Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
24/07/2026
Cada macaco no seu galho
23/07/2026
TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: O Portugal dos Pequeninos e o neoliberalismo que é afinal a economia de compadrio
«Há uma fraude intelectual no centro do debate político português, e é esta: a ideia de que Portugal é, ou alguma vez foi, uma economia liberal entregue à selva dos mercados. Sempre que algo corre mal — os salários baixos, a emigração, a habitação, a pobreza — a culpa é atribuída ao “neoliberalismo”, ao “mercado”, ao “capitalismo selvagem”. É uma mentira, e das mais consequentes que contamos a nós próprios, porque o diagnóstico errado garante o tratamento errado. O doente não morre de excesso de liberdade. Morre da sua ausência. (...)
No capitalismo de mercado, enriquece-se servindo melhor o cliente do que o concorrente. Ninguém está protegido, o consumidor é o árbitro e a falência é a sanção sagrada que liberta o capital mal empregue para quem o emprega melhor.
Na economia de compadrio é tudo ao contrário: O Estado escolhe os vencedores, os subsídios vão para os amigos, as normas são escritas para matar os pequenos e blindar os grandes já instalados e o lucro não vem do cliente, vem do lobbying. Deixa de se ganhar criando valor e passa a ganhar-se comprando um favor.»
Excerto de O Estado-empresário: Cinco séculos a fazer o mesmo, Pedro Santa Clara
22/07/2026
Crassus fits Donald better than Caligula (2) - They both should have listened to omens, curses, and advice from allies
As remembered by a Reader of The Economist «it would be more appropriate to compare Mr Trump to another Roman leader, Marcus Licinius Crassus.»
For those who don't know or have forgotten, as Crassus left Rome for his campaign in 55 BC, a tribune named Ateius Capito staged a ritual, burning incense and pronouncing dreadful curses upon Crassus for launching an unprovoked war. When his army crossed the Euphrates River into enemy territory, a sudden thunderstorm ripped through the camp, destroying boats and blowing away the military standards. Crassus dismissed it and refused the advice of the King of Armenia, who urged him to take a mountainous route where the enemy cavalry would be useless. Instead, Crassus trusted an Arab guide who was secretly a double agent for the Parthians, leading the Romans directly into the open desert.
The Parthians deployed thousands of horse archers. Crassus ordered his men into a tight defensive square (the testudo), expecting the enemy to run out of arrows. Surena had anticipated this. He brought a vanguard of 1,000 baggage camels loaded with millions of extra arrows. The Parthian archers continuously reloaded, maintaining an unstoppable, hours-long hail of arrows that pierced Roman shields and hands.
Crassus's son, Publius, was killed in a desperate counter-charge. Utterly demoralized and surrounded, the Roman lines collapsed. Crassus was killed during botched peace negotiations after the battle. Around 20,000 Roman soldiers died, and 10,000 were captured. According to a famous legend recorded by the historian Dio Cassius, the Parthians poured molten gold down Crassus's throat after his death as a symbol of his insatiable avarice.
Rome viewed eastern nations as "barbaric" and naturally inferior. To have over 30,000 Roman citizens slaughtered or captured by the Parthian Empire shattered their national pride. The defeat triggered a deep-seated public fear in Rome that the Parthians would launch a counter-invasion of Syria or the wider Roman East. Crassus had been the financial and political buffer between Julius Caesar and Pompey the Great. The loss of his army collapsed the First Triumvirate, removing the final obstacle to the civil war that destroyed the Roman Republic.
Karl Marx observes in his 1852 essay, The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte, that significant historical events and figures occur twice: the first time as grand, genuine struggles (tragedy), and the second time as empty, ridiculous caricatures of the original (farce).
[Story told with the help of Gemini]
21/07/2026
Crónica da passagem de um governo (59b)
O Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social anunciou com grande alegria que o FEFSS está prestes a atingir os 50 mil milhões, o que será suficiente para pagar as pensões durante 28 meses. Qualquer tuga com menos de 70 anos deveria ficar preocupado porque os fundos privados portugueses de pensões só representam cerca de 20 mil milhões e abrangem cerca de 1,2 milhões de pessoas. É claro que sempre os governos portugueses poderão objectar que, aqui ao lado, em Espanha, as reservas só chegam para um mês de pensões ou que na Bélgica só chegam para 3 anos e esquecerão cuidadosamente (eles e o Dr. Sousa Tavares) que as reservas totais dos Países Baixos são suficientes para 30 anos de pensões.
Take Another Plan. Mme Ourmières-Widener está de volta
Em retrospectiva, Mme Ourmières-Widener, foi apresentada pelo Dr. Pedro Nuno como uma experiente gestora internacional que salvaria a TAP e acabou a ser despedida com alegada justa causa pelo seu envolvimento na renúncia/demissão da Dr.ª Alexandra Reis, renúncia/demissão que fora aprovada pelo Dr. Pedro Nuno (via WhatsApp) e que a IGF considerou ilegal. Mme Ourmières-Widener está a pedir em tribunal uma indemnização de 5,9 milhões e deu um primeiro passo para ganhar a acção porque o STJ decidiu que o diferendo deveria ser resolvido por um tribunal cível e não por um tribunal administrativo como a TAP defendia.
