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| Pobres já dormem ao relento, não têm tendas nem câmaras digitais |
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| Estudantes que estudam não compram gasolina para queimar caixotes de lixo |
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| Pobres já dormem ao relento, não têm tendas nem câmaras digitais |
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| Estudantes que estudam não compram gasolina para queimar caixotes de lixo |
| Grozny, Chechénia, 1994 Gaza City, 2023. |
Almost eight years ago, (Im)pertinências described in this post the case of software engineer James Damore who worked for Google before deciding to write a 10-page memo where, among other debatable things, he said (source): «(...) men and women differ biologically in many ways (...)» and that the tendency to protect women creates a hostile environment for men «because men are biologically disposable and because women are generally more cooperative and agreeable than man», something that evolutionary psychology confirms.
What did Google do? Damore was fired and Google CEO Sundar Pichai issued a memo to staff saying that «suggesting that a group of our colleagues have traits that make them less biologically suited to this job is offensive and not okay,» and that parts of the memo actively violated Google's code of conduct by «promoting harmful gender stereotypes in our workplace.»
Eight years later, a reporter from The Free Press went to meet Damore in Luxembourg, who had since been boycotted by the tech community and had been unable to find a steady job.
O jornalista Gustavo Sampaio escreveu “Os Políticos São Todos Iguais!" escarafunchando o passado de vários políticos portugueses e o Expresso publicou um artigo com uma versão reduzida de um capítulo dedicado ao populismo. Nesse artigo Gustavo Sampaio passa em revista o passado doutrinário do Dr. Ventura e mostra-nos que esse pensamento mudou, o que é natural porque todo o mundo é composto de mudança. O que alguns, como eu, podem não apreciar é que a epifania que atingiu o Dr. Ventura há uns cinco anos, e que os seus seguidores verão como o caminho da escuridão para a iluminação, é vista como o caminho da pouca luz para a obscuridade ou talvez a procura de um produto para um mercado.
«... argumentou contra o securitarismo, contra o populismo penal, contra os políticos que procuram ganhar votos com o acicatar dos medos e dos preconceitos» (tese de doutoramento)
«... países como Portugal e a Irlanda não devem esquecer o seu passado e devem acolher o maior número de migrantes» (artigo de opinião)
«Hoje, tornou‑se uma espécie de gíria popular — ou uma certa elite intelectual — atacar a comunicação social. Digo isto completamente livre nesta matéria. Nós, em Portugal, temos tido a sorte de ter meios de comunicação social capazes de tocar com o dedo na ferida. […] Temos que ter alguma cautela quando apontamos o dedo à comunicação social.»
«Quando perguntam ao Presidente dos EUA (Trump) porque é que ele usa o Twitter, é porque dá um poder enorme não haver nenhuma espécie de intermediário. Eu escrevo o que quiser. Ninguém me faz a pergunta, sequer”, explicou Ventura. “Na verdade, por trás desta perceção está a lógica de os intervenientes políticos se quererem furtar aos intermediários que fazem perguntas. É incómodo. É muito mais fácil (recorrer às redes sociais). E é por isso que se utiliza isto. […] É esta a lógica das fake news, que são perniciosas, porque nos levam à negação e à defesa permanente. Mas, sobretudo, porque são capazes de convencer em períodos de grande turbulência noticiosa.»
