Outras preces.
Se não fosse este post do Blasfémias também não teria reparado que Marcelo exonerou o único militar até agora por ele nomeado para o lugar de secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional.
Tudo começou quando Antunes Calçada durante a apresentação de um livro de um outro militar disse o que foi interpretado pelos presentes (e os ausentes) como classificando o CEME Rovisco Duarte «sabujo para cima» para proteger o ministro Azeredo Lopes e «cão para baixo» ao demitir os cinco comandantes das unidades que tinham a responsabilidade pela segurança de Tancos.
Imitando o inimitável Guterres, «depois de ouvido o Governo», Marcelo produziu um despacho exonerando «Antunes Calçada do cargo de Secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional». Porquê exonerá-lo do cargo se a criatura, segundo o despacho, o «exerceu com zelo, competência e dedicação»? O que mostra isto? Mostra que nos momentos de crise Marcelo é incapaz de decidir contra as pressões ou contra a corrente, sempre preocupado com a popularidade e com evitar a crispação.
Contem com ele para as selfies, os afectos, os beijinhos, os abraços e, last but not least, as intrigas. Não contem com ele para tomar decisões disruptivas que serão inevitáveis durante os quatro anos que lhe faltam de mandato, para já não falar no seu segundo mandato pelo qual disfarça mal ansiar.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
18/07/2017
17/07/2017
DIÁRIO DE BORDO: Camaradas paneleiros de todo o mundo uni-vos contra Gentil Martins
«Na festa do Avante de 2015, vários homossexuais foram espancados por seguranças do evento. Um destes homens foi agarrado e atirado para o interior de uma carrinha de apoio à festa. Nessa carrinha, foi insultado ("maricas", "paneleiro de merda", "porco"), humilhado e agredido com pontapés e murros. Até lhe apertaram o pescoço com uma corda. No meio desta humilhação, um dos capangas do PCP teve um momento de caridade e exigiu que se parasse com aquele tratamento propedêutico, visto que a vítima era um "camarada" e não um mero "paneleiro de merda". A resposta do líder do esquadrão de reeducação foi clara: "não há camaradas paneleiros". Esta cena não aconteceu no consultório de Gentil Martins neste fim-de-semana, mas sim na festa do Avante de 2015.
Nesta festa do Avante em particular e ao longo da história do Partido, ocorreram mais casos de homofobia primária e violenta (não é uma mera opinião), mas julgo que este caso chega para ilustrar o meu ponto: este acto de abjecta violência do PCP não gerou nem 10% da comoção coletiva gerada agora pelas declarações de Gentil Martins. Os indignados que agora pedem a cabeça do médico estiveram calados que nem ratinhos de laboratório perante a violência comunista. Se a memória não me falha, só este jornal pegou a sério no tema.
A discrepância dos critérios fala por si. Um partido de esquerda tem direito à violência homofóbica. Um médico católico não tem direito à sua opinião. É como se não existisse uma diferença moral entre um ato e uma palavra. Pior: é como se uma opinião de direita fosse muitíssimo mais grave do que um ato de violência da esquerda. Não é um caso isolado. O alegado "espaço público" português é uma escola de verão do BE ou um prolongamento da Atalaia. Estas ondas de indignação só ocorrem contra pessoas conotadas com a direita, Gentil Martins, Rui Ramos, Jaime Nogueira Pinto, este que vos escreve. Já as pessoas de esquerda podem mentir, insultar e até agredir, estão acima do bem e do mal. Se a cena de violência que descrevi tivesse ocorrido num comício da direita ou numa atividade da igreja, teria caído o Carmo e a Trindade. Como ocorreu no solo sagrado da Atalaia, nada se passou. Nada se passa. Não há, não houve, não haverá camaradas paneleiros.»
«Camaradas paneleiros», Henrique Raposo no Expresso Diário
Nesta festa do Avante em particular e ao longo da história do Partido, ocorreram mais casos de homofobia primária e violenta (não é uma mera opinião), mas julgo que este caso chega para ilustrar o meu ponto: este acto de abjecta violência do PCP não gerou nem 10% da comoção coletiva gerada agora pelas declarações de Gentil Martins. Os indignados que agora pedem a cabeça do médico estiveram calados que nem ratinhos de laboratório perante a violência comunista. Se a memória não me falha, só este jornal pegou a sério no tema.
A discrepância dos critérios fala por si. Um partido de esquerda tem direito à violência homofóbica. Um médico católico não tem direito à sua opinião. É como se não existisse uma diferença moral entre um ato e uma palavra. Pior: é como se uma opinião de direita fosse muitíssimo mais grave do que um ato de violência da esquerda. Não é um caso isolado. O alegado "espaço público" português é uma escola de verão do BE ou um prolongamento da Atalaia. Estas ondas de indignação só ocorrem contra pessoas conotadas com a direita, Gentil Martins, Rui Ramos, Jaime Nogueira Pinto, este que vos escreve. Já as pessoas de esquerda podem mentir, insultar e até agredir, estão acima do bem e do mal. Se a cena de violência que descrevi tivesse ocorrido num comício da direita ou numa atividade da igreja, teria caído o Carmo e a Trindade. Como ocorreu no solo sagrado da Atalaia, nada se passou. Nada se passa. Não há, não houve, não haverá camaradas paneleiros.»
