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16/04/2026

Dúvidas (366) - Qual o efeito na natalidade das políticas de promoção da natalidade? (II)

Continuação de (1)

Em retrospectiva: uma das bandeiras do nativismo é o aumento da natalidade para combater a "Grande Substituição", uma modalidade das míticas ameaças externas a que todos os ideários autocráticos recorrem. O governo húngaro de Viktor Orbán foi um dos que mais apostaram na engenharia demográfica e gastou 6% do PIB da Hungria com vários incentivos, incluindo uma isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento das mães com mais de um filho.

Fonte

Confirmando que a engenharia social da direita é tão inútil como a de esquerda (e às vezes mais nociva), os resultados das políticas de promoção da natalidade da Hungria (e da Polónia até há dois anos) para evitar o que a extrema-direita magiar chamou nemzethalal (extinção nacional) - o equivalente à "Grande Substituição" (Grand Remplacement, Great Replacement) - não estão à altura das expectativas do pensamento milagroso nativista.

________________

Post scriptum (ou post mortem)

Este post era para ser publicado durante a vigência do governo de Viktor Orbán. Provavelmente continuará a ter actualidade, uma vez que o novo governo húngaro de Péter Magyar parece adoptar as mesmas políticas. Mesmo assim, não me digam que é mais do mesmo (ainda que possa ser). Ao menos é uma questão de higiene porque, como escreveu Eça, ainda que um governo não tenha de cair - porque não é um edifício, tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!

22/11/2025

Dúvidas (362) - Qual o efeito na natalidade das políticas de promoção da natalidade? (I)

Uma das bandeiras do nativismo é o aumento da natalidade para combater a "Grande Substituição", uma modalidade das míticas ameaças externas a que todos os ideários autocráticos recorrem. Na UE há dois países que adoptaram políticas para aumentar a fecundidade: a Polónia e a Hungria. O governo de Viktor Orbán gasta 6% do PIB da Hungria com esse propósito, que inclui uma isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento das mães com mais de um filho.

Os resultados não são encorajadores. Na Hungria o número de nascimentos (77.500) o ano passado foi o mais baixo de sempre e a taxa de natalidade de 1,38 foi a mais baixa desde 2014. Na Polónia, o ano passado a taxa de natalidade foi de 1,1, pouco mais de metade em relação a 1990 (1,9).

Fonte

Quando comparados com os restantes países da UE que não adoptaram activamente essas políticas, os resultados não são muito diferentes. Por exemplo, vários países vizinhos têm até taxas de fecundidade superiores: Chéquia (1,46), Croácia (1,47),  Eslováquia (1,49), Eslovénio (1,51), Roménia (1,54), Bulgária (1,81). 

(Continua)

13/09/2025

A Humanidade vai encolher e o Portugal dos Pequeninos não é excepção

Humanity will shrink, far sooner than you think

A taxa de fecundidade geral (total fertility rate) é o «número de nados vivos observado durante um determinado período de tempo, normalmente um ano civil, referido ao efetivo médio de mulheres em idade fértil (entre os 15 e os 49 anos) desse período (habitualmente expressa em número de nados vivos por 1000 (10^3) mulheres em idade fértil).» (INE) Estima-se que uma TFG de aproximadamente 2,1 filhos por mulher constitua o nível de substituição suficiente para manter uma população estável sem migração e que nesta altura apenas cerca um terço da população do mundo vive em países com essa taxa de fecundidade.

Portugal (Pordata)

Como o gráfico mostra, em Portugal desde os anos 80 que a taxa de fecundidade está abaixo do nível necessário para manter o população constante sem migração. 

Porque está isto a acontecer em quase todos os países desenvolvidos? Por várias razões, sendo geralmente aceites as seguintes: os sistemas de segurança social tornam menos importante ter filhos para prevenir o futuro, a redução da mortalidade infantil tornou desnecessários ter uma reserva de filhos, a crescente profissionalização das mulheres e a sua ascensão social reduziram drasticamente a disponibilidade para ter filhos, com a ajuda de um acesso fácil a contraceptivos e da despenalização legal e moral do aborto.

