Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

21/05/2026

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (81) - "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina"

Outros portugueses no topo do mundo.

Seis escolas de gestão portuguesas atingiram boas posições no ranking mundial do Financial Times de formação de executivos. Está a ser um acontecimento muito festejado, com razão, visto que entre as noventa escolas do ranking encontramos seis portuguesas, o que corresponde a 6,7% das escolas do ranking, um excelente resultado para um país que representa apenas 0,13% da população e 0,29% do PIB nominal mundial.


Como é que tão excelente resultado nas escolas de gestão se explica num Portugal dos Pequeninos que é um desastre em matéria de gestão das empresas e, sobretudo, do Estado? Uma vez mais, só me ocorre a explicação de George Bernard Shaw na sua peça "Man and Superman": «Those who can, do; those who can’t, teach».
__________
A posição das universidades portugueses no ranking das 90 é a da primeira coluna (#).

19/05/2026

Crónica da passagem de um governo (50b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 50a)

Lost in translation

Uma auditoria do IGF aos Regimes Fiscais de Ex-Residente e Residente Não Habitual concluiu que «a despesa fiscal do regime de RNH registou um acréscimo significativo de 2019 a 2024, respetivamente, de 619,7 milhões de euros (M€) para 1.741 M€, em linha com o aumento do número de beneficiários (41.229 para 128.958)».

Essa conclusão foi traduzida pela imprensa doméstica como «Residentes não habituais ‘custam’ 1,7 mil milhões aos cofres do Estado». Se assim fosse, para não custarem esses milhões ao Estado sucial seria preferível dar-lhes guia de marcha para regressarem aos seus países, poupando assim esses milhões ao Estado sucial, levando consigo os investimentos que fizeram e deixando de pagar os impostos que pagaram.

A flexibilidade segundo o Dr. Centeno chama-se rigidez

Em crónica anterior já citei o Dr. Centeno que numa conferência garantiu, que o «mercado de trabalho não tem défice de flexibilidade», emprestando a sua suposta autoridade de economista do trabalho às teses da UGT, ou, mais exactamente, do PS.


Por coincidência, o economista João Tovar Jalles comentou num artigo recente a confusão dos conceitos e publicou os gráficos acima, os quais, mais do que as palavras, mostram um mercado de trabalho português mais protegido e, em consequência, com mais contratos a prazo e mais desemprego jovem, desfazendo as fantasias do Dr. Centeno.

A palavra-chave aqui é “nominal”

O Volume de Negócios nos Serviços (VNS) registou no 1.º trimestre um crescimento nominal homólogo de 2,1%, o que seria uma boa notícia, não fora a inflação que fez do crescimento uma queda de -1,5% (INE).

Pensamento positivo

O Dr. Miranda Sarmento, que prometeu um novo bónus das pensões este ano «se houver margem orçamental», é o mesmo que admite que a dívida pública no final do ano represente 85% ou 86% do PIB, apesar de no final do 1.º trimestre andar pelos 91% e a conjuntura internacional não mostrar perspectivas cor-de-rosa.

O Dr. Montenegro tem concorrência socialista à esquerda e à direita…

O Dr. Carneiro faz o que entende lhe compete como opositor socialista e leva da UGT ao colo, o Dr. Ventura vai para além da oposição socialista de esquerda e acrescenta o aumento das férias à redução da idade de reforma em troca de um acordo no Código do Trabalho.

… e, não obstante, almeja uma maioria absoluta para o que pretende dilatar Portugal

Pelo menos foi o que disse na apresentação da sua candidatura a líder do PS-D sob a bandeira originalíssima «Fazer Portugal Maior»

18/05/2026

Crónica da passagem de um governo (50a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O governo do Dr. Montenegro continua a obra de ampliação do Estado sucial

O Dr. Montenegro está a mostrar-se um sucessor à altura do Dr. Costa que recebeu 655 mil funcionários públicos do “neoliberalismo” (que, por sua vez, herdou 730 mil do socialismo socrático) e aumentou esses efectivos para mais de 740 mil. O Dr. Montenegro está a continuar a expansão e só no primeiro trimestre deste ano acrescentou mais uns milhares ao pletórico aparelho atingindo 767 mil utentes da vaca marsupial pública.

O Estado sucial-pulicial

O consenso no seio do governo sobre o aumento dos efectivos policiais não podia ser mais completo. Já sabíamos que o Dr. Luís Neves atribuiu o desgoverno das polícias e a incompetência das respectivas chefias à falta de efectivos, falta que deve ser dos poucos problemas que as polícias portuguesas não têm (cfr. a série de posts Vivemos num estado policial?). Ficámos agora a saber que o próprio Dr. Montenegro prometeu aos autarcas alfacinhas e tripeiros mais 400 polícias e o comandante-geral da GNR já anunciou que vai exigir 1.800 militares para a reactivação da Brigada de Trânsito extinta em 2007 para optimização de meios e eficiência administrativa. 

O Estado sucial já está no futuro

Todas as projecções confiáveis apontam para a insustentabilidade do sistema português de Segurança Social dentro de uma dúzia de anos, isto é, por volta de 2038 as contribuições deixam de ser suficientes para cobrir as despesas com pensões e, a partir daí, outra meia dúzia de anos depois, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social poderá ficar esgotado. 