«Camaradas paneleiros», Henrique Raposo no Expresso Diário
Um dia como os outros na vida do estado sucial (32) - Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes
«... no Alijó as chamas obrigaram à evacuação de uma aldeia. Um helicóptero caiu e houve casas e pessoas em risco. Hoje de manhã o fogo ainda não tinha sido extinto. E, adivinhem, o Siresp, o sistema de comunicações que nos custa 40 milhões de euros por ano, voltou a falhar.» (Expresso Curto)
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (92)
Outras avarias da geringonça.
Uma vez ou outra Costa deixa cair a máscara e deixa ver os seus tiques autocráticos, como a semana passada em que ameaçou veladamente a Altice e, assumindo a sua faceta de tele-evangelista, anunciou que já tinha feito a sua escolha do operador, não sem antes com um enorme descaro classificar de «irresponsável» a privatização da PT começada e acabada por governos do PS em que participou.
Depois de ter garantido que a solução para os «lesados do BES» do amigo Lacerda Machado não teria custos para os contribuintes, a semana passada o governo acabou a admitir o que antes tinha negado. Por falar em sem custos, já repararam que um dos milagres favoritos do socialismo indígena é criar soluções que não são pagas pelos que dela beneficiam mas por outros? Lembram-se como começaram e acabaram as SCUT?
Um exemplo de manobrismo que ameaça ser um tiro no pé é o caso da candidatura à Agência Europeia do Medicamento. Depois de um processo vergonhoso em que foi defendida a localização em Lisboa (por razões óbvias de dourar o brasão ao sucessor na câmara) e acabou no Porto, talvez porque pode ter-se percebido que a agência iria provavelmente parar a Lille, pelo que propor Lisboa ou Porto seria igual ao litro. Em qualquer caso, um inquérito aos 900 funcionários da Agência mostrou ser Lisboa a cidade preferida.
Uma vez ou outra Costa deixa cair a máscara e deixa ver os seus tiques autocráticos, como a semana passada em que ameaçou veladamente a Altice e, assumindo a sua faceta de tele-evangelista, anunciou que já tinha feito a sua escolha do operador, não sem antes com um enorme descaro classificar de «irresponsável» a privatização da PT começada e acabada por governos do PS em que participou.Depois de ter garantido que a solução para os «lesados do BES» do amigo Lacerda Machado não teria custos para os contribuintes, a semana passada o governo acabou a admitir o que antes tinha negado. Por falar em sem custos, já repararam que um dos milagres favoritos do socialismo indígena é criar soluções que não são pagas pelos que dela beneficiam mas por outros? Lembram-se como começaram e acabaram as SCUT?
Um exemplo de manobrismo que ameaça ser um tiro no pé é o caso da candidatura à Agência Europeia do Medicamento. Depois de um processo vergonhoso em que foi defendida a localização em Lisboa (por razões óbvias de dourar o brasão ao sucessor na câmara) e acabou no Porto, talvez porque pode ter-se percebido que a agência iria provavelmente parar a Lille, pelo que propor Lisboa ou Porto seria igual ao litro. Em qualquer caso, um inquérito aos 900 funcionários da Agência mostrou ser Lisboa a cidade preferida.
Manifestações de paranóia/esquizofrenia (21) - Não é uma anomalia, são duas anomalias: a homossexualidade e a paranóia
Homossexualidade: «uma anomalia, um desvio de personalidade», considerou Gentil Martins em entrevista ao Expresso.
Frequência da homossexualidade: uma percentagem variável segundo os inquéritos, os métodos, os países e as épocas, na maioria dos casos inferior a 5%.
Anomalia: «O que se desvia da norma, da generalidade»; «desvio do tipo normal; anormalidade».
«Estas declarações violam a deontologia médica e têm consequências negativas, graves, gravíssimas, se passam como "se nada fosse"» escreveu a deputada socialista e militante politicamente correcta Isabel Moreira, pegando fogo na pradaria das indignações.
Paranóia: «ocorrência de pensamentos delirantes, geralmente persecutórios, que levam o paciente a adoptar uma atitude de permanente desconfiança em relação aos que o rodeiam.»
Frequência da homossexualidade: uma percentagem variável segundo os inquéritos, os métodos, os países e as épocas, na maioria dos casos inferior a 5%.
Anomalia: «O que se desvia da norma, da generalidade»; «desvio do tipo normal; anormalidade».
«Estas declarações violam a deontologia médica e têm consequências negativas, graves, gravíssimas, se passam como "se nada fosse"» escreveu a deputada socialista e militante politicamente correcta Isabel Moreira, pegando fogo na pradaria das indignações.
Paranóia: «ocorrência de pensamentos delirantes, geralmente persecutórios, que levam o paciente a adoptar uma atitude de permanente desconfiança em relação aos que o rodeiam.»
16/07/2017
ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (3)
Continuação de (1) e (2).
