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11/12/2006

ESTADO DE SÍTIO: mais anúncios

A lógica imparável do estado napoleónico-estalinista está bem patente em dois anúncios que hoje fizeram notícia nas secções de economia dos jornais.

O primeiro, é o anúncio pelos CTT de que deixou de valer o seu anterior anúncio de parceria com a Caixa para criar o banco postal. Enquanto isso, os CTT deitaram pela borda uma parceria já negociada pela anterior administração com o Banif, um dos poucos parceiros a quem poderia interessar tal parceria, por dispor de uma insuficiente rede de balcões. Ao deitar fora esta hipótese viável e procurar um parceiro baseado na equívoca solidariedade estatal, aquele senhor que ficou de presidente dos CTT, cujo nome agora não me ocorre, e que eu pensava que sabia tanto de negócios e de empresas como o Impertinente sabe de electrotecnia, aquele senhor, dizia, demonstrou que sabe ainda menos do primeiro tema do que eu do segundo. Ao procurar tal parceiro aquele senhor chamou implicitamente de besta ao finório que preside à Caixa, convidando-o a dar um tiro nos pés e arruinar o seu próprio negócio. Passado o período de nojo que estes coisas entre vizinhos exigem, o finório deixou aquele senhor anunciar a morte dum cadáver já frio há um ano.

O segundo, é o anúncio pelo governo (convenientemente apresentado como um documento a que o DN teve acesso) da criação da Empresa de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP) que irá gerir e acompanhar os supranumerários, ao mesmo tempo que prestará serviços (compras? logística? processamento de salários? gestão da frota automóvel?) à Administração Pública. Parecendo à primeira vista um modelo da plataforma de backoffice adoptado por inúmeros grupos e grandes empresas, as parecenças abortam, ainda antes das 10 semanas, quando se antecipa o resultado de atulhar na ESPAP os supranumerários alijados pelos outros serviços, por invalidez e/ou incompetência, que terão que ser duplicados por gente mais expedita a recrutar nas longas listas de espera do PS. Todo este aparato acabará devidamente ancorado em empresas de consultoria que no final farão o trabalho e poderiam dispensar os supranumerários e até os numerários.

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