Há quem imagine que uma engenharia social com políticas "adequadas" e uma intervenção mais forte do Estado sucial seria possível reverter a situação. É no mínimo duvidoso que um Estado que historicamente contribuiu para diminuir a fecundidade esteja agora em condições de contribuir para a aumentar contrariando uma tendência possivelmente irreversível.

20/07/2025

ESTÓRIA E MORAL: Segundo o áctivismo, a discriminação pode ser má ou pode ser boa

Estória

O que têm em comum (1) Jasper Ceylon, um entre vários outros pseudónimos literários de um canadiano, (2) Michael Derrick Hudson, um bibliotecário de Indiana, e (3) Aaron Barry, um professor de inglês de Vancouver, além de serem brancos da classe média que tentaram sem sucesso publicar os seus poemas ou novelas?

Para conseguirem ser publicados uns inventaram personas, tais como membro de género fluido da diáspora nigeriana ou Ye-Fen Chou, todos eles se apresentaram como espécimenes de minorias raciais ou sexuais e conseguiram não apenas que os seus trabalhos fossem rapidamente publicados, alguns deles deliberadamente de má qualidade literária, como todos obtiveram prémios de literatura. 

Têm ainda em comum ter contados as suas estórias pessoais ao jornalista River Page que as publicou em The Free Press sob o título "The White Man Who Pretended to Be Black to Get Published".

Moral

Se pensavam que discriminação racial consistiria em os membros de um grupo humano usufruírem de vantagens por essa pertença e, por isso a consideravam má, pensem duas vezes. Se os grupos discriminados forem brancos a discriminação é boa. 

26/04/2025

Trump não está a desinfectar as universidades da influência ideológica "woke", está a infectá-las com a ideologia MAGA

Primeiro, a administração Trump congelou USD 250 milhões do financiamento de projectos de investigação biomédica à Universidade de Columbia e anunciou que cortaria todos os outros financiamentos. Dias mais tarde, os US National Institutes of Health (NIH) informaram a universidade que deixariam de pagar os salários dos investigadores em todos os projectos em curso. (fonte Science)

A seguir foi a vez das universidades Harvard, Brown, Northwestern Cornell e da Faculdade de Medicina Weill-Cornell a quem os NIH congelaram todos os financiamentos e o ministério da Saúde, do qual dependem os NIH, instruiu-os para não fornecerem nenhuma informação sobre o congelamento e os motivos. (fonte Science)

Essas universidades fazem parte de uma lista de 60, muitas delas privadas, que a administração Trump considera não terem reprimido o discurso "anti-semita" e terem adoptado os programas DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão). Não será necessário lembrar que da maioria dessas universidades sai o essencial da investigação em diversos domínios científicos o que, só por si, tem garantido a superioridade da ciência e da tecnologia americanas.

A universidade de Harvard instruiu os seus advogados (dois advogados republicanos de topo) para responderem acusando o governo de violar as garantias constitucionais das liberdades relativas à religião, expressão, reunião e direito de petição.  

«It is unfortunate, then, that your letter disregards Harvard’s efforts and instead presents demands that, in contravention of the First Amendment, invade university freedoms long recognized by the Supreme Court. The government’s terms also circumvent Harvard’s statutory rights by requiring unsupported and disruptive remedies for alleged harms that the government has not proven through mandatory processes established by Congress and required by law. No less objectionable is the condition, first made explicit in the letter of March 31, 2025, that Harvard accede to these terms or risk the loss of billions of dollars in federal funding critical to vital research and innovation that has saved and improved lives and allowed Harvard to play a central role in making our country’s scientific, medical, and other research communities the standard-bearers for the world.»

Dias depois Harvard processou o governo em tribunal pelo corte de USD 2 mil milhões. 

É claro que depois de uma década de "wokismo" em que todos dias a First Amendment foi desrespeitada pelo áctivismo com a complacência da direcção de Harvard esta não tem moral para apontar o dedo ao Trumpismo. Quem tem o direito de censurar ambos é quem defende o direito de livre expressão.