«O Estado manterá nas suas mãos uma função arbitral, de regulação e de inspeção sediada em organismo dependente da Presidência do Conselho de Ministros. Essas funções seriam exercidas sobre todos os graus de ensino não superior (planos de estudo, exames, etc.). As instalações escolares passariam, num primeiro momento, para a tutela da Direção‑Geral do Património, que, de seguida, as ofereceria a quem nelas demonstrasse interesse, dando‑se prioridade absoluta aos professores nelas lecionando nesse momento. Os professores que pretendessem assumir a posse do seu estabelecimento de ensino criariam uma empresa ou uma entidade cooperativa para a qual transitaria a propriedade desse estabelecimento.» (programa político do Chega de 2019)
Na Revista do Expresso de 5 de Julho, o humorista Ricardo Araújo Pereira (RAP) escreveu numa peça sobre o debate Biden-Trump com o título «Um candidato que esteja vivo, se faz favor», o seguinte:
Ainda assim, resolvi perguntar ao ChatGPT que respondeu com alguma inteligência (artificial):
«The claim that Donald Trump stated "there are ten billion Guatemalans attacking the Lincoln Memorial right now" during the June 27, 2024, debate with Joe Biden on CNN does not appear to be accurate. Comprehensive reviews and fact-checks of the debate by sources such as FactCheck.org, PolitiFact, and Poynter did not report any instance of Trump making this statement.
Fact-checking sources covered a wide range of claims made during the debate, but there was no mention of such a quote from Trump regarding an exaggerated number of Guatemalans or an attack on the Lincoln Memorial (FactCheck.org) (PolitiFact) (PolitiFact) (Poynter).
It is important to rely on verified sources and official transcripts for accurate information regarding statements made during public debates.»
Se, como tudo indica, Donald Trump não disse o que lhe foi atribuído, RAP praticou outra vez uma espécie de humor de causas, desta vez citando factos inexistentes, que na melhor hipótese não se deu ao trabalho de verificar e na pior os citou apesar de saber não serem verdadeiros, partilhando a mesma falta de profissionalismo ou de isenção, respectivamente, habitual no jornalismo de causas e assim desperdiçando o seu inegável talento.
É pouco frequente escrever sobre o Chega ou o seu líder Dr. Ventura, principalmente porque as minhas críticas iriam acrescentar-se, ainda que por razões e pressupostos muito diferentes, à enxurrada que o jornalismo de causas e a comentadoria do regime lhe dedica, ou mesmo, para os distraídos, confundir-se com essa enxurrada.
Abro mais uma excepção para comentar a iniciativa aprovada ontem pelo grupo parlamentar do Chega de apresentar uma queixa-crime contra o Dr. Marcelo "por traição à Pátria", fundada no facto deste último ter defendido as reparações às ex-colónias num jantar com jornalistas estrangeiros.
Sobre o fundo da questão não vou agora discorrer porque em várias ocasiões (por exemplo aqui ou aqui) já disse o que tinha a dizer, como disse sobre o Dr. Marcelo, em quem não votei. O que pretendo salientar é que, por muitos disparates que o Dr. Marcelo produza e nem mesmo pelo exercício deplorável dos seus dois mandatos, exercício que faz dele um dos piores presidentes da República, se não mesmo o pior, ele não perde a liberdade de os exprimir.
Pretender inventar um crime de expressão que obviamente não existe (por enquanto), como sabe muito bem o Dr. Ventura, pode ter dois propósitos, ambos para mim preocupantes, não pelos efeitos que são com toda a probabilidade inócuos, mas pelo que isso pode indiciar: ou bem se pretende intimidar a criatura, ou bem se pretende excitar os piores sentimentos da turba num exercício demagógico tão ao gosto do Dr. Ventura. Em ambos os casos, isso revela tiques totalitários de mau prenúncio.
«Albertina é um nome com tradição, mas foi escolhido por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) também para apontar para o futuro com o primeiro modelo de Inteligência Generativa, que permite produzir textos com vários temas, de forma completamente autónoma tanto nas variantes europeia e brasileira, da língua portuguesa. Desde a discreta estreia, na sexta-feira, até esta segunda-feira, a Albertina já foi descarregada 33 vezes – um número que não é assim tão reduzido se se tiver em conta que esta ferramenta foi desenhada para correr em servidores (computadores empresariais, de grande capacidade).» (notícia do Expresso com o habitual título hiperbólico)
Sabendo-se que o LLM (large language model) da Albertina tem 900 milhões de parâmetros o que compara, por exemplo, com 540.000 milhões do PaLM da Google, seria mais adequado dizer que a Albertina tem um SLM (small language model).
