Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

21/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 72a)

Chrystal Clear. Part 2

Já aqui citei o aviso de Kristalina Georgieva aos governos sobre os riscos que a economia mundial enfrentará e da inevitável «orientação prudentemente restritiva na política monetária», com cortes das despesas públicas, redução da dívida pública e aumento das taxas de juro.

Agora o Fiscal Monitor da OCDE, cujo tema central (Taxing Better to Boost Growth) é em si uma mensagem aos governos dos países membros, a quem exorta a reduzir as distorções induzidas por impostos, preservando a receita total, repondo a neutralidade do IVA, melhorando o tratamento tributário dos custos de investimento, fortalecendo os incentivos ao trabalho e à inovação e os custos de conformidade para aumentar a produtividade. Não por acaso, em vão se procuram traços destes propósitos no OE 2027 do governo do Dr. Montenegro e também não é por acaso que o FMI não acredita em excedentes dos orçamentos futuros.

Coisas que saltam à vista no OE2027

Infografia (adaptada) do Expresso

Quando se olha para o diagrama acima, alguns números que nos assaltam:
  • A carga fiscal atingirá 125,5 mil milhões, o que corresponde a 36% do PIB nominal previsto para 2027 (em 2025 foi de 35,3%);
  • Um terço das receitas orçamentais (44,6 mil milhões) são contribuições sociais que na sua esmagadora maioria se destinam a financiar pensões futuras e que em grande parte irão ser torradas no presente;
  • O total das contribuições sociais (44,6 mil milhões) cobre menos de três quartos das prestações sociais – quem é que garantiu a sustentabilidade da segurança social?
  • As contribuições sociais só são ultrapassadas como fonte de receita pelos impostos sobre a produção e importação (IVA, na sua maior parte – 62%);
  • O Estado sucial aplicará menos de 10 mil milhões ou menos de 7% das suas despesas para investir no seu capital fixo.
De como o governo do Dr. Montenegro continua a circular na autoestrada mexicana do investimento público…

mais liberdade

Se o governo do Dr. Montenegro é um infortúnio, a oposição é uma desgraça. O berloquismo (1)

Da incompetência dos batalhões de apparatchiks e dos seus comandos resultam inevitavelmente erros, como o do pagamento de pensões mais elevadas do que as devidas pela lei a uns milhares de reformados, desta vez antigos apparatchiks recebendo pensões da CGA. Agora que o governo pretende, de acordo com a lei (princípio que até a DECO reconhece) o Berloque de Esquerda, uma agremiação em vias de extinção, agarra-se como um náufrago a uma boia e produz uma queixa de 43 (quarenta e três) páginas que o chefe da turma Dr. Pureza e o deputado sobrevivente entregaram na Procuradoria-Geral da República.

20/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O perigo amarelo. Portugal no topo do mundo

«O perigo amarelo» (Gelbe Gefahr) foi uma expressão popularizada pelo Kaiser Guilherme II em meados da década de 1890, depois da vitória do Japão na Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895. Desde então, tem servido, um pouco por todo o mundo, para justificar a discriminação em relação ao Japão e à China. Nos EUA, por exemplo, justificou o Chinese Exclusion Act de 1882 e na Segunda Guerra Mundial, o internamento forçado de japoneses residentes em campos de concentração.

Num país descapitalizado, por décadas a viver acima das posses, tem-se mostrado imune a tais preconceitos e tem acolhido com fervor e gratidão os capitais chineses. Tal como mostra o paper China's Global Ownership de Jennie Baie et al., que vem sendo citado na mídia portuguesa, o Portugal dos Pequeninos é o país com maior participação relativa do capital chinês.

Portugal quase no topo do mundo, noutra modalidade

Segundo o World Economic Outlook de outubro do FMI, o nosso Portugal dos Pequeninos, em três décadas, de 2001 a 2031, crescerá 41,6%, o que o faz o décimo país do mundo com menor crescimento nesse período, a seguir a nove países liderados por Porto Rico, que abrangem seis países em vias de subdesenvolvimento e três cansados de ser desenvolvidos, liderados pela Itália.

Take Another Plan. Percebe-se, ou é preciso fazer um desenho?

mais liberdade

É certo que a venda de 49,99% é bastante menos má do que manter o Estado sucial como accionista único e muito menos boa do que o Estado sucial vender a totalidade ou, vá lá, ficar com uma participação minoritária. O que não é certo, como por diversas vezes mostrei com contas elementares, é que de qualquer das opções de venda resulte a recuperação dos subsídios pagos à TAP com impostos dos contribuintes, como o gráfico acima mostra. É preço da governação socialista nas suas diversas modalidades, PS e PS-D. Já agora, veja-se o diagrama acima.