Com a Caixa Geral de Aposentações (CGA) – a segurança social dos funcionários públicos – não será preciso esperar tanto tempo. As despesas com pensões pagas pela CGA. que cresceu mais de 7% o ano passado (fonte Conta Geral do Estado), vão exigir que os montantes transferidos do OE, que em 2024 já foram superiores a 7 mil milhões de euros, terão de ser uma vez mais aumentados.

A prioridade do governo é antecipar a insustentabilidade da SS

É nesse contexto que ganham sentido as promessas do ministro das Finanças que, parecendo ter mais juízo do que o Dr. Matias, afinal talvez não tenha, ao prometer um novo bónus das pensões este ano «se houver margem orçamental», fazendo depender da gestão de tesouraria a antecipação de um longo prazo insustentável.

O Dr. Matias e a IA

Na falta de reformas com impacto efectivo na máquina burocrática do Estado sucial com os seus referidos 767 mil utentes, que consome 43% do que o país produz, dos quais mais de 86% são despesa primária, o Dr. Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, esfalfa-se a falar dia sim, dia sim na IA, que para ele parece cada vez mais consistir na construção de centros de dados para consumir resmas de MW produzidos por resmas de painéis solares fabricados na China que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus. É um desperdício de inteligência natural.

A Inteligência Artificial de Sines não é ficção científica, é apenas ficção

Se não fosse a retórica do Dr. Matias não ter aparentemente limites, diria que teria atingido o ápice com a sua grandiloquente afirmação numa qualquer das inúmeras conferências onde derrama as suas visões de que «hoje Sines é um polo tecnológico de ponta. Hoje já é produzida Inteligência Artificial em Sines, não é ficção científica».

(Continua)

17/05/2026

Small facts that can help someone understand the big ones


Listing some trivial facts that help to understand why a government with the most powerful army in the world has been unable to win in Vietnam, Iraq, Afghanistan and, after 11 weeks, not only failed to defeat the ayatollahs of Iran, but also managed the feat of granting them control of one of the most important areas on the planet.

It is said that a Japanese soldier imprisoned in WWII, when asked which were the best armies fighting in the jungle, replied: the Japanese and the Australians. When asked about the Americans, he said that the Americans didn't know how to fight in the jungle; they destroyed the jungle.

Eighty years later, the same mindset leads Americans to raze entire city blocks and use multimillion-dollar missiles to shoot down $50,000 drones, and inspires the army of their Israeli disciples to destroy tens of thousands of homes and kill tens of thousands of civilians, only to have to do it repeatedly soon.

Donald Trump once criticized the «interventionists» for «intervening in complex societies that they did not even understand themselves», which was an avant la lettre good explanation for his own failure to anticipate that the ayatollahs would be willing to let themselves and their people be killed.

16/05/2026

Javier Milei ganhou uma batalha. Ganhar a guerra é outra coisa e, a ser possível, levará algum tempo (3)

Continuação de (1), (2)

Já o escrevi e repito: uma criatura com instintos liberais vê com natural simpatia os esforços de Javier Milei para pôr em prática políticas visando emagrecer o Estado dinossáurico argentino e dar aos argentinos liberdade para viverem as suas vidas sem o jugo de uma "casta" extractiva. Também escrevi que a política é a arte do possível e acrescento que o possível para um governo democrático é um possível mais limitado do que o possível numa autocracia. 

E o possível na Argentina está chocar de frente com uma economia a tropeçar (o PIB caiu 2,6% em Fevereiro, a inflação subiu 3,4% em Março e o desemprego continua a aumentar) e os escândalos a crescerem, como o da criptomoeda $LIBRA promovida por Milei que se suspeita ter recebido pagamentos como consultor dos promotores, uma criptomoeda que um desastre para a maioria dos seus detentores (uma minoria "bem informada" vendeu antes do descalabro), ou o escândalo do chefe de gabinete Adorni a ser investigado por corrupção.

Fonte

Por tudo isto, a queda abissal da taxa de aprovação de Milei não é surpreendente. O que é uma surpresa para quem o imaginava com fortes convicções liberais é estar a fazer o que fazem os regimes autocráticos: inventar um inimigo.


É possível que a imprensa argentina esteja infestada pelo jornalismo de causas, acontece um pouco por todo o lado, mas os factos são os factos e as mentiras combatem-se com factos. A invenção de um inimigo por Milei não é original; quase todos os governos, com pouca consideração, to say the least, pela liberdade de expressão e pela democracia, a usam.

15/05/2026

ARTIGO DEFUNTO: A ecoansiedade e os delírios do jornalismo de causas

Para me poupar a citar excertos do artigo “Será que a zona onde vivemos continuará habitável?”: Quatro em cada 10 jovens hesitam ter filhos por causa das alterações climáticas, cito o resumo gerado por AI que segundo o Expresso reza assim:

«Estudo revela que quatro em cada dez jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas. A ecoansiedade, definida como medo crónico de catástrofe ambiental, surge como determinante nas decisões reprodutivas. 

Investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostra que jovens com motivos ambientais apresentam três vezes mais ecoansiedade.»

Quanto ao primeiro estudo «Young People's Voices on Climate Anxiety, Government Betrayal and Moral Injury: A Global Phenomenon», foi publicado em 2021 na revista Lancet Planetary Health, é da autoria de uma equipa cujos membros publicaram um único paper - o paper em causa - e foi financiado pela AVAAZ, uma ONG que se define como «the campaigning community bringing people-powered politics to decision-making worldwide» e tem como fundadores vários notórios ideólogos do áctivismo online.

