Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
20/02/2026
19/02/2026
Senile leftism, the woke right and the woke left are more alike than you think.
17/02/2026
Crónica da passagem de um governo (37b)
Seria estúpido atribuir ao governo do Dr. Montenegro responsabilidades pelo essencial dos problemas do SNS, como têm feito, explícita ou implicitamente, a oposição e a comentadoria afecta. O governo é apenas responsável pela falta de medidas ou por medidas erradas para resolver esses problemas, o que não é pouco.
Um indício dessa falta ou inadequação de medidas são os montantes crescentes da despesa com a saúde, sempre insuficientemente financiadas, como revela um balanço provisório de 2025 da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que, apesar de um aumento dos “rendimentos operacionais”, ou seja verbas atribuídas pelo OE 2025 aos hospitais, mostra prejuízos de 2,7 mil milhões com vários indicadores a continuarem negativos, como um decréscimo das intervenções cirúrgicas, do número de partos e das urgências e de um aumento das listas de espera de consultas e cirurgias, não obstante o aumento do número de médicos e enfermeiros (fonte: relatório Desempenho do SNS Dezembro 2025).
Quem também se queixa por o número de doentes transferidos para o sector privado terem vindo a diminuir, apesar das listas de espera estarem a aumentar, é a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), cujo presidente afirma que «as listas de espera são tidas como um instrumento de remuneração dos profissionais do SNS», o que parece ser verdade.
O Dr. Montenegro deveria agradecer ao Dr. Carneiro
Sob a pressão interna da coligação de viúvos do Eng. Sócrates e do Dr. Costa com o berloquismo e o geringoncismo socialistas, o Dr. Carneiro faz apelos ao recém-eleito PR (o Tozé, odiado por essa coligação) para empurrar o Dr. Montenegro a negociar com o PS. Empurrão que, se for atendido, sugere que o Tozé não tem afinal as qualidades de independência que o cargo requer e, se não for, sugere que o Dr. Carneiro é um líder fraco expondo-o à coligação.
Para resolver uma oferta insuficiente aumenta-se a procura
A Mouse School of Economics, cujas recomendações inspiraram a governação socialista, foi substituída pela São Caetano School of Economics cujos ensinamentos nos dizem que para responder uma oferta insuficiente se deve aumentar a procura. E foi inspirado nesses ensinamentos que o governo lançou o Programa Crédito Habitação Jovem do qual resultou um considerável aumento dos empréstimos para compra de habitação pelo escalão etário 18 e 35 anos que no ano passado representaram 60% dos 39,3 mil milhões de novos empréstimos com as previsíveis consequências no nível de preços.
Canários na mina de carvão
Mais alguns pios dos canários: se por um lado o emprego aumentou o ano passado (ver A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano), por outro, a produtividade do trabalho estima-se que terá diminuído o ano passado 1,3%, as exportações de bens aumentaram 0,5% e as importações subiram 4%, de onde o défice da balança comercial aumentou 3,8 mil milhões.
BlogoEscola. Princípio de Peter vs. Efeito de Halo
[Esta nova secção propõe-se mitigar o risco de infecção das mentes dos visitantes deste blog pelo vírus da tendência para o bitaite de alguns comentários.]
O efeito de halo no domínio da psicologia, que citei no post anterior, foi enunciado em 1920 pelo psicólogo Edward Lee Thorndike para designar o viés cognitivo que leva as pessoas a projectar uma imagem de outra pessoa baseada nas percepções das suas performances num domínio para outros domínios. Por exemplo, concluir-se que a Dr.ª Maria Lúcia Amaral sendo uma jurista emérita deveria ser uma ministra competente.
Diferentemente, o princípio de Peter no domínio da gestão foi enunciado cinco décadas depois em 1969 por Laurence J. Peter e formalizou a observação de que os empregados são promovidos na hierarquia de uma organização com base no seu sucesso em cargos anteriores até atingirem um nível de incompetência. Por exemplo, um excelente escriturário do MAI ser sucessivamente promovido até director dos Serviços de Gestão Orçamental e Financeira do MAI.
16/02/2026
Crónica da passagem de um governo (37a)
O Dr. Costa foi para a Óropa e deixou o Ferrovia 2020 com 37 mil dias de atraso no total dos troços. Agora o Tribunal de Contas vem concluir que, decorridos 10 anos do seu lançamento, a grau de realização física global está em 65%. Num país em que o governo diz ter «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA» não se consegue cumprir um plano que usa tecnologias da revolução industrial (é uma boutade).
Um país opaco não é transparente
Segundo o índice de percepção da corrupção de 2025 da Transparência Internacional, o nosso Portugal dos Pequeninos desceu mais uma posição no ranking para 46.º com um score inferior ao dos EUA, o que, nos tempos que correm, não é dizer pouco. Ao mesmo tempo, o MP voltou a escarafunchar a moradia do primeiro-ministro, desta vez por suspeita de benefícios fiscais indevidos. Por isso, ou bem o Dr. Montenegro é um evasor fiscal ou bem o MP tem uma agenda política ou bem ambos desempenham os respectivos papéis.
