Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

27/08/2026

NPD. Confirmed diagnosis (3) - Dear devotees of Mr. Trump, you have been warned (several times)

Confirmed diagnosis (1), (2)

Moves that the enemies and adversaries of the US will enthusiastically applaud

Trump is at odds with his own administration—and with reality

«Trump on Friday (14) called on Americans to accept higher gasoline prices as the cost of preventing Iran from acquiring nuclear weapons. He posted this morning (18) that the “number one Goal is, and always will be, that Iran cannot have, in any way, shape, or form, a Nuclear Weapon”—even though his administration assessed before the war that Iran was not actively building weapons, even though the White House hasn’t offered any explanation for how the war will prevent the regime from restarting its weapons program, and even though the war may make Iran’s desire for a nuclear arsenal only more urgent. Meanwhile, Vice President Vance says that lowering fuel prices is actually now “goal No. 1” of the war. 
(...)
Meanwhile, Trump announced yesterday that he was curtailing joint military exercises with South Korea, “based on my very good relationship with Kim Jong Un, of North Korea.” »

Trump's current naval fixation

«Over the past nine years, Donald Trump has returned again and again to the concept of steam power. He loves the way that steam propels fighter jets off the decks of aircraft carriers, and he laments that the Navy has pivoted to electromagnetic launchers in its new ships. “That beautiful scene,” he rhapsodized at a rally in 2023: “That steam goes off, and that plane gets thrown the hell off; the power, beautiful. And it’s cheap!” 
(...)
Until last week, future ships were set to use electromagnetic propulsion too. But on Thursday, Trump ordered one of the Navy’s planned carriers, the USS Doris Miller, to be outfitted with steam catapults instead.

It’s a potential logistical nightmare.»


«The Trump administration has proposed a more than $100,000 fee for H-1B visa applications for skilled foreign workers, a policy that the president introduced last year but had been blocked by a federal judge.

President Donald Trump first proposed payments of $100,000 as a presidential proclamation in September 2025 in an effort to prioritize American workers, and overhaul the H-1B program that allows companies and organizations to hire foreign workers for specialized, high-skill roles.»

26/08/2026

Non habebis in sacculo diversa pondera maius et minus (Deuteronomium 25:13)

«Algo incrível aconteceu: o Irã tentou matar um dos meus filhos», disse o primeiro-ministro israelita  Benjamin Netanyahu em entrevista ao Canal 14.

Certamente por modéstia, Netanyahu não mencionou o ataque que ordenou à força aérea israelita para eliminar o aiatolá Ali Khamenei, a sua mulher, uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses.

Num registo mais banal, o Dr. Eduardo Cabrita, amigo do peito do Dr. Costa e seu ministro da Administração Interna durante quatro anos, acusou o Dr. Montenegro de «degradar completamente os padrões éticos da governação” — e criou um “padrão Spinumviva».

Talvez por esquecimento, o Dr. Cabrita não mencionou os "padrões" marido e mulher no mesmo governo,  golas de proteção antifumo feitas com material inflamável, atropelamento a 200 km/h pelo carro onde viajava, homicídio pelo SEF de um imigrante ucraniano, entre muitos outros "padrões" ocorridos durante os governos do seu amigo Dr. Costa.

25/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 64a)

A insustentável leveza da insegurança sucial. No fim do dia ninguém quer mexer no ninho de vespas

O relatório "Reformar as Pensões em Portugal" agora tornado público não contém nada que devesse surpreender alguém razoavelmente informado sobre o sistema português de segurança social. No que respeita ao diagnóstico, poderia dizer-se que é em grande parte do domínio do óbvio ululante, como teria dito Nelson Rodrigues, se por acaso ainda vivesse e se interessasse pelo tema. O óbvio mais ululante é sem dúvida a constatação de que a CGA, o subsistema dos funcionários públicos, é há vários anos deficitário e o montante do seu défice é suficiente para tornar deficitário o sistema no seu conjunto. Quanto às soluções propostas, que naturalmente são discutíveis, não têm nada de muito diferente do que são as soluções já existentes nos países da UE em que o pensamento mágico já foi abandonado.

