Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

12/10/2026

Is this intended to build the Golden Trump Resort of Gaza? (2)

Sequel to (1)

 

Jared Kushner’s proposed recovery and reconstruction plan for Gaza faces major obstacles and currently appears disconnected from realities on the ground. Kushner announced a $2.45 billion recovery programme and spoke of a broader $71 billion reconstruction effort over ten years, to be overseen by the so-called Board of Peace.

However, conditions in Gaza remain extremely unstable. Large areas are under Israeli military control, infrastructure is devastated, reconstruction equipment is heavily restricted, and violence continues despite an earlier ceasefire. Hamas remains the de facto authority in many areas, although its control is weakening under Israeli military pressure and growing internal disorder.

The reconstruction initiative has struggled to secure sufficient funding and its implementation has been hindered by political and security constraints. Officials involved in the effort reportedly view Israeli policies as a major obstacle, while planned international stabilization forces and Palestinian administrative bodies have not been allowed to deploy as intended.

Looking ahead, political uncertainty further complicates prospects for recovery. Israeli politics remain polarized, debates over the future of Gaza continue, and attempts to bring Hamas into a political process face significant resistance. In conclusion, despite ambitious promises and large headline figures, meaningful reconstruction remains difficult while the underlying conflict and governance issues remain unresolved.

Source: Jared Kushner has a $2.45bn recovery plan for Gaza

11/10/2026

A ideologia não substitui inteligência e educação e não desculpa a ignorância

(Talvez Einstein nunca tenha dito isso) 

Parte da conversa, citada por Miguel Pinheiro, entre Jacob Rees-Mogg, um católico tradicionalista, culto, inteligente e diletante inglês, e Tucker Carlson, comentador político em vários jornais e televisões e adepto do MAGA, antes de ficar "atormentado" e se arrepender de ter apoiado Donald Trump.

«Tucker Carlson: O governo do Reino Unido está a punir e a proibir pessoas e ideias de que não gosta. A Rússia não está a fazer isso. Portanto, como é que…

Jacob Rees-Mogg: O quuuêêê? Não pode dizer isso. Na Rússia, estão a fazê-lo em força. Estão a espancar pessoas. Estão a prendê-las.

Tucker Carlson: A Rússia prendeu menos pessoas no último ano por publicações nas redes sociais do que o Reino Unido.

Jacob Rees-Mogg: Na Rússia, elas limitam-se a cair acidentalmente de janelas.

Noutro momento, expondo a sua iliteracia financeira e a sua devoção a Moscovo, Tucker atribui à Rússia um poder económico que ela simplesmente não tem.

Tucker Carlson: A Rússia tem uma economia muito maior do que a da Grã-Bretanha, creio que, basicamente…

Jacob Rees-Mogg: Não, não, não. Não tem uma economia maior do que a da Grã-Bretanha. Tem uma economia menor do que a da Grã-Bretanha. Tem é um poderio militar maior.

09/10/2026

A visão do Dr. João Costa do que é o mal maior explica a sua obra no ministério da Educação

Para quem não saiba, o doutor João Costa andou desde 2015 a circular pelo Ministério da Educação, primeiro como secretário de Estado e depois como ministro, de 2022 a 2024. O gráfico seguinte, representando os scores dos alunos portugueses nos testes PISA da OCDE, em que o traço vermelho assinala o ano em que a criatura iniciou a sua obra no Ministério da Educação, ilustra claramente os resultados do trabalho desenvolvido pelas equipas de que fez parte ou liderou.

(Fonte: OCDE, PISA 2025 Results, Volume I, Country Note Portugal)

Foi o mesmo doutor João Costa que publicou o artigo de opinião «As ingerências na Universidade Nova refletem um mal maior» onde descreve com larga soma de pormenores o processo kafkiano da eleição do reitor da Universidade Nova, processo sobre o qual não tenho opinião para além de o considerar kafkiano, como não tenho opinião sobre as personalidades envolvidas.

Ao contrário, tenho opiniões muito claras sobre a opinião do doutor João Costa de «o que se passa na NOVA é sintoma de um mal maior que atinge as instituições de ensino superior um pouco por todo o mundo», porque «nas últimas décadas, por todo o lado, passaram a imperar modelos de gestão empresarial». Em consequência, o doutor João Costa é especialmente crítico com a intervenção «ao jeito norte-americano» de entidades privadas externas na gestão das universidades.

