Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

09/10/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (86a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Intenções: «Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro». Consequências: o colapso do SNS

Desta vez é a crise das horas extraordinárias que levou 2.500 médicos a apresentarem “escusa” de trabalho extraordinário e que está a cancelar cirurgias e a paralisar as urgências de um número crescente de hospitais. De crise em crise, o Dr. Costa e o seu governo estão a destruir gradualmente o objecto da sua declarada paixão.

Enquanto isso, o Dr. Costa na sua entrevista à CNN disse que o «grau de satisfação dos médicos é relativamente bom» e que o seu governo «aumentou 56%» o orçamento do SNS. Sim é verdade, as despesas de saúde que em 2015 representavam 12,8% do total em 2022 aumentaram para 15,9%. Falta dizer que uma parte significativa desse aumento se deveu à redução do horário de trabalho de 40 para 35 horas que segundo o Dr. Costa e o Dr. Centeno, abençoados pelo Dr. Marcelo, não teria impacto orçamental, e pelo meio, nos anos 2020 e 2021, houve uma pandemia.


O relatório da Nova SBE sobre os Recursos Humanos em Saúde, publicado em Março deste ano mostra claramente o aumento de efectivos que se seguiu à redução do horário e mostram também que, apesar desse aumento, o número de horas trabalhadas em 2018 foi inferior ao de 2015 (73 contra 74 milhões de horas).

A demagogia, sempre

Apertado pelo falhanço das políticas de habitação, o Dr. Costa faz anúncios, a única coisa que ele sabe fazer bem. Desta vez anunciou a extinção do estatuto do residente não habitual que atribui taxas especiais de IRS de 20% e 10% nas pensões e com uma cajadada tenta matar dois coelhos tirados da sua prolífica cartola. O coelho do mito que a “crise da habitação” se deve à compra de imóveis por essas criaturas e o coelho da satisfação da inveja, um dos mais entranhados atributos da cultura popular do Portugal dos Pequeninos.

Em relação ao primeiro coelho convém não esquecer que as cerca de 74 mil criaturas que têm esse estatuto compraram habitações topo de gama inacessíveis à classe média atingida pela “crise da habitação”. Já agora, recorde-se que a alternativa a não atribuir as taxas especial de IRS não é tributar mais os “estrangeiros ricos” – é perder os impostos que eles pagam quando se mudarem para Espanha, por exemplo, sem esquecer que os descontos atribuídos só expiram no final de 10 anos. E atente-se, ainda, que uma parte desses “estrangeiros ricos” não são ricos, são profissionais altamente qualificados deslocados em Portugal.

Em relação ao segundo coelho, suspeito que a satisfação do sentimento de inveja é inatingível e encontrará rapidamente objectos de substituição.

O Estado sucial é um caloteiro

Os pagamentos em atraso das entidades públicas atingiram em Agosto 886 milhões, mais 103 milhões do que no mesmo mês do ano passado.

Choque ferroviário da Boa Nova com a realidade

O comboio eléctrico até Peso da Régua previsto para 2019 está um poucochinho atrasado e não chegará antes de 2027. Na verdade, é apenas um pouco mais de 10% dos 27.951 dias do atraso total estimado pelo Público no Ferrovia 2020.

(Continua)

08/10/2023

Uncontrolled immigration also undermines support for the legal kind

«The politics of the decision are as follows. The border wall became a symbol of everything that was wrong with Mr Trump and his administration: left-leaning groups denounced it as heartless, ineffective and an affront to a close ally. There’s a tension between heartless and ineffective—how can the wall be both? But in any case the wall became a symbol of Mr Trump’s xenophobia. (...)

Immigration, and more specifically the sense that America does not control its borders, is one of the forces that propelled Mr Trump to the presidency. The same impulse is one of the things holding up funding for Ukraine in Washington. The new, isolationist right argues that America shouldn’t be paying to secure Ukraine’s borders when it can’t secure its own. This is a dumb policy but it sounds plausible. Uncontrolled immigration also undermines support for the legal kind. So Americans who would like to reduce the chances of a second Trump term, want to support Ukraine and want more legal immigration need an answer to “chaos at the southern border”.

Building some more of the wall could be part of that answer. It might even work: the people I spoke to near McAllen explained that, yes there will always be gaps in the wall, but it is easier to make sure those gaps are patrolled than to guard all of an area that is nearly 2,000 miles long. There is a real problem at the border. Democrats who think this is just an obsession on Fox News should spend some time in Texas. The wall is indeed partly symbolic, but symbols matter. (...)»

Checks and Balance newsletter from John Prideaux, US editor of The Economist

07/10/2023

As ácções dos jovens áctivistas climáticos à luz dos direitos dos áctivistas

Só na última semana ocorreram várias maninfestações perpetradas por soi-disants áctivistas climáticos: Terça-feira - Segunda Circular; Quarta-feira - Rua de S. Bento; Quinta-feira - Fachada da REN; Sexta-feira - Avenida de Roma.

