Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

08/12/2023

Mitos (332) - A "Grande Renúncia", a "Demissão Silenciosa" e a "Grande Insatisfação" dos trabalhadores são um "Grande Exagero"

Desde a o final da pandemia, primeiro nos mídia americanos e depois um pouco pela Europa, propagou-se o mito da "Great Resignation" que a Wikipedia define como, «a Grande Demissão, também conhecida como Big Quit é uma tendência económica em que os funcionários voluntariamente se demitem em massa de seus empregos, começando no início de 2021, principalmente nos Estados Unidos».  

Segundo a mesma mitologia, em paralelo com a Grande Renúncia, os trabalhadores que não se despediram foram infectados pela "Quiet Quitting", a  "Demissão silenciosa", uma espécie de serviços mínimos em que o propósito dos trabalhadores era apenas manter o emprego.

Atlantic - Newsletter Work in Progress

A "Demissão silenciosa" pressuporia uma profunda insatisfação dos trabalhadores que os mídia assumiram como generalizada - ainda há poucos dias o Wall Street Journal, que não é propriamente um jornal woke, titulava uma peça com a pergunta retórica Why Is Everyone So Unhappy at Work Right Now?, estado de espírito que usando o mesmo método poderia ser baptizado "Great Unhappiness". 

No mundo real, porém, as coisas costumam ser diferentes, ou mesmo muito diferentes, dos universos paralelos dos mídia. Como ressalta dos inquéritos anuais, a satisfação dos trabalhadores americanos com o seu trabalho está ao nível da década de 80, tendo vindo a aumentar depois de um mínimo nos anos da "Great Recession" (esta tendência para engrandecer qualquer fenómeno político ou económico infecta desde há uma ou duas décadas os mídia e é propagada nas redes sociais).

07/12/2023

SERVIÇO PÚBLICO: A "agilização" dos investimentos no lítio e centro de dados não foi um acidente. É o processo socialista de autorizar investimentos

Os casos do lítio e centro de dados não saíram do vácuo, para usar a expressão do Eng. Guterres, essa alma cheia de boas intenções, cujo mantra «no jobs for the boys» foi na verdade o início da ocupação do aparelho administrativo do Estado por batalhões de apparatchiks socialistas. 

O Dr. Costa ao tentar limpar a sua folha e as dos seus ajudantes justificou a "agilização", isto é uma intervenção informal, pontual e dirigida para facilitar as operações de investimento, uma espécie de lubrificação das engrenagens, declarando «que a simplificação de procedimentos aumenta a transparência (... e) a burocracia promove a opacidade», o que é obviamente uma completa falácia, porque tudo o que foi feito resultou precisamente da falta de transparência e da mistura de questões administrativas, legais e técnicas com questões políticas ou, mais precisamente, com critérios obscuros e decisões encapotadas, tudo numa sopa opaca de conflitos de interesse.

Tudo se iniciou durante o consolado do Eng. Sócrates que começou por extinguir a Agência Portuguesa para o Investimento (API) criada pelo governo de Durão Barroso em 2002 para precisamente «desgovernamentalizar o investimento privado», como explica Carlos Tavares, e acabou a criar os PIN (projectos de interesse nacional) que seriam aprovados com grande opacidade à vontade do freguês e dos quais resultou um enorme desperdício de fundos europeus e de capitais portugueses. Remeto para o artigo no Observador de Carlos Tavares para conhecer a evolução posterior que apenas resolveu parte dos problemas e deixou a porta aberta para as intervenções  de "agilização" do governo com os resultados já (em parte) conhecidos.

06/12/2023

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (19) - Definitivamente S. Ex.ª não acabará o mandato com dignidade, mesmo com ajudas

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

A estória é bastante embrulhada e envolta nas brumas das mentiras e meias-verdades, como é habitual nos casos de cunhas (pistolão no Brasil) e empenhos. Indo ao osso do assunto que parece estar suficientemente estabelecido, o filho de S. Ex.ª meteu uma cunha ao pai (e talvez a outras pessoas, o pai diz que desconhece) para às gémeas brasileiras filhas de uns amigos brasileiros ser administrado pelo SNS português - que não consegue dar resposta às necessidades mais básicas - um medicamento custando o equivalente a 5.263 salários mínimos mediante um expediente de lhe ser atribuída nacionalidade portuguesa por um processo fast track. O pai diz que se limitou a encarregar a sua assessora para a área de Saúde de saber o estado do processo. No final o medicamente foi administrado e às gémeas foram disponibilizadas duas vezes 2 cadeiras. 

Na minha impertinente visão da coisa, um presidente com integridade imune ao compadrio e bom educador teria educado o seu filho que saberia ser seu dever rejeitar desde logo o pedido dos amigos. O mesmo presidente se tivesse falhado na educação do filho e este lhe apresentasse o pedido ter-lhe-ia a dito para deixar cair o pedido. 

Com um presidente cujo passado não permite estabelecer com segurança a sua integridade, só se pode concluir que a sua versão da estória revela ou uma ingenuidade dificilmente compatível com seu passado de cinco décadas de conspiração política ou uma tentativa maquiavélica de limpar a sua folha insultando a inteligência dos 63% de eleitores que avaliam como mau o seu desempenho ou têm dúvidas.

05/12/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (94b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 94a)

O Mais Habitação da esquerdalhada na câmara de Lisboa

No fim do ano passado o balanço feito pelo Expresso mostrava que, após oito anos de anúncios ao despique do Dr. Medina e do Dr. Pedro Nuno, de todos os projectos de habitação acessível geridos pelo IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) até então havia 71 fogos arrendados. Do Programa de Arrendamento Acessível havia 900 contratos activos para dois mil alojamentos e 30 mil candidaturas.

Talvez por isso, a esquerdalhada na câmara de Lisboa, composta por PS, Cidadãos por Lisboa, PCP, Livre e BE, chumbou a proposta de Carlos Moedas de isenção do IMT para os jovens até aos 35 anos que comprem casa até 300 mil euros em Lisboa.

Boa Nova

O governo aprovou uma proposta pândega do PAN para criação de uma rede de hospitais públicos para animais. Quem sabe se estes hospitais ainda vão receber os humanos?

Choque da realidade com a Boa Nova. A Creche Feliz ficou infeliz

Em 2022 durante a discussão do OE 2022 o Dr. Costa anunciou que as creches seriam gratuitas. Passados alguns meses, ficaram de fora as crianças das creches sem acordos de cooperação. Decorrido um ano, o programa Creche Feliz que restou dos anúncios apresenta vagas na aplicação online que na realidade não existem mas impedem os pais de recorrer ao sector privado (Jornal Nascer do Sol).

Militante honorária

A ministra da Ciência, Drª. Elvira Fortunato, se não é militante socialista de facto já ganhou o direito a ser militante honorária ao pretender cancelar as parcerias internacionais da Fundação Ciência e Tecnologia (FCT) com três universidades americanas de topo escondendo um parecer que justificava as parcerias. Confrontada com a bronca, fez o que um bom militante socialistas faz: recuou e mentiu.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio ou serão “historietas histriónicas”?

O ex-secretário de Estado do Desporto Dr. Rebelo está a ser investigado por alegados crimes relacionados com favorecimento em contratos públicos.

Derrapagem é o outro nome para gestão socialista de obras públicas

A expansão do Metro de Lisboa, o sistema de mobilidade do Mondego, a modernização da Linha de Cascais e do troço Ovar-Gaia da Linha do Norte são alguns dos exemplos de investimentos do Portugal 2020 cujas obras não ficaram concluídas e que agora são chutadas para o Portugal 2030.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa? Estamos, poucochinho

O crescimento trimestral do PIB caiu de 2,6% no segundo trimestre para 1,9 no terceiro, principalmente pela variação negativa das exportações.

Entretanto, a OCDE corrigiu em baixa as previsões de crescimento para Portugal de 2,5% para 2,2% este ano e de 1,5% para 1,2% em 2024.

O mafarrico tarda mas não faltará

Desde o fim do resgate a economia portuguesa cresceu 20% enquanto a produtividade aumentou 14%, o emprego cresceu 13% e o stock líquido de capital diminuiu 1,4%. Ora o emprego com uma população residente estagnada não pode crescer mais e a produtividade para aumentar precisa de investimento, isto é capital. É só fazer as contas, como dizia o Eng. Guterres quando por aí andava.

04/12/2023

Um líder trabalhista britânico ultrapassa pela direita um líder social-democrata lusitano

Esta tarde Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista britânico, fez um discurso na conferência de economia da Resolution Foundation de que extraí algumas passagem citadas a seguir (tradução automática daqui).

Luís Montenegro, líder do PSD, faria bem em comparar o seu último discurso no congresso com esta intervenção de Keir Starmer.

 «(...) digo a todos vocês, se tivermos o privilégio de ser eleitos no próximo ano. Os diagnósticos charlatães, a busca por distrações e desculpas, tudo isso acaba. Porque o objectivo definidor do próximo governo trabalhista, a missão que está acima de todas as outras, será aumentar o crescimento da produtividade da Grã-Bretanha. Um objetivo que para o meu Partido Trabalhista será uma obsessão. Isso é uma grande mudança para nós. 

Tendo a criação de riqueza como a sua prioridade número um, essa nem sempre foi a zona de conforto do Partido Trabalhista – acreditem em mim! Mas essa é a mudança que eu sabia que era necessária, foi essa a mudança que realizei e o meu partido está unido por trás dela. (...)

Qualquer um que espere que um novo governo trabalhista abra rapidamente as torneiras dos gastos ficará desapontado. A inflação, a dívida e os impostos são agora enormes restrições. Claro – faremos escolhas diferentes. Sobre o regime fiscal para o residente não habitual  – investimento na redução das listas de espera do SNS. Na eliminação dos incentivos fiscais às escolas privadas – investimento no ensino de alta qualidade e na saúde mental dos nossos filhos.

Mas, ao mesmo tempo, seremos implacáveis ​​quando se trata de gastar cada centavo com sabedoria. Dirigi um serviço público – nos maus dias da austeridade. Eu sei o quão difícil pode ser. Mas também sei que é sempre possível encontrar maneiras de melhorar o resultado. Mude a sua prática, o seu comportamento, reforme a sua abordagem. (...)

Existem grandes passos que podemos dar rapidamente para impulsionar o crescimento britânico.

Um – podemos fazer com que a Grã-Bretanha volte a construir. Somos o único país do G7 onde o desenvolvimento territorial per capita diminuiu no último século. O sonho da casa própria – cada vez mais distante. Pessoas trabalhadoras – desembolsando mais de sua renda para persegui-lo. Menos segurança e oportunidade. Portanto, sim, temos de arrasar as leis de planeamento restritivas. Temos de remover os bloqueios que sufocam o lado da oferta da nossa economia. Impedir-nos de construir armazéns, linhas ferroviárias, ligações à rede, parques eólicos, laboratórios e casas que o nosso país precisa.

Dois – podemos apoiar os negócios britânicos. Com estabilidade política e certeza. Com um regime fiscal competitivo – demonstrámos a nossa determinação nessa frente. Uma nova direção de competências. Reforma dos estágios para dar mais flexibilidade às empresas e incentivar o investimento. Faculdades de excelência técnica – especializadas nas competências de alto crescimento e grande escassez de que necessitamos. Mas acima de tudo – com essa nova parceria. Uma estratégia industrial adequada – elaborada com as empresas. E um fundo nacional de riqueza que possa reduzir o risco e atrair grandes investimentos privados. Porque acreditamos que esse é o nosso trabalho. Não despejar o dinheiro dos contribuintes em empresas favorecidas. “Escolher vencedores”. Este não é o velho dogma.

