Este post pode ser lido como sequela de O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo.
«Chamar “socialista” a Ventura, como fiz deliberadamente no título, não é rigoroso em termos clássicos de ciência política. É uma provocação. Mas não é uma provocação absurda, e importa explicar porquê.
(...)
Para quem considere exagerado atribuir a Ventura uma veia “socialista”, os factos ajudam. No último Orçamento do Estado, PS e Chega votaram juntos 82 vezes em alterações orçamentais. Sempre que a solução passava por “dar coisas”, aumentar despesa ou socializar custos, PS e Chega encontraram-se.
Se a questão for um pequeno ajustamento nas propinas, ainda que simbólico, aproximando-as do seu custo real e responsabilizando os estudantes, PS e Chega unem-se para impedir.
Se a escolha for entre o pagamento de uma portagem pelo utilizador ou a sua diluição pelo contribuinte, PS e Chega convergem na promoção da ilusão da gratuitidade.
Se a TAP escapar ao controlo do Estado, ambos chorarão o desaire.
O estatismo de Ventura é, aliás, tão pronunciado que durante a vaga inflacionista causada pela guerra na Ucrânia defendeu preços tabelados e margens controladas — uma proposta que nem a própria Mariana Mortágua chegou a avançar.
Mas a convergência não se esgota no que defendem; manifesta-se também no que não têm coragem de defender. Nenhum dos dois foi capaz de apoiar claramente o pacote laboral, mesmo quando este se apresentava como tímido e moderado. Nenhum teve a coragem política de se demarcar da greve geral, preferindo acenar à rua, aos sindicatos e ao descontentamento organizado, em vez de assumir uma posição responsável, ainda que impopular. Ambos revelam a mesma aversão ao conflito reformista e a mesma dependência do aplauso imediato.
Tudo isto conduz a uma conclusão desconfortável para muitos dos seus apoiantes: ao nível do modelo económico, as diferenças entre Ventura e Seguro são reduzidas. Ambos defendem soluções assistencialistas incapazes de gerar crescimento sustentado e criação de riqueza a longo prazo. Nenhum parece disposto a promover as reformas estruturais, quase sempre dolorosas, de que o país necessita. Mantendo a terminologia provocatória do título: ambos são socialistas.»
Vamos ter um Presidente socialista. Resta saber qual, Miguel A. Baptista
2 comentários:
Mesmo admitindo a conclusão do autor deste texto como verdadeira, haverá sempre uma diferença monumental entre o PS e o Chega: o primeiro está apostado em acabar com os portugueses através da imigração em massa, o segundo não quer ou, pelo menos, não parecer querer.
Isto, só por si, torna a comparação absurda, apesar de o Baptista e o (Im)Pertinente fingirem o contrário. Bem sei que isto custa muito a entender a quem teve sempre o privilégio de viver numa sociedade etnicamente homogénea e, por isso, seja incapaz de perceber a impossibilidade de uma sociedade multirracial acabar noutra coisa senão o conflito generalizado. Mas alguns de nós, portugueses, preferimos passar fome a ser demograficamente substituídos. Até porque não há nenhuma evidência de que a imigração vá garantir o crescimento económico, muito menos o nosso sustento ad infinitum. Pelo contrário, todos os indicadores objectivos apontam para que acabe por destruir não apenas a nossa economia, mas também a nossa civilização e o nosso modo de vida.
Já agora, e a propósito de socialismos, não foi o Chega que tomou recentemente a inciativa de socializar os prejuízos das empresas de restauração... foi mesmo o vosso querido PSD, esse partido "de direita" irrepreensível:
https://eco.sapo.pt/opiniao/a-restauracao-a-mesa-do-estado-fiador/
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