainda não chegaram as vacas magras e já há fila no peditório (cont.)

O empresariado português é muito atreito a peditórios, como aqui se viu com a restauração, um dos sectores que mais beneficiou com o turismo, inscreveu-se queixando-se das “grandes superfícies”. Só teve de esperar alguns dias para o governo, pela boca do ministro dos peditórios Dr. Castro Almeida, anunciar o donativo, consistindo no diferimento da amortização das dívidas ao Fundo de Turismo e da assunção por este da responsabilidade das dívidas à banca até 60 mil euros com 30% a fundo perdido, concretizando assim a vocação dos governos PS e PS-D para a socialização das perdas dos empresários falhados.


Boa Nova ou a coexistência do TGV com a autoestrada mexicana

Sei que os governos precisam de contar estórias para entreter os eleitores, mas não será um exagero e um insulto à inteligência de alguns eleitores, o governo do Dr. Montenegro que orçamentou para 2025 um investimento 21,5% superior ao de 2024 e até ao final de Outubro e executou apenas metade do total previsto para o ano, anunciar «um conjunto de decisões estratégicas centradas na Alta Velocidade, incluindo a aquisição de novos comboios pela CP – Comboios de Portugal, num investimento global superior a 1,6 mil milhões de euros», a ter lugar num futuro indefinido, algures entre 2029 e 2031.

Canários na mina de carvão

A Universidade Católica reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa em 2026 de 2,0% para 1,8%.

25/01/2026

You can't fool all of the people all the time (11)

Other "You can't fool all of the people all the time."

YouGov (Source)
Deeper and deeper.


Standard profile of what remains of Trump's devotees: man, old, white, semi-literate. I bet the most educated devotees are predominantly motivated by ideology - recommended reading Leor Zmigrod, The Ideological Brain.

24/01/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O estatismo populista e o estatismo socialista partilham o estatismo

 Este post pode ser lido como sequela de O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo.

«Chamar “socialista” a Ventura, como fiz deliberadamente no título, não é rigoroso em termos clássicos de ciência política. É uma provocação. Mas não é uma provocação absurda, e importa explicar porquê.  

(...)

Para quem considere exagerado atribuir a Ventura uma veia “socialista”, os factos ajudam. No último Orçamento do Estado, PS e Chega votaram juntos 82 vezes em alterações orçamentais. Sempre que a solução passava por “dar coisas”, aumentar despesa ou socializar custos, PS e Chega encontraram-se. 

Se a questão for um pequeno ajustamento nas propinas, ainda que simbólico, aproximando-as do seu custo real e responsabilizando os estudantes, PS e Chega unem-se para impedir. 

Se a escolha for entre o pagamento de uma portagem pelo utilizador ou a sua diluição pelo contribuinte, PS e Chega convergem na promoção da ilusão da gratuitidade. 

Se a TAP escapar ao controlo do Estado, ambos chorarão o desaire. 

O estatismo de Ventura é, aliás, tão pronunciado que durante a vaga inflacionista causada pela guerra na Ucrânia defendeu preços tabelados e margens controladas — uma proposta que nem a própria Mariana Mortágua chegou a avançar. 

Mas a convergência não se esgota no que defendem; manifesta-se também no que não têm coragem de defender. Nenhum dos dois foi capaz de apoiar claramente o pacote laboral, mesmo quando este se apresentava como tímido e moderado. Nenhum teve a coragem política de se demarcar da greve geral, preferindo acenar à rua, aos sindicatos e ao descontentamento organizado, em vez de assumir uma posição responsável, ainda que impopular. Ambos revelam a mesma aversão ao conflito reformista e a mesma dependência do aplauso imediato. 

Tudo isto conduz a uma conclusão desconfortável para muitos dos seus apoiantes: ao nível do modelo económico, as diferenças entre Ventura e Seguro são reduzidas. Ambos defendem soluções assistencialistas incapazes de gerar crescimento sustentado e criação de riqueza a longo prazo. Nenhum parece disposto a promover as reformas estruturais, quase sempre dolorosas, de que o país necessita. Mantendo a terminologia provocatória do título: ambos são socialistas.»

Vamos ter um Presidente socialista. Resta saber qual, Miguel A. Baptista

23/01/2026

A courageous speech by Mark Carney in Davos: Enough of "living a lie." "Nostalgia is not a strategy."

«In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?

And his answer began with a greengrocer.

Every morning, this shopkeeper places a sign in his window: ‘Workers of the world unite’. He doesn't believe it, no-one does, but he places a sign anyway to avoid trouble, to signal compliance, to get along. And because every shopkeeper on every street does the same, the system persist – not through violence alone, but through the participation of ordinary people in rituals they privately know to be false.

Havel called this “living within a lie”.

The system's power comes not from its truth, but from everyone's willingness to perform as if it were true, and its fragility comes from the same source. When even one person stops performing, when the greengrocer removes his sign, the illusion begins to crack. Friends, it is time for companies and countries to take their signs down.

