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20/02/2009

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (19) What is good for the country is not good for him

Esta semana lembrei-me da seguinte estória aqui contada no (Im)pertinências: o republicano Charles Erwin Wilson, antigo presidente executivo e ainda accionista à época da General Motors, durante o processo de nomeação como secretário da Defesa de Eisenhower, respondeu à comissão de Defesa do Senado sobre os potenciais conflitos de interesse «what was good for the country was good for General Motors and vice versa».

Lembrei-me da estória, no contexto da celebração do bicentenário do nascimento de Lincoln e da estratégia de imagem de Barack Obama procurar colar-se ao velho Abe, a propósito do Economist da semana passada ter feito comentário irónico que tem implícita uma proposição inversa à de Wilson:

Mr Obama, like Bill Clinton before him, has sent his own children to a private school, Sidwell Friends, while simultaneously anathematising voucher schemes that would allow those less wealthy to do the same. If the hottest political question in this bicentennial week is “what would Lincoln do?”, then the first answer is surely try a lot harder to repair America’s faltering commitment to meritocracy.

Neste caso, ao contrário de quase todos os outros episódios da obamofilia relatados no (Im)pertinências, não me parece que o facto e o comentário citados incomodem particularmente os nossos mais irredutíveis obamófilos locais, muitos deles criaturas socialistas ou bloquistas com um certo status, por vezes até com alguma patine, que convivem alegremente com o conúbio entre a escola pública para as massas ignaras e a escola privada para os seus filhos.

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