Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

30/06/2009

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: a pátria do socialismo é o paraíso dos capitalistas

O que pode fazer um banqueiro, de quem se diz ser piedoso e professar os princípios da Obra, alegadamente envolvido em actividades ilegais que alegadamente infligiram prejuízos comprovadamente consideráveis ao banco, e que comprovadamente influenciou a atribuição à sua pessoa de privilégios exorbitantes?

Poderia sempre suicidar-se ou admitir a culpa e ser condenado a 150 anos de prisão. Contudo, aparentemente, opta por sacudir a água do capote, indicar como testemunha o fundador do socialismo pós-moderno em Portugal, depois de ter embolsado um generoso pára-quedas e continuar a usufruir de pantagruélica tença e abundante mordomia.

A credibilidade é como a virgindade (*), disse um dia o engenheiro Belmiro

«Já parecem esquecidas as tentativas de intervenção do governo do PSD na Lusomundo Media, que levaram à minha demissão … (e) … ainda está na memória de toda a gente a venda pelo Estado à PT da rede fixa como forma de conter o défice público nos limites impostos por Bruxelas, sendo Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças», comentou Henrique Granadeiro ao i.

(*) Como a virgindade será um exagero. Sejamos razoáveis, para recuperar a credibilidade é necessário um longo período de abstinência.

BREIQUINGUE NIUZ: Crisis? What crisis?

«Temos os sinais de que estaremos, porventura, a chegar ao fim desta crise» disse ontem o ministro Teixeira dos Santos, escalado para o anúncio pelo governo em substituição do ministro Pinho.

Se o ministro se está a referir à crise internacional estará, porventura, certo. É provável que durante o próximo ano se possa assistir a uma retoma gradual da economia mundial com a Europa a coxear na cauda da recuperação. Se está a pensar na economia portuguesa, Teixeira dos Santos está, porventura, a esquecer que o governo de que faz parte se esmerou em continuar a obra dos antecessores, garantindo que na próxima década Portugal continuará a arrastar-se vergado sob o peso da dívida, dos aeroportos, dos TGVs, das auto-estradas, das rotundas, das mansões, das casas, das casinhas e dos apartamentos.

É precisa uma fé sólida para atribuir a crise nos EU à falta de regulação

Cinco reguladores federais para a banca, um para acções e obrigações, outro para derivados e outro para a Fannie Mae e o Freddie Mac. Aos federais é preciso acrescentar um regulador por cada um dos 50 estados.

Dúvidas que nos atormentam

«O Governo lança hoje a rede nacional de mobilidade eléctrica, uma das primeiras da Europa, que prevê 320 locais de abastecimento de carros eléctricos em 2010 e 1.300 daqui a dois anos, para aproveitar o início da comercialização dos carros eléctricos da Renault Nissan.
O Governo português tem a expectativa de que Portugal possa vir a ter 180 mil carros eléctricos em 2020, ano em que o número de pontos de carregamento das baterias deverá rondar as 25 mil ligações.»
(Jornal de Negócios)

Porquê só o governo, composto por gestores incompetentes de negócios inviáveis e falhados, vê estas oportunidades?

Não haverá um pequenino exagero em ter um ponto de carregamento para 7 carros eléctricos?

29/06/2009

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: Para quando aulas de masturbação nas escolas C+S?

«É a pesada herança judaico-cristã que está associada ao modelo reprodutivo do sexo e à ideia de que a masturbação é pecado. Mas isto está a mudar. A educação das mulheres é menos repressiva e a sexualidade é vivenciada com mais liberdade."»

Não é um caso de falha do mercado

Um reformado com 40 seguranças privados é mais um caso de polícia.

CASE STUDY: o homem doente da Europa

Segundo o relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República, o crescimento real acumulado nos 10 anos de 2000 a 2010 será de apenas 3,2%, o pior desempenho da UE15, com excepção da Itália.

Nesse período, com os subsídios (dinheiro dos contribuintes europeus) e o dinheiro emprestado pelos estrangeiros, torraram-se recursos na construção dos estádios do Euro 2004, na Casa da Música, em auto-estradas, em milhares de rotundas e centenas de milhar de mansões, casas, casinhas e apartamentos por esse país, das quais uma boa parte está agora às moscas, como estão às moscas a maioria dos estádios e muitas das auto-estradas.

No mesmo período 3 governos, 2 dos quais do PS, responsáveis por 7 dos 10 anos, prometeram levar a economia às cavalitas, os empresários ao colo e os trabalhadores nos joelhos.

Como explicar que as mesmas receitas aplicadas pelo PS e o PSD (acolitado pelo CDS, um partido colectivista de direita) durante 10 anos, que fizeram de Portugal o homem doente da Europa, sejam agora apresentadas pelo PS (e com aditivos pelo PCP e o BE) como a única medicina capaz de salvar o doente?

E de quem é a responsabilidade pela década perdida? Segundo a visão do PS e do PSD (e do acólito), que estiveram em exercício e se assumiram como o deus ex machina da economia, só podem ser os seus próprios dirigentes.