Esquecendo a óbvia falta de credibilidade dos "investigadores" e da entidade financiadora (é assim como militantes da CDU fazerem um estudo financiado pela CDU sobre a falência do capitalismo), o certo é que o estudo não revela uma especial preocupação dos jovens portugueses pelos supostos impactos das mudanças climáticas já que em relação à "ameaça à segurança familiar" se preocupam tanto quanto a média dos jovens dos 10 países considerados, e quanto "hesitação sobre ter filhos" preocupam-se menos.

Quanto ao segundo estudo, a conclusão é perfeitamente tautológica e não careceria de estudos: é claro que «jovens com motivos ambientais» teriam forçosamente de ser mais ecoansiosos, seja lá o que isso for. 

Pordata
Daí concluir, como o faz uma "investigadora" citada no artigo, que a baixa de fertilidade é consequência da ecoansiedade é uma conclusão audaciosa. Pela razão simples de que, como o diagrama mostra para Portugal (em outros países ocidentais a evolução é semelhante) a baixa da fertilidade precedeu em décadas as preocupações ambientais, baixa que toda a gente com juízo sabe ter resultado da "igualização" das mulheres e foi tornada possível pela acessibilidade dos anticoncepcionais e tornada inevitável pela entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho.

14/05/2026

You can't fool all of the people all the time (14) - Mr. Trump is hitting rock bottom in every area

Other "You can't fool all of the people all the time."

YouGov

Inflation, employment, foreign policy, immigration, or crime - take your pick.

Men or women, young or old, white or black, illiterate or with a doctorate - take your pick.


What's hard to understand for a creature with a modicum of mental sanity isn't why the net approval rating is so low. What's hard to understand is why it isn't lower.

13/05/2026

SERVIÇO PÚBLICO: Desfazendo o mito do efeito milagroso dos fundos europeus

«... os fundos europeus, longe de promoverem convergência, funcionam como uma «pílula envenenada» para países receptores, incluindo Portugal. Estas transferências sustentam um Estado ineficiente, alimentam clientelismo político, e distorcem a alocação de recursos para sectores não-transacionáveis. Ao reduzirem a pressão para reformas estruturais, os fundos perpetuam a baixa produtividade e o atraso económico. Décadas de apoios não geraram convergência real com a Europa rica. Terminar com os fundos de coesão traria benefícios substanciais a longo prazo, tanto para os contribuintes líquidos como para os próprios beneficiários.»

Nuno Palma anunciando o seu novo livro: «O Vício dos Fundos Europeus», no Portugal no longo prazo, em mais «Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos»

12/05/2026

Crónica da passagem de um governo (49b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 49a)

Esta reforma laboral não resolveria a falta de competitividade e de produtividade, mas mal não faria (Marcos 16:18)

Morreu na praia o acordo com a UGT, que representa 7% trabalhadores do sector privado, e a CGTP, que praticamente só representa os trabalhadores com emprego vitalício, não chegou a embarcar.

«O governo quer dar aumentos salarias de 6,2% para 111 mil trabalhadores do privado com retroativos a março»

É este o título para parolos do Jornal Eco (com títulos assim deveria mudar de nome para jornaleco) para noticiar o expediente que se repete todos os anos das “portarias de extensão", expediente pelo qual os contratos colectivos negociados pelos sindicatos que representam um décimo ou menos dos trabalhadores influenciam 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivos.

A bazuca do Dr. Montenegro é maior do que a do Dr. Costa

mais liberdade

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… clarificar as dúvidas sobre aplicação do IVA de 6% na construção que fizeram cair os licenciamentos em 16% em Janeiro e Fevereiro; licenciar parques autónomos de baterias que limitariam as consequências dos apagões; antecipar os 10 anos previstos para a operacionalidade completa do SIRESP que é um dispositivo que anda por aí há mais de 10 anos, em cujo lançamento esteve envolvido o Dr. Costa e o seu melhor amigo Dr. Lacerda Machado.

Incompetência até a gastar o dinheiro da Óropa

O Portugal 2030, que é uma espécie de herança do Portugal 2020 que não foi cumprido, só está executado a 18% (a menor percentagem da UE), encaminhando-se assim para se transmutar num Portugal 2040.

Canários na mina de carvão

O piar dos canários ouve-se cada vez mais. O emprego parece ter atingido o seu ápex e começou a cair enquanto a taxa de desemprego está a subir (fonte INE); a dívida pública aumentou 0,5 mil milhões de euros em março e atingiu 91,0% do PIB no primeiro trimestre do ano (fonte BdP.

Hoje há conquilhas, amanhã logo se vê (os tugas não estão a ouvir os canários)

Surdos ao piar dos canários, os particulares contraíram novos empréstimos num montante que ultrapassou pela primeira vez 4 mil milhões de euros num mês, o valor mais elevado desde 2003 (fonte BdP), e compraram quase 100 veículos até Abril, outro recorde, desta vez desde 2005.