Infelizmente, para os modelos do doutor João Costa, em qualquer ranking mundial das universidades, as americanas são as mais representadas, pelo menos enquanto a administração Trump não as transformar em megafones MAGA. Por exemplo, no ranking Times High Education as universidades americanas representam 7 das 10 primeiras classificadas e quase um terço do total do top 100; a universidade portuguesa mais bem classificada está no escalão 376-400. Pelas suas críticas, implicitamente, o doutor João Costa propugna o modelo prevalecente nas universidades portuguesas onde predomina a endogamia e quase 70% dos doutoramentos têm lugar na mesma universidade onde os doutorados leccionam e em dez faculdades essa percentagem sobe para 90%.

08/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 70a)

O Estado sucial mau pagador é o mesmo Estado sucial mau cobrador

Que o Estado sucial paga tarde e a más horas aos seus fornecedores é um facto antigo e bem conhecido. Menos conhecido e sobretudo menos falado é o Estado sucial ser um mau cobrador aos seus devedores, nomeadamente os contribuintes. É o que ficamos a saber ao ler o parecer à conta geral do Estado de 2025 do Tribunal de Contas que nos informa que existiam quase 30 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 10% do PIB desse ano, em cobrança coerciva, o que é equivalente é cerca de 45% da receita fiscal do ano, sendo que cerca de 40% é dívida incobrável e 60% desta dívida diz respeito a empresas que deixaram fiscalmente de existir.

O Estado sucial é mau pagador, mau cobrador e senhorio incompetente

Dos mais de 3000 imóveis propriedade de Segurança Social, quase 1000 estão devolutos, ocupados indevidamente ou sem contrato de arrendamento válido. Em 2025 o número de edifícios devolutos ou com a ocupação indevida aumentou 14% (fonte: parecer à conta geral do Estado do TdC). Isto já seria bastante grave se não existisse em Portugal uma séria carência na oferta de habitação. Nestas condições concretas, uma entidade pública gerir com semelhante desleixo um recurso escasso é algo do foro criminal.


O Estado sucial faz o bem sem olhar a quem

Ainda pela via do Tribunal de Contas, que, podemos especular, está a cobrar ao governo os conflitos sobre as suas competências, governo a quem acusou de «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública», ficámos a saber que o governo torrou mais de meio milhão de euros em subsídios cujos propósitos e beneficiários não são conhecidos.

O SNS como lugar geométrico da cunha

Cada vez que se escarafuncha um organismo público, rapidamente se encontra uma cloaca de onde emanam odores a cunhas. Aconteceu mais uma vez com o caso das gémeas que espoletou uma investigação do DIAP onde se concluiu que a bolha político-mediática usa recorrentemente a via da cunha.

O governo evita uma «hecatombe social»

O alerta do Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento de que se, com o fim do PRR, «a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social», não caiu em orelhas moucas e foi escutado pelo Dr. Castro Almeida, ministro da Economia, que já convenceu o governo a aprovar um financiamento de 200 milhões para acabar as obras inacabadas até ao final de 2027, garantindo assim que não haverá um euro dos contribuintes europeus que não seja torrado.

Está a ser difícil distinguir as “contas certas” do Dr. Sarmento das do Dr. Centeno

As contas do 1.º semestre apresentaram um saldo orçamental positivo equivalente a 0,5% do PIB. Como o Conselho Económico e Social constatou, a coisa foi possível graças à «sobreorçamentação ou subexecução do investimento», por outras palavras, graças à autoestrada mexicana do investimento público.

Fonte

Onde ainda existe alguma diferença é no crescimento da despesa pública que está mais imparável com o Dr. Sarmento, como mostra o gráfico acima,

Em conclusão, a visível decomposição do PS-D…

… vai ser o terreno fértil, suspeito, para o socialismo de direita ou de esquerda chegarem ao poder, o que pode não ser muito pior e, com alguma sorte, pode ser uma cura para as ilusões de um eleitorado viciado no facilitismo e na procura de soluções mágicas. 

07/10/2026

The men who possibly raised the alarm before October 7th.