(Continua)

17/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71c)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 71b)

O futuro no Estado sucial é mais difícil de prever do que o passado na União Soviética (2)

No seguimento do que escrevi há dois dias, acrescento que o fundamento da projecção do governo no OE 2027 de um Fundo de Estabilização inesgotável que em 2070 atingiria 254 mil milhões de euros resulta de não terem sido consideradas as responsabilidades por pensões da Caixa Geral de Aposentações que financia as pensões dos funcionários públicos admitidos até 2005, actualmente 662 mil pensões. Das duas, uma, ou bem o governo adoptou a contabilidade pública criativa ou bem o governo não pretende pagar as pensões dos hóspedes da vaca marsupial pública.

A fantasia revela-se ainda mais perigosa quando se sabe que as reservas do FEFSS, na sua maioria, estão aplicadas em dívida pública e o aumento das taxas de juros está a corroer o valor de mercado das OT detidas pelo fundo, que, em 3 meses, se estima tenham perdido 1,3 mil milhões.

Tal como a redução da dívida pelo Dr. Costa foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas”, assim é a redução da dívida pelo Dr. Montenegro

Já aqui mostrámos as ajudas da inflação à redução da dívida pelo Dr. Costa e pelo Dr. Montenegro. Sabemos agora que a redução em 2025 de 1,6% para 87,5% do rácio da dívida bruta se deve essencialmente ao efeito de -2,6% da inflação, sem a qual o rácio aumentaria para 88,5%.

Terá o Dr. Montenegro copiado a agenda do Dr. Costa?

A compra de uma participação na REN talvez pudesse ter feito sentido se tivesse sido bem explicada. A compra de uma participação de 5% no BCP para fazer companhia aos 19,90% da Sonangol e aos 20,45% da Fosun, não faria nenhum e, por isso, espera-se que não se aplique ao desmentido do governo aquela regra prática de «não acredites em nada até ser desmentido»,

Canários na mina de carvão

Os sinais de austeridade assinalados pela Dra. Kristalina Georgieva já foram visíveis nos leilões das OT de 3.ª feira passada em que a yield a 10 anos atingiu 3,897%, o valor mais alto desde 2014, precisamente um ano em que tivemos a companhia da troika. Nota anedótica: o Negócio titula «França volta a castigar dívida nacional». O OE 2027, apesar da redução prevista do stock da dívida, prevê um aumento de 1.548 milhões de euros da despesa com juros.

O corte de 1/3 dos fundos europeus de 9,8 mil milhões para 6,6 mil milhões no próximo ano e o aumento da contribuição para o orçamento da OE, em cima de uma queda do crescimento do PIB de 2,3% para 2% em 2027, além de colocarem o excedente no domínio da fantasia, vão cortar 31% no investimento público, ainda antes da viagem, inspirada nos governos do PS, na autoestrada mexicana do investimento público.

16/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 71a)

Como acabar com a ansiedade entre os funcionários públicos. Uma reforma inadiável

Segundo os especialistas, os hóspedes da vaca marsupial pública sofrem de ansiedade. Os especialistas não descobriram a razão, no entanto, pelo que é conhecido, e pelo aumento constante do seu número, não será certamente por burnout devido ao excesso de trabalho ou pela pressão para melhorarem as performances. Resta a hipótese de ser a angústia dos tempos mortos.

A essa luz, ganha sentido que a Administração Regional dos Açores tenha lançado um projecto-piloto (lá está, outro projecto-piloto) de redução do trabalho semanal de 35 para 32 horas e de cinco para quatro dias que teve imenso sucesso, na senda de uma iniciativa em grande escala que reduziu o horário para as 35 horas, sem impacto orçamental, garantiu à época o Dr. Centeno, além do aumento das despesas de saúde para o dobro em meia dúzia de anos e das filas de espera nos hospitais.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Aguardando com ansiedade a redução para 32 horas e quatro dias estão os funcionários do SNS24 que no 1.º semestre atenderam 3,62 milhões de chamadas (3,11 milhões no mesmo semestre do ano passado), cujos “utentes” esperam em média 5 (cinco) vezes mais tempo do que no ano anterior, apesar do aumento do número “profissionais” de 3.700 para 5.400 e da introdução da IA - ou será por causa do aumento e da introdução? (Fonte) Feitas as contas, a coisa converte-se em 670 chamadas atendidas num semestre por cada “profissional”ou 5,6 por dia de trabalho numa semana de cinco dias ou ainda uma chamada atendida a cada hora e meia.

Enquanto não nos tornarmos «um líder mundial na IA» por que não…

Como explica o deputado do IL Carlos Guimarães Pinto, o aumento da validade do passaporte de 5 para 10 anos está há dois anos a ser estudado por um grupo de trabalho com uma dúzia de apparatchiks, em representação de igual número de áreas governamentais. Ó, Dr. Matias, ponha lá a IA a tratar disso.

