Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
06/10/2020
SERVIÇO PÚBLICO: As mentiras sobre o Novo Banco e a falência do GES
05/10/2020
BCP - um exemplo de destruição de valor no Portugal dos Pequeninos
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (53) - Em tempo de vírus (XXX)
O PS como barriga de aluguer de causas fracturantes
Finalmente as causas fracturantes berloquistas chegaram à tropa, o último reduto do "machismo". Com o savor-faire entrista, herdado do troskismo da LCI do tele-evangelista professor Louçã, o berloquismo infectou a secretaria-geral da Defesa que emitiu uma directiva adoptando a «linguagem inclusiva» sem expressões «sexistas» e «homofóbicas» e «sensível ao género». Estava já imaginar como é que orçamento da tropa, insuficiente para manter o material operacional, iria acomodar a evolução natural desta tendência que culminaria em casernas e sanitários diferentes para acomodar os 112 "géneros", incluindo o «Verangender», a gender that seems to shift/change the moment it is identified». Seja por razões orçamentais, seja porque a tropa reagiu («isto é uma baboseira e uma provocação aos militares») o ministro da Defesa anulou a directiva. É uma grande perda, porque se a tropa já de pouco serve para a defesa do Portugal dos Pequeninos, por que raio não há-de dedicar-se às causas do género?
Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível
Em retrospectiva: no passado usaram-se guardas-florestais para prevenir incêndios. Há há dois anos o exército torrou quase 6 milhões na compra de drones para a vigilância de fogos que não foram usados. E o que faz um governo socialista nestas circunstâncias? Compra mais 12 drones para a Força Aérea e começa a contratar guardas-florestais. Isto foi o que escrevi há quatro meses. Depois disso, a Força Aérea assina o contrato em 3 de Julho quando os drones já deveriam andar a vigiar os incêndios; a 17 o ministro do Ambiente diz que estariam operacionais dentro de dias; a 4 de Agosto os ministros fazem uma acção de promoção e nada de drones; talvez alguns sejam entregues a partir de 31 de Agosto. Actualização: no dia 30 de Setembro só estavam operacionais quatro dos doze drones.
04/10/2020
De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (40) - Experiências fora da caixa (4)
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| Our World in Data |
03/10/2020
Dúvidas (288) - Ele é um f. da p., mas será o nosso f. da p.?
«Há duas visões da América. Em 2020, uma dessas visões é representada por Trump e outra por Biden. Dir-me-ão: Trump é um “filho da mãe”. Até pode ser, mas é o “filho da mãe” dos que preferem um Estado pequeno e uma economia livre, tal como Biden – acusado e suspeito dos mesmos pecados que Trump – é o “filho da mãe” dos que preferem um Estado maior e uma economia dirigida. Não devia ser assim? É assim.»
Concordo frequentemente com Rui Ramos, mas não desta vez. Ou, para ser exacto, desta vez discordo absolutamente. Não há só duas visões da América e, ainda que Trump fosse «o "filho da mãe” dos que preferem um Estado pequeno e uma economia livre», ninguém pode concluir que prefira um Estado pequeno e uma economia livre, sendo igualmente certo que também não se pode concluir que prefira um Estado maior e uma economia dirigida. Trump já mostrou que pode preferir e defender qualquer coisa e o seu contrário. O que prefere ou defende tem exclusivamente a ver com o que em cada momento imagina aumenta as suas chances de manter o poder. Ele já mostrou que pode preferir um Estado de qualquer tamanho em que ele ocupe a presidência. O seu programa é ele próprio, e é por isso que o seu narcisismo patológico é tão perigoso.
Se do ponto de vista da realpolitik pudesse ter feito sentido o apoio de Roosevelt a um Somoza alinhado com a versão New Deal da doutrina Monroe, não faz sentido apoiar uma criatura errática cujo programa é ele próprio e que é uma ameaça para uma democracia americana em crise.
E não, ameaça não é retórica. A resposta de Trump no final do debate com Biden sobre a aceitação dos resultados das eleições era algo que só era habitual ouvir de Mugabe ou outros déspotas africanos. Desde o princípio de 2017 as sondagens do Voter Study Group mostram que a percentagem de americanos que pensam ser aceitável o uso da violência pelo seu partido para conseguir os objectivos vem aumentando consistentemente de 8% para mais de 30% (fonte: newletter Checks and Balance da Economist).
02/10/2020
Se non è vero, è ben trovato
I have tested positive. The experts say it is the most positive test they have ever seen. It was so positive they couldn't even believe it. They had to do another test to be sure. They said no one has tested this positive ever. They were quite frankly amazed! #TrumpHasCovid
O inferno está cheio de boas intenções (55) - Sem dar por isso, o parlamento quer produzir 7,8 milhões toneladas de gases
01/10/2020
¿Por qué no te callas? (27) - Resumo do show off Trump-Biden
Por via de regra, não assisto a debates políticos, nem mesmo os do Portugal dos Pequeninos. Não votando nas eleições americanas, estava fora de causa abrir uma excepção. Ainda assim, não querendo privar os nossos visitantes de uma apreciação do show off Trump-Biden, escolhi um post de Rita Carreira, que cito na língua original porque me pareceu sem sentido traduzir para português um texto em inglês escrito por uma portuguesa.
