Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

10/01/2026

The Trump administration as seen by John Bolton, a self-confessed Reaganite (1)

In late November, John Bolton, a Republican politician who served as National Security Advisor to President Donald Trump from April 2018 to September 2019, among many other positions, was interviewed by David Rennie, editor of The Economist. The following text is an excerpt from that interview (John Bolton on American foreign policy), obtained through automatic voice recognition and therefore subject to errors, which includes parts that are most significant for drawing a portrait of Donald Trump's administration.

David Rennie

(...) is Donald Trump finally getting the foreign policy that he always wanted. 

John Bolton

Well, I think in the second term, Trump has implemented a lesson he learned in the first term, which is that he should surround himself with men and women who just say yes, sir, when he says something. And that what some people called guard rails in the first term have disappeared, they weren't really guardrails. They were efforts at least in the national security space to help the president make well informed decisions.(…) 

Ultimately, the president will make all the big decisions. The question is, will they be? Well-thought-out, or will they be neuron flashes? 

David Rennie

Out of Ukraine is so urgent that I want to begin with that. Our allies right to be concerned that a bad deal could be imposed on Ukraine. 

John Bolton

At least as of what we know now, this is a terrible deal for Ukraine and it stems from the reality that Trump sees International Relations through the prism of his personal relations with foreign heads of government. So he has long thought he and Vladimir Putin were friends. I'll guarantee it that's not how.(…)

Putin sees it, but Trump has been disappointed for 10 months that he hasn't been able to make a peace deal now. He's trying again and from what we can see. The terms of this are entirely favourable to the Kremlin would be a disaster for Ukraine.(…) 

Well, I think I think he wants to be a big guy to deal with other big guys, and do what big guys do, and he did have that kind of fascination with air to one of Turkey and others, I'll leave it to the psychiatrist to tell us why? But it plays into their hands, and particularly in the case of Vladimir Putin trained KGB agent, trained to assess weaknesses and opportunities and the people he's dealing with and to exploit them, and I think I think that's what he has consistently done with Trump.(…) 

Well, in part, but he knows so little, it almost doesn't matter before I arrived at the White House he asked John Kelly, then the chiefs of staff is Finland's still part of Russia. He's heard from people at the Mar-a-Lago club that basically, Ukraine is Russian. They speak Russian.(…)

It's all the same thing, and he doesn't understand the Ukrainians have decided they actually want to be independent.(…)

(To be continued)

09/01/2026

Lost in translation Found in translation – Unbabel, uma startup portuguesa, e uma Amália que é um karaokê alucinado

Há mais de 10 anos, a Unbabel, uma startup portuguesa dedicada à tradução automática, passou pela primeira vez no radar do (Im)pertinências. Registei então, com surpresa e alívio, o relativo desinteresse do jornalismo de causas doméstico, normalmente muito excitado pelos feitos dos patrícios (feitos frequentemente mais imaginados do que reais), esperançado de que a Unbabel escaparia à maldição do jornalismo promocional.

Da segunda vez, o ano passado, a Unbabel voltou a passar, desta vez pela mão do Dr. Montenegro que anunciou com pompa e circunstância durante a Web Summit o LLM português "Amália" que «partiria de uma base em open source já existente, o Tower LLM, da Unbabel». 

Dois meses depois desse anúncio, já a Unbabel parecia estar com «os dias contados» e tentava ser comprada, agarrando-se ao Amália como a uma tábua de salvação. Os vários adiamentos do projecto e a situação da Unbabel levaram-me a duvidar que alguma vez o "Amália" chegasse a cantar. 

A dúvida foi crescendo ao ser anunciada dois meses depois a venda da Unbabel à TransPerfect, por um valor simbólico depois de uma queda de 50% do volume de negócios (fonte), e há poucos dias soube-se que o fundo espanhol Buenavista, um dos accionistas, propôs uma “acção pauliana” para suspender todos os contratos, alegando as enormes perdas que os accionistas já tinham suportado. 

