Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

10/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 66a)

Canários na mina de carvão

[Recordo que nas minas de carvão se usavam canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]

Aparentemente está tudo a correr bem na mina. Até uma jornalista íntegra e profissional como Helena Garrido, não sente o cheiro do metano (o monóxido de carbono não tem odor). Estamos a crescer, o desemprego é historicamente baixo, os salários crescem acima da inflação, a dívida pública continua a diminuir e as contas públicas estão equilibradas e, cereja no topo do bolo, a Fitch subiu a notação de A para A+. Até poderia ter celebrado a redução do défice da balança comercial de bens (como este jornal) e não o fez, eventualmente porque olhou para o comportamento do conta corrente e viu esta evolução da balança corrente

Trading Economics

Depois vêm as más notícias. A pior de todas é que a produtividade do trabalho – o indicador crucial que reflecte a capacidade do país criar riqueza – é a quarta mais baixa da UE e voltou a cair no 2.º trimestre

Expresso

A segunda pior é que, se é certo que a dívida pública tem vindo a diminuir, tudo aponta para os juros irem aumentar, como as pessoas mais atentas já perceberam (A subida dos juros vai doer, O acerto de contas chegou) e os mercados já anteciparam, e mostram as yields da dívida colocada nos últimos dias que aumentaram face à últimas emissões 29 (prazos 8,7 e 3,4 anos) e 55 (prazo 8 anos) pontos base. (fonte)

Com o metano a vazar na mina, a gerência acende uma fogueira para aquecer os mineiros

E o que faz o governo para mitigar os riscos externos e internos que ameaçam a economia portuguesa? Ora, faz o que sabe fazer. Em plena orgia de oratória, a propósito das trapalhadas do Dr. Neves, o Dr. Montenegro anuncia o bodo aos pobres com uma descida de IRS e uma gratificação de Natal aos pensionistas. Isto é coisa de pobres com pouca vergonha, o Sr. Trump, que é rico sem vergonha, prometeu USD 5.000 a cada adulto se o seu partido ganhar as eleições intercalares.

09/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Coisas que me assombram (1)

O mesmo Ministério Público que correu a abrir um inquérito aos atrasos na digitalização dos exames do secundário empurrou durante semanas com a barriga para a frente a abertura do inquérito às trapalhadas do Dr. Neves. E, tanto quanto se saiba, não foi por pensar que as trapalhadas do tanque-piscina, das obras de 15 mil euros e das outras miudezas, todas por junto, não valeriam o esforço de uma Justiça caquética que anda há mais de uma década a investigar e julgar o Sr. Eng. Sócrates e a sua golpada, a maior desde Alves dos Reis (com um apartamento em Paris em vez de um banco comercial).

Coisas que me assombram (2)

A mesma Inspeção Geral das Atividades em Saúde que abriu uma investigação ao Hospital Garcia de Orta, reconhecido como um dos hospitais onde faltam obstetras, por ter fechado a consulta de IVG (o nome woke de aborto), não se deu ao trabalho de investigar o que se passou com um doente crónico de 70 anos com sinais de AVC que só foi observado 23 horas depois de ter entrado no Hospital Amadora-Sintra com pulseira amarela (atendimento máximo em 1 hora).

Coisas que me assombram (3)

(3a) Para que precisa uma urgência pediátrica de um hospital, na circunstância, o de Dona Estefânia, de 9 (nove) chefes e 
(3b) por que se demitem en masse os 9 (nove) chefes «exclusivamente» das «funções de coordenação e chefia», isto é, das funções para as quais foram nomeados chefes. (fonte)

Governo e oposição encharcam-se em gasolina (alguém poderia acender um fósforo?)