Mas nesta economia global, é negligente não avaliar quais os sectores que podem competir. E ainda mais negligente em não usar o poder do governo para apoiá-los adequadamente. Esta é uma missão crítica. Porque nunca conseguiremos deter o nosso declínio, a menos que nos tornemos uma nação com elevados investimentos.

Finalmente, três – podemos fazer com que o trabalho valha a pena. Agora mesmo. Mesmo diante das amplas evidências de bom trabalho fornecidas por este inquérito. Algumas pessoas ainda consideram a flexibilidade no nosso mercado de trabalho unilateral, que o crescimento não provém de um mercado de trabalho que questiona como podemos tornar os trabalhadores mais produtivos. Mas de reduzir salários, direitos e condições.

Registem as minhas palavras – vamos fazer desse argumento história. E digo isso também para os negócios. Este é um Partido Trabalhista mais empenhado do que nunca em trabalhar com a iniciativa privada. Mas uma parceria deve ter um propósito. E os retornos da iniciativa privada devem ser melhor partilhados. O seu país precisa de maiores investimentos. Seus trabalhadores precisam de um retorno mais justo. E ambos – serão bons para a sua produtividade.»

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (94a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O socialismo precisa de pobres dependentes do Estado sucial

A taxa de risco de pobreza (simplificadamente, a percentagem da população com rendimento inferior a 60% do rendimento mediano por adulto), aumentou 0,6% para 17% o ano passado, significando que cerca de 1,8 milhões de pessoas vivem com menos de €591 por mês. Durante o governo “neoliberal” num período de austeridade que se seguiu ao resgate as desigualdades aumentaram apenas moderadamente e em relação aos rendimentos disponíveis (isto é, rendimentos depois de impostos e subsídios sociais) as desigualdades diminuíram (ver aqui). Agora com o governo do Dr. Costa em período de vacas gordas voadoras do socialismo a pobreza aumenta.

O Dr. Medina pode não ser um génio, mas não é burro, por isso é desonesto

Quando ele diz na sua intervenção antes de votação final do OE2023 que «nestes últimos oito anos revertemos o pesado fardo de austeridade que a direita nos deixou», ele sabe perfeitamente que a austeridade foi deixada pelo governo socrático do seu partido que a negociou com a troika e que nos oito anos que leva a governação socialista a austeridade transferiu-se da despesa pública para o investimento público, com consequências a longo prazo.

PS é mau a governar e é muito bom no agitprop

A propósito, a propaganda socialista construiu o mito de que o governo PSD-CDS cortou as pensões mais baixas durante o resgate e a verdade, que o incompetente agitprop PDS-CDS não foi capaz de mostrar, foi, em vez disso, terem sido as pensões mais altas as mais penalizadas pela Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), sendo certo que o agitprop socialista foi muito ajudado precisamente por estes últimos pensionistas com acesso garantido aos megafones dos mídia.

A imagem da república dos bananas a caminho do socialismo


  • A velha imagem



  • A nova imagem «inclusiva, plural e laica (e com) consciência ecológica reforçada»



  • A minha proposta para a nova imagem do governo socialista e do Estado sucial


A justiça do Portugal dos Pequeninos pode não estar à altura, mas quando à extensão…

Este é o 5.º (quinto) ano que já leva a operação Influencer de investigação das agilizações do Dr. Costa e dos seus influenciadores no lítio e no centro de dados e até agora preencheu 23 (vinte e três) volumes de 250 (duzentas e cinquenta) páginas o que dá um total de 5.750 (cinco mil setecentas e cinquenta) páginas, o equivalente a uns 3 milhões de palavras.

A três meses das eleições o governo PS descobre a sua vocação para os acordos…

Depois de meses a encanar a perna à rã, o governo chega a acordo com os médicos e dá-lhes um aumento de 400 euros.

… e aprimora a mercearia orçamental

Este ano todos os recordes foram batidos: apresentadas 1930 propostas de alteração do OE2024.

(Continua)

03/12/2023

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (18) - S. Ex.ª também está a precisar de ser ajudado a terminar o mandato com dignidade

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).
  • 1995 - «Vamos ajudar o senhor Presidente a acabar o mandato com dignidade», apelo do Dr. Cavaco em benefício do Dr. Soares 
  • 2015 - «Vamos ajudar Cavaco a terminar mandato com dignidade», apelo do Dr. Costa em benefício do Dr. Cavaco
  • 2023 -  Cresce o número de  portugueses que acham que o Dr. Marcelo está a precisar de ajuda para terminar o mandato com dignidade
Fonte

02/12/2023

Dúvidas (368) - Estará Vladimir Solovyov certo?

«Vladimir Solovyov, apresentador russo famoso do canal estatal "Russia-1", sugere a anexação de Portugal após a "desnazificação da Alemanha"

Perante este comentário, um dos participantes do debate recordou que “Lisboa nunca foi russa”, o que valeu um comentário de Solovyov: “É a essa razão pela qual deveria ser”. Quando questionado sobre os motivos que levariam a Rússia a necessitar da anexação de Portugal, o apresentador justificou a sua opinião: “Não precisamos, mas eu gosto de Lisboa.” “Os portugueses viveriam muito bem como parte do império russo”, continuou Solovyov. (Visão)

À primeira vista, a dúvida pode parecer retórica: os portugueses viveriam muito bem como parte do império russo?  Há várias razões para a resposta ser positiva. Os portugueses em geral gostam de um Estado que tome conta deles e o Estado putinesco poderia substituir sem dificuldade o Estado sucial até para proporcionar empregos alternativos aos novos situacionistas que hoje se penduram na mesa do orçamento. Certas classes profissionais, como os jornalistas, sentiriam poucas diferenças, era substituir a  Lusa pela Tass, a RTP apenas deixaria cair o "P" e ficaria RT (Russia Today). É claro que os portugueses ficariam submetidos a uma ditadura, mas isso não seria problema porque apreciam pouco a liberdade, embora gostem da baderna que muitas almas confundem com a liberdade. Os portugueses são pobres e o Estado sucial é igualmente pobre e dependente de esmolas da Óropa, pelo não teriam dificuldade em substituir o dinheiro de Bruxelas pelo petróleo e o gás russos. Há várias outras razões mas estas seriam suficientes para dar razão a  Solovyov. Primeiro estranhar-se-ia, depois entranhar-se-ia.

01/12/2023

A arte de bem titular toda a notícia (8) - Devia ser ... ainda pagam o IRS de Sócrates...

Primeira página do caderno de Economia
do Expresso, o semanário de reverência

... visto que o IRS de Gaspar foi o IRS que resultou do Memorando de Entendimento com a troika para resgatar o Portugal dos Pequeninos afundado pelos governos socialistas, memorando assinado pelo Sr. Eng. Sócrates antes de ir para Paris estudar na Sorbonne.

SERVIÇO PÚBLICO: O milagre do défice tarifário faz toda a gente feliz? (10) - A dívida tarifária está de volta

Outros défices tarifários

Recapitulando: o governo Barroso inventou e os governos Sócrates desenvolveram um expediente miraculoso para praticar preços políticos da electricidade, ao mesmo tempo que aparentemente liberalizavam o mercado. A coisa chama-se défice tarifário e corresponde à diferença entre os custos de produção e a facturação dos produtores. O milagre consiste em os produtores contabilizarem como rendimentos a facturação acrescida do défice tarifário e, consequentemente, os preços subsidiados não afectam os seus lucros e os consumidores ficam felizes porque pagam a electricidade abaixo do seu custo. Os produtores vão contabilizando no seu activo esses «défices tarifários» que no final são créditos sobre alguém que um dia vai pagar e podem titularizar esses créditos transferindo-os para um banco e recebendo-os o seu valor com um desconto.

Este é um tema geralmente ignorado ou mal tratado por ignorância ou desvirtuado intencionalmente porque não há muitas pessoas que se atrevam a desafiar o lóbi da energia. Uma delas é Luís Mira Amaral, antigo ministro da Indústria e Energia, e outra é Clemente Pedro Nunes, professor do IST e especialista em energia, de quem cito uma vez mais um seu artigo (O Sistema Elétrico Português: e a catástrofe continua…)

«O Sistema Elétrico tem de assegurar a estabilidade do fornecimento, pois qualquer interrupção, ou mesmo simples perturbação, pode causar sérios prejuízos aos consumidores.

Era pois previsível que, quando em 2007 o Governo de José Sócrates decidiu basear o Sistema Elétrico Português em potências intermitentes, eólicas e solares, se estava a criar um “monstro” com implicações muito negativas, tanto tecnológicas como económicas.

Note-se que, para garantir a rentabilidade dos investidores nestas potências elétricas intermitentes, foram-lhes atribuídas as designadas FIT-Feed In Tariffs, que são na prática tarifas políticas com preços garantidos e que proporcionam, além disso, uma “reserva de mercado”. Ou seja, asseguram a estes investidores uma remuneração fixa sempre que haja uma produção da eletricidade intermitente.

Assim, estas “tarifas políticas” obrigam a que sejam os consumidores a garantir a estabilidade do Sistema Elétrico.

30/11/2023

SERVIÇO PÚBLICO: A escola pública, um clássico de Filomena Mónica

Por acaso voltei a cruzar-me com este artigo de Maria Filomena Mónica no Expresso que citei há mais de dez anos. É uma visão lúcida da escola pública que não envelheceu e tem subjacente uma autópsia  do resultado de décadas de intrusão ideológica, incompetência e negligência.

A ESCOLA PÚBLICA

Acabamos sempre por voltar ao local do crime. Em 1977, terminei uma tese sobre a escola durante os primeiros anos do salazarismo. Como me aconselhou o prof. Sedas Nunes, deveria prosseguir o trabalho nesta disciplina. Por várias razões, decidi seguir outro rumo, o que não me impediu de, em diversas ocasiões, ter escrito sobre os problemas do ensino. Em abril de 1974, imaginei que, através de uma boa rede de escolas públicas, Portugal poderia eliminar as desigualdades que, desde a infância, me haviam escandalizado. Até fiz um documentário, "Nados e Criados Desiguais". Depois, fui-me apercebendo de que o sonho não era tão fácil de concretizar quanto pensara.

Tem-se falado muito nos gastos disparatados com a reconstrução de alguns liceus. Quando me sentei ao computador estava determinada a escrever sobre este tópico, mas, a meio, a minha bússola intelectual obrigou-me a mudar de rumo, levando-me a fazer uma revisão da matéria. Eis, em dez pontos, aquilo em que acredito.

1 - Não são tanto os edifícios que contam no sucesso escolar, mas os professores. Precisamos de ter, nas nossas escolas, indivíduos bem preparados, bem remunerados e sobretudo acarinhados pela comunidade.

2 - O envio de papelada para cima dos professores, que faz as delícias dos funcionários do Ministério, deve terminar, a fim de que aqueles possam ensinar em paz.

3 - Se a cultura pseudoprogressista transmitida nos cursos de Ciências de Educação continuar dominante, estaremos a formar indivíduos incapazes não só de ganhar o seu sustento mas de ter um mínimo de cultura geral.

4 - Muito do que se passa na sala de aula depende das expectativas dos docentes. Se estes olharem os filhos dos pobres como candidatos a empregos subalternos nunca deles exigirão o suficiente para que possam sair do círculo de pobreza onde estão encerrados.

5 - Nos últimos trinta anos, sacrificámos a qualidade à quantidade, do que resultou uma redução no nível de exigência dos exames. Os "netos de Rousseau" devem ser afastados, logo que possível, do GAVE (gabinete que prepara os exames).

