Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/01/2020

Estado empreendedor (108) - o aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (12) - Encontrou a sua vocação

[Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui]

Recapitulação

Ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus, um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres. Segundo o estudo, o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Passados onze anos e depois de imensos projectos de inspiração evangélico-socialista do tipo se o construímos eles virão, o aeroporto de Beja pode ter descoberto a sua vocação.


Ontem, quinta-feira, um Airbus A380 de grande porte partiu do aeroporto de Beja para Wuhan, na China, para repatriar 17 portugueses de um total de 350 europeus em risco de serem contaminados com o coronavírus e que irão ser transbordados para os respectivos países. Lá está a visão premonitória do Dr. Mateus, trocando o peixe por repatriados: «transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Dúvidas (287) – Irá o Brexit consumar-se? (XVIII) - Done

Spectator

Não sei se o Brexit tem benefícios líquidos para a Reino Unido, sobretudo resultados económicos líquidos positivos, mas não vale a pena discutir porque o povo britânico já falou nas urnas. Se tenho dúvidas quanto ao Reino Unido, não as tenho no caso da União Europeia que perde uma voz liberal nos campos económico, político e social que foi o contraponto ao intervencionismo dirigista continental.

30/01/2020

"Eleições faz de conta" continuam a premiar e a punir os mesmos

Negócios

Em relação às sondagens do mês passado que comentei aqui não se verificaram alterações significativas. É mais do mesmo. O PS continua a cair poucochinho, o PS-D de Rio continua a coxear devagarinho atrás do PS, o Floco de Esquerda a facturar as pusilanimidades socialistas, o PCP a aproximar-se do museu arqueológico, o Chega a capitalizar a alergia dos eleitores à paranóia das causas fracturantes, o PAN parece estar a esgotar o stock dos amigos dos animais, o IL também parece estar a esgotar o stock liberal, o CDS a caminhar cada vez mais depressa para o partido não já do táxi mas da trotinete e o Livre parece estar a capitalizar a vitimização da Dr.ª Joaquina.

CASE STUDY: O falhanço do feminismo como engenharia social

Com base nos inquéritos do PISA, a OCDE publicou um estudo sobre as aspirações de carreira profissional dos adolescentes de onde extraí o quadro seguinte.

Dream Jobs? Teenagers' Career Aspirations and the Future of Work

Este quadro mostra-nos duas coisas: (1) em dezoito anos as preferências dos adolescentes mantiveram-se relativamente estáveis, mais nos rapazes do que nas raparigas e (2) como sabe qualquer pessoa não contaminada pelas ideologias da identidade de género e do politicamente correcto, as preferências dos sexos continuam perfeitamente diferenciadas, apesar da imersão num ambiente escolar e social onde se pretende moldar as meninges dos jovens à medida dessas ideologias.

29/01/2020

Um dia como os outros na vida do estado sucial (42) - Estamos preparados para o pior, não estamos é preparados para o normal

Expresso

Um dia como os outros na vida do estado sucial (41) - Mudar de nome no Portugal dos Pequeninos

Era uma vez um rapaz farto do nome que lhe tinham prantado. Desde pequenote, na escola e em todo o lado, quando o chamavam pelo nome todos se riam.

Quando fez 18 anos tomou uma decisão: vou mudar de nome, disse para si próprio. No dia seguinte dirigiu-se ao registo civil, tirou a senha e aguardou pacientemente na fila que dava a volta ao quarteirão.

- O que é preciso para mudar o nome -  perguntou quando chegou a sua vez ao funcionário que falava distraidamente com o colega do lado sobre a próxima greve.

- Não se pode mudar o nome a não ser por casamento ou por o pai ou a mãe o terem reconhecido depois do registo do nascimento - respondeu com maus modos o funcionário, enquanto tirava cera do ouvido com o dedo mínimo e limpava a unha com um canivete suíço.

- Mas eu tenho um nome horrível. Toda a gente goza comigo - disse atormentado e com lágrimas nos olhos.

- Não pode mudar e se pudesse mudar teria de pagar os emolumentos - esclareceu o funcionário, enquanto extraía um macaco do nariz.

- E quanto seria? - perguntou desconsolado o rapaz.