O aumento do preços dos combustíveis é provavelmente uma das poucas coisas sobre as quais governo e oposição nada podem fazer, para além de obrigar os contribuintes a pagar mais impostos para terem combustíveis uns cêntimos mais baratos. Pois é precisamente um dos temas em que o governo e a oposição socialista mais se têm engalfinhado, a propósito do dinheiro que o governo do Dr. Montenegro estaria a ganhar «à custa do sacrifício dos portugueses» e do dinheiro que o governo do Dr. Costa «se fartou de ganhar dinheiro à custa da subida dos preços» (ver aqui um sumário da discussão mais estúpida desde Dona Maria II). É uma mistura inextricável de desfaçatez e ignorância.

O desastre de uma década de políticas educacionais woke e a lei de Merton

Não deveria ter surpreendido ninguém, mas, como sempre, neste Reino de Pacheco nunca se antecipam as consequências do que se faz. Os resultados do PISA 2025 (o Programa Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, trienal, para avaliação do desempenho escolar, realizado desde 2000) caíram como uma bomba. Um recuo de duas décadas no desempenho em Leitura e Matemática.

O Dr. João Costa o último dos ministros de Educação do Dr. Costa mostrou o máximo de seriedade que se pode esperar de um ministro socialista e disse que «não descarta responsabilidades» e remeteu as soluções para «os países [se sentarem] à mesa», se fosse religioso, invocaria o Espírito Santo.

Não vou desenvolver a coisa (o outro contribuinte diz que vai escrever um post sobre esta desgraça educacional e outras) e apenas saliento mais uma aplicação da lei de Merton ou das consequências indesejadas: o facilitismo foi um dos álibis do woke para proteger os pobres e não é que o PISA 2025 revela que os alunos pobres estão quatro anos atrasados em relação aos outros…
 
(Continua)

08/09/2026

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (82) - "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina" (II)

Outros portugueses no topo do mundo. Outro "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina"

O ano passado, seis escolas de gestão portuguesas atingiram boas posições no ranking mundial do Financial Times de formação de executivos. Este ano, cinco dessas seis escolas (menos a FEP) foram classificadas no ranking Masters in Management 2026 do FT

Financial Times

Tem de se concordar que, para um Portugal dos Pequeninos representando 0,13% da população e 0,28% do PIB nominal mundial, não é coisa pouca ter 5 mestrados em gestão entre os 100 melhores. 

Esse resultado é atingido por um país em que as empresas estão longe de ser um modelo de gestão (com aquelas notáveis excepções que se contam pelos dedos das mãos ou, vá lá, com benevolência, pelos dedos das mãos e dos pés) e a administração pública é o locus privilegiado da incompetência de gestão. Não encontro, por isso, outra explicação além da de George Bernard Shaw «Those who can, do; those who can’t, teach». Com esta ironia não pretende diminuir o mérito de umas dezenas de profs que, ao arrepio do conformismo endémico, não se rendem à cacistocracia dominante.

06/09/2026

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (13) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (IX)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12)

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As projecções de Luís Portugal, que conhece bem o tema, num cenário razoavelmente optimista, confirmam que os 42 mil milhões do FEFSS cobrem cerca de um quarto das responsabilidades da Segurança Social por pensões e não dão para mandar cantar um cego, como dizia minha avó. Se adicionarmos as responsabilidades da CGA, que há anos não tem contribuições e é financiada pelo OE, o buraco assume profundidades abissais, como aqui andamos há mais de duas décadas a escrever (ver etiqueta pensões).

04/09/2026

ARTIGO DEFUNTO: Ranking Mais Idiota do Ano (2)

Pela segunda vez (a primeira foi o ano passado), o (Im)pertinências escolhe o Ranking mais Idiota do Ano e concede a Taça ao Jornal de Negócios.


30 dos 50 mais poderosos segundo o Jornal de Negócios

Alguns destaques:
  • A presença de Mr. Trump, Mme Lagarde, Frau von der Leyen, camarada Xi Jinping e Monsieur Macron, todos estes últimos menos poderosos do que o Dr. Montenegro, dá um cunho planetário ao ranking; 
  • A presença no 2.º lugar do Dr. Macedo mostra bem como a banca pública nacional tem um papel de relevo na galáxia das finanças;
  • Há pequenas coisas que muito reconfortam o ego patriótico e, entre elas, destaca-se a Dr.ª Azevedo, que, ao preceder o camarada Xi, evidencia o papel dos supermercados Continente no panorama internacional; 
  • É, por assim dizer, mais um exemplo de como os portugueses estão no topo do mundo.