Deve haver um móbil para o Expresso gastar papel a inventar sucessores para Passos Coelho. Rui Rio, Relvas e vários outros já foram promovidos e quaisquer criaturas, a maioria ressabiada, que o jornalista de serviço veja como um inimigo de Passos Coelho na sombra tem assegurado tempo de antena no semanário de reverência, como Ferreira Leite, Sarmento Rodrigues e outros (ver a este propósito o artigo de Sebastião Bugalho no SOL aqui citado).
A coisa, de tão denunciada, é de uma bacoquice atroz. O último exemplo de promovido a sucessor ou a apoiante do sucessor é Luís Montenegro, a quem o Expresso concede uma entrevista de uma página em formatobroadsheet broadshit. Por muito que Montenegro garanta que apoia Passos Coelho por «convicção, por entender que é o mais bem posicionado para ganhar pela terceira vez as legislativas e o mais bem preparado para ser PM».
Será verdade? Não necessariamente, mas, não sendo, seria estúpido Montenegro dizê-lo dessa forma clara e definitiva e ele não parece ser estúpido e sempre poderia manifestar um apoio vago utilizando uma fórmula ambígua. O que levará então o mesmo jornalista do semanário de reverência que entrevista Montenegro escrever na página seguinte «líder parlamentar passa o cargo ao braço-direito e posiciona-se para o pós-Passos»?
Só pode ser porque a criatura dispõe de uma invejável capacidade de ler mentes, porque a frase seguinte plena de insinuações é «Rio diz que PSD está "pior"», o que sugere que um jornalista que não entrevistou Rui Rio e sabe que ele acha que está "pior", também é capaz de entrevistar Montenegro e concluir que pensa o contrário do que diz, concordando com Rio, e por isso se posiciona para o pós-Passos.
Como, em minha opinião, Passos Coelho foi um primeiro-ministro que não mostrou estar à altura das reformas indispensáveis que o seu governo deveria ter adoptado e não adoptou e como presidente do PSD não está a mostrar estar à altura de liderar a oposição à geringonça, estas manobras dos spin doctors de trazer por casa que elegem Passos Coelho como o inimigo principal a abater para dar lugar a um qualquer Rio. levam-me a pôr em dúvida a bondade da minha opinião. Afinal, quem sabe?, talvez Passos Coelho seja o líder menos mau possível para a oposição.
Deve haver um móbil para o Expresso gastar papel a inventar sucessores para Passos Coelho. Rui Rio, Relvas e vários outros já foram promovidos e quaisquer criaturas, a maioria ressabiada, que o jornalista de serviço veja como um inimigo de Passos Coelho na sombra tem assegurado tempo de antena no semanário de reverência, como Ferreira Leite, Sarmento Rodrigues e outros (ver a este propósito o artigo de Sebastião Bugalho no SOL aqui citado).
A coisa, de tão denunciada, é de uma bacoquice atroz. O último exemplo de promovido a sucessor ou a apoiante do sucessor é Luís Montenegro, a quem o Expresso concede uma entrevista de uma página em formato
Será verdade? Não necessariamente, mas, não sendo, seria estúpido Montenegro dizê-lo dessa forma clara e definitiva e ele não parece ser estúpido e sempre poderia manifestar um apoio vago utilizando uma fórmula ambígua. O que levará então o mesmo jornalista do semanário de reverência que entrevista Montenegro escrever na página seguinte «líder parlamentar passa o cargo ao braço-direito e posiciona-se para o pós-Passos»?
Só pode ser porque a criatura dispõe de uma invejável capacidade de ler mentes, porque a frase seguinte plena de insinuações é «Rio diz que PSD está "pior"», o que sugere que um jornalista que não entrevistou Rui Rio e sabe que ele acha que está "pior", também é capaz de entrevistar Montenegro e concluir que pensa o contrário do que diz, concordando com Rio, e por isso se posiciona para o pós-Passos.
Como, em minha opinião, Passos Coelho foi um primeiro-ministro que não mostrou estar à altura das reformas indispensáveis que o seu governo deveria ter adoptado e não adoptou e como presidente do PSD não está a mostrar estar à altura de liderar a oposição à geringonça, estas manobras dos spin doctors de trazer por casa que elegem Passos Coelho como o inimigo principal a abater para dar lugar a um qualquer Rio. levam-me a pôr em dúvida a bondade da minha opinião. Afinal, quem sabe?, talvez Passos Coelho seja o líder menos mau possível para a oposição.
15/07/2017
CASE STUDY: Não deixem que os factos atrapalhem uma boa ideia (2)
Na newsletter The Economist Espresso do sábado anterior podia ler-se o seguinte:
Grey, set and match: tennis
As Wimbledon kicked off this week, all eyes were on the sport’s “Big Four”. Will Roger Federer, the oldest of the pack at 35, win his eighth title? Or will the champion be Andy Murray (30), Rafael Nadal (31) or Novak Djokovic (30)? The men’s top-40 list has never been so aged: more than half are in their thirties and there is not a single teenager. At Wimbledon last year a record 49 players in the men’s singles were 30 or over. Many remember teenage wonders such as “Boom Boom” Boris Becker—17 when he nabbed his first Wimbledon title—and Monica Seles, who by 19 had won eight Grand Slams. Some say the game has simply become more strength-based, disadvantaging lanky teens. Others blame money’s effects. With dieticians, physiotherapists and other gurus now a standard part of top players’ entourages, it’s hard for any youngsters without deep pockets to catch up.