Sem nenhuma surpresa, os partidos e o comentariado residente baseados no princípio «if it ain't broke, don't fix it» não veem qualquer necessidade de mexer na coisa. Se não estivéssemos no Portugal dos Pequeninos com elites que disputam o campeonato das elites mais merdosas do planeta, isso poderia parecer estranho, sabendo-se que o próprio governo socialista apresentou à CE dados publicados no 2024 Ageing Report que mostram a pensão média a cair de pouco mais de metade do salário médio em 2022 para pouco mais de um terço nos 50 anos seguintes.

A reacção dos líderes políticos ao relatório é o que se esperaria que fosse: o PSD chuta para canto, o PS, não vê qualquer necessidade, o PCP vê uma cabala para privatizar a coisa, o Dr. Ventura insiste em baixar a idade da reforma e o Dr. Seguro declara “sagradas” as pensões. É o que temos.

O chapéu do ministro esconde uma outra cabeça

O Dr. Miranda Sarmento é apenas mais um caso de um economista crítico do governo da ocasião, do qual não fazia parte, cheio de soluções e boas ideias, as quais distraidamente passou a escrito e publicou em 2023 num livro (“Crónicas de um País Estagnado”, com 250 páginas por 45,70€). Essas críticas, soluções alternativas e boas ideias, diz quem as leu, continuam actuais. Foi, pois, uma ideia infeliz porque, mais de dois anos depois do ministro se encontrar no governo, onde se esperaria que estivesse a resolver os problemas que identificou e a adoptar as soluções que preconizou, o livro continua actual.

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais

O governo decidiu comprar a participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão, detida pela Pontegadea Inversiones da família do Sr. Ortega, o dono da Zara, sem uma explicação para além da treta de esperar que isso possa reduzir o preço da electricidade. Podia ter explicado, mas não explicou, que a compra se justificaria para ter uma presença na gestão de uma rede estratégica por um operador que é controlado indirectamente por um governo de um império concorrente e adversário do bloco de que faz parte o Portugal dos Pequeninos, o que não seria uma razão estúpida.

Contra uma decisão muito discutível e, sobretudo, opaca, levantou-se um coro crítico quase unânime de vozes “liberais”, como a do Dr. Galamba, protestando pela intervenção do governo numa empresa privada.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não resolver «as pequenas coisas que, porventura, não correm tão bem»?

Por exemplo, publicar o relatório final do acidente do elevador da Glória, que fará um ano na próxima semana, ou dar instruções aos apparatchiks do Metro de Lisboa para mandarem reparar as escadas rolantes avariadas há anos.

24/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro esqueceu que o «menos bem» é o que o seu governo faz correr

Na missa do Pontal, onde os sumo pontífices em exercício do PS-D costumam todos os anos dirigir-se aos crentes para revigorar a sua fé, o Dr. Montenegro, queixou-se de que ninguém fala «das grandes coisas que estamos a fazer bem» e só falam «das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem», referindo-se implicitamente ao jornalismo e à comentadoria. Tem de se dar ao Dr. Montenegro alguma razão por muitos dos membros dessas agremiações praticarem o que o Dr. Ascenso Simões chamou com uma expressão colorida «chafurdar em coisas de merda». Por outro lado, tem de se conceder também ao jornalismo e à comentadoria razão de que as supostas «grandes coisas» devem-se tanto ao governo como à divina providência, ao passo que as pequenas coisas são as únicas em que o governo toma a seu cargo com escasso sucesso.

Por falar em coisas que se devem à divina providência

Até meio de Agosto a área de floresta ardida este ano é um quarto da área ardida em 2025. É tão verdade como os incêndios até meados de Junho de 2017, em pleno primeiro consolado do Dr. Costa, se terem portado muito bem antes da tragédia de Pedrógão Grande que fez 66 mortos, queimou 500 casas e 53 mil hectares de floresta.