02/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 65a)

«Funcionamento irregular da instituições»?

O Dr. Adalberto Campos Fernandes, socialista e ministro da Saúde do Dr. Costa, durante três anos de que não há memória de ter apontado “irregularidades”, e conselheiro do Presidente da República, diz, a propósito das trapalhadas miúdas de que é acusado o Dr. Luís Neves, haver «sinais muito preocupantes que indiciam materialmente um funcionamento irregular das instituições». Teria o Dr. Adalberto toda a razão se as instituições do Estado sucial lusitano tivessem por hábito funcionar “regularmente”. Como o que é regular nas instituições durante governações como as do Eng. Sócrates ou do Dr. Costa são as irregularidades, o Dr. Adalberto deveria ter dito algo como «há sinais muito preocupantes que indiciam materialmente o funcionamento regular das instituições».

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais (2)

Está por explicar (para além da explicação para retardados que o governo deu) o racional do governo para comprar uma participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão. O silêncio do governo foi preenchido pelo cacarejar de vozes “liberais” em protesto pela intervenção do governo numa empresa privada, apenas interrompido por um comentário com pés e cabeça do Eng. Mira Amaral, concorde-se ou não.

E assim se evita a «hecatombe social» prenunciada pelo Dr. Dominguinhos

Perante a proximidade do fim do PRR e o atraso para aplicar os respectivos dinheiros da bazuca, o Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento, alertou que «se a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social». O ministro da Economia ouviu o apelo e garantiu que não haveria devolução. Pelo contrário, haveria complementação pelo OE 2027 que financiará todos os projectos em “conclusão substancial” no final de Agosto, seja lá o que isso for. Os bafejados pelo anúncio suspiraram de alívio e os contribuintes que o pagarão não deram por nada.

Canários na mina

Primeiro os trinados: puxado pelas exportações, o PIB cresceu 2,5% em termos homólogos no 2.º trimestre e 0,8% face ao 1.º trimestre (INE). É poucochinho, diria o Dr. Costa se ainda por cá andasse.

Depois os pios: a inflação foi 3,3% em Agosto pelo que a variação média nos últimos 12 meses subiu para 2,7% (INE); o endividamento da economia aumentou 39,6 mil milhões no primeiro semestre de 2026, com o sector público a subir 22,6 mil milhões, a dívida das empresas privadas a crescer 4,2% e a dos particulares 9,9%, em termos homólogos (BdP); os yields da dívida pública portuguesa atingem máximos de 5 anos.

Trading Economics

A estes pios dos canários junta-se o grasnar da CE que faz um prognóstico baseado nas novas regras orçamentais para o crescimento da despesa pública que em Portugal se prevê seja 5,6% em 2026, acima do limite de 5,1%, e em 2027 atinja 5,5%, muito acima do limite de 1,2%, por força do crescimento da despesa corrente (mais liberdade).

01/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan (1). Os lucros caem ou os prejuízos sobem. Isso é uma constante. Variáveis são as causas

A TAP acabou de anunciar os resultados do 1.º semestre, que foram perdas de 71 milhões atribuídas ao aumento do preços do jet fuel. O aumento dos preços dos combustíveis, devido à guerra de estimação do Sr. Trump com os aiatolás, explica 89 milhões e o aumento dos custos com pessoal explica 36 milhões. Se os preços do combustível se tivessem mantido constantes, ainda assim, a TAP teria tido um resultado medíocre de 18 milhões, face aos mais de 2 mil milhões de receitas do semestre, resultado que se segue a uma queda dos lucros de 70% em 2024 e de 90% em 2025. Enfim, trocos face aos 3.340 milhões de euros de subsídios lá enterrados.