Fiz agora uma visita ao Chat "Amália" e perguntei qual a situação do "Amália" e recebi a seguinte intrigante resposta:
«sou um projeto independente e não estou relacionada com o modelo de linguagem "Amália" que está a ser desenvolvido com financiamento do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).»
O que me levou a perguntar «qual é o papel da Unbabel no desenvolvimento do “Amália”?» que teve a seguinte surpreendente resposta:
«A Unbabel desempenha um papel crucial no desenvolvimento do projeto "Amália", que é uma iniciativa financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em Portugal.» 

Antes de desistir por estar a ficar alucinado com o resultado da hallucination do "Amália", ainda percebi, pela descrição da arquitectura técnica, que, na verdade, não se trata de um modelo LLM, mas de uma aplicação para converter em português de Portugal o português do Brasil dos outputs dos modelos LLaMA (da Meta) e Mistral (da Mistral AI). Ou seja, o Amália, que não está relacionado com o modelo "Amália" financiado pelo PRR e é uma iniciativa financiada pelo PRR, não é o LLM Amália. É um karaokê do Amália.

08/01/2026

Javier Milei ganhou uma batalha. Ganhar a guerra é outra coisa e, a ser possível, levará algum tempo (2)

mais liberdade

Já algumas vezes coloquei reservas à governação de Milei na convicção de que os fins prosseguidos são inseparáveis dos meios adoptados, como a História mostra abundantemente. Apesar dessas reservas, não se pode deixar de salientar os resultados alcançados, pelo que, sendo a política a arte do possível, como escrevi, Milei merece o apoio dos democratas liberais, pelos resultados e para evitar a apropriação indevida e equívoca de Javier Milei pela direita populista.

07/01/2026

Could Europe take on Russia without American help? Once bitten, twice shy

 «IMAGINE THIS scenario: in the half-light of a March morning in 2027, Russian armoured units cross the Latvian border near Rezekne, seize the rail station and turn south toward Daugavpils, Latvia’s second city, half of whose population is ethnically Russian. Capitalising on the fruits of a malign influence campaign, their aim is to seize a sliver of territory on the pretext that “Russian-speaking communities” require Moscow’s protection. Russian troops rapidly build fixed positions and deploy mobile air defences, while their president, Vladimir Putin, still basking in the glow of newly acquired lands in the Donbas, waits for NATO to decide how to respond.

In Washington, the response is what the Europeans had feared. President Donald Trump informs them that America will not fight a European war over a slice of Latvia that, he claims, is basically Russian anyway. Russia is just too powerful to fight and, as in Ukraine, will just grind it out. Besides, Mr Trump argues, European weakness practically invited this incursion in the first place. He calls for “peace” on social media, but will send no troops, no heavy lift and no fighter jets—though Europeans are welcome to purchase American weapons.

The fictional land-grab in Latvia invites NATO to think the previously unthinkable: can the alliance, without America, contain and then repel a Russian advance?

06/01/2026

Crónica da passagem de um governo (31b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 31a)

Chocará a Estratégia Digital Nacional com a realidade? O escuteiro e a velhinha

O Dr. Gonçalo Matias anunciou mais um grandioso Plano de Ação 2026-27 da Estratégia Nacional Digital onde serão “investidos” uns mil milhões de euros em 3 eixos de incrementação das competências tecnológicas que abrangerá três milhões de pessoas.

Aguardo com ansiedade, receando que a este grandioso plano se aplique a parábola da velhinha, parada no passeio e atravessada contra vontade para o outro lado da rua, que terá dito ao escuteiro, ansioso por fazer uma boa acção, que queria continuar do mesmo lado.

O governo AD também tem uma autoestrada mexicana para o investimento público

Para não me repetir, encaminho-vos para o post Investimento público, a autoestrada mexicana do PS onde desmonto o expediente que os governos do Dr. Costa adoptaram, expediente que parece estar a inspirar o governo do Dr. Montenegro.

(Fonte)

Como o gráfico acima mostra, desde 2016, a execução pela Administração Central tem sido sistematicamente inferior a 80% e abaixo da execução pela Administração Local.

