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10/09/2019

CASE STUDY: Trumpologia (49) - A NOAA podia ter aplicado o princípio de Kahn

Mais trumpologia.

«Commerce Secretary Wilbur Ross threatened to fire top employees at the National Oceanic and Atmospheric Administration after the agency contradicted President Trump’s claim that Hurricane Dorian might hit Alabama, according to three people familiar with the discussion.

That threat led to NOAA’s release later of an unusual statement disavowing the agency’s own position that Alabama was not at risk.» (NYT)

O Donaldo a forjar mapas e a obrigar uma agência independente a distorcer o seu trabalho científico é uma espécie de um Josef Stalin eleito a mandar apagar as fotos dos que tinha mandado liquidar. Já vimos isto muitas vezes na história e em nenhuma acabou bem.

O inimigo do nosso inimigo não é necessariamente nosso amigo. Pode ser mais outro inimigo.

Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, foi por este repreendido por ter-se referido publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».

19/10/2016

Um governo à deriva (29) - O mundo é composto de mudança ou o socialismo, o crescimento, a austeridade e o bater o pé a Bruxelas é o que o Costa precisar (II)

Continuação por outras palavras deste post e de (I).

«Nós temos que ter consciência de que vivemos em casa, nas empresas, nas famílias, no governo, com restrições orçamentais que não são necessariamente coisas más, são coisas que temos que trazer para o nosso dia-a-dia e algumas dessas questões prendem-se precisamente com a compreensão de que existem essas restrições.»

Estas palavras não foram ditas em em 2011 ou 2012 por Vítor Gaspar, o ministro das Finanças do governo «neoliberal», como lhe chamaram os retardados mentais. Estas palavras foram ditas em entrevista ao negócios por Mário Centeno. o ministro das Finanças do governo que acabaria com a austeridade e iniciaria um ciclo virtuoso de crescimento.

«A revisão em baixa das metas de crescimento ajudaram o ministro das Finanças a apresentar um Orçamento que agrada aos partidos de esquerda que apoiam o governo e cumpre as exigências europeias. Menor andamento da economia em 2016 e 2017 agrava distância para o produto potencial e favorece ajustamento estrutural. À primeira vista, os números de Mário Centeno cumprem consolidação mínima.»

Estas palavras não foram ditas em 2015 por um assessor qualquer ao serviço de Maria Luís Albuquerque para justificar o crescimento medíocre de 0,9% em 2014. Estas palavras foram escritas por um jornalista de causas do semanário do regime ao serviço da geringonça para explicar que com ela «há males que vêm por bem. No Orçamento do Estado para 2017, o ditado cai que nem uma luva. O governo vai falhar a meta de crescimento do PIB este ano - contava com 1,8% e agora aponta para 1,2%». E começou por ser o dobro (2,4%) no documento «Uma década para Portugal» dos 12 pastorinhos.

Tudo isto evoca, se não já George Orwell e a sua newspeak, pelo menos um Alfred Kahn idiotizado. Idiotizado porque o Kahn real, censurado pelo presidente Carter por ter previsto em público em 1978 uma provável depressão da economia americana, teve o humor e a independência de espírito suficientes para na intervenção seguinte dizer que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».

22/02/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (20)

Outras avarias da geringonça.

Esta semana tivemos a continuação de duas das novelas com que a geringonça se tem enovelado.

Percebe-se agora melhor porque a esquerdalhada mais patusca insiste em chamar à TAP uma «companhia de bandeira». Só esta semana a TAP já serviu de bandeira ao chefe da geringonça e ao socialite portuense metamorfoseado de socialista autárquico que deram as mãos numa estratégia win-win-lose (será preciso explicar a quem cabe por sorte o terceiro termo?).

