Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

09/02/2009

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (1)

Durante a VI Convenção berloquista, o professor doutor Louça propôs numa alocução vibrante «o princípio do sistema bancário público que faça predominar uma política socialista» para «acabar com a usura». Passando ao lado do facto relativamente óbvio de que tal proposta proporcionaria um processo expedito de consolidar Portugal como um país em vias de subdesenvolvimento, a verdade é que tal proposta sofre de uma irremediável falta de novidade,. Durante 10 anos, entre 1975 e 1986, já tivemos ocasião de experimentar o «sistema bancário público que fez predominar uma política socialista», com os resultados que qualquer cidadão com mais de 35 anos, mesmo sem nenhuma sagacidade especial, deverá ser capaz de recordar sem saudade.

Durante esse período, os então pitorescamente chamados bancos nacionalizados, nossos, não se dignavam proporcionar às «pessoas» de que fala Louça, com excepção duma pequeníssima minoria, o acesso ao crédito pessoal ou ao crédito para compra de habitação. As ditas «pessoas» só viam cartões de crédito nos filmes e eram tratadas pelos bancos como utentes aguardando em bichas convergindo para guichés parecidos com os do SNS.

Atrevo-me a pensar que o emérito professor foi retido numa dobra do contínuo espaço-tempo.

Sem comentários: