Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

24/03/2026

Crónica da passagem de um governo (42a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Derrapagem é o outro nome para a gestão das obras do Estado sucial

Em 2003 a construção do Hospital Oriental de Lisboa ou Hospital de Todos os Santos foi considerada prioritária (ver aqui a estória resumida). Desde então o projecto andou de Herodes para Pilatos e, por último, 100 milhões dos contribuintes europeus via PRR que iriam financiar uma das alas ficaram comprometidos por atraso na construção.

O Estado sucial é lerdo até a gastar o dinheiro dos outros

Dos 21,9 mil milhões do PRR, cerca de 70% (13,7 mil milhões) já foram torrados numa multidão de projectos, muitos deles sem retorno que justificasse o dinheiro neles torrado. Dos restantes 30% uma parte irá provavelmente perder-se porque os projectos não serão aprovados até 31 de Agosto. Irá perder-se? Depende da perspectiva. Do lado de lá é uma poupança, do lado cá são uns dinheiros que dariam jeito para disfarçar o marasmo.

Quereis reformas? Ora tomai lá disto

No caso de incumprimento do dever de diligência, um gestor privado é civilmente responsável pelas perdas sofridas pela empresa, pelos seus sócios e terceiros, pelos credores sociais e ainda por incumprimento fiscal, podendo (e nalguns casos devendo) dispor de uma garantia financeira. 

A ninguém passaria pela cabeça exonerar os gestores das suas responsabilidades. Salvo se as cabeças forem as de um governo que quer acabar com a «ameaça que paralisa a administração pública» pelo receio de decidir, limitando as responsabilidades dos gestores públicos à negligência grosseira e ao dolo, isto é, aos casos de incompetência terminal e crime. E foi assim que o ministro da Reforma do Estado, Dr. Matias, anunciou a sua primeira grande reforma.

No Estado sucial importa apenas a ignorância. A especialidade é irrelevante

O mês passado foi nomeado um enfermeiro para a coordenação da EMER 2030, um zingarelho para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis. Dado o escândalo, umas semanas depois foi nomeado em substituição do enfermeiro um advogado, actual vogal da junta de freguesia de Alvalade.

O Estado sucial é um caloteiro

Pódio dos caloteiros (Fonte)

Que o Estado é mau pagador não é novidade, mas, que diabo, levar em média 6,5 anos para pagar as facturas é um bocadinho exagerado. A não ser por se tratar de financiar a inovação…

E, no entanto, o eleitorado não parece preocupado com a governação

Como mostra a sondagem ICS/ISCTE para o Expresso, as maiores insatisfações dos eleitores são com aquilo pelo qual o governo não pode fazer muito: custo da habitação (74% de insatisfeitos), custo de vida (64%) e corrupção (63%).

(Continua)

23/03/2026

Pro memoria (146) - Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk pareciam ser um bocadinho magalómanos... e estão a ser

Continuação de Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk podem ser um bocadinho magalómanos e de Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk podem ser um bocadinho magalómanos... e o défice pode ainda aumentar

Recordemos que o Sr. Musk garantiu em plena campanha eleitoral em 2024 num comício MAGAlómano no Madison Square Garden que iria cortar um terço do orçamento federal anual de US$ 7 biliões, o equivalente a US$ 2,3 biliões (2.300.000.000.000). 

Consumado o divórcio Musk-Trump, passado um ano e meio desde o anúncio e apenas cinco meses do ano fiscal de 2026 iniciado em Outubro e ainda sem a despesa militar decorrente do ataque ao Irão ao fim da 3.ª semana estimada em cerca de USD 20 mil milhões (o governo pediu ao Congresso um reforço do orçamento militar de USD 200 mil milhões), os dados oficiais mostram uma dívida federal em constante crescimento que já ultrapassou a do ano fiscal anterior.
Treasury.gov

Nas palavras do Committee for a Responsible Federal Budget «No matter what metric one chooses to examine our fiscal trajectory, we are clearly headed in the wrong direction. Gross debt is now $39 trillion; debt held by the public recently surpassed $31 trillion for the first time; deficits are approaching $2 trillion; and deficits as a share of the economy are twice as large as the 3% goal many economists and bipartisan policymakers believe we ought to be targeting.?»

22/03/2026

DIÁRIO DE BORDO: Peter Hegseth e Aziz Nasirzadeh, semelhanças e diferenças

Descubra as diferenças

«The war in Iran is protected by God», disse Peter Hegseth, o secretário de Estado da Defesa, perdão, secretário de Estado da Guerra, em entrevista ao programa 60 Minutes Overtime da CBS News. 