Todas essas maninf  foram promovidas pela Climáximo, uma subsidiária do berloquismo gerida pelo genro do tele-evangelista Dr. Louçã. Escrevo isto apenas pro memoria porque, em boa verdade, não tenho nada contra o negócio de empresas como esta. Tenho, sim, contra o facto de o produto que vendem não ser adquirido pelos seus consumidores e ser pago por terceiros contra a sua vontade, directamente, por via das ácções, ou indirectamente, por via do Estado sucial cujos recursos humanos e materiais são usados e por vezes avariados.

Jovem áctivista seviciado por bófias 

E sou também contra a exploração da mão-de-obra se, como tudo indica, os jovens "rebeldes" que fizeram de maninfestantes não foram devidamente contratados e remunerados de acordo com os salários que o berloquismo gostaria de obrigar os empresários a pagar por igual trabalho. 

E não se desculpem por lhes chamarem voluntários porque não cumprem os requisitos das Bases do enquadramento jurídico do voluntariado (Lei n.º 71/98, de 3 de novembro) por não lhes serem reconhecidos os direitos do voluntário, nomeadamente, para só citar um dos dez: "Enquadrar-se no regime do seguro social voluntário, no caso de não estar abrangido por um regime obrigatório de segurança social«.

O que se passa na verdade é que os jovens áctivistas ao serviço da Climáximo são usados como o berloquismo diz que são usados os imigrantes clandestinos, são vítimas de maus tratos físicos pelos bófias e maus tratos psicológicos pelos transeuntes que os insultam e interferem na maninf, sem esquecer que estando em idade escolar ficam impedidos de frequentar as madrassas do wokeism.

06/10/2023

Os equívocos do Programa "Mais Habitação", ou como tentar administrar uma medicação sem saber qual é a doença (8) - Os problemas da habitação são iguais em todo o lado mas há uns mais iguais do que outros (II)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)

As situações particulares dos países são diferentes, ou mesmo muito diferentes, e por isso meter todos no mesmo saco da "crise da habitação" leva a soluções que não resolvem coisa nenhuma.

Ontem o Financial Times (FT) publicou o artigo Where are European mortgage holders most exposed to higher rates? comparando vários parâmetros de cinco países da Zona Euro (Alemanha, Espanha, França, Itália e Países Baixos) com os do Reino Unido. Apesar das mesmas taxas Euribor, as taxas médias das hipotecas na Zona Euro variam entre 1,55% em França e 3,44% em Espanha (Reino Unido 3,06%).

Os sistemas de taxas situam-se entre dois extremos, por um lado países com uma maioria de hipotecas a taxa fixa por uma ou mais décadas (Alemanha e França), que por isso têm taxas médias mais baixas, e por outro países em que predominam taxas variáveis (Países Baixos) e no meio a Espanha, com cerca de metade das hipotecas a taxas fixas e uma taxa média de juro mais elevada.

Em Portugal as taxas variáveis representam 92,6% da carteira de hipotecas embora com tendência para diminuir em benefício das taxas fixas, que em 2022 representaram 6,9% das novas hipotecas, e das taxas mistas (com um período inicial a taxa fixa seguido de taxa variável), que no mesmo ano representaram 12,3% das novas hipotecas.

A taxa média TAEG (que inclui outros encargos além dos juros) no ano passado aumentou de 2,7% para 3,7% e em Março deste ano registou um aumento homólogo de 3 pp, atingindo 5,4%, 1,7 pp acima da média da Zona Euro. Estas taxas médias não são comparáveis com as referidas pelo FT, mas podemos compará-las com a média das Taxas Acordadas Anualizadas que nas novas hipotecas em Portugal em Março atingiu 3,6%, 0,3 pp acima da média da Zona Euro e mais 2,8 pp face à registada no final de 2021.

O índice de preços da habitação do INE passou de 100 em 2015 para 204,74 no 2.º trimestre de 2023. O aumento de cerca de 105 pp corresponde a um aumento anual médio de 9%, muito acima da inflação média nesse período.

Housing price statistics - house price index (Eurostat)

Como se vê no gráfico acima, em termos comparativos com os países da UE o aumento dos preços das habitações em Portugal desde 2010 foi o oitavo mais elevado e muito acima das médias da UE e da Zona Euro.

Em conclusão, as taxas dos créditos à habitação em Portugal estão em forte crescimento e são mais altas do que a média europeia, em parte devido à opção predominante por taxas variáveis, o que permitiu beneficiar das taxas de referência do BCE baixas e das injecções de dinheiro do alívio quantitativo nos anos 2012 até 2021, mas teve como consequência um aumento mais acentuado desde 2022. O crédito barato e abundante nesses anos potenciou uma procura interna cada vez menos satisfeita com uma oferta de novas habitações em queda (ver o segundo post desta série) o que explica o fortíssimo aumento dos preços da habitação, com o contributo no que respeita às habitações topo de gama da procura externa resultante, entre outros factores, dos incentivos proporcionados pelos chamados vistos Gold.