Take Another Plan (2). Para os socialistas, no perder é que está o ganho ou a maldição da tabuada

O Dr. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS (3.340 milhões). Se o Dr. Brilhante soubesse a tabuada, teria concluído que entre 2016 e 2025 a TAP apresentou perdas em 2016 e entre 2018 e 2021, totalizando 1.481 milhões, e lucros nos restantes anos, totalizando 321 milhões. Ou seja, apresentou no conjunto desses anos, incluindo o 1.º semestre de 2026, prejuízos líquidos de 1.231 milhões que consumiram 37% dos subsídios lá torrados.

Que o Dr. Brilhante possa ter escrito isso sem que a comentadoria deste Reino de Pacheco tenha feito o menor reparo aos disparates do Bloco Central da Asneira, não chega a ser surpreendente (Camilo Lourenço fez o reparo, mas não faz parte do Reino de Pacheco), dá uma medida da indigência mental dos comentadores encartados.

No Portugal dos Pequeninos o lucro empresarial é um pecado tolerado - desde que seja pouco

mais liberdade

Que apenas durante o período da crise financeira de 2012-2018 as empresas portuguesas tenham tido margens de lucro superiores à média dos 38 países da OCDE é mais difícil de explicar do que a queda das margens nas últimas décadas.

A China aposta na alta tecnologia portuguesa

O investimento directo estrangeiro não é grande coisa e também não é animador o capital chinês acreditar na "tecnologia avançada" da indústria portuguesa e ir investir 30 milhões numa fábrica de fiação a húmido de linho e cânhamo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… destacar alguns polícias dos pantagruélicos efectivos policiais do Portugal dos Pequeninos - o quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes -, para policiar a linha de alta velocidade Évora-Elvas, onde já se queimaram 460 milhões e continua sem ser certificada, devido aos furtos de equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações.

(Continua)

30/08/2026

Os equívocos do Programa "Mais Habitação", ou como tentar administrar uma medicação sem saber qual é a doença (15)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14)

Segundo o presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) terá financiado 31 mil casas até ao fim de Agosto.

mais liberdade

À primeira vista, parece um grande feito. À segunda vista, nem por isso. Desde logo, porque o PRR durou 5 anos e o contributo do maior programa de sempre que inundou o país com 22 mil milhões de euros (16,3 mil milhões de euros em subvenções e 5,6 mil milhões de euros de empréstimos) foi de pouco mais de 6 mil habitações por ano, o equivalente a menos de 40% da média anual de novas habitações na primeira década deste século. Depois, porque só metade das 31 mil habitações são novas, as restantes são reabilitação ou transformação de edifícios de serviços e industriais.

Se considerássemos o contributo do PRR para mitigar a carência de habitação uma notável realização em Portugal, como classificaríamos a realização de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia (menos de metade da população portuguesa) que cresceu de 1,3 milhões para 1,8 milhões em 2025 (cerca do triplo da população da cidade de Lisboa e mais de metade da população da área metropolitana de Lisboa) que há 10 anos enfrentava uma crise habitacional ? Talvez como um milagre.

O milagre consistiu em várias medidas, nomeadamente duas: foram fundidos oito órgãos locais e a cidade, entalada entre dois portos, começou a crescer em altura. Os resultados foram mais 100 mil habitações e uma queda de 25% dos preços

29/08/2026

Pro memoria (150) - In war, truth is the first casualty. There is currently a war in West Bank

 «Few, if any, security forces are as ruthlessly effective as Israel’s. Its military and intelligence services strike against enemies even at extreme distances. In the past couple of years alone Israel has assassinated dozens of opponents inside Iran, plus proxy militia leaders in Lebanon and Yemen. Israel’s martial capabilities earn respect even from its bitterest enemies.

Yet this superiority seems to count for little closer to home. Those same forces are responsible for a dire failure in the occupied West Bank, where violent Israeli settlers have been attacking Palestinian residents with increasing brutality. Settlers want to force Palestinians from their land and claim it for themselves.

