Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

18/07/2026

Trumpism at its finest: accusing China of trying to manipulate the 2020 elections while he himself tries to manipulate the 2026 elections

If he knows that these doctrines are not true, he is a
demagogue; if he believes his own lies, he is an idiot.

«(Wednesday night) President Trump delivered a rare prime-time speech, but his address fell well short of the hype. Purportedly, the president was going to make a major statement about election integrity, but in reality, the speech was dense and hoarsely delivered. As my colleagues report, he provided no evidence to back up his long-standing lie that the 2020 election was stolen. The White House also released four tranches of documents meant to support the speech, but Trump’s claims were a farrago of recycled information, misrepresentations of evidence, and tendentious claims based on materials too heavily redacted to parse. Major news networks, apparently concerned that Trump would mislead, declined to air the address live.

So why even deliver it? The speech was a sign of desperation. Trump spoke now not only to distract from his sputtering Iran war and its effects on the economy, but also because his attempts to concretely interfere with the 2026 election thus far have almost all failed. As his opportunities to change the rules of the game before November slip away from him, the president is falling back on one of the few tools he has left: attempting to sow chaos and doubt among Americans.»

Trump’s Plan for November Is Failing, The Atlantic

17/07/2026

Mitos (355) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIV) - O Paradoxo de Crutzen e a Lei de Morton

Outros posts desta série

Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja, para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que, levada às suas últimas consequências, conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

Negar os factos do progressivo aquecimento global exige cada vez mais uma fé quase religiosa (ver, por exemplo, os gráficos do post anterior desta série), fé que tem vindo a ser substituída pela fé contrária nos efeitos miraculosos das medidas defendidas pelo áctivismo ambiental, apesar dos avisos de há vinte anos do Prémio Nobel da Química Paul Crutzen que no seu ensaio «Albedo enhancements by stratospheric sulfur injections: a contribution to resolve a policy dilemma?» chamava a atenção para o paradoxo do ar limpo em que a redução da poluição atmosférica poderia aumentar o aquecimento global por via da redução do albedo (capacidade de reflexão da radiação solar pela superfície terrestre).

Pois bem, parece que é isso que está a acontecer: a redução dos poluentes atmosféricos, como o dióxido de enxofre (SO₂) e a fuligem, que, por um lado, reduzem a chuva ácida que mata milhões de pessoas anualmente e, por outro, têm o efeito de reflectir a luz solar e, assim, reduzir o aquecimento global.

Voltarei a este assunto e, entretanto, alinhavo, por agora, duas conclusões não sobre o clima, mas sobre a mente humana. A primeira, é que estamos, mais uma vez, perante um exemplo da Lei das «consequências imprevistas da acção social intencional» enunciada por Robert K. Merton em 1936.  A segunda é que estamos perante outro exemplo da difícil convivência do mundo real em geral, e da ciência em particular, com cérebros ideológicos (Leor Zmigrod, "The Ideological Brain") saturados com doses maciças de convicções inabaláveis alimentadas nas últimas décadas pelas redes sociais e há séculos pelo jornalismo de causas. E acrescento uma previsão: os que têm negado o aquecimento global vão passar a atribuir o inexistente aquecimento global às medidas para o mitigar. 

15/07/2026

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (14) - Áctivistas pró e anti-xenofobia ide manifestar-vos na África do Sul

 Outras propostas modestas

PBS News

Áctivistas de todas as tendências, nomeadamente especialistas em xenofobia, tendes agora mais oportunidade soberana de combater a discriminação contra os imigrantes que tanto vos indigna, reservai já o vosso voo para Joanesburgo. O desafio é extensivo aos áctivistas xenófobos que podem aproveitar a oportunidade para estágios com o movimento anti-migrações March & March. Boa viagem.

14/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 58a)

Mais um exemplo de montar a “transição digital” em cima do imobilismo medieval

Em síntese, que admito ser simplista, a bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário resulta de deixar tudo na mesma e criar uma superestrutura “moderna” sobre processos antiquados, altamente centralizados, da responsabilidade de serviços artríticos. Digna de estudo psiquiátrico é a reacção das lideranças governativas tentando instilar optimismo e chutar o problema para a frente, em contraste com as lideranças de oposição acusando a falha do governo de «insensibilidade atroz».

O Dr. Matias teve uma nova epifania

Para nos entreter enquanto não nos tornarmos «um líder mundial na IA», o Dr. Matias, ministro das Reformas, num intervalo da sua louvável campanha épica para retirar ao Tribunal de Contas o seu papel de empata nas decisões públicas, em concorrência desleal com os 11 governos que andam há 23 anos a empatar o novo hospital de Lisboa, produziu uma vibrante declaração de princípios, ou mais exactamente, de fins. Segundo ele, a reforma do Estado «consiste em resolver problemas dos portugueses». Peço desculpa por discordar, mas a reforma do Estado consiste em resolver problemas do Estado que dificultam aos portugueses resolver os seus próprios problemas.

E se em vez de nos tornarmos «um líder mundial na IA», nos tornarmos um líder nos apagões (continuação)

Já o escrevi, a estratégia proposta pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de rutura do sistema, como concluiu o Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico da Direção-Geral de Energia e Geologia. No meio do silêncio ensurdecedor das luminárias deste país apenas a voz de Miguel Stilwell se fez ouvir sobre o risco de «socialização do custo da energia» resultante da proliferação dos centros de dados (apud Bruno Faria Lopes).