- Duzentos euros - disse, enquanto perguntava a si próprio quando é que o miúdo se iria embora para ir aos sanitários fumar um charro.

- Pronto, desisto. Já percebi que tenho de ficar com este nome horrível.

- Ah, também pode mudar o nome se mudar de sexo e até li no jornal que vai ser grátis - acrescentou o funcionário, perguntando - afinal qual é mesmo o seu nome?

- João Penetra Murcho - respondeu com um soluço,

- OK, percebo-o. E o novo nome seria João quê? - perguntou, condoído pelo desgosto do rapaz.

-  Não seria João. Seria Pedro. Penetra Murcho é de família.

28/01/2020

ACREDITE SE QUISER: Luanda Leaks made in Luanda. Se non è vero, è ben trovato

«Manuel Vicente, é o maior rico entre todos os ricos angolanos, vence Isabel dos Santos e todos os demais bilionários que em Angola se acham. Manuel Vicente é o imenso craque do Luanda Leaks», garante o jornal online ANGOLA24HORAS, explicando que «o projecto do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação que colocou de rastos a figura internacional de Isabel dos Santos foi premeditado por Manuel Vicente».

Eu não garanto nada e até desconfio do tom encomiástico da peça que cheira a higienização da folha da Sr.ª Eng. Dos Santos, a Princesa Isabel. Ainda assim, dado o contexto da luta entre cleptocratas, nunca se sabe.

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (97) - Não tem emenda

Outras preces


Só um marciano recém-chegado ao planeta poderia esperar que S. Ex.ª guardasse de Conrado o prudente silêncio sobre a encenada e estrondosa queda em desgraça da Eng.ª Isabel dos Santos, a Princesa, queda que compromete as elites políticas e económicas do Portugal dos Pequeninos, incluindo S. Ex.ª, que ainda recentemente fez de midlleman nos acordos para a empresária trocar a sua participação no BPI por outra do BCP,

E foi assim que S. Ex.ª só desiludiu o marciano quando, regressado do estrangeiro - o que proporcionaria a alguém dotado de prudência e gravitas o pretexto para não responder -  falou pelos cotovelos sobre o caso, concluindo que «que não há razão para nem a economia nesses setores, nem os trabalhadores, nem os que têm a ver com as empresas, fornecedores ou clientes, estarem preocupados com isso».

Sabendo-se que o «isso», na situação de descapitalização em que se encontra o país, poderá representar mais um passo para transferir participações estratégicas de cleptrocratas actualmente politicamente inócuos para as mãos de uma nomenclatura chinesa ao serviço de uma potência hegemónica em rota de colisão com a aliança de que Portugal faz parte, «isso» dá uma ideia do pensamento estratégico de S. Ex.ª e, já agora, do seu patriotismo.

27/01/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Ou, melhor, tiraram-me

Mal acabei de ler o artigo de opinião "Um terço da Suécia" de Sérgio Sousa Pinto no Expresso de sábado (sem link disponível)  resolvi digitalizá-lo com reconhecimento de caracteres para o publicar hoje como texto aqui no (Im)pertinências, e não sábado quando o digitalizei - por regra difiro a publicação do publicado.  Poderia subscrever quase tudo e vindo de um socialista (com um passado de causas fracturantes é certo) mereceria uma transcrição completa.

Porém, se Sousa Pinto me tirou palavras da boca, Bernardo Blanco de O Insurgente tirou-me o post do blog porque resolveu ele próprio, e bem, publicá-lo hoje aqui. Ainda assim, não resisto a citar a parte mais lúcida e crítica do socialismo provinciano dominante no Portugal dos Pequeninos. Aqui vai à guisa de teaser:

«Ora, em 2020 ainda se encontram socialistas que falam do sector privado como sector dos “negócios” com um esgar de repulsa. O sector público, instituído em nome do bem geral, é ontologicamente superior ao mundo dos negócios, da cobiça, da acumulação e da exploração. Nesta mundivisão, o atraso português deixa de existir e é substituído pelo atraso “nos direitos” dos portugueses face aos outros povos com os quais (felizmente) persistimos em comparar-nos. A diferença é toda. O progresso nos “direitos”, espalhafatosamente materializado em conquistas cada vez mais simbólicas ou pífias, num cortejo de bombos e cantigas de embalar, carece de recursos, a obter, forçosamente, “onde se estão a acumular”.