Yigal Carmon, founder of the Middle East Media Research Institute (MEMRI), publicly warned in August 2023 that a major regional conflict could erupt in September or October. Drawing on Arabic- and Persian-language media, Carmon identified escalating threats, military preparations, increasingly advanced weapons, and public statements by Hamas and other Iranian-backed groups. Officials in Israel and the United States largely dismissed his warning.

Carmon’s new report, Chronicles of a Disaster Foretold, argues that Hamas’s intentions were visible through open sources long before the October 7 attack. It highlights earlier discussions about breaching Israel’s border, increasingly explicit statements about an imminent “decisive battle,” and a large Hamas military exercise in September 2023 that closely resembled the subsequent assault. Carmon acknowledges that he mistakenly expected the war to begin in northern Israel, but maintains that Hamas successfully misled Israeli leaders into believing it prioritized economic development over conflict.

It was Israel’s failure to anticipate the attack to a broader “perceptual failure”: officials assumed that financial support and economic incentives would contain Hamas, while funds were allegedly diverted toward weapons, tunnels, and military capabilities. It also places Carmon’s warnings within current Israeli political disputes, including criticism of Prime Minister Benjamin Netanyahu, demands for an independent investigation into the October 7 failures, and allegations concerning Qatar’s influence and financial ties. Despite criticism of MEMRI’s methods and accusations from Qatar, Carmon insists that the evidence was publicly available and that Israeli leaders ignored clear warning signs.

(Source The Man Who Raised the Alarm Before October 7)

This is further evidence, in addition to the alleged warnings from the head of Egypt's intelligence services, Abbas Kamel, and the President of the United Arab Emirates, Mohammed bin Zayed, that Bibi and his government used Hamas, first to weaken the Palestinian National Authority (PNA) and Fatah, and then, anticipating what was coming, ignored the warnings because this could divert attention from corruption charges, save them from the courts, and give them a chance to win the next elections, as well as provide an opportunity to eliminate Hamas and weaken the Ayatollah regime. All of this aligns well with known facts, but some argue that even if true, which they deny, stating this is antisemitism and favors the Shiite dictatorship, meaning that those who say this place the truth on the side of antisemitism and the Shiite dictatorship.

06/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro não se poupa a tentar resolver os grandes problemas nacionais

E foi assim que interveio no momentoso quid pro quo entre Cristiano Ronaldo, um jogador em fim de carreira que já foi um dos melhores do mundo, e o Sr. Jorge Jesus, um seleccionador cuja ignorância da língua portuguesa não o impede de obter bons resultados. E ainda teve tempo de telefonar ao Sr. Proença, presidente da Federação e antigo árbitro bem-sucedido, dizem, mas que falhou na arbitragem entre o CR7 e Jesus.

A tragédia dos alunos sem professor é uma comédia de baixas e de imobilidade

Para não me repetir, remeto para o item "Afinal quantos professores temos?", onde concluí que não se sabe quantos professores existem, sendo certo que durante o consolado costista o número de alunos se reduziu em cem mil, redução parcialmente compensada pela invenção de novas disciplinas.

Como as baixas no presente ano lectivo só na primeira semana ultrapassaram os dois mil professores e os milhares de professores do Norte que não estão a dar aulas não estão disponíveis para vir para o Sul, só por milagre se evitariam os 664 horários por preencher na região de Lisboa (fonte)

Deve um ministro responder pelos erros de uma plataforma?

Já se sabia há mais de dois meses e está agora claro que a causa principal dos atraso na avaliação da provas está os erros da Plataforma de Classificação e Supervisão (PCS), desenvolvida por uma empresa Blat seleccionada por um instituto com autonomia administrativa (Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação - EduQA).

O Estado sucial português é o garante do direito ao aborto nos PALOP

Segundo a DGS, mais de quatro em cada dez IVG (o nome politicamente correcto do aborto) foram de mulheres estrangeiras, e mais de metade destas provenientes dos PALOP.