 6 - Apesar de poderem ser um veículo de mobilidade social, as escolas têm como missão central transmitir o saber, pelo que não devem ser pensadas como uma máquina de engenharia social.

7 - À ex-secretária de Estado Ana Benavente deve ser interditada a aproximação de qualquer escola pública.

8 - A melhor forma de ajudar os filhos dos pobres é através da elaboração de bons programas, que os ensinem a ler, a pensar e a saber exprimir-se.

9 - As crianças não são naturalmente boas. Carecem, assim, por parte dos pais e dos professores, da imposição de uma certa disciplina. A concessão de demasiada liberdade leva-as a tornaram-se tiranetes.

10 - Podemos ter igualdade de resultados ou igualdade de oportunidades: não as duas. A primeira, defendida pelos esquerdistas, leva a que às crianças dotadas, provenientes de meios socialmente desfavorecidos, não lhes seja exigido tudo aquilo que podem dar. A coberto de uma ideologia bondosa está a cometer-se um crime.

29/11/2023

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

Munger (à direita) com o meu capitalista favorito

Com 99 anos morreu ontem Charlie Munger, o parceiro na Berkshire Hathaway de Warren Buffett, o meu capitalista favorito, um dos homens mais ricos do mundo, de gostos simples e com uma vida frugal. Viveu décadas na mesma casa e explicou numa entrevista recente que se tivesse outro estilo de vida «I didn't think it would be good for the children», dos quais teve oito.

O que me fez lembrar Jeff Bezos, o fundador da Amazon, que mandou construir recentemente um iate que para sair do estaleiro na Holanda foi necessário desmontar uma ponte. O iate tem 127 metros e como é à vela (os mega-ricos lambem as mãos dos áctivistas ambientais) é acompanhado por um barco de apoio a diesel com uma plataforma para helicóptero.

Sobre o centro que se afunda nas sondagens, o congresso do PS-D que celebra o Estado assistencialista falhado e as coincidências da vida

O que há de comum entre o centro que se afunda nas sondagens, o congresso do PS-D e as coincidências da vida? Nada de especial, apenas o facto deste vosso escriba ter intenção de escrever sobre os dois primeiros temas e ter-se dispensado de o fazer porque lhe tiraram as palavras da boca.

Começou com uma mensagem de um amigo a propósito das sondagens com o destaque «Centro afunda-se, Chega dispara» da primeira página do Público, que me induziu a responder-lhe com poema The Second Coming de Yeats, que é citado desde há alguns anos no cabeçalho deste blogue. Tudo para mais tarde ler o editorial do mesmo Público citando o mesmo poema.


E chegamos ao congresso do PS-D (para quem consiga ler até ao fim este post, imagino ser desnecessário explicar esta minha grafia), que adiava comentar desde há dois ou três dias. Admito não ter conseguido ver integralmente o pletórico vídeo da intervenção do Dr. Montenegro, contudo, vi o suficiente para concluir que João Miguel Tavares escreveu um resumo melhor do que eu teria escrito.
«No sábado, Luís Montenegro prometeu subir o rendimento mínimo garantido dos pensionistas portugueses para 820 euros até 2028. Na segunda-feira, André Ventura prometeu subir todas as pensões até ao nível do salário mínimo. Lembram-se de 1974, quando todos os partidos de direita tiveram de arranjar nomes de esquerda para não serem acusados de fascistas? Cinquenta anos depois estamos mais ou menos na mesma: a direita está convencidíssima que só consegue ganhar eleições fingindo que é de esquerda. Vai daí, propõe ao país doses cavalares de políticas redistributivas e promete gastar ainda mais dinheiro com pensionistas do que o PS.»
E o que porventura faltaria (a referência ao crescimento económico sem o qual todas as promessas são miragens) estava escrito num post do Corta-Fitas.
«Atendendo ao último congresso do PSD, não há dúvidas: Montenegro entrou no leilão com o PS por pensionistas e salários mínimos, somando a recuperação da esquecida função publica nos últimos anos e acrescentando um prometido renascimento da esmagada classe média. Só coisas boas. Fiquei apenas surpreendido por não haver menções enfáticas ao crescimento económico que poderia permitir que estas promessas sejam realistas. Montenegro promete transformar PNS num menino de coro.»
A reforçar a ideia do mimetismo do PS-D, o comentador oficial Dr. Marques Mendes regozija-se pelo PS-D ter dado «primazia aos temas sociais. Até que enfim!» e o Dr. Miranda Sarmento, líder parlamentar do PS-D, certamente preocupado com as "contas certas", garantiu que «o complemento solidário para idosos (...) nunca colocará em causa o equilíbrio orçamental», passando ao lado da questão central que é a sustentabilidade da segurança social. 

As políticas públicas para reparar a avaria do elevador social que o sistema de ensino deveria ser, para recuperar o sistema de saúde do estado comatoso em que o PS o deixa, e para assegurar a sustentabilidade do sistema de segurança social, não dei conta que tivessem sido mencionadas pelo Dr. Montenegro.

28/11/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (93b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 93a)

Alguém se recorda do tempo em que as agências de rating conspiravam contra o governo socialista?

Em comunicado do ministério das Finanças, o Dr. Medina celebra o upgrade pela Moody’s do rating o qual «demonstra que os fundamentais da economia são robustos e confirma que Portugal conquistou um lugar entre o grupo de países com maior qualidade creditícia e maior credibilidade internacional». Longe vão os tempos em que o partido do Dr. Medina responsabilizava as agências de rating pelo aumento das taxas da dívida pública (ver a série de posts «teorias da conspiração sobre as agências de rating»).

Agora é oficial. O Dr. Medina não sabe o que é uma reforma...