Como praticante acidental, interessado no ténis e propenso a estabelecer padrões a partir da observação empírica, a explicação «the game has simply become more strength-based, disadvantaging lanky teens» pareceu-me simplesmente bullshit. Fiz um pequeno exercício e aqui ficam as conclusões.
Os cinco primeiros do ranking ATP: idades, alturas e pesos, médias e lankiness (um índice que acabei de inventar = altura em cm / peso em Kg)
1 Murray 30 anos 1,91m 84kg
2 Nadal 31 anos 1,85m 85kg
3 Wawrinka 32 anos 1,83m 81kg
4 Djokovic 30 anos 1,88m 77kg
5 Federer 35 anos 1,85m 85kg
Média 31,6 anos 1,86m 82,4kg
Lankiness 2,25
Os cinco seguintes com menos de 22 anos: os mesmos dados
12 Zeverev 20 anos 1,98m 86kg
20 Kirgios 22 anos 1,93m 85kg
34 Khachanov 21 anos 1,98m 88kg
49 Medcedev 21 anos 1,98m 82kg
50 Edmund 22 anos 1,88m 83kg
Média 21,2 anos 1,95m 84,8kg
Lankiness 2,30
Da diferença de idades de 10 anos resulta uma diferença irrelevante de 0,05 de Lankiness.
Em conclusão, no melhor pano cai a nódoa e os factos alternativos infectam todos os mídia, em coisas inócuas como esta e especialmente em outras menos inócuas.
Grey, set and match: tennis
As Wimbledon kicked off this week, all eyes were on the sport’s “Big Four”. Will Roger Federer, the oldest of the pack at 35, win his eighth title? Or will the champion be Andy Murray (30), Rafael Nadal (31) or Novak Djokovic (30)? The men’s top-40 list has never been so aged: more than half are in their thirties and there is not a single teenager. At Wimbledon last year a record 49 players in the men’s singles were 30 or over. Many remember teenage wonders such as “Boom Boom” Boris Becker—17 when he nabbed his first Wimbledon title—and Monica Seles, who by 19 had won eight Grand Slams. Some say the game has simply become more strength-based, disadvantaging lanky teens. Others blame money’s effects. With dieticians, physiotherapists and other gurus now a standard part of top players’ entourages, it’s hard for any youngsters without deep pockets to catch up.
Como praticante acidental, interessado no ténis e propenso a estabelecer padrões a partir da observação empírica, a explicação «the game has simply become more strength-based, disadvantaging lanky teens» pareceu-me simplesmente bullshit. Fiz um pequeno exercício e aqui ficam as conclusões.
Os cinco primeiros do ranking ATP: idades, alturas e pesos, médias e lankiness (um índice que acabei de inventar = altura em cm / peso em Kg)
1 Murray 30 anos 1,91m 84kg
2 Nadal 31 anos 1,85m 85kg
3 Wawrinka 32 anos 1,83m 81kg
4 Djokovic 30 anos 1,88m 77kg
5 Federer 35 anos 1,85m 85kg
Média 31,6 anos 1,86m 82,4kg
Lankiness 2,25
Os cinco seguintes com menos de 22 anos: os mesmos dados
12 Zeverev 20 anos 1,98m 86kg
20 Kirgios 22 anos 1,93m 85kg
34 Khachanov 21 anos 1,98m 88kg
49 Medcedev 21 anos 1,98m 82kg
50 Edmund 22 anos 1,88m 83kg
Média 21,2 anos 1,95m 84,8kg
Lankiness 2,30
Da diferença de idades de 10 anos resulta uma diferença irrelevante de 0,05 de Lankiness.
Em conclusão, no melhor pano cai a nódoa e os factos alternativos infectam todos os mídia, em coisas inócuas como esta e especialmente em outras menos inócuas.
14/07/2017
A propósito das trafulhices
«Truth is the glue that holds government together. Compromise is the oil that makes governments go» disse Gerald Ford em 1973 perante a Câmara dos Representantes.
Este governo produz óleo de sobra para lubrificar as engrenagens da geringonça. O que lhe falta em absoluto é a cola da verdade. Se Ford tivesse razão, este governo desconjuntar-se-ia a breve trecho. Teremos que adicionar a Ford umas pitadas de Oscar Wilde: «The truth is rarely pure and never simple» e não esquecer que a verdade, ainda que impura e complexa, não é muito apreciada por estas bandas desde que haja óleo suficiente.
A mentira como política oficial (35) - A arte menor de enganar quem quer ser enganado
«É sem dúvida de mestre da política (menos da democracia e da transparência) ter concretizado a política orçamental dessa forma, dando aos cortes a designação de “cativação”. Compreende-se que só assim o Governo conseguiria, ao mesmo tempo, o que parecia uma missão impossível: ter a aprovação de Bruxelas e do PCP, do Bloco de Esquerda e do PEV. Casar os contrários.
António Costa não lhes podia dizer o que ia fazer e eles, mesmo sabendo, tinham de fingir que não sabiam que os serviços públicos estavam a ser colocados a “pão e água”, para que pudessem dizer que a austeridade acabou porque se repuseram os salários da função pública e algumas pensões.
