Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/05/2006

ESTADO DE SÍTIO: fazer o lugar do outro (2)

Mais uma corrida, mais um anúncio. O ministro da Economia disse hoje que «como aconteceu com a AutoEuropa (...), na Opel, o Governo está empenhado em criar condições para tentar aumentar a competitividade da fábrica, de maneira a atrair novos modelos» (DE)

Porque se esfalfam o senhor engenheiro e os seus ministros a anunciar que farão o lugar do outro em vez de fazer o próprio? Porque não se aplica o governo a fazer o trabalho de casa e aumentar a «competitividade» da administração pública, cortando a ração pantagruélica da vaca marsupial pública?

Give us a break. Walk the talk.

30/05/2006

DIÁRIO DE BORDO: tema levemente homofóbico

Enquanto trabalho em temas áridos e bastante desinteressantes ouço, sabe-se lá porquê, a 6.ª de Tchaikovsky, a Patética.

Teria Peter Ilytich, mortificado pela sua homossexualidade escondida, composto esta peça sensível e melancólica se na segunda metade do século XIX frequentasse paradas gay e passeasse de saltos altos de madrugada nas ruas de S. Petersburgo?

PUBLIC SERVICE: executive summary

Executive summary do Prós e Contras: WALK THE TALK! (do engenheiro Belmiro de Azevedo para o engenheiro José Sócrates)

29/05/2006

BREIQUINGUE NIUZ: Funchal e Moscovo, a mesma luta

Desmentindo quem pensa que o homem é um palhaço, o doutor Alberto João Jardim, o Bokassa das ilhas, como certeiramente o baptizou o doutor Jaime Gama, aquele peixe de águas profundas, como não menos certeiramente este último foi baptizado pelo doutor Soares, aonde é que eu ia? ah! o doutor Jardim interrogando-se sobre «se a Madeira é ou não autoviável e auto-sustentável» e adivinhando 9,5 milhões de sujeitos passivos, estacionados no contenente, sem poder fruir as delícias do seu jardim, divididos entre a interpretação do enigmático autoviável (terá a ver com cobrir a Madeira de revestimento betuminoso?) e o esfregar as mãos de contentes, interpretando precipitadamente o auto-sustentável como significando o fim da extorsão pelo Bokassa dos seus magros cobres, adivinhando, dizia eu, o pensamento dos sujeitos passivos, o doutor Jardim apressou-se a esclarecer que não está «pensando em independência e muito menos em independências do tipo Cabo Verde ou Timor, num mundo que está cada vez mais global, num mundo em que cada vez mais se reforçam os grandes espaços. Só por razões muito trágicas é que se ia pensar em independências». (Público). Infelizmente, pensamos nós.

Enquanto o doutor Jardim cogitava como torrar a massa dos sujeitos passivos do contenente, simulando delicados pensamentos geo-estratégicos, a milhares de km a oriente, homofóbicos russos grunhiam “Sodoma não passará!” e “Moscovo não é Sodoma!” aos ouvidos de «homossexuais que tentavam colocar uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, junto da muralha do Kremlin, em sinal de protesto contra o fascismo e a intolerância. A polícia impediu esse acto e prendeu cerca de 50 manifestantes de ambos os lados. ... No total, mais de 120 pessoas, de ambos os lados, foram levadas para esquadras».(Público)

O que tem uma coisa a ver com a outra, perguntareis. Imenso. Num caso, como noutro, trata-se de sujeitos passivos e contas. A diferença é que a maioria dos sujeitos passivo do contenente não gostariam de ser sodomizados e as contas na Madeira já foram há muito (bem) feitas, mas no Público ainda não as conseguiram acertar.

28/05/2006

BREIQUINGUE NIUZ: o triunfo da vontade

«Cavaco e Sócrates vencem Sport TV» titulou o Expresso, exprimindo bem-aventurança pela junção das forças do bem e felicidade pelo resultado que vai permitir às portuguesas e aos portugueses info-excluídas e info-excluídos, sem acesso à Sport TV, assistir em espaço públicos, em liberdade, à saga da nossa selecção.

Bem hajam.

NÓS VISTOS POR ELES: «humilhante», disse ele

«É humilhante para os portugueses a percepção que o exterior tem de Portugal, que é a de uma contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos», disse Jack Welch, mítico CEO da GE, durante o encontro do Fórum para a Competitividade.

