Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/01/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Há fundadas dúvidas se será e parece-o cada vez menos

Secção Sol na eira e chuva no nabal
O professor Freitas do Amaral já fundou um partido que abandonou; já esteve sitiado durante um congresso desse partido por alguns dos suas actuais amigos do BE; já teve como adversário político nas presidenciais a sua actual alma gémea, que à época pouco faltou para lhe chamar fascista; já deixou de ser deputado para voltar a sê-lo por uns mesitos só para completar os 8 anos que lhe deram direito a uma confortável reforma para arredondar o seu pecúlio. Fez um longo caminho até chegar à declaração de apoio ao PS e ao engenheiro Sócrates. Para perceber o seu percurso, explicam-me, é preciso compreender as sucessivas humilhações a que foi sujeito o seu inchado ego. Pelo doutor Cavaco e pelo PSD, que não lhe pagaram a campanha presidencial e pela administração americana durante o seu mandato de presidente da AG da ONU, onde foi, como os seus antecessores e sucessores, pouco mais do que um mestre-cerimónias tentando pôr alguma ordem em reuniões dominadas por uma sólida maioria de representantes de ditadores corruptos.

Com boa vontade consegue-se perceber a coisa. Não se consegue perceber que, sendo presidente da mesa da assembleia geral da Caixa, tenha aceite dar um parecer sobre a integração do fundo de pensões da própria Caixa na CGA. É irrelevante que o parecer tenha sido contra ou a favor (foi contra) ou que tenha sido pedido pelo governo ou pelos sindicatos (foi pelos sindicatos).

Mesmo que seja sério (e com um passado deste, parece pouco) seria preciso também parecê-lo. Ficará ainda mais difícil parecê-lo se aproveitar a eventual vaga do engenheiro Guterres para ser o candidato do engenheiro Sócrates a PR.

Leva três ignóbeis e ainda quatro bourbons, porque, pelos vistos, a coisa ameaça tornar-se um hábito.

30/01/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O rei do futebol é um emigrante

Só num país merdoso pode ser olhado de lado um treinador, por causa da má cara e de ser pouco dado a falas. Um treinador que sem exagero é considerado, no país que inventou o futebol, por uns gajos um bocado xenófobos, o «rei» do dito. Um país que, ao mesmo tempo, venera uns treinadores piolhosos e umas nulidades bem falantes que vestem uns armanis.

Cinco afonsos para o professor doutor Zé Mourinho.

SERVIÇO PÚBLICO: «O que pode acontecer ao PS é trágico»

«Sala Roma do Hotel Altis. 19 de Janeiro de 2005, 21:45 h. Novas Fronteiras - Cultura.

Dirigi-me para o cantinho onde estavam vários directores gerais e assessores culturais que pareciam divertidos. Ouvimos com atenção o painel que defendeu a impulsão do investimento na Cultura, com o argumento de que a Cultura é "produtora de riqueza", que se deve estruturar, proteger, manter ou mesmo aumentar o financiamento do Estado à actividade cultural...
Saí, em silencioso protesto, depois da loooonga e narcísica intervenção do ex-ministro da cultura mais famoso do PS, que defendeu, mais uma vez e cegamente, o modelo francês para lidar com as artes, modelo que, como toda a gente sabe, só se aplica à França porque que esta se julga herdeira e depósito da cultura universal (embora as melhores bibliotecas e museus do mundo estejam na América e sejam quase todos privados).

O que pode acontecer ao PS é trágico: só ser aconselhado culturalmente pelo próprio Estado, nos seus vários planos opressivos: debordianos, adornianos, deleuzianos, etc., e não por uma juventude "cool" * (bastava "semi-cool") ou cenas com onda.»
[ler o resto do texto de Pedro Estilita aqui]

29/01/2005

DIÁRIO DE BORDO: Homofóbico? Moi?

«A insinuação e a calúnia são obra dos cobardes. Levar este comportamento para a política é colocar uma ventoinha no meio da lama. Suja todos. Os que recusam esta postura e os que começaram a fazer dela um instrumento de combate político», escreveu o doutor Coelho no seu artigo de opinião «O indigno estratagema do boato».

O doutor Coelho escreve uma página A4 sem nomear uma única vez o santo ou o milagre. É claro que todos percebemos que deve estar a falar do caso do engenheiro Sócrates, que se diz ser homossexual.

