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22/02/2009

O complexo político-empresarial socialista

No seu discurso de despedida como presidente dos EU, Ike Eisenhower usou a expressão complexo militar-industrial para designar a aliança entre o Pentágono e os sectores industriais ligados à defesa com «potencial para (gerar) um surto desastroso de poder mal concentrado. Não devemos nunca permitir que o peso desta conjugação ameace as nossas liberdades ou o processo democrático», acrescentou.

Quase meio século depois, do outro lado do Atlântico num país em vias de subdesenvolvimento, o socratismo está a criar o complexo político-empresarial socialista. Os sinais do conúbio multiplicam-se à medida que a crise empurra os empresários para o acolhedor regaço do poder socialista. Com excepção de Belmiro de Azevedo, Alexandre Soares do Santos e poucos mais, a classe empresarial põe-se a jeito em troca dumas migalhas do orçamento.

Um exemplo recente é a compra das minas de Aljustrel pela Martifer à Lundin Mining, que se propunha encerrá-las por inviáveis nas condições actuais do mercado. A compra foi agenciada pelo governo, na pessoa do inefável Pinho (por coincidência um empregado dos Espíritos em comissão de serviço no ministério da Economia), para salvar 200 empregos. É difícil não perceber que, se a Lundin Mining não conseguia viabilizar a exploração das minas, não será uma pequena empresa metalúrgica, que sabe tanto de minas como de serviços financeiros, que o conseguirá. Terá que haver contrapartidas por baixo da mesa.

Dois meses depois, o conselho de administração da Martifer coopta Jorge Coelho, ex-estradista do PS e ex-ministro das Obras Públicas e actual presidente executivo da Mota-Engil, por feliz coincidência o maior grupo português de obras públicas e o segundo accionista da Martifer.

Estão avisados. Depois não se queixem.

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