Em entrevista ao jornal Eco, o Dr. Medina, tentado contrariar a ideia de que o seu governo não faz reformas, declara enfaticamente «se a baixa da dívida não é uma reforma, não sei o que é uma reforma».

… e no entanto, o seu governo fez reformas que ele por modéstia não cita

Tais como: (1) a nacionalização da TAP e da EFACEC; (2) o fim das PPP na saúde em vários hospitais que eram um modelo de gestão;(3) a transformação das escolas públicas em fábricas de analfabetos funcionais, (4) as mudanças no regime dos contratos de associação com as escolas privadas, (5) a irrelevância da habitação social reduzida ao concurso de anúncios de programas de Renda Acessível do Dr. Medina e do Dr. Pedro Nuno Santos; (6) o esvaziamento da CReSAP, criada pelo governo PSD-CDS para seleccionar dirigentes públicos com base na competência; etc. Por falar em dirigentes públicos, o governo já tem 44 em fila de espera.

No Portugal dos Pequeninos os problemas deixam de existir se os ignorarmos

A comissão que estuda a sustentabilidade do sistema de pensões adiou a entrega do relatório ao governo para depois das eleições, relatório cujas conclusões num país normal seriam importantes para suportar as propostas alternativas dos programas dos partidos. A comissão é presidida pela Dr. Mariana Trigo Pereira, que foi economista-chefe do gabinete do ministro do Trabalho e filha do Dr. Paulo Trigo Pereira, antigo deputado pelo PS – a família socialista, sempre ela.

Poderia ser coincidência? Sim, poderia 

O despacho conjunto de cinco ministérios anunciado em 25 de Setembro para “agilizar” a instalação de cabos submarinos feito à medida do para «potenciar o investimento em centros de dados» só foi publicado dois meses, no dia 22 de Novembro.

De volta ao velho normal

Passada a pandemia durante a qual os portugueses reduziram o consumo, a taxa de poupança voltou a cair 34% o ano passado e estamos assim.

Se isto é um problema em qualquer circunstância, numa economia e num Estado descapitalizados com um investimento insuficiente isto é um desastre.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

A coisa está tão complicada que é impossível escondê-la por mais tempo e a “direcção executiva” reconhece num comunicado do dia 26 que «O Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa um período crítico da sua existência» e de seguida chuta para fora dizendo que o problema é mundial e que os portugueses recorrem excessivamente às urgências.

Derrapagem é o outro nome para gestão socialista de obras públicas

Ainda a procissão vai no adro e já as obras de expansão dos metros de Lisboa e Porto derraparam 750 milhões de euros.

27/11/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (93a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O mantra da justiça costista mudou? Não. O Dr. Costa não tem mantras, tem expedientes

No início do seu consolado como líder do PS, o Dr. Costa recitava o mantra «à justiça o que é da justiça, à política o que é da política». Continuou com o mesmo mantra durante oito anos enquanto uma dúzia dos seus ajudantes no governo eram obrigados a demitir-se por suspeita de golpadas. Quando chegou a sua vez de ser abrangido por um inquérito judicial, chamou-lhe “processo-crime” e aproveitou para se demitir não invocando o mantra, mostrando que era apenas mais um expediente do seu arsenal que começou por usar para sacudir do seu capote a água do Eng. Sócrates e de seguida a água dos membros do governo demitidos.

A ética republicana ainda não chegou à procuradoria-geral da república

Quando há cinco anos Joana Marques Vidal, uma PGR que não hesitou em escarafunchar os podres das figuras de cera do regime, não teve o seu mandato renovado e em sua substituição foi escolhida a Dr. Lucília Gago, o Dr. Costa deve ter suspirado de alívio. Cinco anos depois concluiu que o suspiro foi um exagero quando se enredou a si próprio e enredou o Dr. Marcelo na sua manobra de demissão, depois de falhada a tentativa de ter chuva na eira de escapar a S. Bento e o sol no nabal de deixar lá o Dr. Centeno, tentou enredar a PGR atribuindo-lhe a responsabilidade pela sua decisão a qual lhe respondeu à letra «não me sinto naturalmente responsável, porque se trata de uma avaliação pessoal e política que foi feita».

Já se sabia que o Dr. Costa é um troca-tintas é muito hábil, para que não haja dúvidas ele confirma sempre que possível

Na conferência de imprensa do dia 11 em que anuncia a sua demissão o Dr. Costa disse que «com grande probabilidade [não exercerá] nunca mais qualquer cargo público» para logo de seguida rectificar para «qualquer cargo executivo». Guess why. No dia 20 o Dr. Costa abandona o «nunca mais» que passa a «enquanto não estiver esclarecido este assunto».

O Estado sucial é um caloteiro e coloca os “privados” a financiar o SNS

De 1.618 milhões no princípio do ano, a dívida do SNS aos “privados” cresceu até 2.322 milhões em Setembro, dos quais 635 milhões têm mais de 90 dias, aproximando-se do recorde de 2011, durante a intervenção da troika que se seguiu à falência do Estado sucial que o Eng. Sócrates deixou antes de ir estudar para Paris.

Estava escrito nas estrelas

Há três semanas prognostiquei que o Dr. Costa não deixaria de cobrar o preço do silêncio das hostes governamentais pela alegada interferência de S. Ex.ª numa cadeia de cunhas para proporcionar um tratamento caríssimo a crianças brasileiras no Hospital de Santa Maria, numa altura em que o SNS está de rastos. Avolumam-se os indícios que o assunto não morrerá tão cedo: o Público diz-nos que o inquérito em curso do MP «visa desconhecidos» e escreve com falsa inocência «se o Presidente da República viesse a ser suspeito, abertura de processo teria de ser votada no Parlamento» e no Expresso a Pluma Caprichosa escalpeliza os detalhes do processo numa página half broadsheet onde a palavra presidente surge sete vezes.

“Raramente a verdade é pura, e nunca é simples”

Pelo menos umas centenas de imigrantes que se manifestaram à frente do tribunal em Cuba pedindo a libertação das pessoas «suspeitas de integrarem uma rede que se dedicava ao tráfico de seres humanos», não colaboraram na campanha em curso para demonizar os malvados patrões que usam “mão de obra escrava” e empunharam cartazes garantindo terem boas condições de trabalho e serem bem tratados.

(Continua)

26/11/2023

NÓS VISTOS POR ELES: Por que insistem em convidá-lo? (4) - O "misterioso milagre" de Krugman explicado às criancinhas

Continuação de (1), (2) e (3)

Recordando, Paul Krugman participou na «Grande Conferência do Negócios» e classificou o desempenho económico de Portugal nos últimos anos como um «milagre económico (...) um pouco misterioso». A imprensa do regime destacou o sound bite e foi um festim de aproveitamento do bullshit que revela uma ignorância da realidade que até para o que se espera de um comentarista é excessiva.

Comecemos por comparar o milagre português com o de oito países saídos do bloco soviético que aderiram à UE mais tarde e que nos ultrapassaram na produtividade, um indicador sintético que traduz  bem o sucesso económico.


Vejamos a evolução de um conjunto de dez outros indicadores, dos quais metade tiveram uma evolução positiva e a outra metade negativa, e ainda o stock de capital do Estado cuja redução durante os governos socialistas é uma das razões para a paralisia do aparelho administrativo impossível de esconder mesmo com a cortina de fumo que o controlo dos mídia dá ao PS, paralisia de que o colapso do SNS é apenas o exemplo mais notório. Acrescente-se que foi à custa dessa redução do stock de capital do Estado que o governo conseguiu o único verdadeiro milagre para um partido socialista: continuar a redução do défice e da dívida pública vinda do governo anterior, política que ele tanto criticou e a que opôs o seu mantra «virar a página da austeridade» enquanto a continuava da pior maneira possível. 
 

Note-se também que apesar de os cinco indicadores com evolução positiva revelaram um inegável sucesso, dois deles nada ficaram a dever às políticas públicas dos governos socialistas (exportações e taxa de desemprego cuja recuperação se iniciou com o governo PSD-CDS), a redução do rácio da dívida pública deve-se significativamente ao aumento do PIB nominal pela inflação (recorde-se que em valor absoluto a dívida pública subiu 44,2 mil milhões de 235,7 mil milhões em Dezembro de 2015 para 279,9 mil milhões em Setembro de 2023). Restam por isso as emissões de gases que podemos creditar parcialmente às políticas ambientais do governo socialista e debitar pelos elevados custos da energia.

Se isto é um milagre, Paul Krugman é uma nossa senhora de Fátima saída das páginas do New York Times.

25/11/2023

Questions (367) – Will Brexit happen? (XXIV) - Still a perfect example of Merton's laws

Other doubts about the consummation of Brexit (mostly in Portuguese).

Spectator

«During the Brexit campaign, much fuss was made of the news that immigration had hit 323,000 a year, making a mockery of David Cameron’s promise to reduce it to the ‘tens of thousands’. Brexiteers and Remainers alike assumed the whole point of leaving the EU and ending ‘free movement’ was to reduce arrivals. The consensus was that about 130,000 a year was right. We now take that amount of people roughly every ten weeks.» (Spectator)

Once again, the truth and the facts end up exposing the lies, unfortunately at a high cost. One after another, the various lies and distortions were revealed and the result of the "liberation" of the United Kingdom from the European yoke is so far: increasing immigration, massive deficits, a sharply increasing public debt and... the lowest forecasted growth in the next two years, from all OECD countries.

24/11/2023

Pro memoria (432) - Um CV resumido do Dr. Pedro Nuno

«Pedro Nuno Santos é um político profissional, sem curriculum profissional, e, como o próprio confessou, com um percurso com erros e cicatrizes. Há 12 anos o jovem Pedro Nuno Santos propunha não pagar a dívida pública e que, segundo ele, poria os credores alemães e franceses com as pernas a tremer. Colaborou com o primeiro-ministro na tomada do “controlo” da TAP em que os privados ficavam com a gestão executiva, o que revela bem a falta de preparação neste tipo de transacções de empresas.

Foi o autor moral da intervenção do Estado na TAP, que implicou assumir a dívida e os riscos de uma empresa insolvente, pagar ao investidor estrangeiro cerca de 50 milhões de euros por uma participação cujo valor seria, naquela data, negativo, e dizer que o outro accionista privado seria reduzido a pó, como se veio a verificar…

Foi o pai do plano de recuperação da TAP, que envolveu medidas inéditas e vedadas aos empresários privados, que consistiram em cortes significativos dos salários e um despedimento colectivo (anulado pelos tribunais, por ilegalidade) e que culminou com um aporte de capitais públicos de 3.200 milhões de euros.

Cometeu um erro de percepção política quando anunciou, sem cobertura do primeiro-ministro e do Conselho de Ministros, a nova localização do(s) aeroporto(s) de Lisboa, o que conduziu a uma das maiores humilhações e vexame políticos da nossa democracia. Nem assim se demitiu…

Não contente com tal humilhação, a arrogância, conjugada com ignorância, decidiu passar a gerir a TAP via WhatsApp, num informalismo e impreparação profissional postos a nu na comissão parlamentar de inquérito à TAP.

Relembro apenas dois episódios dessa gestão: a autorização do despedimento e pagamento da indemnização milionária à administradora Alexandra Reis, que primeiro negou e depois se lembrou, e a cobertura ao seu secretário de Estado para alterar um voo para agradar a Sua Excelência o Senhor Presidente da República em detrimento de centenas de passageiros. Tais erros ou cicatrizes levaram inelutavelmente ao pedido da sua demissão.