Dizem, injustamente, que o governo do Dr. Montenegro não faz reformas. Tomai lá…

… nada mais injusto, a proposta de OE2027 prevê uma poupança de 107,5 milhões de euros de 2026 até 2029 da despesa resultante da reforma orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, ou seja, uma redução de 27 milhões em média por cada ano desse período, equivalente a 0,23% dos 11,5 mil milhões da despesa orçamentada para 2027. É obra! Bendita Pátria que tais governantes tem!

(Continua)

14/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan. Será a Luft tansa?

Parece que a Lufthansa irá comprar metade (49,9%) da TAP por 1.201 milhões, de modo que os 100% valeriam 2.407 milhões. Como os governos do PS sepultaram lá 3.340 milhões, as perdas entre 2016 e 2025 a TAP totalizaram 1.481 milhões e os lucros nesses anos foram de 321 milhões, incluindo o 1.º semestre de 2026, os prejuízos líquidos atingiram 1.231 milhões, montante que adicionado às injecções de capital totalizou 4.571 milhões que agora se concluiu valerem 2.407 milhões. Daqui resultaria que num país normal o líder parlamentar socialista, Dr. Eurico Brilhante Dias, que felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS, deveria pedir demissão com efeitos retroactivos à data em que produziu tal desconchavo.

Dito isto, a Endgültige Lösung für TAP (pun intended) podia ter sido pior. A cultura alemã de gestão empresarial, com todas as suas fraquezas, complementa e contém o avacalhamento gestionário lusíada e uma TAP luso-alemã poderá ser um operador rentável – na condição do governo não usar os seus 50,1% para fazer o que costumam fazer os governos portugueses.

Onde estava o Dr. Centeno durante a falência socrática do Estado sucial?

Possuído por uma ambição mal servida por talento e atacado por uma verborreia incontida, o Dr. Centeno desdobra-se em declarações faladas e escritas. Exemplo destas últimas foi o seu artigo com um título a puxar ao manifesto político («Montenegro destrona Sócrates»), onde acusa o governo do Dr. Montenegro de colocar em causa as “contas certas” e “demonstra” que é mais despesista do que o do Eng. Sócrates. Seria uma declaração no mínimo arrojada, já que o Animal Feroz levou o Estado sucial à bancarrota e o Dr. Montenegro “apenas” não faz as reformas indispensáveis e não reduz tanto a dívida pública como poderia. Porém, não havendo memória de algum dia, na qualidade de diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos do BdP de 2004 a 2013 ou em qualquer outra ou como cidadão, ter apontado o dedo à governação socialista do Eng. Sócrates, a sua declaração, mais do que arrojada, é desavergonhada.

No Estado sucial não há conflito de interesses. Há interesses em conflito

Como se não fosse suficiente, o Dr. Centeno confirmou a sua tendência para iludir os conflitos de interesse, evidenciada quando pulou do ministério das Finanças para o Banco de Portugal, pulando agora do Banco de Portugal, onde ocupava o lugar de governador, para a administração de uma seguradora que é um braço financeiro do grupo bancário espanhol Abanca, grupo que havia comprado o banco EuroBic,m com a aprovação do Dr. Centeno durante o seu consolado no Banco de Portugal.

Chrystal Clear

No seu discurso de abertura da assembleia anual do FMI, a directora-geral Kristalina Georgieva avisou claramente os governos dos riscos que a economia mundial enfrentará e da necessidade imperiosa de uma «uma orientação prudentemente restritiva na política monetária», ou seja, cortem as despesas públicas, reduzam as dívidas e preparem-se para pagar juros mais elevados.

O futuro no Estado sucial é mais difícil de prever do que o passado na União Soviética (*)

Uma avaliação da sustentabilidade do sistema público de pensões num país normal seria feita por um modelo reconhecido, como o Overlapping Generations Model (ver aqui uma descrição resumida), e conduziria à constatação ululantemente óbvia que algures dentro de menos de uma geração o fundo de reserva estará esgotado como, sem gastar muito latim, foi constatado por um actuário que que sabe do que fala aqui citado. No mesmo sentido, o relatório «Reformar as Pensões em Portugal» do grupo de trabalho nomeado pelo governo conclui que a reserva é insuficiente e o sistema só será sustentável com uma reforma profunda.

E chegamos assim às projecções do governo no OE 2027 que sonha com um Fundo de Estabilização inesgotável que em 2070 atingirá 254 mil milhões de euros.

(*) Uma piada popular recorrente na URSS, citada, entre outros, pelo historiador soviético russo Natan Yakovlevich Eidelman. 

(Continua)

12/10/2026

Is this intended to build the Golden Trump Resort of Gaza? (2)

Sequel to (1)

 

Jared Kushner’s proposed recovery and reconstruction plan for Gaza faces major obstacles and currently appears disconnected from realities on the ground. Kushner announced a $2.45 billion recovery programme and spoke of a broader $71 billion reconstruction effort over ten years, to be overseen by the so-called Board of Peace.

