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02/08/2026

CASE STUDY: Perceberam mal. O que falta não são diplomas, é know-how. Now, how?

A valorização do canudo é um caso particular da valorização dos títulos que domina há séculos a cultura, isto é, o conjunto de valores, de crenças, de normas, de costumes, de conhecimentos e de símbolos, do Portugal dos Pequeninos. Daí a atribuir-se ao canudo propriedades mágicas na atribuição de estatuto social vai um pequeno passo, e daqui a imaginar-se que o "atraso" resulta da escassez de canudos vai outro passo mais pequeno, que os governos socialistas (do PS e do PS-D), com destaque para o programa «Novas Oportunidades», criado pelo governo do Sr. Eng. José Sócrates, que foi uma espécie de fábrica de diplomas que dariam acesso a 143 cursos profissionais, de aprendizagem e de ensino artístico especializado que o governo ofereceu aos candidatos que terminassem a equivalência ao 9.º ano de escolaridade que o programa atribuiu.

O resultado foi, em matéria de diplomas, a redução do nosso desalinhamento em relação à UE: dos 25 aos 29 anos, apenas 13,5% possuem escolaridade inferior ao ensino secundário e 44,4% concluíram o ensino superior. Não obstante, a escolaridade entre os empregadores é verdadeiramente um desastre, com mais de 40% só com o ensino básico, e isso é uma parte da explicação da baixa produtividade do trabalho.

O problema real não é a falta de diplomas, é a falta de competências, o saber como fazer.


O gráfico acima, extraído do trabalho de Óscar Afonso «Portugal tem mais diplomas, mas falta capital humano», publicado há dias, coloca-nos em 34.º lugar na proficiência média (*) em numeracia e literacia dos 38 países da OCDE.

Perante este handicap o que fazem as nossas elites merdosas? Autoelogiam-se dentro da respectiva bolha, dão graxa à plebe e exaltam as exageradas, e muitas vezes imaginadas, realizações do Portugal dos Pequeninos, que é outra maneira de se autoelogiarem.

_______________

(*) «A proficiência dos adultos em resolução adaptativa de problemas é avaliada através do PIAAC, um programa internacional da OCDE que mede a proficiência dos adultos em competências-chave de processamento de informação. A resolução adaptativa de problemas envolve a capacidade de atingir objetivos em situações dinâmicas, onde uma solução não está imediatamente disponível.»

09/02/2025

Como valorizar a mão de obra sem esforço com categorias sexy ou uma espécie do programa socrático «Novas Oportunidades»

O programa socrático «Novas Oportunidades» torrou 1,8 mil milhões de euros até 2011 para distribuir diplomas a pessoas que não os conseguiram no ensino formal, diplomas que não valeram o papel em que foram impressos.

Talvez inspirados nesse programa a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) e o Sindicato dos Trabalhadores do Sector de Serviços (Sitese), baseados na premissa expressa pela secretária-geral da Associação que «a única categoria que consegue ser sexy e atrativa é a de chefe de cozinha» e que «temos de conseguir valorizar todas as profissões», acordaram alterar o contrato colectivo de trabalho mudando o nome das categorias profissionais como se pode ler na cláusula seguinte:

Esta coisa de mudar os nomes ou os títulos para fingir que se mudam as coisas é muito portuguesa. Entre os incontáveis exemplos, os dois mais famosos que me recordo são os do "Estado Novo" - o Estado velho sem o esquerdismo republicano - e as "Províncias Ultramarinas" - as colónias que o Estado Novo rebaptizou.

02/06/2021

No Novo Império do Meio o Imperador determina os nascimentos e as mortes

Durante uma geração inteira o Politburo proibiu os chineses de ter mais do que um filho, Dada a preferência dos chineses por terem filhos em vez de filhas, isso teve como consequência, além da redução drástica do número de nascimentos, uma alteração da relação entre nascimentos dos dois sexos com aumento do número de machos.

Em 2016 o Politburo permitiu um segundo filho. Ainda assim, a população chinesa com uma taxa de fertilidade de 1,3 estava ameaçada a prazo de redução, como se confirmou no último censo agora divulgado que mostrou uma queda de 20% dos nascimentos de 2019 para 2020. Face à redução do número de súbditos, o Imperador determinou agora que é autorizado ter três filhos.