«We are stuck between a rock and a hard place. If there is any take away to be had from the first Presidential debate it is that Joe Biden is a terrible candidate. He is too old, lethargic, and his tongue gets tied in knots. Trump is a compulsive liar, but he has spent his whole life swindling people, so he's very good at it.
Plus, the standard rules do not apply to Trump: he lies and contradicts himself like it's nobody's business. He goes from saying that the Spring shutdown was a necessity and saved a ton of people to affirming with great conviction what a big mistake shutdowns are. Biden can't even connect the dots and push back.
At another time, Trump prods Biden to admit that he's planning on packing the court, i.e., increasing the number of Justices in the SCOTUS--he cannot, only Congress has that power. Biden coyly tries to get out of it. Then when Trump is asked about the election ending up in the courts, he admits that he is packing the courts as much as he can, since Obama left a bunch of openings left to fill. And, yes, he is counting on SCOTUS to give him the election.
Perhaps Biden's funniest moment was when he called Trump a clown, after which he immediately apologized. He should have owned it. He should've said "You're a fucking clown and people are dying because of how incompetent you are!" There, go for the kill, surprise your audience and you adversary! Don't act like a little boy who got caught with his hand in the cookie jar.»
Lembrei-me de Juan Carlos, o rei espanhol caído em desgraça, que perguntou «¿Por qué no te callas?» a Hugo Chávez, o coronel tapioca que reinava então na Venezuela, num encontro em que este último debitava ininterruptamente baboseiras.
30/09/2020
SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria" (7)
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| Fonte: The Spectator |
29/09/2020
De boas intenções está o inferno cheio (54) - Como desacreditar a escola pública e aumentar a desigualdade de oportunidades
«No exame de acesso de Matemática A, a moda — ou seja, a nota que se repetiu mais vezes — foi 19. Em Física e Química A, do 11º ano, a moda foi 18. Olhando para as médias de acesso à Universidade, ficamos com a ideia de que o futuro do país está garantido. Os gestores portugueses serão, em breve, os melhores do mundo. Os economistas, idem. Temos uma medicina que não se compara a nada. Os juristas são tão extraordinários que a nossa Justiça rapidamente se tornará uma referência internacional. Cereja em cima do bolo, temos os melhores engenheiros aeroespaciais do mundo: em 10 anos, vamos a Marte e voltamos.
(Se tivermos em atenção que mais de metade dos professores universitários tem a avaliação máxima, de Excelente, somos obrigados a concluir que a academia portuguesa há de ser a melhor do mundo.)
Como, evidentemente, não somos todos uns génios, o que isto quer dizer é que os exames foram fáceis demais, não permitindo distinguir os bons alunos dos muito bons e dos excelentes. Isto tornou o acesso a alguns cursos numa autêntica lotaria. E numa tremenda injustiça para tantos jovens. Não consigo imaginar o que é estar na pele de um adolescente que desde o 10º ano só tira dezoitos, dezanoves e vintes, que nas provas de acesso não tem nenhuma nota abaixo de 18 e não consegue entrar no curso pretendido. Ou estar na pele de alguém que, ao longo de 3 anos, tirou 20 a tudo e que teve um azar no exame de Matemática, não conseguindo mais do que 16, e que por isso não entra no seu curso de sonho. Ao tornar o acesso ao superior numa lotaria, os exames foram um fracasso.»
Excerto de Mais um prego no caixão da escola pública, Luís Aguiar-Conraria no Expresso
A falta de exigência e de rigor e a cedência ao facilitismo está no ADN da esquerdalhada e reflecte-se nas políticas de educação que promovem, a pretexto de facilitar a vida aos mais pobres. Não é preciso ser um génio para perceber que o efeito é precisamente o contrário: o facilitismo agrava o handicap das origens sociais que dá vantagem aos jovens provenientes de famílias que dão importância ao ensino e estimulam a aprendizagem, comparativamente com os jovens de classes mais pobres que frequentemente não têm um ambiente familiar estimulante. Evidentemente que este resultado não tira o sono aos promotores do facilitismo por duas razões: (1) muitos deles inscrevem os seus rebentos em escolas privadas e (2) para quem vê o futuro dos jovens como funcionários de um Estado pantagruélico e omnipresente um diploma é suficiente e estar mal preparado não é um problema.
A longo prazo, esse facilitismo incentiva a optar pelo ensino privado as famílias que têm meios para isso, transformando gradualmente as escolas públicas em repositórios de jovens destinados a adultos falhados, sobretudo as escolas fora das zonas privilegiadas. O resultado final é o aumento das desigualdades, precisamente aquilo que se pretendia evitar.