However, conditions in Gaza remain extremely unstable. Large areas are under Israeli military control, infrastructure is devastated, reconstruction equipment is heavily restricted, and violence continues despite an earlier ceasefire. Hamas remains the de facto authority in many areas, although its control is weakening under Israeli military pressure and growing internal disorder.

The reconstruction initiative has struggled to secure sufficient funding and its implementation has been hindered by political and security constraints. Officials involved in the effort reportedly view Israeli policies as a major obstacle, while planned international stabilization forces and Palestinian administrative bodies have not been allowed to deploy as intended.

Looking ahead, political uncertainty further complicates prospects for recovery. Israeli politics remain polarized, debates over the future of Gaza continue, and attempts to bring Hamas into a political process face significant resistance. In conclusion, despite ambitious promises and large headline figures, meaningful reconstruction remains difficult while the underlying conflict and governance issues remain unresolved.

Source: Jared Kushner has a $2.45bn recovery plan for Gaza

11/10/2026

A ideologia não substitui inteligência e educação e não desculpa a ignorância

(Talvez Einstein nunca tenha dito isso) 

Parte da conversa, citada por Miguel Pinheiro, entre Jacob Rees-Mogg, um católico tradicionalista, culto, inteligente e diletante inglês, e Tucker Carlson, comentador político em vários jornais e televisões e adepto do MAGA, antes de ficar "atormentado" e se arrepender de ter apoiado Donald Trump.

«Tucker Carlson: O governo do Reino Unido está a punir e a proibir pessoas e ideias de que não gosta. A Rússia não está a fazer isso. Portanto, como é que…

Jacob Rees-Mogg: O quuuêêê? Não pode dizer isso. Na Rússia, estão a fazê-lo em força. Estão a espancar pessoas. Estão a prendê-las.

Tucker Carlson: A Rússia prendeu menos pessoas no último ano por publicações nas redes sociais do que o Reino Unido.

Jacob Rees-Mogg: Na Rússia, elas limitam-se a cair acidentalmente de janelas.

Noutro momento, expondo a sua iliteracia financeira e a sua devoção a Moscovo, Tucker atribui à Rússia um poder económico que ela simplesmente não tem.

Tucker Carlson: A Rússia tem uma economia muito maior do que a da Grã-Bretanha, creio que, basicamente…

Jacob Rees-Mogg: Não, não, não. Não tem uma economia maior do que a da Grã-Bretanha. Tem uma economia menor do que a da Grã-Bretanha. Tem é um poderio militar maior.

09/10/2026

A visão do Dr. João Costa do que é o mal maior explica a sua obra no ministério da Educação

Para quem não saiba, o doutor João Costa andou desde 2015 a circular pelo Ministério da Educação, primeiro como secretário de Estado e depois como ministro, de 2022 a 2024. O gráfico seguinte, representando os scores dos alunos portugueses nos testes PISA da OCDE, em que o traço vermelho assinala o ano em que a criatura iniciou a sua obra no Ministério da Educação, ilustra claramente os resultados do trabalho desenvolvido pelas equipas de que fez parte ou liderou.

(Fonte: OCDE, PISA 2025 Results, Volume I, Country Note Portugal)

Foi o mesmo doutor João Costa que publicou o artigo de opinião «As ingerências na Universidade Nova refletem um mal maior» onde descreve com larga soma de pormenores o processo kafkiano da eleição do reitor da Universidade Nova, processo sobre o qual não tenho opinião para além de o considerar kafkiano, como não tenho opinião sobre as personalidades envolvidas.

Ao contrário, tenho opiniões muito claras sobre a opinião do doutor João Costa de «o que se passa na NOVA é sintoma de um mal maior que atinge as instituições de ensino superior um pouco por todo o mundo», porque «nas últimas décadas, por todo o lado, passaram a imperar modelos de gestão empresarial». Em consequência, o doutor João Costa é especialmente crítico com a intervenção «ao jeito norte-americano» de entidades privadas externas na gestão das universidades.

Infelizmente, para os modelos do doutor João Costa, em qualquer ranking mundial das universidades, as americanas são as mais representadas, pelo menos enquanto a administração Trump não as transformar em megafones MAGA. Por exemplo, no ranking Times High Education as universidades americanas representam 7 das 10 primeiras classificadas e quase um terço do total do top 100; a universidade portuguesa mais bem classificada está no escalão 376-400. Pelas suas críticas, implicitamente, o doutor João Costa propugna o modelo prevalecente nas universidades portuguesas onde predomina a endogamia e quase 70% dos doutoramentos têm lugar na mesma universidade onde os doutorados leccionam e em dez faculdades essa percentagem sobe para 90%.