In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?

And his answer began with a greengrocer.

Every morning, this shopkeeper places a sign in his window: ‘Workers of the world unite’. He doesn't believe it, no-one does, but he places a sign anyway to avoid trouble, to signal compliance, to get along. And because every shopkeeper on every street does the same, the system persist – not through violence alone, but through the participation of ordinary people in rituals they privately know to be false.

Havel called this “living within a lie”.

The system's power comes not from its truth, but from everyone's willingness to perform as if it were true, and its fragility comes from the same source. When even one person stops performing, when the greengrocer removes his sign, the illusion begins to crack. Friends, it is time for companies and countries to take their signs down.

22/01/2026

A defesa dos centros de decisão nacional (35) - Últimos episódios

Outras defesas dos centros de decisão nacional.

Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que, passado algum tempo, venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos resulta do endividamento de públicos e privados e da descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.

Nos últimos meses tiveram lugar as seguintes operações: 
  • Novo Banco, o que sobrou do BES, vendido ao Banque Populaire Caisse d’Épargne;
  • Edo, uma farmacêutica, vendida aos espanhóis da Faes Farma; 
  • Secil, cimenteira da Semapa, vendida à espanhola Molins;
  • Participação de 40% da Luz Saúde, participada a Fidelidade (maioritariamente detida pelos chineses da Fosun), vendida à australiana Macquarie;
  • PHC Business Software, empresa portuguesa de software de gestão, vendida ao grupo tecnológico francês Cegid:
  • Centro de Dados na Covilhã da Altice, vendido ao fundo espanhol Asterion;
  • Acordo da Galp com a espanhola Moeve do qual resultará que a Galp passará a controlar menos de 9% da capacidade de refinação na Península Ibérica.
Em si mesmas, todas estas operações são legais e constituem opções legítimas dos accionistas e também, e é este o ponto desta série de posts, constituem exemplos de um capitalismo periférico dependente e descapitalizado.

21/01/2026

DIÁRIO DE BORDO: O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo

Nos dias que correm, a disputa política mais importante não é entre esquerda e direita, mas entre adeptos da democracia liberal, uns de esquerda e outros de direita, e os adversários do liberalismo, uns de esquerda e outros de direita, nomeadamente os inimigos da liberdade, como os chamou Isaiah Berlin. Na verdade, as ideologias políticas não são representáveis a uma só dimensão, precisamos pelo menos de duas e, ainda assim, isso exige simplificação, por vezes bastante grosseira.

The Political Compass

A insuficiência dessa dicotomia para explicar a realidade política é hoje bem visível na incapacidade que uma parte da direita - a direita de convicções liberais frágeis - tem de lidar com o epifenómeno do trumpismo, deixando-se fascinar por um catavento político movido pelo onanismo, o nepotismo e a falta de princípios e escrúpulos e uma prática autocrática, imaginando que a partilha dos mesmos adversários (na verdade, vistos como inimigos) é suficiente para sustentar uma aliança. No final do dia, é a perigosa ilusão de que «o inimigo do meu inimigo é meu amigo», um princípio duvidoso até do ponto de vista táctico e absurdo do ponto de vista estratégico, como a história nos dá exemplos trágicos.

Vem isto a propósito do fascínio pelo trumpismo de algum comentariado doméstico que, em termos da política interna, olha com simpatia ou também se deixa deslumbrar por um Dr. Ventura que, na sua versão actual (ele já teve várias), corporiza um trumpismo de fancaria. Como em tudo na vida, há excepções e uma delas é Henrique Raposo, como se percebe nesta peça sobre alguns colunistas do Observador a propósito das eleições presidenciais.

19/01/2026

Crónica da passagem de um governo (33)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Garantia Jovem. Unintended consequences

O montante das garantias públicas para compra de habitação aprovadas que em 2024 atingiram 1.200 milhões de euros aumentou para 2.000 milhões de euros em 2025 e até Novembro do ano passado os créditos com garantia pública representaram 26,5% do crédito concedido (fonte).

Não deveria ser surpresa para ninguém que, num mercado como o da habitação em que a oferta é insuficiente para cobrir a procura, os incentivos à procura só poderiam ter como um efeito um aumento desmesurado dos preços. Aumento que vai prejudicar quem ainda não dispõe de habitação, já que quem dela dispõe terá o seu património valorizado. E quem ainda não dispõe de habitação são precisamente os jovens que se pretendiam ajudar.

Canários na mina de carvão

A DBRS é uma agência que fez de muleta de Draghi e do BCE durante o resgate para que pelo menos uma agência não considerasse a dívida pública portuguesa como lixo, de onde resultaria que o BCE não pudesse comprar obrigações do Tesouro português. Apesar dos excedentes orçamentais, que têm muito a ver com o passado e pouco com o futuro, a agência amiga DBRS manteve o rating e alertou para os impactos das tensões no comércio internacional e os problemas internos da habitação (fonte).