Mais uma vítima do efeito de halo
A Dr.ª Maria Lúcia Amaral é considerada uma jurista muito competente. Como juíza do Tribunal Constitucional foi o único juiz que, contra a corrente, não chumbou sistematicamente todas as medidas negociadas pelo PS do Eng. Sócrates (nunca é demais lembrar) para que o governo de Passos Coelho cumprisse o Memorando da troika. Mais tarde, foi eleita provedora da Justiça e posteriormente foi convidada e aceitou (e não devia) a nomeação como ministra da Administração Interna, cargo que desempenhou mal no geral e ainda pior na comunicação, e por isso foi triturada pela oposição. Demitiu-se há dias na pior altura, em plena crise das tempestades, e constitui mais um exemplo de que não se deve projectar o desempenho de uma pessoa num domínio para outro.
Outra vítima do efeito de halo ou será um beneficiário dos “esquemas”?
É difícil encontrar uma razão para um enfermeiro, ainda que dotado de uma graduação em Gestão de Projectos, sem qualquer conhecimento ou experiência profissional do domínio da energia, ser nomeado para a coordenação da EMER 2030, um zingarelho para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis.
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…
| mais liberdade |
| … simplificar a imensa burocracia que é um obstáculo à inovação e à iniciativa empresarial (que é pouca mesmo sem esses obstáculos). Mudam-se os tempos e os governos, não se mudam as vontades Há dois anos, o actual ministro das Finanças, Dr. Miranda Sarmento, criticou, e bem, o governo do Dr. Costa por emitir Certificados Especiais de Dívida de Curto Prazo (CEDIC) para fabricar uma descida do rácio de dívida pública, visto que as emissões de CEDIC não são consideradas pela UE nesse rácio. Dois anos depois, o mesmo Dr. Miranda Sarmento, faz uma emissão maciça de 22 mil milhões de euros que se fosse pela via normal das OT aumentaria mais de 7 pontos percentuais ao rácio e confirmaria que a dívida excessiva continua a ser um problema do Estado sucial. Cada macaco no seu galho. O BdP e as tempestades O Dr. Álvaro Santos Pereira, “o Álvaro” governador do BdP, de quem havia boas razões para ser julgado como uma pessoa provida de bom senso e menos propensa ao bullshit do seu antecessor Dr. Centeno, resolveu fazer o papel do outro produzindo juízos críticos sobre as falhas da resposta do governo às tempestades, o que tem tanto sentido como o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil produzir bitaites sobre a supervisão bancária. (Continua) |
14/02/2026
Duvidas (386) - Tem a certeza de que não trocou emails com o Jeffrey?
Por força da lei aprovada em Novembro, o Departamento americano de Justiça publicou em 30 de Janeiro mais de 3 milhões de páginas de documentos relativos ao caso Epstein, um volume de informação impossível de ler em pouco tempo.
Um grupo de engenheiros de software usando uma ferramenta de IA, identificaram os arquivos contendo emails e em 11 de Fevereiro tinha processado 4 milhões de e-mails. A revista Economist usando esses dados identificou cerca de 500 pessoas que surgiam com mais frequência e usando um modelo de IA de linguagem (LLM) atribuiu um score de "alarme" para cada cadeia de emails.
Analisando os emails de pessoas que não faziam parte dos empregados e colaboradores de Epstein foram identificadas 500 pessoas com maior número de emails. Concluiu-se que as mensagens tinham a seguinte repartição: cerca de 19% com financiadores; 10% com cientistas ou médicos; 8% com pessoas da mídia, entretenimento ou relações públicas; 7% com tecnólogos; 6% com advogados, políticos, académicos e outros empresários; e 5% com magnatas imobiliários.
| Fonte |
Algumas dessas pessoas estão identificadas no quadro acima e entre elas individualidades conhecidas fora dos EU, como Ariane de Rothschild (CEO do Grupo Edmond de Rothschild), Noam Chomsky (um célebre filósofo muito apreciado nos meios esquerdistas), Steve Bannon (o Rasputine de Trump) e Bill Gates e Elon Musk que não carecem de apresentação. Entre as personalidades não incluídas no quadro encontram-se bilionários como Peter Thiel (uma eminência parda com quem o vice JD Vance trabalhou) e Ehud Barak (ex-primeiro-ministro israelita).
13/02/2026
12/02/2026
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (79) - Vestindo o Coelhinho Mau e tomando antidepressivos
Enquanto aguarda que o resto do mundo partilhe a epifania do Dr. Matias de que o nosso torãozinho natal tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», a tendência patriótica do nosso jornalismo de causas procura sucedâneos. Esta semana encontraram o Super Bowl onde o Coelhinho Mau, um artista porto-riquenho, produziu uma performance que excitou multidões e irritou um certo número de criaturas que logo o quiseram crucificar, não percebendo que essa é a melhor maneira de promover a herói, um artista irritante.