Israel’s failure in the West Bank can hardly be put down to a lack of resources. The Israel Defence Forces (IDF) deploy 25 combat battalions there. Shin Bet, the powerful security agency, has networks of agents and informers throughout. But these are used mostly to protect the 500,000 or so Israeli settlers, and against the threat of terrorist attacks, not to assist the more than 3m Palestinians who live in the territory. This has largely been the case since Israel replaced Jordan as occupier of the West Bank in 1967.

What has changed is the behaviour of many “outlaw” settlers. Never before have they acted as violently as today. Crucially, never before have they enjoyed the impunity the current government gives them. Since the Hamas attack in October 2023, which triggered the war in Gaza, over 1,100 Palestinians have been killed in the West Bank. Only rarely does the IDF intervene against settlers. In Qusra, for example, an entire battalion was recently deployed against those who were invading Palestinian homes. But the soldiers found themselves fruitlessly chasing youngsters over the hills. Troops from another unit joined the settlers in prayers. No arrests were made.

The ineffectual response can be explained by the stance of Israel’s government. The IDF knows that Binyamin Netanyahu, the prime minister, sides squarely with the most extreme settlers. It appears that the IDF was dispatched to Qusra only after American diplomatic pressure which arose because an American citizen owns a home there.»

Israel is flirting with the next intifada

28/08/2026

Pro memoria (149) - In war, truth is the first casualty. There is currently no famine in Gaza

«Almost exactly a year ago to the day, my colleagues and I uncovered in The Free Press that a dozen of the most viral images presented as evidence of famine in Gaza in fact showed children with unrelated medical issues, including cystic fibrosis and autoimmune conditions.

The investigation earned me death threats, calls for me to be tried at The Hague, and jabs by a high-profile comedian on national TV—despite the fact that we’ve had to issue exactly zero corrections on our story. That wasn’t the case for three of the news organizations that had run the images, which either updated or corrected their work because of what we reported.

Our point was simply to tell readers that if there was a famine in Gaza, photographs of these children were not evidence of it.

What is indisputable today is that there is currently no famine in Gaza. That is the major finding from a UNICEF-led team that recently produced the most comprehensive and robust nutrition survey of Gaza since the war began. It found that, less than a year after a famine was declared in Gaza, the territory has one of the lowest malnutrition rates in the region. A recovery that swift is not just “miraculous,” in the words of a malnutrition researcher I spoke with—it raises questions in and of itself. Questions like: How can a war-torn territory go from famine to showing some of the lowest rates of child malnutrition in the region in less than a year?»

Olivia Reingold, The Free Press

27/08/2026

NPD. Confirmed diagnosis (3) - Dear devotees of Mr. Trump, you have been warned (several times)

Confirmed diagnosis (1), (2)

Moves that the enemies and adversaries of the US will enthusiastically applaud

Trump is at odds with his own administration—and with reality

«Trump on Friday (14) called on Americans to accept higher gasoline prices as the cost of preventing Iran from acquiring nuclear weapons. He posted this morning (18) that the “number one Goal is, and always will be, that Iran cannot have, in any way, shape, or form, a Nuclear Weapon”—even though his administration assessed before the war that Iran was not actively building weapons, even though the White House hasn’t offered any explanation for how the war will prevent the regime from restarting its weapons program, and even though the war may make Iran’s desire for a nuclear arsenal only more urgent. Meanwhile, Vice President Vance says that lowering fuel prices is actually now “goal No. 1” of the war. 
(...)
Meanwhile, Trump announced yesterday that he was curtailing joint military exercises with South Korea, “based on my very good relationship with Kim Jong Un, of North Korea.” »

Trump's current naval fixation

«Over the past nine years, Donald Trump has returned again and again to the concept of steam power. He loves the way that steam propels fighter jets off the decks of aircraft carriers, and he laments that the Navy has pivoted to electromagnetic launchers in its new ships. “That beautiful scene,” he rhapsodized at a rally in 2023: “That steam goes off, and that plane gets thrown the hell off; the power, beautiful. And it’s cheap!” 
(...)
Until last week, future ships were set to use electromagnetic propulsion too. But on Thursday, Trump ordered one of the Navy’s planned carriers, the USS Doris Miller, to be outfitted with steam catapults instead.