Dei comigo a pensar que o general de brigada Aziz Nasirzadeh, o homólogo de Peter Hegseth no Irão, poderia ter dito, em nome de Alá, algo equivalente sobre o ataque ao seu país pela tropa comandada pelo seu homólogo.

E daí a dúvida. Afinal, quais são as diferenças entre Pete Hegseth e Aziz Nasirzadeh? Ocorreram-me várias, por exemplo, Hegseth foi acusado e julgado por assédio sexual, o que seria impossível acontecer a Aziz Nasirzadeh, talvez por boas e, certamente, por más razões. Porém, a maior diferença é que Aziz Nasirzadeh e o seu chefe Supremo Aiatollah Ali Khamenei estão mortos desde o dia 28 de Fevereiro em consequência de um ataque ordenado por Pete Hegseth e o seu chefe, e estes ainda estão vivos.

De volta à Mota-Engil e aos "fundos-abutre"

Faz um tempo, comentei aqui a ridícula conclusão de uma peça do Expresso com o título "Quem são os 'fundos abutres' que investem quase €300 milhões para a bolsa nacional se afundar?" (*) de que existe um enorme risco de uns fundos afundarem uma bolsa na qual controlam menos de 0,5% da capitalização bolsista de 11 empresas portuguesas.

Algum tempo depois, à mesma conclusão chegou o artigo «Mota-Engil foi a “vítima perfeita para um fundo abutre”, diz administrador financeiro». Já agora, recorde-se que a Mota-Engil teve como presidente executivo durante vários anos o Dr. Jorge Coelho, ministro de vários governos socialistas e eminência parda do PS e do regime. Desta vez, o abutre foi identificado como o Muddy Waters Capital Domino Master Fund que, apenas com uma posição curta de 0,65% que reduziu para 0,57%, teria segundo o artigo alcançado o milagre de afundar as cotações da Mota-Engil em quase 40%.

O passo seguinte foi uma entrevista ao Expresso do presidente da Mota-Engil em que este acusou o Muddy Waters de "manipulação do mercado" por deter posições a descoberto de 0,65% do capital, no qual a família Mota perdeu em 2021 a maioria por ter vendido aos chineses da CCCC (+)  China Communications Construction Company -, venda determinada pelas dificuldades da Mota-Engil de pagar a dívida pantagruélica ao Novo Banco, herdada por este do BES. 

Desta vez, o tiro saiu pela culatra porque um ano depois dessa entrevista a Muddy Waters «moveu um processo de difamação no tribunal federal do Texas contra Carlos Mota dos Santos». É um exagero. Não havia necessidade - se o ridículo fosse mortal, a "difamação" teria morto a Mota-Engil.
____________________

(*) Os "fundos abutres" praticam o short selling ou venda a descoberto que consiste em vender um activo esperando comprá-lo mais tarde a uma cotação menor, o que só faz sentido para o fundo se tiver expectativas que o activo em causa está sobreavaliado. Em mercados evoluídos, considera-se que esta prática reduz o risco para os investidores e aumenta a liquidez e a estabilidade dos mercados.

(+) A Mota-Engil foi mais um dos "centros de decisão nacional" vendidos a estrangeiros devido ao endividamento de públicos e privados e à descapitalização da economia portuguesa.

20/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (4) - He now knows that "complex societies" with zero capacity can inflict huge damage

Continuation of (1), (2), (3)

«Although President Donald Trump says he has “destroyed 100% of Iran’s Military Capability”, the 0% that remains is playing havoc with the global economy by choking off 10-15% of its oil supply.» (Source)

Yes, Mr Trump was right when derided «interventionalists» for «intervening in complex societies that they did not even understand themselves».


«Vexed by negative coverage, Mr Trump is describing critical media outlets as “Corrupt and Highly Unpatriotic”. On March 15th he said he was “thrilled” to hear that his Federal Communications Commission might review the broadcast licences of those that peddle “FAKE NEWS”

19/03/2026

Bons exemplos (144) - Leitura recomendada aos membros actuais e futuros dos governos do Portugal dos Pequeninos

Não desconhecendo a diferença entre intenções e realizações e acreditando que sem boas intenções não há boas realizações (as opiniões dividem-se a este respeito), recomendaria aos membros dos governos actuais e futuros a leitura integral da mensagem aos funcionários da administração pública inglesa (que lá, não por acaso, se chama Civil Service) de Antonia Romeo, recentemente nomeada Secretária do Gabinete e Chefe do Serviço Civil, mensagem da qual à guisa de teaser extraio alguns trechos.

