Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (2)

Continuação de (1).

The late Aitola Khamney in the company of Mr. Trump's crony

The past

«Yes, Mr Trump once warned that Barack Obama would attack Iran because of “his inability to negotiate properly”. Yes, as recently as last May Mr Trump derided “interventionalists” for “intervening in complex societies that they did not even understand themselves”. And, granted, there’s all that recent “president of peace” hooey.

While you’re getting that off your chest, you might also describe how he has tied himself in knots while unspooling his many rationales for waging war together with Israel on Iran. How can he fear a nuclear programme he “obliterated” a few months back? How can he warn that Iran might soon rain intercontinental ballistic missiles on America when the Defence Intelligence Agency has said such weapons were ten years away, provided Iran actually decided to build them? And can this really be the same Donald Trump who used to ridicule the regime-changing, democracy-building visions of “neocons”—and now tells the Washington Post, “All I want is freedom for the people”?

It is the same Mr Trump, so steel yourself. While you can await contortions from lesser America Firsters, such as poor J.D. Vance, do not expect Mr Trump to bother trying to reconcile present practice with past positions. He has always been the most opportunistic of men. He did not become a crypto billionaire by hewing to his public contempt for cryptocurrencies as scams “built on thin air”, just as he did not achieve his astounding political comeback, after trying to thwart the transfer of power in 2021, by following any rule book or, indeed, adhering to any principle—no principle, that is, beyond winning, as he defined it.» (Source)

The possible future
 
I don't think it's possible for a Mr Trump, with no convictions beyond his vanity, a transactional approach to foreign policy, and suffering from narcissistic personality disorder, to understand and anticipate the reaction of the Ayatollah's regime.

He doesn't understand that the Ayatollah's regime, in the name of a barbaric ideology, may be willing to sacrifice its leaders and its people to remain in power, and continue to do so beyond the time horizon of Mr. Trump's mind and the capacity of the American people to endure human (for now few) and economic (probably significant) losses.

Since it is implausible that the Trump administration will take concrete steps, namely, put the boots on the ground to defeat the Ayatollah's regime, it is very likely that, after a few days or weeks, Mr TACO (Trump Always Chicken Out) will wait for the first pretext to cower.

03/03/2026

Pro memoria (145) - Seventy years ago, Charles de Gaulle warned, but he was not heeded.

«Shortly after Charles de Gaulle became France’s leader in 1958 he warned Konrad Adenauer, then German chancellor, that the Americans were “not reliable, not very solid and understand nothing about history or Europe”. Musing about the shifting balance of world power, le général told an adviser: “Any day the most extraordinary events could happen…America could…become a threat to peace.” By 1966 de Gaulle had built a bomb, pulled out of NATO’s integrated military command and booted American soldiers off French soil.»

That irritating feeling that France was right

02/03/2026

Crónica da passagem de um governo (39)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Se não queres resolver um problema, cria uma comissão

Esta expressão é atribuída ao Dr. Salazar, aka o Botas, que com as suas quatro décadas em S. Bento, na companhia da D. Maria e das suas galinhas, sabia muito bem do que falava.

Para citar um exemplo recente, a comissão técnica para avaliar os incêndios de Agosto do ano passado está há seis meses para ser constituída.

Take Another Plan. Mesmo sem comissão a coisa entropia-se

O prazo para o governo privatizar a Cateringpor e SPdH, duas participadas da TAP, expirou no final do ano passado e o governo não cumpriu o prazo e  obriga a TAP a pagar 25 milhões de penalização.

Antes de expulsar os imigrantes conviria pôr uns dinheiros de parte

Segundo os dados publicados pela Segurança Social, os imigrantes que pagam contribuições representam um quinto da força de trabalho (incluindo 5% provenientes do Bangladesh – à atenção do Dr. Ventura), na agricultura representam mais de metade, pagaram um sétimo do total das contribuições para Segurança Social e receberam prestações de cerca de um quinto do que pagaram.

Por falar em imigrantes, segundo os dados do Eurostat, das cerca de 78 mil autorizações de residência e trabalho para estrangeiros qualificados na UE em 2024, Portugal conta com 0,02% (16).

Mal não fará (Marcos 16:18)

«Há €20 mil milhões a caminho de Sines», é o título profético do semanário de reverência. A profecia fica reduzida ao pensamento milagroso, quando se lê a lista de intenções de investimento e se constata que 60% a 80% desses investimentos serão em centros de dados, que usarão resmas de megawatts e contribuirão com dúzias de empregos, e grande parte do resto são principalmente unidades de produção de hidrogénio verde, por enquanto no domínio da fantasia.

Portugal, um enorme resort

Em 2025 o turismo representou mais de um quinto do PIB. Em cima disso, o governo prevê que as receitas do turismo este ano cresçam 5,5%. Too Much Of A Good Thing?

