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09/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (continua).

Ao contrário do que se poderia distraidamente supor, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade. Já o tratei várias vezes antes e durante a vida do Impertinências e volto agora, prometendo continuar este tema tão estimulante.

Em 13 de Março de 2002, deu entrada no Tribunal Constitucional o requerimento de constituição dum novo partido político baptizado de Movimento pelo Doente. Pelo que veremos de seguida arrisca-se a ser um partido maioritário.

Há um ano o ministro Bagão Félix estimava que, a média diária de faltas por doença fosse 410.000, ou 7,6% da população "activa".

No final do ano passado, citei aqui um estudo da Fundação de Ciência e Tecnologia apontando 36% das crianças portuguesas entre os 7 e os 9 anos com excesso de peso e um relatório do Eurobarómetro referindo que 38% dos portugueses sofrem de reumatismo ou artrite, 22% de hipertensão e 10% de diabetes.

Em relação à hipertensão, o número apontado há dias pelo Portugal Diário era de 4 milhões de portugueses hipertensos, ou seja 40% da população residente e não já os 22% do Eurobarómetro. Mais 1,8 milhões de hipertensos em 6 meses? Talvez não seja um exagero, considerado o estado funesto em que se encontra a alma portuguesa. Se não forem hipertensos, serão hipertesos, a quem os bancos, mais cedo do que tarde, aumentarão a pressão arterial.

Se a hipertensão não fosse suficiente para nos afligir, ficámos a saber pelo suplemento Saúde de O Independente da passada sexta-feira que temos entre 15 a 20.000 doentes de Parkinson. O que também só surpreende os distraídos – basta olhar para os nossos políticos gerontes.
(Work in progress)

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