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos

O Dr. Machado, secretário de Estado do Turismo, estima que o turismo vai crescer este ano 2,5%, e ultrapassar 32 milhões de turistas e 125 milhões de dormidas. Dizem os detractores do turismo que este crescimento aumenta a dependência de um sector muito volátil com qualificações e salários baixos que manterão baixa a produtividade do trabalho. Os detractores esquecem que, com a prevista redução futura dos dinheiros de Bruxelas, é preciso encontrar um sucedâneo que evite ter de fazer reformas.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa, cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Pelos vistos, o governo actual está a seguir o mesmo caminho, nomeando 85% a 90% dos quadros que já ocupavam o cargo em regime de substituição, isto quando não fazem como o Dr. Pinto Luz que nomeou o seu chefe de gabinete para presidente do Instituto de Mobilidade e Transportes.

É por isso que o preço da gasolina é uma questão nacional

Como se vê no gráfico seguinte, o aumento do preço dos combustíveis está a dificultar o uso do automóvel pelos pobres que constituem quase 90% da população. 

mais liberdade

Entretanto, os neoliberais entendem que o aumento do preço dos combustíveis é apenas o resultado do aumento do preço das matérias-primas devido ao bloqueio de um quinto da produção mundial que passava, e agora não passa, pelo Estreito de Ormuz. Em consequência, dizem os neoliberais, é um problema que não se resolve com subsídios directos ou indirectos (o nome politicamente correcto de tirar dinheiro a uns para dar a outros) mas com o ajuste da procura à oferta, como o estão a fazer os consumidores ignorantes destas subtilezas (o consumo de combustíveis reduziu-se 10,3% em resposta ao aumento de 6,3%).

(Continua)

05/10/2026

CASE STUDY: Um imenso Portugal (68) - Banco Master, um imenso BES

Outros imensos Portugais

Para quem não tenha reparado, Daniel Vorcaro do Banco Master, está a ser considerado o grande vencedor das eleições de ontem no Brasil, já que 13 dos eleitos são citados nas investigações relacionados com o escândalo do seu banco considerado «a maior fraude bancária na história brasileira». Entre esses eleitos encontramos Jaques Wagner (PT-BA) e Rui Costa (PT-BA), para o Senado,  Hugo Motta (Republicanos-PB), Antonio Rueda (União Brasil-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), para a Câmara dos Deputados, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apurado em primeiro lugar para a segunda volta das presidenciais.

Tal como no caso do BES, as cumplicidades não ficaram pelo partido no poder. Para citar só um caso, Daniel Vorcaro comprou literalmente o juiz Alexandre de Morais do Supremo Tribunal Federal, um apoiante de Lula da Silva e do PT.

04/10/2026

"You can't fool all of the people all the time" (20) - Robot portrait of a Trump supporter: male, old, white, and poorly educated

Other "You can't fool all of the people all the time."

Back to the 19th century mercantilism

«In his second administration, Donald Trump has injected the federal government deep into private markets and undermined the independence of government agencies and institutions. Most notably, he repeatedly and publicly pressured the Federal Reserve to lower interest rates. In a sharp departure from the traditional US model, and the model of economic government that has prevailed in the United States for centuries, Trump’s administration has acquired equity stakes in more than 30 American firms, and has even taken control of large swathes of the Venezuelan economy. 

Until the 19th century, Trumpian-style mercantilism was widely regarded as sound economic policy. That changed after Adam Smith’s powerful refutation of mercantilism revolutionized economic thinking. When private sector producers compete with one another, Smith argued, an “invisible hand” generates benefits that none intend, resulting in the production of goods and services that constitute the true “wealth of nations.”»

By Anne O. Krueger  (*)
___________
Anne Krueger is an American economist, World Bank Chief Economist from 1982 to 1986, and deputy managing director of the International Monetary Fund (IMF) from 2001 to 2006.

03/10/2026

Um dia como os outros na vida do estado sucial (45) - O SNS24 para amigos e correlegionários

Observador

Tenho um amigo que herdou uma fortuna, nunca teve seguro de saúde e sempre se tratou no SNS. Quando um dia, atormentado pelo custo crescente do meu seguro de saúde e pela qualidade minguante do hospital privado que frequentava, lhe perguntei qual era o milagre, respondeu-me com grande honestidade, isso que escreveu o Miguel Pinheiro por outras palavras: "é preciso ter cunhas".

02/10/2026

Ricardo Reis, Too Candid for the IMF and Too Fiercely Independent for Trumpism

 «The prestigious position might have been awarded this summer to Ricardo Reis of the London School of Economics. But his occasionally blunt media comments reportedly cost him the job. According to the Financial Times, the offending remarks included some orthodox criticisms of President Donald Trump’s tariffs, which he said would raise prices and reduce efficiency. In response, the IMF “categorically” denied that “any candidate was disqualified because of their academic views on the detrimental impact of tariffs…It is not credible to suggest we would object to views that our own research has confirmed and publicised.”

