Plano de Recuperação? Consider it done
A execução pelo governo do Dr. Costa do Plano de Recuperação do outro Dr. Costa, está condenada ao sucesso. Como, perguntareis vós, se o Dr. Costa ainda andava às voltas com a sua Agenda para a Década, entretanto perdida?
Por uma única e boa razão. Segundo o Plano de Recuperação, os problemas de Portugal resultam das «vulnerabilidades do modelo de desenvolvimento económico e social vigente nomeadamente o erro estratégico inerente à visão neoliberal do mundo que minimiza o papel do Estado e exalta o mercado».
Como no Portugal dos Pequeninos, o país da União Europeia mais colectivista e avesso à concorrência e aos mercados, o modelo neoliberal só existe para fins de retórica e agitprop, o Dr. Costa não precisa de mover um dedo para eliminar essas vulnerabilidades e em breve recuperaremos uma a uma as posições no ranking europeu e deixaremos para trás as vítimas da queda do império soviético que nos têm vindo a atropelar. Ó Irlanda infectada pela visão neoliberal, nós, os melhores dos melhores, que em 25 anos passámos de 75% para 41% do vosso PIB per capita ppp, vamos a caminho de vos ultrapassar sob a liderança esclarecida do Dr. Costa e de S. Exª.
Bazuca de Merkel-von der Leyen? Consider it done
Já se ouvem os euros a rolar de Bruxelas para o governo os torrar no hidrogénio e nos outros elefantes brancos? Ainda não. É preciso esperar algum tempo e a ratificação pelos órgãos legislativos dos 27 países - 41 ratificações entre câmaras altas e câmaras baixas. É um desafio ao talento do Dr. Costa para o ilusionismo até que chegue o "envelope financeiro" e ao seu igual talento para o torrar o conteúdo do envelope, talento já demonstrado com o honroso sexto lugar na melhor taxa de torrefacção dos fundos europeus.
Mestres do ilusionismo
No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito. Domingues, um banqueiro para todas as estações
Lembram-se do Dr. António Domingues? Foi o prometido presidente da Caixa, criatura que em parelha com o seu criador Dr. Centeno se enredou em tanta trapalhada que acabou a demitir-se sem mesmo ter sido nomeado (ver os posts «Atirar areia para a cara das pessoas»). Aparece agora na privatização da Efacec. De que lado, perguntareis? Dos dois: como presidente da comissão de auditoria da Efacec e como administrador do Haitong Bank, a nova encarnação do BESI do GES, comprado pelos chineses.