Numa campanha, ao melhor estilo trauliteiro, talvez inspirado no presidente Pinto da Costa, Rui Moreira foi desenterrar num panfleto a compra da Portugália para acusar a TAP de a «desfazer». Podia ter aproveitado para nos explicar porque diabo foi a companhia de bandeira comprar ao GES há 7 anos, em pleno consolado Sócrates, quando a TAP já tinha uma montanha de dívida (e o GES também, mas naquela altura ainda ninguém tinha dado por isso), um operador de vão-de-escada que nada lhe acrescentou.

14/02/2016

CASE STUDY: Centeno e o princípio de Kahn

Não vou escrever sobre a frase fatal de Mário Centeno em entrevista ao Diário de Notícias («quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada») que indignou as hostes da indignação. Não escrevo por várias razões, a começar porque é verdade: nove em cada dez agregados familiares têm menos de 27.500 euros de rendimento anual (Pordata) - agregados familiares que, note-se, na maioria dos casos, têm duas pessoas com rendimentos do trabalho.

Em vez disso, escrevo sobre a preferência que Centeno confessou explicitamente ter por «restrição» em vez austeridade. Exemplos: «o objetivo é conseguir uma redução gradual dentro daquilo que a restrição orçamental nos permite»; «essa restrição orçamental teve de ser ainda mais ajustada atendendo àquilo que foram medidas tomadas em 2015, com incidência em 2016, que obrigaram o governo a definir mais medidas de incidência fiscal».

O que me fez lembrar Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, que foi por este repreendido ao referir-se publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse «we're in danger of having the worst banana in 45 years». Centeno evocou-me Kahn por más razões: num insólito desdobramento de personalidades desempenhou simultaneamente o papel de Carter e de Kahn fazendo-se a si próprio de idiota útil.

11/05/2014

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: O requentado gosto pelo eufemismo na linguagem e pelo nacional-graxismo dos políticos portugueses

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, fez o favor de alertar os avestruzes dos políticos portugueses a propósito da tão celebrada «saída limpa» de que «se correr mal, esqueçam o cautelar, terão de pedir outro programa».

Para Santana Lopes, um paradigma do melhor e do pior que tem para nos oferecer o PSD, as palavras de Dijsselbloem são «esdrúxulas» e «infelizes». Eu diria mesmo mais, as palavras de Lopes são, por seu turno, paroxítonas ou graves e um exemplo de falta de coragem e do graxismo endémico dos nossos políticos.

28/05/2012

ESTÓRIA E MORAL: Não se pode dizer a verdade às vítimas de desgraças autoinfligidas

Estória

Segundo estimativas do banco central grego, a evasão fiscal em 2010 terá sido equivalente a cerca de um terço da receita fiscal e seria suficiente para anular o défice desse ano.

Numa entrevista ao Guardian, Christine Lagarde disse a propósito da situação grega: «As far as Athens is concerned, I also think about all those people who are trying to escape tax all the time. … I think of them equally. And I think they should also help themselves collectively. By all paying their tax

Num universo paralelo não infectado pela doutrina do politicamente correcto pretendendo irresponsabilizar pela infantilização as vítimas de desgraças autoinfligidas, as declarações de Lagarde seriam recebidas com um bocejo de indiferença. No mundo real os sound bites de indignação teatral fizeram-se logo ouvir, desde Venizelos do PASOK (uma espécie de Tozé grego) a Tsipras (uma espécie de tele-evangelista grego) do Syriza, ao porta-voz de Hollande.

Por razões desconhecidas, a esquerda doméstica ainda está a ruminar o assunto e ainda não ouvi reacções.


Moral

Lagarde deveria ter respeitado o princípio de Kahn (*) e, em lugar do que disse, dizer: «As far as Athens is concerned, I also think about all those people who are trying to escape bananas all the time. … I think of them equally. And I think they should also help themselves collectively. By all eating bananas

(*) Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, foi por este repreendido por ter-se referido publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».

26/04/2012

BREIQUINGUE NIUZ: Portugal precisará de reestruturar a dívida, garante uma agência amiga

«Para pagar os juros, para pagar e reduzir a dívida, Portugal não pode crescer a taxas baixas, tem de crescer a taxas relativamente elevadas e, portanto, tem de procurar crescimento na ordem dos 4 a 5% para conseguir definitivamente dar a volta à situação», disse José Poças Esteves na apresentação do relatório trimestral da SaeR.

