Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

14/03/2026

CASE STUDY: Um imenso Portugal (67) - Um Brasil igual ao Chile e mais do que Alemanha

Outros imensos Portugais

Com um défice orçamental nominal de 8-9%, o rácio da dívida pública do Brasil de Lula da Silva tem vindo a crescer de 62% em 2010, sendo actualmente quase o dobro da média dos rácios dos países latino-americanos, e o FMI estima que em 2030 atingirá 99%.  

Por coincidência, 62% em 2010 era aproximadamente o rácio da dívida portuguesa antes de José "Animal Feroz" Sócrates, amigo do peito de Lula da Silva, ter iniciado em 2005 o caminho para a bancarrota. Por outra infeliz coincidência, o rácio do Brasil, estimado pelo FMI para 2030, de 99% está próximo dos 98% de Portugal registados em 2023.

Uma das maiores ameaças ao equilíbrio fiscal é o sistema de segurança social cujas pensões, que representam actualmente 10% do PIB, representarão em 2050 uma percentagem mais elevada do que a da Alemanha e da média da OCDE, países muito mais envelhecidos do que o Brasil. Com uma estrutura etária semelhante à Chile ou do México, os gastos com pensões do Brasil já atingem em percentagem do PIB o nível do Japão.

Diferentemente do que di Lampedusa prescreveu para a Sicília, no caso do Brasil (e de Portugal) é  preciso que muito mude e nada fique na mesma.

12/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (3) - Trump puts his mouth where his head is; the Ayatollah puts his head where his mouth is.

Continuation of (1) and (2)
The new Supreme Ayatollah Mojtaba Khamenei is the second son of Ali Khamenei, killed in the Israeli attack along with Mojtaba's wife and son. The new leader has a fortune obtained from the clandestine sale of Iranian oil that rivals Trump's, and that's where the similarity ends.

Mojtaba Khamenei served in the armed forces during the Iran-Iraq war, knows the political system inside out, and has strong ties to the Revolutionary Guard. With this past and the hatred that will result from the assassination of three family members, it is predictable that he will do everything to resist the "special operation" hoping that Trump's volatility, the horror of the loss of American lives, and the consequences of a crisis stemming from the closure of the Strait of Hormuz and the destruction of oil infrastructure in the Persian Gulf will do the rest.

That is why I continue to consider the most likely outcome is that, after a few weeks, Mr TACO (Trump Always Chicken Out) will wait for the first pretext to cower.

11/03/2026

Crónica da passagem de um governo (40b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 40a)

«Lay-off a 100% avança com aliança de PS, Chega e restante esquerda»

A expressão «Chega e restante esquerda» é um pouco simplista, ao meter o Chega na esquerda quando, na verdade, é mais um híbrido que em matéria social é socialista, como neste caso em que vota uma proposta que obrigará as empresas a pagar durante o lay-off extraordinário (uma emergência em que arriscam a falência) o mesmo salário, do qual resultará um rendimento líquido maior do que se estivessem a trabalhar.

Está tudo explicado. O governo não tem "fetiche sobre o crescimento

Quem o disse foi o ministro da Economia que, por isso, deveria mudar o título para ministro da Ecoanomia. Percebe-se agora que o governo, não se preocupando com o aumento da produtividade, não faz as reformas indispensáveis para aumentá-la e assim criar mais riqueza. Fica por esclarecer por que diabo o ministro se queixa da «excessiva retração» dos bancos e do «excesso de prudência (que) atrasa o crescimento económico».

O Dr. Matias e a atracção de talento

Enquanto prepara Portugal para vir a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Gonçalo Matias, anuncia um projeto estratégico para criar uma gigafábrica de Inteligência Artificial (IA) de escala europeia, para posicionar o país como um dos principais polos de computação avançada da Europa e «atrair investimento e talento» (fonte). O Dr. Matias devia limitar a ambição à venda de electricidade. Atrair talento é muita ambição. Já ficaríamos gratos se o Dr. Matias se ficasse pela retenção do talento que todos os anos abandona o Portugal dos Pequeninos, enquanto se criam “vias verdes” para atrair trabalhadores para a construção para fazerem o trabalho que o nosso talento que ficou retido não está disponível para fazer.

Os canários na mina de carvão estão em risco de vida

E não estão em risco de vida porque em Janeiro o Índice de Volume de Negócios na Indústria, que tinha crescido 2,3% em Dezembro, teve redução homóloga nominal de 1,5% (fonte INE), após o crescimento de 2,3% observado no mês anterior. Isso são miudezas face aos possíveis impactos da «operação militar especial» Trump-Bibi em curso. 

Enquanto isso fazem-se jogos florais…

… e o Dr. Passos Coelho aponta o dedo ao Dr. Montenegro que não faz reformas (que, por boas razões, se suspeita que os eleitores podem não querer) e o Dr. Montenegro desafia o Dr. Passos Coelho para um duelo nas directas do partido de ambos.

10/03/2026

Crónica da passagem de um governo (40a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Oremos para que o choque fiscal estimule a oferta de habitação (2)

Que a oferta de habitação é insuficiente, ninguém parece ter dúvidas. Também parece claro que a procura aumentou e a crise da habitação se agravou com o Programa Crédito Habitação Jovem que levou os empréstimos para compra de habitação pelo escalão etário 18-35 anos a representarem no ano passado 60% dos 39,3 mil milhões de novos empréstimos e ainda com o investimento estrangeiro em imobiliário que no ano passado atingiu 3,9 mil milhões e representou 46% do investimento directo estrangeiro.

Pelo lado da oferta e dos sucessivos programas para a aumentar, as notícias não são melhores. Nos dois últimos anos, dos 114 mil fogos projectados apenas 72,7 mil foram licenciados, confirmando a minha dúvida de que as medidas fiscais sejam suficientes para estimular a oferta sem a simplificação da burocracia municipal.