08/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 70a)

O Estado sucial mau pagador é o mesmo Estado sucial mau cobrador

Que o Estado sucial paga tarde e a más horas aos seus fornecedores é um facto antigo e bem conhecido. Menos conhecido e sobretudo menos falado é o Estado sucial ser um mau cobrador aos seus devedores, nomeadamente os contribuintes. É o que ficamos a saber ao ler o parecer à conta geral do Estado de 2025 do Tribunal de Contas que nos informa que existiam quase 30 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 10% do PIB desse ano, em cobrança coerciva, o que é equivalente é cerca de 45% da receita fiscal do ano, sendo que cerca de 40% é dívida incobrável e 60% desta dívida diz respeito a empresas que deixaram fiscalmente de existir.

O Estado sucial é mau pagador, mau cobrador e senhorio incompetente

Dos mais de 3000 imóveis propriedade de Segurança Social, quase 1000 estão devolutos, ocupados indevidamente ou sem contrato de arrendamento válido. Em 2025 o número de edifícios devolutos ou com a ocupação indevida aumentou 14% (fonte: parecer à conta geral do Estado do TdC). Isto já seria bastante grave se não existisse em Portugal uma séria carência na oferta de habitação. Nestas condições concretas, uma entidade pública gerir com semelhante desleixo um recurso escasso é algo do foro criminal.


O Estado sucial faz o bem sem olhar a quem

Ainda pela via do Tribunal de Contas, que, podemos especular, está a cobrar ao governo os conflitos sobre as suas competências, governo a quem acusou de «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública», ficámos a saber que o governo torrou mais de meio milhão de euros em subsídios cujos propósitos e beneficiários não são conhecidos.

O SNS como lugar geométrico da cunha

Cada vez que se escarafuncha um organismo público, rapidamente se encontra uma cloaca de onde emanam odores a cunhas. Aconteceu mais uma vez com o caso das gémeas que espoletou uma investigação do DIAP onde se concluiu que a bolha político-mediática usa recorrentemente a via da cunha.

O governo evita uma «hecatombe social»

O alerta do Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento de que se, com o fim do PRR, «a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social», não caiu em orelhas moucas e foi escutado pelo Dr. Castro Almeida, ministro da Economia, que já convenceu o governo a aprovar um financiamento de 200 milhões para acabar as obras inacabadas até ao final de 2027, garantindo assim que não haverá um euro dos contribuintes europeus que não seja torrado.

Está a ser difícil distinguir as “contas certas” do Dr. Sarmento das do Dr. Centeno

As contas do 1.º semestre apresentaram um saldo orçamental positivo equivalente a 0,5% do PIB. Como o Conselho Económico e Social constatou, a coisa foi possível graças à «sobreorçamentação ou subexecução do investimento», por outras palavras, graças à autoestrada mexicana do investimento público.

Fonte

Onde ainda existe alguma diferença é no crescimento da despesa pública que está mais imparável com o Dr. Sarmento, como mostra o gráfico acima,

Em conclusão, a visível decomposição do PS-D…

… vai ser o terreno fértil, suspeito, para o socialismo de direita ou de esquerda chegarem ao poder, o que pode não ser muito pior e, com alguma sorte, pode ser uma cura para as ilusões de um eleitorado viciado no facilitismo e na procura de soluções mágicas. 

07/10/2026

The men who possibly raised the alarm before October 7th.

Yigal Carmon, founder of the Middle East Media Research Institute (MEMRI), publicly warned in August 2023 that a major regional conflict could erupt in September or October. Drawing on Arabic- and Persian-language media, Carmon identified escalating threats, military preparations, increasingly advanced weapons, and public statements by Hamas and other Iranian-backed groups. Officials in Israel and the United States largely dismissed his warning.

Carmon’s new report, Chronicles of a Disaster Foretold, argues that Hamas’s intentions were visible through open sources long before the October 7 attack. It highlights earlier discussions about breaching Israel’s border, increasingly explicit statements about an imminent “decisive battle,” and a large Hamas military exercise in September 2023 that closely resembled the subsequent assault. Carmon acknowledges that he mistakenly expected the war to begin in northern Israel, but maintains that Hamas successfully misled Israeli leaders into believing it prioritized economic development over conflict.

It was Israel’s failure to anticipate the attack to a broader “perceptual failure”: officials assumed that financial support and economic incentives would contain Hamas, while funds were allegedly diverted toward weapons, tunnels, and military capabilities. It also places Carmon’s warnings within current Israeli political disputes, including criticism of Prime Minister Benjamin Netanyahu, demands for an independent investigation into the October 7 failures, and allegations concerning Qatar’s influence and financial ties. Despite criticism of MEMRI’s methods and accusations from Qatar, Carmon insists that the evidence was publicly available and that Israeli leaders ignored clear warning signs.