14/06/2024

SERVIÇO PÚBLICO: As sociedades avançadas podem não estar em extinção demográfica como parecem (2)

Continuação de (1) 

No post anterior citei o estudo The Economics of Fertility: A New Era de Matthias Doepke e outros, de de 2022, onde se concluía que já neste século a taxa de fertilidade aumentou nos países mais desenvolvidos apesar do crescimento da taxa de emprego de emprego feminino. Há certamente várias causas, apesar do estudo explicar o aumento da taxa  de fertilidade como consequência da maior facilidade de compatibilizar emprego e maternidade em resultado de mercados de trabalho flexíveis, homens partilhando os trabalhos domésticos, normas sociais favoráveis e boas políticas de família como creches subsidiadas e licenças parentais.

Um outro estudo posterior (A new era in the economics of fertility) do Centre for Economic Policy Research confirma que a correlação negativa entre riqueza e taxas de fertilidade se alterou e na OCDE existe agora uma correlação positiva entre o PIB per capita e a fecundidade, por um lado, e taxa de emprego de emprego feminino, por outro.

Considerando também os dados sobre a despesa pública em creches e educação pré-escolar e a participação masculina no trabalho doméstico, o estudo concluiu: 
«A clara associação entre países das taxas de fecundidade com medidas de compatibilidade família-carreira mostra que a fecundidade ultrabaixa não é um destino inescapável, mas um reflexo das políticas, instituições e normas predominantes em uma sociedade. Novas pesquisas sobre como essas características determinam as taxas de fertilidade podem ajudar a apontar o caminho para um futuro que evite a trajetória atual de famílias cada vez menores e populações gradualmente decrescentes.»

Sendo certo que a imigração tem um impacto nalguns países significativo, não há evidência de que o aumento das taxas de fecundidade nos países desenvolvidos resulte exclusiva ou principalmente da imigração.

Economist

Veja-se, por exemplo, no mapa acima que países com uma imigração reduzida (como os países bálticos, Finlândia, Irlanda, República Checa, Roménia e Bulgária) têm taxas de fertilidade mais elevadas do que países em que a imigração tem um peso maior (como Espanha e Itália). 

10/02/2024

"Diversity" from the point of view of Evolutionary Psychology

«As a psychologist and chief human-resources officer I struggled with DEI for decades. My concerns are not about the need, but about the methods. Much of what is being done in the name of DEI oversimplifies the problem of bias and lacks a fundamental understanding of human behaviour. This has led to unrealistic expectations about what it should or can accomplish.

Bias is hardwired into the human brain. Evolution has made us prefer what is similar, known and familiar (in other words safe) and to be cautious about what is different (or perhaps unsafe). Our bias for the familiar extends beyond people. Our brains automatically and unconsciously pull our attention towards perspectives, ideas, data, music, food, literature, and so on, that are similar and familiar, and away from the very same things when they are different and unfamiliar.

As practised today, 
DEI promotes a mistaken belief that setting noble expectations, creating awareness, making conscious behavioural decisions and rebuking those who don’t change can flip a switch to produce unbiased brains. DEI thinks bias is a matter of will, which runs counter to the past 50 years of social-science research. If changing our behaviour were that easy, people would exercise regularly, never experience marital conflict, retire with robust pensions and still be reading the only diet book ever published.

There are real issues to be addressed: companies do need more diversity of perspective and underrepresented groups do need more opportunities. But organisations must rethink their methods by drawing more on social science and less on social activism. No amount of social idealism will rewire millions of years of neural evolution.»


Scott Simmons
Denver

[Read in Letters to the Editor of The Economist;
For those who may not be familiar with leftist patois, “DEI” stands for “Diversity, equity, and inclusion”]

15/10/2023

Dúvidas (365) - Qual o impacto das políticas demográficas do "familismo" nacionalista?

O mês passado o Dr. Orbán organizou mais uma "cimeira demográfica", um evento bienal que tem lugar desde 2015 dedicado ao "familismo" que a direita conservadora europeia pretende substituirá o feminismo, e, promovendo a natalidade, tornará supérflua a imigração.

Para tal, no caso da Hungria o governo do Fidesz, no poder há 13 anos, vem tomando medidas para promover a família e aumentar a natalidade, tais como as mulheres com quatro filhos beneficiam de isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento, os pais podem pedir empréstimos que vão sendo anulados à medida que têm filhos, as clínicas de tratamento de fertilidade foram nacionalizadas, etc.

