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06/02/2026

A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano? (5)

Continuação de (1), (2), (3) e (4)

Além dos poucos comentadores assinalados nos posts anteriores que questionaram o faux pas da Economist, provavelmente a melhor revista de economia e finanças, que atribuiu o primeiro lugar do seu ranking à economia portuguesa, a saber Óscar Afonso (jornal Sol), José Paulo Soares (jornal Eco), Daniel Bessa (Expresso), João Duque (Expresso), Luís Aguiar-Conraria (Expresso) e Luís Mira Amaral (Expresso), acrescento agora o professor de Economia da UP Freire de Sousa.
 
No seu artigo «Quando os primeiros podem ser os últimos», publicado também no Expresso, Freire de Sousa deu-se à maçada de preparar um ranking alternativo com três dos cinco indicadores da Economist (os de natureza mais estrutural) onde a economia portuguesa cai do primeiro lugar do ranking da Economist para o penúltimo, apenas acima da Grécia. 
________

Duas notas de rodapé:
  • Relevo, outra vez, que cinco dos seis comentadores desalinhados da euforia geral escreveram no Expresso, um semanário que, apesar da sua frequente reverência aos poderes fácticos, mostra, apesar disso, alguma independência e qualidade de opinião que não são frequentes na generalidade da imprensa;
  • Registo também que Freire de Sousa, apesar de assinar há quatro décadas a Economist, não deixou de apontar criticamente a falha, mostrando não dispor de um cérebro ideológico, algo raro nos tempos dos "factos alternativos" e do primado da devoção acrítica pelos seus criadores.

27/12/2025

A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano? (4)

Continuação de (1), (2) e (3)

Com algum esforço, foi possível encontrar na comentadoria almas que não se iludiram com o primeiro lugar da economia portuguesa no ranking da Economist. Já registei Óscar Afonso (jornal Sol), José Paulo Soares (jornal Eco), Daniel Bessa (Expresso), João Duque (Expresso), Luís Aguiar-Conraria (Expresso) e acrescento agora à lista das criaturas cépticas Luís Mira Amaral (Expresso) que, como qualquer alma com dois dedos de testa, concluiu que «foi só o emprego e não a produtividade a crescer» e, por isso, «parece aquele mau aluno que quando chega a casa finalmente com 10 valores logo é considerado um génio!»).

[À margem do tema, registo que a maioria dessas almas escreveu no Expresso confirmando que o semanário de reverência, que sucumbe (et pour cause) frequentemente à necessidade de louvaminhar os governos em exercício, também cultiva alguma independência e qualidade de opinião que não são frequentes na generalidade da imprensa.]

20/12/2025

A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano? (3)

Continuação de (1) e (2)

Contra a corrente, o (Im)pertinências tentou colocar no devido lugar o primeiro lugar da economia portuguesa no ranking da Economist. Algumas outras vozes (poucas, porque isto de ir contra a corrente patridiótica não é fácil) se fizeram ouvir no mesmo sentido, tais como Óscar Afonso no jornal Sol (sem link), José Paulo Soares no jornal Eco, Daniel Bessa no Expresso e João Duque, também no Expresso.

A estes juntou-se ontem Luís Aguiar-Conraria que, igualmente no Expresso, não resistiu à tentação de zurzir «os nacionais-pessimistas», entre os quais poderia distraidamente incluir o (Im)pertinências, mas acaba por admitir que «uma vez passadas as primeiras impressões, há que ser honesto e dar ao ranking a importância que tem: praticamente nenhuma», por razões semelhantes às que aqui enumerei.

15/12/2025

A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano? (2)

Continuação de (1)

O governo, o coro da comentadoria e até os jornalistas de causas, que nestas coisas patrióticas alinham com os governos que detestam, saudaram efusivamente o primeiro lugar da economia portuguesa no ranking da Economist. Contra a corrente, o (Im)pertinências não embandeirou em arco e tentou colocar o feito no seu humilde lugar. Desde então, ao longo da semana passada, algumas outras vozes cépticas atenuaram o nosso sentimento de solidão.