«The Civil Service has deep skills and expertise, but we need to continue to modernise and innovate. I have spent much of the past five years talking to civil servants across the country about what they want from the Civil Service. What you have told me is that you want to change the things that get in the way of you doing your jobs. You want us to be more productive, to do things differently. You want to be proud of what you achieve. Civil Service modernisation needs to embrace your ideas and have innovation at its core.

I have given my career to public service because I care passionately about the country and the importance of democracy. No one will be a stronger advocate of the Civil Service than I am. I will stand up strongly for the Civil Service and I will work with you all to maintain and build trust in our institution. In 25 years I have seen civil servants respond to huge challenges with creativity, resilience, and determination. I know what we can achieve together.

Finally, my commitment to you as your Cabinet Secretary is to provide the energy, direction and support you need to excel. I will always take pride in what we do. You do some of the hardest jobs in the country - and you do them because they are hard, not in spite of them being hard.

That is the heart of public service. Every single person in the country, every day, depends on our work. That should be a matter of pride for us all, and something we should all carry with us.»

17/03/2026

Crónica da passagem de um governo (41b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 41a)

Será mais uma manifestação de reverência pelo semanário de referência?

Concedo que, à parte considerações ideológicas, o jornalismo do Expresso é provavelmente o de melhor qualidade do Portugal dos Pequeninos com um grau de independência não muito vulgar, o que não é dizer muito porque o jornalismo de Portugal dos Pequeninos é de fraca qualidade e está muitas vezes ao serviço de alguém. Em consequência, as “notícias” do Expresso, por vezes opinião travestida, são importantes para credibilizar qualquer governo, de onde os governos PS terem movido as suas melhores influências para retribuírem a boa-vontade, como nestas manobras de lease-back com o Novo Banco. Menos do que os governos PS e com menos sucesso (veja-se o escarafunchar da moradia e da Spinumviva do Dr. Montenegro), também os governos PSD tentaram aliciar as boas-vontades. É neste contexto que pode ser vista a decisão da CMVM de dispensar de uma OPA a compra de uma participação na Impresa pelos herdeiros do falecido Sr. Burlesconi, sem dar opção aos accionistas minoritários, como aqui explica o jornal Eco.

A gigafábrica de IA, mal não fará (Marcos 16:18)

À míngua de reformas, o Dr. Matias, ministro da Reforma do Estado, gasta o seu talento a anunciar gigafábricas de IA e, mostrando o que está a fazer no governo, arregimentou spin doctors que enchem as páginas dos jornais com gigabytes de conversa fiada sobre o tema. Não se trata só da Gigafábrica de IA em Sines (por agora só uma candidatura aos dinheiros de Bruxelas), as gigafábricas irão multiplicar-se por todo o país (por agora só Abrantes).

Afinal, o que são gigafábricas? Para quem pense que albergarão batalhões de cientistas e técnicos altamente especializados, contribuindo assim para a retenção de talentos, pense outra vez. Por exemplo em Sines, prevê-se um investimento pantagruélico de 18 mil milhões de euros que serão gastos principalmente em hardware made in Taiwan, sistemas de refrigeração made in Germany, kms de fibra óptica, tudo para consumir e equivalente a mais de metade do consumo total do país, energia que será produzida em resmas de painéis solares fabricados na China e espalhadas pelo Alentejo e outros lugares pitorescos. Não serão batalhões de técnicos, serão umas poucas centenas, nem serão altamente especializados - esses estarão noutros países -, serão engenheiros electrotécnicos, programadores, administrativos, etc., indispensáveis para manter a funcionar um supercomputador com milhares de GPU da Nvidia.

E isto é mau? Claro que não, mas não nos façam de atrasados mentais. É muito bom para um país que tem milhares de Km2 vazios, centenas de dias por ano de sol e um clima agradável para os técnicos estrangeiros e não consegue fazer melhor.

Canários na mina de carvão

Não vou escrever sobre os factores exógenos, pelos quais pouco se pode fazer além de rezar para que os Srs. Bibi & e o seu ajudante Donaldo se cansem ou os aiatolas se rendam, o estreito de Ormuz não fique fechado por muito mais tempo e o barril de petróleo não chegue aos USD200, enquanto os tugas compram mais uns popós, sem esquecer os Porsches que se vendem como pãezinhos quentes.

Por agora, já tivemos o comboio de tempestades do qual pode resultar um défice de 0,8% do PIB e, ainda antes do tsunami petrolífero, a semana passada as emissões de OT a 7 anos e a 9 anos fizeram-se com yields mais elevadas 29 e 12 pontos-base, respectivamente, do que as yields das últimas emissões dos mesmos prazos.