Para 2025 o governo AD orçamentou um investimento 21,5% superior ao de 2024 e até ao final de Outubro executou apenas metade do total previsto para o ano e em oito dos domínios executou menos de um terço.

Boa Nova da dívida pública, seguida de choque com a realidade

A dívida pública bruta diminuiu 1,9 mil milhões em Novembro para 281,4 mil milhões pela amortização de dívida de curto prazo.

(Fonte)

Seria uma Boa Nova se a dívida pública líquida de depósitos bancários e outros activos (que é a dívida que realmente interessa) tivesse diminuído igualmente. Pelo contrário, a dívida líquida aumentou de 257,6 em Janeiro para 258,9 mil milhões em Novembro.

05/01/2026

Crónica da passagem de um governo (31a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… reduzir o atraso médio dos registos predial (179 dias), comercial (173 dias) e automóvel (476 dias);

… imprimir os boletins de voto em menos de um mês e evitar incluir três candidatos da PR com processos rejeitados pela Comissão Nacional de Eleições;

… eliminar a bandalheira dos concursos para docentes do ensino superior;

… preparar com competência a instalação de novos sistemas para evitar o caos, por exemplo

   - Sistema de controlo da entrada e a saída de cidadãos de países terceiros nos aeroportos

   - Sistema integrado dos Meios de Transporte e das Mercadorias nos portos e aeroportos.

Ideias simples para reformas baratas

Por exemplo,
  • Simplificar o sistema fiscal, o 6.º menos competitivo entre os 38 países da OCDE, sobretudo na fiscalidade das empresas (3.º menos competitivo), segundo o International Tax Competitiveness Index 2025 ou ainda
  • Simplificar o sistema salarial dos funcionários públicos, que inclui uma pletora de subsídios que, em média, representam 20% do salários-base e, nalgumas categorias, atingem proporções pornográficas da remuneração média mensal, como os diplomatas (200%), guardas prisionais (100%) e bombeiros (70%) (fonte). Em atenção aos nativistas, talvez deva acrescentar que esta é uma das particularidades da alma portuguesa que a estranja que por cá trabalha não entende, habituados que estão a ter um salário anual que é pago em fracções mensais.
Boa Nova

Não há soluções miraculosas; ainda assim, as USF modelo C, que são USF de cuidados de saúde primários, geridas por entidades privadas, têm virtualidades de contribuir para um melhor padrão na qualidade e no custo dos serviços médicos prestados pelo SNS.

Num deserto socialista até a areia acabaria por faltar

mais liberdade

Se o problema do SNS fosse a falta de médicos e enfermeiros, já deveria estar resolvido. 

O choque da Boa Nova com o visconde de Chateaubriand

Sem nenhuma surpresa, anunciada a solução das USF de gestão privada, a Federação Nacional dos Médicos, um dos lóbis da corporação médica, logo protestou argumentando que os “territórios” onde o sector privado mais investe em saúde são os territórios onde o SNS enfrenta maiores dificuldades.

É um argumento do tipo que aqui baptizámos de argumento Chateaubriand, em homenagem ao visconde e escritor do qual se diz que um dia teria abençoado a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.

Seja porque adoptou o argumento Chateaubriand, seja porque quis fazer uma prova de vida, o Dr. Marcelo devolveu vários decretos aprovados pelo governo, incluindo o que previa o encaminhamento de «doentes para o sector privado ou social quando o SNS não consegue dar resposta em tempo útil»

(Continua) 

04/01/2026

SERVIÇO PÚBLICO: A Mãe de Todas as Greves por 12 (doze) meses

O STTS - Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos, um sindicato com sede em Viana do Castelo que foi fundado em 2016 para os trabalhadores municipais do Alto Minho, cujo número de sócios não divulgado deve ser um pouco superior às duas dezenas de membros dos órgãos sociais, anunciou uma greve às horas extras e às cirurgias adicionais no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

Para o caso de nunca chegarem a dar por isso, aqui fica o AVISO PRÉVIO DE GREVE PARA TODOS OS TRABALHADORES DA SAÚDE A PARTIR DE 01 DE JANEIRO A 31 DE DEZEMBRO DE 2026.