A transformação digital no Estado sucial dos Pequeninos não é em vez de, é em cima de

Por falar em burocracia municipal, relato a minha experiência recente numa visita a uma das câmaras municipais com maior orçamento, considerada um modelo autárquico, para tentar agendar uma reunião com um arquitecto. Fiquei a perceber que, na verdade, a transformação digital (geralmente definida como a integração das tecnologias digitais nas operações de empresas e serviços públicos, com vista a simplificar ou, como se diz no patuá pós-moderno, agilizar os processos) consiste em montar em cima de um processo por natureza simples uma série procedimentos que envolvem criar registos com uma pletora de dados, confirmar e reconfirmar esses a dados com a chave móvel digital e vários códigos de acesso enviados por SMS, etc. e no final a simpática funcionária informa o munícipe que um dia vai receber uma telefonema para agendar a reunião.

Boa Nova
Choque da realidade com a Boa Nova

As más novas são várias. Em valor, o endividamento da economia (o total da dívida do Estado, das empresas não financeiras e das famílias) aumentou o ano passado em 28,9 mil milhões. A dívida pública na ótica de Maastricht aumentou em Janeiro 6,1 mil milhões ultrapassando os 280 mil milhões. E o Estado português foi um dos três países da OCDE que mais recorreu a novas emissões para amortizar dívida.

Isto são apenas os preliminares. Com as tempestade e as prováveis sequelas da «operação militar especial» Trump-Bibi no Irão as coisas vão mais difíceis, o que levou o ministro das Finanças, habitualmente tão optimista, a não excluir (uma maneira simpática de dizer que é quase inevitável) voltar aos défices.

(Continua)

09/03/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: E se o povo não quiser reformas?

«(...) É claro que reformas deste tipo não teriam qualquer hipótese de aprovação no parlamento. Mesmo que o PSD as desejasse (o que não estaria assegurado), encontra-se entalado entre dois partidos, o Chega e o PS, avessos a reformas liberais e que defendem mais intervenção do estado na economia e na sociedade. A resposta de PPC a um impasse deste tipo é confiar no povo. O político reformista deve apresentar e advogar a sua agenda perante os eleitores sempre, em eleições ou fora delas. Deve apresentar as suas propostas com coragem, sem compromisso ou calculismos. Os consensos que muitos advogam são frequentemente bissetrizes que nada mudam, simulacros de reformas que reduzem a pressão para as verdadeiras alterações estruturais. Insistir sempre. Se não for possível, ouça-se o povo. 

Gosto! Mas ... e se o povo não quiser reformas? E se o povo preferir a quietude anestesiante do declínio gradual à agitação transformadora? Afinal foi o povo que deu ao Chega e ao PS o poder bloqueador que atualmente detêm.

É que as reformas têm sempre ganhadores e perdedores. Esperam os reformistas que os benefícios dos ganhadores sobrelevem as perdas dos perdedores - isto é, que as reformas sejam um jogo de soma positiva - e que existam mecanismos redistributivos que permitam a compensação daqueles prejudicados. Em jargão de economista, esperam que as reformas representem uma melhoria potencial à Pareto. O problema complica-se quando consideramos a dimensão intergeracional. Os benefícios das reformas podem levar muito tempo a manifestar-se e os maiores ganhadores podem vir a ser aqueles que hoje ainda são muito jovens ou mesmo ainda não-nascidos - ou seja, segmentos com pouca voz eleitoral ou sem ela Em contrapartida, os eleitores mais velhos, com as vidas resolvidas, são aqueles expostos a maiores riscos e para quem o up side das reformas é menos óbvio. Vê-se assim que em sociedades envelhecidas como a portuguesa, em que a idade mediana são 47 anos e 25% da população tem mais de 65 anos, conseguir maiorias eleitorais reformistas é tremendamente difícil.

O reformador arrisca-se, assim, a ser como o escuteiro que queria praticar a sua boa ação diária levando uma velhinha a atravessar a rua. Só que ela não o queria fazer.»

O reformador e o povo, José A. Ferreira Machado no Jornal Sol

08/03/2026

Trumponomics' unintended consequences (6) - Possible collateral damage from the attack on Iran and the Ayatollah regime's response

Other Trumponomics' unintended consequences.


«The shutdown of oil and gas production due to saturation of storage capacity (the so-called tank-top) is a critical scenario, as the sector operates in continuous flow. If the Strait of Hormuz closes and the flow stops, the consequences would be:

1. Structural and Technical Damage to Wells

Unlike a tap, stopping production in an oil field is a complex process.

Damage to reservoirs: The sudden shutdown can alter underground pressure, causing leaks of water or sand that can permanently damage the well.

Difficulty in Restarting: Resuming production can take months and require massive investments. In some cases, the flow never returns to previous levels, resulting in the definitive loss of reserves.

2. "Flaring" and Waste of Gas

Natural gas is often extracted along with oil (associated gas).

If oil tanks are full but the gas cannot be processed or exported, companies are forced to burn the gas (flaring) in massive volumes, generating an environmental disaster and economic waste of resources that could heat millions of homes.

3. Value Destruction and Bankruptcies

Maintenance Costs: Even when shut down, infrastructure requires maintenance to prevent corrosion. Without sales revenue, producing countries (such as those in the Gulf) face acute fiscal crises, as they depend on this flow to finance the state.

Take-or-Pay Contracts: Production shutdowns lead to non-compliance with long-term supply contracts, generating international legal battles and financial penalties of billions of dollars.

4. Extreme Price Volatility

Short Term: The price skyrockets globally due to scarcity in the consumer market.

Medium Term: When production is finally resumed, a sudden oversupply may occur, causing a price crash, similar to what briefly happened in 2020 (negative prices). 

5. Reconfiguration of Energy Geopolitics

The forced shutdown in the Middle East would accelerate the energy transition and investment in exploration in other regions (USA, Brazil, Guyana) and renewable energies, to reduce dependence on such a vulnerable chokepoint.»

Google's Gemini Response

07/03/2026

How many trumps there are in this Trump? Read my lips and watch my leaps


 «Donald Trump campaigned on the idea that electing him was the best way to avoid wars. He has referred to himself as the “peace president,” going so far as to complain that he hadn’t won a Nobel Peace Prize.