11/02/2026
PUBLIC SERVICE: Bring Jimmy Lai Home
«On Monday, Jimmy Lai, the heroic freedom fighter and my dear friend, was sentenced to 20 years in prison by a Hong Kong court. He’s 78. This amounts to a life sentence.
For more than three decades, Jimmy has been a leading voice in the struggle for a free, democratic Hong Kong. Chinese control over Hong Kong has steadily increased since Britain ceded the territory in 1997.»
"Jimmy Lai’s Sentence Tests the Free World", Natan Sharansky, The Free Press
10/02/2026
Um vencedor e vários derrotados
09/02/2026
Crónica da passagem de um governo (36)
A consultora Deloitte considera plausível «atingir reduções de custos de 10%” se a tecnologia (Inteligência Artificial) for aplicada “de forma massiva”. O quid está nos “ses”. A começar pela aplicação “massiva” por governos que circulam na autoestrada mexicana do investimento - o presente governo, por exemplo, executou no ano passado apenas 2/3 do investimento orçamentado - e a continuar pela tendência até agora mostrada por todos os governos para desperdiçarem recursos construindo metaforicamente aquedutos para regar desertos. Por isso, embora se perceba, o marketing da Deloitte é perigoso se alguém acreditar que o governo vai reduzir uns 13 mil milhões à despesa.
Mudam-se os tempos e os governos, não se mudam as vontades
«O irmão do chefe de gabinete de Montenegro foi nomeado consultor coordenador. Há um ano era estagiário e vai ganhar 4.400 euro. … Chefe de gabinete desconhecia nomeação do irmão.» (fonte) As justificações de gabinete do Dr. Gonçalo Mateus parecem suficientes para dar um lugar de estagiário ao nomeado; para consultor coordenador, nem por isso. Talvez porque o Amália ainda está na fase karaoke.
O que seria do PIB sem o turismo?
| mais liberdade |
No Estado sucial do Portugal dos Pequeninos os riscos não se gerem, ingerem-se
[À guisa de introdução, leia-se este post.] Os riscos evitam-se, mitigam-se, transferem-se ou financiam-se.
Dois exemplos de falhas na mitigação na resposta do governo às tempestades: (1) uma vez mais, a ineficácia sistemática do SIRESP que custou até agora mais de 700 milhões de euros; (2) a descoordenação entre governo, autarquias, Protecção Civil e Forças Armadas que, entre outras consequências, atrasou uma semana o estado de prontidão e a intervenção da tropa.
A transferência para seguradores na esfera privada é residual em Portugal, como se vê no quadro seguinte.
Quanto ao financiamento dos riscos catastróficos através de um fundo, como o gerido em Espanha pelo Consorcio de Compensación de Seguros, há muito que em Portugal se fala da criação de um Fundo Sísmico. Um estudo da APS de 2006 apresentava um modelo de cobertura do risco sísmico por meio de um fundo público; depois disso, constituíram-se grupos de trabalho e comissões, produziram-se “relatórios preliminares” e, mais recentemente, em 2023, o governo do Dr. Costa encarregou a ASF de conceber um novo modelo. Como habitualmente, na mente dos governantes o problema ficou resolvido com a publicação de um despacho que deu à ASF um ano para preparar mais um “relatório preliminar”.
Boa Nova (mais uma)
08/02/2026
Trumponomics' unintended consequences (1)
| Trading Economics |
| Trading Economics |
07/02/2026
UGT propõe ao governo a redução do PIB. Imagina-se que a CGTP não queira ficar atrás
06/02/2026
A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano? (5)
Além dos poucos comentadores assinalados nos posts anteriores que questionaram o faux pas da Economist, provavelmente a melhor revista de economia e finanças, que atribuiu o primeiro lugar do seu ranking à economia portuguesa, a saber Óscar Afonso (jornal Sol), José Paulo Soares (jornal Eco), Daniel Bessa (Expresso), João Duque (Expresso), Luís Aguiar-Conraria (Expresso) e Luís Mira Amaral (Expresso), acrescento agora o professor de Economia da UP Freire de Sousa.
- Relevo, outra vez, que cinco dos seis comentadores desalinhados da euforia geral escreveram no Expresso, um semanário que, apesar da sua frequente reverência aos poderes fácticos, mostra, apesar disso, alguma independência e qualidade de opinião que não são frequentes na generalidade da imprensa;
- Registo também que Freire de Sousa, apesar de assinar há quatro décadas a Economist, não deixou de apontar criticamente a falha, mostrando não dispor de um cérebro ideológico, algo raro nos tempos dos "factos alternativos" e do primado da devoção acrítica pelos seus criadores.
05/02/2026
Is this the Ayatollahs' Revolutionary Guard cracking down protesters?
No, it's Donald Trump's ICE militia cracking down protesters in Minneapolis.