As classes médias cada vez gozam de mais “direitos” e subsidiações, para (alegadamente) acederem a bens e serviços que noutros países pagam tranquilamente do seu bolso, porque a punção fiscal é menos esmagadora. A fantasia dos “direitos” domina a boca de cena, e a política — da extrema-esquerda à extrema-direita — é uma grande feira de “direitos”, propostos por demagogos de todas as persuasões. Cada vez mais distante está o problema do atraso português, “the sick man of Europe” da Europa Ocidental, agora disfarçado pela chegada à União Europeia de países muito mais pobres e muito mais martirizados pela história.»

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (16)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Isabel? Isabel quê? Não conhecemos

«Permissão para entrar no BCP foi dada pelo primeiro-ministro António Costa, numa reunião com a empresária» (fonte), em troca, recordemos, da saída do BPI imposta pelo BCE.

Quem também mal deve conhecer a Princesa é o Dr. Teixeira dos Santos em cujo currículo se conta: (1) a nomeação para a Caixa da dupla de amigos e factótuns do Eng. Sócrates, Caixa que financiou a compra de acções do BCP e factótuns que a seguir para lá se trasladaram; (2) ter sido em 2008 o pior dos 19 ministros das Finanças da Zona Euro; (3) ter batido os recordes do défice orçamental e do défice de memória; (4) ter nacionalizado o BPN que era para não ter custado nada e o nada já vai em vários milhares de milhões; (5) por uma improbabilíssima coincidência, é hoje o presidente do EuroBic que comprou a parte sobrante do BPN, depois de expurgado dos activos tóxicos doados aos contribuintes; e (6) o EuroBic, por outra improbabilíssima coincidência, serviu para a Princesa movimentar as suas poupanças que já vêm do tempo em que vendia ovos. Tudo isso explica que o BdP não esteja a reavaliar a idoneidade do Dr. Teixeira dos Santos, com toda a razão porque o seu presente não acrescenta muito ao seu passado.

Porém, ainda que a conhecessem como poderiam saber? É certo que uma revista internacional em 2013 já tinha publicado o artigo «Daddy's Girl: How An African 'Princess' Banked $3 Billion In A Country Living On $2 A Day», mas quem é que, ocupado com a leitura da imprensa amiga do regime, tem tempo para ler a Forbes?

Entretanto, a Eng. Isabel, aborrecida com toda a confusão sobre como conseguiu chegar da meia dúzia de ovos até às 400 empresas e aos 2 mil milhões de euros de património, está a vender as suas empresas a "empresários" que, por acaso, também têm provavelmente a qualidade de membros do partido comunista chinês, de onde poderemos ter a nomenclatura chinesa a caminho de substituir a cleptocracia angolana.

Idiotas úteis

Uma referência especial ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e à maioria dos jornais e dos jornalistas portugueses que se têm empenhado em expor os podres da Princesa, da família Dos Santos e daquela parte da cleptocracia que foi expulsa do poder, com grande júbilo do resto da cleptocracia que continua no poder, alimentando com zelo os crocodilos dos mídia na esperança de os manter afastados de si próprios.

Ministério à medida, disse ela

Quatro coisas que na Óropa pareceriam virtualmente impossíveis (1) ter um ministério da Coesão num país que é coeso há séculos; (2) ter uma ministra que confessa com grande à vontade que «o ministério foi feito um bocadinho à minha medida»; (3) ter um jornal que se confunde com o regime a dedicar-lhe no mesmo número três páginas formato broadsheet, duas para a entrevista e uma para anunciar 140 milhões que vão chover nas empresas do interior e (4) esse jornal intitular-se semanário de referência.

26/01/2020

Dúvidas (286) - Isabel dos Santos e a cleptocracia angolana só estão presentes deste lado do Atlântico?

Ao jornalismo de causas doméstico na modalidade justiceira que com tanta pertinácia escava os Luanda Leaks têm escapado os tentáculos de Isabel dos Santos do outro lado do Atlântico. E porquê?, perguntareis. Por causa das âncoras do outro lado - Lula, o PT e a clique do Lava Jato - que mais haveria de ser?