Tariffs are not, however, the only targets Mr Reis has hit. In his column for Expresso, a Portuguese newspaper, he once described Mr Trump as a “protofascist”, albeit institutionally constrained. He later suggested that the president likes tariffs partly because of the exemptions he can grant. “Anyone who wants to pay less has to convince Trump with flattery, business deals with his family, gifts…For someone who sees the presidency as a way to enrich himself personally, or even simply to be flattered, tariffs are an excellent tool.” Last year a column entitled “Gringos on the pampas” marvelled at the Trump administration’s willingness to lend to Argentina. The Peronist left, which could reclaim power at the next election, “proudly never pay what they owe”, he wrote.

As an academic, he is entitled to such views. But as an IMF appointee, they might have caused a fuss. America, after all, is the fund’s biggest shareholder; Argentina its biggest borrower.

Mr Reis will not, then, go to Washington, where he would have formed a dynamic Bretton Woods duo with Michael Kremer, a Nobel-prizewinner nominated this week to be chief economist of the World Bank. His influence will instead remain indirect and intellectual. His research sheds light on several of the fund’s preoccupations, such as fiscal limits, the monetary mystique of central banks and the network of currency swap lines between them.»

Ricardo Reis was too frank for the IMF

30/09/2026

Lost in translation (376) - O preço dos combustíveis e o "fosso" entre Portugal e Espanha

Jornal Económico

Abismado por a Espanha ter "agravado o fosso", cheguei a admitir que Don Sánchez, com as suas posições antissemitas, teria obtido um desconto dos xeiques árabes. Perante a angustiante dúvida, perguntei a um chatbot o que significaria o título da peça e recebi a seguinte resposta: 

«O governo do PSOE de Don Sánchez vai extrair dos contribuintes espanhóis mais 12 mil milhões de euros para subsidiar os preços dos combustíveis e o governo do PS-D do Dr. Montenegro só extrairá 1,3 mil milhões de euros dos contribuintes até ao final de 2026. 
No entanto, convirá ter em conta que, apesar dos preços a que ambos compram os combustíveis serem aproximadamente os mesmos, enquanto Don Sánchez arrecada 142 mil milhões de euros por ano com o Impuesto sobre la Renta de las Personas Físicas, o Dr. Montenegro só extrai 15 mil milhões de euros por ano do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares. 
Em qualquer caso, trata-se essencialmente do mesmo, convencer os contribuintes que a redução do preço dos combustíveis é o equivalente ao milagro de la multiplicación de los panes / milagre da multiplicação dos pães.  
Não esqueças que o milagre favorece quem come mais pão.» 

28/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 69a)

O governo do Dr. Montenegro não faz reformas, faz engordas

O dinheiro dos contribuintes europeus canalizado pelo PRR – a bazuca do Dr. Costa - serviu também para contratar um batalhão de 1.300 funcionários que «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», e que o ministro da Economia já prometeu fazer «o possível» para os manter como utentes da vaca marsupial pública na companhia dos restantes 767 mil.

O Dr. Montenegro ou o Dr. Sarmento deveria seguir a sugestão do Dr. Centeno…

… «explicando onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir metas europeias», uma vez que o governo está a contar com um excedente da Segurança Social que não existe e as contas públicas têm um «défice profundo». O Dr. Centeno está carregado de razão, apenas faltou dizer que o Dr. Montenegro e o Dr. Sarmento estão a contar com um inexistente excedente que o Dr. Costa e ele próprio contaram.

Vale a pena acrescentar que chegaram tarde as preocupações de “contas certas” de um Dr. Centeno que garantiu que a reversão para 35 horas não teria impacto orçamental (o aumento da despesa pública em Saúde duplicou entre 2015 e 2025) e converteu o investimento público na autoestrada mexicana do PS.

Take Another Plan. SATA, uma TAP açoriana

Recordemos, uma vez mais, que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se desde 2024 um candidato privado para comprar o mono.