Is this in Teeran?
No. It's in Minneapolis.
04/02/2026
SERVIÇO PÚBLICO: Desfazendo equívocos em comentários ao post de ontem
PRIMEIRO COMENTÁRIO
As «Duas sugestões» têm subjacente a confusão sobre os conceitos relacionados com o tratamento dos riscos: mitigação, evitação, transferência e financiamento – ver “ A Risk Management Standard”. Neste caso, não podendo evitar-se, os riscos poderão ser mitigados (enterrar os cabos eléctricos, melhorar o sistema de drenagem de águas pluviais, limitar a construção nas linhas de água, poda e abate de árvores, etc.), poderão ser transferidos (para seguradoras que por sua vez as transferirão para os mercados internacionais de resseguro) ou financiados (ver abaixo o Consorcio de Compensación de Seguros espanhol).
Bibliografia (um exemplo entre dezenas, no que respeita à gestão de riscos a nível estatal, e entre milhares no que respeita à gestão de riscos empresariais): “Diretrizes de Gestão dos Riscos de Catástrofes” da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
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Em Espanha (e não, não é na Suíça) existe uma estrutura de resposta a catástrofes através do Sistema Nacional de Proteção Civil, que inclui planos específicos para vários riscos como sismos e tempestades.
A resposta é estruturada da seguinte forma:
- Plano Nacional de Redução do Risco de Desastres: Reforçado recentemente para antecipar ameaças derivadas das alterações climáticas e coordenar a resposta estatal.
- Planos de Riscos Especiais: Existem diretrizes nacionais específicas (Planos Especiais) para gerir riscos como sismos, inundações, maremotos e incêndios florestais.
- Hierarquia de Resposta:
- Territorial: As comunidades autónomas e municípios têm os seus próprios planos para emergências locais.
- Nacional: O Estado intervém quando a emergência é declarada de "interesse nacional", coordenando todos os recursos públicos.
- Unidade Militar de Emergências (UME): Uma força militar especializada criada especificamente para intervir rapidamente em catástrofes naturais graves em todo o território espanhol.
Em Portugal temos o peditório nacional e estamos há décadas a chutar a bola para a frente à espera criar uma solução semelhante limitada ao risco sísmico.
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«Nunca em Portugal Continental tinha havido ventos superiores a 150 km/hora.»
Segundo a página “Extremos climatológicos Portugal” do IPMA, em 13-10-2018 foi registada na Figueira da Foz uma rajada de vento de 176,4 km/h.
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SEGUNDO COMENTÁRIO
«O que interessa é sempre o valor da dívida em percentagem do PIB».
Na véspera do resgate pela troika em 2011, a dívida pública do Estado Português era cerca de 163 mil (equivalente a 208 milhões de euros a preços actuais) e 94,0% do PIB. Catorze anos depois, no final de 2025, a dívida pública era de 274 mil milhões (mais 66 mil milhões do que em 2011 a preços actuais) e 89,7% do PIB (menos 4,3 pontos percentuais), rácio que era o sexto mais elevado da UE, posição do ranking onde o crescimento da produtividade se deveria situar para garantir que continuaremos a comprar popós no futuro e podemos financiar um Fundo de Catástrofes e não apenas um Fundo Sísmico.
MORAL DA ESTÓRIA
Precisamos de persistência para resolver os problemas que têm solução, de paciência para conviver com os que não têm e inteligência para distinguir uns dos outros (Ditado chinês) .
Precisamos também de conhecimento para evitarmos o recurso aos palpites e bitaites, uma patologia que no Portugal dos Pequeninos infecta desde analfabetos até doutorados.
03/02/2026
Crónica da passagem de um governo (35b)
Uma tempestade proporciona uma oportunidade para as lamentações, as acusações e performances dos passa-culpas e culmina num peditório e lamento dos subsídios sempre insuficientes, subsídios que os pedintes nunca chegam a perceber que não saem dos bolsos do governo, mas dos bolsos dos contribuintes. Várias tempestades multiplicam as oportunidades dos pedintes e as demonstrações de caridade das autoridades que, desta vez, se desdobraram em 14 medidas que somam 2,5 mil milhões, que é um número para encher o olho que mistura subsídios com créditos.
[Contava-se nalgumas empresas alemãs com quem trabalhei que cada uma delas deveria ter um português numa redoma com uma legenda “partir em caso de emergência” para as raríssimas situações em que os alemães não teriam nada preparado, um português sairia da redoma para lidar com uma situação que para ele seria trivial e igual a qualquer outra.]
Canários na mina de carvão
A estimativa rápida do INE confirma uma baixa do crescimento do PIB de 2,1% em 2024 para 1,9% em 2025, abaixo das previsões do governo (2,0%), ou seja, descemos um degrau no mesmo patamar de crescimento medíocre, numa trajectória de queda nos últimos 3 anos (3,1%, 2,1%, 1,9%). Sem o crescimento do turismo e os dinheiros do PRR já estaríamos em recessão. Para alcançarmos a França, um país não particularmente dinâmico, se crescêssemos um ponto percentual acima, precisaríamos de quatro décadas para atingir o mesmo PIB per capita.