Dados da PORDATA

Esperavam os ideólogos desta engenharia social que dela resultasse um aumento significativo de natalidade, mas a demografia não parece comover-se com tais desígnios. Comparando a taxa de fecundidade geral (número de nascimentos por cada 1000 mulheres em idade fértil, ou seja, entre os 15 e os 49 anos de idade) da Hungria a partir do início do consulado do Dr. Orbán em 2010 houve um aumento, contudo, nada garante que seja sustentável como mostram os exemplos de muitos outros países que após um aumento viram a natalidade regressar aos valores mais baixos. De resto, foi isso mesmo que aconteceu com a Hungria que entre 1971 e 1975 viu a taxa de fecundidade subir de 56 para 73 e nos anos seguintes cair para 37. Ainda assim, os valores estão claramente abaixo de vários outros países como a Dinamarca e os Países Baixos que não têm uma abordagem ideológica nem praticam engenharia social, simplesmente no caso da Dinamarca as famílias com filhos pequenos dispõem de apoios financeiros.

30/04/2023

Para quem acha que a discriminação positiva é uma medida socialmente justa e eficaz, mais importante do que o acesso de mulheres da classe média-alta aos boards das grandes empresas, deveria ser discriminar positivamente os jovens pobres portadores de cromossoma XY

«Há uma dimensão final de desigualdade nos dados da saúde. A vasta maioria destas mortes por desespero é de jovens homens. Um facto conhecido é que a taxa de suicídio entre os homens é cerca de três vezes maior do que entre as mulheres. Também nas outras mortes de desespero, por overdose, armas ou acidentes de viação, os rapazes dominam com grande distância.

O livro “Of Boys and Men”, do escritor Richard Reeves (que urge traduzir em português), documenta sistematicamente a doença sistémica que atravessa os rapazes, sobretudo das classes mais desfavorecidas, nas sociedades modernas. Hoje, eles têm bastante menos anos de educação do que elas, são incapazes de ter um emprego ou uma relação estáveis, vivem consumidos por doenças mentais e eventualmente perdem a vida como jovens adultos de formas estúpidas e desesperadas. Nos dados da Universidade de Brown revelados há uns dias as hipóteses de um rapaz entrar são 50% maiores do que uma rapariga, tão poucos são os rapazes que se candidatam e tão esforçada está a universidade em ter uma turma com equilíbrio de género. A desigualdade entre rapazes e raparigas está fortemente relacionada com a classe social. Nas crianças de famílias no top 10% da distribuição de rendimentos nos EUA a diferença entre a taxa de frequência na universidade de raparigas e rapazes é de 5 pontos percen­tuais. Já nos 10% mais pobres a fração de raparigas que vai para a faculdade é 16 pontos percentuais maior.»

Ricardo Reis

[Esclarecimento: não preconizo a discriminação positiva em geral como medida socialmente justa e eficaz; em particular, isso dependerá da discriminação em causa.]

13/02/2023

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Estado sucial ocupado pelo PS é uma vaca marsupial pública

«É uma ilusão pensar que o Estado é, em Portugal, enorme, pesado e forte. Talvez seja enorme. Pesado é certamente. Forte é que não é seguramente. Alvo de predadores. Isco de caçadores. Pretexto de manobradores. E pedaço para gananciosos. Qualquer dos epítetos lhe serve. Forte é que não. Instrumento de poderosos. Volúpia de minorias. Burocracia de insaciáveis. Ferramenta dos mais fortes. Protecção dos estabelecidos. Tudo lhe serve. Forte é que não. Volúpia dos democratas. Lascívia dos autoritários. Sonho dos ditadores. E encanto dos Republicanos. Qualquer imagem lhe fica bem. Forte é que não. Cão de fila dos ricos. Esperança dos fracos. Paraíso dos racionalistas. Sonho dos fantasiosos. Também estes rótulos se lhe aplicam. Forte é que não.

Não tenhamos dúvidas: o governo, os sucessivos governos destruíram a força do Estado, decapitaram-no, amordaçaram-no, liquidaram a sua isenção e definharam a sua inteligência. Além de terem atrofiado, activa ou passivamente, a sua mais nobre função, a da administração da Justiça.

