Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

21/08/2026

Pro memoria (148) - See my leaps, don’t read my lips. The trumping way to Make the Debt Great Again

Trading Economics


«Maybe we'll pay off our $35 trillion dollars, hand them a little crypto check, right? We'll hand them a little bitcoin and wipe out our $35 trillion.»

August 2024, in a Fox Business interview

20/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: Segundo o jornalismo de causas, os salários médios deveriam ser o que o governo quisesse


Numa peça com o título estilo agitprop «Inflação devorou grande parte do aumento dos salários médios em 2026, a mesma jornalista do Expresso que escreveu as anteriores obtusidades usa o melhor da sua ciência para demonstrar o óbvio ululante de que o aumento nominal de 5,1% inclui uma inflação de 3,3% e, portanto, o aumento real foi só de 1,8%.

Poderia apresentar como desculpa para as suas obtusidades o suposto nobre propósito de desmontar as patetices chico-espertas do Dr. Castro Almeida nas jornadas parlamentares do PSD e do Dr. Montenegro na missa do Pontal que atribuíram ao governo a subida de 5,1% em 12 meses do salário médio, subida que, diria M de La Palice, resultou da média dos salários que as empresas tiveram de pagar para ter a mão-de-obra que precisaram num mercado de trabalho que é actualmente um sellers' market, com a particularidade de que os salários, ao contrário dos outros preços, não podem descer.

Poderia apresentar essa desculpa e poderia também ter percebido: (1) o governo tem menos influência no salário médio do que na construção do aeroporto Luís de Camões (60 anos) ou na inauguração do novo hospital de Lisboa (23 anos) e (2) um aumento real de 1,8% do salário médio é ainda assim notável quando (a) a produtividade do trabalho se manteve e (b) o aumento da população activa se fez sobretudo nas profissões menos qualificadas e com menores salários.

18/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: A "inclinação ideológica e política" das ciências actuariais, da estatística matemática, da econometria, da demografia, da macroeconomia e das finanças públicas

[Este post é uma espécie de continuação de Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira]

Cinco dias antes de ser conhecido o relatório sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, o semanário de reverência, no seu papel de órgão oficial do militante socialista anónimo, citava o PS que já classificava o relatório como «enviesado» e se declarava preocupado por o estudo ter sido coordenado por «duas pessoas que têm uma inclinação ideológica e política muito clara».

Fiquei confundido, sem perceber qual seria o papel da inclinação ideológica e política na avaliação da sustentabilidade financeira de um sistema público de pensões. Admiti que essa confusão se devesse a não estar iluminado pela ciência das jornalistas de causas que assinam o artigo (duas economistas portadoras de mestrados pelo ISEG e uma cientista da comunicação da equipa das Redes Sociais e Online). Vergado ao peso dessa ciência, resolvi pedir a um agente de IA para descrever um modelo teórico geral de repartição (Pay-As-You-Go ou PAYG), em que os trabalhadores activos financiam diretamente as pensões dos reformados do mesmo período. 

Eis a descrição do modelo que, surpreendentemente, não contém a variável inclinação ideológica e política.

17/08/2026

Crónica da passagem de um governo (63)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Devia ser evidente para qualquer governo ou para qualquer pessoa com um neurónio que, num país com ¼ de velhos (65+ anos) e quase dois idosos por cada jovem (0-14 anos) teria de existir uma procura crescente de serviços médicos. Em vez de aumentar a oferta, o Dr. Costa reverteu o horário dos funcionários públicos de 40 para 35 horas, reversão apadrinhada pelo Dr. Marcelo. Iniciou-se então uma espiral de queda da capacidade de resposta do SNS e da administração pública em geral e o aumento da despesa pública que, no caso da Saúde, duplicou entre 2015 e 2025.

Uma boa parte dessa procura acrescida deveria ter sido encaminhada para os médicos de família (MF) cujo número tem vindo a diminuir, apesar das promessas do Dr. Costa primeiro (ver A novela dos médicos de família) e do Dr. Montenegro a seguir. O resultado é que de 760 mil “utentes” sem MF em 2016, dez anos depois, passou-se para 1,6 milhões, mais do dobro.

O que faz um tuga com um know-how refinado em 900 anos a fintar as várias modalidades de Estado, desde Dom Afonso Henriques? Ora, o que haveria de fazer? Recorre às cunhas e aos expedientes. As cunhas permitem às pessoas bem relacionadas fintarem as filas que separam os doentes dos médicos. Quem não dispõe de cunha, na falta de MF o que, em consequência, aumenta a procura de consultas nos hospitais, vai às urgências onde se amontoam dezenas ou centenas de “utentes”, todos devidamente apetrechados da pulseira multicor do protocolo de Manchester, onde esperam pacientemente várias horas e são objecto do tratamento jornalístico habitual (ver aqui e ali, por exemplo).

Chafurdar em coisas de merda, disse ele, e diria eu com ele

Não é frequente concordar com o Dr. Ascenso Simões, um conhecido apparatchik socialista que inclui no seu currículo a defesa de uma condecoração para o Eng. Sócrates, uma dúzia de anos depois da maior obra deste homem que foi ter falido o Estado sucial. A última vez (e talvez a primeira) que concordei com ele foi quando disse ao Observador que «a moderação de Pedro Nuno Santos era completamente falsa». Volto agora a concordar quando, a propósito das polémicas férias do Dr. Montenegro, postulou «temos de dar importância ao que tem importância e não chafurdar em coisas de merda».