[Fontes, além das citadas, para os dados portugueses: INE (Índice de preços da habitação - 2º trimestre de 2023) e Banco de Portugal (Relatório de acompanhamento dos mercados de crédito, 2022 e Relatório de estabilidade financeira, Maio de 2023)]

05/10/2023

SERVIÇO PÚBLICO: Sobre a chamada "maior crise da habitação" e o papel agitprop do jornalismo de causas

«Resumindo, não é verdade que esta seja a maior crise da habitação que houve em Portugal, não é verdade que este seja um problema que afecta, de forma generalizada a população, e não é verdade que desequilibrando ainda mais as garantias para o lado dos inquilinos, deixando desprotegido o direito constitucional (e, já agora, direito consagrado na carta dos direitos humanos) à propriedade e seu usufruto, se contribua para um maior acesso à habitação por parte de quem procura casa agora.

Se percebo a irracionalidade de actuação de muitos dos que se sentem encurralados com a situação actual no sector da habitação (e há, e são muitos), não entendo de todo como é possível que o jornalismo esteja militantemente a evitar que os factos influenciem as ideias que todos os dias vendem sobre esta matéria.»

Estes são apenas os dois últimos parágrafos, à laia de teaser, que cito do post de ontem do Corta-Fitas, cuja leitura recomendo vivamente, onde Henrique Pereira dos Santos relata a sua experiência pessoal partilhada, aliás, por muitos de gerações próximas das dele.

É claro que existe um problema da habitação que consiste numa oferta insuficiente para a procura existente. O que não é claro que esse problema tenha as dimensões que lhe pretendem atribuir e que tenha as soluções que lhe pretendem aplicar.

04/10/2023

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (60) - Além do futebol temos outra área em que estamos no topo

Outros portugueses no topo do mundo.

Tenho ironizado nesta série de posts «a tendência de muitos portugueses para a fantasia narcisista» como a caracterizou António Barreto. Faço hoje uma excepção para relevar um resultado que coloca o Portugal dos Pequeninos no topo do mundo e, ainda que seja difícil de acreditar, não tem suscitado grandes vibrações patrióticas por parte dos patetas que passam a vida e regozijar-se com fantasias. 

Fonte

Trata-se do resultado de uma das poucas políticas liberais adoptadas neste reino do intervencionismo administrativo no domínio da luta contra as drogas que foi a opção no virar do século pela despenalização do consumo, a adopção de uma abordagem de prevenção e a disponibilização de seringas e de tratamento.

03/10/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (85b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 85a)

O Estado sucial governado pelo Partido Socialista é uma espécie de bordel onde até se compram “carimbos científicos”

«Basicamente, sou uma puta. Obviamente, o que eu quero é ter bens materiais, sentir a minha vida boa.» Foi assim que um director de serviços do ministério da Defesa, arguido da operação Tempestade Perfeita, se classificou segundo uma escuta da PJ. (fonte)

Já a Dr.ª Helena Carreiras, professora do ISCTE (a madrassa do PS) e actual ministra da Defesa, a quem o Dr. Paulo Branco, ex-diretor do ministério da Defesa, no seu depoimento naquela operação confessou pagar para «comprar o carimbo científico», ainda não se classificou. Pendente de classificação está também o Dr. Capitão Ferreira, ex-secretário de Estado, que fabricava os contratos que lhe seriam adjudicados pelo ministério da Defesa.

O Estado sucial do Dr. Costa como máquina de extorsão está no topo da Óropa

Fonte

O diagrama do lado esquerdo mostra a invejável posição em que o Dr. Costa e os seus antecessores deixaram o Portugal dos Pequeninos no campeonato da carga fiscal na UE, não apenas pelo honroso nono lugar, mas ainda porque sete dos oito países que estão à nossa frente têm Estados Sociais que são muito mais caros do que um Estado sucial. O diagrama do lado direito mostra a falsidade do argumento do governo e do comentariado ao seu serviço de que a carga fiscal tem crescido por força da inflação.

Choque ferroviário da Boa Nova com a realidade

Para explicar uma execução 25% inferior do investimento orçamentado na ferrovia, o Dr. Galamba garante que não há corte, é atraso, ou seja não é falta de dinheiro, é falta de competência.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Por falar de atraso, os deputados querem que o ministro da Economia vá ao parlamento explicar o atraso na privatização da EFACEC. Se nos lembrarmos (a memória dos povos é curta) que a venda da EFACEC foi anunciada dezenas de vezes nos últimos seis anos, parece um pouco exagerado estar a pedir contas ao Dr. Costa Silva pelo seu ano e meio no departamento de vendas.

De volta ao velho normal

Estão a acabar as poupanças que os portugueses conseguiram fazer por falta de oportunidade de compras durante os anos da pandemia. Os depósitos nos bancos voltaram a diminuir 1,4 mil milhões em Agosto (e desta vez não pela compra de certificados de aforro) e caíram 2,3% face ao ano passado.

As exportações diminuiram 4,8% no 2.º trimestre e 10,6% em Julho e nalguns casos com uma queda importante (17%), como os têxteis que têm um peso significativo nas exportações.(fonte)


02/10/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (85a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Se a governação socialista só tivesse efeitos negativos no crescimento do PIB já seria um desastre

Devemos adicionar algumas outras coisas, tais como: o incentivo à dependência doentia e atávica dos portugueses do Estado, premiar a falta de iniciativa, comprometer a ascensão social das famílias mais pobres arruinando o elevador social com a decadência das escolas públicas usadas como madrassas do wokeism, inchar um Estado ineficiente e clientelar povoando o seu aparelho administrativo com apparatchiks incompetentes, insultar a inteligência dos portugueses que ainda a têm com a criação industrial de factóides promovidos por uma imprensa obediente e de má qualidade.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

Cerca de 2.500 médicos já recusaram trabalho extraordinário o que comprometerá o funcionamento os serviços de urgência em dezenas de hospitais. O ministro da Saúde reconheceu que algumas urgências poderão fechar.