16/03/2026

It's too much, even for someone like Mr. Trump

Crónica da passagem de um governo (41a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Subsidiar os preços em vez de apoiar as famílias

Face aos aumentos dos preços do petróleo resultantes do fecho do estreito de Ormuz (onde a frota de Albuquerque chegou no princípio do século XVI e os portugueses lá construíram o Forte de Nossa Senhora da Conceição) em resposta à cruzada dos Srs. Bibi & Trump, o governo decidiu uma vez mais subsidiar os combustíveis através de uma dedução no ISP. Dito de outro modo, em vez de subsidiar as famílias mais vulneráveis (como fez o governo trabalhista inglês), o governo decidiu que a redução de receita fiscal devida à dedução no ISP seria compensada por todos os contribuintes, mesmo os que não precisam e em média gastam mais combustíveis.

Aversão ao risco

A aversão ao risco é uma das características da cultura do Portugal dos Pequeninos como este blogue vem há décadas lembrando (por exemplo no post DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: aversão ao risco é o que nos sobeja).

mais liberdade

A coisa é tão doentemente acentuada que as sociedades de capital de risco, criadas no princípio da década de 90, que pretendiam imitar o venture capital, se dedicaram na maioria do casos a fazer exactamente o contrário financiando empresas quase falidas. Não admira que, como o diagrama mostra o capital de risco tenha um peso muito menos significativo do que na média das UE, que já de si não é um bom exemplo.

Pensamento milagroso, desta vez vai ser diferente?

Incentivando a fatal aversão ao risco dos portugueses em geral e dos empresários em especial, o governo anunciou que vai despejar a fundo perdido quase mil milhões generosamente oferecidos pelos contribuintes europeus para financiar a inovação. Naturalmente, as “ajudas à inovação” vão ser dadas a projectos aprovados pelos nossos venture capitalists que são os apparatchiks do Banco Português de Fomento que geriu um sistema de garantia mútua que até ao final de 2020 registou perdas por pagamento de garantias de 881,08 milhões e desde 2012 até 2024 registou perdas de 124 milhões nas cerca de 300 startups em que participou.

Boa Nova. Uma reformazita

Arriscando estar a deitar foguetes antes da festa, festejo a iniciativa do governo de podar o Instituto de Emprego e Formação Profissional de ramos inúteis eliminando estruturas e chefias infectadas pelo parkinsonismo (o de C. Northcote Parkinson e não o de James Parkinson).

(Continua)

14/03/2026

CASE STUDY: Um imenso Portugal (67) - Um Brasil igual ao Chile e mais do que Alemanha

Outros imensos Portugais

Com um défice orçamental nominal de 8-9%, o rácio da dívida pública do Brasil de Lula da Silva tem vindo a crescer de 62% em 2010, sendo actualmente quase o dobro da média dos rácios dos países latino-americanos, e o FMI estima que em 2030 atingirá 99%.  

Por coincidência, 62% em 2010 era aproximadamente o rácio da dívida portuguesa antes de José "Animal Feroz" Sócrates, amigo do peito de Lula da Silva, ter iniciado em 2005 o caminho para a bancarrota. Por outra infeliz coincidência, o rácio do Brasil, estimado pelo FMI para 2030, de 99% está próximo dos 98% de Portugal registados em 2023.

Uma das maiores ameaças ao equilíbrio fiscal é o sistema de segurança social cujas pensões, que representam actualmente 10% do PIB, representarão em 2050 uma percentagem mais elevada do que a da Alemanha e da média da OCDE, países muito mais envelhecidos do que o Brasil. Com uma estrutura etária semelhante à Chile ou do México, os gastos com pensões do Brasil já atingem em percentagem do PIB o nível do Japão.

Diferentemente do que di Lampedusa prescreveu para a Sicília, no caso do Brasil (e de Portugal) é  preciso que muito mude e nada fique na mesma.

12/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (3) - Trump puts his mouth where his head is; the Ayatollah puts his head where his mouth is.

Continuation of (1) and (2)
The new Supreme Ayatollah Mojtaba Khamenei is the second son of Ali Khamenei, killed in the Israeli attack along with Mojtaba's wife and son. The new leader has a fortune obtained from the clandestine sale of Iranian oil that rivals Trump's, and that's where the similarity ends.

Mojtaba Khamenei served in the armed forces during the Iran-Iraq war, knows the political system inside out, and has strong ties to the Revolutionary Guard. With this past and the hatred that will result from the assassination of three family members, it is predictable that he will do everything to resist the "special operation" hoping that Trump's volatility, the horror of the loss of American lives, and the consequences of a crisis stemming from the closure of the Strait of Hormuz and the destruction of oil infrastructure in the Persian Gulf will do the rest.