Parafraseando Alfred Kahn, assessor do presidente Carter repreendido por ter previsto em 1978 uma depressão, é como se a SaeR tivesse dito «we're in danger of having a banana soon».

A SaeR deve ser, pois, o que os detractores das agências de notação chamariam uma agência amiga. A diferença entre amigas e inimigas é que estas vão direitas ao assunto.

05/02/2011

DIÁRIO DE BORDO: O fim de Alfred Kahn

Com grande atraso, aqui se regista a morte de Alfred Kahn, de cujo nome o (Im)pertinências se apropriou para baptizar o princípio de Kahn. Ver aqui um obituário do economista e regulador que desregulou o transporte aéreo americano e com isso mudou o mundo.

27/05/2010

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: A realidade financeira virtual não tem becos nem paredes

Secção Com a verdade me enganas

Fernando Ulrich, presidente do BPI, é um homem com reputação de falar claro ou, como ele diz, falar de forma «rústica», ou como a ele se referiu João Salgueiro no mesmo dia, um homem que não varre o lixo para debaixo do tapete, como costumam fazer os seus colegas banqueiros. À sua maneira rústica Ulrich avisou que «o dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. E bater na parede significa, por exemplo, a intervenção do FMI».

Ricardo Salgado, o chefe dos Espíritos, seguramente não é rústico. Pelo contrário, o seu discurso é tão elaborado, ambíguo, redondo e cinzento que tanto pode significar uma coisa como o seu contrário. A não ser, como foi agora, quando no seu papel de banqueiro do regime se assume como bombeiro dos fogos ateados pelas palavras «incendiárias» (Sócrates dixit) de Ulrich. Neste caso, ele foi claro a garantir que «não estamos num beco sem saída, nem vamos contra a parede». Só não explicou como essa garantia resulta duma situação que segundo as suas próprias palavras se caracteriza pelo mercado interbancário fechado pelo que «se formos agora buscar financiamento de médio e longo prazo, com estes spreads, não conseguimos financiar a economia».

Quatro afonsos atrasados para Fernando Ulrich, pela tesura, e cinco urracas para Ricardo Salgado, pela falta dela; já que estou com a mão na massa leva também quatro chateaubriands por imaginar que modifica a realidade com o discurso (vê-se logo que está condenado a entender-se bem com José Sócrates).

17/07/2009

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: saldos e promoções no socialismo pós-moderno

Não sei se já estava em vigor o neo-liberalismo de que se queixa a esquerdalhada quando o governo aprovou e o PR referendou o Decreto-Lei n.º 70/2007 de 26 de Março que «regula as práticas comerciais com redução de preço nas vendas a retalho». Este diploma «visando a defesa do consumidor» (1) vem regulamentar, de forma que faria inveja à economia soviética (2), coisas como a proibição de saldos fora dos períodos de 28 de Dezembro-28 de Fevereiro e 15 de Julho-15 de Setembro, entre outras próprias dessa economia.

Pragmaticamente o Cortefiel e a Lanidor, entre outro, adoptaram o princípio de Kahn e chamaram promoções aos saldos (3) que fizeram em Junho.

NOTAS:

(1) No socialismo pós-moderno o consumidor é defendido criando obstáculos à concorrência e ao abaixamento dos preços.

(2) Isto é uma figura de retórica, porque, como se sabe, na economia soviética não havia saldos, nem mesmo frequentemente produtos para vender.