Canários na mina de carvão

Apesar dos esforços do governo secundados pela imprensa amiga de animar os animal spirits keynesianos, depois de um primeiro trimestre com crescimento nulo, para o segundo as previsões das pitonisas de serviço variam entre 0,2% e 0,4% o que, em seguida à estagnação do 1.º trimestre, não é muito animador. A queda em Maio do índice de produção industrial também não é uma boa notícia. Só o turismo continua a crescer – e também a compra de automóveis, uma consequência imprevista, mas habitual, dos fundos da bazuca, suspeito.

Do lado do comércio externo até Maio também não há motivos de celebração com a queda de 0,2% das exportações, o aumento de 3,5% das importações e o agravamento de 14,4 mil milhões do défice (fonte),

Estamos a crescer mais do que a Óropa, já dizia o Dr. Costa e com ele o Dr. Castro Almeida

A maioria dos políticos parecem pensar que faz parte do seu papel infantilizar o eleitorado, dando boas notícias e praticando um optimismo de pacotilha (foi o Animal Feroz quem disse que um político é um profissional do optimismo, quando deveria dizer que é um profissional da aldrabice). O ministro da Economia, Dr. Castro Almeida, também parece praticar este mantra quando diz à SIC Notícias «que Portugal está a crescer pouco, mas está a crescer bastante acima da média europeia», como se fizesse algum sentido um país que tem um PIB per capita que é menos de metade dos países mais ricos e onde a produção da AutoEuropa (um investimento da VW), que em Portugal representa 1% do PIB, representaria no seu país de origem 130 vezes menos, crescesse abaixo desses países.

13/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A meritocracia do Estado sucial é uma espécie de caquistocracia

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Em entrevista ao Expresso, o actual presidente da CReSAP revela que 85% a 90% dos nomeados já estavam no cargo em regime de substituição, um expediente pelo qual, ainda que cumprindo as formalidades de avaliação, se colocava o escolhido de confiança numa situação de vantagem da qual saía nomeado com naturalidade.

 Com estas práticas, ninguém deveria ficar surpreendido por, nos últimos dois anos, 15 diretores distritais da Segurança Social com ligações conhecidas ao PS terem sido substituídos pelos homólogos do PSD (fonte).

O que tem de ser tem muita força. Uma medida errada pode ter duas consequências indesejadas

Em vez de simplificar os processos kafkianos de licenciamento e criar incentivos fiscais à construção de novas habitações (agora tardia e timidamente aprovados), ou seja, em vez de aumentar a oferta, o governo aprovou medidas como a Garantia Jovem para aumentar a procura (até o FMI ao longe percebeu o disparate e recomendou o fim desses apoios).

Uma das consequências, como acentuei na crónica da semana passada, foi o aumento em dois anos de quase 60% das novas operações de crédito à habitação o que determinou o aumento do endividamento das famílias.

mais liberdade

Outra consequência foi o aumento no 1.º trimestre de 17,8% do preços das casas, o maior aumento da UE. O resultado inevitável é o aumento do défice de novas construções e, inevitavelmente, o aumento dos que os preços de mercado reflectiram como um termómetro reflecte o aumento da febre.

Adicionalmente à simplificação dos processos de licenciamento e dos incentivos fiscais à construção de novas habitações, o governo poderia fazer algo muito mais simples, como promover o arrendamento das cerca de 250 mil fogos fora do mercado de venda ou arrendamento e, já agora, descongelar as rendas de cerca de 250 mil contratos, retirando aos senhorios o papel de substituto da segurança social.

Quem fala assim não é gago

Não são todos os dias que um presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana diz no parlamento «se há uma coisa da qual se pode acusar o Estado português é de gerir mal o seu património», explicando aos deputados ignaros que os imóveis que foram vendidos não tinham qualquer aptidão para habitação, coisa que os governos socialistas não perceberam durante quase uma década ao tentarem resolver o défice de habitação com os edifícios públicos.

(Continua)

12/07/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Câmara de Almada, um caso notável de incompetência individual e sistémica

Alfredo Martirena
Secção Res ipsa loquitur

A Dr.ª Inês de Medeiros, com um nome próprio acompanhado de seis apelidos, dois advérbios e um hífen, é um membro característico das elites de esquerda bem-pensante (também poderia ser das elites de direita, que vinha a dar ao mesmo), actriz de cinema, deputada pelo PS, é há 9 anos presidente da Câmara de Almada, onde chegou, sucedendo a uma dezena de vereações comunistas, sem qualquer experiência ou vocação para gerir o que quer que seja e com notável pesporrência.

Durante sete anos produziu inúmeras declarações, sendo uma das mais notáveis sobre a água, e ignorou olímpicamente a crescente degradação da rede de água, que tem uma das mais elevadas taxas de perda e serve um concelho com um consumo per capita muito superior à média, concelho que, segundo a Dr.ª de Medeiros, estaria «assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade» (apud Helena Matos). O que faz uma criatura bem-pensante quando a realidade da falta de água lhe entra pelo gabinete e os protestos dos munícipes pelos ouvidos? Procura rapidamente um culpado pelas consequências da sua negligência (o governo, Bruxelas) e alega a universal falta de meios (neste caso, os omnipresentes fundos generosamente providenciados pelos contribuintes europeus).

Concedo à Dr.ª Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida cinco urracas pela sua inacção na presidência, quatro bourbons por nada ter apreendido nem esquecido, cinco pilatos por lavar as mãos do assunto, apesar da falta de água, e três chateaubriands por imaginar que não faltaria a água em Almada, apesar do rio passar ao lado da cidade e não a atravessar. (avaliação contínua)

11/07/2026

Thought of the day: best deal ever


If you think this cartoon is inspired by Donald Trump, it is. But think again and look around you.