Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

08/09/2026

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (82) - "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina" (II)

Outros portugueses no topo do mundo. Outro "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina"

O ano passado, seis escolas de gestão portuguesas atingiram boas posições no ranking mundial do Financial Times de formação de executivos. Este ano, cinco dessas seis escolas (menos a FEP) foram classificadas no ranking Masters in Management 2026 do FT

Financial Times

Tem de se concordar que, para um Portugal dos Pequeninos representando 0,13% da população e 0,28% do PIB nominal mundial, não é coisa pouca ter 5 mestrados em gestão entre os 100 melhores. 

Esse resultado é atingido por um país em que as empresas estão longe de ser um modelo de gestão (com aquelas notáveis excepções que se contam pelos dedos das mãos ou, vá lá, com benevolência, pelos dedos das mãos e dos pés) e a administração pública é o locus privilegiado da incompetência de gestão. Não encontro, por isso, outra explicação além da de George Bernard Shaw «Those who can, do; those who can’t, teach». Com esta ironia não pretende diminuir o mérito de umas dezenas de profs que, ao arrepio do conformismo endémico, não se rendem à cacistocracia dominante.

06/09/2026

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (13) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (IX)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12)

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As projecções de Luís Portugal, que conhece bem o tema, num cenário razoavelmente optimista, confirmam que os 42 mil milhões do FEFSS cobrem cerca de um quarto das responsabilidades da Segurança Social por pensões e não dão para mandar cantar um cego, como dizia minha avó. Se adicionarmos as responsabilidades da CGA, que há anos não tem contribuições e é financiada pelo OE, o buraco assume profundidades abissais, como aqui andamos há mais de duas décadas a escrever (ver etiqueta pensões).

04/09/2026

ARTIGO DEFUNTO: Ranking Mais Idiota do Ano (2)

Pela segunda vez (a primeira foi o ano passado), o (Im)pertinências escolhe o Ranking mais Idiota do Ano e concede a Taça ao Jornal de Negócios.


30 dos 50 mais poderosos segundo o Jornal de Negócios

Alguns destaques:
  • A presença de Mr. Trump, Mme Lagarde, Frau von der Leyen, camarada Xi Jinping e Monsieur Macron, todos estes últimos menos poderosos do que o Dr. Montenegro, dá um cunho planetário ao ranking; 
  • A presença no 2.º lugar do Dr. Macedo mostra bem como a banca pública nacional tem um papel de relevo na galáxia das finanças;
  • Há pequenas coisas que muito reconfortam o ego patriótico e, entre elas, destaca-se a Dr.ª Azevedo, que, ao preceder o camarada Xi, evidencia o papel dos supermercados Continente no panorama internacional; 
  • É, por assim dizer, mais um exemplo de como os portugueses estão no topo do mundo.

02/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 65a)

«Funcionamento irregular da instituições»?

O Dr. Adalberto Campos Fernandes, socialista e ministro da Saúde do Dr. Costa, durante três anos de que não há memória de ter apontado “irregularidades”, e conselheiro do Presidente da República, diz, a propósito das trapalhadas miúdas de que é acusado o Dr. Luís Neves, haver «sinais muito preocupantes que indiciam materialmente um funcionamento irregular das instituições». Teria o Dr. Adalberto toda a razão se as instituições do Estado sucial lusitano tivessem por hábito funcionar “regularmente”. Como o que é regular nas instituições durante governações como as do Eng. Sócrates ou do Dr. Costa são as irregularidades, o Dr. Adalberto deveria ter dito algo como «há sinais muito preocupantes que indiciam materialmente o funcionamento regular das instituições».

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais (2)

Está por explicar (para além da explicação para retardados que o governo deu) o racional do governo para comprar uma participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão. O silêncio do governo foi preenchido pelo cacarejar de vozes “liberais” em protesto pela intervenção do governo numa empresa privada, apenas interrompido por um comentário com pés e cabeça do Eng. Mira Amaral, concorde-se ou não.

E assim se evita a «hecatombe social» prenunciada pelo Dr. Dominguinhos

Perante a proximidade do fim do PRR e o atraso para aplicar os respectivos dinheiros da bazuca, o Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento, alertou que «se a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social». O ministro da Economia ouviu o apelo e garantiu que não haveria devolução. Pelo contrário, haveria complementação pelo OE 2027 que financiará todos os projectos em “conclusão substancial” no final de Agosto, seja lá o que isso for. Os bafejados pelo anúncio suspiraram de alívio e os contribuintes que o pagarão não deram por nada.

Canários na mina

Primeiro os trinados: puxado pelas exportações, o PIB cresceu 2,5% em termos homólogos no 2.º trimestre e 0,8% face ao 1.º trimestre (INE). É poucochinho, diria o Dr. Costa se ainda por cá andasse.