À atenção do Dr. Matias com sua saga para Portugal ter «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA»

A legislação laboral inglesa, como a portuguesa, contém uma disposição chamada «interim relief» (providência cautelar) que permite a um juiz compelir uma empresa a reintegrar um empregado despedido, ainda que legalmente, ou a pagar-lhe uma indemnização. Até recentemente, o número de casos apresentados aos tribunais andava pelas poucas dezenas por ano, devido à complexidade da lei e aos elevados honorários dos advogados. Com a banalização da IA, muitos trabalhadores despedidos estão a usá-la com sucesso para preparar petições a contestar o despedimento, o que está a multiplicar por 100 o número de casos que inundam os tribunais e a levar estes (que não usam a IA) à paralisia e as preocupações ao governo inglês, que a respeito da IA está a fazer, como o Dr. Matias, muitos anúncios e pouca obra. Processos semelhantes estão a ser usados por um número crescente de cidadãos para contestar os licenciamentos emitidos pelas autoridades locais e as multas de estacionamento, ou para reclamar benefícios ou subsídios sociais.

Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Ou talvez não…

… ou talvez seja apenas uma manobra de diversão para iludir a falta de solução dos problemas que não têm solução real, como é o caso do aumento do preço dos combustíveis, cuja solução é meramente ilusória e cuja génese, mais uma vez, a ERSE não conseguiu comprovar que residisse em supostas manobras obscuras dos operadores do mercado português dos combustíveis rodoviários.

16/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira

Semanário de reverência

É difícil superar a falta de senso de comparar o valor actual do FERSS, que se estima possa pagar dois anos de pensões, no segundo país mais envelhecido da UE, cujos fundos privados de pensões representam apenas cerca de 20 mil milhões e abrangem cerca de 1,2 milhões de pessoas, com cinco vezes o custo estimado do novo aeroporto Luís de Camões.

É assim parecido com comparar o custo do aeroporto de Schiphol, cujo custo de substituição se estima em cerca de 30 mil milhões de euros, com as reservas totais dos fundos de pensões dos Países Baixos, um país com uma população 1,6 vezes a portuguesa, mais jovem (menos 5 anos de idade mediana e menos 5 pontos percentuais de idosos), fundos que são suficientes para 30 anos de pensões e cujo valor atinge um total superior a 900 mil milhões ou 13 vezes o total os fundos portugueses. 

Já agora, a jornalista, com um mestrado em economia pelo ISEG, situou a estimativa do custo do novo aeroporto em menos de 10 mil milhões. No lugar dela, teria feito outras estimativas, por exemplo: 
  • Custo estimado da construção (em 2024) 7,9 a 8,9 mil milhões
  • Custo estimado das grandes obras de acessibilidade 5,5 mil milhões
  • Custo total estimado 13,4 a 14,4 mil milhões
  • Coeficiente médio de derrapagem das grandes obras públicas em Portugal 1,3 a 1,35
  • Custo total provável 17,4 a 19,4 mil milhões
  • Dois exemplos de derrapagem:
    • Centro Cultural de Belém, o custo final triplicou o orçamentado;
    • Aeroporto de Berlim: os 5 anos planeados escorregaram para 14 anos; o custo triplicou.
  • O meu palpite do custo total final do Aeroporto Luís de Camões: 20 a 30 mil milhões

14/08/2026

SERVIÇO PÚBLICO: Startups no Portugal dos Pequeninos

Número de startups

Número de unicórnios

Com uma população de 11,4 milhões de habitantes, cerca de 1,54% dos 743 milhões da população total da Europa, Portugal tem 995 startups, uma percentagem de cerca de 2% das startups da Europa, e quatro unicórnios (startups com valor superior a USD mil milhões). 

O valor do ecosistema português (o valor total económico criado pelo ecosistema nos últimos 20 anos), cresceu 7,2% nos 12 meses terminados em Abril e é estimado em USD 32,5 mil milhões e no ranking global situa-se no 15.º lugar na Europa (entre a Áustria e Chipre) e no 31.º mundial.

Ranking mundial de Portugal por sector de actividade

A posição no ranking mundial por sector de actividade mostra que, sem surpresa, as startups portuguesas estão melhor colocadas nos sectores menos sofisticados tecnologicamente, com destaque para o comércio electrónico e o retalho que representam 10% do total de startups e tem um unicórnio. 

Em conclusão, o Portugal dos Pequeninos, estando longe dos delírios de grandeza do governo e dos sonhadores como o Eng. Moedas, não está mal posicionado neste domínio, talvez um pouco melhor do que no resto. 

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Fonte: Startup Blink 

13/08/2026

"You can't fool all of the people all the time" (17) - Oklahoma is gone, Idaho and West Virginia are next

Other "You can't fool all of the people all the time."


It is easy to understand why the net approval rate has been falling. What is hard to understand is that more than a third of Americans still approve.