11/05/2026

Crónica da passagem de um governo (49a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Dados do SNS citados pelo Expresso mostram a continuação da degradação do SNS que é cada vez mais da responsabilidade do Governo da AD. Ainda assim, não faz sentido branquear as enormes responsabilidades da governação socialista nessa degradação por via da gestão ideológica da Dr. ª Marta Temido. Mais 20 mil médicos e 53 mil enfermeiros e muito mais horas extraordinárias não foram suficientes para compensar a reversão para 35 horas e a incompetência de gestão que o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares sacode com grande desvergonha ao descartar-se: «as causas são todas responsabilidade do governo». Um dos hospitais que mais se degradou foi o Hospital de Loures, em tempos uma PPP bem-sucedida.

O Dr. Centeno pode ter saído do governo e do BdP mas o narcisismo sonso não saiu dele

Como explicar que a «ideia que está a amadurecer» do seu livro de memórias tenha sido com imensa antecedência e muito desvelo revelada pelo semanário de reverência não em uma, mas em duas peças, uma no caderno principal e outra no caderno de economia (este, uma espécie de resumo, sem link)? Aguardo ansiosamente as suas memórias na esperança de que nos revelem o desdobramento de personalidade que permitiu ao Dr. Centeno, ministro, nomear o Dr. Centeno governador.

(Quase) Todos os políticos são mentirosos, mas há uns mais mentirosos do que outros

Em Novembro de 2023, o Dr. Costa demitiu-se jurando que o seu amigo Dr. Lacerda Machado (ler aqui uma breve resenha sobre essa amizade) nunca lhe tinha falado sobre o projeto Start Campus. Não é verdade que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo porque a verdade levou três anos para emergir das escutas divulgadas pela TVI e CNN Portugal que revelam o Dr. Costa a dizer ao seu melhor amigo e padrinho de casamento, na véspera de Natal de 2022: «Já sei que foste lá dar boas notícias ao Vítor.» 

O óbvio ululante. Eu diria mesmo mais

No seu relatório sobre Portugal, o FMI aconselha a reversão das «isenções do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares específicas para jovens que aumentam os custos fiscais e introduzem distorções, sem evidência clara de eficácia na contenção da emigração juvenil» e «não são sujeitas a critérios de rendimentos, ao mesmo tempo que impulsionam a procura e contribuem para agravar os desequilíbrios». (fonte) Já o tinha dito várias vezes nestas crónicas.

O novo MAI mostra a sua costela socialista

O Dr. Luís Neves não se tem cansado de atribuir o desgoverno das polícias e a incompetência das respectivas chefias à falta de efectivos, que deve ser um dos poucos problemas que as polícias portuguesas não têm (no caso de dúvida, cfr. a série de posts Vivemos num estado policial?)

As rotundas do governo

Um dos expediente dos autarcas para mostrar obra feita é construírem rotundas inúteis em cruzamentos em que a esmagadora maioria do tráfego é num único sentido, rotundas que são muito mais visíveis e muitíssimo mais baratas do que reparar os quilómetros de estrada em mau estado que por elas atravessam. À falta de rotundas, o Dr. Miguel Pinto Luz anunciou o «início do serviço fluvial em junho entre o Seixal e o Barreiro» ao fim de semana, iniciativa que é coisa para servir prá aí uma dúzia de pessoas.

Na ausência do PCP, o Chega assusta o patronato?

Pelo menos foi o que o JE escreveu: «foi a proposta do Chega de reduzir a idade de reforma em troca de um acordo no Código do Trabalho que assustou a CIP» e levou a ceder «em toda a linha à UGT»

Por que não resistem os governos ao show-off?

O governo PS-D/CD-S não resistiu e o ministro das Finanças já confirmou que vai “melhorar e calibrar” as medidas do governo PS em 2022, nessa altura classificadas como demagógicas pelo Dr. Montenegro, para tributar os “lucros extraordinários das petrolíferas. Bem pode o Dr. Pardal “melhorar e calibrar” os 5 milhões de euros de 2023, ou seja, 10% da receita que o governo do Dr. Costa previa.

Boa Nova. O exército já pode comprar as lagartas de um tanque Leopard

Talvez na esperança de facturar pelo menos os 5 milhões de euros, o governo autorizou o Exército a gastar até 2,2 milhões de euros para comprar viaturas especiais, o que é menos de um décimo do custo de um tanque Leopard 2A8.

(Continua)

10/05/2026

Dúvida (365) - Um bicho que se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, pode ser um ornitorrinco?

Ceci n'est pas un canard
Distraidamente, não comentei as reacções à derrota eleitoral do Fidesz de pessoas geralmente tidas como conservadoras que se reclamam democratas (alguns até se dizem liberais), concluindo que essa derrota demonstraria que, afinal, Viktor Orbán era um democrata e a Hungria uma democracia plena.
 
Nunca pensei que a Hungria governada pelo Fidesz já fosse uma ditadura - era mais uma democracia avariada. Porém, isso não era por causa de Viktor Orbán e do Fidesz; era, apesar deles, que tudo fizeram para se perpetuarem no poder, como aqui se exemplificou, e disso extraírem vantagens.

Concluir que Viktor Orbán era um democrata e a Hungria uma democracia plena é parecido com concluir que as acções erráticas de Donald Trump escondem uma estratégia coerente que escapa aos não iniciados ou, para dar um exemplo doméstico, é parecido com concluir que a defesa da redução da idade da reforma pelo Dr. Ventura não é um oportunismo irrealista de um demagogo e antes resulta de uma estratégia sofisticadíssima para encostar ao PSD à parede promovendo as ideias do PS e assim chegar à maioria. 