Começo por Óscar Afonso que no jornal Sol (sem link) publicou um artigo cujo título, só por si, diz quase tudo - O IgNobel da Economia vai para ... Portugal em 1.º segundo a The Economist.  

Continuo com o economista José Paulo Soares, que no seu As sweet as a pastel de nata considera  «enternecedor o bacoquismo patriótico» do coro de celebrantes e salienta que nos indicadores fundamentais (produtividade do trabalho e PIB per capita) as coisas não melhoraram, como até pioraram, como aqui escrevi a semana passada.

No mesmo sentido, com mais contenção, escreveram Daniel Bessa (A melhor economia do ano) e João Duque (A economia do pastel de nata).

08/12/2025

A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano?

Which economy did best in 2025?
*Excluding Chile and Costa Rica
†Share of product categories with an annual price increase of more than 2%
‡Or latest available
§National stockmarket indices, October 2025
Sources: Bureau of Labour Statistics; Central Statistics Office; Eurostat; Féidhlim McGowan; OECD; The Economist
Antes de embandeirarmos em arco com a economia portuguesa no topo do ranking da Economist dos membros da OCDE, atentemos no seguinte:
  • Estes resultados traduzem o desempenho medido pelos referidos 5 indicadores; se fossem outros os indicadores, os resultados seriam diferentes;
  • Por exemplo, se fosse considerada a produtividade do trabalho (que diminuiu visto o emprego ter aumentado 2,8% e o PIB apenas 2,4%) ou o PIB per capita PPC (que diminuiu porque o PIB aumentou 2,4%  e a população residente aumentou mais de 3% com cerca de 321 mil estrangeiros que não constavam das estatísticas), a economia portuguesa cairia para a metade inferior da tabela; (*)
  • Alguns indicadores beneficiam da comparação com valores excepcionais no ano de 2024: a capitalização bolsista em 2024 tinha caído cerca de 16% e o PSI 0,3%; o aumento do emprego resultou do aumento do número de imigrantes que entraram no mercado de trabalho;
  • Por último, o desempenho passado (e neste caso o desempenho de apenas um ano) não garante o desempenho futuro e esgotados os dinheiros da bazuca, estancada a entrada de imigrantes e reduzidos os fluxos turísticos, o futuro não é radioso.
(*) Acrescentei neste parágrafo as explicações entre parênteses.

17/09/2023

Estará o capitalismo americano a perder o gás?

Se a destruição criativa é inerente ao capitalismo como defendeu Joseph Schumpeter, um economista austríaco que não por acaso publicou pela primeira vez em 1942 «Capitalismo, Socialismo e Democracia» onde defende essa ideia, precisamente nos Estados Unidos onde então vivia, o capitalismo americano revelou-se durante mais de um século especialmente criativo e, em consequência, destrutivo.

Alguns indicadores sugerem que esse ímpeto criador (e destrutivo) está a esmorecer, como os gráficos seguintes parecem mostrar (fonte).


No gráfico à esquerda em cima está representado por décadas da sua fundação o número de empresas da Fortune 500 que representam um quinto do emprego, metade das vendas e dois terços dos lucros. Apenas cerca de 10% foram criadas depois de 1990, só sete foram criadas depois de 2007, 280 das 500 são anteriores à segunda guerra mundial e desde 1990 a idade média subiu de 75 para 90 anos, embora com grandes variações por sector, como se pode ver no gráfico da direita onde as TI surgem com a idade média mais baixa, como é natural.

O gráfico anterior confirma a mesma tendência mostrando o abrandamento na criação de novos negócios nas últimas décadas. Há várias razões que podem explicar este fenómeno e uma delas é que, tal como Schumpeter reconheceu no final da vida, ao contrário do passado, a inovação tem tendido a ser cada vez mais do lado dos incumbentes, ou mais rigorosamente a adopção das inovações tem sido garantida pelos incumbentes que pela sua dimensão podem suportar os investimentos necessários, a começar pela compra das startups que geraram essas inovações.