Os canários piariam ainda mais alto se acrescentarmos os resultados de um inquérito a 1500 empresários da indústria, que antecipa uma queda acentuada do emprego nos próximos meses, e que a indústria do calçado, uma das mais competitivas desde que se começou a focar no calçado de qualidade, está a começar a ser ameaçada pelos produtores asiáticos que já dominam o mercado do calçado barato e estão a entrar no upper market, a preços que não deixarão de ser muito mais baixos do que os portugueses. Se a tudo isto acrescentarmos o impacto das tempestades em milhares de empresas, o retrato não fica bonito.
Como no passado, os empresários e os consumidores, embalados pelos cânticos governamentais, não ouvirão o piar dos canários e continuarão, como se não houvesse amanhã, a comprar os seus popós cuja venda aumentou 18% em termos homólogos, em cima de um parque automóvel existente que nos coloca na metade superior do ranking europeu, aquela metade em que o crescimento da produtividade deveria situar-se para garantir que continuaremos a comprar popós no futuro.
Uma Boa Nova, ou talvez não
A dívida pública em percentagem do PIB reduziu-se de 93,6% em 2024, para 89,7% em 2025.
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02/02/2026
Crónica da passagem de um governo (35a)
Para deter 37 membros do Grupo 1143, um grupo cuja ideologia causa mais danos às suas mentes alucinadas do que à democracia, a Polícia Judiciária teve de alugar 49 veículos por falta de cabimento orçamental para a compra de novos veículos o que não a impediu de ter contratado no ano passado 113 inspectores e estar em curso o recrutamento de mais 150.
Boa Nova
O governo anunciou ter pedido à CP propostas para subconcessionar a operadores privados as linhas suburbanas de Sintra-Azambuja, Cascais, Sado e Porto. Apesar de não parecer uma boa ideia encarregar a CP de fazer uma proposta de auto-amputação das linhas potencialmente mais rentáveis, poderá ser uma boa notícia se houver uma decisão um pouco mais rápida do que a escolha da localização do novo aeroporto de Lisboa. A coisa poderá à primeira vista parecer uma medida reformista se esquecermos que a linha de Cascais era privada nos tempos do Estado Novo e só foi nacionalizada durante o PREC.
Enquanto espera que Portugal venha a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Matias, apresentou aos empresários a Carteira Digital da Empresa que terá três documentos a que se juntarão mais tarde vários outros. Ninguém se lembrou de perguntar ao ChatGPT, ao Gemini ou ao karaokê Amália se em vez da digitalização das papeladas não faria mais sentido eliminar algumas delas.
Infelizmente, as leis da oferta e da procura não se mudam por decreto
| mais liberdade |
As leis da oferta e da procura não se mudam por decreto e ignoram olimpicamente as dezenas de planos e as centenas de medidas que os sucessivos governos nos têm oferecido,
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». Os incentivos errados
A incapacidade de as urgências hospitalares darem conta do recado tem obviamente várias razões que vão desde uma procura aumentada pelo envelhecimento da população, a dificuldade de recrutar e reter médicos de Urgência e Emergência até ao expediente que os “utentes” usam para fintar as filas de espera das várias especialidades entrando pela porta das urgências, sem esquecer o défice de gestão dos apparatchiks a todos os níveis que o governo nomeia. A acreditar no médico Nuno Figueiredo e Sousa, a estas causas devemos acrescentar uma infinidade de motivos fúteis que constituem uma parte das chamadas “falsas urgências” de que ele dá dezenas de exemplos na sua página do Instagram (fonte).
O governo AD também circula na autoestrada mexicana do investimento
Numa das crónicas anteriores referi que o governo AD orçamentou um crescimento do investimento da ordem dos 30% e até ao final do 3.º trimestre o crescimento foi apenas 17%, executando apenas metade do investimento previsto. Confirma-se agora que no ano passado do investimento orçamentado de 12,7 mil milhões o governo apenas executou 9,5 mil milhões, ou seja, pouco mais de 2/3.
(Continua)
01/02/2026
Há nativismos bons e nativismos maus? (1)
E se, de repente, os tetranetos de Gerómimo, Touro Sentado, Cochise, Cavalo Louco et alia federassem Apaches, Sioux, Navajos, Cherokees, Comanches e as restantes nações índias e expulsassem os imigrantes europeus desde a chegada dos Peregrinos no Mayflower?
30/01/2026
CASE STUDY: Unintended consequences of Trump's America for Americans
The Contribution of High-Skilled Immigrants to Innovation in the United States, Shai Bernstein et al.
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If Robert Merton had written his paper "The Unanticipated Consequences of Purposive Social Action" (1936) in the third decade of the 21st century, MAGA's immigration policies would have played a central role in his research.