A proposta para o período 2028-2034 da Política Agrícola Comum (PAC) – um programa essencialmente destinado a desincentivar os agricultores, principalmente franceses, de marcharem com os seus tractores sobre Bruxelas – prevê uma redução em relação ao período 2021-2028 de 13% para Portugal (fonte).

O turismo, até agora florescente, começa a dar sinais de estagnação e em 2025 o número de dormidas apenas aumentou 1,7%, o sexto crescimento mais baixo da UE (fonte).

Os especuladores de bolsa, que estão sempre com um olho no burro e outro no cigano (Dr. Ventura, não precisa agradecer) não se mostram muito excitados com as perspectiva das cotadas portuguesas, apesar do PSI ter tido o ano passado uma valorização de 29%. Por isso, segundo a CMVM, a exposição da bolsa ao short selling aumentou em 12 meses de 0,96% para 1,58% (ver este post sobre o fenómeno do short selling na Euronext Lisboa em 2024).

Ainda não chegaram as vacas magras e já há fila no peditório

Apesar de alguns canários já estarem a piar, ainda não é caso para alarmes. Por isso, é relativamente surpreendente que a restauração, um dos sectores que mais beneficiou com o turismo, tenha um sentimento de “crise” queixando-se das “grandes superfícies”. Talvez seja apenas a posicionarem-se para o peditório cíclico em que vive o empresariado doméstico.

Ferrovia 2020 2027

A exemplo do governo do Dr. Costa que deixou o Ferrovia 2020 com 37 mil dias de atraso no total dos troços, o governo do Dr. Montenegro faz o possível para deixar tudo na mesma e nesta altura prevê-se que as obras do plano Ferrovia 2020 apenas estejam concluídas em 2027. O que não tem falhado são as visitas do ministro da Infra-Estruturas, Dr. Pinto Luz, à linha Évora-Elvas que já tem seis anos de atraso, foi lançada três vezes teve duas visitas do governo. (fonte)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Afinal, o aumento dos partos em ambulâncias e à porta dos hospitais talvez resulte mais do esforço do jornalismo  de causas para aumentar as vendas do que dos factos. Os partos fora dos hospitais foram 302 em 2023 e 303 em 2024, ou seja, 36 em cada mil nascimentos (fonte). Seja como for, não estou certo que o SNS possa fazer muito por isso, a não ser que, como já escrevi, tivesse em cada grávida um detector de rotura da bolsa amniótica e um contador de contracções.

18/01/2026

SERVIÇO PÚBLICO: Por memória, antes de votar

Antes de votar, conferir a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o TÍTULO II Presidente da República e, em especial, o CAPÍTULO II Competência do Presidente da República.

17/01/2026

Jerome H. Powell, a Federal Reserve Chair with guts

«Jerome Powell isn’t known for his expressiveness. The chair of the Federal Reserve has kept quiet over the past year as President Trump has repeatedly attacked him—often with crude language (think moron, numbskull, dumb, and loser). That changed yesterday, when Powell announced that he is under criminal investigation by Trump’s Justice Department. In a video statement, he responded to the threat of indictment with remarkable clarity.»

The Candor of Jerome Powell, Will Gottsegen, The Atlantic

 «(...) The threat of criminal charges is a consequence of the Federal Reserve setting interest rates based on our best assessment of what will serve the public, rather than following the preferences of the President.

This is about whether the Fed will be able to continue to set interest rates based on evidence and economic conditions—or whether instead monetary policy will be directed by political pressure or intimidation.

I have served at the Federal Reserve under four administrations, Republicans and Democrats alike. In every case, I have carried out my duties without political fear or favor, focused solely on our mandate of price stability and maximum employment. Public service sometimes requires standing firm in the face of threats. I will continue to do the job the Senate confirmed me to do, with integrity and a commitment to serving the American people.»

Excerpt from the Statement from Federal Reserve Chair Jerome H. Powell

16/01/2026

Dúvidas (365) - A minha ditadura é melhor do que a tua?

«Não é portanto de admirar que, depois da Renée Nicole Good ter sido assassinada em Minneapolis, o pessoal tenha saído à rua em protesto; com o ICE a intensificar a violência, ainda mais pessoas erguem a voz e cada vez se vê mais homens brancos heterossexuais a juntarem-se ao movimento--imagine-se que até o podcaster Josh Rogan já comparou o ICE à GESTAPO. Mas há um aspecto lúdico: não deixa de ter piada que os que defendem os métodos autoritários de Trump sejam os mesmos que estejam preocupados com o Irão, a Venezuela, etc., como se dissessem "A minha ditadura é melhor do que a tua..."