Um pergunta inocente: se o boato insinuasse que o engenheiro Sócrates é um Casanova, um arrache-coeur do mulherio, o doutor Coelho escreveria o seu libelo contra a cobardia dos caluniadores? Não o fez, durante os vários anos em que o inner circle do engenheiro Sócrates espalhou exactamente esse boato. Porque não o fez, nem certamente o faria? Talvez simplesmente porque sofra da homofobia dos cobardes. No fundo daquela alma tortuosa, ele acha que ser homossexual é censurável, mas não tem coragem de o assumir. E talvez o engenheiro Sócrates lhe faça companhia.

O Impertinências, homofóbico conservador, se tivesse que votar no engenheiro Sócrates não deixaria de o fazer por ele ser talvez homossexual, mas começa a desconfiar que mais importante do que ele ser talvez homossexual é ele ser talvez cobarde.

28/01/2005

TRIVIALIDADES: Um enigma socialista (a revelação)

A resposta certa a esta pergunta é Adolfo Hitler. Foi ele quem disse as palavras citadas num discurso pronunciado no dia 1 de Maio de 1927 [lembrado por ¡No Pasarán! neste post].

Além dum amigo italo-português (só podia ser) que me enviou 7 mensagens, cada uma delas com uma resposta diferente, as outras falharam vergonhosamente. Um dos respondentes escolheu uma oitava possibilidade: o saudoso deputado Américo Duarte, a voz da classe operária na assembleia constituinte. Houve também um provocador que sugeriu o doutor Ferro Rodrigues, que poderia ter proferido aquelas vibrantes palavras num comício, num momento de grande exaltação socialista.

Aqui ficam, outra vez, para a posteridade, as palavras do camarada Adolfo:
«Nós somos socialistas, nós somos inimigos do actual sistema económico capitalista para a exploração dos economicamente fracos, com os seus salários injustos, com a valorização imprópria dos seres humanos com base na riqueza e no património, em vez da responsabilidade e da produção. Nós estamos determinados a destruir este sistema em quaisquer condições.»


[diferentes, mas iguais]


27/01/2005

SERVIÇO PÚBLICO: Por uma vez o doutor Calimero está carregado de razão

Só num país terceiro-mundista é possível ver políticos a navegarem de secretarias de estado para autoridades de regulação, ou para administrações de empresas públicas e vice-versa, saltitando de campanha em campanha perorando sobre os desígnios da nação.

É o caso do doutor Teixeira dos Santos, actual presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e antigo secretário de estado do doutor Sousa Franco.

É claro que o doutor Calimero, antes de denunciar este mau costume, devia olhar para dentro da sua casa, cujos armários estão entulhados de esqueletos.

São práticas deste tipo que nos afastam da Europa e nos mantém próximo das antigas colónias (ou PALOPs se gostarem mais assim).

TRIVIALIDADES: Milagres eleitorais - a banha da cobra «delirante» (5)

Confesso, até mesmo eu fiquei surpreendido com o programa do PSD. Esqueci tudo o resto e retive apenas o aumento da produtividade de 64% para 75% da média europeia, em 4 anos. Disseram as gentes do PS que o programa é irrealista. Até mesmo «delirante», disse o doutor Silva Lopes que, de caminho, confessou que, também ele, não acredita muito nos socráticos 3% de crescimento.

Estão enganados. Vamos supor que produtividade de que fala o PSD é o PIB/hora trabalhada. Nesse caso só temos que deixar de trabalhar (ir ao serviço) à sexta-feira. Se a produtividade de que fala o PSD é o PIB/empregado, só precisamos mandar os funcionários públicos todos para casa descansar (em vez de o fazerem na repartição). No primeiro caso precisamos de trabalhar um bocadinho mais rápido para irmos mais cedo de fim de semana. No segundo caso, nem isso.

É só fazer as contas. E pronto. Como vêem, é fácil.

26/01/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O render do guarda

Secção Res ipsa loquitor
Já aqui me queixei do engenheiro Jardim Gonçalves, responsável pelo «infortúnio da destruição de valor dos últimos cinco anos» a que sujeitou o BCP.

Até já aqui dei voz ao senhor Paolo Borsalino que, também ele, se queixava do mesmo, acusando o engenheiro de usar «velhas técnicas da "Contra-informação" aplicadas pelo velho KGB».

Apesar disso, tenho que reconhecer que foi preciso coragem e competência para limpar os cacos e arrumar a casa, em vez de dar à sola. Ainda há muito trabalho pela frente, mas a herança do doutor Teixeiro Pinto, tutelada do alto do Conselho Geral pelo omnipresente engenheiro, é um banco razoavelmente sólido, um bom exemplo do que o talento e a iniciativa privada, livres da sufocante presença da vaca marsupial pública, podem fazer num mercado concorrencial.