Há em Portugal um clima de cortar à faca, aquele onde se sente a corrupção, onde se vive da cunha, onde se julga que a democracia é o poder discricionário de quem tem os votos. Os últimos episódios de nomeação, demissão e substituição apressada de ministros, secretários de Estado, assessores, conselheiros, Altos funcionários, directores e administradores, são reveladores de desorientação. Ainda estamos longe da “noite das facas longas”, mas o ambiente é de terror. Só não há mais fugitivos, porque todos sabem, ou esperam, que a justiça não funcione. Como tem sido o caso.»

António Barreto no Público e no seu blogue Jacarandá

(Vaca marsupial pública)

24/11/2022

Affirmative action is a distraction from broken social elevator and legacy admissions in American college are unfair

«Affirmative action in American college admissions may be about to end. On October 31st the Supreme Court heard two cases in which lawyers argued that the current practice—which allows universities to favour applicants of some races over others—violates civil-rights laws and the constitution. Judging by the sceptical questioning of the conservative justices, who thanks to Donald Trump now command a majority, the question is not whether such preferences will be restricted, but whether they will survive at all.

For more than 40 years the court has allowed some positive discrimination. But it has done so with discomfort. Too-obvious tactics like racial quotas, or awarding points for skin colour, were ruled excessive. The compromise was to consider race as one part of “holistic admissions” in a way that made its weight hard to discern. In 2003 Justice Sandra Day O’Connor declared the practice ought to be time-limited, expecting it to be unnecessary 25 years from then. If the court rules as expected in June 2023, five years ahead of Ms O’Connor’s schedule, there will be some sorrow, but hardly the same backlash as met the overturning of the right to abortion set in Roe v Wade. Surveys show that majorities of African-Americans, Californians, Democrats and Hispanics all oppose the use of race in college admissions (and in other areas). The demise of this unpopular scheme will offer a chance to build something better.

A diversity of backgrounds in elite institutions is a desirable goal. In pursuing it, though, how much violence should be done to other liberal principles—fairness, meritocracy, the treatment of people as individuals and not avatars for their group identities? At present, the size of racial preferences is large and hard to defend. The child of two college-educated Nigerian immigrants probably has more advantages in life than the child of an Asian taxi driver or a white child born into Appalachian poverty. Such backgrounds all add to diversity. But, under the current regime, the first is heavily more favoured than the others.

14/09/2022

SERVIÇO PÚBLICO: As sociedades avançadas podem não estar em extinção demográfica como parecem

Coincidindo com a entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho e a generalização da pílula anticoncepcional, dois fenómenos interrelacionados e o primeiro claramente associado ao crescimento económico (ver o diagrama seguinte), as taxas de fertilidade começaram a baixar dramaticamente.

Women’s History Month: U.S. women’s labor force participation

Porém, um estudo recente (Doepke et alia, The Economics of Fertility: A New Era, Working paper, NBER, April 2022) parece mostrar que neste século essa relação se alterou.

In rich countries, working women and more babies go hand in hand

Nos países mais desenvolvidos tornou-se mais fácil compatibilizar o emprego e a maternidade pelo que a taxa de fertilidade aumentou. Diferentemente, em países como a Itália ou a Espanha, as mulheres continuaram a trabalhar menos e a ter menos filhos.

Segundo o estudo, isso resulta principalmente de: mercados de trabalho flexíveis, homens mais partilhando os trabalhos domésticos, normas sociais favoráveis e boas políticas de família como creches subsidiadas e licenças parentais.

03/11/2021

Mitos (316) – Os meninos são iguais às meninas (REPUBLICAÇÃO)

Gavin Newsom, um darling progressista governador da Califórnia que escapou em Setembro a um recall que visava a sua demissão por incompetência na resposta à pandemia, assinou em Outubro uma lei que obriga a partir de 2024 os grandes retalhistas com mais de 500 empregados a criar nas suas lojas, além das secções de "meninos" e "meninas", uma secção de brinquedos «gender-neutral». (Los Angeles Times) 

Há uns anos escrevi um post sobre este tema que, por se manter actual, agora republico. Aqui vai ele: 

Os meninos são iguais às meninas? Só se forem os meninos gays, que para efeitos práticos não são meninos. Durante décadas, desde que existe a Lego, 90% das vendas dos seus brinquedos foram para rapazes. Para as vendas de brinquedos para raparigas atingirem 25% do total foi preciso a Lego lançar o «Lego Friends».