Como explicar que pessoas inteligentes e cultas conseguem imaginar que um bicho que se parece com um pato, nada como um pato, grasna como um pato, acasala com patas, não é um pato, é um mamífero que põe ovos? Não me ocorre explicação melhor do que a de Leor Zmigrod no seu The Ideological Brain.

09/05/2026

Zugzwänge para Vladimir (continuação)

Continuação daqui

...  a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas...

«Russia's internal expectations for the war were remarkably short. Documents found inside Russian tanks described how the "special military operation" would conclude in just ten days. Ukraine also captured "flagship" tanks — the kind used in parades — along with military parade uniforms, suggesting that Russia expected to stage a victory parade in Kyiv after a swift campaign. Wikipedia

The broader picture painted by the evidence is even more striking. After the invasion began, Ukrainian and Western analysts assessed that Putin seemed to have believed Russian forces would be capable of seizing Kyiv within days, leading to the conclusion that "taking Kyiv in three days" had been the original goal. This narrative was reinforced by statements from Aleksandr Lukashenko and Margarita Simonyan, editor-in-chief of Russian state broadcaster RT. The Security Service of Ukraine also released a video showing a captured Russian soldier claiming his unit had been sent into Ukraine with food supplies for only three days. Wikipedia

Russia's invasion plan involved defeating Ukraine within ten days and capturing or killing its government, followed by "mopping up" operations, establishing filtration camps, setting up occupation regimes, and eventually annexing territory. Wikipedia

Three days after the invasion began, the Russian state news agency RIA Novosti mistakenly published a pre-written article called "Russia's Coming and the New World," prepared in anticipation of a quick Russian victory, which announced that "Ukraine had returned to Russia." Wikipedia

Of course, none of this came to pass. By April 2022, the invasion's initial goal of a rapid victory via decapitation had failed, with Ukraine pushing back the northern arm of the invasion and preventing the capture of Kyiv. The war has now dragged on for over three years, becoming the largest conflict in Europe since World War II. Wikipedia»

Resposta do Claude Sonnet 4.6. da Anthropic à pergunta «When Russia invaded Ukraine, what was the Russian government's prediction for the duration of the so-called "special operation"?»

08/05/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Zugzwänge para os compadres Vladimir e Donald

Secção Tiros nos pés

Já várias vezes evoquei (aqui, acolá e acoli, por exemplo) o Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), que é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

Volto a fazê-lo desta vez para caracterizar a situação em que se colocaram no tabuleiro internacional os compadres Vladimir Putin e Donald Trump, o primeiro com a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas, e o segundo com o Great and Beautiful Bombardment (GBB) dos aiotolás, que era para durar o que Bibi achasse necessário, e já vai em 6 semanas e vários anúncios de Total and Complete Victory

Quanto a Vladimir Putin, as coisas vão de mal a pior e, segundo um ex-alto funcionário do governo russo, enfrenta uma situação de perfeito Zugzwang, situação que, com os mesmos critérios, tomo a liberdade de atribuir a Donald Trump e, já agora, ao seu ajudante, o secretário de Estado da Guerra, Pete Hegseth.

É assim que, não sem algum Schadenfreude, concedo o máximo de cinco Zugzwänge (plural de Zugzwang) ao primeiro e quatro ao segundo (o quinto poderá ser atribuído em breve). A Pete Hegseth não atribuo nenhum - é apenas um secretário.

07/05/2026

The '"Total and Complete Victory"' achieved through a Great and Beautiful Bombardment seems more like half a defeat (3)

Sequel of (1), (2)

«By the United States military’s estimation, about 1,550 marine vessels—oil tankers, bulk carriers, container ships, and more—are idling in the Persian Gulf right now. With the Strait of Hormuz effectively blockaded, their crews, many of them uninvolved in the ongoing war with Iran, are slowly using up supplies as they await safe passage through the mine-filled waterway. Donald Trump announced on Sunday that the U.S. would rescue these “victims of circumstance” by guiding them out of the war zone in an as-yet-unspecified way. On Monday, though, Iran’s military rejected the plan, warning that American military forces would be attacked if they approached the strait.

Both sides fired shots yesterday, although the U.S. claims that the cease-fire remains in place. The fact that Iran’s leaders are apparently willing to risk violating the delicate monthlong truce emphasizes just how fiercely they want to protect their hold over the strait. The past 65 days of war have badly punished Iran: Its leaders are dead, its navy and air force have been depleted, and its economy and infrastructure have been decimated. “If we leave right now,” Trump said last week, “it would take them 20 years to rebuild.” But amid the destruction, the country has also found new forms of leverage. Iran had not previously exercised this degree of control over the Strait of Hormuz, and before the war, the country could not have been confident that it would be able to do so. Even in its diminished state, the Iranian military has managed to deter enemy ships and outmaneuver anti-air systems, maintaining that grip on the strait while costing the U.S. billions.

After the U.S. and Israel began their military action, the Iranian government said it would attack any ship that tried to sail through the strait, and began deploying mines as deterrents. Before the war, more than 130 ships passed through each day; yesterday, that number was down to three. The ships that do cross now mostly do so under the strict supervision of Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps, which reportedly has been demanding tolls in cryptocurrency and Chinese yuan, and rerouting traffic away from Oman, toward Iran-controlled waters.

