Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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26/10/2026

Just as Soviet communism fell, pensioner communism must fall in the United Kingdom (and elsewhere)

«Vladimir Lenin distilled all politics to two questions: “Who? Whom?” Who will dominate, and whom will they dominate? Since 2010 the British state has offered simple answers. Who? Pensioners. Whom? Everyone else.

With the Conservative Party as its vanguard, pensioners bent the state to their will. The bits of it serving the working-age were squeezed, while those of concern to the elderly were protected. Pensioner preoccupations like leaving the European Union were pursued no matter the damage. Bungs such as free TV licences rained down. An old Marxist mantra was given a new twist: from each according to his ability; to each according to his age.

Yet change can come quickly to an ailing system, however indestructible it might seem. Alexei Yurchak, an anthropologist, titled an account of the collapse of the Soviet Union: “Everything Was Forever, Until It Was No More”. So it is in the 21st century with communism’s old-age cousin. Demographic change, economic struggles and inherent contradictions are set to bring about an end to a political settlement that once felt invincible. The end of pensioner communism is nigh.

When future historians tell the story of its fall, they will begin with a speech in Liverpool in September 2026. The speaker was a man who came not to destroy pensioner communism but to save it. Andy Burnham is more Mikhail Gorbachev, trying to buttress a failing edifice, than Boris Yeltsin, bringing in something chaotic and new. Britain’s new-ish prime minister pledged to overhaul the triple lock, a hitherto untouchable policy which raises state pensions each year by the highest of inflation, earnings or 2.5%.

Labour apparatchiks reacted like delegates at a Soviet congress. Mr Burnham softened things by saying no change would take place until 2030, after the next election. His party faithful applauded the triple lock’s retention and they applauded its repeal.  Gorbachev launched perestroika, a suite of reforms to shake up the whole economy. Mr Burnham is shuffling cash for the elderly. The savings (perhaps £20bn, or $26bn, a year by 2040) will go towards a new National Care Service, ensuring geriatrics do not pay as much for old-age care. Think of it as perestroika for pensioners.

03/10/2026

Um dia como os outros na vida do estado sucial (45) - O SNS24 para amigos e correlegionários

Observador

Tenho um amigo que herdou uma fortuna, nunca teve seguro de saúde e sempre se tratou no SNS. Quando um dia, atormentado pelo custo crescente do meu seguro de saúde e pela qualidade minguante do hospital privado que frequentava, lhe perguntei qual era o milagre, respondeu-me com grande honestidade, isso que escreveu o Miguel Pinheiro por outras palavras: "é preciso ter cunhas".

06/09/2026

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (13) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (IX)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12)

Linkedin

As projecções de Luís Portugal, que conhece bem o tema, num cenário razoavelmente optimista, confirmam que os 42 mil milhões do FEFSS cobrem cerca de um quarto das responsabilidades da Segurança Social por pensões e não dão para mandar cantar um cego, como dizia minha avó. Se adicionarmos as responsabilidades da CGA, que há anos não tem contribuições e é financiada pelo OE, o buraco assume profundidades abissais, como aqui andamos há mais de duas décadas a escrever (ver etiqueta pensões).

01/07/2026

A ameaça de falência do Estado Social na pátria do capitalismo

Fonte

Na altura da criação do fundo americano de segurança social, em 1940, por cada pensionista havia 150 contribuintes, actualmente há menos de três. As reservas que atingiram o máximo de USD 2,8 biliões caíram para USD 400 mil milhões (triliões e biliões, respectivamente na escala curta). A diferença entre os rendimentos do fundo e os pagamentos em 2025 ultrapassou USD 200 mil milhões (cerca de 0,7% do PIB). Se nada for feito, estima-se que em 7 a 8 anos o fundo se esgote e as pensões tenham de ser reduzidas todos os anos.

Por alturas da criação do fundo americano, não existia em Portugal um sistema de segurança social universal que só foi criado com a reforma de 1962. Em 1970, existiam cerca de 13 contribuintes por cada pensionista, rácio que foi descendo até 1,5 antes do surto de imigração, tem vindo a aumentar e situa-se actualmente em cerca de 1,7. Segundo as projecções, a partir de 2035 as contribuições deixarão de ser suficientes para pagar as pensões e o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) actualmente com 50 mil milhões, graças às contribuições dos imigrantes, ficará esgotado por volta de 2050.

15/06/2026

PUBLIC SERVICE: The Nanny State finances everyone, those who don't need it and even terrorists


«Terrorists, hostile states and gangsters have been given more than £28bn of taxpayers’ money, including through aid payments, according to a secret government report.