Yet Trump has governed as a hawkish interventionist whose approach better aligns with his neoconservative secretary of state, Marco Rubio, than with the anti-interventionists in his administration, such as J. D. Vance and Tulsi Gabbard. The United States is now enmeshed in so many conflicts that its foreign policy is closer to “world police” than “America First.”

The newly launched war against Iran is the most significant. Operation Epic Fury begins less than a year after the United States and Israel partnered to strike Iran’s nuclear facilities. At the time, Trump declared that operation a success, and Vance defended it by stating, “I certainly empathize with Americans who are exhausted after 25 years of foreign entanglements … But the difference is that back then, we had dumb presidents and now we have a president who actually knows how to accomplish America’s national-security objectives. So this is not gonna be some long, drawn-out thing.” (...)

All alone, this war would make a mockery of MAGA claims that Trump is an anti-interventionist. But it is one in an extensive list of Trump-era entanglements.» 

(Who Is the U.S. Actually at War With Right Now?)

Truth social

06/03/2026

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

 

António Lobo Antunes, in illo tempore

Trinta e três anos antes, no meio dum pelotão de cadetes da EPI em Mafra, composto por ele próprio, mais quatro dezenas de mancebos brutos e o Impertinente, todos ensebados pela falta crónica de água, quem diria que havia de sair daquele invólucro jovem e frágil este animal da escrita, escrevi há 22 anos.

05/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (2)

Continuation of (1)

The late Aitola Khamney in the company of Mr. Trump's crony

The past

«Yes, Mr Trump once warned that Barack Obama would attack Iran because of “his inability to negotiate properly”. Yes, as recently as last May Mr Trump derided “interventionalists” for “intervening in complex societies that they did not even understand themselves”. And, granted, there’s all that recent “president of peace” hooey.

While you’re getting that off your chest, you might also describe how he has tied himself in knots while unspooling his many rationales for waging war together with Israel on Iran. How can he fear a nuclear programme he “obliterated” a few months back? How can he warn that Iran might soon rain intercontinental ballistic missiles on America when the Defence Intelligence Agency has said such weapons were ten years away, provided Iran actually decided to build them? And can this really be the same Donald Trump who used to ridicule the regime-changing, democracy-building visions of “neocons”—and now tells the Washington Post, “All I want is freedom for the people”?

It is the same Mr Trump, so steel yourself. While you can await contortions from lesser America Firsters, such as poor J.D. Vance, do not expect Mr Trump to bother trying to reconcile present practice with past positions. He has always been the most opportunistic of men. He did not become a crypto billionaire by hewing to his public contempt for cryptocurrencies as scams “built on thin air”, just as he did not achieve his astounding political comeback, after trying to thwart the transfer of power in 2021, by following any rule book or, indeed, adhering to any principle—no principle, that is, beyond winning, as he defined it.» (Source)

The possible future
 
I don't think it's possible for a Mr Trump, with no convictions beyond his vanity, a transactional approach to foreign policy, and suffering from narcissistic personality disorder, to understand and anticipate the reaction of the Ayatollah's regime.

He doesn't understand that the Ayatollah's regime, in the name of a barbaric ideology, may be willing to sacrifice its leaders and its people to remain in power, and continue to do so beyond the time horizon of Mr. Trump's mind and the capacity of the American people to endure human (for now few) and economic (probably significant) losses.

Since it is implausible that the Trump administration will take concrete steps, namely put the boots on the ground, to defeat the Ayatollah's regime, it is very likely that, after a few days or weeks, Mr TACO (Trump Always Chicken Out) will wait for the first pretext to cower.

03/03/2026

Pro memoria (145) - Seventy years ago, Charles de Gaulle warned, but he was not heeded.

«Shortly after Charles de Gaulle became France’s leader in 1958 he warned Konrad Adenauer, then German chancellor, that the Americans were “not reliable, not very solid and understand nothing about history or Europe”. Musing about the shifting balance of world power, le général told an adviser: “Any day the most extraordinary events could happen…America could…become a threat to peace.” By 1966 de Gaulle had built a bomb, pulled out of NATO’s integrated military command and booted American soldiers off French soil.»

That irritating feeling that France was right

02/03/2026

Crónica da passagem de um governo (39)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Se não queres resolver um problema, cria uma comissão

Esta expressão é atribuída ao Dr. Salazar, aka o Botas, que com as suas quatro décadas em S. Bento, na companhia da D. Maria e das suas galinhas, sabia muito bem do que falava.

Para citar um exemplo recente, a comissão técnica para avaliar os incêndios de Agosto do ano passado está há seis meses para ser constituída.

Take Another Plan. Mesmo sem comissão a coisa entropia-se

O prazo para o governo privatizar a Cateringpor e SPdH, duas participadas da TAP, expirou no final do ano passado e o governo não cumpriu o prazo e  obriga a TAP a pagar 25 milhões de penalização.

Antes de expulsar os imigrantes conviria pôr uns dinheiros de parte

Segundo os dados publicados pela Segurança Social, os imigrantes que pagam contribuições representam um quinto da força de trabalho (incluindo 5% provenientes do Bangladesh – à atenção do Dr. Ventura), na agricultura representam mais de metade, pagaram um sétimo do total das contribuições para Segurança Social e receberam prestações de cerca de um quinto do que pagaram.

Por falar em imigrantes, segundo os dados do Eurostat, das cerca de 78 mil autorizações de residência e trabalho para estrangeiros qualificados na UE em 2024, Portugal conta com 0,02% (16).

Mal não fará (Marcos 16:18)

«Há €20 mil milhões a caminho de Sines», é o título profético do semanário de reverência. A profecia fica reduzida ao pensamento milagroso, quando se lê a lista de intenções de investimento e se constata que 60% a 80% desses investimentos serão em centros de dados, que usarão resmas de megawatts e contribuirão com dúzias de empregos, e grande parte do resto são principalmente unidades de produção de hidrogénio verde, por enquanto no domínio da fantasia.

Portugal, um enorme resort

Em 2025 o turismo representou mais de um quinto do PIB. Em cima disso, o governo prevê que as receitas do turismo este ano cresçam 5,5%. Too Much Of A Good Thing?