Estado sucial, o Nanny State que o PS oferece aos tugas carentes

O ministro da Saúde pode não resolver os imensos problemas com que o SNS se debate, mas isso não o impede de fazer anúncios, a especialidade socialista. Esta vez anunciou «uma agenda muito ambiciosa de medidas para ajudar os que quiserem deixar de fumar» que incluirá medicamentos comparticipados, mais consultas e cigarros eletrónicos.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Segundo o Tribunal de Contas, no final do ano passado 42% dos 48,5 milhões de vacinas compradas por 752 milhões não foram administradas e ficaram inutilizadas. (fonte)

Boa Nova. Óbolos do governo à choldra

A ministra da Coesão Territorial, uma séria candidata ao ministro mais inexistente do governo do Dr. Costa, anunciou descontos nas portagens de várias AE do interior, a maior parte dos quais será paga pela esmagadora maioria dos contribuintes que só usam essas AE nas férias. A “iniciativa” segundo a ministra ficará pelos 72 milhões de euros, o que na verdade é apenas menos de 10% do valor das vacinas inutilizadas.

Take Another Plan. Take 1 - A venda directa que foi errada ontem pode ser certa hoje?

Em 2015 o governo PSD-CDS optou pela venda directa da TAP e foi duramente criticado pelo Dr. Costa e a sua corte. Oito anos depois, o governo do Dr. Costa opta pela venda directa da TAP. Por isso a resposta à pergunta do título é: depende de quem vende.

Take Another Plan. Take 2 - O’Leary avisou: dinheiro para a sanita

Há dois anos o CEO da Ryanair em entrevista ao Observador disse «os 3 mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes, que o ministro Santos quer retirar às escolas e aos hospitais portuguesas para dar à TAP, que nunca voltará a pagar. Está a mandar ainda mais dinheiro pela sanita abaixo.»

Na altura isso foi considerado um insulto pelas almas mais sensíveis. Os factos vieram dar razão a O’Leary, agora que se ficou a conhecer a versão confidencial do plano de reestruturação da TAP sabe-se que a CE estimou o valor da TAP em 2022 entre 854 e 1.575 milhões, depois de lá torrados 3.000 milhões. Se isto não é uma sanita, o que será uma sanita?

(Continua)

01/10/2023

Os imigrantes fazem os trabalhos que os portugueses não querem fazer e têm os filhos que os portugueses não querem ter

Os estrangeiros residentes são apenas cerca de 800 mil, isto é cerca de 7,6% dos 10,5 milhões de residentes. No entanto, do total de cerca de 190 mil matrículas no ano lectivo que agora começou, no ensino pré-escolar e 1º ciclo cerca de 30 mil ou 16% são de crianças estrangeiras, das quais as 10 nacionalidades mais representativas são:

Fonte

Por muito que isso exacerbe o nacionalismo paranóico, o certo é que estas crianças contribuem para retardar o envelhecimento inexorável e os pais delas contribuem para completar uma mão-de-obra com uma pletora de graduados em generalidades, com pouca iniciativa e fracas qualificações profissionais, e fazem o que tem de ser feito e que os nacionais não estão disponíveis para fazer. 

É claro que reconhecer a necessidade da imigração não significa preconizar a imigração irrestrita, nem mesmo avalizar a irresponsabilidade dos governos socialistas. As instituições devem ser capazes de definir regras de admissão e integração dos imigrantes que reúnam o suporte maioritário dos residentes, que são afinal os anfitriões, regras que não podem ser as ditadas por lunatismos extremistas opostos que se alimentam reciprocamente e representam uma pequena minoria dos eleitores, nem por demagogos que manipulam os preconceitos tribais em seu benefício.

30/09/2023

How cynical leaders are whipping up nationalism to win and abuse power

«(...) The main drawback of paranoid nationalism is obvious. It is terrible for its targets, whether they be immigrants in Tunisia or Ukrainians whose land has been sown with mines. Neighbours of paranoid nationalist regimes have cause to be nervous, as anywhere that shares a border with Russia or China can attest.

The other big drawback is less well understood: politics based on bigotry opens the door to misrule and corruption. As Mr Putin has ratcheted up nationalist propaganda over the past two decades, his cronies have been plundering Russia. And though he is surely the most extreme example, he is far from alone. In fact, there is a clear statistical correlation between nationalism and corruption. (...)

Appeals to nationalism are effective because they are simple to understand, and far more emotive than any bread-and-butter policy proposal. “Vote for me and I’ll make incremental improvements to schools” is a fine platform but a dull slogan. “The tribe next door are attacking us!” is an electrifying one.

The enemy can take many forms. It could be immigrants, as in Tunisia. Or a geopolitical rival: Chinese and Russian propaganda constantly demonise America. Or a minority faith: India’s ruling party plays up the non-existent threat that Muslims, less than 15% of the population, pose to the Hindu majority.