No referido discurso aos seus apoiantes (entre os quais despontava o Ministro da Educação ou o Presidente da Câmara Municipal de Gaia, condenado por peculato e perda do seu mandato), acusa despudoradamente a direita de ter cortado as pensões e os investimentos na escola pública e no SNS e de se aliar no futuro ao Chega, partida racista e xenófobo.

Se não fosse para rir era mesmo para chorar. Esqueceu-se que esses cortes foram negociados e acordados entre o então primeiro-ministro Sócrates com a troika e a conjuntura económica que a isso a respectiva governação conduziu.

Numa entrevista no mesmo dia para a SIC, não escondeu que se for necessária uma aliança com a extrema-esquerda (apoiante de Putin, contra a NATO e com posições anti-semitas) para tomar de assalto o poder não hesitaria.

Finalmente, decretou que nos próximos quatro meses não se falaria do processo judicial de tráfico de influências que abalou o nosso sistema político. Infelizmente a realidade lhe ditará que muita água correrá sobre esse leito, pois não é fácil esquecer que o Chefe de Gabinete tinha espalhado dinheiro vivo na residência oficial do primeiro-ministro, que o ex-melhor amigo do primeiro-ministro está indiciado por tráfico de influências e que existem escutas comprometedoras do primeiro-ministro.
»

Diogo Horta Osório no Jornal Económico

23/11/2023

Os equívocos do Programa "Mais Habitação", ou como tentar administrar uma medicação sem saber qual é a doença (10) - A "habitação social" a cargo dos senhorios

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)

No post anterior escrevi que em Portugal quem tem promovido compulsivamente a "habitação social" são os senhorios a quem são impostos congelamentos de rendas.

Isso é visível quando se sabe que «a renda média dos contratos celebrados entre 2017 e 2021, que representam a maioria do mercado português, era de 440 euros. Já nos contratos celebrados até 1990 a renda média era de 137 euros». (fonte) Admitindo que a tipologia das habitações dos contratos antigos e a dos novos não seja muito diferente, estes números significam que os senhorios estão em média a subsidiar a "habitação social" à razão de cerca de 300 euros mensais por contrato.

Por coincidência, o IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) publicou há dias o Relatório sobre o Arrendamento Habitacional em Portugal onde estimou o custo anual de compensar os senhorios pelo diferencial de rendas em 653 milhões. 

A este contributo dos senhorios para a "habitação social" em substituição do Estado sucial nos arrendamentos antigos, devemos acrescentar no caso dos novos arrendamentos as limitações compulsivas da actualização a 2% em 2023 que se aplicam a cerca de 900 mil contratos, o que significa uma ajuda compulsiva dos senhorios superior a 200 milhões por ano que se manterão para o futuro. Grosso modo, estamos a falar de quase mil milhões de euros que os senhorios desembolsam pela "habitação social".

22/11/2023

NÓS VISTOS POR ELES: Por que insistem em convidá-lo? (3) - À quarta vez foi de vez

Continuação de (1) e (2)

Em Fevereiro de 2012, no auge da «austeridade» resultante do programa de resgate negociado pelo PS e executado pelo governo PSD-CDS, luminárias académicas socialistas e outras resolveram doutorar honoris causa Paul Krugman, o prémio Nobel da Economia que já foi economista no passado e hoje é um comentador do NYT, na esperança de obter a sua bênção para as soluções alternativas estatistas e dirigistas que inspiravam as suas políticas,

Nessa altura o tiro saiu pela culatra e Krugman acabou a dizer: «eu realmente tenho dificuldade em dar conselho ao Governo português [na época o governo PSD-CDS]. Aliás, detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito agora.»

De novo, em Dezembro de 2015 nas vésperas do Dr. Costa ser entronizado primeiro-ministro, Krugman foi convidado a pretexto da homenagem a Silva Lopes, e disse coisas inconvenientes  como: o aumento do salário mínimo em Portugal é «problemático» dada a baixa produtividade, ao contrário da Grécia, o país não ficou numa «situação tão desesperada», e, cúmulo do desaforo, que «o novo Governo não pode fazer muito diferente do anterior» e «deve focar-se no investimento». O novo governo PS não só foi contrariado nas suas teses como fez exactamente o contrário de «focar-se no investimento» ao reduzi-lo em detrimento da despesa pública para manter as «contas certas», o mantra do Dr. Costa para se distanciar do seu antecessor Animal Feroz que arruinou as contas públicas.

Ainda uma outra vez, em Abril de 2016 voltaram a convidar Krugman e ele disse «Portugal? Não é um desastre completo, é só muito mau» e deixou quatro recados assim resumidos pelo director do Expresso: «1) a margem de manobra para o país é muito escassa; 2) o Governo faz bem em aproveitar essa margem para aliviar a austeridade e diminuir a dor social; 3) não estamos em posição de lançar um programa de estímulo orçamental; 4) a nossa recuperação passa sobretudo por mudanças nas políticas alemãs.» O governo reagiu naturalmente com mixed feelings a estes recados.

Da quarta e última vez, Krugman veio a Portugal para participar na «Grande Conferência do Negócios» e disse várias coisas das quais a imprensa do regime destacou o sound bite do desempenho português nos últimos anos ser  um «milagre económico» o que, confessou, «é um pouco misterioso». Desta vez foi, por assim dizer, o triunfo da persistência porque o bullshit de uma vedeta do comentário económico que não se deu ao incómodo de se informar fully and thoroughly sobre o objecto do seu comentário foi algo que o governo terá escutado com gosto. 

Um bullshit que não resiste a uma análise mesmo superficial do que tem sido a evolução da economia portuguesa dos últimos 8 anos, ultrapassada um a um pelos países vítimas do colapso do império soviético, economia em que persistem, e nalguns casos se agravam, todos os handicaps de sempre como a baixa produtividade, a descapitalização e a inevitável falta de competitividade, que se tem aguentado à tona à força de subsídios e de um turismo conjuntural que nada deve às políticas do governo socialista.