No Novo Império do Meio, o Imperador determina quantos nascem e até quantos morrem. Como se concluiu num estudo publicado no British Medical Journal por investigadores chineses, considerando o excesso de mortalidade em Wuhan, segundo a Economist isso indicia um subregisto da mortalidade por Covid, ou seja mais um exemplo da habitual manipulação de estatísticas pelo governo/PC chinês.

25/08/2016

Pro memoria (314) – «Novas oportunidades», a re-posição

Recordam-se do programa socrático «Novas Oportunidades» que até 2011 torrou 1,8 mil milhões de euros para distribuir diplomas que não valem nem o papel em que estão impressos e que nem um empresário analfabeto impressionariam?

Pois bem, no seu afã de re-pôr, a geringonça ressuscita o programa «Novas Oportunidades» mudando-lhe o nome para «Qualifica», propondo-se gastar 50 milhões por ano para emitir diplomas.

Nada surpreendente, na concepção socialista da educação combate-se o analfabetismo funcional atribuindo um diploma ao analfabeto funcional em troca de uma estória da vida dele. De caminho atinge-se «a meta de 40% de diplomados entre 30 e 34 anos» (Expresso).


Se fosse ministro da Educação da geringonça (vade retro satana!), inspirava-me na anedota de Milton Friedman e, em vez de dinheiro, lançaria diplomas a partir dos helicópteros dos bombeiros aproveitando a época morta dos incêndios.

12/05/2014

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (8)

[Outras bolognesi (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)]

Quase desde a fundação que este é um dos temas predilectos do (Im)pertinências. É por isso que aguardo sempre com ansiedade a publicação do prestimoso guia «Pós-graduações e mestrados» do Expresso. Uma vez mais, a minha expectativa não foi defraudada.

Passámos de 1.500 «propostas de formação pós-graduada» em 2005 para mais de 2.500 em 2012. Quem tivesse imaginado que da «austeridade» e dos «sacrifícios» resultaria um desbaste substancial no número de «propostas» pode tirar o cavalinho da chuva. No guia de 2014 ainda sobrevivem mais de 2.000 «propostas», incluindo alguns exoterismos tais como: «Comunicação de tendências»; «Estudos inter-artes no espaço anglófono»; «Adopção e apadrinhamento civil»; «Ecologia da Paisagem»; «Surf»; «Gestão Estratégica de Eventos»; «Direito à Alimentação e Desenvolvimento Rural»; «Cinema de Autor»; «Acupuntura Veterinária»; «Humanistic Coaching»; «Advanced Cooking».

Repetindo-me: não é preciso ser-se um especialista em pós-graduações para se perceber que, num país que se fosse uma cidade não estaria no top ten, a pletora destas propostas e a irrelevância da maioria delas constituem um imenso desperdício de recursos, só possível por via dos subsídios, no caso das universidades públicas, e, no caso das universidades privadas, pela falta de qualidade das «propostas», falta que tem poucas ou nenhumas consequências quando o que se procura são canudos e não competências.

04/05/2014

ACREDITE SE QUISER: Há desempregados que não têm emprego e há empregos que não têm desempregados

«Desde o início de 2014 que têm ficado em média, por mês, 5737 ofertas de emprego por preencher. Os dados, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, revelam ainda que, em 2013, das 137.456 ofertas de emprego criadas só 60% foram preenchidas.

A área da agricultura é uma das mais afetadas pela falta de mão-de-obra, razão pela qual muitos empresários recorrem a estrangeiros para trabalhar.

Na Hortomelão, que no pico das colheitas emprega 600 pessoas, 90% são estrangeiras, pela simples razão de que os portugueses não querem trabalhar nas tarefas disponibilizadas.

Carlos Ferreira, diretor executivo da empresa, recorda a má experiência que teve ao procurar um centro de emprego no Alentejo: "apresentaram-me 900 pessoas potenciais interessadas. Pedi para fazerem uma triagem e propuseram-me 600. Insisti para que apurassem o processo de selecção e acabaram por me apresentar 90 interessados. Passámos uma semana a fazer entrevistas e só 30 aceitaram. No entanto, só 15 se apresentaram ao trabalho. Foram inventando desculpas e, resultado, ficámos apenas com uma pessoa, ...que era estrangeira".»

(Fonte: Expresso)

17/06/2013

Dúvidas (19) – Estão verdes não prestam?

Segundo a informação mensal de Maio do Instituto do Emprego e Formação Profissional, no final desse mês as ofertas de emprego («empregos disponíveis comunicados pelas entidades empregadoras aos Centros de Emprego») por satisfazer eram 14.400, tendo aumentado 8,4% em relação a Abril e 41% em relação ao mês homólogo de 2012. Como explicar estas oportunidades de trabalho não aproveitadas com um desemprego tão elevado?

03/08/2012

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (7)

[Outras bolognesi (1), (2), (3), (4), (5) e (6)]

Agora que anda tanta gente inflamada com a licenciatura de Miguel Relvas, um fait divers fruto da promiscuidade entre políticos, aventais e algumas universidades privadas, seria uma boa oportunidade para discutir coisas mais sérias como o divórcio entre as necessidades do país, por um lado, e, por outro, o que as escolas portuguesas oferecem e os portugueses procuram por causa dos incentivos errados que os levam a privilegiar diplomas em vez de obterem competências.

Um dos resultados deste divórcio é a completa inversão de prioridades do ensino que nos leva a ser o país da OCDE com menos graduados no ensino secundário e com mais doutorados, como aqui sublinha Avelino de Jesus. A taxa de graduação nos doutoramentos aumentou de 0,9% em 2000 para 3,4% em 2007 e será hoje talvez superior a 4% contra uma média da OCDE inferior a 0,9%.

28/05/2012

Pro memoria (57) – Novas oportunidades

Só alguém distraído poderá ter ficado surpreendido com as conclusões do estudo de uma equipa do IST sobre o programa «Novas Oportunidades» que torrou 1,8 mil milhões de euros para distribuir diplomas que não valem nem o papel em que estão impressos e que nem um empresário analfabeto impressionariam.

20/05/2012

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (6)

[Outras bolognesi (1), (2), (3), (4), (5)]

Confesso o meu fascínio pelo fenómeno epidemiológico das pós-graduações nas universidades portuguesas, já tratado várias vezes no (Im)pertinências. Para ser exacto, o meu fascínio estende-se às graduações universitários em geral as quais, segundo as contas do Expresso, entre licenciaturas, mestrados e doutoramentos, já vão em 5.049 «propostas», como agora se chamam essas coisas.

O Guia do Estudante do Expresso é a este respeito um insubstituível repositório de informação. A primeira vez que me lembro de o escalpelizar foi em 2005 quando encontrei cerca de 1.500 propostas de pós-graduação. Era muito? Pois era, mas ainda estávamos longe do número actual de 2.539 propostas, incluindo 982 pós-graduações strictu sensu e 1.557 mestrados, enumeradas no guia deste ano.

Não é preciso ser-se um especialista em pós-graduações para se perceber que num país deste tamanho a pletora destas propostas e a irrelevância da maioria delas constituem um imenso desperdício de recursos, só possível por via dos subsídios, no caso das universidades públicas, e pela falta de qualidade no caso das universidades privadas. Nos próximos tempos, à medida da minha paciência, talvez espiolhe este manancial e dê aqui conta das propostas mais excitantes.

(Talvez continue)

29/03/2012

SERVIÇO PÚBLICO: Precisamos de know-how para sair do buraco. Now how?

Como conseguimos sair do buraco em que nos enfiámos, fazer crescer a economia e aumentar as exportações, o que na circunstância é quase a mesma coisa, e reduzir a dívida a um nível sustentável? Aumentando a nossa competitividade, diz em coro a plateia.

E como aumentar a nossa competitividade? Aumentando a produtividade, diz uma parte da plateia. Aumentando a inovação, criando novos produtos e serviços, diz outra parte. Admitamos que todos têm uma parcela de razão e temos de aumentar a produtividade e a inovação.

E quais são os handicaps principais da nossa mão-de-obra, dos nossos gestores e dos nossos empresários? Competências profissionais inadequadas ou insuficientes, diz outra vez o coro.