16/09/2023

Os portugueses (e as portuguesas) metem o Estado em todo o lado, até na cama

Por ocasião dos 20 anos do célebre caso das "Mães de Bragança", o Correio de Manhã evocou a efeméride entrevistando o Sr. Palas, empresário do alterne. O acontecimento mereceu à época a atenção da Time («When The Meninas Came To Town») e uma das pouquíssimas capas que esta revista dedicou ao Portugal dos Pequeninos ou a alguma das criaturas que por aqui habitam - numa outra capa pode ver-se a figura ridícula do Eng. Guterres com as calças molhadas.

Também aqui no (Im)pertinências o acontecimento foi na altura devidamente relevado num post onde demos voz às duas partes. Às "Mães de Bragança" para quem «antes, estava tudo bem. Quando abriram estas casas de prostituição eles ficaram perdidos. Sabemos que só vão lá por que também temos a certeza que os drogam. Não imaginam como é que eles vêm de lá» e ao Sr. Palas que explicou que «os maridos chegam a casa e encontram as mulheres a cheirar a gordura, cheias de problemas e mal dispostas. As brasileiras são limpinhas, cheirosas e meigas».

Vinte anos depois da intervenção das autoridades que fecharam o negócio por pressão das incumbentes, parece estar tudo como antes. As brasileiras limpinhas, cheirosas e meigas foram expulsas e as mulheres bragantinas possivelmente continuam a cheirar a gordura, cheias de problemas e mal dispostas. É mais um exemplo das consequências nefastas da intervenção do Estado nos mercados, que não se limita aos governos socialistas - na época tínhamos um governo PSD-CDS encabeçado pelos Drs. Barroso e Portas. 

08/01/2023

CASE STUDY: Prognósticos só depois dos jogos ou os mercados também se enganam

Publiquei aqui as previsões da Lloyd's de uma vitória de um final Inglaterra-Brasil no Campeonato do Mundo, baseadas num modelo que classificava as seleções de acordo com o valor segurável colectivo dos seus jogadores, valor determinado segundo várias métricas, como salários, patrocínios, idade e posição em campo, ou dito de outra maneira, algo como o valor de mercado de cada selecção.

Como agora se sabe, as previsões falharam miseravelmente confirmando, o sábio pensamento de João Pinto, um jogador dos anos 80-90 do FêCêPê, e dando-nos mais um exemplo de que os mercados também se enganam.

04/07/2022

Que duzentas Dr.ªs Matos Rosa desabrochem e pagamos a dívida

Negócios

Com o Dr. Costa a conseguir colocar a dívida pública nos 280 mil milhõesé só fazer as contas, como disse a propósito do PIB o seu antecessor Sr. Eng. Guterres.

26/11/2019

Sem nunca ter estado vivo, o capitalismo português está morto e estar morto é o contrário de estar vivo

Qual é a instituição que melhor simboliza o capitalismo como sistema político e económico assente no mercado e na democracia liberal? A bolsa, claro, ou melhor as bolsas, mas fiquemos pela bolsa de valores.

Por isso, a evolução e o estado da bolsa de valores portuguesa medido pelo respectivo índice e comparado com o de outras bolsas é um bom indicador da evolução e do estado do capitalismo português.

João Cortez de O Insurgente deu-se ao trabalho de fazer a comparação de 4 bolsas nos últimos 10 anos. Eis o resultado das valorizações dos índices nesse período:

  • Nova Iorque (S&P500)  ..........................................+ 244%
  • Talin - Estónia (OMX Tallinn) ...................................+ 341% 
  • Euronext Dublin (ISEQ20) .......................................+ 234%
  • Euronext Lisboa (PSI-20) ............................................- 9%

Consideremos outros quatro índices:
  • Paris (CAC)  .........................................................+ 60%
  • Frankfurt (DAX)  ...................................................+ 132% 
  • S. Paulo (BOVESPA) .................................................+ 56%
  • Londres (FTSE100) ................................................. + 41%
Será preciso dizer mais alguma coisa? Talvez só acrescentar que o PSI-20 na verdade já só tem 18 empresas cotadas.