Levando em conta a qualidade de alguns deputados do PCP e do Bloco é impossível que não soubessem o que se estava a fazer. Sabiam e sabem. O PCP tem ainda razões acrescida para ter conhecimento antecipado de que as cativações se tinham transformado em cortes efectivos, que os serviços estavam sem recursos para trabalhar. Porquê? Por causa da sua ligação aos sindicatos da função pública. Souberam e sabem que foi à custa dos serviços públicos prestados aos cidadãos que conseguiram dizer alto que obrigaram o Governo a repor salários. Assumiram uma atitude de “engana-me que eu preciso e gosto”.
António Costa não lhes podia dizer o que ia fazer e eles, mesmo sabendo, tinham de fingir que não sabiam que os serviços públicos estavam a ser colocados a “pão e água”, para que pudessem dizer que a austeridade acabou porque se repuseram os salários da função pública e algumas pensões.
Levando em conta a qualidade de alguns deputados do PCP e do Bloco é impossível que não soubessem o que se estava a fazer. Sabiam e sabem. O PCP tem ainda razões acrescida para ter conhecimento antecipado de que as cativações se tinham transformado em cortes efectivos, que os serviços estavam sem recursos para trabalhar. Porquê? Por causa da sua ligação aos sindicatos da função pública. Souberam e sabem que foi à custa dos serviços públicos prestados aos cidadãos que conseguiram dizer alto que obrigaram o Governo a repor salários. Assumiram uma atitude de “engana-me que eu preciso e gosto”.
¿Por qué no te callas? (20) - Vendendo a banha de cobra em S. Bento
«Partilho consigo os receios sobre a evolução da PT. Porque receio bastante que a forma irresponsável como foi feita aquela privatização, possamos vir a ter um novo caso Cimpor e um novo desmembramento que ponha em causa não só os postos de trabalho como o futuro da empresa.»
Disse Costa respondendo ao deputado comunista João Oliveira durante o debate do Estado na Nação. Tão ansiosamente se dispôs a engraxar o PCP que se esqueceu do que Henrique Monteiro lhe veio lembrar no Expresso Diário:
«A PT foi privatizada, na maioria do seu capital, em 1997, há 20 anos, era primeiro-ministro António Guterres, no XIII Governo Constitucional, quando o atual primeiro-ministro era secretário de Estado e depois ministro dos Assuntos Parlamentares. Caso Costa se referisse à perda da 'Golden Share' do Estado, tal deu-se formalmente, em Assembleia Geral da PT, em 2011, ainda o Governo de Passos Coelho não tinha um mês, porque a decisão estava tomada e imposta por Bruxelas desde o tempo do Governo de Sócrates. Por isso, só resta uma hipótese: O Dr. Costa estava a referir-se à saída de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro da PT, depois do desmoronamento do BES, da Ongoing e de Berardo ... Esta foi a razão por que a holding da PT teve de vender uma empresa (só a PT Portugal) onde dezenas de prateleiras políticas de todos os partidos estavam ao serviço de quem detinha o poder. Algo que corresponde a um lapso notável, para uma empresa que é privada há 20 anos, mas que clarifica o papel que a PT teve para os Governos de Sócrates - um papel muito amigo, de grande cumplicidade, envolvendo, claro, o BES. Acresce, que para desespero da tese de António Costa, a PT era da Oi, uma empresa brasileira que não vai lá muito bem. Digo desespero, porque ele comparou a situação à CIMPOR, comprada e essa sim desmantelada pelos brasileiros da Camargo Corrêa.»
Disse Costa respondendo ao deputado comunista João Oliveira durante o debate do Estado na Nação. Tão ansiosamente se dispôs a engraxar o PCP que se esqueceu do que Henrique Monteiro lhe veio lembrar no Expresso Diário:
«A PT foi privatizada, na maioria do seu capital, em 1997, há 20 anos, era primeiro-ministro António Guterres, no XIII Governo Constitucional, quando o atual primeiro-ministro era secretário de Estado e depois ministro dos Assuntos Parlamentares. Caso Costa se referisse à perda da 'Golden Share' do Estado, tal deu-se formalmente, em Assembleia Geral da PT, em 2011, ainda o Governo de Passos Coelho não tinha um mês, porque a decisão estava tomada e imposta por Bruxelas desde o tempo do Governo de Sócrates. Por isso, só resta uma hipótese: O Dr. Costa estava a referir-se à saída de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro da PT, depois do desmoronamento do BES, da Ongoing e de Berardo ... Esta foi a razão por que a holding da PT teve de vender uma empresa (só a PT Portugal) onde dezenas de prateleiras políticas de todos os partidos estavam ao serviço de quem detinha o poder. Algo que corresponde a um lapso notável, para uma empresa que é privada há 20 anos, mas que clarifica o papel que a PT teve para os Governos de Sócrates - um papel muito amigo, de grande cumplicidade, envolvendo, claro, o BES. Acresce, que para desespero da tese de António Costa, a PT era da Oi, uma empresa brasileira que não vai lá muito bem. Digo desespero, porque ele comparou a situação à CIMPOR, comprada e essa sim desmantelada pelos brasileiros da Camargo Corrêa.»