That is why I continue to consider the most likely outcome is that, after a few weeks, Mr TACO (Trump Always Chicken Out) will wait for the first pretext to cower.

11/03/2026

Crónica da passagem de um governo (40b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 40a)

«Lay-off a 100% avança com aliança de PS, Chega e restante esquerda»

A expressão «Chega e restante esquerda» é um pouco simplista, ao meter o Chega na esquerda quando, na verdade, é mais um híbrido que em matéria social é socialista, como neste caso em que vota uma proposta que obrigará as empresas a pagar durante o lay-off extraordinário (uma emergência em que arriscam a falência) o mesmo salário, do qual resultará um rendimento líquido maior do que se estivessem a trabalhar.

Está tudo explicado. O governo não tem "fetiche sobre o crescimento

Quem o disse foi o ministro da Economia que, por isso, deveria mudar o título para ministro da Ecoanomia. Percebe-se agora que o governo, não se preocupando com o aumento da produtividade, não faz as reformas indispensáveis para aumentá-la e assim criar mais riqueza. Fica por esclarecer por que diabo o ministro se queixa da «excessiva retração» dos bancos e do «excesso de prudência (que) atrasa o crescimento económico».

O Dr. Matias e a atracção de talento

Enquanto prepara Portugal para vir a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Gonçalo Matias, anuncia um projeto estratégico para criar uma gigafábrica de Inteligência Artificial (IA) de escala europeia, para posicionar o país como um dos principais polos de computação avançada da Europa e «atrair investimento e talento» (fonte). O Dr. Matias devia limitar a ambição à venda de electricidade. Atrair talento é muita ambição. Já ficaríamos gratos se o Dr. Matias se ficasse pela retenção do talento que todos os anos abandona o Portugal dos Pequeninos, enquanto se criam “vias verdes” para atrair trabalhadores para a construção para fazerem o trabalho que o nosso talento que ficou retido não está disponível para fazer.

Os canários na mina de carvão estão em risco de vida

E não estão em risco de vida porque em Janeiro o Índice de Volume de Negócios na Indústria, que tinha crescido 2,3% em Dezembro, teve redução homóloga nominal de 1,5% (fonte INE), após o crescimento de 2,3% observado no mês anterior. Isso são miudezas face aos possíveis impactos da «operação militar especial» Trump-Bibi em curso. 

Enquanto isso fazem-se jogos florais…

… e o Dr. Passos Coelho aponta o dedo ao Dr. Montenegro que não faz reformas (que, por boas razões, se suspeita que os eleitores podem não querer) e o Dr. Montenegro desafia o Dr. Passos Coelho para um duelo nas directas do partido de ambos.

10/03/2026

Crónica da passagem de um governo (40a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Oremos para que o choque fiscal estimule a oferta de habitação (2)

Que a oferta de habitação é insuficiente, ninguém parece ter dúvidas. Também parece claro que a procura aumentou e a crise da habitação se agravou com o Programa Crédito Habitação Jovem que levou os empréstimos para compra de habitação pelo escalão etário 18-35 anos a representarem no ano passado 60% dos 39,3 mil milhões de novos empréstimos e ainda com o investimento estrangeiro em imobiliário que no ano passado atingiu 3,9 mil milhões e representou 46% do investimento directo estrangeiro.

Pelo lado da oferta e dos sucessivos programas para a aumentar, as notícias não são melhores. Nos dois últimos anos, dos 114 mil fogos projectados apenas 72,7 mil foram licenciados, confirmando a minha dúvida de que as medidas fiscais sejam suficientes para estimular a oferta sem a simplificação da burocracia municipal.

A transformação digital no Estado sucial dos Pequeninos não é em vez de, é em cima de

Por falar em burocracia municipal, relato a minha experiência recente numa visita a uma das câmaras municipais com maior orçamento, considerada um modelo autárquico, para tentar agendar uma reunião com um arquitecto. Fiquei a perceber que, na verdade, a transformação digital (geralmente definida como a integração das tecnologias digitais nas operações de empresas e serviços públicos, com vista a simplificar ou, como se diz no patuá pós-moderno, agilizar os processos) consiste em montar em cima de um processo por natureza simples uma série procedimentos que envolvem criar registos com uma pletora de dados, confirmar e reconfirmar esses a dados com a chave móvel digital e vários códigos de acesso enviados por SMS, etc. e no final a simpática funcionária informa o munícipe que um dia vai receber uma telefonema para agendar a reunião.