Agora o BCP Millennium está pronto para um takeover ou para ser engolido pela Caixa.

Cinco merecidos afonsos para o engenheiro

TRIVIALIDADES: Um enigma socialista

«Nós somos socialistas, nós somos inimigos do actual sistema económico capitalista para a exploração dos economicamente fracos, com os seus salários injustos, com a valorização imprópria dos seres humanos com base na riqueza e no património, em vez da responsabilidade e da produção. Nós estamos determinados a destruir este sistema em quaisquer condições.»

Quem disse estas verdades eternas?

  1. Lenine ou os camaradas barnabés
  2. Professor Salazar ou o doutor Francisco Rolão Preto
  3. Estaline ou o camarada Jerónimo de Sousa
  4. Adolfo Hitler ou o doutor Joseph Goebbels
  5. Trotsky ou o camarada doutor Anacleto Louçã
  6. George W. Bush ou Irving Kristol
  7. Mao Ze Dong ou o ex-camarada José Manuel aka doutor Durão Barroso

[Resposta para o correio impertinente]

Entre os eruditos acertadores, será escolhido por sorteio o felizardo a contemplar com uma edição de 1964 de «A origem da família, da propriedade privada e do Estado» de Friedrich Engels, editorial Vitória, Rio de Janeiro, com uma bela capa extraída de «O Escudo de Aquiles, uma gravura anagliptográfica de Flaxman, publicada em Londres, em 1846».

Boa sorte, camaradas.

25/01/2005

TRIVIALIDADES: Irreflexões impertinentes

A leitura de fim de semana do Semanário Económico, um jornal decentemente banal, inspirou-me duas irreflexões.

A primeira a propósito do título na 1ª página «Joe Berardo interessado na Lusomundo - Como investe o Warren Buffet português». Citando-me:
«Warren Buffett é o presidente da Berkshire Hathaway e um dos maiores investidores do mundo. Para ele não há bear market. Nos 40 anos de 1964 a 2003 o book value por acção da Berkshire Hathaway aumentou em média mais de 20% por ano. WB (é) também conhecido como o Sage de Omaha.»
Porque têm os portugueses a obsessão de se compararem constantemente com o pessoal de outras galáxias? O que é que um gajo que escreve uma carta aos accionistas como esta tem de comum com um Sábio do Machico?

A segunda irreflexão foi-me inspirada por uma foto do doutor Paulo Azevedo, presidente executivo da Sonae.com, filho do engenheiro Belmiro (que me lembre, de momento, um dos poucos empresários portugueses com eles no sítio). Nessa foto, o doutor Paulo aparece, como frequentemente noutras fotos, com o nó da gravata um pouco desconchavado e ligeiramente descaído. É um óbvio contraste com todas as luminárias cujas fotos também aparecem no mesmo jornal, com gravatinhas aprumadinhas e nós estilosos. A avaliar pelas performances do grupo Sonae e a independência de espírito dos Azevedos, tenho a impressão que um dos nossos problemas é que temos demasiados empresários engomadinhos que imaginam que um nó górdio se corta com a mesma facilidade com que se desfaz um nó double-windsor.


[Descubra as diferenças]

24/01/2005

SERVIÇO PÚBLICO: O monstro que nos devora e se devora

Dois terços dos «produtos» que constituem o output da Administração Pública têm como «clientes» a própria Administração Pública, segundo «o relatório sobre a «Caracterização das Funções do Estado» elaborado pela Inspecção-Geral das Finanças (IGF) em 2003, sob a liderança da então ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite». [Diário Económico]

Esta vaca marsupial pública engole 50% da palha que produzimos e rumina, rumina, rumina, e não faz nada. Só bosta, só bosta, só bosta. Só bosta um terço do que engole.

Perguntas impertinentes:
  • Por onde tem andado o sacana do relatório desde 2003?
  • Será possível que os amantes do estado social não percebam isto?

23/01/2005

DIÁRIO DE BORDO: Economia mediática

Talvez inspirado no relevo que a economia parece assumir cada vez mais nos discursos milagreiros dos políticos, à medida em que nos afundamos na fossa abissal da nossa paralisia, acrescento mais um termo ao Glossário das Impertinências.

Economia mediática
Aquilo de que falam os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia» (professor João César das Neves). Disciplina que compreende desde uma caldeirada de desconchavos e demagogia (worst case) até às maiores banalidades (best case) e que em média é bastante medíocre.