It’s a potential logistical nightmare.»


«The Trump administration has proposed a more than $100,000 fee for H-1B visa applications for skilled foreign workers, a policy that the president introduced last year but had been blocked by a federal judge.

President Donald Trump first proposed payments of $100,000 as a presidential proclamation in September 2025 in an effort to prioritize American workers, and overhaul the H-1B program that allows companies and organizations to hire foreign workers for specialized, high-skill roles.»

26/08/2026

Non habebis in sacculo diversa pondera maius et minus (Deuteronomium 25:13)

«Algo incrível aconteceu: o Irã tentou matar um dos meus filhos», disse o primeiro-ministro israelita  Benjamin Netanyahu em entrevista ao Canal 14.

Certamente por modéstia, Netanyahu não mencionou o ataque que ordenou à força aérea israelita para eliminar o aiatolá Ali Khamenei, a sua mulher, uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses.

Num registo mais banal, o Dr. Eduardo Cabrita, amigo do peito do Dr. Costa e seu ministro da Administração Interna durante quatro anos, acusou o Dr. Montenegro de «degradar completamente os padrões éticos da governação” — e criou um “padrão Spinumviva».

Talvez por esquecimento, o Dr. Cabrita não mencionou os "padrões" marido e mulher no mesmo governo,  golas de proteção antifumo feitas com material inflamável, atropelamento a 200 km/h pelo carro onde viajava, homicídio pelo SEF de um imigrante ucraniano, entre muitos outros "padrões" ocorridos durante os governos do seu amigo Dr. Costa.

25/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 64a)

A insustentável leveza da insegurança sucial. No fim do dia ninguém quer mexer no ninho de vespas

O relatório "Reformar as Pensões em Portugal" agora tornado público não contém nada que devesse surpreender alguém razoavelmente informado sobre o sistema português de segurança social. No que respeita ao diagnóstico, poderia dizer-se que é em grande parte do domínio do óbvio ululante, como teria dito Nelson Rodrigues, se por acaso ainda vivesse e se interessasse pelo tema. O óbvio mais ululante é sem dúvida a constatação de que a CGA, o subsistema dos funcionários públicos, é há vários anos deficitário e o montante do seu défice é suficiente para tornar deficitário o sistema no seu conjunto. Quanto às soluções propostas, que naturalmente são discutíveis, não têm nada de muito diferente do que são as soluções já existentes nos países da UE em que o pensamento mágico já foi abandonado.

Sem nenhuma surpresa, os partidos e o comentariado residente baseados no princípio «if it ain't broke, don't fix it» não veem qualquer necessidade de mexer na coisa. Se não estivéssemos no Portugal dos Pequeninos com elites que disputam o campeonato das elites mais merdosas do planeta, isso poderia parecer estranho, sabendo-se que o próprio governo socialista apresentou à CE dados publicados no 2024 Ageing Report que mostram a pensão média a cair de pouco mais de metade do salário médio em 2022 para pouco mais de um terço nos 50 anos seguintes.

A reacção dos líderes políticos ao relatório é o que se esperaria que fosse: o PSD chuta para canto, o PS, não vê qualquer necessidade, o PCP vê uma cabala para privatizar a coisa, o Dr. Ventura insiste em baixar a idade da reforma e o Dr. Seguro declara “sagradas” as pensões. É o que temos.