Entendamo-nos, isso não é vergonha nenhuma, afinal estamos no Portugal dos Pequeninos. É, porém, um pouco embaraçoso que isso precise de equipas de investigadores de duas universidades porque, segundo um email interno da Google, um modelo LLM pode ser preparado em apenas algumas horas por uma centena de dólares com um laptop robusto e uma técnica chamada LoRa (low-rank adaptation) que permite especializar uma LLM existente para uma tarefa em particular (provavelmente foi esta a via escolhida pela FCUL e a FEUP).
Vergonha, mais do que embaraço, é ainda não nos termos conseguido libertar do complexo de inferioridade que nos leva a exaltar constantemente coisas relativamente triviais, complexo que Eduardo Lourenço descreveu assim:
«Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranoia, exibição trágica, não aquela desinibida que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós».
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| Technology Quarterly |
«O chanceler alemão, acossado pela trágica dependência do gás russo, aceita, obviamente, tudo o que permita minimizar tal. O espanhol Sánchez vendeu-lhe então o reforço das interligações gasistas entre Espanha e França através da construção do primeiro troço do gasoduto MidCat (Midi-Catalonia Pipeline), que levaria nove meses a executar, permitindo a utilização dos seis terminais espanhóis de gás natural liquefeito (GNL) para abastecer em gás natural (GN) a Alemanha. O nosso primeiro-ministro aproveitou e vendeu-nos na silly season um gasoduto de Sines à Alemanha, fazendo crer que Sines salvaria energeticamente a Alemanha, ao mesmo tempo que tal permitiria exportar o hidrogénio verde produzido em Sines, em substituição da ideia inicial de o exportar para os Países Baixos por via marítima.
Ora, não seria necessário um novo gasoduto, mas apenas reforçar alguns troços, como o MidCat referido, e fazer uma nova interligação Portugal-Espanha entre Celorico da Beira e Vilar Formoso (162 km, €244 milhões), continuada em Espanha até Zamora (86 km, €110 milhões), em complemento das atuais ligações em Rio Maior e em Valença do Minho, lançadas no nosso projeto de introdução do GN em Portugal, as quais são perfeitamente suficientes para o funcionamento do mercado ibérico.
Mas Sines, por razões económicas, estando os terminais espanhóis mais subutilizados do que o nosso, e geográficas, não será competitivo em relação aos terminais espanhóis. Será mais prático e eficiente os metaneiros descarregarem em Bilbau e Barcelona, e, a partir daí, injetar o GN na rede europeia, do que virem a descarregar em Sines. O único porto praticamente à mesma distância da rede francesa de Sines será Huelva, todos os outros terminais espanhóis estão mais perto. E no fim do ano esses barcos até poderão vir a descarregar já mais perto da Alemanha, em Wilhelmshaven e Brunsbüttel, e em 2023 em Stade e Lubmin.
E os franceses, que nunca concordaram com o MidCat, chamam a atenção que será sempre mais barato fazer terminais de GNL mais perto do Centro da Europa e da Alemanha do que investir nas interligações referidas para levar o GN da Península Ibérica para a Alemanha e que, face às incertezas que ainda existem na produção e transporte do hidrogénio verde, é prematuro redimensionar interligações para fazer esse transporte.
Mas, numa perspetiva de reduzir na energia a quase ilha ibérica, fará sentido o reforço das interligações gasistas e elétricas, estas prioritárias para nós, entre Espanha e França.»
De Sines para a Alemanha?, Luís Mira Amaral no Expresso
Esta não é uma qualquer causa. É uma causa boa que nem precisaria dos argumentos mamários das áctivistas.