Um defensor da tese das diferenças entre sexos (e não entre géneros, como diz essa tralha do politicamente correcto, porque género são todos do homo sapiens) se deverem à nurture e não à nature, ao saber daquele facto e olhar para a caixa do Lego Friends se não mudar de ideias deveria bater com a sua atrapalhada mona cem vezes na parede.



Se não bastasse a experiência da Lego, poderíamos acrescentar a da Hasbro que para vender bonecas aos rapazes teve que inventar o GI Joe e os bonecos Star Wars, e para vender brinquedos para rapazes às raparigas teve que os redesenhar, introduzindo temas femininos e, claro, dar-lhes tons cor-de-rosa.

21/03/2021

"Eles não percebem o mal que fazem". Talvez percebam, mas estão lá para tratar das suas vidinhas e não para se inquietarem com o bem ou com o mal

«Pasme-se! Em plena pandemia, de confinamento em confinamento, entre mortos e infectados, com boas e más notícias sobre as vacinas, num raro clima de incerteza e fragilidade, os deputados dedicaram muitas das suas atenções, algum trabalho, uma boa reserva de energia e muita polémica para aprovar uma lei sobre a eutanásia e o suicídio medicamente assistido. Não havia tempo menos indicado, momento mais desajustado e oportunidade mais perversa do que esta. Eles não percebem o mal que fazem. Eles não entendem o mau exemplo que dão. Eles não se interessam pelos resultados morais de uma tal atitude de brutalidade chocante. É quase obsceno. Provocatório, de qualquer modo. 

Um tema como este, da vida e da morte, que implica a liberdade individual, que põe em causa as escolhas pessoais, que altera as regras da justiça, que toca no fundo moral dos cidadãos, que atinge os sentimentos religiosos de muitos, que define os termos da compaixão, que obriga a uma reflexão profunda sobre a Constituição, que põe em causa a licitude de regras legais e que cria obrigações para as instituições, um tema como este, dizia, é discutido em estado de emergência e é votado quando se morre a mais! Eles não sabem o que fizeram. Eles não se dão conta das consequências dos seus gestos.  (...) 

O valor da inviolabilidade da vida humana não é respeitado pela eutanásia, dado que alguém tem de agir contra a vida de outrem. O mesmo valor é respeitado pelo suicídio assistido, dado que ninguém atenta ou viola a vida de alguém. Ao contrário da eutanásia, o suicídio assistido não atenta contra a inviolabilidade da vida humana.»

Excerto de Morrer bem, António Barreto fazendo o indispensável distinguo entre eutanásia e o suicídio assistido 

13/09/2020

Dúvidas (318) - Para que serve a disciplina de Cidadania?

Público
Se a foto não for uma resposta definitiva à dúvida, recorde-se que nessa disciplina os alunos podem ainda estudar a identidade de género em manuais com duas centenas de páginas, escolher um dos cento e doze géneros com que preferem identificar-se e interrogar-se sobre se a sua família está de acordo com o modelo berloquista.

O que fazer aos pais refractários? Por exemplo impedir que os seus filhos frequentem o ensino universitário, sugere uma juíza. Se o Dr. Salazar se tivesse lembrado de uma solução como esta para os filhos dos oposicionistas que não queriam que os seus rebentos frequentassem a Mocidade Portuguesa e a disciplina de Religião e Moral teria evitado que as universidades se enchessem de contestatários e o Estado Corporativo poderia ter sobrevivido mais uns tempos em vez de ter desabado e ser substituído por um Estado Sucial ocupado por filhos de oposicionistas, agora novos situacionistas.

09/02/2020

Está na hora de lançar uma nova etapa na luta pela "paridade de género"

Expresso
A engenharia social inventada pelo politicamente correcto (ou marxismo cultural) é uma luta sem fim. Primeiro promove-se um "género" ("sexo" em português arcaico), faz-se "discriminação positiva" estabelecem-se quotas, etc. para equilibrar as coisas. De seguida constata-se que afinal as coisas ficaram outra vez desequilibradas e pode-se iniciar uma nova etapa, e assim sucessivamente até ao fim dos tempos.