E como se melhoram essas competências? Com uma educação instrução adequada, dizem uns. Com uma formação profissional, dizem outros. Com ambas, digo eu e acrescento: num caso ou noutro, sobretudo no primeiro, vamos precisar de décadas para o conseguir. É por isso que já ontem era tarde.

E por falar em educação instrução adequada, no mundo moderno quais as disciplinas que proporcionam as ferramentas indispensáveis para incrementar produtividade, investigação e inovação? Tecnologias de informação, computação, como lhe queiram chamar.

E como estamos nessa área? Não estávamos mal e estamos pior: de 5,1% dos licenciados nessa área em 2005, passámos para 1,7% em 2009, segundo o estudo do Eurostat «Computer skills in the EU27 in figures»

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25/05/2011

As Novas Oportunidades são uma oportunidade...

... para desvalorizar os diplomas dos que trabalharam para aproveitar as velhas oportunidades. Foi o que me veio à cabeça quando li isto.

19/05/2011

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Verdade ou consequência?

«Mas se as Novas Oportunidades são um bom programa e se mentir é a melhor política, o melhor não é votar no Sócrates?» [Lido no Blasfémias]

Quando Passos Coelho diz «o que é importante não é combater a ideia das Novas Oportunidades, é combater que se gaste milhões de euros em ações promocionais das Novas Oportunidades», estará a sugerir que no lugar de Sócrates continuará as Novas Oportunidades mas sem acções promocionais?

05/01/2011

Os pobres gostam de luxo. Quem não gosta de luxo são os intelectuais

No ano passado, em plena crise, a venda de automóveis de luxo aumentou no conjunto 26%. As marcas alemães tiveram um aumento acima da média: Porsche 88%, BMW 29%, Mercedes 31%. Frau Merkel debate-se com o dilema português: consolidação orçamental versus aumento das importações de carros alemães (pretos) para apparatchiks e empresários do regime.

17/12/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (33) – videirinho

João Paulo Videira é um militante do PS, «co-autor do programa Novas Oportunidades», segundo as suas próprias palavras, e até Outubro foi membro do secretariado nacional e do conselho nacional da Fenprof, qualidade em que deve ter combatido as políticas do ministério da Educação, ou não estaria lá a fazer nada. Foi nomeado em 13 de Dezembro «para chefiar a Direcção de Serviços de Formação dos Recursos Humanos do Ministério da Educação», cujas atribuições incluem «concretizar as políticas de desenvolvimento dos recursos humanos relativas ao pessoal docente e não docente das escolas, em particular as políticas relativas a recrutamento e selecção, carreiras, remunerações e formação» (Decreto Regulamentar n.º 28/2007 de 29 de Março). Com a nomeação passa a ter mais 700 euros líquidos, segundo confessa, metade dos quais gasta para chegar ao seu novo local de trabalho.

O que tem isto de extraordinário? Nada. Excepto ser tão extraordinariamente trivial no quotidiano do Portugal socialista.

11/12/2010

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: o ovo ou a galinha?

Não nos iludamos, os factores de atraso em Portugal que constituem o maior travão ao desenvolvimento sustentado levarão uma geração ou duas a superar. É o caso da pouca qualificação da mão-de-obra: 59% dos novos empregos criados no 2.º trimestre foram preenchidos por trabalhadores não especializados sem o ensino secundário, contra 50% na Espanha, 43% na Itália e 37% na Grécia. É claro que existem esses empregos de baixa qualificação porque as actividades ainda oferecendo emprego são de baixa intensidade tecnológica o que, só por si, constitui outro factor de atraso e, a par da pouca qualificação, gera uma espécie do dilema ovo ou galinha.

E não é com a mistificação das Novas Oportunidades, consistindo na criação de pretextos para atribuir diplomas, que será superada a falta de qualificação da mão-de-obra.

09/12/2010

BREIQUINGUE NIUZ: a boa nova

Segundo o estudo «The World's Best Places To Get Laid Off» da cadeia CNBC, Portugal é o segundo melhor país do mundo a seguir ao Luxemburgo para ser despedido. Luxemburgo? Porquê Luxemburgo? Ora, porque 1/6 dos residentes são portugueses.

Podemos enfrentar a crise com tranquilidade e colocar a economia ao serviço dos despedimentos.