Iranian dominance over the strait may well be the new norm. On Sunday, Iran’s Deputy Speaker of Parliament Ali Nikzad was emphatic that the country “will not back down” from its position on the strait, “and it will not return to its prewar conditions.” That’s because the country’s restrictions on the strait have succeeded on a strategic level, creating a global energy shock and unleashing economic devastation around the world—putting massive pressure on the U.S. and Israel to come to the bargaining table. Trump has demanded that Iran “Open the Fuckin’ Strait,” but as Iran’s threats yesterday made clear, we’re a long way off from the pre-February status quo. Even when Iranian leadership has offered to reopen the strait as part of potential peace deals, as it has over the past month, it has done so with the knowledge that Iran could always reassert control. That’s exactly what happened on April 17, when the country declared the strait open to all; the next day, Iran reimposed its restrictions on passing ships, effectively closing the waterway once again.

06/05/2026

Crónica da passagem de um governo (48b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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(Continuação de 48a)

Lost in translation: “lucro” em politiquês-socialês significa o que restou dos subsídios

Se o problema fosse o lucro das 126 empresas do Estado ter caído 480 milhões para 11 milhões de euros, seria um problema simples. O problema complicado é que o “lucro” neste caso são as sobras de cerca de 3,5–4 mil milhões de euros em subsídios, indemnizações compensatórias e outras transferências para empresas públicas.

No meio do nevoeiro informativo, o Public Relations da CP conseguiu que a Lusa passasse para os jornais a “notícia” que fez o título no Avante da família Azevedo: «Lucro da CP mais do que duplica em 2025 para 4,8 milhões», esquecendo de informar que foi a sobra de cerca de 100 milhões de subsídios com diversos nomes pagos no ano passado.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa?

mais liberdade

O diagrama mostra o resultado do caminho para uma sociedade socialista em que os salários galopam e a produtividade coxeia. Já agora, para não embandeirarmos em arco, recordo que a progressão de 2020 para 2025 se deve ao crescimento das maiores economias ter sido mais afectado pelas consequências da invasão da Ucrânia.

Canários na mina de carvão

Multiplicam-se os sinais de que pode estar a chegar ao fim o tempo das vacas voadoras do Dr. Costa: no primeiro trimestre as exportações de bens desceram 6,4% e as importações aumentaram 2,6%; a taxa de inflação homóloga aumentou 3,4% em Abril e o PIB não cresceu no primeiro trimestre.

O Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (petit nom PTRR), a bazuca do Dr. Montenegro, foi desenhada pelo Dr. Matias?

mais liberdade

Poderá parecer uma pergunta retórica, mas o PTRR não é um fundo autónomo, é uma manta de retalhos financiada por fundos nacionais, fundos europeus, empresas públicas, empresas privadas, PPP e concessões. Segundo o Diário de Notícias (não confirmei) dois terços dos 22,6 mil milhões de euros previstos para torrar até 2034 estavam previstos no orçamento há 6 meses, e os números do diagrama mostram que cerca de um quarto é para fazer a recuperação das infraestruturas e serviços afectados pelas tempestades, o que inevitavelmente teria de ser feito com ou sem PTRR.

Operação Marquês - uma justiça de opereta numa república dos bananas

Já o escrevi em tempos: 300 (trezentos) juízes, 50 (cinquenta) recursos, uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, vários crimes já prescritos, um processo com mais de 62 mil (sessenta e duas mil) páginas, incluindo as 6 mil (seis mil) páginas do despacho do Juiz Rosa, em mais de 200 (duzentos) volumes, o equivalente a um décimo dos julgamentos de Nuremberga (de 20/11/1945 a 1/10/1946) onde foram julgados 23 dirigentes nazis.

Actualizo agora com a prescrição dos crimes de corrupção activa relativos ao empreendimento de Vale do Lobo de que beneficiaram a semana passada dois dos arguidos e, salvo qualquer imprevisto não previsto, beneficiarão em Junho o Animal Feroz e o seu compadre Dr. Vara.

05/05/2026

Crónica da passagem de um governo (48a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A unanimidade na UGT significa o quê? É o centralismo democrático?

Os 90 (noventa) membros do secretariado da UGT aprovaram por unanimidade a rejeição das propostas de alteração da legislação laboral do governo. A UGT (controlada pelo PS) e a CGTP (controlada pelo PC) representam em conjunto cerca de 7% dos trabalhadores do sector privado e uma percentagem muito superior dos funcionários públicos que não são afectados pelas reformas em discussão por terem emprego vitalício, um seguro de saúde público e uma pensão garantida pela CGA.

Precariedade” é o efeito secundário do emprego vitalício

A UGT opõe-se mais tenazmente ao aumento da flexibilidade do emprego, cuja rigidez é o factor principal que explica a preferência das empresas pelos contratos a prazo que afectam quatro em cada dez trabalhadores jovens, sendo Portugal o quarto país da UE com mais contratos a prazo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… dar corda aos sapatos e concluir o estudo aprovado pela Resolução de Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e nos cerca de 170 centros de saúde nessas áreas.

Para «abrir caminho para uma sociedade socialista» o Dr. Montenegro e o Dr. Ventura pretendem igualar o salário mínimo ao salário médio

O Dr. Montenegro e o Dr. Ventura, ultrapassaram pela esquerda o Dr. Carneiro e querem antecipar o salário mínimo de € 1.000 já em 2027 e o Dr. Ventura, mostrando os seus pergaminhos socialistas, propõe aumentá-lo para € 1.150 até 2029. Numa economia em que 96% das empresas representando 36% do VAB tinham menos de 10 trabalhadores, o impacto destes aumentos com uma produtividade estagnada poderá inviabilizar muitas delas.