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Apesar do contínuo despejar, o dinheiro no SNS nunca é suficiente. Disse a ministra no parlamento que as receitas do SNS cresceram 10% e, não obstante, registou-se mais um saldo negativo de cerca de mil milhões de euros, a dívida aos fornecedores cresceu 11% atingindo 1,5 mil milhões, o que não impediu o aumento do número de partos em ambulâncias, cuja causa continua para mim obscura porque tanto pode dever-se à omnipresente “falta de recursos”, apesar do seu contínuo aumento, como a crescentes dificuldades das grávidas interpretarem os sinais que o corpo lhes envia.


Oremos para que o Dr. Neves não tenha sido escolhido pelo princípio de Peter nem venha a ser mais uma vítima do efeito de halo (continuação)

Concedo que o meu desejo de ter gente capaz no governo levou a melhor sobre as preocupações de criar um precedente de «passar de diretor da PJ para ministro da Administração Interna», grave segundo o Dr. Passos Coelho, que ainda não percebi se está ou não a pretender promover-se de savant da governação a sebastiânico primeiro-ministro in wating. Espero que resolva sem demora a dúvida.

Mais Boas Novas anunciadas pelo Dr. Matias

Enquanto prepara Portugal para vir a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Gonçalo Matias, garante, entre uma pletora de outras reformas, que «vamos liderar o processo de modernização da contratação pública».

Gostava de dizer que é uma Boa Nova, mas não tenho a certeza que seja

Um dos muitos problemas auto-infligidos que a administração pública enfrenta resulta do facto de a posse do cartão certo ser frequentemente o principal critério de escolha dos quadros. Por isso, poderia ser uma boa notícia a nomeação para a Direcção-Geral do Consumidor do Dr. Seguro Sanches que foi secretário de Estado em vários governos socialistas – ainda que isso possa dar o mote ao Dr. Ventura e os seus devotos invocarem a coisa como mais uma maquinação do “sistema” – o mesmo sistema que concede ao Dr. Ventura quase tanto tempo de antena do que ao conjunto dos líderes do sistema.

01/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but

Requiescat in inferno.

«Khamenei May Be Gone, but Iran 2026 Is Not Iraq 2003.»
Niall Ferguson

I have no memory of any regime change caused by airplanes.

27/02/2026

Trumponomics' unintended consequences (4)

Other Trumponomics' unintended consequences.

«During the summer of his 2024 presidential campaign, Donald Trump made a vow to the cryptocurrency industry: Elect him, and the United States would become the "crypto capital of the planet.” That winter, after crypto-industry donations helped secure Trump’s place in the White House, digital assets began appreciating rapidly—and the president-elect was glad to take the credit. When bitcoin crossed the $100,000 mark, he simply posted, “YOU’RE WELCOME!!!”

For a sense of just how much money has evaporated from the crypto industry since then, look to bitcoin. On October 6, the price of a single bitcoin climbed to an all-time high north of $126,000; today, its value is closer to $69,000. The global market capitalization of all coins has shed more than $2 trillion in that time, and fewer and fewer traders are dabbling in meme coins and derivatives. Following a relatively fruitful 2025, crypto-venture-capital deals have fallen off a cliff over the past few months. Commentators have now started to wonder whether the president, who has spent the past two years positioning himself as the industry’s protector and hype man, might initiate a crypto bailout.»

What the Crypto Crash Reveals About Trump’s Power

26/02/2026

Pro memoria (144) - O que a "operação especial" putinesca nos ensina sobre a diferença entre democracia e autocracia

Concluíram-se há dias quatro anos da invasão da Ucrânia pelo exército russo ou, na versão de Vladimir Putin, da "operação militar especial" que era para terminar nessa semana ou, na versão de Donald Trump, 24 horas depois da sua tomada de posse.

Durante esses quatro anos as baixas estimadas sofridas pela Rússia ultrapassaram 1,2 milhões.

 Aproximadamente o dobro das baixas ucranianas.

Enquanto isso, os ganhos territoriais do exército russo foram pouco significativos. 

Até mesmo os idiotas úteis que dão o seu melhor para justificar a invasão enfrentam cada vez mais dificuldade em criar factos alterntativos e torturar os dados para esconder o gigantesco falhanço de Putin. 

Não é preciso invocar o exemplo de Winston Churchill na Primeira Guerra Mundial, à época Primeiro Lorde do Almirantado, considerado o primeiro responsável pelo desastre de Galípoli, demitido do governo em novembro de 1915, foi combater nas trincheiras em França, para concluir que numa sociedade democrática Vladimir Putin teria há muito sido afastado do poder. Em vez disso, aumentou o seu controlo sobre a cleptocracia russa enquanto caíam das janelas os seus detractores.