Todos os dias aprendemos coisas novas acerca das acções do ICE, que agora até prende cidadãos americanos e não devolvem os pertences pessoais que confiscam às pessoas quando as prendem - os documentos, as jóias, a carteira, o telemóvel, as chaves do carro, etc. Não interessa se a pessoa fez alguma coisa de mal, se está em casa ou no carro, se é americana, se é deficiente, homem, mulher, criança, etc. Até os índios nativos americanos prendem e tentam deportar porque têm um tom de pele mais moreno. Vivemos num estado de completa ilicitude e isto só tem tendência a piorar.»

 Rita R. Carreira (trabalha e reside nos EU) no blog A Destreza das Dúvidas

15/01/2026

Crónica da passagem de um governo (32b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 32a)

O ministro das Finanças chumbou no exame de Economia (cont). Fiscalidade no arrendamento

Estima-se que 60% dos contratos de arrendamento não sejam registados nas Finanças. Poderia pensar-se que, por isso, a fiscalidade no arrendamento é irrelevante, pois apenas 40% beneficiariam do seu alívio e que, em contrapartida, o mais importante para os proprietários seria a garantia de despejo por falta de pagamento das rendas. Parece-me, ao contrário, que a razão principal de grande parte dos arrendamentos não terem contrato registado é precisamente a punição fiscal e por isso os senhorios preferem correr o risco de não registarem os contratos ainda que isso torne o despejo mais difícil ou mesmo impossível. Daí a importância do alívio fiscal no arrendamento por uma redução das taxas de IRS do senhorio e um aumento do limite da dedução das rendas por parte do inquilino, sendo que esta última medida induzirá maior pressão dos inquilinos para o registo dos contratos.

curva de Laffer sugere que, da redução da taxa de IRS sobre os arrendamentos, poderá não resultar a redução da arrecadação fiscal ao tornar menos punitiva a opção dos senhorios registarem os contratos, o que predisporia a aceitação pelo inquilino de um aumento da renda, compensado por uma maior dedução fiscal.

Consequências previsíveis, mas imprevistas

A ocorrência nas últimas semanas de algumas mortes por indisponibilidade de ambulâncias, levou o Dr. Montenegro a anunciar com espalhafato a compra de 275 viaturas para o INEM… ambulâncias cuja compra tinha sido autorizada pelo governo do Dr. Costa em Novembro de 2023. Ao que parece, a falta de ambulâncias resulta, pelo menos em parte, de ficarem retidas nas urgências enquanto os “utentes” aguardam o atendimento. Por isso, é bem possível que, em vez de reduzir os tempos de espera (um resultado difícil, dado o estado do SNS), o governo adopte a receita do costume de despejar dinheiro em cima dos problemas e autorize a compra de mais ambulâncias até que faltem bombeiros para as conduzir.

Canários na mina de carvão

Embalados pela aparente prosperidade (Portugal foi o país da OCDE em que os rendimentos do trabalho mais aumentaram em 2024), garantida pela entrada até ao final do ano passado de 14 mil milhões de fundos PRR e pelo afluxo turístico, pouca gente parece ter reparado que até Novembro as exportações apenas cresceram 0,6%, enquanto as importações aumentaram 4,3% e por isso o défice da balança comercial aumentou até Novembro para 2 mil milhões, que os yields nas novas emissões de dívida estão a aumentar e que todas as previsões de crescimento sugerem que o aumento do PIB em 2026 será inferior ao de 2025, já em si bastante modesto (2%).

Chocará a Estratégia Digital Nacional com a realidade? O Quinto Império Digital

Com o deslumbramento que ficará como a sua imagem de marca, o Dr. Matias, ministro do Estado Reformado, convenceu o governo a aprovar a Agenda Nacional de inteligência artificial (resolução do Conselho de Ministro n.º 2/2026) derramada em duas dezenas de páginas do Diário da República, com as trivialidades habituais no patuá da consultoria, incluindo um Plano de Acção que inclui uma Cloud Soberana e um Ecossistema de Inovação Digital na Administração Pública. É uma espécie de anúncio de um Quinto Império Digital.

14/01/2026

Crónica da passagem de um governo (32a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A Portela não se protela mais. O tempo das realizações ainda não começou e o dos resultados ainda não sabemos

Depois décadas de adiamentos pelos quais todos os governos foram responsáveis, o ministro das Infraestruturas, Dr. Pinto Luz, ao inaugurar a enésima expansão do Terminal do Aeroporto da Portela, espetou ameaçadoramente o dedinho na cara do Dr. Arnaut, actual presidente do CA da ANA que no passado exerceu uma dúzia de cargos políticos e entre eles o de ministro que tutelou os aeroportos, e disse sem se rir «o tempo dos adiamentos acabou, teremos um novo aeroporto dentro de 10 a 12 anos».

Ideias simples para reformas baratas

Há vários anos que o (Im)pertinências vem criticando as políticas energéticas dos sucessivos governos (ver, por exemplo, este post de 2017), em particular, os avultados subsídios aos operadores, através do mecanismo das tarifas garantidas.

[Carlos Enes no jornal Sol (sem link)]

O diagrama acima evidencia os sobrecustos para os consumidores e as empresas desses subsídios políticos e também um aspecto geralmente ignorado que é o desequilíbrio dos preços garantidos de compra aos produtores domésticos e aos pequenos produtores empresariais. Aqui está uma oportunidade para o governo fazer uma reforma barata e simples.

O ministro das Finanças chumbou no exame de Economia

A semana passada, o Dr. Miranda Sarmento disse com orgulho que a isenção de IMT e do Imposto de Selo na compra de casa beneficiou cerca de 70 mil jovens e a garantia pública beneficiou 23 mil jovens. Dito de outro modo, estes incentivos representaram uma percentagem significativa do número de casas vendidas em 2025. Entretanto, o ministro ainda não decretou a revogação das leis da procura (que aumentou em boa parte devido a essa medidas) e da oferta, que não aumentou, apesar da palavra de ordem do ministro «oferta, oferta, oferta», porque não foram tomadas as medidas necessárias, que vão desde o aumento das superfícies urbanizáveis e a simplificação da burocracia desmedida no licenciamento e na aprovação de projectos até aos benefícios fiscais de incentivo ao arrendamento para colocar no mercado as 250 mil casas vazias em boas condições e à construção.

(Continua)

13/01/2026

The Trump administration as seen by John Bolton, a self-confessed Reaganite (3)

In late November, John Bolton, a Republican politician who served as National Security Advisor to President Donald Trump from April 2018 to September 2019, among many other positions, was interviewed by David Rennie, editor of The Economist. The following text is the third and the last part of an excerpt from that interview (John Bolton on American foreign policy), obtained through automatic voice recognition and therefore subject to errors, which includes parts that are most significant for drawing a portrait of Donald Trump's administration.

Continuation of (1) and (2)

John Bolton

So what that will do to Republican house and senate members is cause them to wonder how safe they are in their own districts. They've been worried about a Trump opponent in the primary. Now, a good number of them are going to start worrying. (…)

Maybe I should worry about the democratic opponent in November and that will accelerate. I hope the propensity to stand up and say what's good for the member to help them get re-elected that will not be necessarily what Trump wants so officials ever going to happen. I mean, Trump trump is not a normal president, not a normal person. (…)

He (Trump) is an aberration, and so he would have been out of the mould right through to the end. The real issue is whether in that circumstance, he doesn't spend more time on domestic policy or more time on building his ballroom, the drapes and carpets at the Kennedy Center, putting more gold filigree up in the White House. All of those things are possible, but Trump's erratic behaviour in international affairs has been demonstrated for 5 years. (…)

It won't change in the last 3 years. No matter what that's a danger that's not something anybody should take comfort and something to worry about until he leaves the office.

David Rennie

Help our viewers understand what this looks like. In 10 - 20 years time.

John Bolton

And he gets flexible, but it's going to take time the damage that he has done by talking about withdrawing American power and by acting in ways that I think are contrary to our best interests, by intimidating and causing our allies to back away from us, in the hope that the authoritarian states will make deals. That they'll adhere to is about as naive a foreign policy approach as I can imagine so I don't underestimate the difficulty of the task, but I think that that the reaction in the United States will be such that a lot of work will be undertaken fairly quickly and the worst thing that our foreign friends could do is assume that the US will behave like Trump forever. (…)

If that were the case, then I would expect a certain kind of behaviour, I don't expect that's going to be the case, and I think they need to think about that so when you have foreign leaders like chancellor merits of Germany. At near the beginning of the Trump term he said we need independence from the United States, I'd be careful about things like that. Because Trump in the 3 years he had left could say, well fine If the Europeans want to be independent, we're withdrawal with NATO, we don't want to impose ourselves on anyone think about what comes after Trump and calibrate the policies accordingly.

12/01/2026

The Trump administration as seen by John Bolton, a self-confessed Reaganite (2)

In late November, John Bolton, a Republican politician who served as National Security Advisor to President Donald Trump from April 2018 to September 2019, among many other positions, was interviewed by David Rennie, editor of The Economist. The following text is the second part of an excerpt from that interview (John Bolton on American foreign policy), obtained through automatic voice recognition and therefore subject to errors, which includes parts that are most significant for drawing a portrait of Donald Trump's administration.

Continuation of (1)

John Bolton

I will just say it is clearly as I can. Trump doesn't think at that level. His supporters say he's playing a complex game of 3-dimensional Chess. (…)

No, he's not. He's playing one move at a time look at the situation in Venezuela, where we can't make heads near tales of it. At the present time. (…)

David Rennie
You'd think if he really believed in spheres of influence, Maduro would have been gone long ago. (…)

John Bolton
Becky knows enough to know that he used to say he was totally against the war in Iraq, and he was one of the few he said who sold the consequences, which isn't true, but that's what he says, but he'd often then say unless we took the oil. So, it's a kind of primitive thing if I can make a deal with Ukraine to get its mineral reserves. Well then ok, maybe we'll support Ukraine. (…)