O caminho para o socialismo da pobreza relativa


Enquanto o salário mínimo e o salário médio galopam desde 2015 a produtividade coxeia atrás deles.

Nas mãos do Dr. Montenegro, a bazuca do Dr. Costa continua entupida

Quase um terço dos 22 mil milhões do PRR poderão não ser usados se os projectos não forem aprovados até 31 de Agosto. Segundo o presidente da Comissão de Acompanhamento da torrefacção, os «tempos de resposta aos pedidos de pagamento do PRR estão a aumentar em vez de diminuir». Pelo resultado de várias décadas a torrar dinheiro da Óropa, não é de esperar que se perca grande coisa, porém, dava jeito a circular por aí.

O Estado sucial é um caloteiro

Governado pelo PS ou pelo PSD, há várias coisas imutáveis no Estado sucial e uma delas é que é um Estado caloteiro que paga mal a todos os prestadores de serviços, como neste caso o INEM que pagou aos bombeiros no último dia do prazo. É apenas uma gota de água no oceano das dívidas a fornecedores, cujo prazo médio de pagamento é superior a 70 dias e no caso do SNS vai até aos 204 dias na ARS Norte.

Take Another Plan. Quem cabritos vende e cabras não tem…

Enquanto decorre o plano de privatização, perdão, o desejo de vender 49,9% a um benfeitor, a TAP vai-se desfazendo das suas pratas, que no caso são mais sucata do que prata. Comprou por 11,7 milhões 51% da empresa de catering há um ano, está agora a tentar vendê-la por 9,6 milhões.

(Continua)

04/05/2026

Ser de esquerda é... (34) - ... é querer cumprir Abril

Pesquisa Google

Sempre me intrigou que, como a gripe surge no Inverno, a expressão "cumprir Abril" surge na Primavera e prolonga-se até meados de Maio. Para citar alguns, entre muitos outros, exemplos recentes: «cumprir Abril é a coragem de dizer não»; «continuar a cumprir Abril»; «cumprir Abril, na justiça social, na dignidade do trabalho, no combate às desigualdades e na defesa da verdade».

Intriga-me, desde logo,  porque o verbo "cumprir", segundo o dicionário, tem vários significados: «Executar com exactidão;  Acatar, obedecer; Realizar o prometido; Submeter-se, sujeitar-se; Ser da sua competência». Admiti que o cumprir Abril poderia significar "Realizar o prometido", mas realizar o quê e por quem?  Para simplificar, admiti que o quem seria a esquerdalhada, sempre muito dada a promessas (os amanhãs que cantam, etc.). E o quê? O que seria o quê? 

Sem respostas, resolvi uma vez mais consultar o nosso web bot favorito de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data e recebi a seguinte lista de exemplos de incumpridos:

A criação do soviete do Barreiro, a adesão do Portugal Democrático ao COMECON, a criação de uma Frente Popular liderada pelos camaradas Drs. Barreirinhas Cunhal e Nobre Lopes Soares, um governo com todas as forças progressistas, incluindo a Frente de Libertação dos Animais Domésticos (FLAD), a promoção a Marechal do Camarada General Saraiva de Carvalho, a inclusão do Livro Vermelho do Presidente Mao Ze Dong nas leituras obrigatórias do 2.º ciclo, a inauguração pelo Camarada Doutor Anacleto Louçã de uma estátua de Leon Trotsky no lugar de Dom José na Praça do Comércio, a nomeação da Camarada Doutora Mariana Mortágua como ministra das Finanças.

Outros "Ser de esquerda é..."

03/05/2026

The '"Total and Complete Victory"' achieved through a Great and Beautiful Bombardment seems more like half a defeat (2)

Sequel of (1)

Let's recap the outcome of the war in Iran according to Mr. Trump, who started it 9 weeks ago:

  • March 9 - «I think the war is very complete, pretty much»
  • March 11 - «We’ve got to finish the job»
  • March 31 - «we are on track to complete all of America’s military objectives shortly, very shortly»
  • April 1 - the war is «nearing completion»
  • April 7 - «A whole civilization will die tonight, never to be brought back again»
  • May 1 - hostilities have «terminated»

Let's look at the result of all these victories:
  • Iran remains administratively and militarily functional, providing diplomatic responses and military retaliation.
  • Iran has disabled a significant portion of US surveillance in the Middle East; half of the THAAD interceptors and Patriot interceptors equivalent to 5 years of production have been used.
  • Iran forced American troops to abandon all of their air bases.
  • The Iron Dome myth has been compromised.
  • Tel Aviv has been severely hit in recent weeks.
  • The closure of the Strait of Hormuz has given Iran enormous leverage, allowing it to exert significant pressure on the US.
  • Iran maintains drone warfare, ballistic missile launch, submarine and combat capabilities.
  • Iran is viewed as a victim by public opinion in several countries.
So, Mr Trump was right when he once derided “interventionalists” for “intervening in complex societies that they did not even understand themselves” and he was mistaken in imagining that his transactional approach would have the same success with the ayatollahs, who are willing to sacrifice themselves and their people, as it had with the fearful democratic leaders he despises.