É um ponto de vista. O ponto de vista dos portugueses não é esse. Os portugueses não se sentem nada humilhados pela «contínua degradação e declínio». Por várias razões, a começar porque estão habituados, já descontaram o declínio, como dizem os analistas financeiros - é essa a realidade desde o século XVI, com dois curtos períodos excepcionais. Segue-se que os portugueses, apesar de bajularem constantemente a estranja, têm-se em elevada conta. É o Manchester de Cristiano Ronaldo, era o Real Madrid de Luís Figo, é o Goldman Sachs de António Borges (a). O mais que um português concede é que eles (b) deviam sentir-se humilhados. (c)

Notas de rodapé:

(a) By the way, já algum jornal referiu que o doutor Borges entrou em Novembro de 2000, junto com mais 114 outras pessoas, para o Partnership Pool do Goldman Sachs e que o lugar que ocupa não é o de vice-presidente mas o de International Advisor, como se pode ler na página 113 do relatório de 2005?

(b) Eles (socialês)
(1) Os culpados da nossa miséria (dos fascistas aos liberais, passando pelos comunistas e, sempre, os espanhóis, e, em alternância, o governo e a oposição). (2) Os responsáveis pelo trânsito da miséria para a felicidade (quase todos os referidos). Antónimos: EU (que não sou parvo e não tenho nada a ver com isso) e NÓS (EU, a minha MÃE, a minha patroa, os putos, os amigos, talvez o clube, e o partido, às vezes).

(c) É o que concede este português que aqui se confessa, Q.e.d.

27/05/2006

ARTIGO DEFUNTO: o Q.e.d. do professor Carrilho

Ao contrário do que possam pensar os detractores do excelso professor Carrilho, não é invulgar encontrar uma demonstração prática das suas teses sobre o papel das agências e a má qualidade do jornalismo simultaneamente com a demonstração de uma das suas antíteses - contrariamente aos seus prováveis receios, ele que tanto preza o papel mecenático do estado, a mão pesada do governo do seu partido na economia não dá mostras de diminuir.

Essa demonstração pode ser vista, uma vez mais, na 1.ª página do caderno Economia do Expresso, que dedica a 3 rinocerontes estatais (CP, EDP, Galp) 3/4 do seu abundante espaço só com referências aos desenvolvimentos nas páginas interiores. Sem mencionar a guerra dos pequenos serviços opáticos nas badanas, sob a forma de recadinhos do excelso doutor do Banco de Portugal a corrigir o doutor da Autoridade da Concorrência sobre a concorrência na banca, que segundo o primeiro abunda e de acordo com segundo escasseia.

DIÁRIO DE PLUTÃO: ele é um fassista (1)

- Ele disse-me temos que fazer assim e assado.
- E tu?
- Eu disse-lhe que não percebia.
- E ele?
- Ele explicou-me.
- E tu?
- Eu percebi, e perguntei-lhe o que eu devia fazer se não concordasse?
- E ele?
- Ele disse que eu devia dizer que não concordava, explicar porquê e, se ele não concordasse, eu devia fazer o que ele tinha mandado fazer.
- E tu?
- Eu pensei com os meus botões: o meu chefe é um fassista!

26/05/2006

DIÁRIO DE BORDO: eu que não sou de esquerda nem moderno, direi mesmo mais

O jota-mór socialista doutor Pedro Nuno Santos, criticou a lei da da reprodução medicamente assistida aprovada ontem no parlamento porque «as mulheres solteiras férteis não podem recorrer ao privado», explicando que «a esquerda moderna não deixa ninguém de fora». (Público)

Eu, que não sou de esquerda nem moderno, não percebo porque ficam de fora os homens, solteiros ou casados, férteis ou inférteis. Bullshit, porque eles não podem ter filhos, dirão. Bullshit, coisa nenhuma. Isso é hoje. Amanhã não sabemos.

Direi mesmo mais. Todos devemos poder recorrer ao privado.

25/05/2006

SERVIÇO PÚBLICO: eles estão na cauda

Segundo um estudo apresentado no congresso do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, o salário médio dos utentes da vaca marsupial pública aumentou de 1.171 euros para 2.158 euros entre 1995 e 2003, isto é aumentou ao ritmo anual fulgurante de 8%. Recorde-se que 6 destes 8 anos constituíram o consolado do malogrado engenheiro (o outro).