Malhar em defuntos políticos e bajular quem tem popularidade e quem controla votos. Há quem lhe chame coragem
Ana Gomes sobre:
Cavaco Silva: «múmia paralítica»
Marcelo Rebelo de Sousa: «afectos foram úteis para desanuviar do estilo múmia paralítica»
António Costa: «desempenho de quadro de honra como governante»; «não precisava» de estar em comissões de honra, isto para quem disse de Vieira o que Maomé não disse do chouriço.
28/09/2020
ARTIGO DEFUNTO: "Material impreciso e pouco rigoroso"
Deve haver o cuidado de não divulgar material impreciso ou pouco rigoroso, ao nível do texto ou da imagem, susceptível de induzir em erro ou distorcer os factos.
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| Bruno Ciancio, diretor do Departamento de Emergência em Saúde Pública do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) em entrevista ao Expresso de 26-09-2020 |
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (52) - Em tempo de vírus (XXIX)
O Expresso, pela pena de um dos ouvidos do Dr. Costa, informa-nos que «o governo vai criar comité para supervisionar obstáculos na aplicação dos fundos», presidido pelo Dr. Costa para «garantir autoridade política».
O Dr. Costa tem a paixão dos planos
O Eng. Guterres tinha a paixão da educação - deu no que deu. O Dr. Costa tem a paixão dos planos e está a dar no que já deu e vai dar: «Uma década para Portugal» (o relatório dos 12 sábios, entre eles o Dr Centeno, escalpelizado na série de posts dos amanhãs que cantam do PS), o Programa Eleitoral do PS, o programa de governo do PS, os múltiplos planos sectoriais e por último a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030. Ainda a tinta deste último não secou e já o governo incluiu nas Grandes Opções do Plano a recuperação do estudo Porter pedido por Mira Amaral em 1994. Ora se há líquidos não miscíveis é a metodologia de Porter - uma abordagem microeconómica - e os devaneios poéticos macroeconómicos do Dr. Costa Silva.
O Zeppelin do Dr. Galamba
O Dr. Galamba, o criador do elefante branco da cor do hidrogénio verde, produziu há dias um pensamento: «a introdução do hidrogénio aumenta o valor económico de cada euro investido em eletricidade». Não entendem? Eu também não, mas entendo que, segundo as estimativas de Abel Mateus, o «hidrogénio verde vai aumentar fatura do gás em cerca de 20%», o que não admira porque só para começo de conversa o governo vai torrar 900 milhões. E também entendo que os gestores da Fusion Fuel, que têm um projecto para produzir hidrogénio verde em Sines, são também os gestores de duas empresas com várias acções judiciais e vários pedidos de insolvência.
«Estamos preparados»
Um estudo da Associação dos Administradores Hospitalares e da Ordem dos Médicos estima que com uma possível «segunda vaga da pandemia» até ao final do ano fiquem por fazer mais de 10 milhões de consultas nos centros de saúde e mais de 2,2 milhões nos hospitais e 214 mil cirurgias. Mesmo sem segunda vaga, os dados disponíveis até Agosto tornam essa estimativa muito plausível. Isso e os efeitos secundários do confinamento, sobretudo nos idosos, explica o excesso de óbitos não Covid em relação à média que as estatísticas evidenciam.
27/09/2020
"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes"
| Expresso de 22-09-2020 |
No último dos "Encontros fora da Caixa" promovidos pelo banco público que já custou aos contribuintes vários milhares de milhões de euros e pelo semanário de reverência Expresso, encontro que juntou umas dúzias de luminárias, entre as quais o escritor Gonçalo M. Tavares e o músico Pedro Abrunhosa, reflectiu-se sobre a salvação de Portugal pelo plano dos Costas para torrar 26 mil milhões de euros em dez anos, e produziram-se ideias, entre as quais a que o Expresso justamente destacou. Ditosa Pátria que tais Filhos tem.
Dúvidas (287) – Irá o Brexit consumar-se? (XIX) - Done? Undone yet!
26/09/2020
Ser de esquerda é... (8)
Dúvidas (320) - Também já tive essas dúvidas
25/09/2020
SERVIÇO PÚBLICO: Recomendação de leitura
Mitos e falácias sobre o IRS em Portugal um artigo de Carlos Guimarães Pinto com rigor e uma clareza meridiana que desfaz as construções ideológicas que a esquerdalhada costuma fazer com o IRS e o seu papel no sistema fiscal.
Dúvidas (319) - Já estarão a faltar condecoráveis para S. Ex.ª precisar de os exumar?
Alguém pode explicar porque carga de água o prof Marcelo foi agora condecorar postumamente Ruben A., um escritor falecido há 45 anos, que já havia sido condecorado em 1973 com a Ordem do Infante, uma condecoração apropriada a um escritor que viveu e ensinou no estrangeiro? Sim, eu sei que é este ano o centenário do nascimento de Ruben A., mas, nesse caso, irá S. Ex.ª condecorar em cada ano os escritores que nasceram cem anos antes? Ainda para mais S. Ex.ª condecorou-o com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada que não parece ter nada a ver com o condecorado.