The Telegraph can reveal details of a dossier showing that billions of pounds went to organised crime, with millions going to Russia and Islamic State.

It demonstrates that foreign aid and Covid relief loans were appropriated on a vast scale by Britain’s enemies, with the money beyond reach and those who took it unpunished.

More than £28bn ended up in the hands of those wishing to harm Britain between 2015 and 2021, according to the report, which was commissioned and produced by the Cabinet Office but was buried during the previous government.

Sources said it was never made public to save the government from the political embarrassment of revealing the huge scale of misdirected funds.

The Telegraph can reveal the existence of the document, believed to be the first assessment of how much taxpayer money has gone on to fund national security threats. It includes:

  • Grants given to companies linked to the Russian state
  • Covid loans sent to Islamic State terrorists
  • Investment in research for companies linked to the Chinese military.»

Continue reading in the Telegraph

10/06/2026

CASE STUDY: A Administração dita Pública?

mais liberdade

Como se pode confirmar, é vasta a colecção de posts deste blogue em que se cita ou referencia a Dr.ª Clara Ferreira Alves, também conhecida como Pluma Caprichosa. Se concluirem que esta vasta colecção indicia uma certa fixação nessa luminária do jornalismo doméstico, não vejo como negar. A fixação explica-se por boas e más razões e, no que me diz respeito, as boas razões radicam no facto de a Dr.ª Clara ser uma pessoa portadora de uma inegável erudição e porque, surpreendentemente, estou por vezes de acordo com o que escreve. As más razões são: a sua ostensiva Cóltura, o seu cosmopolitismo pedante e, sobretudo, aquele faux pas (a coisa é contagiosa) da entrevista apologética ao Sr. Eng. Sócrates, a pedido do seu ídolo Dr. Soares.

Nos últimos tempos, a Dr.ª Clara tem andado desiludida com o curso das coisas e tem escrito sobre as trivialidades do Portugal dos Pequeninos, como fez a semana passada com o seu artigo com o título A Administração dita Pública em que se lamenta da odisseia da renovação do seu passaporte (um utensílio indispensável para continuar a exercitar o seu cosmopolitismo). 

Vale a pena ler essa peça porque é um retrato da inépcia, incompetência, ineficácia e ineficiência do aparelho administrativo do Estado sucial. E, no entanto, isso não será por falta absoluta de dinheiro porque a despesa pública em Portugal está acima da média da OCDE, apesar de, como o gráfico acima mostra, a sua composição diferir da média na Protecção social (mais oito pontos percentuais), nos Serviços públicos gerais (menos três p.p.) e, ao arrepio do discurso oficial, na Saúde (menos três p.p,) e na classe residual Outros (menos quatro p.p.). Se fosse só um problema de dinheiro - e não é - dir-se-ia que o Estado português gasta demasiado a dar colo aos cidadãos em detrimento do funcionamento da sua máquina administrativa.

29/04/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Dr. Ventura quer descer a idade da reforma. Alguém lhe deveria explicar que seria um disparate e para isso ser possível só com mais imigrantes

O meu radar não está programado para detectar flatulências e só me dei conta de que o Dr. Ventura exigiu há dias a descida da idade da reforma ao ler este artigo de Henrique Raposo.

Apesar da minha apreciação por HR não abranger o seu estilo gongórico-emotivo, vou citar um excerto do seu artigo «A proeza do Chega: ser mais imbecil do que PCP e BE»

«Há vinte ou quinze anos, era impossível discutir com a esquerda a questão das pensões, porque a esquerda anti-passista recusava (recusa?) os números da demografia. Recusava enfrentar este facto: nós temos um saldo natural negativo desde 2007/08. Ou seja, há quase vinte anos que temos mais mortes do que nascimentos todos os anos. (...) 

O Chega torna-se ainda pior a partir do momento em que ataca a imigração e a consequente contribuição para a segurança social dos imigrantes. O Chega é um perigo para o país, sobretudo para os reformados mais pobres, porque não sabe ou não quer fazer contas. E é fácil demonstrar a estupidez do Chega: se pensarmos que a pensão mínima em Portugal ronda os 350 euros e se olharmos para os 4,15 mil milhões que os imigrantes descontaram para a segurança social em 2025, isto quer dizer que os imigrantes garantem o valor de 856 mil pensões mínimas anuais.»