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Apesar do contínuo despejar, o dinheiro no SNS nunca é suficiente. Disse a ministra no parlamento que as receitas do SNS cresceram 10% e, não obstante, registou-se mais um saldo negativo de cerca de mil milhões de euros, a dívida aos fornecedores cresceu 11% atingindo 1,5 mil milhões, o que não impediu o aumento do número de partos em ambulâncias, cuja causa continua para mim obscura porque tanto pode dever-se à omnipresente “falta de recursos”, apesar do seu contínuo aumento, como a crescentes dificuldades das grávidas interpretarem os sinais que o corpo lhes envia.


Oremos para que o Dr. Neves não tenha sido escolhido pelo princípio de Peter nem venha a ser mais uma vítima do efeito de halo (continuação)

Concedo que o meu desejo de ter gente capaz no governo levou a melhor sobre as preocupações de criar um precedente de «passar de diretor da PJ para ministro da Administração Interna», grave segundo o Dr. Passos Coelho, que ainda não percebi se está ou não a pretender promover-se de savant da governação a sebastiânico primeiro-ministro in wating. Espero que resolva sem demora a dúvida.

Mais Boas Novas anunciadas pelo Dr. Matias

Enquanto prepara Portugal para vir a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Gonçalo Matias, garante, entre uma pletora de outras reformas, que «vamos liderar o processo de modernização da contratação pública».

Gostava de dizer que é uma Boa Nova, mas não tenho a certeza que seja

Um dos muitos problemas auto-infligidos que a administração pública enfrenta resulta do facto de a posse do cartão certo ser frequentemente o principal critério de escolha dos quadros. Por isso, poderia ser uma boa notícia a nomeação para a Direcção-Geral do Consumidor do Dr. Seguro Sanches que foi secretário de Estado em vários governos socialistas – ainda que isso possa dar o mote ao Dr. Ventura e os seus devotos invocarem a coisa como mais uma maquinação do “sistema” – o mesmo sistema que concede ao Dr. Ventura quase tanto tempo de antena do que ao conjunto dos líderes do sistema.

01/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but

Requiescat in inferno.

«Khamenei May Be Gone, but Iran 2026 Is Not Iraq 2003.»
Niall Ferguson

I have no memory of any regime change caused by airplanes.

27/02/2026

Trumponomics' unintended consequences (4)

Other Trumponomics' unintended consequences.

«During the summer of his 2024 presidential campaign, Donald Trump made a vow to the cryptocurrency industry: Elect him, and the United States would become the "crypto capital of the planet.” That winter, after crypto-industry donations helped secure Trump’s place in the White House, digital assets began appreciating rapidly—and the president-elect was glad to take the credit. When bitcoin crossed the $100,000 mark, he simply posted, “YOU’RE WELCOME!!!”

For a sense of just how much money has evaporated from the crypto industry since then, look to bitcoin. On October 6, the price of a single bitcoin climbed to an all-time high north of $126,000; today, its value is closer to $69,000. The global market capitalization of all coins has shed more than $2 trillion in that time, and fewer and fewer traders are dabbling in meme coins and derivatives. Following a relatively fruitful 2025, crypto-venture-capital deals have fallen off a cliff over the past few months. Commentators have now started to wonder whether the president, who has spent the past two years positioning himself as the industry’s protector and hype man, might initiate a crypto bailout.»

What the Crypto Crash Reveals About Trump’s Power

26/02/2026

Pro memoria (144) - O que a "operação especial" putinesca nos ensina sobre a diferença entre democracia e autocracia

Concluíram-se há dias quatro anos da invasão da Ucrânia pelo exército russo ou, na versão de Vladimir Putin, da "operação militar especial" que era para terminar nessa semana ou, na versão de Donald Trump, 24 horas depois da sua tomada de posse.

Durante esses quatro anos as baixas estimadas sofridas pela Rússia ultrapassaram 1,2 milhões.

 Aproximadamente o dobro das baixas ucranianas.

Enquanto isso, os ganhos territoriais do exército russo foram pouco significativos. 

Até mesmo os idiotas úteis que dão o seu melhor para justificar a invasão enfrentam cada vez mais dificuldade em criar factos alterntativos e torturar os dados para esconder o gigantesco falhanço de Putin. 

Não é preciso invocar o exemplo de Winston Churchill na Primeira Guerra Mundial, à época Primeiro Lorde do Almirantado, considerado o primeiro responsável pelo desastre de Galípoli, demitido do governo em novembro de 1915, foi combater nas trincheiras em França, para concluir que numa sociedade democrática Vladimir Putin teria há muito sido afastado do poder. Em vez disso, aumentou o seu controlo sobre a cleptocracia russa enquanto caíam das janelas os seus detractores.

25/02/2026

Who said it and under what circumstances?

 «There's been no more stunning example than Minnesota, where members of the Somali community have pillaged an estimated $19 billion from the American taxpayer. We have all the information and, in actuality, the number is much higher than that. And California, Massachusetts, Maine and many other states are even worse. (...)

It'll go very quickly. That's the kind of money you're talking about. We'll balance our budget. The Somali pirates who ransacked Minnesota, remind us that there are large parts of the world where bribery, corruption and lawlessness are the norm, not the exception. Importing these cultures through unrestricted immigration and open borders brings those problems right here to the USA. And it is the American people who pay the price in higher medical bills, car insurance rates, rent, taxes and perhaps most importantly crime.  (...)

If they ever got elected, they would open up those borders to some of the worst criminals anywhere in the world.

The only thing standing between Americans and a wide-open border right now is President Donald J. Trump and our great Republican patriots in Congress. Thank you. Thank you. [Applause] As we speak, Democrats in this chamber have cut off all funding for the Department of Homeland Security. It's all cut off. (...)

I'm telling you, they're crazy. [Applause] Amazing. [Inaudible] boy, oh boy. We're lucky we have a country with people like this. Democrats are destroying our country, but we've stopped it just in the nick of time, didn't we? [Applause] No one cares more about protecting America's youth than our wonderful first lady, now a movie star. (...)