«A pujança financeira de Isabel se entrelaça com o Brasil a partir das relações entre Santos e o PT. Logo que Lula assumiu a Presidência, angolanos eram convivas frequentes na mansão em Brasília alugada por empresários amigos para promover festas e negócios — aquele casarão que foi palco da derrocada do ministro Antonio Palocci, usuário de uma das suítes. O próprio Palocci, no capítulo de sua delação premiada chamado “Negócios em Angola”, revelou que o PT recebera 64 milhões de reais em propinas da Odebrecht de modo a ampliar o crédito do BNDES para o financiamento de obras no país africano. (...)

A Odebrecht viria a se tornar sócia da Sonangol e a maior empresa privada de Angola. O próprio Lula esteve lá, em 2014, para destravar pagamentos que o governo local devia à empreiteira. Mais: o marqueteiro João Santana contou à Justiça que trabalhara para reeleger José Eduardo dos Santos em 2012 — campanha financiada por 50 milhões de dólares da onipresente Odebrecht. Trançando os pauzinhos na Sonangol, Isabel se tornou dona de 6% das ações da portuguesa Galp, do setor de energia, e se beneficiou enormemente de um malfadado projeto dela com a Petrobras para tirar combustível de óleo de dendê, no qual a brasileira enterrou nada menos que 270 milhões de dólares.»

Os tentáculos brasileiros da rede de corrupção de Isabel dos Santos, Revista Veja

25/01/2020

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (96) - A pesada herança que nos vai deixar

Outras preces

«Em Marcelo, vemos o clássico sintoma populista de uma preocupação excessiva em criar um vínculo emocional e uma ligação direta às massas, que torne desnecessária a intermediação dos partidos políticos e de outras instituições. Foi o facto de ter construído essa relação com os portugueses, ao longo de 20 anos de homilias televisivas, que lhe permitiu ser eleito sem fazer campanha nos moldes tradicionais e quase sem precisar do apoio do seu partido. E é também isto que explica a ânsia, quase caricatural, de aparecer em todos os assuntos que lhe permitam fazer boa figura, mesmo que os bombeiros e a GNR possam dar conta da ocorrência. (...)

Com a sua forma de fazer política, Marcelo aproximou os cidadãos da Presidência, mas ao mesmo tempo lançou bem fundo as sementes do populismo em Portugal. As consequências deste facto só serão completamente entendidas dentro de algumas décadas, mas os efeitos já começam a fazer-se sentir, como se viu na recente entrevista de Cristina Ferreira à ”Visão”. A apresentadora admite que não se sente tecnicamente preparada para estar num Governo, mas, inspirando-se no estilo de Marcelo, admite candidatar-se a Presidente da República. Cristina Ferreira é uma profissional de mérito reconhecido, mas o que concluímos desta entrevista é que a atuação de Marcelo está a baixar a fasquia em termos de competências políticas (e técnicas) tidas como necessárias para assumir a mais alta magistratura da Nação.

Depois do atual inquilino de Belém, qualquer celebridade com o dom de seduzir as massas poderá legitimamente aspirar à Presidência. A porta que Marcelo abriu não voltará a fechar-se e ninguém sabe o que daí virá.»

A porta que Marcelo abriu, Filipe Alves no Jornal Económico

24/01/2020

O problema da corrupção não é só moral (4) - Mais opacidade do que transparência

Continuação descontinuada de (1), (2), e (3)

No ranking do Índice de Percepção de Corrupção do sector público da Transparência Internacional, Portugal teve 62 pontos em 100 e a 30.ª posição em 180 países no ranking de 2019, uma redução relativamente aos 64 pontos de 2018, apesar de manter a mesma posição, e uma queda de uma posição em relação a 2017, continuando dois pontos abaixo da média da UE.


Repetindo-me: se a corrupção fosse grave apenas por razões morais e éticas já seria mais do que suficiente para merecer a nossa atenção. Mas não é grave só por isso. É igualmente grave porque a corrupção é um factor de distorção do racional das escolhas económicas, que passam a ser feitas, não com base dos benefícios líquidos previstos, empresariais ou públicos, que delas se esperam que resultem, mas com fundamento no interesse de pessoas ou grupos que não têm legitimidade para intervir nessas escolhas.