Or the enemy could be cultural change. Many nationalist leaders describe any new social trend that makes people uncomfortable as foreign, or even a vicious attempt by foreigners to subvert their country’s values. Iran’s regime uses this argument about women’s rights; Uganda’s, about tolerance for gay people. Illiberal regimes habitually describe the values they oppose as alien, which is easier than explaining why they are wrong.

In country after country, incumbents have found that nationalist or sectarian arguments can be used to harass or exclude from office those who challenge the status quo. Iran’s corrupt theocracy insists that all presidential candidates meet its definition of Islamic piety. In 2021 it disqualified 585 of them, including all the would-be reformers, and allowed only seven to run. A new Polish law could bar from office politicians deemed to be unduly influenced by Russia; its probable target is Donald Tusk, a leading opposition candidate who is not pro-Russian at all. Since 2015, when Poland’s nationalist ruling party took charge, the country has grown eight points grubbier on the Corruption Perceptions Index.

A more nationalist government does not automatically mean a more corrupt one. It is possible for a country to become more tub-thumping, but no dirtier, at least for a while. However, in the long run, if a leader uses nationalism to erode checks and balances, it becomes easier for the people around him or his successors to plunder. This happened in Zimbabwe, where a nationalist autocrat who was far more interested in power than money, Robert Mugabe, failed to stop looting by his cronies and was ultimately overthrown by them.

Thus, regardless of the starting point, paranoid nationalism tends to make countries worse governed and less stable. A paper co-written by Abhijit Banerjee, a Nobel prize-winning economist, found that when voters pick candidates by ethnicity instead of, say, probity or competence, they end up with less honest, less competent representatives.»

Extract of How cynical leaders are whipping up nationalism to win and abuse power

29/09/2023

A geração mais (mal) educada de sempre

Foi ontem publicado pelo Eurostat o artigo Participation of young people in education and the labour market do qual extraí os dois gráficos seguintes.


Menos de 11% dos jovens portugueses no escalão 15-29 anos trabalham e estudam simultaneamente, ou seja, menos de metade da média da UE e menos de um quarto da média dos países do norte da Europa. Não é certamente por acaso que nos países europeus mais desenvolvidos a participação dos jovens simultaneamente a trabalhar e a estudar é mais elevada.


Portugal faz parte do grupo 3 de países em que apenas um décimo dos jovens 15-29 anos trabalham e estudam e, apesar disso, têm uma taxa de desemprego praticamente igual à média da UE. Conseguem assim ter sol no nabal e chuva na eira, uma especialidade muito do Portugal dos Pequeninos em quase todas as modalidades.

28/09/2023

Eça, o Panteão e o ónus da prova

André Carrilho
Em 15 de janeiro de 2021, o parlamento decidiu homenagear Eça de Queiroz, aprovando por unanimidade a trasladação do seu cadáver para o Panteão Nacional. Alguns bisnetos de Eça opuseram-se apresentando uma providência cautelar, alegando que o seu bisavô não teria querido que o enfiassem em tal sítio.

A coisa foi até ao Supremo Tribunal Administrativo que decidiu assim

«(...) apresenta-se [...] como não comprovada a alegação dos Requerentes [da providência cautelar] quanto à sua suposta representação da maioria dos descendentes vivos (bisnetos) do escritor em oposição à trasladação dos seus restos mortais.

Tem-se por irrelevante, para a presente decisão, a suposta vontade do escritor (que, aliás, não se vê claramente manifestada) (...)»
(fonte)

Em linguagem vernacular, o STA entendeu que os herdeiros que se opuseram não provaram que o seu avô teria achado abominável à trasladação. Ora aqui é que bate o ponto, porque (agora em juridiquês) estamos perante um caso evidente de inversão do ónus da prova, quando um escritor que escreveu a propósito da mediocridade dos antecessores dos políticos que o querem agora enfiar no Panteão e sobre as instituições políticas do Portugal dos Pequeninos coisas como as que a seguir cito, só poderia achar abominável que tais políticos e instituições decidissem o destino do seu cadáver e o encerrassem num edifício em tempos sujeito a obras de Santa Engrácia.  

«Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo.»

«Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa.»

«Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?»

«Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo; tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e olhos para ele, como para uma Providência sempre presente.»

Se isto não chegar, atente-se que Eça co-autorou As Farpas e leiam-se ao acaso algumas das cerca de 600 páginas da compilação por Maria Filomena Mónica editada pela Associação Portuguesa de Imprensa.

27/09/2023

Onde vai o áctivismo anti-rácista extorquir 70 dívidas públicas para indemnizar as vítimas da escravatura portuguesa?

O historiador João Pedro Marques (JPM) vem alertando há quase dez anos para os delírios do áctivismo anti-rácista a respeito da indemnização às vítimas da escravatura pelos países que a praticaram, ou, mais exactamente, pelos países de influência cristã, já que os países islâmicos e africanos que praticaram a escravatura durante muitos séculos para estes áctivistas estão isentos dessa obrigação. 