04/12/2018

ESTÓRIA E MORAL: From startup to finish down

Estória

«Foi considerada “Startup do Ano” pela Microsoft Portugal em 2017, mas em 2018 fechou — falida, praticamente sem vendas e sem produto e a dever perto de 1 milhão de euros a 32 credores

Como tudo começou:

«Quando os quatro amigos se juntaram em 2014 para lançar a CoolFarm, a ideia era criarem uma app que conseguisse controlar plantas à distância, através de um toque no telemóvel. Mas, depois de terem participado no programa de aceleração de startups da Beta-i, o Lisbon Challenge, em 2015, alteraram o modelo de negócio: em vez de desenvolverem uma solução direcionada ao consumidor final, optaram por direcioná-la às empresas e transformaram a app num sistema de controlo — igualmente à distância — para estufas.»

Como tudo acabou:

«... a 20 de setembro de 2018, uma “inesperada redução” do incentivo europeu que a empresa “tinha a legítima expectativa de receber” precipitou o fim: “por ordem do IAPMEI” foi creditada na conta bancária da CoolFarm 18.923,40 euros oriundos do programa Portugal2020, ao invés dos 402 mil euros que a startup “esperava receber”. “Esta inesperada redução do incentivo veio tornar inviável o plano de reestruturação da empresa”, argumentam os fundadores.»

[Observador]

Moral

Tal como «o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros», os negócios inviáveis duram até acabar o dinheiro dos subsídios.

03/10/2018

Ainda não será desta, mas está tudo preso por cordéis


Juros da dívida italiana dispararam para o nível mais alto em quatro anos e meio. Exposição dos principais bancos portugueses ronda os 1900 milhões.»

18/01/2018

A Bitcoin e as doenças terminais


Bitcoin: Tales from the crypto

The price of Bitcoin peaked last month at over $19,000. Today its price dipped below $10,000. To understand the cryptocurrency it is useful to study the five stages of a bubble: displacement, boom, euphoria, financial distress and revulsion. November saw euphoria. Now distress is approaching. And once people realise how hard it is to set a price floor for Bitcoin, they will reach revulsion, warns our financial-markets columnist. (The Economist News Desk)

Comparem-se as cinco fases das bolhas (deslocamento, crescimento, euforia, aflição financeira e repulsa), fases a que a Bitcoin pode estar sujeita, com as cinco fases das doenças terminais: negação, revolta, negociação, depressão e aceitação.

Não será por acaso que Warren Buffet, o sage of Omaha, um dois maiores investidores e o que melhores performances sustentáveis tem conseguido, nunca investirá em Bitcoin.

26/10/2016

ESTÓRIA E MORAL: Se pára de se mover, subsidia-se (actualização)

Estória 

Era uma vez uma cidade com um centro histórico degradado, casas em ruínas de proprietários sem dinheiro para as recuperar por décadas de rendas fixadas administrativamente. Gradualmente, as coisas foram mudando e muitas dessas casas foram compradas por gente com iniciativa que as recuperou e as começou a utilizar para aluguer de curta duração a turistas, aproveitando o afluxo de estrangeiros, que em parte temos de agradecer ao fundamentalismo islâmico que os afastou doutros destinos.

Passado algum tempo, o governo do país onde se situa essa cidade, pressionado pelos partidos apoiantes que não gostam de iniciativas e, sobretudo, não gostam de gente que ganhe dinheiro com as iniciativas, anunciou que vai fixar uma quota aos proprietários de casas com aluguer de curta duração para reservarem uma parte não especificada para o aluguer de longa duração.