13/07/2017
CASE STUDY: Trumpologia (23) - Costuma chamar-se nepotismo
Mais trumpologia.
«The Trump clan: The perils of nepotism
America’s Founding Fathers might never have imagined a president’s child being eager to receive “sensitive information” about an opponent from a hostile foreign power, as Donald Trump junior was in 2016. But they knew the folly of hereditary rule. When citizens serve a bad president, patriotism may inspire them to protest or quit. But when a child serves a parent, fidelity to country vies with deeper loyalties, writes our American politics columnist.»
Andam por aí umas almas à procura no palheiro do Donald de agulhas com que possam costurar as suas mantas ideológicas, aparentemente à pala de Trump concitar os ódios de estimação de legiões imensas de tropas do politicamente correcto misturadas com a esquerdalhada (em parte confundem-se). Não é o meu caso que em nenhuma das minhas várias encarnações pensei que o inimigo do meu inimigo é necessariamente meu amigo.
«The Trump clan: The perils of nepotism
America’s Founding Fathers might never have imagined a president’s child being eager to receive “sensitive information” about an opponent from a hostile foreign power, as Donald Trump junior was in 2016. But they knew the folly of hereditary rule. When citizens serve a bad president, patriotism may inspire them to protest or quit. But when a child serves a parent, fidelity to country vies with deeper loyalties, writes our American politics columnist.»
Andam por aí umas almas à procura no palheiro do Donald de agulhas com que possam costurar as suas mantas ideológicas, aparentemente à pala de Trump concitar os ódios de estimação de legiões imensas de tropas do politicamente correcto misturadas com a esquerdalhada (em parte confundem-se). Não é o meu caso que em nenhuma das minhas várias encarnações pensei que o inimigo do meu inimigo é necessariamente meu amigo.
Etiquetas:
é muito para um homem só,
incorrigível,
nepotismo,
Tele-evangelismo,
trumpologia
AGRADECIMENTO a quem possa interessar
Venho por este meio manifestar o meu sincero agradecimento e a mais profunda gratidão:
A todos, o meu muito obrigado.
- aos cidadãos que retiraram do paiol de Tancos material de guerra obsoleto realizando o seu abate sem despesas para o Estado;
- ao ministro da Defesa que pela sua visão e clarividência deu instruções à tropa para facilitar o acesso a esses cidadãos;
- aos militares que executaram sem falhas o plano, retirando as rondas, desligando o sistema de alarme e mantendo os buracos na cerca.
A todos, o meu muito obrigado.
12/07/2017
BREIQUINGUE NIUZ: Lavado a jacto
Já estou ouvir a esquerdalhada, que se estava a babar com possível acusação a Temer (que seja, se tiver de ser), indignar-se com a "ditadura" da justiça.
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (159) - Eles não precisaram de ser pressionados
O relatório preliminar da comissão de inquérito (CPI) à Caixa e à sua gestão entre 2000 e 2016, redigido pelo deputado socialista Carlos Pereira, concluiu depois de ouvir 19 responsáveis políticos e ex-gestores que «as pressões para a aprovação de crédito de favor foram liminarmente afastadas por todos os responsáveis da empresa (Caixa) que marcaram presença na CPI».
Sem vasculhar no pântano do crédito concedido aos amigos do regime e às empresas do regimes durante décadas e limitando-se a ouvir os 19 apparatchiks do PS e do PSD todos eles comprometidos até ao tutano com o complexo político-empresarial socialista o que esperavam concluir? Esperavam que eles se acusassem de ter acedido às "sugestões" de financiamento dos elefantes brancos e das manobras do regime?
A CPI podia pelo menos ter tomado conhecimento do acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que concluiu que «os presentes autos têm por objeto a suspeita de que a CGD tem vindo a acumular, desde pelo menos meados da década de 2000, um conjunto de negócios consubstanciados em concessões de crédito, sem que as mesmas se revelassem colateralizadas por garantias bancárias adequadas aos montantes mutuados».
Ou podia também ter conhecido pelos jornais (ou, vá lá, ter lido este nosso post de 2009) do célebre caso do empréstimo da Caixa a Joe Berardo para comprar acções do BCP dando-as como colateral. Acções que passaram a não valer um caracol e por isso os bancos credores pediram a execução da colecção Berardo para tentarem recuperar alguma coisa da dívida de 500 milhões.
E, por falar em colecção Berardo, permitam-me recordar este outro nosso post de 2007 sobre o albergue dado pelos governos socialistas (os do PSD também não estão inocentes) às obras do Joe primeiro em Sintra e depois no CCB.
Sem vasculhar no pântano do crédito concedido aos amigos do regime e às empresas do regimes durante décadas e limitando-se a ouvir os 19 apparatchiks do PS e do PSD todos eles comprometidos até ao tutano com o complexo político-empresarial socialista o que esperavam concluir? Esperavam que eles se acusassem de ter acedido às "sugestões" de financiamento dos elefantes brancos e das manobras do regime?
A CPI podia pelo menos ter tomado conhecimento do acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que concluiu que «os presentes autos têm por objeto a suspeita de que a CGD tem vindo a acumular, desde pelo menos meados da década de 2000, um conjunto de negócios consubstanciados em concessões de crédito, sem que as mesmas se revelassem colateralizadas por garantias bancárias adequadas aos montantes mutuados».
Ou podia também ter conhecido pelos jornais (ou, vá lá, ter lido este nosso post de 2009) do célebre caso do empréstimo da Caixa a Joe Berardo para comprar acções do BCP dando-as como colateral. Acções que passaram a não valer um caracol e por isso os bancos credores pediram a execução da colecção Berardo para tentarem recuperar alguma coisa da dívida de 500 milhões.
E, por falar em colecção Berardo, permitam-me recordar este outro nosso post de 2007 sobre o albergue dado pelos governos socialistas (os do PSD também não estão inocentes) às obras do Joe primeiro em Sintra e depois no CCB.
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (15)
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| INE: Estatísticas do Comércio Internacional, Maio 2017 |
«O défice da balança comercial de bens situou-se em 1 438 milhões de euros em maio de 2017, o que representa um aumento de 503 milhões de euros face ao mês homólogo de 2016. Excluindo os Combustíveis e lubrificantes a balança comercial atingiu um saldo negativo de 1 074 milhões de euros, correspondente a um aumento de 344 milhões de euros em relação ao mesmo mês de 2016.»
No trimestre terminado em Maio relativamente ao período homólogo de 2016 as importações aumentaram 2.529 milhões de euros. Mais de metade deste valor são bens de consumo.
Felizmente, o aumento das exportações e o aumento do turismo permitirão manter positivo o saldo da balança comercial. Por muito que o governo da geringonça se enfeite com isso, teremos de agradecer o aumento das exportação à melhoria da conjuntura internacional e às medidas do governo anterior e o aumento do turismo ao Estado Islâmico. Oremos para que não tenhamos de agradecer ao governo da geringonça dar cabo das contas externas apesar disso.
Pro memoria (348) - O ilícito, o ilegal, ou não basta parecer sério. É preciso ser sério
«Continuo a considerar que não cometi um acto ilícito» disse Rocha Andrade, o SE dos Assuntos Fiscais que teve em cima da mesa um contencioso fiscal de 100 milhões com a Galp que o leva a passear para ver o Europeu 2016. A criatura está acompanhada nesta sua opinião por vários notáveis da comentadoria que consideraram outras coisas quando por cá andava outro governo.
Não sei se é um acto ilícito, mas parece não haver dúvidas que é um acto ilegal e, seja como for, também parece não haver dúvidas que num país civilizado a criatura ter-se-ia demitido imediatamente de motu proprio ou, se não, seria demitido pelo chefe. Mas o chefe Costa é sobretudo amigo e parceiro em trapalhadas. Ora leia-se o que escreveu no Expresso Diário Henrique Raposo num artigo com o título «A aia de António Costa».
«Como relembrou o jornalista Filipe Santos Costa no Expresso, o ministro António Costa e o secretário de estado Rocha Andrade adjudicaram o Siresp em 2006 quando tinham todas as cartas para extinguir o ruinoso negócio. Aliás, Costa e Rocha Andrade rasgaram o contrato original que vinha do governo Santana com base num parecer mais do que negativo da PGR. No entanto, renegociaram o Siresp nas bases técnicas e financeiras que se conhecem. Rocha Andrade volta a ser personagem no negócio dos Kamov, que é obscuro do princípio ao fim. Os Kamov foram contratados à Rússia (primeira perplexidade) e contra pareces técnicos (segunda perplexidade); os aparelhos foram entregues muito fora do prazo e "sob reserva" (terceira perplexidade). "Sob reserva" queria dizer que os aparelhos ainda não podiam funcionar - o que levou a nova espera de dois a t rês anos por aparelho. E aqui entra a quarta e derradeira perplexidade: apesar dos atrasos e falhas, apesar do consórcio já estai· em incumprimento, Rocha Andrade suavizou as penalizações da empresa (15% do valor possível) e aceitou pagai· mais cedo. No final deste festim de impunidade patrocinado por Costa, o Estado teve de alugar outros meios aéreos devido à inoperacionalidade dos Kamov, em 2007 tudo foi acelerado através de ajuste direto e a empresa criada por Costa para gerir os helicópteros (Empresa de Meios Aéreos) foi considerada pelo Tribunal de Contas como um exemplo de desperdício. Resta dizer que os Kamov continuam no chão, não voam.»
Não sei se é um acto ilícito, mas parece não haver dúvidas que é um acto ilegal e, seja como for, também parece não haver dúvidas que num país civilizado a criatura ter-se-ia demitido imediatamente de motu proprio ou, se não, seria demitido pelo chefe. Mas o chefe Costa é sobretudo amigo e parceiro em trapalhadas. Ora leia-se o que escreveu no Expresso Diário Henrique Raposo num artigo com o título «A aia de António Costa».