(Source The Man Who Raised the Alarm Before October 7)

This is further evidence, in addition to the alleged warnings from the head of Egypt's intelligence services, Abbas Kamel, and the President of the United Arab Emirates, Mohammed bin Zayed, that Bibi and his government used Hamas, first to weaken the Palestinian National Authority (PNA) and Fatah, and then, anticipating what was coming, ignored the warnings because this could divert attention from corruption charges, save them from the courts, and give them a chance to win the next elections, as well as provide an opportunity to eliminate Hamas and weaken the Ayatollah regime. All of this aligns well with known facts, but some argue that even if true, which they deny, stating this is antisemitism and favors the Shiite dictatorship, meaning that those who say this place the truth on the side of antisemitism and the Shiite dictatorship.

06/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro não se poupa a tentar resolver os grandes problemas nacionais

E foi assim que interveio no momentoso quid pro quo entre Cristiano Ronaldo, um jogador em fim de carreira que já foi um dos melhores do mundo, e o Sr. Jorge Jesus, um seleccionador cuja ignorância da língua portuguesa não o impede de obter bons resultados. E ainda teve tempo de telefonar ao Sr. Proença, presidente da Federação e antigo árbitro bem-sucedido, dizem, mas que falhou na arbitragem entre o CR7 e Jesus.

A tragédia dos alunos sem professor é uma comédia de baixas e de imobilidade

Para não me repetir, remeto para o item "Afinal quantos professores temos?", onde concluí que não se sabe quantos professores existem, sendo certo que durante o consolado costista o número de alunos se reduziu em cem mil, redução parcialmente compensada pela invenção de novas disciplinas.

Como as baixas no presente ano lectivo só na primeira semana ultrapassaram os dois mil professores e os milhares de professores do Norte que não estão a dar aulas não estão disponíveis para vir para o Sul, só por milagre se evitariam os 664 horários por preencher na região de Lisboa (fonte)

Deve um ministro responder pelos erros de uma plataforma?

Já se sabia há mais de dois meses e está agora claro que a causa principal dos atraso na avaliação da provas está os erros da Plataforma de Classificação e Supervisão (PCS), desenvolvida por uma empresa Blat seleccionada por um instituto com autonomia administrativa (Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação - EduQA).

O Estado sucial português é o garante do direito ao aborto nos PALOP

Segundo a DGS, mais de quatro em cada dez IVG (o nome politicamente correcto do aborto) foram de mulheres estrangeiras, e mais de metade destas provenientes dos PALOP.

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos

O Dr. Machado, secretário de Estado do Turismo, estima que o turismo vai crescer este ano 2,5%, e ultrapassar 32 milhões de turistas e 125 milhões de dormidas. Dizem os detractores do turismo que este crescimento aumenta a dependência de um sector muito volátil com qualificações e salários baixos que manterão baixa a produtividade do trabalho. Os detractores esquecem que, com a prevista redução futura dos dinheiros de Bruxelas, é preciso encontrar um sucedâneo que evite ter de fazer reformas.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa, cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Pelos vistos, o governo actual está a seguir o mesmo caminho, nomeando 85% a 90% dos quadros que já ocupavam o cargo em regime de substituição, isto quando não fazem como o Dr. Pinto Luz que nomeou o seu chefe de gabinete para presidente do Instituto de Mobilidade e Transportes.

É por isso que o preço da gasolina é uma questão nacional

Como se vê no gráfico seguinte, o aumento do preço dos combustíveis está a dificultar o uso do automóvel pelos pobres que constituem quase 90% da população. 

mais liberdade

Entretanto, os neoliberais entendem que o aumento do preço dos combustíveis é apenas o resultado do aumento do preço das matérias-primas devido ao bloqueio de um quinto da produção mundial que passava, e agora não passa, pelo Estreito de Ormuz. Em consequência, dizem os neoliberais, é um problema que não se resolve com subsídios directos ou indirectos (o nome politicamente correcto de tirar dinheiro a uns para dar a outros) mas com o ajuste da procura à oferta, como o estão a fazer os consumidores ignorantes destas subtilezas (o consumo de combustíveis reduziu-se 10,3% em resposta ao aumento de 6,3%).

(Continua)

05/10/2026

CASE STUDY: Um imenso Portugal (68) - Banco Master, um imenso BES

Outros imensos Portugais

Para quem não tenha reparado, Daniel Vorcaro do Banco Master, está a ser considerado o grande vencedor das eleições de ontem no Brasil, já que 13 dos eleitos são citados nas investigações relacionados com o escândalo do seu banco considerado «a maior fraude bancária na história brasileira». Entre esses eleitos encontramos Jaques Wagner (PT-BA) e Rui Costa (PT-BA), para o Senado,  Hugo Motta (Republicanos-PB), Antonio Rueda (União Brasil-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), para a Câmara dos Deputados, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apurado em primeiro lugar para a segunda volta das presidenciais.

Tal como no caso do BES, as cumplicidades não ficaram pelo partido no poder. Para citar só um caso, Daniel Vorcaro comprou literalmente o juiz Alexandre de Morais do Supremo Tribunal Federal, um apoiante de Lula da Silva e do PT.