Boa Nova
Choque da realidade com a Boa Nova

As más novas são várias. Em valor, o endividamento da economia (o total da dívida do Estado, das empresas não financeiras e das famílias) aumentou o ano passado em 28,9 mil milhões. A dívida pública na ótica de Maastricht aumentou em Janeiro 6,1 mil milhões ultrapassando os 280 mil milhões. E o Estado português foi um dos três países da OCDE que mais recorreu a novas emissões para amortizar dívida.

Isto são apenas os preliminares. Com as tempestade e as prováveis sequelas da «operação militar especial» Trump-Bibi no Irão as coisas vão mais difíceis, o que levou o ministro das Finanças, habitualmente tão optimista, a não excluir (uma maneira simpática de dizer que é quase inevitável) voltar aos défices.

(Continua)

09/03/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: E se o povo não quiser reformas?

«(...) É claro que reformas deste tipo não teriam qualquer hipótese de aprovação no parlamento. Mesmo que o PSD as desejasse (o que não estaria assegurado), encontra-se entalado entre dois partidos, o Chega e o PS, avessos a reformas liberais e que defendem mais intervenção do estado na economia e na sociedade. A resposta de PPC a um impasse deste tipo é confiar no povo. O político reformista deve apresentar e advogar a sua agenda perante os eleitores sempre, em eleições ou fora delas. Deve apresentar as suas propostas com coragem, sem compromisso ou calculismos. Os consensos que muitos advogam são frequentemente bissetrizes que nada mudam, simulacros de reformas que reduzem a pressão para as verdadeiras alterações estruturais. Insistir sempre. Se não for possível, ouça-se o povo. 

Gosto! Mas ... e se o povo não quiser reformas? E se o povo preferir a quietude anestesiante do declínio gradual à agitação transformadora? Afinal foi o povo que deu ao Chega e ao PS o poder bloqueador que atualmente detêm.

É que as reformas têm sempre ganhadores e perdedores. Esperam os reformistas que os benefícios dos ganhadores sobrelevem as perdas dos perdedores - isto é, que as reformas sejam um jogo de soma positiva - e que existam mecanismos redistributivos que permitam a compensação daqueles prejudicados. Em jargão de economista, esperam que as reformas representem uma melhoria potencial à Pareto. O problema complica-se quando consideramos a dimensão intergeracional. Os benefícios das reformas podem levar muito tempo a manifestar-se e os maiores ganhadores podem vir a ser aqueles que hoje ainda são muito jovens ou mesmo ainda não-nascidos - ou seja, segmentos com pouca voz eleitoral ou sem ela Em contrapartida, os eleitores mais velhos, com as vidas resolvidas, são aqueles expostos a maiores riscos e para quem o up side das reformas é menos óbvio. Vê-se assim que em sociedades envelhecidas como a portuguesa, em que a idade mediana são 47 anos e 25% da população tem mais de 65 anos, conseguir maiorias eleitorais reformistas é tremendamente difícil.

O reformador arrisca-se, assim, a ser como o escuteiro que queria praticar a sua boa ação diária levando uma velhinha a atravessar a rua. Só que ela não o queria fazer.»

O reformador e o povo, José A. Ferreira Machado no Jornal Sol

08/03/2026

Trumponomics' unintended consequences (6) - Possible collateral damage from the attack on Iran and the Ayatollah regime's response

Other Trumponomics' unintended consequences.


«The shutdown of oil and gas production due to saturation of storage capacity (the so-called tank-top) is a critical scenario, as the sector operates in continuous flow. If the Strait of Hormuz closes and the flow stops, the consequences would be:

1. Structural and Technical Damage to Wells

Unlike a tap, stopping production in an oil field is a complex process.

Damage to reservoirs: The sudden shutdown can alter underground pressure, causing leaks of water or sand that can permanently damage the well.

Difficulty in Restarting: Resuming production can take months and require massive investments. In some cases, the flow never returns to previous levels, resulting in the definitive loss of reserves.

2. "Flaring" and Waste of Gas

Natural gas is often extracted along with oil (associated gas).

If oil tanks are full but the gas cannot be processed or exported, companies are forced to burn the gas (flaring) in massive volumes, generating an environmental disaster and economic waste of resources that could heat millions of homes.

3. Value Destruction and Bankruptcies

Maintenance Costs: Even when shut down, infrastructure requires maintenance to prevent corrosion. Without sales revenue, producing countries (such as those in the Gulf) face acute fiscal crises, as they depend on this flow to finance the state.

Take-or-Pay Contracts: Production shutdowns lead to non-compliance with long-term supply contracts, generating international legal battles and financial penalties of billions of dollars.