It's all transactional, and everything is a deal he could make a deal out of Vanuatu or Kiribati in the Pacific. If he thought he saw the possibility that that's what governed is thinking not conceptual ideas about spheres of influence, or even spheres of influence, and in a purely pragmatic one. Because Trump believes the world is what he says, it is. (…)

It's not that he lies. It's not that he knows the difference between truth and falsehood and consciously chooses falsehood. He just makes things up. (…)

So, if he gave away Taiwan in a trade negotiation, he would declare victory nonetheless, he makes these things up. And yet, people believe him, he said, I've solved 8 wars, and 8 months in office, which he has not, but his base says he just he solved 8 wars and 8 months, so his great confidence in being able to announce victory and expects that people will believe it. Trump is never going to be normal. (…)

He has. An aberration, and thank God for that, but I think the diminution of Trump's power, the loss of his ability to intimidate Republicans has already Begun with the results of the 2025 election, I think Republicans were shocked. It's true. (…)

They're not, they're not full elections like we will have in 2026, you have to be somewhat careful and drawing your conclusions, but other things that are happening. In addition to the elections earlier this month, the rejection by Republican Senators of Trump's called and the filibuster, the opposition to the mid cycle, redistricting effort that a number of Republican parties in in the states have undertaken and then the incredible revolt by the MEGA base. Itself on the Jeffrey Epstein scandal, I think, I think we're at the point where Trump is now on the downhill, that doesn't guarantee the rate of descent or how far it goes, but it's a little bit like the wizard of eyes, you pull the curtain back and suddenly. (…)

Everybody's operating in a different world. I think that's happening. I hope I'm not too optimistic, but I do have a sense that that's beginning. (…)

(To be continued)

10/01/2026

The Trump administration as seen by John Bolton, a self-confessed Reaganite (1)

In late November, John Bolton, a Republican politician who served as National Security Advisor to President Donald Trump from April 2018 to September 2019, among many other positions, was interviewed by David Rennie, editor of The Economist. The following text is an excerpt from that interview (John Bolton on American foreign policy), obtained through automatic voice recognition and therefore subject to errors, which includes parts that are most significant for drawing a portrait of Donald Trump's administration.

David Rennie

(...) is Donald Trump finally getting the foreign policy that he always wanted. 

John Bolton

Well, I think in the second term, Trump has implemented a lesson he learned in the first term, which is that he should surround himself with men and women who just say yes, sir, when he says something. And that what some people called guard rails in the first term have disappeared, they weren't really guardrails. They were efforts at least in the national security space to help the president make well informed decisions.(…) 

Ultimately, the president will make all the big decisions. The question is, will they be? Well-thought-out, or will they be neuron flashes? 

David Rennie

Out of Ukraine is so urgent that I want to begin with that. Our allies right to be concerned that a bad deal could be imposed on Ukraine. 

John Bolton

At least as of what we know now, this is a terrible deal for Ukraine and it stems from the reality that Trump sees International Relations through the prism of his personal relations with foreign heads of government. So he has long thought he and Vladimir Putin were friends. I'll guarantee it that's not how.(…)

Putin sees it, but Trump has been disappointed for 10 months that he hasn't been able to make a peace deal now. He's trying again and from what we can see. The terms of this are entirely favourable to the Kremlin would be a disaster for Ukraine.(…) 

Well, I think I think he wants to be a big guy to deal with other big guys, and do what big guys do, and he did have that kind of fascination with air to one of Turkey and others, I'll leave it to the psychiatrist to tell us why? But it plays into their hands, and particularly in the case of Vladimir Putin trained KGB agent, trained to assess weaknesses and opportunities and the people he's dealing with and to exploit them, and I think I think that's what he has consistently done with Trump.(…) 

Well, in part, but he knows so little, it almost doesn't matter before I arrived at the White House he asked John Kelly, then the chiefs of staff is Finland's still part of Russia. He's heard from people at the Mar-a-Lago club that basically, Ukraine is Russian. They speak Russian.(…)

It's all the same thing, and he doesn't understand the Ukrainians have decided they actually want to be independent.(…)

(To be continued)

09/01/2026

Lost in translation Found in translation – Unbabel, uma startup portuguesa, e uma Amália que é um karaokê alucinado

Há mais de 10 anos, a Unbabel, uma startup portuguesa dedicada à tradução automática, passou pela primeira vez no radar do (Im)pertinências. Registei então, com surpresa e alívio, o relativo desinteresse do jornalismo de causas doméstico, normalmente muito excitado pelos feitos dos patrícios (feitos frequentemente mais imaginados do que reais), esperançado de que a Unbabel escaparia à maldição do jornalismo promocional.

Da segunda vez, o ano passado, a Unbabel voltou a passar, desta vez pela mão do Dr. Montenegro que anunciou com pompa e circunstância durante a Web Summit o LLM português "Amália" que «partiria de uma base em open source já existente, o Tower LLM, da Unbabel». 

Dois meses depois desse anúncio, já a Unbabel parecia estar com «os dias contados» e tentava ser comprada, agarrando-se ao Amália como a uma tábua de salvação. Os vários adiamentos do projecto e a situação da Unbabel levaram-me a duvidar que alguma vez o "Amália" chegasse a cantar. 

A dúvida foi crescendo ao ser anunciada dois meses depois a venda da Unbabel à TransPerfect, por um valor simbólico depois de uma queda de 50% do volume de negócios (fonte), e há poucos dias soube-se que o fundo espanhol Buenavista, um dos accionistas, propôs uma “acção pauliana” para suspender todos os contratos, alegando as enormes perdas que os accionistas já tinham suportado. 

Fiz agora uma visita ao Chat "Amália" e perguntei qual a situação do "Amália" e recebi a seguinte intrigante resposta:
«sou um projeto independente e não estou relacionada com o modelo de linguagem "Amália" que está a ser desenvolvido com financiamento do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).»
O que me levou a perguntar «qual é o papel da Unbabel no desenvolvimento do “Amália”?» que teve a seguinte surpreendente resposta:
«A Unbabel desempenha um papel crucial no desenvolvimento do projeto "Amália", que é uma iniciativa financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em Portugal.» 

Antes de desistir por estar a ficar alucinado com o resultado da hallucination do "Amália", ainda percebi, pela descrição da arquitectura técnica, que, na verdade, não se trata de um modelo LLM, mas de uma aplicação para converter em português de Portugal o português do Brasil dos outputs dos modelos LLaMA (da Meta) e Mistral (da Mistral AI). Ou seja, o Amália, que não está relacionado com o modelo "Amália" financiado pelo PRR e é uma iniciativa financiada pelo PRR, não é o LLM Amália. É um karaokê do Amália.

08/01/2026

Javier Milei ganhou uma batalha. Ganhar a guerra é outra coisa e, a ser possível, levará algum tempo (2)

mais liberdade

Já algumas vezes coloquei reservas à governação de Milei na convicção de que os fins prosseguidos são inseparáveis dos meios adoptados, como a História mostra abundantemente. Apesar dessas reservas, não se pode deixar de salientar os resultados alcançados, pelo que, sendo a política a arte do possível, como escrevi, Milei merece o apoio dos democratas liberais, pelos resultados e para evitar a apropriação indevida e equívoca de Javier Milei pela direita populista.

07/01/2026

Could Europe take on Russia without American help? Once bitten, twice shy

 «IMAGINE THIS scenario: in the half-light of a March morning in 2027, Russian armoured units cross the Latvian border near Rezekne, seize the rail station and turn south toward Daugavpils, Latvia’s second city, half of whose population is ethnically Russian. Capitalising on the fruits of a malign influence campaign, their aim is to seize a sliver of territory on the pretext that “Russian-speaking communities” require Moscow’s protection. Russian troops rapidly build fixed positions and deploy mobile air defences, while their president, Vladimir Putin, still basking in the glow of newly acquired lands in the Donbas, waits for NATO to decide how to respond.

In Washington, the response is what the Europeans had feared. President Donald Trump informs them that America will not fight a European war over a slice of Latvia that, he claims, is basically Russian anyway. Russia is just too powerful to fight and, as in Ukraine, will just grind it out. Besides, Mr Trump argues, European weakness practically invited this incursion in the first place. He calls for “peace” on social media, but will send no troops, no heavy lift and no fighter jets—though Europeans are welcome to purchase American weapons.

The fictional land-grab in Latvia invites NATO to think the previously unthinkable: can the alliance, without America, contain and then repel a Russian advance?

06/01/2026

Crónica da passagem de um governo (31b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 31a)

Chocará a Estratégia Digital Nacional com a realidade? O escuteiro e a velhinha

O Dr. Gonçalo Matias anunciou mais um grandioso Plano de Ação 2026-27 da Estratégia Nacional Digital onde serão “investidos” uns mil milhões de euros em 3 eixos de incrementação das competências tecnológicas que abrangerá três milhões de pessoas.

Aguardo com ansiedade, receando que a este grandioso plano se aplique a parábola da velhinha, parada no passeio e atravessada contra vontade para o outro lado da rua, que terá dito ao escuteiro, ansioso por fazer uma boa acção, que queria continuar do mesmo lado.

O governo AD também tem uma autoestrada mexicana para o investimento público

Para não me repetir, encaminho-vos para o post Investimento público, a autoestrada mexicana do PS onde desmonto o expediente que os governos do Dr. Costa adoptaram, expediente que parece estar a inspirar o governo do Dr. Montenegro.

(Fonte)

Como o gráfico acima mostra, desde 2016, a execução pela Administração Central tem sido sistematicamente inferior a 80% e abaixo da execução pela Administração Local.

Para 2025 o governo AD orçamentou um investimento 21,5% superior ao de 2024 e até ao final de Outubro executou apenas metade do total previsto para o ano e em oito dos domínios executou menos de um terço.