29/01/2026
CASE STUDY: O resultado das políticas de rendas acessíveis são rendas inacessíveis
| Rendas mais recentes de um T1 compilados pelo Eurostat Salário médio em cada cidade estimado pelo ERI (Créditos) |
Não será por acaso que, também neste domínio, o Portugal dos Pequeninos tem como companhia sobreviventes do colapso do "socialismo real".
28/01/2026
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (78) - Em matéria de IA, como noutras, o país real continua distante dos delírios dos dirigentes
| Utilizadores mensais de IA, em percentagem da população em idade activa Fonte: Global AI Adoption in 2025—A Widening Digital Divide |
27/01/2026
A democracia não está em perigo. É a inteligência que está em perigo
O estatismo populista e o estatismo socialista partilham o estatismo.
A democracia, por agora, não está em perigo. É a inteligência que está em perigo, disse sagazmente Manuel João Vieira, talvez lembrando-se do general Millán-Astray a gritar a Miguel de Unamuno "¡Muera la inteligencia! ¡Viva la muerte!"
Não está em perigo a inteligência do Doutor Ventura, que é "esperto que nem um figo" ou “fino como o alho”, mas a inteligência dos seus seguidores, que o "líder da direita" (se ele é isso, eu sou o Clark Kent) insulta, excitando a amígdala e entorpecendo o neocórtex com seu discurso primário e inflamado.
26/01/2026
Crónica da passagem de um governo (34)
A candidatura do Dr. Centeno à vice-presidência do BCE (Banco Central Europeu) ficou pelo caminho, porque, especula-se, o Dr. Miranda Sarmento não se empenhou o suficiente porque, dizem, quando este era ainda candidato a ministro das Finanças, o Dr. Centeno o apelidar de Professor Pardal. Se foi assim, foi um erro porque se tivessem ajudado do Dr. Centeno a ir para Bruxelas não teriam de o aturar, ainda para mais ressabiado por todas as suas sucessivas candidaturas terem falhado: sucessor do Dr. Costa, sucessor do Dr. Marcelo, vice-presidência da EBA ou do BCE.
Quem disse que os portugueses têm falta de iniciativa? Ou de como criar um problema para não resolver outro
A criação da Autodeclaração de doença (“auto-baixa” no patuá jornalístico) foi uma das inovações do governo do Dr. Costa em 2023. Tratava-se, diziam, de reduzir o congestionamento das urgências dos hospitais - que, como se sabe, continuaram. Está a ser uma medida de grande sucesso – o ano passado os portugueses atribuíram-se mais de meio milhão de baixas, sobretudo às segundas e quartas-feiras. Nas palavras esclarecidas do presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, a criação das falsas baixas «foi das medidas mais úteis para acabar com ‘falsas urgências’»
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». O triunfo da iniciativa privada nos serviços públicos
O médico Luís Duarte Costa que dirige o Serviço de Urgência do hospital Amadora-Sintra, depois de 18 anos no Hospital da Luz, reconheceu haver «24 horas de espera para pulseiras amarelas … Portugal é o país da OCDE em que o número de urgências por 100 mil habitantes é maior. A seguir vem Espanha, mas com metade do nosso valor. Por contraste, o nosso país é o último da lista na capacidade de obter uma consulta para doença aguda num espaço de três dias (…) doentes com indicação para internamento que ficam dias em macas no balcão».
Nada de novo. Novo é o Dr. Duarte Costa reconhecer que «é ridículo e imoral haver cirurgiões que, num dia útil normal, fazem duas cirurgias e quando estão no SIGIC, no mesmo número de horas, operam oito ou dez pessoas. Pode-me dizer: “Porque têm o dinheiro à frente.” Então que se ponha o dinheiro à frente.»
Ainda não chegaram as vacas magras e já há fila no peditório (cont.)
Boa Nova ou a coexistência do TGV com a autoestrada mexicana
Sei que os governos precisam de contar estórias para entreter os eleitores, mas não será um exagero e um insulto à inteligência de alguns eleitores, o governo do Dr. Montenegro que orçamentou para 2025 um investimento 21,5% superior ao de 2024 e até ao final de Outubro e executou apenas metade do total previsto para o ano, anunciar «um conjunto de decisões estratégicas centradas na Alta Velocidade, incluindo a aquisição de novos comboios pela CP – Comboios de Portugal, num investimento global superior a 1,6 mil milhões de euros», a ter lugar num futuro indefinido, algures entre 2029 e 2031.
Canários na mina de carvão
25/01/2026
You can't fool all of the people all the time (11)
24/01/2026
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O estatismo populista e o estatismo socialista partilham o estatismo
Este post pode ser lido como sequela de O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo.
«Chamar “socialista” a Ventura, como fiz deliberadamente no título, não é rigoroso em termos clássicos de ciência política. É uma provocação. Mas não é uma provocação absurda, e importa explicar porquê.
