Dizer que todos os políticos mentem é um truísmo. Até se pode dizer com a mesma propriedade que toda a gente mente - quem nunca disse uma mentira social como "teria muito gosto de ir mas já tenho um compromisso"? O quid é em que circunstâncias e com que frequência mentem.
No que respeita aos políticos, quanto às circunstâncias há mentiras incontornáveis como, por exemplo, durante uma guerra cuja primeira vítima é a verdade, como se costuma dizer. Quanto à frequência, percebe-se que não deve haver nenhum político que ao longo de uma carreira de décadas não tenha mentido mesmo em tempo de paz. É um pouco mais difícil de perceber um político que na última contagem em quatro anos diz 30.573 mentiras factualmente documentadas.
Tudo isto para chegar às mentiras dos políticos de esquerda e de direita que, a meu ver, se distinguem não tanto pelas circunstâncias ou frequência mas, principalmente, porque para os primeiros são sempre ditas por "boas causas", estão moralmente justificadas e, portanto, nem são mentiras.
Um exemplo recente de uma mentira por uma "boa causa" (demonstrar a imoralidade da legislação do arrendamento alterada pelo governo PSD-CDS e entalar o actual líder) foi a estória inventada pela líder berloquista Dr. Mariana Mortágua que invocou indignada «o sobressalto da minha avó ao receber cartas do senhorio», em circunstâncias que facilmente se demonstraram não poderem ser verdadeiras, e quando confrontada com a mentira escusou-se a responder invocando serem circunstâncias da sua vida privada que ela própria usara numa discussão pública.
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