Segundo o DN, citando acefalamente, como é costume, a papelada que lhe entregam, «o nível médio de remunerações na função pública situava-se 50% acima do sector privado em 2003». Segundo a edição 2003 do Statistical pocketbook Living conditions in Europe do Eurostat, o salário referido no estudo do sindicato era 2,5 vezes o salário médio na indústria portuguesa e 20% superior ao sector mais bem pago que é a intermediação financeira. Repito, 20% superior ao salário médio na intermediação financeira.

Apesar disso insatisfeitos, os utentes da vaca, queixam-se, pela boca do DN, de estar «na cauda da tabela, quando comparados com os seus congéneres dos Quinze». Quando os próprios citam os 4.000 euros da Irlanda, que por essa altura tinha um PIB per capita 70% superior ao português, e os 2.200 euros da Espanha, que por essa altura tinha um PIB per capita 30% superior ao português, percebe-se que os utentes da vaca estão a abusar da endémica inumeracia doméstica, e quando falam de cauda referem-se ao sítio da vaca mais próximo da exaustão de metano.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: «tem de haver mudanças», disse ela

Secção Entradas de sendeiro e saídas de leão (*)

O chanceler (**) Angela Merkel foi ontem à toca do lobo dizer aos delegados ao congresso da Central Sindical DGB o que eles não queriam ouvir: recusou um salário mínimo de 7,5 euros por hora e reafirmou a intenção de aumentar a idade da reforma para os 67 anos. Foi vaiada.

Quatro afonsos para o chanceler, pelo exemplo que deu aos estradistas domésticos, exemplificando que para ter tomates não chega ser homem (nos tempos que correm até nem ajuda).


(*) Esta secção mudou momentaneamente de nome para melhor se adequar à situação.
(**) Eu sei que lhe costumam chamar chancelarina, mas não gosto do nome, que me soa a bailarina. Além disso, o sexo é irrelevante no chanceler. Relevante é ser bom (vá lá, passável) no género bom (Merkel) ou ser bom no género mau (Shroeder).

24/05/2006

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: alguém deveria avisá-los do que os espera

Alguém deveria avisar os songamongas que vegetam nas escolas básicas e secundárias e nas universidades rascas deste país. Avisá-los, é o mínimo que deveria ser feito pelos songamongas que com a cumplicidade paterna cultivam a iliteracia e a inumeracia nesses lugares de espera que o tempo passe com o menor desconforto possível.

Alguém deveria avisar os songamongas que, quando chegarem à idade produtiva (se algum dia chegarem a produzir), os espera a concorrência de milhões de jovens chineses e indianos que consumiram um décimo dos recursos, fizeram o percurso para a escola a pé ou de bicicleta, enquanto os songamongas eram depositados à porta das escolas ou cavalgavam a acelera ou o chaço oferecido. Chineses e indianos que custarão um décimo a produzir e terão o décuplo das ganas de fazer pela vida.

Alguém deveria avisá-los do que os espera.

23/05/2006

SERVIÇO PÚBLICO: é a mesma gente? (2)

Não. Não vou comentar o Prós e Contras de ontem. Não gosto do homem, como até os mais distraídos poderão ter percebido pelos vários posts sulfúreos que lhe dediquei - veja-se por exemplo este, por coincidência a propósito dum comentário de JPP no Abrupto. Como não gosto dele, nem de 3/4 dos jornalistas, se o fizesse a minha alma iria dilacerar-se no confronto da vacuidade narcisista com o jornalismo de causas. Fico por aqui antes que comece a sangrar.

O que quero é perguntar se o doutor Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, que deu uma entrevista ao Semanário Económico onde afirma que «é possível diminuir significativamente a despesa pública e passar de défice a superavite em dez anos, com o controlo apertado dos gastos de dinheiros públicos por parte do Tribunal de Contas», é o mesmo doutor Guilherme d’Oliveira Martins que foi ministro das Finanças durante o consolado do senhor engenheiro (o outro) de Julho/2001 a Abril/2002 e que ajudou à festa a seguir ilustrada pelo gráfico (créditos ao doutor Miguel Frasquilho, JN de 11-05-2005).

Estamos a falar da mesma pessoa?

22/05/2006

SERVIÇO PÚBLICO: é a mesma gente?

Perguntava-me há dias, a propósito dos selos e das rendas de casas, se estávamos a falar do mesmo governo.

Reformulo a pergunta: a gente que promete há 10 anos, depois de cada reforma da segurança social, que assegura a sua sustentabilidade financeira nos próximos n anos é a mesma gente que lança sondas para os jornais a ver se pega a ideia de eliminar o subsídio de férias dos pensionistas?