Para me ser desculpada a citação e sair do campo do insulto, remeto para a longa série de posts «A leveza insustentável do sistema público de pensões», cuja leitura, espero, demonstra que o Dr. Ventura é um lunático, um socialista de direita ou um demagogo (e, sem dar por isso, caí também no insulto).

___________

Post Scriptum: Já agora, para ilustrar o que HR escreveu sobre mortes e nascimentos, aqui vão os dados dos últimos cinco anos, que seriam muito piores se não fosse a imigração:

25/12/2025

Human Development Index (HDI)

[Este post é uma espécie de continuação deste outro]
 
Fonte

Fonte

O HDI português tem melhorado alguma coisa, mas como os outros países não ficaram parados, a posição no ranking não progrediu e continua abaixo dos quatro "PIGS"; Irlanda  (11º), Espanha (28.º) e Itália (29.º) e até da Grécia (34.º lugar), o homem doente da Europa no século XXI. Portugal, no 42.º lugar no ranking mundial, posiciona-se atrás da Eslovénia (21.º), República Checa (29.º) e Lituânia (39.º) , três sobreviventes do colapso do Império Soviético.

12/12/2025

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (12) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (VIII)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10) e (11)

Os mídia e as eminências do regime inundaram o espaço mediático com a conclusão da Economist de que a economia do pastel de nata teve o melhor desempenho este ano, conclusão baseada em cinco indicadores de escolha questionável com uma ponderação que não foi divulgada, incluindo dois indicadores que beneficiaram da comparação com valores excepcionais no ano de 2024.


Compreensivelmente, concluiria Eduardo Lourenço se ainda fosse vivo, não me dei conta que os mesmos mídia e as mesmas eminências tivessem feito quaisquer referências ao artigo da mesma Economist European pensions are in dire need of reform, publicado seis dias antes, sobre os sistemas europeus de pensões, de onde extraí o diagrama acima que mostra o sistema de pensões português no segundo lugar da UE em termos de agravamento previsto da dependência dos cada vez mais pensionistas de cada vez de menos trabalhadores.

Num eventual novo post tratarei de outros aspectos também com base no estudo da OCDE Pensions at a Glance 2025.

(Continua)

13/09/2025

A Humanidade vai encolher e o Portugal dos Pequeninos não é excepção

Humanity will shrink, far sooner than you think

A taxa de fecundidade geral (total fertility rate) é o «número de nados vivos observado durante um determinado período de tempo, normalmente um ano civil, referido ao efetivo médio de mulheres em idade fértil (entre os 15 e os 49 anos) desse período (habitualmente expressa em número de nados vivos por 1000 (10^3) mulheres em idade fértil).» (INE) Estima-se que uma TFG de aproximadamente 2,1 filhos por mulher constitua o nível de substituição suficiente para manter uma população estável sem migração e que nesta altura apenas cerca um terço da população do mundo vive em países com essa taxa de fecundidade.

Portugal (Pordata)

Como o gráfico mostra, em Portugal desde os anos 80 que a taxa de fecundidade está abaixo do nível necessário para manter o população constante sem migração. 

Porque está isto a acontecer em quase todos os países desenvolvidos? Por várias razões, sendo geralmente aceites as seguintes: os sistemas de segurança social tornam menos importante ter filhos para prevenir o futuro, a redução da mortalidade infantil tornou desnecessários ter uma reserva de filhos, a crescente profissionalização das mulheres e a sua ascensão social reduziram drasticamente a disponibilidade para ter filhos, com a ajuda de um acesso fácil a contraceptivos e da despenalização legal e moral do aborto.

Há quem imagine que uma engenharia social com políticas "adequadas" e uma intervenção mais forte do Estado sucial seria possível reverter a situação. É no mínimo duvidoso que um Estado que historicamente contribuiu para diminuir a fecundidade esteja agora em condições de contribuir para a aumentar contrariando uma tendência possivelmente irreversível.

23/07/2025

A saúde em Portugal. Desfazendo algumas ideias feitas (5)

 [Continuação de (1), (2), (3) e (4)]

FALÁCIA: ««O SNS é um tesouro» é um dos slogans do agitprop socialista,

FACTOS:  Sendo inquestionável que o SNS não é um completo desastre, o certo que, apesar da melhoria dos 5,8 anos de vida saudável aos 65 anos em 2005 para os 7,9 anos em 2022, ficamos no último terço da UE.


O facto de, pelo contrário, a esperança de vida dos portugueses nos colocar no primeiro terço à custa de 12,6 anos de vida com algum tipo de deficiência, talvez se deva mais à dieta mediterrânica em extinção do que ao SNS.