4. Extreme Price Volatility

Short Term: The price skyrockets globally due to scarcity in the consumer market.

Medium Term: When production is finally resumed, a sudden oversupply may occur, causing a price crash, similar to what briefly happened in 2020 (negative prices). 

5. Reconfiguration of Energy Geopolitics

The forced shutdown in the Middle East would accelerate the energy transition and investment in exploration in other regions (USA, Brazil, Guyana) and renewable energies, to reduce dependence on such a vulnerable chokepoint.»

Google's Gemini Response

07/03/2026

How many trumps there are in this Trump? Read my lips and watch my leaps


 «Donald Trump campaigned on the idea that electing him was the best way to avoid wars. He has referred to himself as the “peace president,” going so far as to complain that he hadn’t won a Nobel Peace Prize.

Yet Trump has governed as a hawkish interventionist whose approach better aligns with his neoconservative secretary of state, Marco Rubio, than with the anti-interventionists in his administration, such as J. D. Vance and Tulsi Gabbard. The United States is now enmeshed in so many conflicts that its foreign policy is closer to “world police” than “America First.”

The newly launched war against Iran is the most significant. Operation Epic Fury begins less than a year after the United States and Israel partnered to strike Iran’s nuclear facilities. At the time, Trump declared that operation a success, and Vance defended it by stating, “I certainly empathize with Americans who are exhausted after 25 years of foreign entanglements … But the difference is that back then, we had dumb presidents and now we have a president who actually knows how to accomplish America’s national-security objectives. So this is not gonna be some long, drawn-out thing.” (...)

All alone, this war would make a mockery of MAGA claims that Trump is an anti-interventionist. But it is one in an extensive list of Trump-era entanglements.» 

(Who Is the U.S. Actually at War With Right Now?)

Truth social

06/03/2026

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

 

António Lobo Antunes, in illo tempore

Trinta e três anos antes, no meio dum pelotão de cadetes da EPI em Mafra, composto por ele próprio, mais quatro dezenas de mancebos brutos e o Impertinente, todos ensebados pela falta crónica de água, quem diria que havia de sair daquele invólucro jovem e frágil este animal da escrita, escrevi há 22 anos.

05/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (2)

Continuation of (1)

The late Aitola Khamney in the company of Mr. Trump's crony

The past

«Yes, Mr Trump once warned that Barack Obama would attack Iran because of “his inability to negotiate properly”. Yes, as recently as last May Mr Trump derided “interventionalists” for “intervening in complex societies that they did not even understand themselves”. And, granted, there’s all that recent “president of peace” hooey.

While you’re getting that off your chest, you might also describe how he has tied himself in knots while unspooling his many rationales for waging war together with Israel on Iran. How can he fear a nuclear programme he “obliterated” a few months back? How can he warn that Iran might soon rain intercontinental ballistic missiles on America when the Defence Intelligence Agency has said such weapons were ten years away, provided Iran actually decided to build them? And can this really be the same Donald Trump who used to ridicule the regime-changing, democracy-building visions of “neocons”—and now tells the Washington Post, “All I want is freedom for the people”?

It is the same Mr Trump, so steel yourself. While you can await contortions from lesser America Firsters, such as poor J.D. Vance, do not expect Mr Trump to bother trying to reconcile present practice with past positions. He has always been the most opportunistic of men. He did not become a crypto billionaire by hewing to his public contempt for cryptocurrencies as scams “built on thin air”, just as he did not achieve his astounding political comeback, after trying to thwart the transfer of power in 2021, by following any rule book or, indeed, adhering to any principle—no principle, that is, beyond winning, as he defined it.» (Source)

The possible future
 
I don't think it's possible for a Mr Trump, with no convictions beyond his vanity, a transactional approach to foreign policy, and suffering from narcissistic personality disorder, to understand and anticipate the reaction of the Ayatollah's regime.

He doesn't understand that the Ayatollah's regime, in the name of a barbaric ideology, may be willing to sacrifice its leaders and its people to remain in power, and continue to do so beyond the time horizon of Mr. Trump's mind and the capacity of the American people to endure human (for now few) and economic (probably significant) losses.

Since it is implausible that the Trump administration will take concrete steps, namely put the boots on the ground, to defeat the Ayatollah's regime, it is very likely that, after a few days or weeks, Mr TACO (Trump Always Chicken Out) will wait for the first pretext to cower.

03/03/2026

Pro memoria (145) - Seventy years ago, Charles de Gaulle warned, but he was not heeded.