Por falar em «pequenas coisas» que não correm bem

aqui anotámos o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil e anotamos agora que os Registos Comerciais têm mais de dois mil dias de atraso e o governo deixou de publicar os dados.

O Hospital Amadora-Sintra, que já teve uma gestão privada de sucesso (foi extinta a PPP pelo governo do Eng. Sócrates), apresentava na tarde da sexta-feira passada um tempo de espera dos doentes urgentes superior a 9 horas.

A renovação das cartas de condução pelo processo online criado no âmbito da "transição digital" está atrasada há vários meses. Deve aguardar que o Portugal dos Pequeninos suba ao pódio mundial da IA pela mão do Dr. Matias.

E por falar do colapso do SNS…

… como está o estudo aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e os cerca de 170 centros de saúde nessas áreas?

Onde param os dados do ranking das escolas?

Os dados do ranking de 2024 das escolas secundárias o ano passado foram publicados em Abril e tornaram possível o (Im)pertinências publicar em Setembro três posts com os resultados do tratamento estatístico e as conclusões: «O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário» (1), (2) e (3). Os dados do ranking, cada ano publicados com maior atraso, como aqui sublinha João Marôco, este ano estão ainda mais atrasados do que o costume, fazendo suspeitar de um expediente para adiar más notícias em cima da má notícia do atraso da publicação do resultados dos exames.

Ao querer sacudir o aumento dos combustíveis o governo deu um tiro no próprio pé

O relatório da ERSE pedido pelo governo não encontrou evidências de manipulação dos preços pelos produtores. Os preços têm evoluído em linha com os da UE e, em relação à Espanha, a principal diferença resulta dos impostos que em Portugal são mais 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.

(Continua)

22/08/2026

O mundo não é perfeito e não vai ser possível recolocar a pasta dentro da bisnaga

mais liberdade

A globalização reduziu a pobreza dos países pobres, foi sentida como uma ameaça e exacerbou o nativismo e o populismo das classes médias dos países ricos, a quem trampolineiros prometem recolocar a pasta dentro da bisnaga.

21/08/2026

Pro memoria (148) - See my leaps, don’t read my lips. The trumping way to Make the Debt Great Again

Trading Economics


«Maybe we'll pay off our $35 trillion dollars, hand them a little crypto check, right? We'll hand them a little bitcoin and wipe out our $35 trillion.»

August 2024, in a Fox Business interview

20/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: Segundo o jornalismo de causas, os salários médios deveriam ser o que o governo quisesse


Numa peça com o título estilo agitprop «Inflação devorou grande parte do aumento dos salários médios em 2026, a mesma jornalista do Expresso que escreveu as anteriores obtusidades usa o melhor da sua ciência para demonstrar o óbvio ululante de que o aumento nominal de 5,1% inclui uma inflação de 3,3% e, portanto, o aumento real foi só de 1,8%.

Poderia apresentar como desculpa para as suas obtusidades o suposto nobre propósito de desmontar as patetices chico-espertas do Dr. Castro Almeida nas jornadas parlamentares do PSD e do Dr. Montenegro na missa do Pontal que atribuíram ao governo a subida de 5,1% em 12 meses do salário médio, subida que, diria M de La Palice, resultou da média dos salários que as empresas tiveram de pagar para ter a mão-de-obra que precisaram num mercado de trabalho que é actualmente um sellers' market, com a particularidade de que os salários, ao contrário dos outros preços, não podem descer.

Poderia apresentar essa desculpa e poderia também ter percebido: (1) o governo tem menos influência no salário médio do que na construção do aeroporto Luís de Camões (60 anos) ou na inauguração do novo hospital de Lisboa (23 anos) e (2) um aumento real de 1,8% do salário médio é ainda assim notável quando (a) a produtividade do trabalho se manteve e (b) o aumento da população activa se fez sobretudo nas profissões menos qualificadas e com menores salários.