[Recordo que nas minas de carvão se usavam canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]
Aparentemente está tudo a correr bem na mina. Até uma jornalista íntegra e profissional como Helena Garrido, não sente o cheiro do metano (o monóxido de carbono não tem odor). Estamos a crescer, o desemprego é historicamente baixo, os salários crescem acima da inflação, a dívida pública continua a diminuir e as contas públicas estão equilibradas e, cereja no topo do bolo, a Fitch subiu a notação de A para A+. Até poderia ter celebrado a redução do défice da balança comercial de bens (como este jornal) e não o fez, eventualmente porque olhou para o comportamento do conta corrente e viu esta evolução da balança corrente
| Trading Economics |
Depois vêm as más notícias. A pior de todas é que a produtividade do trabalho – o indicador crucial que reflecte a capacidade do país criar riqueza – é a quarta mais baixa da UE e voltou a cair no 2.º trimestre
| Expresso |
A segunda pior é que, se é certo que a dívida pública tem vindo a diminuir, tudo aponta para os juros irem aumentar, como as pessoas mais atentas já perceberam (A subida dos juros vai doer, O acerto de contas chegou) e os mercados já anteciparam, e mostram as yields da dívida colocada nos últimos dias que aumentaram face à últimas emissões 29 (prazos 8,7 e 3,4 anos) e 55 (prazo 8 anos) pontos base. (fonte)
Com o metano a vazar na mina, a gerência acende uma fogueira para aquecer os mineiros
E o que faz o governo para mitigar os riscos externos e internos que ameaçam a economia portuguesa? Ora, faz o que sabe fazer. Em plena orgia de oratória, a propósito das trapalhadas do Dr. Neves, o Dr. Montenegro anuncia o bodo aos pobres com uma descida de IRS e uma gratificação de Natal aos pensionistas. Isto é coisa de pobres com pouca vergonha, o Sr. Trump, que é rico sem vergonha, prometeu USD 5.000 a cada adulto se o seu partido ganhar as eleições intercalares.