Depois os pios: a inflação foi 3,3% em Agosto pelo que a variação média nos últimos 12 meses subiu para 2,7% (INE); o endividamento da economia aumentou 39,6 mil milhões no primeiro semestre de 2026, com o sector público a subir 22,6 mil milhões, a dívida das empresas privadas a crescer 4,2% e a dos particulares 9,9%, em termos homólogos (BdP); os yields da dívida pública portuguesa atingem máximos de 5 anos.

Trading Economics

A estes pios dos canários junta-se o grasnar da CE que faz um prognóstico baseado nas novas regras orçamentais para o crescimento da despesa pública que em Portugal se prevê seja 5,6% em 2026, acima do limite de 5,1%, e em 2027 atinja 5,5%, muito acima do limite de 1,2%, por força do crescimento da despesa corrente (mais liberdade).

01/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan (1). Os lucros caem ou os prejuízos sobem. Isso é uma constante. Variáveis são as causas

A TAP acabou de anunciar os resultados do 1.º semestre, que foram perdas de 71 milhões atribuídas ao aumento do preços do jet fuel. O aumento dos preços dos combustíveis, devido à guerra de estimação do Sr. Trump com os aiatolás, explica 89 milhões e o aumento dos custos com pessoal explica 36 milhões. Se os preços do combustível se tivessem mantido constantes, ainda assim, a TAP teria tido um resultado medíocre de 18 milhões, face aos mais de 2 mil milhões de receitas do semestre, resultado que se segue a uma queda dos lucros de 70% em 2024 e de 90% em 2025. Enfim, trocos face aos 3.340 milhões de euros de subsídios lá enterrados.

Take Another Plan (2). Para os socialistas, no perder é que está o ganho ou a maldição da tabuada

O Dr. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS (3.340 milhões). Se o Dr. Brilhante soubesse a tabuada, teria concluído que entre 2016 e 2025 a TAP apresentou perdas em 2016 e entre 2018 e 2021, totalizando 1.481 milhões, e lucros nos restantes anos, totalizando 321 milhões. Ou seja, apresentou no conjunto desses anos, incluindo o 1.º semestre de 2026, prejuízos líquidos de 1.231 milhões que consumiram 37% dos subsídios lá torrados.

Que o Dr. Brilhante possa ter escrito isso sem que a comentadoria deste Reino de Pacheco tenha feito o menor reparo aos disparates do Bloco Central da Asneira, não chega a ser surpreendente (Camilo Lourenço fez o reparo, mas não faz parte do Reino de Pacheco), dá uma medida da indigência mental dos comentadores encartados.

No Portugal dos Pequeninos o lucro empresarial é um pecado tolerado - desde que seja pouco

mais liberdade

Que apenas durante o período da crise financeira de 2012-2018 as empresas portuguesas tenham tido margens de lucro superiores à média dos 38 países da OCDE é mais difícil de explicar do que a queda das margens nas últimas décadas.

A China aposta na alta tecnologia portuguesa

O investimento directo estrangeiro não é grande coisa e também não é animador o capital chinês acreditar na "tecnologia avançada" da indústria portuguesa e ir investir 30 milhões numa fábrica de fiação a húmido de linho e cânhamo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… destacar alguns polícias dos pantagruélicos efectivos policiais do Portugal dos Pequeninos - o quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes -, para policiar a linha de alta velocidade Évora-Elvas, onde já se queimaram 460 milhões e continua sem ser certificada, devido aos furtos de equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações.

(Continua)

30/08/2026

Os equívocos do Programa "Mais Habitação", ou como tentar administrar uma medicação sem saber qual é a doença (15)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14)

Segundo o presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) terá financiado 31 mil casas até ao fim de Agosto.

mais liberdade

À primeira vista, parece um grande feito. À segunda vista, nem por isso. Desde logo, porque o PRR durou 5 anos e o contributo do maior programa de sempre que inundou o país com 22 mil milhões de euros (16,3 mil milhões de euros em subvenções e 5,6 mil milhões de euros de empréstimos) foi de pouco mais de 6 mil habitações por ano, o equivalente a menos de 40% da média anual de novas habitações na primeira década deste século. Depois, porque só metade das 31 mil habitações são novas, as restantes são reabilitação ou transformação de edifícios de serviços e industriais.

Se considerássemos o contributo do PRR para mitigar a carência de habitação uma notável realização em Portugal, como classificaríamos a realização de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia (menos de metade da população portuguesa) que cresceu de 1,3 milhões para 1,8 milhões em 2025 (cerca do triplo da população da cidade de Lisboa e mais de metade da população da área metropolitana de Lisboa) que há 10 anos enfrentava uma crise habitacional ? Talvez como um milagre.

O milagre consistiu em várias medidas, nomeadamente duas: foram fundidos oito órgãos locais e a cidade, entalada entre dois portos, começou a crescer em altura. Os resultados foram mais 100 mil habitações e uma queda de 25% dos preços