O chapéu do ministro esconde uma outra cabeça

O Dr. Miranda Sarmento é apenas mais um caso de um economista crítico do governo da ocasião, do qual não fazia parte, cheio de soluções e boas ideias, as quais distraidamente passou a escrito e publicou em 2023 num livro (“Crónicas de um País Estagnado”, com 250 páginas por 45,70€). Essas críticas, soluções alternativas e boas ideias, diz quem as leu, continuam actuais. Foi, pois, uma ideia infeliz porque, mais de dois anos depois do ministro se encontrar no governo, onde se esperaria que estivesse a resolver os problemas que identificou e a adoptar as soluções que preconizou, o livro continua actual.

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais

O governo decidiu comprar a participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão, detida pela Pontegadea Inversiones da família do Sr. Ortega, o dono da Zara, sem uma explicação para além da treta de esperar que isso possa reduzir o preço da electricidade. Podia ter explicado, mas não explicou, que a compra se justificaria para ter uma presença na gestão de uma rede estratégica por um operador que é controlado indirectamente por um governo de um império concorrente e adversário do bloco de que faz parte o Portugal dos Pequeninos, o que não seria uma razão estúpida.

Contra uma decisão muito discutível e, sobretudo, opaca, levantou-se um coro crítico quase unânime de vozes “liberais”, como a do Dr. Galamba, protestando pela intervenção do governo numa empresa privada.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não resolver «as pequenas coisas que, porventura, não correm tão bem»?

Por exemplo, publicar o relatório final do acidente do elevador da Glória, que fará um ano na próxima semana, ou dar instruções aos apparatchiks do Metro de Lisboa para mandarem reparar as escadas rolantes avariadas há anos.

24/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro esqueceu que o «menos bem» é o que o seu governo faz correr

Na missa do Pontal, onde os sumo pontífices em exercício do PS-D costumam todos os anos dirigir-se aos crentes para revigorar a sua fé, o Dr. Montenegro, queixou-se de que ninguém fala «das grandes coisas que estamos a fazer bem» e só falam «das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem», referindo-se implicitamente ao jornalismo e à comentadoria. Tem de se dar ao Dr. Montenegro alguma razão por muitos dos membros dessas agremiações praticarem o que o Dr. Ascenso Simões chamou com uma expressão colorida «chafurdar em coisas de merda». Por outro lado, tem de se conceder também ao jornalismo e à comentadoria razão de que as supostas «grandes coisas» devem-se tanto ao governo como à divina providência, ao passo que as pequenas coisas são as únicas em que o governo toma a seu cargo com escasso sucesso.

Por falar em coisas que se devem à divina providência

Até meio de Agosto a área de floresta ardida este ano é um quarto da área ardida em 2025. É tão verdade como os incêndios até meados de Junho de 2017, em pleno primeiro consolado do Dr. Costa, se terem portado muito bem antes da tragédia de Pedrógão Grande que fez 66 mortos, queimou 500 casas e 53 mil hectares de floresta.

Por falar em «pequenas coisas» que não correm bem

aqui anotámos o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil e anotamos agora que os Registos Comerciais têm mais de dois mil dias de atraso e o governo deixou de publicar os dados.

O Hospital Amadora-Sintra, que já teve uma gestão privada de sucesso (foi extinta a PPP pelo governo do Eng. Sócrates), apresentava na tarde da sexta-feira passada um tempo de espera dos doentes urgentes superior a 9 horas.

A renovação das cartas de condução pelo processo online criado no âmbito da "transição digital" está atrasada há vários meses. Deve aguardar que o Portugal dos Pequeninos suba ao pódio mundial da IA pela mão do Dr. Matias.

E por falar do colapso do SNS…

… como está o estudo aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e os cerca de 170 centros de saúde nessas áreas?

Onde param os dados do ranking das escolas?

Os dados do ranking de 2024 das escolas secundárias o ano passado foram publicados em Abril e tornaram possível o (Im)pertinências publicar em Setembro três posts com os resultados do tratamento estatístico e as conclusões: «O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário» (1), (2) e (3). Os dados do ranking, cada ano publicados com maior atraso, como aqui sublinha João Marôco, este ano estão ainda mais atrasados do que o costume, fazendo suspeitar de um expediente para adiar más notícias em cima da má notícia do atraso da publicação do resultados dos exames.