No artigo mais recente «A conta já chegou. São 20 biliões de dólares», JPM cita o Report on Reparations for Transatlantic Chattel Slavery in the Americas and the Caribbean do Brattle Group que se propôs estimar os montantes que alguns países esclavagistas deveriam pagar a esse título. 

Report on Reparations for Transatlantic Chattel Slavery in the Americas and the Caribbean

O quadro acima extraído daquele relatório mostra os montantes devidos por cada país capitalizados à taxa de 2,5%. No caso português, o terceiro maior montante a seguir aos Estados Unidos e ao Reino Unido, o montante de USD 20,582 biliões no sistema longo que usamos em Portugal, equivale em contas redondas 70 vezes a dívida pública ou 80 vezes o PIB.

A nossa única esperança é criarmos um comité para calcular as indemnizações que os habitantes do Portugal dos Pequeninos poderão exigir aos romanos e à multidão de bárbaros que os expulsaram, aos árabes, aos espanhóis e aos franceses que sucessivamente invadiram o nosso torrãozinho natal.

26/09/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (84b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 84a)

O Dr. Centeno anda a tirocinar para político socialista full time

A inflação em Portugal que segundo o Dr. Centeno iria diminuir, segundo o IHPC (índice harmonizado de preços no consumidor) teve em Julho a segunda maior subida da Zona Euro de 4,3% para 5,3%. As taxas do BCE que segundo o Dr. Centeno não deveriam aumentar, tiveram o décimo aumento para 4,5%, e o mesmo Dr. Centeno, antes da reunião uma “pomba”, depois da reunião teve uma epifania e justificou ao El Pais o aumento porque «a inflação é mais regressiva e injusta socialmente do que as medidas que usamos para a combater». Justificação que é tão verdadeira que até parece mentira dita por um sujeito que anda a contar estórias da carochinha sobre a inflação.

Take Another Plan. Plastic Man sells Portuguese Caravels

O Dr. Costa que para justificar a nacionalização da TAP a considerou «tão fundamental para o país como foram as caravelas», ultrapassou em contorcionismo o Homem Elástico ao admitir agora privatizar TAP «na totalidade».

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios

A rede de fibra óptica que a ministra da Coesão Territorial anunciou iria por 300 milhões cobrir todo o país, a começar ainda em 2022, afinal ainda está na fila do peditório para a CE que financiaria metade, no pressuposto da ministra de haver «uma falha de mercado», falha que em rigor é do expediente de anunciar investimentos com o dinheiro dos contribuintes europeus chutando a responsabilidade pelo falhanço para Bruxelas.

Fará Bruxelas bem aos apparatchiks socialistas?

A Dr.ª Elisa Ferreira, que em tempos garantiu que «o dinheiro é do Estado, é do PS», disse um dia destes em entrevista ao Clube de Jornalistas que «há países que dizem ‘eu quero os fundos’ e a seguir ‘não preciso mais de fundos, quero ser contribuinte líquido’ e outros países que dizem ‘eu quero fundos, eu quero sempre fundos’» (guess who's who).  Para que não houvesse dúvida sobre a influência de Bruxelas na sua meninge, disse também «a habitação é um poço sem fundo. Onde vamos parar se formos financiar a habitação?» comprometendo assim o peditório que o seu chefe Dr. Costa apresentou a Bruxelas.

O observatório como instrumento de emprego para boys

Anunciado em Maio de 2022 pela ministra da Agricultura, uma das maiores nulidades neste governo, o que não é dizer pouco, considerando a maior concentração de nulidades num governo desde Dona Maria II, já está a funcionar um observatório de preços para a evolução de preços da produção ao consumo em 26 produtos alimentares, observatório que se acrescenta a mais de uma centena.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

A dívida pública atingiu em Agosto 292 mil milhões, um novo recorde. O endividamento da economia, isto é o somatório das dívidas do Estado, das famílias e das empresas não financeira, desceu 400 mil euros (uns prodigiosos 0,05%) para 806,6 mil milhões, apesar da redução de 1,4 mil milhões do sector privado.

25/09/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (84a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Dr. Medina a fazer de conta que tem no chapéu a solução milagrosa para os juros altos

A moratória dos juros do crédito à habitação que o Dr. Medina tirou no chapéu consiste em manter durante dois anos as mensalidades calculadas com base em 70% das taxas Euribor e chutar para a frente os 30%, que terão de ser devolvidos ao fim de quatro anos, adicionando-os à dívida no pressuposto que as taxas, entretanto, baixem o suficiente para acomodar os juros diferidos durante dois anos. Pressuposto que é mais wishful thinking quando se pode constatar que a taxa actual (por exemplo a Euribor 3 m que, por muito estúpido que seja, é a mais frequente nos créditos à habitação) está dentro do intervalo de variação das taxas num período “normal” como o da primeira década deste século.

Fonte

Choque da realidade com as políticas de habitação do Dr. Costa

Segundo os cálculos do jornal Eco, entre 2017 e 2022 o parque habitacional teve um aumento inferior a 100 mil edifícios, menos em 6 anos do que a média anual no início do século.

Um Estado em decomposição

Apenas dois dos muitos exemplos. O scanner que permite examinar os contentores do porto de Lisboa está decrépito, precisa de ser substituído e está avariado há tempos o que tem feito a felicidade dos traficantes que usam o porto de Lisboa para introduzir o “produto” na Óropa.