Como se fosse pouco, o governo dos Açores, que tem usado o dinheiro dos contribuintes para sustentar o elefante branco da SATA, aumentou as taxas aeroportuárias ao ponto da Ryanair ter decidido terminar há 6 meses a sua operação iniciada em 2015, que deu um importante contributo para o crescimento do turismo açoriano. Resultado: desde Abril o turismo para os Açores caiu 8% e teve menos 100 mil turistas.

“O acerto de contas chegou” (*)

Trading Economics

Como mostram os gráficos, as yields das obrigações a 10 anos do Tesouro português e do Tesouro americano (e de muitos outros), que vinham a crescer desde o início do ataque americano ao Irão, estão a atingir máximos de uma década. O Dr. Centeno deveria ter também pedido ao Dr. Montenegro ou ao Dr. Sarmento para explicarem como é que vão ser pagos os juros crescentes das próximas emissões e como vai ser compensada a redução resultante do aumento das yields do valor de mercado de 25 mil milhões de euros das OT que fazem parte do  Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado economista-chefe do FMI.

27/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Reformar implica mexer nos interesses estabelecidos e sujeitar-se à presunção de culpa

O Dr. Fernando Alexandre é um dos raros ministros que tentaram meter o pau no vespeiro do ministério da Educação e por isso tem tido a retribuição oferecida pela coligação do costume, a saber: a Fenprof, o PS e toda a esquerda, o socialismo de direita do Chega, a comentadoria do regime e o jornalismo de causas. À falta de ganas e oportunidade para uma pega de caras, tentam pegar-lhe de cernelha, como esta em que insinuam com sonsice um qualquer cambalacho obscuro com a Deloitte porque o ME lhe adjudicou dois contratos de serviços de consultoria, única consultora das dez consultadas que apresentou propostas, God knows why.

O Dr. Montenegro quer continuar a política de extorsão fiscal do Dr. Costa?

Tudo indica que sim, camuflado com devoluções de IRS, que não chegam para mandar cantar um cego, como diz o povo. Segundo o INE, a carga fiscal em 2025 aumentou de 35,0% para 35,3%.

O lado B dos "centros de dados" ou a «socialização do custo da energia»

Como tenho vindo a lembrar, a estratégia constantemente verbalizada pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de ruptura do sistema e socializar o custo da energia. Ainda antes dos delírios do Dr. Matias terem efeitos devastadores, devemos ter em conta que, nesta altura, já existem 37 centros de dados em funcionamento que consomem por ano 1,86 terawatts-hora, o equivalente ao dobro do consumo doméstico de electricidade na cidade de Lisboa, e a previsão para 2030 para os centros de dados e outras indústrias de alta intensidade eléctrica é dez vezes superior (fonte).

Os rituais domésticos para baixar o preço dos combustíveis

Para fazer chover em tempo de seca, tribos de caçadores-recolectores adoptavam rituais como bater tambores ritmicamente para imitar o som dos trovões, soprar água pelos dentes para simular a neblina ou agitar chocalhos cheios de sementes para reproduzir o som das primeiras gotas a cair no solo.

No Portugal dos Pequeninos, em tempo do aumento do preço dos combustíveis resultante do concurso entre os guardas-revolucionários xiitas e a corte do imperador Donaldo, os consumidores organizam procissões ao som de buzinas de “utentes” na Ponte 25 de Abril e marchas lentas de camionistas na A1. Suspeito que as procissões e as marchas lentas sejam mais eficazes para compelirem o governo a extorquir mais uns dinheiros aos “utentes” para subsidiar os preços do que os rituais dos caçadores-recolectores para convencerem os deuses a fazer chover.

(Continua)

25/09/2026

"In MAGA-land people are dying faster than they are being born"

The Economist

«Populations grow and shrink from fertility and migration. At first glance Republicans appear to have the edge on both. We combined birth records with population data by age and sex to estimate fertility rates for more than 3,000 counties. In 2024 the total fertility rate—the number of children a woman would be expected to have over her lifetime—was 1.8 in counties that usually vote for Republicans, compared with just 1.4 in those that vote for Democrats (see chart 1).