Moral

«A visão do governo sobre a economia pode ser resumida em poucas frases curtas: 'Se se movimenta, taxa-se. Se continua a movimentar-se, regula-se. Se pára de se mover, subsidia-se'.»

Com este post de 12 de Agosto ficámos no taxa-se e regula-se. Dois meses depois chegamos ao subsidia-se. Leia-se esta notícia do negócios:

PS quer criar subsídio para senhorios pobres
Os proprietários que tenham casas arrendadas e demonstrem ter carências financeiras poderão também vir a beneficiar de um subsídio, tal como existe para os inquilinos que viram os seus contratos ser actualizados no âmbito da reforma do arrendamento.

É mais um exemplo de que a geringonça quer acabar com os ricos e aumentar o número de pobres e assim expandir a clientela do Estado Sucial.

12/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: Se pára de se mover, subsidia-se

Estória 

Era uma vez uma cidade com um centro histórico degradado, casas em ruínas de proprietários sem dinheiro para as recuperar por décadas de rendas fixadas administrativamente. Gradualmente, as coisas foram mudando e muitas dessas casas foram compradas por gente com iniciativa que as recuperou e as começou a utilizar para aluguer de curta duração a turistas, aproveitando o afluxo de estrangeiros, que em parte temos de agradecer ao fundamentalismo islâmico que os afastou doutros destinos.

Passado algum tempo, o governo do país onde se situa essa cidade, pressionado pelos partidos apoiantes que não gostam de iniciativas e, sobretudo, não gostam de gente que ganhe dinheiro com as iniciativas, anunciou que vai fixar uma quota aos proprietários de casas com aluguer de curta duração para reservarem uma parte não especificada para o aluguer de longa duração.

Moral

«A visão do governo sobre a economia pode ser resumida em poucas frases curtas: 'Se se movimenta, taxa-se. Se continua a movimentar-se, regula-se. Se pára de se mover, subsidia-se'.»

18/05/2016

Dúvidas (157) – Afinal para que servem os «privados»?

«Porque é que o Estado precisa dos privados na Educação?» perguntava-se em título o Expresso Diário. É uma boa pergunta que poderia ser repetida para dezenas de sectores: porque é que o Estado precisa dos privados na saúde, nos transportes públicos, nas comunicações, no comércio, na indústria e,  para irmos à raiz da coisa, porque é que o Estado precisa dos privados nos sectores privados?

03/09/2014

ESTÓRIA E MORAL: Já se têm ganho batalhas em guerra perdidas (2)

[Este post é uma espécie de actualização deste]

«Portugal realizou hoje uma emissão de dívida de longo prazo, com maturidade de 15 anos, a primeira desde 2008.

O montante da operação ascendeu a 3.5 mil milhões de euros, 500 milhões acima do valor inicialmente previsto pelo Instituto de Gestão do Crédito Público. A taxa de juro implícita situou-se próxima de 3.9%, com o spread a ficar abaixo do nível inicialmente previsto (235 bps), o que reflecte a expressiva procura por parte dos investidores, com as ordens a superarem os 8 mil milhões de euros.

No mercado secundário as yields da dívida soberana com maturidade a 10 anos transaccionam próximo de 3.24%, depois de terem alcançado novos mínimos históricos, abaixo de 3% na passada 4ª feira

(Fonte: newsletter do BPI)

Moral da estória

Não deitemos foguetes antes de tempo porque a procissão ainda vai no adro.

Declaração de interesse

Só quem denunciou as políticas suicidas de endividamento, não embarcou na ilusão dos governos socialistas de que as taxas baixas resultavam da saúde financeira do Estado, não inventou teorias da conspiração acerca das agências de rating, da dona Merkel, dos ianques and so on, como os contribuintes do (Im)pertinências, entre não muitos outros, tem legitimidade para referir-se ao acesso aos mercados desta maneira.