«Shortly after Charles de Gaulle became France’s leader in 1958 he warned Konrad Adenauer, then German chancellor, that the Americans were “not reliable, not very solid and understand nothing about history or Europe”. Musing about the shifting balance of world power, le général told an adviser: “Any day the most extraordinary events could happen…America could…become a threat to peace.” By 1966 de Gaulle had built a bomb, pulled out of NATO’s integrated military command and booted American soldiers off French soil.»

That irritating feeling that France was right

02/03/2026

Crónica da passagem de um governo (39)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Se não queres resolver um problema, cria uma comissão

Esta expressão é atribuída ao Dr. Salazar, aka o Botas, que com as suas quatro décadas em S. Bento, na companhia da D. Maria e das suas galinhas, sabia muito bem do que falava.

Para citar um exemplo recente, a comissão técnica para avaliar os incêndios de Agosto do ano passado está há seis meses para ser constituída.

Take Another Plan. Mesmo sem comissão a coisa entropia-se

O prazo para o governo privatizar a Cateringpor e SPdH, duas participadas da TAP, expirou no final do ano passado e o governo não cumpriu o prazo e  obriga a TAP a pagar 25 milhões de penalização.

Antes de expulsar os imigrantes conviria pôr uns dinheiros de parte

Segundo os dados publicados pela Segurança Social, os imigrantes que pagam contribuições representam um quinto da força de trabalho (incluindo 5% provenientes do Bangladesh – à atenção do Dr. Ventura), na agricultura representam mais de metade, pagaram um sétimo do total das contribuições para Segurança Social e receberam prestações de cerca de um quinto do que pagaram.

Por falar em imigrantes, segundo os dados do Eurostat, das cerca de 78 mil autorizações de residência e trabalho para estrangeiros qualificados na UE em 2024, Portugal conta com 0,02% (16).

Mal não fará (Marcos 16:18)

«Há €20 mil milhões a caminho de Sines», é o título profético do semanário de reverência. A profecia fica reduzida ao pensamento milagroso, quando se lê a lista de intenções de investimento e se constata que 60% a 80% desses investimentos serão em centros de dados, que usarão resmas de megawatts e contribuirão com dúzias de empregos, e grande parte do resto são principalmente unidades de produção de hidrogénio verde, por enquanto no domínio da fantasia.

Portugal, um enorme resort

Em 2025 o turismo representou mais de um quinto do PIB. Em cima disso, o governo prevê que as receitas do turismo este ano cresçam 5,5%. Too Much Of A Good Thing?

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Apesar do contínuo despejar, o dinheiro no SNS nunca é suficiente. Disse a ministra no parlamento que as receitas do SNS cresceram 10% e, não obstante, registou-se mais um saldo negativo de cerca de mil milhões de euros, a dívida aos fornecedores cresceu 11% atingindo 1,5 mil milhões, o que não impediu o aumento do número de partos em ambulâncias, cuja causa continua para mim obscura porque tanto pode dever-se à omnipresente “falta de recursos”, apesar do seu contínuo aumento, como a crescentes dificuldades das grávidas interpretarem os sinais que o corpo lhes envia.


Oremos para que o Dr. Neves não tenha sido escolhido pelo princípio de Peter nem venha a ser mais uma vítima do efeito de halo (continuação)

Concedo que o meu desejo de ter gente capaz no governo levou a melhor sobre as preocupações de criar um precedente de «passar de diretor da PJ para ministro da Administração Interna», grave segundo o Dr. Passos Coelho, que ainda não percebi se está ou não a pretender promover-se de savant da governação a sebastiânico primeiro-ministro in wating. Espero que resolva sem demora a dúvida.

Mais Boas Novas anunciadas pelo Dr. Matias

Enquanto prepara Portugal para vir a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Gonçalo Matias, garante, entre uma pletora de outras reformas, que «vamos liderar o processo de modernização da contratação pública».

Gostava de dizer que é uma Boa Nova, mas não tenho a certeza que seja

Um dos muitos problemas auto-infligidos que a administração pública enfrenta resulta do facto de a posse do cartão certo ser frequentemente o principal critério de escolha dos quadros. Por isso, poderia ser uma boa notícia a nomeação para a Direcção-Geral do Consumidor do Dr. Seguro Sanches que foi secretário de Estado em vários governos socialistas – ainda que isso possa dar o mote ao Dr. Ventura e os seus devotos invocarem a coisa como mais uma maquinação do “sistema” – o mesmo sistema que concede ao Dr. Ventura quase tanto tempo de antena do que ao conjunto dos líderes do sistema.

01/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but

Requiescat in inferno.

«Khamenei May Be Gone, but Iran 2026 Is Not Iraq 2003.»
Niall Ferguson

I have no memory of any regime change caused by airplanes.