28/06/2009

Manifesto (im)pertinente

A semana passada foi o manifesto dos 28 economistas. Uma dúzia de ex-ministros e outras luminárias, entre as quais conseguimos com algum esforço encontrar uma meia dúzia que já teria estado em algo parecido com uma empresa, expuseram as suas aflições e partilharam connosco as suas dúvidas sobre os investimentos públicos. Em conclusão, pediram mais estudos.

Esta semana maninfestaram-se outras 60 criaturas, economistas, sociólogos, politólogos, filósofos, geógrafos e diversos outros académicos. Procurando com atenção encontrámos 2-gestores-2, não sabemos de quê. As criaturas não têm dúvidas sobre quais são os problemas e exigem, para sermos curtos e grossos, mais estudos e mais Estado.

Está ainda em falta o manifesto dos economistas que fazem estudos e trabalham para o governo e o manifesto dos que trabalham para os empreiteiros. Espera-se uma síntese dos pedidos de uns e das exigências de outros e ideias para mais investimentos públicos, todos devidamente fundamentados em mais estudos.

Nós, aqui no (Im)pertinências, resolvemos também fazer um manifesto que, por definição, é um manifesto (im)pertinente.

Considerando,

a. Há décadas vêm sendo torrados recursos nacionais e comunitários (um muito obrigado aos contribuintes alemães) em muitos e variados investimentos públicos, com e sem estudos, que têm entre si de comum um notável índice de derrapagem e um negligenciável efeito sobre a capacidade produtiva do país,
b. Que nem por isso a economia e o país deram sinais de sair do estado de anomia,
c. O reforço contínuo da presença sufocante dum Estado incompetente e gastador,
d. Que, consequentemente, a situação do país pode atribuir-se a quase tudo menos ao liberalismo, seja o neo seja qualquer outro.

Pedimos e exigimos que,

1. Não sejam feitos mais investimentos nem estudos,
2. Seja dada uma oportunidade ao liberalismo (ao clássico, ao neo ou a qualquer outro), a única doutrina que em 866 anos de existência do país ainda não inspirou nenhum governo,
3. O governo se concentre na governação e nas funções essenciais do estado e deixe a governação das empresas para os empresários,
4. Consequentemente, liberte a sociedade civil da tutela asfixiante do estado, em particular, deixe o dinheiro no bolso dos contribuintes para eles decidirem o que fazer com ele.

Esperamos e imploramos ainda que,

i. A sociedade civil tome conta de si própria e, em particular,
ii. Empresários e trabalhadores abandonem o colo do estado e se disponham a assumir cada um os seus próprios riscos.


Assinado
Impertinente Pertinente

27/06/2009

DIÁRIO DE BORDO: sayonara para a Kaguya (1)

O nascer da Terra, visto da sonda de exploração lunar Kaguya, lançada pela JAXA em 14-09-2007, que se esmagou na superfície lunar no passado dia 10.

As crises são um autêntico desastre

O Senhor de La Palice também poderia ter escrito este sedutor working paper: «Power curves’: What natural and economic disasters have in common», Michele Zanini, The McKinsey Quarterly.

Clique para ampliar



26/06/2009

ESTADO DE SÍTIO: Sócrates (ainda não) resolve na release 2.0 bug da release 1.1 (CORRECÇÃO)

24-06-2009 12:37 no Diário Digital
«Governo remete negócio PT com Media Capital para reguladores»

26.06.2009 - 10h52 no Público
«O Governo vai opor-se ao negócio de compra de uma participação da TVI pela PT para que "não haja a mínima suspeita" de que a operação "se destina e qualquer alteração da linha editorial" do canal, anunciou hoje o primeiro-ministro no Parlamento, em declarações aos jornalistas.»

Pensamento queiroziano que me ocorre: «Este Governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa».

ARTIGO DEFUNTO: O relógio da central de manipulação tem um atraso de 12h 40m (2)

25/06/09 11:25
Poder de compra nacional volta a diminuir em relação à Europa
O Produto Interno Bruto (PIB) por habitante português situou-se em 2008 nos 75% da média europeia, um valor inferior aos 76% conseguidos em 2007, revela o Eurostat.

26/06/09 00:05
Riqueza dos portugueses é 75% da média da União Europeia
A riqueza de cada português é igual a 75% da média da União Europeia. Era assim em 2008 e nos dois anos anteriores, o que indica que não houve nenhuma perda de poder de compra, apesar da crise. Atrás de Portugal estão oito países da UE.