23/01/2020

De como o Mosquito de João Nuno Pinto é um exemplo a posteriori para o Otto e mezzo de Fellini

O realizador João Nuno Pinto confessou ao Público que Mosquito, o seu segundo filme, apresentado ontem na abertura do festival de Roterdão, «é uma forma de me redimir por ser filho de colonizadores».

Devemos relevar este propósito redentor de expiar a culpa dos pais colonizadores, por várias razões. E uma delas é que o mesmo jornal, precisamente no mesmo dia, anunciava que Fellini «vai estar no centro da programação da 13.ª edição da Festa do Cinema Italiano, que terá lugar de 1 a 9 de Abril».

Não será preciso explicar quem foi Federico Fellini, e não deveria ser indispensável lembrar que é italiano, nascido em Rimini,  o que faz dele um descendente dos colonizadores romanos da Lusitânia. Por coincidência, foi no fórum de Rimini que Júlio César apelou às legiões depois de ter atravessado o Rubicão.

A morte de Viriato, um herói da luta anticolonial, de José de Madrazo
É aqui que entra o Mosquito, João Nuno Pinto e a sua superioridade moral e da sua obra sobre um Fellini que em nenhum do seus filmes expiou a culpa das legiões romanas pela ocupação da Lusitânia, o massacre e escravização dos lusitanos, o que deveria e poderia muito bem tê-lo feito, por exemplo no auto-biográfico Otto e mezzo, em vez de celebrar as abundantes bundas e gloriosas tetas, como fez em muitos dos seus filmes, por exemplo em Amarcord, aqui devidamente evocado pelo outro contribuinte.

CASE STUDY: O pior dos melhores é melhor do que um dos melhores dos piores

«The Economist coloca Portugal na categoria de “país totalmente democrático», titula um dos jornais do regime (Público), acrescentando que «O estudo adianta que Portugal se encontrava já no limiar da categoria da plena democracia», o que, sendo verdade, não é toda a verdade.


O resto relevante da verdade é que Portugal subiu no ranking de 27.º, o 6.º das "democracias avariadas", para 22.º, o último das plenas democracias. E subiu devido à melhoria dos scores do "funcionamento do governo" e da "cultura política", subida ininteligível na minha humilde opinião, mas isso para o caso não interessa - eles lá saberão.


Conviria ainda acrescentar que só em 2010 atingiu foi atingido o overall score de 2010, dos tempos em que os portugueses se julgavam ricos, antes da troika lhes vir lembrar que não só eram relativamente pobres como estavam (e estão) absolutamente endividados.

Posts relacionados: CASE STUDY: Democracias defeituosas (1) e (2).

22/01/2020

É claro que é isso!

«Portanto Isabel dos Santos é garantidamente criminosa porque recebeu do pai o que não era dele mas sim do Estado angolano. Já José Sócrates que diz ter recebido da mãe o que ela claramente não tinha é um perseguido pela justiça.»

«É isto?» interroga-se Helena Matos. Ora, que pergunta!

O Dr. Costa está há quatro anos a tratar do "portsoc" e agora cabe ao Dr. Nuno Artur Silva montar o ministério da Verdade que garantirá "informação séria"

Governo lança em 2020 campanha de sensibilização que visa a informação séria

«O Governo anunciou esta segunda-feira o lançamento, no início de 2020, de uma campanha de sensibilização que visa a convivência democrática entre uma comunicação social livre e uma população formada e capaz de exigir e procurar informação séria.

"Além das medidas de fomento de literacia mediática, é essencial promovermos uma campanha alargada de sensibilização, difundida por vários meios, como televisão, imprensa, rádio e meios digitais (...) cujo objetivo seja alertar os cidadãos para o facto de que a produção de conteúdos informativos é fundamental, pelo que todos são chamados a contribuir e envolver-se", frisou Nuno Artur Silva. "Que não haja dúvidas que isto não é uma questão dos jornalistas, isto é uma questão dos cidadãos", argumentou o governante, para quem a desinformação "é uma ameaça séria que pode afetar a credibilidade das instituições democráticas, minando a confiança nessas instituições".»