Portugal no topo da OCDE
| mais liberdade |
A economia pode ter caído quatro lugares no ranking europeu do PIB per capita em PPC mas está no topo da rigidez laboral na OCDE, de onde resultará certamente estar igualmente no topo da “precariedade”, que é a irmã gémea do emprego vitalício.
Amália, um chatbot genuinamente patriota
Os primeiros testes públicos do chatbot Amália, que, segundo o Dr. Montenegro, é um LLM e cujo financiamento total atingirá 7 milhões de euros (e que, segundo o modelo Gemini do Google, não deveria custar mais do que um sexto disso), mostram-no mais vulnerável a “alucinações” do que o Dr. Montenegro, o que não é dizer pouco. Entretanto, ficou a saber-se que uma equipa de linguistas está a usar o Amália na “identificação de narrativas dominantes em artigos noticiosos de natureza manipuladora” e na “deteção de técnicas de persuasão em conteúdos jornalísticos”. Os serviços do Secretariado Nacional de Informação do Estado Novo teriam dado um grande préstimo ao Amália.
20/07/2026
Crónica da passagem de um governo (59a)
A bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário é vergonhosa porque o que falhou são coisas que qualquer organização medianamente apetrechada e provida de gente competente resolveria sem problemas. Ainda assim, para dizer uma verdade simples e certamente impopular, seria disparatado concluir daí que deveria demitir-se ou ser demitido um ministro que em dois anos fez mais sem grandes alaridos do que o resto do governo (ver aqui o relato de João Duque). Seja como for, o atraso de alguns dias é uma gota de água no oceano dos atrasos sistemáticos no Estado sucial que nalguns casos se medem por décadas.
Então porquê tanta agitação? Simples, meu caro Watson. Porque o que o ministro fez interessa a poucos (os pais que se interessavam e têm dinheiro já inscreveram os filhos nas escolas privadas) e desagrada a muitos, a começar pelos exércitos de profs pastoreados pela Fenprof e açulados pelo Stop, que querem esperar sossegados pela reforma, e a acabar nos profs das universidades adeptos da endogamia e nos “investigadores” adeptos dos subsídios. Exagero? Nem por isso, veja-se a alegria com que os profs a quem o jornalismo de causas dá voz incitam os alunos a pedir revisão das provas na esperança de que a multiplicação dos pedidos prolongue a bagunça.
Teoria da relatividade
Não vou comparar o atraso de alguns dias na publicação das classificações dos exames com o atraso de muitas décadas do novo aeroporto de Lisboa (cuja capacidade estaria esgotada em 2007 ou 2008) nem mesmo compararei com os 23 anos do novo hospital de Lisboa, comparo apenas com a autorização ambiental da central solar Fernando Pessoa cujo processo de avaliação demorou três anos e anda por aí desde 2024.
Miudezas no Portugal dos Pequeninos
Não é preciso que algo mude para ficar tudo na mesma
Ao arrepio da larga maioria do jornalismo de causas e da comentadoria, quase metade (48%) dos eleitores preferem que o governo do Dr. Montenegro se arraste até ao fim do mandato e consideram que o actual titular e o desafiante Dr. Carneiro se equivalem na mediocridade com vantagem para o primeiro (fonte)
O salário único (excepto o dos apparatchiks) a caminho do socialismo
| mais liberdade |
Há um ministro que parece já ter percebido o lado B dos "centros de dados" Já o escrevi várias vezes: a estratégia de fornecer energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses a centros de dados com chips produzidos em Taiwan a processarem dados do resto do mundo com software desenvolvido nos EUA, tem várias consequências, desde logo o aumento do stress da rede eléctrica. Por agora, só o Eng. Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, parece ter percebido que esses investimentos assim, sem mais, arriscam a que o Portugal dos Pequeninos seja «quase a lixeira da Europa». (Continua) |
18/07/2026
Trumpism at its finest: accusing China of trying to manipulate the 2020 elections while he himself tries to manipulate the 2026 elections
| If he knows that these doctrines are not true, he is a demagogue; if he believes his own lies, he is an idiot. |
So why even deliver it? The speech was a sign of desperation. Trump spoke now not only to distract from his sputtering Iran war and its effects on the economy, but also because his attempts to concretely interfere with the 2026 election thus far have almost all failed. As his opportunities to change the rules of the game before November slip away from him, the president is falling back on one of the few tools he has left: attempting to sow chaos and doubt among Americans.»
Trump’s Plan for November Is Failing, The Atlantic
17/07/2026
Mitos (355) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIV) - O Paradoxo de Crutzen e a Lei de Morton
Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja, para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que, levada às suas últimas consequências, conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.