(...)
Para quem considere exagerado atribuir a Ventura uma veia “socialista”, os factos ajudam. No último Orçamento do Estado, PS e Chega votaram juntos 82 vezes em alterações orçamentais. Sempre que a solução passava por “dar coisas”, aumentar despesa ou socializar custos, PS e Chega encontraram-se.
Se a questão for um pequeno ajustamento nas propinas, ainda que simbólico, aproximando-as do seu custo real e responsabilizando os estudantes, PS e Chega unem-se para impedir.
Se a escolha for entre o pagamento de uma portagem pelo utilizador ou a sua diluição pelo contribuinte, PS e Chega convergem na promoção da ilusão da gratuitidade.
Se a TAP escapar ao controlo do Estado, ambos chorarão o desaire.
O estatismo de Ventura é, aliás, tão pronunciado que durante a vaga inflacionista causada pela guerra na Ucrânia defendeu preços tabelados e margens controladas — uma proposta que nem a própria Mariana Mortágua chegou a avançar.
Mas a convergência não se esgota no que defendem; manifesta-se também no que não têm coragem de defender. Nenhum dos dois foi capaz de apoiar claramente o pacote laboral, mesmo quando este se apresentava como tímido e moderado. Nenhum teve a coragem política de se demarcar da greve geral, preferindo acenar à rua, aos sindicatos e ao descontentamento organizado, em vez de assumir uma posição responsável, ainda que impopular. Ambos revelam a mesma aversão ao conflito reformista e a mesma dependência do aplauso imediato.
Tudo isto conduz a uma conclusão desconfortável para muitos dos seus apoiantes: ao nível do modelo económico, as diferenças entre Ventura e Seguro são reduzidas. Ambos defendem soluções assistencialistas incapazes de gerar crescimento sustentado e criação de riqueza a longo prazo. Nenhum parece disposto a promover as reformas estruturais, quase sempre dolorosas, de que o país necessita. Mantendo a terminologia provocatória do título: ambos são socialistas.»
Vamos ter um Presidente socialista. Resta saber qual, Miguel A. Baptista
23/01/2026
A courageous speech by Mark Carney in Davos: Enough of "living a lie." "Nostalgia is not a strategy."
«In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?
And his answer began with a greengrocer.
Every morning, this shopkeeper places a sign in his window: ‘Workers of the world unite’. He doesn't believe it, no-one does, but he places a sign anyway to avoid trouble, to signal compliance, to get along. And because every shopkeeper on every street does the same, the system persist – not through violence alone, but through the participation of ordinary people in rituals they privately know to be false.
Havel called this “living within a lie”.
The system's power comes not from its truth, but from everyone's willingness to perform as if it were true, and its fragility comes from the same source. When even one person stops performing, when the greengrocer removes his sign, the illusion begins to crack. Friends, it is time for companies and countries to take their signs down.
In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?
And his answer began with a greengrocer.
Every morning, this shopkeeper places a sign in his window: ‘Workers of the world unite’. He doesn't believe it, no-one does, but he places a sign anyway to avoid trouble, to signal compliance, to get along. And because every shopkeeper on every street does the same, the system persist – not through violence alone, but through the participation of ordinary people in rituals they privately know to be false.
Havel called this “living within a lie”.
The system's power comes not from its truth, but from everyone's willingness to perform as if it were true, and its fragility comes from the same source. When even one person stops performing, when the greengrocer removes his sign, the illusion begins to crack. Friends, it is time for companies and countries to take their signs down.
22/01/2026
A defesa dos centros de decisão nacional (35) - Últimos episódios
Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que, passado algum tempo, venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos resulta do endividamento de públicos e privados e da descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.
- Novo Banco, o que sobrou do BES, vendido ao Banque Populaire Caisse d’Épargne;
- Edo, uma farmacêutica, vendida aos espanhóis da Faes Farma;
- Secil, cimenteira da Semapa, vendida à espanhola Molins;
- Participação de 40% da Luz Saúde, participada a Fidelidade (maioritariamente detida pelos chineses da Fosun), vendida à australiana Macquarie;
- PHC Business Software, empresa portuguesa de software de gestão, vendida ao grupo tecnológico francês Cegid:
- Centro de Dados na Covilhã da Altice, vendido ao fundo espanhol Asterion;
- Acordo da Galp com a espanhola Moeve do qual resultará que a Galp passará a controlar menos de 9% da capacidade de refinação na Península Ibérica.