Muitos quilómetros de cabos de alta tensão estão a ser regularmente roubados em troços que por estarem remodelação têm a energia cortada.

Choque ferroviário da Boa Nova com a realidade

Aplicando ao investimento na ferrovia o princípio geral autoestrada mexicana do PS, o governo cortou o investimento previsto no OE2023 na ferrovia em 46% e 18% nos metros, numa situação em que entre 1995 e 2018 a extensão de ferrovia diminuiu 18% o que compara com um aumento da rodovia de 364%.

A reabertura da Linha da Beira Alta prevista para Novembro não vai acontecer.

O ponto de situação do Ferrovia 2020 segundo o Público é o seguinte:


«A educação é a nossa paixão»

Quando o governo do Dr. Costa tomou conta da paixão socialista havia no ensino público não universitário 120,9 mil professores número que aumentou em 10,2 mil para 131,1 mil (fonte PORDATA). No início deste ano lectivo voltam a faltar professores em quase todas as disciplinas e faltam quase o triplo dos professores de Português e o dobro dos de Matemática no 3.º ciclo e secundário.

Para entreter o público e mostrar serviço, o ministro da Educação anuncia que vai ser disponibilizado um edifício em Lisboa para alojar 29 (vinte e nove) professores.

(Continua)

24/09/2023

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (17) - Uma espécie de autópsia antecipada de S. Ex.ª

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

«(...) A função presidencial está comprometida. Atores políticos vários, no segredo das confidências, começam frases assim: eu até gosto do Marcelo, mas... Este “mas” é uma interrogação e a expressão de um cansaço. Quosque tandem abutere, Marcelo, patientia nostra? Qualquer observador sensato, não precisa ser Cícero, está farto das manifestações instantâneas de portuguesismo “fixe” que ganham atributos de cerimónias de Estado. A recusa de uma atitude séria sobre o mundo não serve o momento grave. A sociedade portuguesa, empobrecida e classificada pelos mecanismos do capitalismo e do mercado como não rentável, está a tornar-se um estudo antropológico sobre o ressentimento. E o desapontamento.

Marcelo talvez ache que a sua marca de populismo conseguirá estancar marcas mais viciosas, impedindo-as de se tornarem dominantes. Está errado. O pensamento popularucho, somos fado, bacalhau e Ronaldo, coloniza o discurso português, transformando-o no beneficiário de todos os niilismos. Se só somos isto, somos nada. Somos repasto de turistas, fado e bacalhau, e das paixões tribais da bola. Não temos método nem propósito, não temos história, não temos ciência, não temos cultura, não temos nada exceto o juízo dos outros sobre o valor de entretenimento.

Nem por ironia é aceitável. Uma sociedade sem reportório crítico, sem vitalidade intelectual, sem convicção, sem educação. Fado e bacalhau, a retórica pobre dos pobres de espírito. Ronaldo, o novo Camões. A estrutura deste vocabulário é perigosa, embalando a ignorância num contexto político e, dir-se-ia, estético, que faz dos portugueses seres que não governam o seu destino, são governados.

A versão identitária da portugalidade no texto de Marcelo não passa de indulgência e transtorno cognitivo. O estereótipo é tudo menos uma experiência estética.

Outros Presidentes, como Soares e Sampaio, leram muitos livros de História. Talvez fosse bom que Marcelo se retirasse dos afetos e, por uma vez, lesse até ao fim um livro em vez de o apresentar, recomendar e prefaciar. Recomendo-lhe dois, “O Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares, e “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. E releia, supondo que leu, “Os Maias”. Nele encontrará uma perso»nagem chamada Dâmaso Salcede. Um estremeção de reconhecimento e identificação será inevitável. (...)»

Clara Ferreira Alves, aka Pluma Caprichosa, no Expresso

23/09/2023

CASE STUDY: In the United Kingdom as in Portugal dos Pequeninos, wrong incentives lead to wrong outcomes

«(...) Britain had a good record on this score. For two decades until 2019 its inactivity rate (the share of people of working age who are neither working nor looking for a job) was among the lowest of any rich country. Then something went awry. Pandemic lockdowns smothered economic activity everywhere. But whereas other economies bounced back—since 2020 the inactivity rate has fallen, on average, by 0.4 percentage points across the OECD, a club of rich countries—in Britain, uniquely, it continues to climb, and is up by 0.5 points. What’s going on?

The immediate cause is not disputed: more Britons than ever are classified as unwell. Data released this week showed a remarkable 2.6m people, a record, are economically inactive because of long-term sickness—an increase of 476,000 since early 2020. Inactivity helps explain why firms are struggling with labour shortages and, in part, stubbornly high inflation. And there is a hefty bill. The Office for Budget Responsibility, the fiscal watchdog, says more long-term sickness has added £15.7bn ($19.6bn), or 0.6% of GDP, to annual government borrowing because of lost tax receipts and higher welfare spending. (...)