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Fontes: Health at a Glance: Europe 2024, OECD, Nov 2024 e ChatGPT

19/07/2025

A saúde em Portugal. Desfazendo algumas ideias feitas (4)

[Continuação de (1), (2) e (3)]

FALÁCIA: Precisamos de formar mais enfermeiros.


FACTOS: 

(1) Na UE a relação média enfermeiros/médicos é 2,5, sendo o número de enfermeiros e médicos por mil habitantes de 9,2 e 3,7, respectivamente. Os rácios equivalentes em Portugal são 1,3, 7,9 e 5,8, respectivamente. De onde, apesar da relação enfermeiros/médicos ser das mais baixas da UE não podemos concluir que em termos comparativos com UE temos muito menos enfermeiros do que a média e, pelo contrário, temos certamente muito mais médicos. 

(2) Nos anos 2020 a 2023 cerca de 5 mil enfermeiros formados em Portugal expressaram formalmente a intenção de emigrar e exercer enfermagem no estrangeiro. Em Março de 2023 havia cerca de 4 mil enfermeiros portugueses registados no Reino Unido. Na Suíça o número de enfermeiros portugueses entrados em 2023 foi o quarto mais elevado. 

(3) Destes números fragmentários não podemos concluir que é necessário formar mais enfermeiros, mas podemos certamente concluir que precisaremos de reter mais enfermeiros formados em Portugal.
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Fontes: Health at a Glance: Europe 2024, OECD, Nov 2024 e ChatGPT

09/07/2025

A saúde em Portugal. Desfazendo algumas ideias feitas (3)

[Continuação de (1) e (2)]

FALÁCIA: A resposta à pandemia de Covid-19 foi muito afectada pela falta de todos os profissionais de saúde disseram as autoridades portuguesas à OECD, como se pode ver no quadro seguinte.


FACTO: Já vimos que em termos comparativos Portugal é o país europeu que mais aumentou o número de médicos por mil habitantes nos últimos 20 anos e actualmente é o segundo país da Europa com mais médicos. Por isso, o problema não foi a falta de recursos, foi a falta de competência na gestão desses recursos.

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Fonte: Health at a Glance: Europe 2024, OECD, Nov 2024

05/07/2025

A saúde em Portugal. Desfazendo algumas ideias feitas (2)

[Continuação de (1)]

FALÁCIA: Há um excesso de médicos especialistas em Portugal.

FACTO: A proporção de médicos especialistas em Portugal é 20 pontos percentuais abaixo da média e a terceira mais baixa da EU26. 

Registe-se que no SNS em Portugal só 30% dos médicos chamados de família ("General practitioners") trabalham nos centros de saúde ("primary care"), os restantes exercem em hospitais públicos. Provavelmente isso explicará pelo menos uma parte dos 1,7 milhão de utentes sem médico de família.

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Fonte: Health at a Glance: Europe 2024, OECD, Nov 2024

01/07/2025

Portugal Desventures. O Estado sucial a tentar fazer de cada startup uma CP (3)

[Continuação de (1) e (2)]

Escrevi no post anterior que os apparatchiks sentados na Portugal Ventures só por milagre teriam o know-how para avaliar riscos, anteciparem hipotéticos futuros sucessos e detectarem potenciais unicórnios enquanto apostam o dinheiro dos contribuintes e certamente não têm incentivo indispensável dos venture capitalists que arriscam o seu dinheiro nas empresas em que apostam. 

Para quem tivesse dúvidas que não há milagres nestas matérias, Virgílio Bento, cofundador da Sword Health, uma das poucas start-ups de portugueses que alcançou reconhecimento internacional com sede no Utah, USA, e escritórios no Reino Unido, que desistiu de fazer um trabalho com o sistema do INEM descrito como «obsoleto, frágil, assustado», referiu-se em entrevista ao Expresso aos apparatchiks da Portugal Ventures como «as pessoas (...) do topo até cá em baixo de uma incompetência atroz. É muito difícil discutir o potencial de uma empresa com alguém que é completamente ignorante».

Quanto às decisões de investimento da Portugal Ventures, Virgílio Bento explica que são os «Amigos. Há muitos exemplos desses. Se era um professor universitário a liderar essa empresa. A questão do pedigree. Nenhum deles estava ligado com o potencial de sucesso da startup.»

29/06/2025

A saúde em Portugal. Desfazendo algumas ideias feitas (1)

FALÁCIA: A saúde em Portugal não funciona bem porque há falta de médicos.