04/10/2026

"You can't fool all of the people all the time" (20) - Robot portrait of a Trump supporter: male, old, white, and poorly educated

Other "You can't fool all of the people all the time."

Back to the 19th century mercantilism

«In his second administration, Donald Trump has injected the federal government deep into private markets and undermined the independence of government agencies and institutions. Most notably, he repeatedly and publicly pressured the Federal Reserve to lower interest rates. In a sharp departure from the traditional US model, and the model of economic government that has prevailed in the United States for centuries, Trump’s administration has acquired equity stakes in more than 30 American firms, and has even taken control of large swathes of the Venezuelan economy. 

Until the 19th century, Trumpian-style mercantilism was widely regarded as sound economic policy. That changed after Adam Smith’s powerful refutation of mercantilism revolutionized economic thinking. When private sector producers compete with one another, Smith argued, an “invisible hand” generates benefits that none intend, resulting in the production of goods and services that constitute the true “wealth of nations.”»

By Anne O. Krueger  (*)
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Anne Krueger is an American economist, World Bank Chief Economist from 1982 to 1986, and deputy managing director of the International Monetary Fund (IMF) from 2001 to 2006.

03/10/2026

Um dia como os outros na vida do estado sucial (45) - O SNS24 para amigos e correlegionários

Observador

Tenho um amigo que herdou uma fortuna, nunca teve seguro de saúde e sempre se tratou no SNS. Quando um dia, atormentado pelo custo crescente do meu seguro de saúde e pela qualidade minguante do hospital privado que frequentava, lhe perguntei qual era o milagre, respondeu-me com grande honestidade, isso que escreveu o Miguel Pinheiro por outras palavras: "é preciso ter cunhas".

02/10/2026

Ricardo Reis, Too Candid for the IMF and Too Fiercely Independent for Trumpism

 «The prestigious position might have been awarded this summer to Ricardo Reis of the London School of Economics. But his occasionally blunt media comments reportedly cost him the job. According to the Financial Times, the offending remarks included some orthodox criticisms of President Donald Trump’s tariffs, which he said would raise prices and reduce efficiency. In response, the IMF “categorically” denied that “any candidate was disqualified because of their academic views on the detrimental impact of tariffs…It is not credible to suggest we would object to views that our own research has confirmed and publicised.”

Tariffs are not, however, the only targets Mr Reis has hit. In his column for Expresso, a Portuguese newspaper, he once described Mr Trump as a “protofascist”, albeit institutionally constrained. He later suggested that the president likes tariffs partly because of the exemptions he can grant. “Anyone who wants to pay less has to convince Trump with flattery, business deals with his family, gifts…For someone who sees the presidency as a way to enrich himself personally, or even simply to be flattered, tariffs are an excellent tool.” Last year a column entitled “Gringos on the pampas” marvelled at the Trump administration’s willingness to lend to Argentina. The Peronist left, which could reclaim power at the next election, “proudly never pay what they owe”, he wrote.

As an academic, he is entitled to such views. But as an IMF appointee, they might have caused a fuss. America, after all, is the fund’s biggest shareholder; Argentina its biggest borrower.

Mr Reis will not, then, go to Washington, where he would have formed a dynamic Bretton Woods duo with Michael Kremer, a Nobel-prizewinner nominated this week to be chief economist of the World Bank. His influence will instead remain indirect and intellectual. His research sheds light on several of the fund’s preoccupations, such as fiscal limits, the monetary mystique of central banks and the network of currency swap lines between them.»

Ricardo Reis was too frank for the IMF

30/09/2026

Lost in translation (376) - O preço dos combustíveis e o "fosso" entre Portugal e Espanha

Jornal Económico

Abismado por a Espanha ter "agravado o fosso", cheguei a admitir que Don Sánchez, com as suas posições antissemitas, teria obtido um desconto dos xeiques árabes. Perante a angustiante dúvida, perguntei a um chatbot o que significaria o título da peça e recebi a seguinte resposta: 

«O governo do PSOE de Don Sánchez vai extrair dos contribuintes espanhóis mais 12 mil milhões de euros para subsidiar os preços dos combustíveis e o governo do PS-D do Dr. Montenegro só extrairá 1,3 mil milhões de euros dos contribuintes até ao final de 2026. 
No entanto, convirá ter em conta que, apesar dos preços a que ambos compram os combustíveis serem aproximadamente os mesmos, enquanto Don Sánchez arrecada 142 mil milhões de euros por ano com o Impuesto sobre la Renta de las Personas Físicas, o Dr. Montenegro só extrai 15 mil milhões de euros por ano do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares. 
Em qualquer caso, trata-se essencialmente do mesmo, convencer os contribuintes que a redução do preço dos combustíveis é o equivalente ao milagro de la multiplicación de los panes / milagre da multiplicação dos pães.  
Não esqueças que o milagre favorece quem come mais pão.» 