The trouble comes later in life. Reliably Republican counties skew older, but they have significantly higher death rates even after adjusting for age. A paper published in 2022 by Haider Warraich, then at Brigham and Women’s Hospital, and colleagues found that the adjusted death rate in red counties was 16% higher than in blue ones in 2019. Updating their analysis with data from the Centres for Disease Control and Prevention, we found that the gap had widened to 18% by 2024, and to 27% among the most reliably Republican and Democratic counties. The result is visible in longevity, too: life expectancy in the most reliably Democratic counties is 80.7 years, versus 77.4 in the most reliably Republican ones.

This means deaths now outnumber births in reliably Republican counties for the first time since at least 1982. Natural population growth in solid-red counties fell to -2.0 per 1,000 people during the pandemic, and is now -0.4; in solid-blue counties it is +2.8 (see chart 2).»

22/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 68a)

A popularidade dos ministros diz mais sobre os eleitores do que sobre os ministros

Segundo o Tracking poll da CNN, além do incontornável saco de pancada do MAI Dr. Neves, são os ministros das áreas onde algo foi mudado ou tentado mudar os mais penalizados. Os mais populares são os ministros que distribuem ou parecem distribuir dinheiro (Finanças, Agricultura, Economia) ou que não têm impacto no quotidiano do eleitor (Ambiente, Negócios Estrangeiros).

Por alguma razão o Dr. Costa pronunciava “protividade”

Como já vimos, em dez anos, a economia portuguesa registou o quarto menor aumento de produtividade, abaixo, ou mesmo muito abaixo, do pelotão dos países ex-soviéticos. Segundo os cálculos da Associação Business Roundtable Portugal, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade do poder de compra, é actualmente de 66,9% da média da UE, mais baixa do que a registada em 2000 (67,6%).

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Gostaria de poder explicar como foi possível o DN ter concluído que, com 11,4 milhões de residentes, a actualização do Registo Nacional de Utentes do SNS apurou mais de 19 milhões de inscritos e «deu médico de família a mais 107.453 utentes» - a única explicação que me ocorre é a conhecida ubiquidade dos portugueses ou um milagre da multiplicação dos utentes.

É mais fácil lançar projectos-piloto do que tornar eficiente a administração pública

O expediente adoptado por quase todos os governos (com a possível excepção do governo de Passos Coelho que governou encapsulado pelo Memorando de Entendimento) para “reformar” a administração pública foi de criar novos órgãos, departamentos, comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão ou de projectos-piloto, como o agora anunciado para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial, projecto do qual que, na melhor hipótese, não resultará nada e, na pior e mais provável, levará a concluir que serão necessários mais meios e a contratação de mais uns milhares de utentes da vaca marsupial pública, como o “reforço” da ASAE com 55 novos inspectores.

Em alternativa a eliminar a burocracia que emperra a máquina administrativa, como a «gestão de todos os licenciamentos, construção ambiental e industrial», o Dr. Matias imagina uma burocracia gerida pela IA com os mesmos procedimentos e, naturalmente, envolvendo mais uns milhares de apparatchiks formados em IA.

Para começar são mais 1,2 mil milhões de palha para a vaca marsupial pública

Citando o Jornal Eco, ainda antes de quaisquer medidas que aumentem a despesa corrente, o OE 2027 terá de contar com um aumento de 1.231 milhões de euros da despesa com pessoal da Administração Pública.

O contributo da esquerda “inteligente” para tornar obtusos os jovens

mais liberdade

Este é o resultado de dez anos de facilitismo para tornar os alunos felizes, de propaganda da identidade do género e do ideário woke.

21/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Fernando Alexandre poderá não ser um génio da governação e ainda que fosse…

… não conseguiria evitar que com a extinção da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) um bando de apparatchiks sindicais não pusesse o pauzinho na engrenagem e usasse o jornalismo de causas para inchar o número de alunos ainda não colocados (umas centenas nalguns concelhos da zona da Grande Lisboa, onde se concentram filhos de imigrantes).

… como não conseguiria evitar a epidemia habitual de baixas nesta altura do ano lectivo que só na primeira semana ultrapassou os dois mil professores.

… como não conseguiria evitar que o Dr. Carneiro inventasse que esta foi a primeira vez em que houve alunos sem aulas no início do ano lectivo, que o jornalismo amigo instalado nas redacções não fizesse o agitprop do costume, insinuando que haveria menos candidaturas às universidades por causa da avaliação dos exames, quando, finalmente, as candidaturas aumentaram 33% face ao ano anterior.