We love you all. Love you. We're proudly restoring safety for Americans at home and we are also restoring security for Americans abroad. Our country has never been stronger. In my first 10 months I ended eight wars, including Cambodia. Isn't it funny? They're sick people. Cambodia and Thailand. Pakistan and India, would have been a nuclear war.»

It's easy to guess who said it. The circumstances are more difficult. A person with a modicum of decency and common sense would guess it was at a MAGA rally. Right? Wrong. It was during the Trump's 2026 State of the Union address.

24/02/2026

Crónica da passagem de um governo (38b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 38a)

[Os três itens seguintes respeitam mais à oposição do que ao governo e estão aqui para me poupar a ressuscitação do Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo]

O hidrogénio verde como exercício de pensamento mágico

Relembrando, há uns anos o Dr. Costa e o Dr. Galamba subsidiaram com os milhões do PRR a Fusion Fuel e o Dr. Costa declarou com pompa que a produção de hidrogénio verde iria ser a nova "reindustrialização". Três anos depois, a nova "reindustrialização" consistiu na falência da Fusion Fuel com dívidas de 24 milhões e 5,8 milhões de subsídios torrados no final do ano passado, a que se seguiu a semana passada a desistência da Bondalti, líder do projecto H2Driven.

There is no such thing as public money; there is only taxpayers' money

No seu esforço para se manter relevante, o Dr. Carneiro quebra o seu silêncio de 10 anos sobre a governação e diz que o governo está a falhar (tem razão) e apresenta ao país um conjunto de medidas generosas como se fossem dádivas da Divina Providência que, como habitualmente, consistem em sacar dinheiro a uns portugueses para oferecer a outros, ou, como se diz no jargão socialista, em ajudas com dinheiro público

O PowerPoint do Dr. Costa e do Dr. Pedro Marques

Em complemento do que escrevi a semana passada sobre o Ferrovia 2020 2027 Um dia, em que citei o Tribunal de Contas que concluiu que, decorridos 10 anos do seu lançamento, o grau de realização física global está em 65%, acrescento que o mesmo TdC esclareceu que o planeamento de um projecto de dezenas de milhões de euros estava todo num PowerPoint.

Pescadinha de cauda nos lábios

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) tem como propósito ficcional garantir a sustentabilidade financeira do Sistema da Segurança Social. Ficcional porque o saldo do Fundo no final do ano passado era de cerca de 41 mil milhões de euros o que equivale a menos de dois anos de pensões e a cerca de 5% do Passivo Implícito, ou seja, do montante estimado das responsabilidades futuras por pensões.

mais liberdade

Se o FEFSS fosse um fundo privado, estaria obrigado a ter activos que cobrissem as suas responsabilidades, algo como uns 800 mil milhões de euros ou quase três vezes o montante do PIB actual. Como o FEFSS é um fundo público não só apenas tem cobertos cerca de 5% das responsabilidades como três quartos dos activos subjacentes são dívida pública, o que, se o fundo fosse privado, equivaleria três quartos dos activos serem representados por obrigações emitidas pela entidade gestora. Considerem-se avisados e avisem os vossos filhos.

23/02/2026

Crónica da passagem de um governo (38a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Oremos para que o Dr. Neves não tenha sido escolhido pelo princípio de Peter nem venha a ser mais uma vítima do efeito de halo

O Dr. Neves foi escolhido para substituir no MAI a Dr.ª Maria Lúcia Amaral. Os 30 anos que esteve pela Judite, onde parece ter tido um bom desempenho (escrevo parece porque a imagem pública das figuras públicas é muitas vezes soprada aos ouvidos dos jornalistas de causas pelos Public Relations), dão-lhe a priori uma melhor preparação para o cargo do que a longa e bem-sucedida carreira docente e os cargos anteriores de juíza do Tribunal Constitucional e de Provedora de Justiça da sua antecessora.

Nesta altura já a presunção de inocência começa a ser substituída pela presunção de culpa

Não é impossível que a escolha da mulher do chefe de gabinete do ministro das Infraestruturas para administradora dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde tenha sido a melhor solução ou, vá lá, uma das melhores escolhas. Contudo, dado o historial dos governos desde Dona Maria II e o deste em particular, a Dr.ª Ana Paula Martins, o Dr. Pinto Luz e o seu chefe de gabinete têm o ónus da prova.

Oremos para que o choque fiscal estimule a oferta de habitação

Com os votos do Chega e do IL, irá ser aprovada a redução de IRS para rendas até €2300 e a redução do IVA para obras até € 660.980 (nestas coisas, o rigor é de rigor). Mal não fará, como diz a Bíblia (Marcos 16:18). Que seja suficiente com a burocracia que impregna a administração pública, isso é outra coisa.

O socialismo é uma atitude

Segundo o semanário de reverência o Dr. Carneiro, que está a preparar a sua recandidatura à liderança do PS, incluirá na sua moção, além das platitudes em voga ( “Sociedade 5.0”), colocar o salário médio nacional ao nível da UE em dez anos. O Dr. Carneiro que estudou economia na Mouse School of Economics propõe-se elevar aos píncaros o salário médio, que nesta altura é o 10.º mais baixo da UE, sem nos esclarecer como irá fazer isso com uma produtividade por pessoa empregada que nesta altura é a 6.ª mais baixa.

Canários na mina de carvão

É certo que a Posição de investimento internacional de Portugal é um indicador crítico para medir o risco da dívida e tem nesta altura melhor rácio das últimas décadas, como se pode ver no gráfico.

Banco de Portugal

Ainda assim, com a volatilidade que a administração trumpiana injecta na economia internacional e com os efeitos devastadores para as PME (que representam quase 2/3 do VAB português) resultantes da passagem do comboio de tempestades, devemos dedicar mais atenção ao aumento de 2,5 pontos base nos yields das últimas emissões da dívida.