Ao querer sacudir o aumento dos combustíveis o governo deu um tiro no próprio pé

O relatório da ERSE pedido pelo governo não encontrou evidências de manipulação dos preços pelos produtores. Os preços têm evoluído em linha com os da UE e, em relação à Espanha, a principal diferença resulta dos impostos que em Portugal são mais 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.

(Continua)

22/08/2026

O mundo não é perfeito e não vai ser possível recolocar a pasta dentro da bisnaga

mais liberdade

A globalização reduziu a pobreza dos países pobres, foi sentida como uma ameaça e exacerbou o nativismo e o populismo das classes médias dos países ricos, a quem trampolineiros prometem recolocar a pasta dentro da bisnaga.

21/08/2026

Pro memoria (148) - See my leaps, don’t read my lips. The trumping way to Make the Debt Great Again

Trading Economics


«Maybe we'll pay off our $35 trillion dollars, hand them a little crypto check, right? We'll hand them a little bitcoin and wipe out our $35 trillion.»

August 2024, in a Fox Business interview

20/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: Segundo o jornalismo de causas, os salários médios deveriam ser o que o governo quisesse


Numa peça com o título estilo agitprop «Inflação devorou grande parte do aumento dos salários médios em 2026, a mesma jornalista do Expresso que escreveu as anteriores obtusidades usa o melhor da sua ciência para demonstrar o óbvio ululante de que o aumento nominal de 5,1% inclui uma inflação de 3,3% e, portanto, o aumento real foi só de 1,8%.

Poderia apresentar como desculpa para as suas obtusidades o suposto nobre propósito de desmontar as patetices chico-espertas do Dr. Castro Almeida nas jornadas parlamentares do PSD e do Dr. Montenegro na missa do Pontal que atribuíram ao governo a subida de 5,1% em 12 meses do salário médio, subida que, diria M de La Palice, resultou da média dos salários que as empresas tiveram de pagar para ter a mão-de-obra que precisaram num mercado de trabalho que é actualmente um sellers' market, com a particularidade de que os salários, ao contrário dos outros preços, não podem descer.

Poderia apresentar essa desculpa e poderia também ter percebido: (1) o governo tem menos influência no salário médio do que na construção do aeroporto Luís de Camões (60 anos) ou na inauguração do novo hospital de Lisboa (23 anos) e (2) um aumento real de 1,8% do salário médio é ainda assim notável quando (a) a produtividade do trabalho se manteve e (b) o aumento da população activa se fez sobretudo nas profissões menos qualificadas e com menores salários.

18/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: A "inclinação ideológica e política" das ciências actuariais, da estatística matemática, da econometria, da demografia, da macroeconomia e das finanças públicas

[Este post é uma espécie de continuação de Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira]

Cinco dias antes de ser conhecido o relatório sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, o semanário de reverência, no seu papel de órgão oficial do militante socialista anónimo, citava o PS que já classificava o relatório como «enviesado» e se declarava preocupado por o estudo ter sido coordenado por «duas pessoas que têm uma inclinação ideológica e política muito clara».

Fiquei confundido, sem perceber qual seria o papel da inclinação ideológica e política na avaliação da sustentabilidade financeira de um sistema público de pensões. Admiti que essa confusão se devesse a não estar iluminado pela ciência das jornalistas de causas que assinam o artigo (duas economistas portadoras de mestrados pelo ISEG e uma cientista da comunicação da equipa das Redes Sociais e Online). Vergado ao peso dessa ciência, resolvi pedir a um agente de IA para descrever um modelo teórico geral de repartição (Pay-As-You-Go ou PAYG), em que os trabalhadores activos financiam diretamente as pensões dos reformados do mesmo período. 

Eis a descrição do modelo que, surpreendentemente, não contém a variável inclinação ideológica e política.