Somewhere in the nowhere


[Gráfico extraído de «The big sweat», The Economist print edition, Jun 11th 2009 e completado com as estimativa do rácio de dívida pública do governo português]

25/06/2009

DIÁRIO DE BORDO: Remake de «Les uns et les autres» com banda sonora de Orchestral Manoeuvres in the Dark

Compra da Media Capital pela PT "é uma questão altamente preocupante"

PS considerou "lamentável e indigna" atitude de Manuela Ferreira Leite sobre alegado negócio PT-Media Capital

Zeinal Bava era contra o negócio há três semanas

Cavaco "abre excepção" e pede transparência na compra da TVI

Rui Moreira critica intervenção de Cavaco sobre negócio PT/TVI

Moniz aprova entrada da PT na TVI

Bastonário dos economistas presta lip service aos seus camaradas do governo e passa a perna aos seus colegas

«A forma como foi publicitada esta opinião - através de um manifesto - é relativamente inédita entre economistas em Portugal. Mas, independentemente da forma, pessoalmente acho que não haverá nenhum economista responsável em Portugal que não concorde em que se aprofunde e clarifique a rentabilidade destes projectos, bem como se avalie o impacto que eles poderão ter no ‘deficit' corrente do país, atendendo ao preocupante nível do mesmo - próximo dos 100 % do PIB - aproveitando-se de resto a oportunidade que o Governo nos deu, "empurrando" a 1ª grande adjudicação sobre o TGV para depois das eleições legislativas. Por isso também sou solidário com as preocupações dos meus colegas, quanto a esta questão
[O manifesto, Francisco Murteira Nabo no Diário Económico]

Percebe-se que as ideias do bastonário do que é melhor para o país, como por acaso, coincidam com as da clique dirigente do PS momentaneamente no governo. Percebe-se e aceita-se. Não se percebe, nem se pode aceitar, a falta de escrúpulo profissional que o leva a ignorar quatro anos dos jamais de Sócrates e dos seus acólitos em relação ao TGV que precederam a derrota nas eleições europeias e a súbita descoberta do «escrúpulo democrático» que nos concedeu a graça da «oportunidade».

Um país que tem elites deste calibre tem que ser um país em vias de subdesenvolvimento. Esta gente esgota-se e esgota-nos com a sua doentia e obsessiva manipulação.

24/06/2009

ESTADO DE SÍTIO: Sócrates resolve na release 2.0 bug da release 1.1 (ADENDA)

Finalmente ficou a perceber-se para que servem as golden shares.

Novo logotipo do canal anteriormente chamado TVI

ESTADO DE SÍTIO: Sócrates resolve na release 2.0 bug da release 1.1 (*)

«A Prisa, que tem uma dívida de cinco mil milhões à banca (dos quais 1,9 tinham pagamento obrigatório em Março passado) conseguiu prorrogar os prazos de pagamento por um ano. Necessita, pois, urgentemente de dinheiro.
O Expresso apurou, no entanto, que até o regresso de Moura Guedes à antena foi comunicado a Sócrates e que este, na altura, não se terá oposto. "O pior foi depois", acrescentou a mesma fonte. Recorde-se que com a entrada da Prisa na TVI (e a nomeação de Pina Moura para presidente do grupo em Portugal) se gerou a ideia de que seria, a partir de então, uma estação dócil para o Governo. Mas Moniz, como sempre fez na vida, soube esperar e, no momento certo, fez o que lhe apeteceu.»(Expresso, sem link directo)

«A Portugal Telecom confirma a existência de contactos entre o Grupo Prisa e a Portugal Telecom”, adiantando que esses contactos “abordaram diversos cenários de investimento, incluindo a possível aquisição de uma participação no capital social da Media Capital e formas de relacionamento entre esta empresa e a PT”.
Face à resistência da PT em entrar na área dos conteúdos, esta inflexão é encarada como tendo sido resultado de um "empurrão" do Governo para que a PT avançasse sobre a "holding" detentora da TVI, o canal que tem funcionado como contra-poder a José Sócrates, nomeadamente através do "Jornal Nacional" de sexta-feira, apresentado por Manuela Moura Guedes.» (Jornal de Negócios)

«O valor oferecido pela Portugal Telecom à Prisa pelos 30 por cento da Media Capital é quase o dobro do que deveria ser pago caso a participação fosse adquirida em Bolsa, onde ficaria por cerca de 84,4 milhões de euros.» (Público)


(*) Financiado pelos accionistas da PT

ARTIGO DEFUNTO: O relógio da central de manipulação tem um atraso de 4h 29m

Economia portuguesa vai registar o sexto pior desempenho da Zona Euro em 2009
24 Junho 2009 11:28

Teixeira dos Santos sublinha que Portugal está melhor que a média
24 Junho 2009 15:57

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A ciência ao serviço de causas

«A insistência no antropocentrismo climático é mais do que oportunismo conjuntural: é reveladora de uma mutação no racionalismo dominante na política ocidental, inaugurado por Bacon e prosseguido por Saint-Simon e Lenine, entre outros. A forma permanece invariante, com a promiscuidade entre os discursos científico e político a propiciar a subordinação da sociedade a projectos colectivos dirigidos pelo Estado. Mas a natureza do projecto está a mudar -já não se trata da exploração planeada dos recursos para a maior felicidade do maior número: sob a histeria das alterações climáticas começam a definir-se propostas mais perigosas, que apontam para a auto-extinção económica do Ocidente.»

[A profecia Xhosa, Fernando Gabriel, no DE]