PUBLIC SERVICE: Conservative standpoint about homophobia - sound common sense

«Homosexual behaviour is using sexual organs in an abnormal way so it seems to me simply accurate to call it perverted or deviant or queer but if people don't have a right to do what they want with their own bodies then the state of liberty is very bad indeed. So I see no reason whatever why their private behaviour should earn homosexuals any kind of punishment or hurt or bad treatment. And as far as I can see, that is overwhelmingly both the normal view and the normal practice throughout the Western world today. I do however have the perfectly mainstream belief that homosexual advocacy should be kept away from children. As far as I can see, some homosexual behaviour is innate and some is learned. So some kids could go either way. And all parents want the happiest life possible for their children so do not want them lured into a lifestyle associated with much unhappiness and loss -- including early death. The average life expectancy of homosexuals is around 40 years. And "gay men were six times more likely to suffer adult sexual abuse or rape"»
["HOMOPHOBIA", Dissecting leftism]

22/01/2005

TRIVIALIDADES: Milagres eleitorais - a banha da cobra operária (4)

O camarada secretário-geral Jerónimo de Sousa é o milagreiro do dia. O programa eleitoral do PCP dá-nos o maná ainda antes de chegarmos à terra prometida, ou seja àquela ilha do camarada Fidel ou ao outro paraíso que ainda resta à guarda do camarada Jong.

Ao camarada secretário-geral repugnam os «sacrifícios» a que o companheiro Sócrates pretende sujeitar-nos. O PCP, diz-nos ele, dá-nos tudo o que sempre ambicionámos mas temos vergonha de exigir. Para começar «a "dinamização do consumo", que passa por um "crescimento do rendimento das famílias de forma sustentada". O que significa, nas medidas apelidadas de "urgentes" pelos comunistas, um aumento intercalar em 2005 do salário mínimo nacional, fixando-o em 400 euros, assim como dos vencimentos da Administração Pública em 3%.»

«Em matéria de segurança social, o PCP defende aumentos das pensões e reformas, fixando a pensão social em 178 euros, a pensão agrícola em 214 euros. Na área da fiscalidade, os comunistas querem, por exemplo, o regresso das taxas do IVA de 19% para 17% e o desagravamento do IRS sobre os rendimentos do trabalho com o aumento progressivo, entre 2005 e 2008, da dedução específica, fixando-a em 80% e 100% do salário mínimo nacional.» [DN]

E essa coisa do crescimento de 3% não é coisa para homens. O camarada Jerónimo visa mais alto: 4%, nem menos um tostão.

E como chegaremos lá? Já que perguntam, sempre vos digo que não é muito importante. São as medidas do costume, acrescentadas duma «eficiente utilização dos dinheiros comunitários» que é a maneira que o PCP vê de chupar as espórtulas da Europa dos monopólios.

Falta alguma coisa? Falta. O camarada não nos promete o fim da seca.

21/01/2005

BLOGARIDADES: A melhor marretada da semana

«Jerónimo de Sousa disse isto durante um debate na SIC Notícias: "Esta eleição é para 230 deputados, não é para eleger um primeiro-ministro." Ai o caraças... Então em Julho, Santana Lopes não era o gajo a quem faltava legitimidade porque não tinha sido eleito primeiro-ministro nas eleições de 2002? O marxismo-leninismo moderno é como a alta costura. O que se usa na colecção de Verão não se repete na de Inverno.» [do Marreta STATLER]

CASE STUDY: Subsídios para o programa do governo do engenheiro Sócrates (3)

Ao ler «O princípio da Não Escolha» de Helena Matos no Público, texto para o qual os sempre atentos blasfemos chamaram a atenção, ocorreu-me mais um subsídio para mitigar o deserto de ideias inundado de palavras da campanha do engenheiro Sócrates.

Desta vez trata-se de melhorar o estado deplorável do ensino básico. Não é um cheque-educação para os pais. Nada disso. Nem mesmo fazer depender uma parte variável da remuneração dos professores das notas dos seus alunos nos exames nacionais. Nada dessas medidas «neo-liberais» que, aliás, seriam «fracturantes» da base de apoio do PS.

Actualmente a matrícula dos alunos do ensino básico está limitada à escola da residência dos pais ou, quanto muito à escolha, sujeita a vaga, de uma outra escola do mesmo agrupamento. Quanto a exames nacionais (os únicos não manipuláveis pelas escolas) têm lugar apenas nas disciplinas de português e matemática no 9º ano. Em vez deste sistema perpetuador da preguiça dos alunos e da incompetência dos professores, trata-se, simplesmente de fazer exames nacionais em todas as disciplinas relevantes no final de cada um dos 3 ciclos do ensino básico, publicar o ranking das escolas, dar aos pais a opção de escolher livremente a escola onde matricularão os seus filhos e colocar os professores em linha com o número de alunos matriculados.