Instead, the primary cause is in the welfare system. The previous Labour government, and Conservative-led ones since 2010, gradually made it harder for claimants to get incapacity benefits. That helped guard against fraud and kept rates of economic inactivity low. But some people with real needs were wrongly denied benefits. In 2019, after several high-profile cases of people being declared fit for work and then dying, the government reversed course and made it much easier to obtain benefits. Over 80% of the claims lodged in the fiscal year 2019-20 were successful, up from just 35% in the decade before.

Meanwhile, perverse incentives have been added. The old system did a fair job of nudging those who were temporarily incapacitated back into work as soon as they were better. The new one has sharply raised the relative rewards of claiming to be permanently incapacitated. Those who are deemed unable ever to return to employment now get twice as much as those expected to go back to work one day. This gives people a strong incentive to exaggerate their ailments, and never look for a job again. (...)»

Why are so many Britons not working?

22/09/2023

Os equívocos do Programa "Mais Habitação", ou como tentar administrar uma medicação sem saber qual é a doença (7) - Os problemas da habitação são iguais em todo o lado mas há uns mais iguais do que outros

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

Em vários dos posts anteriores tentei mostrar que as situações particulares dos países e das cidades são diferentes e meter todos no mesmo saco da "crise da habitação" não ajuda nada a perceber o problema de cada uma delas e, portanto, só dá para encontrar soluções do tipo one fits all que no final não servem para nenhuma.

Em 1970 existiam cerca de 2,7 milhões de "alojamentos familiares clássicos" para uma população residente de 8,6 milhões. Trinta e um ano depois os números eram cerca de 6 milhões e 10,3 milhões, respectivamente, e o número de alojamentos por 100 pessoas passou de 31,4 para 58,3.
O diagrama anterior mostra a evolução do mesmo indicador entre 1980 e 2022 em diversos países desenvolvidos, valores que, se em 1980 não eram muito divergentes dos portugueses, nos anos mais recentes estes últimos ultrapassam largamente os de todos os outros países e até os da Alemanha. Sem prejuízo de ser normal existirem diferenças regionais mais ou menos importantes, pelos padrões internacionais não haveria uma razão óbvia para Portugal ter uma profunda crise de habitação, como é a versão geralmente percepcionada.

Será preciso, portanto, procurar as razões particulares que contra toda a evidência podem explicar a essa percepção.

(Continua)

21/09/2023

Muito mais é o que os une. Que aquilo que os separa. Do Paulinho das feiras ao Rochinha das feiras


«Nove e meia da manhã. A humidade da chuvada da última hora ainda se sente. Chão molhado, borrifos que ainda pingam das árvores à entrada do mercado, no lado direito, e alguma gente, não muita, de chapéu de chuva na mão. Cheira a frango assado.

Logo ao lado do lugar por onde a comitiva da Iniciativa Liberal entraria dali a meia-hora já há quem esteja na linguiça assada, na carne de vinho e alhos, na "melhor sidra da Madeira", na poncha e nos amendoins.» (DN)

Por muito que um democrata-cristão tenha um programa diferente de um liberal, ambos e ainda os centristas, socialistas, comunistas, esquerdistas and all that jazz querem os votos do povo e o povo gosta de feiras, pelo menos o povo que vai às feiras. Por isso há que trincar a sandes de paio, o pastel de bacalhau ou a linguiça assada e beberricar um tinto, jeropiga ou sidra da Madeira. Se não servir para nada, como provavelmente acontece no caso dos liberais que será mais fácil cruzarem-se com um lince da Serra da Malcata do que com um feirante liberal, pelo menos serve para "experienciar" a gastronomia e os costumes regionais.

20/09/2023

Ser de esquerda é... (24) - ... detestar o Dr. Cavaco Silva por más razões

«Que a esquerda tem mais alergia a Cavaco Silva do que Maomé ao toucinho é facto comprovado por quilómetros e quilómetros de papel de jornal. Ana Sá Lopes assinou no sábado um belo texto sobre o lançamento do novo livro do antigo primeiro-ministro, no qual declara: “Não há nenhum antigo dirigente do PSD que enerve tanto a esquerda como Cavaco Silva. É um dado objectivo – até o ódio a Santana Lopes se dissipou com os anos.” É bem verdade. Aliás, a coisa é tão escandalosamente evidente que até os próprios admitem.»

João Miguel Tavares no Público 

Aqui no (Im)pertinências a cotação do Dr. Cavaco Silva não é grande coisa, como se pode comprovar nas dezenas de posts publicadas ao longo de 20 anos exprimindo juízos críticos sobre a criatura e as suas acções. Nos posts de um dos contribuintes esses juízos são informados também pelo convívio a uma distância respeitosa durante um ano lectivo numa cave do antigo Mosteiro de Santa Brígida ou Convento de Santa Brígida ou Convento de São Salvador de Sion de Lisboa ou Mosteiro de Santa Brígida de Lisboa ou Convento das Inglesinhas ou Convento das Inglesinhas do Mocambo ou Convento do Quelhas.

Há, porém, importantes diferenças entre a urticária que o Dr. Cavaco desperta na esquerdalhada e as críticas e reservas que aqui lhe colocamos. Talvez até tenhamos de admitir serem excessivas as nossas críticas e reservas se a urticária da esquerdalhada for gerada, como parece, precisamente pelas acções da criatura que não nos merecem críticas ou reservas.

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