É a mesma gente que encarrega um anónimo ajudante de ministro, na circunstância o doutor Emanuel dos Santos, secretário de estado do Orçamento, de soprar essa ideia, que a 5.ª coluna do governo, os discípulos do doutor Goebbels, planta numa badana da 1.ª página do Expresso? É a mesma gente que ganha o direito à reforma depois de puir os fundilhos das calças meia dúzia de anos no parlamento que pretende deixar cair o «subsídio de férias para ajudar a equilibrar o orçamento do estado»? É esta a vida para além do orçamento a que se referiu o choroso doutor Sampaio?

20/05/2006

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: sol na eira e chuva no nabal (1)

- Este emprego é uma maçada.
- Estás mal pago?
- Não é bem isso.
- Trabalhas de mais?
- Não é bem isso.
- Mas então?
- Queria trabalhar menos e ganhar mais.
- Porque não mudas.
- Ó pá! Isso é uma chatice.

19/05/2006

SERVIÇO PÚBLICO: um governo liberal-colectivista?

Estamos a falar do mesmo governo que decide (bem, contra a sua natureza) não «fazer nada para apoiar a resolução dos problemas dos investidores envolvidos no caso de suposta fraude envolvendo as empresas Afinsa e Fórum Filatélico» porque se o fizesse «seria um incentivo para que surgissem outras entidades», depois de ter decidido (mal, conforme a sua natureza) que «os imóveis arrendados que sejam classificados como estando em mau ou péssimo estado de conservação poderão vir a ser adquiridos pelos seus inquilinos independentemente da vontade do proprietário»?

O governo do senhor engenheiro desvenda-se como um governo híbrido, geneticamente modificado: um governo liberal-colectivista.

18/05/2006

ESTÓRIA E MORAL: there are damned lies, and there are statistics

Estória

Esta é uma das grandes realizações, porventura a maior, do governo do senhor engenheiro. Uma redução de 2,3% do número de desempregados num mês, é obra. Quem sabe se o mesmo método não poderá ser aplicado ao défice e a todos os outros problemas que nos afligem.

Moral

There are lies, there are damned lies, and there are statistics (Benjamim Disraeli, 1º ministro da rainha Victoria).

17/05/2006

DIÁRIO DE BORDO: eu tenho um sonho (2)

Eu tenho um sonho? Na verdade tenho vários sonhos.
Gostava de ser pobre, mas com muito dinheiro (como Pablo Picasso).

15/05/2006

ESTADO DE SÍTIO: fazer o lugar do outro

Não vou chegar à intemperança do doutor Medina Carreira que disse ao Jornal de Negócios na entrevista de hoje que «o primeiro-ministro deve ter estudado Goebbels, porque é um homem particularmente afinado para a propaganda e para a conversa - que é, de resto, um tipo de política que detesto».

Aparte algum exagero (afinal o doutor Goebbels não viveu o suficiente para transmitir em vida o seu legado ao senhor engenheiro), aceita-se que o doutor Medina Carreira tenha usado essa muleta discursiva. Afinal o senhor engenheiro já fez parte de governos que prometeram a sustentabilidade financeira da segurança social por 50 anos (ou será 100 anos? já estou um pouco confuso) e hoje jurou ao Financial Times, mais uma vez, que a coisa se aguentava para além de 2050, depois das reformas que o seu governo vai adoptar. (Jornal de Negócios)

Talvez duvidando que consiga fazer o que compete ao governo fazer, na circunstância assegurar a sustentatibilidade da segurança social, isto é garantir que as contribuições dos sujeitos passivos não sejam irremediavelmente deglutidas pela insaciável vaca marsupial pública, o senhor engenheiro resolve anunciar mais um anúncio: diz que vai fazer o lugar do outro. O outro são os empresários carecidos de colo e de aconchego junto a uma teta da vaca. O senhor engenheiro vai anunciar (rufam os tambores) «um novo pacote de investimentos empresariais no sector privado».

Porque se esfalfa o senhor engenheiro a anunciar anúncios dos investimentos que os empresários irão (talvez) fazer? Porque não se aplica o senhor engenheiro a cortar a ração pantagruélica da vaca marsupial pública, reduzindo a despesa pública como seria responsabilidade exclusiva do seu governo? Por exemplo, reduzindo o custo da prevenção e do combate aos incêndios na floresta de 27 para 16 euros por hectare, valor médio nos países mediterrânicos. 16 euros usados, aliás, com muito maior eficácia.