Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
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» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/01/2026

Crónica da passagem de um governo (31a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… reduzir o atraso médio dos registos predial (179 dias), comercial (173 dias) e automóvel (476 dias);

… imprimir os boletins de voto em menos de um mês e evitar incluir três candidatos da PR com processos rejeitados pela Comissão Nacional de Eleições;

… eliminar a bandalheira dos concursos para docentes do ensino superior;

… preparar com competência a instalação de novos sistemas para evitar o caos, por exemplo

   - Sistema de controlo da entrada e a saída de cidadãos de países terceiros nos aeroportos

   - Sistema integrado dos Meios de Transporte e das Mercadorias nos portos e aeroportos.

Ideias simples para reformas baratas

Por exemplo,
  • Simplificar o sistema fiscal, o 6.º menos competitivo entre os 38 países da OCDE, sobretudo na fiscalidade das empresas (3.º menos competitivo), segundo o International Tax Competitiveness Index 2025 ou ainda
  • Simplificar o sistema salarial dos funcionários públicos, que inclui uma pletora de subsídios que, em média, representam 20% do salários-base e, nalgumas categorias, atingem proporções pornográficas da remuneração média mensal, como os diplomatas (200%), guardas prisionais (100%) e bombeiros (70%) (fonte). Em atenção aos nativistas, talvez deva acrescentar que esta é uma das particularidades da alma portuguesa que a estranja que por cá trabalha não entende, habituados que estão a ter um salário anual que é pago em fracções mensais.
Boa Nova

Não há soluções miraculosas; ainda assim, as USF modelo C, que são USF de cuidados de saúde primários, geridas por entidades privadas, têm virtualidades de contribuir para um melhor padrão na qualidade e no custo dos serviços médicos prestados pelo SNS.

Num deserto socialista até a areia acabaria por faltar

mais liberdade

Se o problema do SNS fosse a falta de médicos e enfermeiros, já deveria estar resolvido. 

O choque da Boa Nova com o visconde de Chateaubriand

Sem nenhuma surpresa, anunciada a solução das USF de gestão privada, a Federação Nacional dos Médicos, um dos lóbis da corporação médica, logo protestou argumentando que os “territórios” onde o sector privado mais investe em saúde são os territórios onde o SNS enfrenta maiores dificuldades.

É um argumento do tipo que aqui baptizámos de argumento Chateaubriand, em homenagem ao visconde e escritor do qual se diz que um dia teria abençoado a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.

Seja porque adoptou o argumento Chateaubriand, seja porque quis fazer uma prova de vida, o Dr. Marcelo devolveu vários decretos aprovados pelo governo, incluindo o que previa o encaminhamento de «doentes para o sector privado ou social quando o SNS não consegue dar resposta em tempo útil»

(Continua) 

7 comentários:

Nelson Gonçalves disse...

O café na aldeia do meu sogro fechou há um par de anos. O novo dono fez obras e esteve 3 (três, three, drie, trois) anos á espera de licenças. Três anos para licenciar um café. Numa aldeola perdida na serra. No mesmo sítio onde antes havia um café. Três anos. Três.

Luís Lavoura disse...

Como é que o +Liberdade sabe qual o número de médicos em cada uma das regiões do país? Quem lhe fornece esses dados? Qual a fiabilidade deles?

Nelson Gonçalves disse...

A fonte, tal como está indicado é o próprio SNS. Este é o link do SNS: https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/trabalhadores-por-grupo-profissional/table/?disjunctive.regiao&disjunctive.instituicao&sort=periodo

Se são fiáveis ? Conhecendo a admin publica portuguesa, provavelmente não. Mas é o que temos.

Não precisa de agradecer.

Luís Lavoura disse...

Nelson Gonçalves,
obrigado pelo esclarecimento.
O facto é que o título do gráfico deveria ser "número de médicos e de enfermeiros do SNS por mil utentes do SNS".
Já agora, parece-me normal que a pressão no SNS continue a crescer porque, exceto talvez na zona Norte, o reforço do número de médicos e de enfermeiros é muito pequeno para compensar o envelhecimento da população.

Luís Lavoura disse...

Todos os países desenvolvidos têm falta de pessoal de saúde, a não ser aqueles que abrem bem abertas as portas à imigração desse pessoal.
É assim que a Suíça não tem falta de pessoal de saúde, mas isso é porque os hospitais suíços estão cheios de médicos e enfermeiros estrangeiros (entre os quais muitos portugueses).
Portugal é aquele país muito especial que quer ter um bom serviço de saúde sem importar de forma maciça enfermeiros e médicos estrangeiros. Não consegue, como se torna cada vez mais evidente.
Enquanto o corporativismo das Ordens portuguesas dos Médicos e dos Enfermeiros continuar a impedir a imigração maciça de profissionais estrangeiros, o serviço de saúde português só poderá ter cada vez maior falta de pessoal.

Impertinente disse...

Médicos por 1.000 habitantes Ranking mundial
Portugal 5,9 7
Suíça 4,5 20
Fonte: https://statranker.org/medical/global-healthcare-capacity-top-100-countries-by-physicians-per-1000-people-2025/?utm_source=chatgpt.com
Moral da estória: os bitates não aderem aos factos.

Luís Lavoura disse...

Impertinente,
essas contas dos "médicos por 1000 habitantes" estão mal feitas em Portugal, e suspeito que também na Suíça.
Em Portugal essas contas são na verdade de "pessoas inscritas na Ordem dos Médicos por 1000 habitantes". É sabido que muitas pessoas inscritas na Ordem dos Médicos não são médicos que estejam a trabalhar em Portugal. Podem estar reformadas (o meu pai, que era médico, continuou inscrito na Ordem dos Médicos até à sua morte, e aliás até bem depois dela - eu tive que avisar a OM para o retirarem da listagem -, quando já há muito tempo que a sua atividade médica era residual ou nula) ou estar no estrangeiro.
Da mesma forma, há montes de médicos franceses, alemães, italianos e de outras nacionalidades a trabalhar na Suíça. (Já tive o meu filho a ser tratado lá e sei bem do que falo.) Não contam como "médicos da Suíça", mas trabalham na Suíça.
O que é preciso é fazer as contas aos médicos que trabalham (a tempo mais ou menos inteiro) em Portugal, e não às pessoas que estão inscritas na Ordem dos Médicos portuguesa.
(Isto de se recorrer a uma organização corporativa para estudar a corporação só pode dar mau resultado.)