(Continua)

22/02/2026

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (24) - Não correu bem

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

«Marcelo coroado 'rei amor' na Costa do Marfim»

Durante 10 longos anos, dediquei à presidência do Dr. Marcelo cento e trinta e tantos posts, dos quais mais de cem no primeiro mandato, cada vez mais espaçados no tempo, porque a minha paciência gastava-se aceleradamente, incapaz de acompanhar a agitação febril do sujeito. Agora que se aproxima o termo do segundo mandato, achei que deveria publicar uma espécie de epitáfio presidencial. Porém, faltou-me a inspiração e a pachorra e resolvi preguiçosamente citar um trecho da peça "Por que é que Marcelo falhou de forma tão espectacular?" que Miguel Pinheiro escreveu no Observador

«... Marcelo achou que tinha descoberto um antídoto: iria combater o populismo “do mal” com o populismo “do bem”. O plano era simples: o novo Presidente só precisava de dar um beijinho ou um abraço a cada português. Eternamente obcecado com as suas taxas de aprovação, Marcelo não se comparava a outros políticos, mas às duas maiores celebridades do país, Cristina Ferreira e Ricardo Araújo Pereira. Se fosse suficientemente amado pelos portugueses, os eleitores não precisariam de se refugiar na direita radical. Não correu bem: em legislativas, o Chega somou 60 deputados; em presidenciais, André Ventura chegou à segunda volta.»

19/02/2026

Senile leftism, the woke right and the woke left are more alike than you think.

Fonte                                                                              Fonte

As you can see in the diagram on the left, the older the leftists, the more they appreciate the demonstrations.

The diagram on the right shows that ​​the old left woke is in decline, and the new right woke is on the rise. So they are different, yet both are similar in their difficulty in dealing with differences and in their attempts to silence dissenting voices.

17/02/2026

Crónica da passagem de um governo (37b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 37a)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Seria estúpido atribuir ao governo do Dr. Montenegro responsabilidades pelo essencial dos problemas do SNS, como têm feito, explícita ou implicitamente, a oposição e a comentadoria afecta. O governo é apenas responsável pela falta de medidas ou por medidas erradas para resolver esses problemas, o que não é pouco.

Um indício dessa falta ou inadequação de medidas são os montantes crescentes da despesa com a saúde, sempre insuficientemente financiadas, como revela um balanço provisório de 2025 da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que, apesar de um aumento dos “rendimentos operacionais”, ou seja verbas atribuídas pelo OE 2025 aos hospitais, mostra prejuízos de 2,7 mil milhões com vários indicadores a continuarem negativos, como um decréscimo das intervenções cirúrgicas, do número de partos e das urgências e de um aumento das listas de espera de consultas e cirurgias, não obstante o aumento do número de médicos e enfermeiros (fonte: relatório Desempenho do SNS Dezembro 2025).

Quem também se queixa por o número de doentes transferidos para o sector privado terem vindo a diminuir, apesar das listas de espera estarem a aumentar, é a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), cujo presidente afirma que «as listas de espera são tidas como um instrumento de remuneração dos profissionais do SNS», o que parece ser verdade.

O Dr. Montenegro deveria agradecer ao Dr. Carneiro

Sob a pressão interna da coligação de viúvos do Eng. Sócrates e do Dr. Costa com o berloquismo e o geringoncismo socialistas, o Dr. Carneiro faz apelos ao recém-eleito PR (o Tozé, odiado por essa coligação) para empurrar o Dr. Montenegro a negociar com o PS. Empurrão que, se for atendido, sugere que o Tozé não tem afinal as qualidades de independência que o cargo requer e, se não for, sugere que o Dr. Carneiro é um líder fraco expondo-o à coligação.

Para resolver uma oferta insuficiente aumenta-se a procura

A Mouse School of Economics, cujas recomendações inspiraram a governação socialista, foi substituída pela São Caetano School of Economics cujos ensinamentos nos dizem que para responder uma oferta insuficiente se deve aumentar a procura. E foi inspirado nesses ensinamentos que o governo lançou o Programa Crédito Habitação Jovem do qual resultou um considerável aumento dos empréstimos para compra de habitação pelo escalão etário 18 e 35 anos que no ano passado representaram 60% dos 39,3 mil milhões de novos empréstimos com as previsíveis consequências no nível de preços.

Canários na mina de carvão

Mais alguns pios dos canários: se por um lado o emprego aumentou o ano passado (ver A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano), por outro, a produtividade do trabalho estima-se que terá diminuído o ano passado 1,3%, as exportações de bens aumentaram 0,5% e as importações subiram 4%, de onde o défice da balança comercial aumentou 3,8 mil milhões.
_________________

BlogoEscola. Princípio de Peter vs. Efeito de Halo

[Esta nova secção propõe-se mitigar o risco de infecção das mentes dos visitantes deste blog pelo vírus da tendência para o bitaite de alguns comentários.]

O efeito de halo no domínio da psicologia, que citei no post anterior, foi enunciado em 1920 pelo psicólogo Edward Lee Thorndike para designar o viés cognitivo que leva as pessoas a projectar uma imagem de outra pessoa baseada nas percepções das suas performances num domínio para outros domínios. Por exemplo, concluir-se que a Dr.ª Maria Lúcia Amaral sendo uma jurista emérita deveria ser uma ministra competente.

Diferentemente, o princípio de Peter no domínio da gestão foi enunciado cinco décadas depois em 1969 por Laurence J. Peter e formalizou a observação de que os empregados são promovidos na hierarquia de uma organização com base no seu sucesso em cargos anteriores até atingirem um nível de incompetência. Por exemplo, um excelente escriturário do MAI ser sucessivamente promovido até director dos Serviços de Gestão Orçamental e Financeira do MAI.

16/02/2026

Crónica da passagem de um governo (37a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Ferrovia 2020 2027 Um dia

O Dr. Costa foi para a Óropa e deixou o Ferrovia 2020 com 37 mil dias de atraso no total dos troços. Agora o Tribunal de Contas vem concluir que, decorridos 10 anos do seu lançamento, a grau de realização física global está em 65%. Num país em que o governo diz ter «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA» não se consegue cumprir um plano que usa tecnologias da revolução industrial (é uma boutade).