20/01/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um presidente todo o terreno

Secção A título póstumo
«Quando o Jorge Sampaio era presidente da câmara, apareceu na televisão a passear pelo Casal Ventoso com uma série de delegados de Bruxelas. Quando foi abordado por um drogado, disse-lhe: "É pá, afasta-te, que estou aqui a ver se sacamos algum dinheiro a estes tipos"», revelou o filósofo José Gil ao Público. [via uma referência d'A Praia]

Merece o doutor Sampaio, retroactivamente, na sua antiga encarnação de presidente da CM Lisboa, três ignóbeis pelo mimetismo e pela falta de vergonha de assumir a qualidade de presidente dos pedintes alfacinhas e quatro chateaubriands por não ter percebido que o sucesso dos pedintes é o sucesso do insucesso.

19/01/2005

PUBLIC SERVICE: «The charms of a Disneyland with the worst of the Soviet gulag prison camp»

«The facility - part amusement park, part open air museum - is circled by barbed wire and guard towers, and dotted with some 65 bronze and granite statues of former Soviet leaders Vladimir Lenin and Josef Stalin, and assorted communist VIPs.
Stalin World is on the edge of the village of Grutas, 120 kilometers southwest of Vilnius, and a few kilometers from the town of Druskininkai. From Vilnius, take the A-4 highway. The park’s open from 9:00-19:00. For more info, call tel. 33-55511, with area code 370 from abroad and 82 from within Lithuania
» [CITY PAPER magazine]

Communists who miss the good old days go east to Stalin World

TRIVIALIDADES: Milagres eleitorais (3)

Decididamente o engenheiro Sócrates não gosta de coisas fáceis. No último Fórum Novas Fronteiras ele anunciou a criação de uma «prestação extraordinária» para «todos os pensionistas com rendimento abaixo do limiar da pobreza», limiar que ele próprio não soube explicar o que fosse, quando foi questionado pelos jornalistas. Com a «prestação extraordinária» os velhinhos vão poder desfrutar dum rendimento mensal de 300 euros, maquia que lhes permitirá aceder a um écran de plasma de 11 polegadas, com o qual as quintas das celebridades ficarão indistinguíveis dos programas culturais da 2:.

Para financiar os 200 milhões que custará a felicidade dos velhinhos, o engenheiro Sócrates irá combater a «evasão nas contribuições, a fraude no subsídio do desemprego e no subsídio da doença». Supunha-se que os combates dos seus colegas de governo doutores Ferro Rodrigues e Pedroso deveriam ter limpo o terreno de batalha, mas ele próprio não parece muito certo disso. Seja como for, prevê «poupar 500 milhões de euros por ano, só através da fiscalização». Com os 300 milhões excedentários poderá ainda fazer-se o upgrade dos écrans das 11 para as 19 polegadas, reduzindo as consultas de oftalmologia e poupando no orçamento do SNS.

Também poderá poupar o bestunto a imaginar soluções para aumentar a produtividade. O engenheiro João Proença, secretário-geral da UGT, aliviou-lhe a preocupação ao declarar no Fórum que «a produtividade se crescer muito pode provocar perda de postos de trabalho». Portanto, senhor engenheiro Sócrates, faça favor de não se pôr para aí a desatinar com a produtividade. Em vez disso, porque não incluir no programa de governo o fim da seca que, devido à incúria do doutor Calimero, nos aflige desde há 2 meses?

18/01/2005

DIÁRIO DE BORDO: Igualdade? Qual igualdade?

No último domingo, o doutor António Carrapatoso, presidente da Vodafone Portugal e promotor do Compromisso Portugal, durante uma entrevista no programa «Diga lá excelência» na 2:, disse, referindo-se ao papel do estado, que «é necessário para assegurar a igualdade de oportunidades».

Não terá sido por acaso, suponho, que disse «igualdade de oportunidades» perante uma aparente surpresa das duas jornalistas que o entrevistavam. Tem toda a razão, para mim que sou um liberal pragmático que defendo o estado mínimo mas acho pueris as fantasias anarco-libertárias, este é um dos poucos papéis inquestionáveis que só estado pode e deve assegurar.

Retomarei o tema, em breve, a propósito das graves ameaças à meritocracia na sua própria pátria - os EU.