(3) É a seguinte a subtil distinção criada pelas mentes férteis que habitam os gabinetes governamentais (e certas sociedades de advogados):

«Saldos» a venda de produtos praticada em fim de estação a um preço inferior ao anteriormente praticado no mesmo estabelecimento comercial, com o objectivo de promover o escoamento acelerado das existências, realizada em determinados períodos do ano;

«Promoções» a venda promovida a um preço inferior ou com condições mais vantajosas que as habituais, com vista a potenciar a venda de determinados produtos ou o lançamento de um produto não comercializado anteriormente pelo agente económico, bem como o desenvolvimento da actividade comercial, não realizadas em simultâneo com uma venda em saldos.


Só algumas criaturas particularmente dotadas conseguem perscrutar a mente dos comerciantes para saber se estão a potenciar a venda de determinados produtos ou a promover o escoamento acelerado das existências.

14/06/2009

BREIQUINGUE NIUZ: ovos de Colombo

Adivinhe se as notícias seguintes são verdadeiras, falsas ou uma é verdadeira e a outra falsa (qual delas).

1.º Ovo de Colombo
«Responsáveis do turismo, da saúde e da marinha reuniram-se no final da semana passada … e decidiram que as mesmas podiam perfeitamente integrar-se na designação genérica de “outras funções e serviços” prestados pelos apoios de praia. Ou seja, passam assim a ser permitidas pela lei … e fica resolvida a questão de saúde pública»

2.º Ovo de Colombo
«Responsáveis das finanças, do turismo, da economia, do trabalho e o ministro anexo do BdeP reuniram-se no final da semana passada … e decidiram que o referencial de crescimento nulo passaria a ser uma variação negativa de 5%. Ou seja, a redução do PIB prevista para 2009 passa a ser um aumento … e fica resolvida a questão do crescimento

NOTA: aqui explica-se o que é o princípio de Kahn.

19/01/2009

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio de Kahn aplicado à Galp.

Comunicado de ontem da Galp fielmente reproduzido pela câmara de eco da Lusa e pelos jornais:

«No dia 17 de Janeiro, por volta das 21 horas, ocorreu um incêndio na fábrica de utilidades da refinaria de Sines que foi controlado com recurso aos meios de emergência internos do complexo industrial, sem quaisquer danos pessoais ou ambientais.
O incêndio foi circunscrito à referida fábrica de utilidades – uma central de produção de electricidade e de vapor que alimenta o complexo industrial da Galp Energia em Sines – não tendo afectado qualquer das unidades processuais da refinaria.
Após uma primeira avaliação, prevê-se que a refinaria permaneça em paragem por um período de até seis semanas, devendo reiniciar a sua actividade de forma gradual após esse prazo.»


Se este post de LR do Blasfémias é fundamentado (parece), o comunicado inócuo da Galp omite o essencial. A central de cogeração da refinaria de Sines foi totalmente destruída, o que poderá paralisar a produção entre 6 a 12 meses e 70% da produção de refinados ficará comprometida.

18/01/2009

ESTADO DE SÍTIO: O princípio de Kahn ou a banana socialista.

O engenheiro José Sócrates manifestamente abomina os factos desagradáveis da realidade da sua governação. Nega-os, a menos que possa atribuí-los aos governos antecedentes ou a uma crise externa. Nos últimos quase 14-catorze-14 anos a oposição só pode responder por menos de 4 (3 anos e 3 meses de José Barroso e 8 meses de Pedro Lopes) pelo que se torna cada mais difícil sacudir a água do capote. Se o senhor engenheiro continuar até 2013, será quase uma missão impossível, até para um mestre da arte da mistificação, responsabilizar a oposição pelas desgraças de 18 anos. Os próprios efeitos da crise podem já estar em 2013 demasiado mitigados para se lhes poder assacar a causa das nossas desgraças que já eram evidentes pelos menos desde 2000.

Por ser assim, é cada vez mais importante procurar modificar a aparência da realidade do país, na impossibilidade de transferir a sua responsabilidade para a oposição ou atribuí-las a uma qualquer crise. É aqui que se aplica o princípio de Kahn cuja aplicação se recomenda vivamente ao senhor engenheiro.

Como recordou recentemente a Economist, Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, foi por este repreendido por ter-se referido publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».