Um país opaco não é transparente

Segundo o índice de percepção da corrupção de 2025 da Transparência Internacional, o nosso Portugal dos Pequeninos desceu mais uma posição no ranking para 46.º com um score inferior ao dos EUA, o que, nos tempos que correm, não é dizer pouco. Ao mesmo tempo, o MP voltou a escarafunchar a moradia do primeiro-ministro, desta vez por suspeita de benefícios fiscais indevidos. Por isso, ou bem o Dr. Montenegro é um evasor fiscal ou bem o MP tem uma agenda política ou bem ambos desempenham os respectivos papéis.

Mais uma vítima do efeito de halo

A Dr.ª Maria Lúcia Amaral é considerada uma jurista muito competente. Como juíza do Tribunal Constitucional foi o único juiz que, contra a corrente, não chumbou sistematicamente todas as medidas negociadas pelo PS do Eng. Sócrates (nunca é demais lembrar) para que o governo de Passos Coelho cumprisse o Memorando da troika. Mais tarde, foi eleita provedora da Justiça e posteriormente foi convidada e aceitou (e não devia) a nomeação como ministra da Administração Interna, cargo que desempenhou mal no geral e ainda pior na comunicação, e por isso foi triturada pela oposição. Demitiu-se há dias na pior altura, em plena crise das tempestades, e constitui mais um exemplo de que não se deve projectar o desempenho de uma pessoa num domínio para outro.

Outra vítima do efeito de halo ou será um beneficiário dos “esquemas”?

É difícil encontrar uma razão para um enfermeiro, ainda que dotado de uma graduação em Gestão de Projectos, sem qualquer conhecimento ou experiência profissional do domínio da energia, ser nomeado para a coordenação da EMER 2030, um zingarelho para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

mais liberdade

… simplificar a imensa burocracia que é um obstáculo à inovação e à iniciativa empresarial (que é pouca mesmo sem esses obstáculos).

Mudam-se os tempos e os governos, não se mudam as vontades

Há dois anos, o actual ministro das Finanças, Dr. Miranda Sarmento, criticou, e bem, o governo do Dr. Costa por emitir Certificados Especiais de Dívida de Curto Prazo (CEDIC) para fabricar uma descida do rácio de dívida pública, visto que as emissões de CEDIC não são consideradas pela UE nesse rácio. Dois anos depois, o mesmo Dr. Miranda Sarmento, faz uma emissão maciça de 22 mil milhões de euros que se fosse pela via normal das OT aumentaria mais de 7 pontos percentuais ao rácio e confirmaria que a dívida excessiva continua a ser um problema do Estado sucial.

Cada macaco no seu galho. O BdP e as tempestades

O Dr. Álvaro Santos Pereira, “o Álvaro” governador do BdP, de quem havia boas razões para ser julgado como uma pessoa provida de bom senso e menos propensa ao bullshit do seu antecessor Dr. Centeno, resolveu fazer o papel do outro produzindo juízos críticos sobre as falhas da resposta do governo às tempestades, o que tem tanto sentido como o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil produzir bitaites sobre a supervisão bancária.

(Continua)





14/02/2026

Duvidas (386) - Tem a certeza de que não trocou emails com o Jeffrey?

Por força da lei aprovada em Novembro, o Departamento americano  de Justiça publicou em 30 de Janeiro mais de 3 milhões de páginas de documentos relativos ao caso Epstein, um volume de informação impossível de ler em pouco tempo. 

Um grupo de engenheiros de software  usando uma ferramenta de IA, identificaram os arquivos contendo emails e em 11 de Fevereiro tinha processado 4 milhões de e-mails. A revista Economist usando esses dados identificou cerca de 500 pessoas que surgiam com mais frequência e usando um modelo de IA de linguagem (LLM) atribuiu um score de "alarme" para cada cadeia de emails.

Analisando os emails de pessoas que não faziam parte dos empregados e colaboradores de Epstein foram identificadas 500 pessoas com maior número de emails. Concluiu-se que as mensagens tinham a seguinte repartição: cerca de 19% com financiadores; 10% com cientistas ou médicos; 8% com pessoas da mídia, entretenimento ou relações públicas; 7% com tecnólogos; 6% com advogados, políticos, académicos e outros empresários; e 5% com magnatas imobiliários. 

Fonte

Algumas dessas pessoas estão identificadas no quadro acima e entre elas individualidades conhecidas fora dos EU, como Ariane de Rothschild (CEO do Grupo Edmond de Rothschild), Noam Chomsky (um célebre filósofo muito apreciado nos meios esquerdistas), Steve Bannon (o Rasputine de Trump) e Bill Gates e Elon Musk que não carecem de apresentação. Entre as personalidades não incluídas no quadro encontram-se bilionários como Peter Thiel (uma eminência parda com quem o vice JD Vance trabalhou) e Ehud Barak (ex-primeiro-ministro israelita).

12/02/2026

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (79) - Vestindo o Coelhinho Mau e tomando antidepressivos

Outros portugueses no topo do mundo.

Enquanto aguarda que o resto do mundo partilhe a epifania do Dr. Matias de que o nosso torãozinho natal tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», a tendência patriótica do nosso jornalismo de causas procura sucedâneos. Esta semana encontraram o Super Bowl onde o Coelhinho Mau, um artista porto-riquenho, produziu uma performance que excitou multidões e irritou um certo número de criaturas que logo o quiseram crucificar, não percebendo que essa é a melhor maneira de promover a herói, um artista irritante.
 
[Este episódio pode ser visto como mais um exemplo de que os EU com a sua democracia defeituosa se afastam, cada vez mais, do padrão das democracias liberais, nas quais não passa pelo bestunto das autoridades punirem o mau gosto, deixando à opinião pública o encargo de o julgar e criticar.]

E foi assim que, onde os devotos do MAGA viram motivos de condenação, o nosso jornalismo de causas patriótico encontrou razões de celebração patriótica ao descobrir que a camisola que o Coelhinho Mau usou no Super Bowl foi fabricada em Santo Tirso (ainda que por uma empresa espanhola).

Num outro registo, o mesmo jornalismo poderia celebrar e, incompreensivelmente, não o fez, o número um do ranking europeu da depressão crónica e o número dois do ranking de consumo de antidepressivos da OCDE (fonte) .