28/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 69a)

O governo do Dr. Montenegro não faz reformas, faz engordas

O dinheiro dos contribuintes europeus canalizado pelo PRR – a bazuca do Dr. Costa - serviu também para contratar um batalhão de 1.300 funcionários que «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», e que o ministro da Economia já prometeu fazer «o possível» para os manter como utentes da vaca marsupial pública na companhia dos restantes 767 mil.

O Dr. Montenegro ou o Dr. Sarmento deveria seguir a sugestão do Dr. Centeno…

… «explicando onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir metas europeias», uma vez que o governo está a contar com um excedente da Segurança Social que não existe e as contas públicas têm um «défice profundo». O Dr. Centeno está carregado de razão, apenas faltou dizer que o Dr. Montenegro e o Dr. Sarmento estão a contar com um inexistente excedente que o Dr. Costa e ele próprio contaram.

Vale a pena acrescentar que chegaram tarde as preocupações de “contas certas” de um Dr. Centeno que garantiu que a reversão para 35 horas não teria impacto orçamental (o aumento da despesa pública em Saúde duplicou entre 2015 e 2025) e converteu o investimento público na autoestrada mexicana do PS.

Take Another Plan. SATA, uma TAP açoriana

Recordemos, uma vez mais, que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se desde 2024 um candidato privado para comprar o mono.

Como se fosse pouco, o governo dos Açores, que tem usado o dinheiro dos contribuintes para sustentar o elefante branco da SATA, aumentou as taxas aeroportuárias ao ponto da Ryanair ter decidido terminar há 6 meses a sua operação iniciada em 2015, que deu um importante contributo para o crescimento do turismo açoriano. Resultado: desde Abril o turismo para os Açores caiu 8% e teve menos 100 mil turistas.

“O acerto de contas chegou” (*)

Trading Economics

Como mostram os gráficos, as yields das obrigações a 10 anos do Tesouro português e do Tesouro americano (e de muitos outros), que vinham a crescer desde o início do ataque americano ao Irão, estão a atingir máximos de uma década. O Dr. Centeno deveria ter também pedido ao Dr. Montenegro ou ao Dr. Sarmento para explicarem como é que vão ser pagos os juros crescentes das próximas emissões e como vai ser compensada a redução resultante do aumento das yields do valor de mercado de 25 mil milhões de euros das OT que fazem parte do  Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado economista-chefe do FMI.

27/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Reformar implica mexer nos interesses estabelecidos e sujeitar-se à presunção de culpa

O Dr. Fernando Alexandre é um dos raros ministros que tentaram meter o pau no vespeiro do ministério da Educação e por isso tem tido a retribuição oferecida pela coligação do costume, a saber: a Fenprof, o PS e toda a esquerda, o socialismo de direita do Chega, a comentadoria do regime e o jornalismo de causas. À falta de ganas e oportunidade para uma pega de caras, tentam pegar-lhe de cernelha, como esta em que insinuam com sonsice um qualquer cambalacho obscuro com a Deloitte porque o ME lhe adjudicou dois contratos de serviços de consultoria, única consultora das dez consultadas que apresentou propostas, God knows why.

O Dr. Montenegro quer continuar a política de extorsão fiscal do Dr. Costa?

Tudo indica que sim, camuflado com devoluções de IRS, que não chegam para mandar cantar um cego, como diz o povo. Segundo o INE, a carga fiscal em 2025 aumentou de 35,0% para 35,3%.

O lado B dos "centros de dados" ou a «socialização do custo da energia»

Como tenho vindo a lembrar, a estratégia constantemente verbalizada pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de ruptura do sistema e socializar o custo da energia. Ainda antes dos delírios do Dr. Matias terem efeitos devastadores, devemos ter em conta que, nesta altura, já existem 37 centros de dados em funcionamento que consomem por ano 1,86 terawatts-hora, o equivalente ao dobro do consumo doméstico de electricidade na cidade de Lisboa, e a previsão para 2030 para os centros de dados e outras indústrias de alta intensidade eléctrica é dez vezes superior (fonte).

Os rituais domésticos para baixar o preço dos combustíveis

Para fazer chover em tempo de seca, tribos de caçadores-recolectores adoptavam rituais como bater tambores ritmicamente para imitar o som dos trovões, soprar água pelos dentes para simular a neblina ou agitar chocalhos cheios de sementes para reproduzir o som das primeiras gotas a cair no solo.

No Portugal dos Pequeninos, em tempo do aumento do preço dos combustíveis resultante do concurso entre os guardas-revolucionários xiitas e a corte do imperador Donaldo, os consumidores organizam procissões ao som de buzinas de “utentes” na Ponte 25 de Abril e marchas lentas de camionistas na A1. Suspeito que as procissões e as marchas lentas sejam mais eficazes para compelirem o governo a extorquir mais uns dinheiros aos “utentes” para subsidiar os preços do que os rituais dos caçadores-recolectores para convencerem os deuses a fazer chover.

(Continua)