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| Technology Quarterly |
| Negócios |
Unicórnios na newspeak são as startups tecnológicas, não cotadas em bolsa, avaliadas em mais de mil milhões de dólares. De acordo com a Complete List Of Unicorn Companies da CBInsights há no total mais de 1.000. Apesar da obsessão dos mídias domésticos com os unicórnios portugueses, em boa verdade, eles são mais raros do que o lince da Serra da Malcata e ainda assim os poucos que se podem encontrar só se podem considerar portugueses se o critério for a nacionalidade de algum dos fundadores.
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| Can Silicon Valley still dominate global innovation? |
Como se pode ver nos diagramas acima, nenhuma cidade portuguesa está no mapa-mundo dos unicórnios. De facto, dos sete unicórnios portugueses recenseados pela AICEP (Farfetch, OutSystems, Talkdesk, Feedzai, Remote, SWORD Health, Anchorage Digital), um já não é classificado como tal (Farfetch que já está cotada) e os outros seis estão sedeados em cidades americanas: Boston, São Francisco (3), São Mateo e Nova Iorque.
O que a AICEP escreveu «Portugal já tem mais unicórnios que Espanha, Grécia e Itália juntos», não faz sentido porque Portugal não tem unicórnio nenhum e os nacionais dos países citados, tal como os portugueses, têm mais unicórnios do que os sedeados nesses países. É o nacionalismo ridiculamente saloio do costume muito cultivado entre nós, a começar por S. Ex..ª, o papagaio-mor do reino, e a acabar no político ou no jornalista mais incógnito.
A Dr.ª Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, é uma pessoa inteligente e bem informada e, apesar de não ter uma formação académica na área da medicina ou da biologia, tem perfeita noção que nesta área o que pode ser relevante é o sexo feminino ou masculino, isto, é a distinção entre fêmeas (cromossomas XX, sexo homogamético) e machos (cromossomas XY, sexo heterogamético), e não a orientação sexual do indivíduo a que a praga do marxismo cultural chama "género" do qual existirão cento e doze variedades, segundo os praticantes mais assanhados.
Sabendo isso, a Dr.ª Leonor Beleza numa sua entrevista ao DN no Dia da Mulher diz em determinada altura:
«Havia a utilização de modelos animais masculinos na convicção de que tanto fazia e considerando que o sexo não seria relevante para aquilo que se estivesse a estudar. Hoje, sabe-se perfeitamente que é errado, os cientistas dizem que as células têm sexo, e portanto têm diferenças, e essas diferenças têm de ser olhadas e consideradas esteja a estudar-se o que se quiser, em toda a biologia isto é extremamente relevante.»
Talvez percebendo que não mencionando a palavra mágica "género" divergiria do cânone do politicamente correcto e colocaria em risco a sua reputação na bolha da bem-pensância, a Dr.ª Leonor Beleza pôs em risco a sua inteligência salpicando o resto da entrevista com uma dezena de referências perfeitamente despropositadas a "género".
[Como já em tempos escrevi, a tropa doméstica do politicamente correcto usa a palavra "género" copiando os seus homólogos ianques, ignorando que o termo inglês equivalente a "género" em português é "genus"(do latim "genus", raça, família, origem, etc.) e não "gender". Ainda que a origem latina de ambos seja a mesma, o percurso foi diferente: genus (latim) -> gendre (francês antigo) -> gender (inglês)]
Uma continuação daqui
Durante a campanha eleitoral Ricardo Araújo Pereira a propósito e também a despropósito fez humor com algum gosto e também com mau gosto e verrina, hostilizando e ridicularizando os visados, o que fez com quase toda a gente. Em contraste, foi notória a suavidade com que tratou o pessoal do BE e especialmente visível a simpatia com que acolheu os comunistas."Isto é gozar com quem trabalha", foi assim uma espécie de tempo de antena suplementar do PCP, a pretexto de inocentes piadas que eram mais oportunidades para o convidado brilhar.