Andam obcecados pelo 6.º preço mais caro da gasolina…


… ainda assim um preço mais baixo do que a média da UE e esquecem o que verdadeiramente importa - o quarto aumento mais baixo da produtividade em 10 anos.

A saga dos cacilheiros. Epílogo ou talvez não

Em 2019 foram comprados cacilheiros eléctricos pela Transtejo, uma das muitas empresas públicas geridas por apparatchiks lunáticos, cacilheiros que, ficou a saber-se, ficaram acostados vários anos por falta de baterias e um deles foi severamente danificado por ter chocado com o cais devido ao mau tempo - foram projectados para navegar em lagos. Sete anos depois, o Dr. Pinto Luz apresentou com visível satisfação a frota eléctrica.

Canários na mina de carvão

Até Agosto, da produção automóvel caiu 6,3% em termos homólogos, queda que, com a crise que atravessa a indústria automóvel europeia ameaçada pela concorrência chinesa, não é provável que seja conjuntural.

“O acerto de contas chegou” (*)

A emissão de mil milhões de BT a 12 meses na semana passada fez-se a uma taxa de 3,103%, 49 pontos-base acima da emissão de Maio do mesmo prazo.
(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

A redução da dívida foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas” do Dr. Costa

mais liberdade

(Continua)

20/09/2026

CASE STUDY: Will AI create a job apocalypse?

The jobs apocalypse is postponed.
An AI jobs boom is here

AI is generating new white-collar roles, such as AI engineers, data annotators, implementation specialists, and AI executives. Demand for these occupations has grown rapidly, creating entirely new career paths that barely existed a few years ago

In addition, AI appears to boost productivity in professions such as law, research, and finance. By allowing workers to complete tasks more efficiently, AI can lower costs and increase demand for professional services, potentially creating even more employment.

Some occupations, particularly routine administrative and customer-service jobs, are already shrinking as AI systems become more capable, however, technological change is likely to continue creating new types of work, just as previous technological revolutions generated occupations that did not previously exist.

In summary, AI is disrupting some jobs, but so far its overall effect on employment appears positive, with job creation outweighing job losses.

18/09/2026

The far-right Haredi religious group is an internal threat to Israel, just as the Persian Shiites are an external threat

1) Israel’s success was built on education and high‑tech

  • After independence, Israel invested heavily in research universities and scientific talent.
  • This produced a world‑leading high‑tech sector, responsible for half of exports and extraordinary levels of R&D investment.
  • But only 20% of the workforce—those in high‑tech, medicine, and academia—generate 93% of income tax.

2) A deep productivity divide

  • High‑tech workers produce 22% above the OECD average.
  • The rest of the economy—where 90% of Israelis work—lags 24% below the OECD average.
  • Half the workforce is too poor to pay income tax.

3) The education crisis

  • Israel ranks near the bottom of the OECD in PISA math, science, and reading.
  • Half of Israeli children receive a core education below levels seen in many developing countries.
  • The fastest‑growing groups are the least educated, especially the Haredim.

4) The Haredi demographic surge

  • Haredi boys receive almost no secular education; from age 13 they study only Torah.
  • Fertility rate: ~7 children per woman, compared with ~2 in other groups.
  • Their share of the population doubles every 25 years.
  • In 2023, they were 6% of 50–54‑year‑olds but 26% of children under five.

5) Municipal collapse as a warning

  • Cities like Jerusalem and Arad show rapid socioeconomic decline as educated residents leave and Haredi populations expand.
  • Secular students in Jerusalem fell from one‑third to 9% over 35 years.

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Source: "Israel’s neglected threat from within" by Dan Ben-David , president of the Shoresh Institution for Socioeconomic Research and emeritus professor of economics at Tel Aviv University.

17/09/2026

"You can't fool all of the people all the time" (19) - The swing voters of 2024 have abandoned the president. Swing but not stupid

 Other "You can't fool all of the people all the time."

Donald Trump’s disintegrating coalition

«Since returning to office, Mr Trump's approval ratings have sunk to historic lows. Virtually all those who voted for Ms Harris disapprove of his performance, as does one in five of his own voters. (...)  Just 65% of Mr Trump’s supporters plan to vote for a Republican.»