«Como relembrou o jornalista Filipe Santos Costa no Expresso, o ministro António Costa e o secretário de estado Rocha Andrade adjudicaram o Siresp em 2006 quando tinham todas as cartas para extinguir o ruinoso negócio. Aliás, Costa e Rocha Andrade rasgaram o contrato original que vinha do governo Santana com base num parecer mais do que negativo da PGR. No entanto, renegociaram o Siresp nas bases técnicas e financeiras que se conhecem. Rocha Andrade volta a ser personagem no negócio dos Kamov, que é obscuro do princípio ao fim. Os Kamov foram contratados à Rússia (primeira perplexidade) e contra pareces técnicos (segunda perplexidade); os aparelhos foram entregues muito fora do prazo e "sob reserva" (terceira perplexidade). "Sob reserva" queria dizer que os aparelhos ainda não podiam funcionar - o que levou a nova espera de dois a t rês anos por aparelho. E aqui entra a quarta e derradeira perplexidade: apesar dos atrasos e falhas, apesar do consórcio já estai· em incumprimento, Rocha Andrade suavizou as penalizações da empresa (15% do valor possível) e aceitou pagai· mais cedo. No final deste festim de impunidade patrocinado por Costa, o Estado teve de alugar outros meios aéreos devido à inoperacionalidade dos Kamov, em 2007 tudo foi acelerado através de ajuste direto e a empresa criada por Costa para gerir os helicópteros (Empresa de Meios Aéreos) foi considerada pelo Tribunal de Contas como um exemplo de desperdício. Resta dizer que os Kamov continuam no chão, não voam.»
11/07/2017
Mitos (258) - Os baixos salários chineses estão roubar postos de trabalho nos EU (e na UE)
«One of Donald Trump's frequent claims is that China has been "stealing" US manufacturing jobs, with low wages and poor conditions giving Chinese firms an unfair advantage. Recent analysis by The Economist intelligence Unit shows that, in fact, the days of Chinese wages being low are long gone. A shrinking workforce and fast productivity growth has meant that average monthly wages in China are now higher than in almost every country in Latin America and surpass those in a number of EU countries as well. Anyone who talks to people with operations in China won't be surprised: rapidly rising wages are a common business challenge.»
Simon Baptist, Chief Economist (The Economist)
Simon Baptist, Chief Economist (The Economist)
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DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Podemos sair de Tancos mas Tancos não sai de nós
«Mas faltava muito mais em Tancos. Faltava uma país que assuma as suas Forças Armadas. A memória da guerra em África, a que se seguiu a agitação revolucionária do PREC, levou a que os portugueses tivessem assistido quase com alívio à transformação das suas Forças Armadas num agrupamento com fardas bonitas e bandas que tocam nos dias de festa ou nas manifestações a favor da Venezuela mas que pelo menos no fim do dia regressam a casa ou ao quartel. Os militares ou boa parte deles também não se deram mal com este papel de figurantes ilustres nas celebrações do regime.
E obviamente em Tancos faltou também uma opinião pública que não comece a titubear ao primeiro espirro dos auto-denominados pacifistas. Vamos lá ser honestos: se um dos soldados da patrulha tivesse atirado sobre os outros não estaríamos agora a defender patrulhas com armas sem munições? E não estaríamos indignadíssimos com a patrulha se os militares que faziam a ronda em Tancos por acaso tivessem conseguido tirar um dos dois carregadores que levavam à cinta, deslacrá-lo, colocá-lo na arma e finalmente disparar sobre um assaltante que os seus familiares, os seus advogados e três jornalistas de causas afiançavam ser apenas um ornitólogo ou um invocador dos espíritos telúricos em prol da harmonia universal? (...)
Em Tancos confrontámo-nos com o vexame da irresponsabilidade. Mas isso só aconteceu porque há anos que andamos a fugir do peso da responsabilidade.
Tancos somos nós.»
A patrulha e a banda, Helena Matos no Observador
Há um pequeno problema: nós podemos sair de Tancos mas não está a ser fácil tirar Tancos dentro de nós. Muito menos com estas elites merdosas que nos cavalgam. O que nos conduz a outro pequeno problema: estas elites não vieram de Marte, pois não?
E obviamente em Tancos faltou também uma opinião pública que não comece a titubear ao primeiro espirro dos auto-denominados pacifistas. Vamos lá ser honestos: se um dos soldados da patrulha tivesse atirado sobre os outros não estaríamos agora a defender patrulhas com armas sem munições? E não estaríamos indignadíssimos com a patrulha se os militares que faziam a ronda em Tancos por acaso tivessem conseguido tirar um dos dois carregadores que levavam à cinta, deslacrá-lo, colocá-lo na arma e finalmente disparar sobre um assaltante que os seus familiares, os seus advogados e três jornalistas de causas afiançavam ser apenas um ornitólogo ou um invocador dos espíritos telúricos em prol da harmonia universal? (...)
Em Tancos confrontámo-nos com o vexame da irresponsabilidade. Mas isso só aconteceu porque há anos que andamos a fugir do peso da responsabilidade.
Tancos somos nós.»
A patrulha e a banda, Helena Matos no Observador
Há um pequeno problema: nós podemos sair de Tancos mas não está a ser fácil tirar Tancos dentro de nós. Muito menos com estas elites merdosas que nos cavalgam. O que nos conduz a outro pequeno problema: estas elites não vieram de Marte, pois não?
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