FACTO: Portugal é o país europeu que mais aumentou o número de médicos por mil habitantes nos últimos 20 anos e actualmente é o segundo país da Europa com mais médicos.

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Fonte: Health at a Glance: Europe 2024,  OECD, Nov 2024

13/06/2025

Portugal Desventures. O Estado sucial a tentar fazer de cada startup uma CP (2)

[Continuação daqui]

Há dias o Expresso, um grande entusiasta das startups lusas, titulava com tristeza «Startups nacionais com pouca saída: faltam oportunidades de desinvestimento em Portugal» querendo significar que um número cada vez menor de startups consegue encontrar investidores privados (venture capitalists) e por isso ficam penduradas no Estado sucial via Portugal Ventures, uma sociedade de capital de risco participada pelo Banco Português de Fomento que desde 2012 até ao ano passado registou perdas de 124 milhões nas cerca de 300 startups em que participou.

Dificilmente poderia ser de outro modo porque apparatchiks sentados na Portugal Ventures só por milagre têm o know-how para avaliar riscos, anteciparem hipotéticos futuros sucessos e detectarem potenciais unicórnios enquanto apostam o dinheiro dos contribuintes e certamente não têm incentivo indispensável dos venture capitalists que arriscam o seu dinheiro nas empresas em que apostam.

23/03/2025

Pobretes, mas alegretes? É mais pobretes e tristonhos

O World Happiness Report é um estudo de periodicidade anual baseado numa pesquisa da Gallup, onde os inquiridos avaliam o seu grau de satisfação com a vida numa escala de um a dez.

Como seria de esperar, há uma forte correlação entre o grau de satisfação e o nível de vida medido pelo PIB per capita.


Outra constatação é que o grau de satisfação se degradou significativamente nos últimos anos nos países mais desenvolvidos, em paralelo com um crescente sentimento de ressentimento, criando as condições para a emergência de partidos extremistas.


No caso do Portugal dos Pequeninos também se verificou uma queda do índice de 6,03 para 6,01 e do 55.º lugar no ranking para o 60.º lugar, claramente abaixo de muitos outros países europeus. As excepções são principalmente os países que integraram o Império Soviético, como, além da própria Rússia, Hungria, Montenegro, Croácia, Moldova, Bulgária, Albânia e Georgia. Similitude que pode explicar a admiração pela Rússia de Putin que alguns comentadores militares dos canais de TV portugueses não escondem e pode dar razão a Vladimir Solovyov que em tempos garantiu que «os portugueses viveriam muito bem como parte do império russo».

21/03/2025

CASE STUDY: A esquerdalhada anda há décadas a tentar tirar uma peça essencial do elevador social - o efeito de teste

Continuação de O elevador social não está a funcionar bem em lado nenhum. No Portugal dos Pequeninos a esquerdalhada avariou-o irremediavelmente

«Um argumento muito comum contra os testes e exames é o da sua inutilidade. Diz-se que não é por ser testado que um aluno aprende, é antes por ser ensinado e por estudar. É um argumento muito comum, embora irracional. O mesmo argumento poderia ser aplicado às análises e outros exames médicos. Não são eles que nos curam, mas nem por isso são inúteis.

A inutilidade dos testes e exames vai contra a racionalidade. E vai também contra a prática dos professores experimentados, que passam a vida a indicar trabalhos de casa e perdem noites a corrigir esses trabalhos, semana após semana, ano após ano. Os professores fazem-no porque sabem que essa é uma forma de os estudantes verificarem e reforçarem os seus conhecimentos, reverem as matérias e praticarem os procedimentos que estudam. Ou seja, os professores sabem que os alunos aprendem melhor quando se defrontam consigo próprios face a uma tarefa. E os professores experimentados fazem mais. Estão constantemente a fazer perguntas aos alunos e dão à turma trabalhos para serem feitos individualmente ou em pequenos grupos, durante ou depois da aula.

Tudo isso são formas de testar os conhecimentos – e de os reforçar. É o que se chama avaliação formativa, sem impacto, ou com pouco impacto, na classificação dos alunos.

A tese da inutilidade dos exames e testes vai também contra as ciências cognitivas modernas, que descobriram e estudaram experimentalmente o efeito da testagem de conhecimentos sobre a aprendizagem. E o que descobriram? Que ser-se testado é uma forma muito eficaz de consolidar a aprendizagem e de aprender. Tão eficaz que hoje se lhe dá um nome: o «efeito de teste».»

«Aprender, aprender, aprender sempre», Nuno Crato no Jornal Económico