11/02/2026

PUBLIC SERVICE: Bring Jimmy Lai Home

«On Monday, Jimmy Lai, the heroic freedom fighter and my dear friend, was sentenced to 20 years in prison by a Hong Kong court. He’s 78. This amounts to a life sentence.

For more than three decades, Jimmy has been a leading voice in the struggle for a free, democratic Hong Kong. Chinese control over Hong Kong has steadily increased since Britain ceded the territory in 1997.»

"Jimmy Lai’s Sentence Tests the Free World", Natan Sharansky, The Free Press

Bring Jimmy Lai Home

10/02/2026

Um vencedor e vários derrotados

[ADVERTÊNCIA: Este post não é leitura recomendável aos espíritos providos de um cérebro ideológico e é absolutamente desaconselhável às mentes desprovidas de senso de humor. A todos recomenda-se ler este post Cum grano salis.] 

O Dr. Seguro que multiplicou as intenções de voto por dez, duplicando o número de votos da 1.ª volta e obtendo mais de 3,4 milhões de votos na 2.ª volta, incluindo mais de três quartos dos eleitores com mais escolaridade, passando a ser o político mais votado de sempre, é incontestavelmente o vencedor das eleições presidenciais.

Entre os candidatos derrotados, que são todos os outros, destaca-se o mais derrotado de todos, o Dr. Ventura, porque perdeu as eleições, apesar de ter obtido mais 400 mil votos da 1.ª para a 2.ª volta, e principalmente porque lhe faltaram mais de 300 mil votos para realizar o seu propósito de ter mais votos do que AD o que, segundo ele, o transformaria no novo líder da direita. Em vez disso, teve de contentar-se com 1.ª posição na demagogia e no número de entrevistas - en passant, deveria reconhecer que o seu discurso de vítima da imprensa "do sistema" só reforça a sua 1.ª posição no ranking da demagogia.

Além dos candidatos, devemos adicionar aos derrotados o Dr. Montenegro que colocou todas as fichas no cavalo errado e tentou esconder-se em S. Bento. 

Quanto aos partidos, todos foram derrotados. Em primeiro lugar, principal e obviamente, a AD porque o seu candidato não chegou à 2.ª Volta. O PS porque a vitória do Dr. Seguro foi contra as principais facções socialistas, desde o costismo e o socratismo (parcialmente sobrepostos) até ao berloquismo e geringoncismo (parcialmente sobrepostos). O Chega porque foi humilhantemente derrotado pelo seu presidente que teve mais 340 mil votos que o seu partido.

E agora? Agora, reconheça-se que ter uma criatura cinzenta, pouco afirmativa e ideologicamente incaracterística, não será o melhor dos resultados. Em todo o caso, foi o único candidato que percebeu a diferença entre ser PR e ser primeiro-ministro e reconheça-se também que é menos mau fazer de Belém um local desinteressante do que fazer de Belém um centro de manobras e de conspiração, como nos últimos dez anos, ou fazer dos próximos cinco anos um centro de comícios, de ruído, demagogia e agitprop. Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schönhausen, se por cá andasse, lembrar-nos-ia que «a política é a arte do possível, a ciência do relativo, a arte da aproximação».

09/02/2026

Crónica da passagem de um governo (36)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Estado sucial à luz do pensamento mágico

A consultora Deloitte considera plausível «atingir reduções de custos de 10%” se a tecnologia (Inteligência Artificial) for aplicada “de forma massiva”. O quid está nos “ses”. A começar pela aplicação “massiva” por governos que circulam na autoestrada mexicana do investimento - o presente governo, por exemplo, executou no ano passado apenas 2/3 do investimento orçamentado - e a continuar pela tendência até agora mostrada por todos os governos para desperdiçarem recursos construindo metaforicamente aquedutos para regar desertos. Por isso, embora se perceba, o marketing da Deloitte é perigoso se alguém acreditar que o governo vai reduzir uns 13 mil milhões à despesa.

Mudam-se os tempos e os governos, não se mudam as vontades

«O irmão do chefe de gabinete de Montenegro foi nomeado consultor coordenador. Há um ano era estagiário e vai ganhar 4.400 euro. … Chefe de gabinete desconhecia nomeação do irmão.» (fonte) As justificações de gabinete do Dr. Gonçalo Mateus parecem suficientes para dar um lugar de estagiário ao nomeado; para consultor coordenador, nem por isso. Talvez porque o Amália ainda está na fase karaoke.

O que seria do PIB sem o turismo?

mais liberdade

Não fora o turismo, a economia estaria estagnada e os brilharetes dos excedentes orçamentais seriam transformados em défices estruturais.

No Estado sucial do Portugal dos Pequeninos os riscos não se gerem, ingerem-se

[À guisa de introdução, leia-se este post.] Os riscos evitam-se, mitigam-se, transferem-se ou financiam-se.

Dois exemplos de falhas na mitigação na resposta do governo às tempestades: (1) uma vez mais, a ineficácia sistemática do SIRESP que custou até agora mais de 700 milhões de euros; (2) a descoordenação entre governo, autarquias, Protecção Civil e Forças Armadas que, entre outras consequências, atrasou uma semana o estado de prontidão e a intervenção da tropa.

A transferência para seguradores na esfera privada é residual em Portugal, como se vê no quadro seguinte.


Quanto ao financiamento dos riscos catastróficos através de um fundo, como o gerido em Espanha pelo Consorcio de Compensación de Seguros, há muito que em Portugal se fala da criação de um Fundo Sísmico. Um estudo da APS de 2006 apresentava um modelo de cobertura do risco sísmico por meio de um fundo público; depois disso, constituíram-se grupos de trabalho e comissões, produziram-se “relatórios preliminares” e, mais recentemente, em 2023, o governo do Dr. Costa encarregou a ASF de conceber um novo modelo. Como habitualmente, na mente dos governantes o problema ficou resolvido com a publicação de um despacho que deu à ASF um ano para preparar mais um “relatório preliminar”.

Boa Nova (mais uma)

A semana passada, no intervalo da passagem da Kristin para o Leonardo, o ministro das Finanças garantiu «que avança este ano a criação do Fundo Nacional para Catástrofes e Sismos». Esperai sentados.