De passagem, e a propósito, acrescento uma nova entrada no Glossário das Impertinências:

Cientistas do Estado
Uma classe de funcionários públicos com emprego vitalício, geralmente doutorados, que se dedicam a uma actividade a que chamam investigação que produz papers, às vezes publicados, e, parece, até há notícia de patentes registadas que um dia poderão vir a ser usadas, ninguém sabe em quê e como.

30/01/2020

CASE STUDY: O falhanço do feminismo como engenharia social

Com base nos inquéritos do PISA, a OCDE publicou um estudo sobre as aspirações de carreira profissional dos adolescentes de onde extraí o quadro seguinte.

Dream Jobs? Teenagers' Career Aspirations and the Future of Work

Este quadro mostra-nos duas coisas: (1) em dezoito anos as preferências dos adolescentes mantiveram-se relativamente estáveis, mais nos rapazes do que nas raparigas e (2) como sabe qualquer pessoa não contaminada pelas ideologias da identidade de género e do politicamente correcto, as preferências dos sexos continuam perfeitamente diferenciadas, apesar da imersão num ambiente escolar e social onde se pretende moldar as meninges dos jovens à medida dessas ideologias.

24/09/2019

SERVIÇO PÚBLICO: As vacas do Senhor Reitor

Rita Carreira no Destreza das Dúvidas, alinha vários argumentos para mostrar o absurdo e falta de fundamento científico da ejaculação ambiental do Senhor Reitor da Universidade de Coimbra ao proibir o consumo de carne nas cantinas da universidade.

Entre esses argumentos destaco o facto de as emissões resultantes da agricultura (das quais só uma parte deriva da criação de gado) representarem apenas uma pequena parte (menos de um quinto) das emissões resultantes do uso dos combustíveis líquidos principalmente pelos veículos. De onde poderia fazer mais sentido obrigar os estudantes de famílias de melhores posses - que na sua maioria até nem comem nas cantinas - a circularem de bicicleta do que impedir os estudantes tesos de comer uns bons bifes nas cantinas.

Bifes que lhes proporcionariam vitamina B12 e outras substâncias que os ajudariam a ficar menos estúpidos, não se embebedando até ao coma alcoólico enquanto largam toneladas de lixo nas ruas de Coimbra e não elegendo dirigentes da Associação Académica que consideram os seus associados «em parte cérebros da sociedade» (posso concordar em parte que são representativos de uma sociedade já de si pouco inteligente, como mostram as suas elites merdosas).

Les vaches qui rient de M Le Recteur
Conclui Rita Carreira, e eu com ela, apesar de me ter formado noutras universidades (a UT de Lisboa e a da Vida, esta ainda frequento):

«Com esta medida, o reitor apenas indicou que não conhece o método científico, não acredita na liberdade de escolha, desconhece os problemas ambientais, e nem tem confiança na capacidade analítica dos investigadores da universidade que lidera. Um óptimo líder português, portanto. 

Declaração de conflito de interesse: formei-me na Universidade de Coimbra, mas, felizmente, o Reitor era outro.»

20/09/2019

ACREDITE SE QUISER: Questões do género estúpido

«Liisa Galea, directora do programa de pós-graduação em neurociência da Universidade da Columbia Britânica, pesquisa como as hormonas sexuais influenciam a saúde cerebral e a doença em homens e mulheres. O seu pedido de financiamento para estudo de um tema de saúde das mulheres, foi rejeitada pelo financiador "citando a necessidade de incluir participantes do sexo masculino", escreveu Galea em um artigo publicado recentemente. Um colega dela teve um problema semelhante, acrescentou, e foi-lhe pedido para fazer um estudo masculino em relação à inflamação da placenta, que se desenvolve durante a gravidez e só é encontrada em mulheres.» (Ozy)

Além dos 71 (setenta e um) géneros já recenseados pelos esquizofrénicos do género devemos acrescentar um outro transversal: o género estúpido.