Palavras do secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, aka ministro da Verdade, na sessão de encerramento da conferência "A palavra da imprensa portuguesa", promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa

21/01/2020

A cleptocracia angolana do MPLA, os novos colonialistas de inspiração marxista-leninista

«Em Angola, a nova elite foi defendida, durante décadas, por um exército de ocupação cubano, contra a revolta da maioria da população. O aspecto do poder do MPLA como um poder colonial não podia ser mais claro. Por vezes, culpava-se disto tudo a Guerra Fria ou a África do Sul. Mas o fim do apartheid e da União Soviética não mudou o carácter autocrático do regime angolano. Ajudou apenas a esclarecer os objectivos dos novos donos de Angola: em vez da construção de sociedades marxistas-leninistas, o enriquecimento pessoal, com a colocação das fortunas a resguardo no Ocidente. Há quem, para explicar estas tragédias, argumente que as populações das antigas colónias não estavam ainda em condições de formar nações. Já era esse o argumento dos defensores europeus da colonização. Mas de uma coisa podemos estar certos: estas cleptocracias não estão certamente a preparar ninguém para a maioridade cívica. É esta a história por detrás dos Luanda Leaks: a de uma descolonização por fazer.»

Uma descolonização por fazer, Rui Ramos no Observador

A esta luz, a exposição do esquema empresarial da "Princesa" Isabel dos Santos, fundado na extracção de recursos públicos, é uma consequência da disputa do acesso a esses recursos entre as cliques que dominam o Estado angolano.

ACREDITE SE QUISER: Isabel dos Santos montou sozinha um império assente na corrupção. Não há um só cúmplice aqui no Portugal dos Pequeninos. A nomenclatura do regime está inocente

Rádio Renascença
E os vários governos que a trouxeram ao colo? E os seus parceiros portugueses, como os Amorim, os Azevedo e outros? E os consultores PwC, BCG, McKinsey e outros? E os inúmeros factótuns, como Teixeira dos Santos e outros?

20/01/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (15)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A mercearia orçamental

No primeiro dia da discussão na especialidade do OE 2020 foram apresentadas 179 propostas de alteração pelos partidos que apoiam a passarola de Costa: BE (39), PCP (37), PAN (46), PEV (31), Livre (26), todos agarrados à toalha da mesa do orçamento a tentarem mostrar serviço aos seus eleitores.

Os casos mais deprimentes são os do PCP e BE que nos últimos quatro anos vem engolindo tudo e tudo justificando como «dois grupos de mentirosos coxeando atrás do PS», para usar as palavras de Vasco Pulido Valente. O PCP engole e ainda consegue arrotar umas greves como a dos funcionários públicos no próximo dia 31 (cada partido comunista tem a classe operária que pode). Já o BE, por falta de implantação sindical, não tem nada para arrotar, a não ser flatulências inócuas, ainda que mal cheirosas.

Cuidando da freguesia eleitoral

Os mais de 40 mil efectivos policiais (mais 36% do que a média da UE), organizados em 17 sindicatos, fazem de Portugal um dos países com mais polícias, mas não dos mais policiados porque a maioria desses polícias descansa nas esquadras. A adicionar a esse numeroso destacamento o MAI anunciou que recrutará até 2023 10 mil novos efectivos para a PSP, GNR e SEF, potenciais novos eleitores do PS, espera o ministro, mas talvez se engane porque o Dr. Ventura pode chegar primeiro e mexe-se bem nesses meios.

«Temos resultados, temos contas certas»

O nosso Ronaldo das Finanças, a atravessar um período difícil para o seu ego, tem sentido a necessidade de exaltar os seus feitos, conseguidos muito à custa da redução das taxas de juros pelo BCE e desvalorizar os feitos do governo PSD-CDS de quem diz que a «saída limpa foi, afinal, uma nódoa» (ler aqui a estória contada pelo outro contribuinte e «Uma comparação (im)possível» de Miranda Sarmento).

Com essa auto-exaltação não parece convencer a CE que aponta no OE 2020 um «risco de desvio significativo do ajustamento requerido» e considera não serem feitos progressos suficientes na redução de dívida.