Boa Nova da dívida pública, seguida de choque com a realidade

A dívida pública bruta diminuiu 1,9 mil milhões em Novembro para 281,4 mil milhões pela amortização de dívida de curto prazo.

(Fonte)

Seria uma Boa Nova se a dívida pública líquida de depósitos bancários e outros activos (que é a dívida que realmente interessa) tivesse diminuído igualmente. Pelo contrário, a dívida líquida aumentou de 257,6 em Janeiro para 258,9 mil milhões em Novembro.

05/01/2026

Crónica da passagem de um governo (31a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… reduzir o atraso médio dos registos predial (179 dias), comercial (173 dias) e automóvel (476 dias);

… imprimir os boletins de voto em menos de um mês e evitar incluir três candidatos da PR com processos rejeitados pela Comissão Nacional de Eleições;

… eliminar a bandalheira dos concursos para docentes do ensino superior;

… preparar com competência a instalação de novos sistemas para evitar o caos, por exemplo

   - Sistema de controlo da entrada e a saída de cidadãos de países terceiros nos aeroportos

   - Sistema integrado dos Meios de Transporte e das Mercadorias nos portos e aeroportos.

Ideias simples para reformas baratas

Por exemplo,
  • Simplificar o sistema fiscal, o 6.º menos competitivo entre os 38 países da OCDE, sobretudo na fiscalidade das empresas (3.º menos competitivo), segundo o International Tax Competitiveness Index 2025 ou ainda
  • Simplificar o sistema salarial dos funcionários públicos, que inclui uma pletora de subsídios que, em média, representam 20% do salários-base e, nalgumas categorias, atingem proporções pornográficas da remuneração média mensal, como os diplomatas (200%), guardas prisionais (100%) e bombeiros (70%) (fonte). Em atenção aos nativistas, talvez deva acrescentar que esta é uma das particularidades da alma portuguesa que a estranja que por cá trabalha não entende, habituados que estão a ter um salário anual que é pago em fracções mensais.
Boa Nova

Não há soluções miraculosas; ainda assim, as USF modelo C, que são USF de cuidados de saúde primários, geridas por entidades privadas, têm virtualidades de contribuir para um melhor padrão na qualidade e no custo dos serviços médicos prestados pelo SNS.

Num deserto socialista até a areia acabaria por faltar

mais liberdade

Se o problema do SNS fosse a falta de médicos e enfermeiros, já deveria estar resolvido. 

O choque da Boa Nova com o visconde de Chateaubriand

Sem nenhuma surpresa, anunciada a solução das USF de gestão privada, a Federação Nacional dos Médicos, um dos lóbis da corporação médica, logo protestou argumentando que os “territórios” onde o sector privado mais investe em saúde são os territórios onde o SNS enfrenta maiores dificuldades.

É um argumento do tipo que aqui baptizámos de argumento Chateaubriand, em homenagem ao visconde e escritor do qual se diz que um dia teria abençoado a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.

Seja porque adoptou o argumento Chateaubriand, seja porque quis fazer uma prova de vida, o Dr. Marcelo devolveu vários decretos aprovados pelo governo, incluindo o que previa o encaminhamento de «doentes para o sector privado ou social quando o SNS não consegue dar resposta em tempo útil»

(Continua) 

04/01/2026

SERVIÇO PÚBLICO: A Mãe de Todas as Greves por 12 (doze) meses

O STTS - Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos, um sindicato com sede em Viana do Castelo que foi fundado em 2016 para os trabalhadores municipais do Alto Minho, cujo número de sócios não divulgado deve ser um pouco superior às duas dezenas de membros dos órgãos sociais, anunciou uma greve às horas extras e às cirurgias adicionais no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

Para o caso de nunca chegarem a dar por isso, aqui fica o AVISO PRÉVIO DE GREVE PARA TODOS OS TRABALHADORES DA SAÚDE A PARTIR DE 01 DE JANEIRO A 31 DE DEZEMBRO DE 2026.

03/01/2026

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (23) - Afinal os melhores dos melhores são os medíocres dos medíocres

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

Para quem andou dez anos a dar graxa à mediocridade que infesta o Portugal dos Pequeninos com o mantra «nós portugueses somos os melhores e, por isso, não admira que aqui estejam os melhores a fazer o melhor», é um pouco insólito evocar na sua última mensagem em contraponto a atributos (exagerados) como «a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade», os defeitos (bem reais) como «o desleixo, a constante trapalhada nos negócios e (...) a imaginação, que leva sempre a exagerar até à mentira», «a esperança constante de algum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades». O pior de tudo foi concluir que «assim somos há quase 900 anos, assim seremos sempre».

01/01/2026

You can't fool all of the people all the time (10)

Other "You can't fool all of the people all the time."

YouGov (source)

Overcoming Sleepy Joe and overcoming himself.



Increasing rejection across all domains, including national security.