Quem andou anos a viver de mitologias e a inventar teorias da conspiração terá de:  1.º reconhecer a sua burrice e/ou falta da honestidade intelectual; 2.º bater com a cabeça na parede e pedir desculpa aos visados; 3.º estudar estas matérias e, só então, 4.º escrever sobre elas com a humildade que os ignorantes e/ou arrependidos devem demonstrar.

Aditamento

Está na hora de começar a usar a almoçada de liquidez - mais de 20 mil milhões de euros com esta emissão - para negociar com a troika a antecipação de algumas maturidades com taxas mais altas.

23/04/2014

ESTÓRIA E MORAL: Já se têm ganho batalhas em guerra perdidas

Estória

«Portugal realizou, hoje, um leilão de dívida de longo prazo, através de um aumento da emissão já existente para Fevereiro de 2024. Torna se relevante referir que esta foi a primeira emissão de divida de longo prazo após o pedido de ajuda financeira, sem o apoio de um sindicato bancário.

O montante desta operação ascendeu a 750 milhões de euros, o valor máximo do intervalo inicialmente indicado pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), de 500 a 750 milhões de euros. A taxa de juro implícita situou se nos 3.575%, o valor mais baixo pago em emissões comparáveis desde 2005 (3.436%). De referir, ainda, que o último leilão de dívida de longo prazo não sindicado realizado pelo Estado português ocorreu em Janeiro de 2011, meses antes do pedido de ajuda externa, com a yield média da emissão a situar se nos 6.72%.

De referir que a procura por esta emissão superou a oferta de forma significativa, com o rácio bid to cover a situar se em 3.5 vezes.

Por último, torna se relevante referir que, no mercado secundário, as yields da dívida soberana portuguesa mantêm a tendência de redução, com a maturidade a 10 anos a transaccionar nos 3.64%, o valor mais baixo dos últimos oito anos (2006).»

(Fonte: newsletter do BPI)

Moral da estória

Não deitemos foguetes antes de tempo porque a procissão ainda vai no adro.

Declaração de interesse

Só quem denunciou as políticas suicidas de endividamento, não embarcou na ilusão dos governos socialistas de que as taxas baixas resultavam da saúde financeira do Estado, não inventou teorias da conspiração acerca das agências de rating, da dona Merkel, dos ianques and so on, como os contribuintes do (Im)pertinências, entre não muitos outros, tem legitimidade para referir-se ao acesso aos mercados desta maneira.

Quem andou anos a viver de mitologias e a inventar teorias da conspiração terá de:  1.º reconhecer a sua burrice e/ou falta da honestidade intelectual; 2.º bater com a cabeça na parede e pedir desculpa aos visados; 3.º estudar estas matérias e, só então, 4.º escrever sobre elas com a humildade que os ignorantes e/ou arrependidos devem demonstrar.

24/07/2013

A propósito da falência de Detroit

A propósito da falência há muito anunciada da antiga capital americana do automóvel (ver a este respeito «Detroit files for bankruptcy - Motown's blues» na Economist), lembrei-me de um post de há cinco anos citando um outro post do blogue Chicago Boys que perguntava premonitoriamente «If Obama’s economic policies work so well, why isn’t Detroit a paradise?» Aqui vai ele outra vez.


15/07/2013

CASE STUDY: O tamanho interessa – quanto maior, pior

Começa a fazer o seu caminho a ideia de ter sido um disparate a revogação em 1999 pelo Congresso americano, com o apoio da administração Clinton, da lei Glass-Steagall, aprovada em 1933 com base na experiência da Grande Crise de 1929. A Glass-Steagall proibiu a banca universal impondo a separação da banca de investimento e da banca de retalho, criando assim indirectamente limites ao «too big to fail».

A revogação da lei, além de aumentar o risco de falência, quer na probabilidade quer na gravidade, não trouxe benefícios para os accionistas do sector financeiro que passados 13 anos têm menos lucros por acção, menor valorização das suas acções e um retorno médio de apenas 1% por ano. (Ver Markets make best case for Glass-Steagall no FT).