21/01/2026
DIÁRIO DE BORDO: O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo
Nos dias que correm, a disputa política mais importante não é entre esquerda e direita, mas entre adeptos da democracia liberal, uns de esquerda e outros de direita, e os adversários do liberalismo, uns de esquerda e outros de direita, nomeadamente os inimigos da liberdade, como os chamou Isaiah Berlin. Na verdade, as ideologias políticas não são representáveis a uma só dimensão, precisamos pelo menos de duas e, ainda assim, isso exige simplificação, por vezes bastante grosseira.
| The Political Compass |
A insuficiência dessa dicotomia para explicar a realidade política é hoje bem visível na incapacidade que uma parte da direita - a direita de convicções liberais frágeis - tem de lidar com o epifenómeno do trumpismo, deixando-se fascinar por um catavento político movido pelo onanismo, o nepotismo e a falta de princípios e escrúpulos e uma prática autocrática, imaginando que a partilha dos mesmos adversários (na verdade, vistos como inimigos) é suficiente para sustentar uma aliança. No final do dia, é a perigosa ilusão de que «o inimigo do meu inimigo é meu amigo», um princípio duvidoso até do ponto de vista táctico e absurdo do ponto de vista estratégico, como a história nos dá exemplos trágicos.
Vem isto a propósito do fascínio pelo trumpismo de algum comentariado doméstico que, em termos da política interna, olha com simpatia ou também se deixa deslumbrar por um Dr. Ventura que, na sua versão actual (ele já teve várias), corporiza um trumpismo de fancaria. Como em tudo na vida, há excepções e uma delas é Henrique Raposo, como se percebe nesta peça sobre alguns colunistas do Observador a propósito das eleições presidenciais.
20/01/2026
19/01/2026
Crónica da passagem de um governo (33)
O montante das garantias públicas para compra de habitação aprovadas que em 2024 atingiram 1.200 milhões de euros aumentou para 2.000 milhões de euros em 2025 e até Novembro do ano passado os créditos com garantia pública representaram 26,5% do crédito concedido (fonte).
Não deveria ser surpresa para ninguém que, num mercado como o da habitação em que a oferta é insuficiente para cobrir a procura, os incentivos à procura só poderiam ter como um efeito um aumento desmesurado dos preços. Aumento que vai prejudicar quem ainda não dispõe de habitação, já que quem dela dispõe terá o seu património valorizado. E quem ainda não dispõe de habitação são precisamente os jovens que se pretendiam ajudar.
Canários na mina de carvão
A DBRS é uma agência que fez de muleta de Draghi e do BCE durante o resgate para que pelo menos uma agência não considerasse a dívida pública portuguesa como lixo, de onde resultaria que o BCE não pudesse comprar obrigações do Tesouro português. Apesar dos excedentes orçamentais, que têm muito a ver com o passado e pouco com o futuro, a agência amiga DBRS manteve o rating e alertou para os impactos das tensões no comércio internacional e os problemas internos da habitação (fonte).
A proposta para o período 2028-2034 da Política Agrícola Comum (PAC) – um programa essencialmente destinado a desincentivar os agricultores, principalmente franceses, de marcharem com os seus tractores sobre Bruxelas – prevê uma redução em relação ao período 2021-2028 de 13% para Portugal (fonte).
O turismo, até agora florescente, começa a dar sinais de estagnação e em 2025 o número de dormidas apenas aumentou 1,7%, o sexto crescimento mais baixo da UE (fonte).
Os especuladores de bolsa, que estão sempre com um olho no burro e outro no cigano (Dr. Ventura, não precisa agradecer) não se mostram muito excitados com as perspectiva das cotadas portuguesas, apesar do PSI ter tido o ano passado uma valorização de 29%. Por isso, segundo a CMVM, a exposição da bolsa ao short selling aumentou em 12 meses de 0,96% para 1,58% (ver este post sobre o fenómeno do short selling na Euronext Lisboa em 2024).
Ainda não chegaram as vacas magras e já há fila no peditório
Apesar de alguns canários já estarem a piar, ainda não é caso para alarmes. Por isso, é relativamente surpreendente que a restauração, um dos sectores que mais beneficiou com o turismo, tenha um sentimento de “crise” queixando-se das “grandes superfícies”. Talvez seja apenas a posicionarem-se para o peditório cíclico em que vive o empresariado doméstico.
Ferrovia
A exemplo do governo do Dr. Costa que deixou o Ferrovia 2020 com 37 mil dias de atraso no total dos troços, o governo do Dr. Montenegro faz o possível para deixar tudo na mesma e nesta altura prevê-se que as obras do plano Ferrovia 2020 apenas estejam concluídas em 2027. O que não tem falhado são as visitas do ministro da Infra-Estruturas, Dr. Pinto Luz, à linha Évora-Elvas que já tem seis anos de atraso, foi lançada três vezes teve duas visitas do governo. (fonte)
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»
Afinal, o aumento dos partos em ambulâncias e à porta dos hospitais talvez resulte mais do esforço do jornalismo de causas para aumentar as vendas do que dos factos. Os partos fora dos hospitais foram 302 em 2023 e 303 em 2024, ou seja, 36 em cada mil nascimentos (fonte). Seja como for, não estou certo que o SNS possa fazer muito por isso, a não ser que, como já escrevi, tivesse em cada grávida um detector de rotura da bolsa amniótica e um contador de contracções.