30/04/2026

JD Vance, Trump's running mate, the righteous hypocrate, from Never Trump to Ever Trump and beyond (3)

Sequel to (1), (2)

«Mike Pence should have been a warning to J. D. Vance about the inevitable abasement in store once you join a ticket with Donald Trump. Before he became Trump’s running mate a decade ago, conservative Christian values were the center of Pence’s political identity, but in October 2016, he reluctantly stood by Trump after the release of the tape in which Trump boasted about grabbing women “by the pussy.” It was a sign of things to come. Pence became vice president, and for the next four years, he defended his boss through moral abominations and deficit explosions that cut against his fiscal conservatism, flinching only when Trump asked him to help steal an election. His reward? Trump did nothing while a mob threatened to hang Pence.

All of this was common knowledge when Vance agreed to run with Trump in 2024. No one lands on a presidential ticket if they’re not outrageously ambitious—nearly every veep for at least a century has fancied themselves a future president—but Vance is particularly brazen. Becoming Trump’s running mate required a yearslong effort to ingratiate himself with a guy whom Vance had, in the pages of this magazine, referred to as “cultural heroin” and elsewhere called “America’s Hitler.” Maybe Vance’s ambition blinded him to Pence’s lesson, but the war in Iran is teaching it to him the hard way.»

J. D. Vance learns what Mike Pence already knows
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«JD Vance just delivered one of those painfully awkward moments that ends up defining a political appearance.

While speaking at a rally in Hungary where he was promoting Viktor Orbán Vance tried to create a headline-grabbing moment by calling Donald Trump live on stage to show support. Instead, it completely backfired. Trump didn’t answer.

Trying to play it off, Vance joked with the crowd that it might get embarrassing if the call didn’t go through. Moments later, that’s exactly what happened the call went straight to a voicemail that wasn’t even set up. The room was left with an uncomfortable silence and a failed stunt.

He eventually tried again and did get Trump on the line, but even that didn’t help much. Trump sounded distracted and irritated, briefly mumbling before offering a generic endorsement of Orbán. It felt more like an obligation than enthusiasm.»

Hudson Flores, Quora
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«Vice-President J.D. Vance loves big ideas, or at least the idea of big ideas. Unlike President Donald Trump, he reads books and even writes his own, and he talks, authentically, like a diploma-carrying member of the elite they both ostentatiously disdain. He aligns himself with the “post-liberal right”, a term so highfalutin one struggles to imagine Mr Trump using it. Mr Vance serves as the chief emissary between the Trump White House and the intellectual “New Right”, the agglomeration of pointy-heads, Silicon Valley potentates and podcasters with big ideas of their own for saving Western civilisation, as Mr Vance, apocalyptically, likes to describe his mission.

It is heady stuff. It must also, on some days, prove vexatious, for it has led Mr Vance to cast himself as the chief ideologist of a movement, MAGA, whose essence is that it has no ideology. MAGA is committed instead to the instincts, impulses and glory of one man. As a result, Mr Vance’s theories of governance keep taking a beating from Mr Trump’s practice.

For example, contrary to the big ideas of Mr Vance, Mr Trump has recently been threatening to destroy a civilisation. Mr Vance, a veteran of the Iraq war, has been an advocate of isolationism. As he put it during the last presidential campaign, “America doesn’t have to constantly police every region of the world.” A war with Iran seemed to him a particularly bad idea. It was not in America’s interest and would mean “a huge distraction of resources”; war between Israel and Iran was “the most likely and the most dangerous scenario” for starting a third world war.»


J.D. Vance’s theory of Trumpism is no match for the practice

29/04/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Dr. Ventura quer descer a idade da reforma. Alguém lhe deveria explicar que seria um disparate e para isso ser possível só com mais imigrantes

O meu radar não está programado para detectar flatulências e só me dei conta de que o Dr. Ventura exigiu há dias a descida da idade da reforma ao ler este artigo de Henrique Raposo.

Apesar da minha apreciação por HR não abranger o seu estilo gongórico-emotivo, vou citar um excerto do seu artigo «A proeza do Chega: ser mais imbecil do que PCP e BE»

«Há vinte ou quinze anos, era impossível discutir com a esquerda a questão das pensões, porque a esquerda anti-passista recusava (recusa?) os números da demografia. Recusava enfrentar este facto: nós temos um saldo natural negativo desde 2007/08. Ou seja, há quase vinte anos que temos mais mortes do que nascimentos todos os anos. (...) 

O Chega torna-se ainda pior a partir do momento em que ataca a imigração e a consequente contribuição para a segurança social dos imigrantes. O Chega é um perigo para o país, sobretudo para os reformados mais pobres, porque não sabe ou não quer fazer contas. E é fácil demonstrar a estupidez do Chega: se pensarmos que a pensão mínima em Portugal ronda os 350 euros e se olharmos para os 4,15 mil milhões que os imigrantes descontaram para a segurança social em 2025, isto quer dizer que os imigrantes garantem o valor de 856 mil pensões mínimas anuais.»

Para me ser desculpada a citação e sair do campo do insulto, remeto para a longa série de posts «A leveza insustentável do sistema público de pensões», cuja leitura, espero, demonstra que o Dr. Ventura é um lunático, um socialista de direita ou um demagogo (e, sem dar por isso, caí também no insulto).

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Post Scriptum: Já agora, para ilustrar o que HR escreveu sobre mortes e nascimentos, aqui vão os dados dos últimos cinco anos, que seriam muito piores se não fosse a imigração: