Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

06/10/2020

SERVIÇO PÚBLICO: As mentiras sobre o Novo Banco e a falência do GES

Há uns 15 anos que no (Im)pertinências andamos a escrever sobre a obra dos Espírito Santo, obra só possível pela coligação de interesses com uma facção do PS e a tolerância do resto, to say the least. Seis anos depois da resolução do BES ainda a classe política anda embrulhada em mentiras e omissões e não são muitos os jornalistas que escrevem com independência sobre o tema. 

Porquê a classe jornalística é tão tímida a falar deste tema? Uma possível explicação é lista de avenças e compensações pagas pelo GES a mais de uma centena de pessoas, incluindo políticos, gestores e jornalistas, relacionada com os Panama Papers que o Expresso prometeu publicar e, por razões que se percebem, nunca chegou a fazê-lo.

Vale a pena, por isso, ler o artigo É mentira, sim senhor de João Vieira Pereira, um jornalista independente que apesar de director do Expresso não deve fazer parte da lista. Aqui vai um excerto.

«Quando se fala das sucessivas auditorias ao Novo Banco, nunca se refere que o dinheiro perdido hoje está a servir para pagar as negociatas que se fizeram durante anos e anos naquele que era considerado o banco do regime, que alimentava todo o tipo de interesses que envolviam sempre o poder político. Os exemplos sucedem-se, desde a forma escandalosa como destruíram a Portugal Telecom, como impediram a legítima OPA de Belmiro de Azevedo, a criminosa atuação da Ongoing, o aval financeiro à política de betão de sucessivos governos, passando pela ajuda no encobrimento da real situação financeira de muitas empresas públicas.

05/10/2020

BCP - um exemplo de destruição de valor no Portugal dos Pequeninos

«Em Lisboa, o BCP foi o peso pesado em destaque. O banco tomou a dianteira das perdas ao deslizar 2,38% para 7,79, tendo mesmo chegado a recuar 3,51% durante a sessão, uma descida que lhe valeu um novo mínimo histórico, os 7,7 cêntimos. Esta torna-se assim a sétima semana consecutiva que o banco termina em terreno negativo, depois de, no último mês, ter descido 18,64%.» (Jornal de Negócios)

BCP em novo mínimo histórico? € 0,077€? Lembrei-me que em Junho de 2000 o BCP, que fizera uma OPA sobre a Companhia de Seguros Império, trocou-me acções da seguradora que eu detinha pela suas cotadas a € 5,45! Três anos mais tarde o BCP pediu a retirada dos ADR da bolsa de NY e percebi que teria sido pelos critérios das regras contabilísticas americanas, as US GAAP, serem muito mais rigorosos do que as locais e mostrarem a roupa suja. Acabei a vender no ano seguinte por menos de metade do preço de compra.

É apenas um exemplo da destruição de valor por um capitalismo de compadres dependente dos governos do PS (dois terços do tempo) e do PS-D (um terço do tempo), sob a batuta desses mesmos governos. Percebe-se que isto só pode acabar mal (outra vez).

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (53) - Em tempo de vírus (XXX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O PS como barriga de aluguer de causas fracturantes

Finalmente as causas fracturantes berloquistas chegaram à tropa, o último reduto do "machismo". Com o savor-faire entrista, herdado do troskismo da LCI do tele-evangelista professor Louçã, o berloquismo infectou a secretaria-geral da Defesa que emitiu uma directiva adoptando a «linguagem inclusiva» sem expressões «sexistas» e «homofóbicas» e «sensível ao género». Estava já imaginar como é que orçamento da tropa, insuficiente para manter o material operacional, iria acomodar a evolução natural desta tendência que culminaria em casernas e sanitários diferentes para acomodar os 112 "géneros", incluindo o «Verangender», a gender that seems to shift/change the moment it is identified». Seja por razões orçamentais, seja porque a tropa reagiu («isto é uma baboseira e uma provocação aos militares») o ministro da Defesa anulou a directiva. É uma grande perda, porque se a tropa já de pouco serve para a defesa do Portugal dos Pequeninos, por que raio não há-de dedicar-se às causas do género?

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

Segundo a lei agora aprovada, os interesses em conflito existem para quem desempenhou funções no sistema financeiro ou em auditores que passam a ter de esperar três anos para ter um cargo político de nomeação. E se for ao contrário? Nesse caso, segundo a lei, pode sair-se directamente do governo para um banco, o que qualquer criatura com um neurónio activo percebe tem potencialmente mais conflitos de interesse do que sair-se de um banco directamente para o governo. Capisce?

Sol na eira e chuva no nabal

A respeito dos problemas de segurança com o G5 e a Huawei, o embaixador americano disse em entrevista ao Expresso que Portugal «tem de escolher agora entre os aliados e os chineses», o que levantou uma onda de indignação quase do tamanho da onda do ultimatum de 1890. O governo socialista, que vela por nós, já escolheu: a China para controlar as infraestruturas vitais do país, a Óropa para nos subsidiar a economia e os EU para nos subsidiar a defesa.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Em retrospectiva: no passado usaram-se guardas-florestais para prevenir incêndios. Há há dois anos o exército torrou quase 6 milhões na compra de drones para a vigilância de fogos que não foram usados. E o que faz um governo socialista nestas circunstâncias? Compra mais 12 drones para a Força Aérea e começa a contratar guardas-florestais. Isto foi o que escrevi há quatro meses. Depois disso, a Força Aérea assina o contrato em 3 de Julho quando os drones já deveriam andar a vigiar os incêndios; a 17 o ministro do Ambiente diz que estariam operacionais dentro de dias; a 4 de Agosto os ministros fazem uma acção de promoção e nada de drones; talvez alguns sejam entregues a partir de 31 de Agosto. Actualização: no dia 30 de Setembro só estavam operacionais quatro dos doze drones.

Com o propósito de reduzir as emissões de gases de efeitos de estufa, os deputados de todos os partidos, com excepção do Iniciativa Liberal, aprovaram uma recomendação ao governo da qual resulta um aumento de quarenta vezes das emissões.

04/10/2020

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (40) - Experiências fora da caixa (4)

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Suécia - "É uma questão de liberdade, não de epidemiologia" e de Experiências fora da caixa (1), (2) e (3).

Recapitulando: a Suécia adoptou uma abordagem desalinhada inspirada por uma valorização da liberdade de escolha estranha à cultura portuguesa. Por isso, apesar de ter registado um número de óbitos por milhão de habitantes (583) sempre inferior aos da Bélgica (865), Espanha (686) e Itália (595), a sua experiência foi geralmente vilipendiada pelos mídia portugueses que não apreciam liberdades.
 
Our World in Data

Sete meses decorridos desde o deflagrar da pandemia a situação da Suécia comparada com Portugal no que respeita ao excesso de mortalidade em relação à média pode ver-se no gráfico acima. Repare-se o perfil da curva da Suécia, que não adoptou um confinamento sistemático nem fechou as escolas, com uma queda gradual e consistente do excesso de mortalidade desde o pico em Abril, contrastando com a curva de Portugal que desde Junho recomeçou a crescer. 

Como explicar que a Suécia com uma população praticamente igual à de Portugal e o triplo da mortalidade por Covid (583 contra 196 por milhão) esteja a ter um excesso de mortalidade inferior a Portugal desde Junho? Ou, perguntado de outra maneira, porquê Portugal tem muito mais mortes não explicadas pelo Covid do que a Suécia? A única explicação plausível são os milhões de consultas e de cirurgias que não fizeram por falta de resposta de um SNS que em exclusivo concentrado na pandemia. 

Teremos então de concluir que, no final, a estratégia "liberal" sueca é mais eficaz a conter a mortalidade directa e indirectamente resultante da pandemia do que a estratégia "dirigista" portuguesa.

03/10/2020

Dúvidas (288) - Ele é um f. da p., mas será o nosso f. da p.?

Franklin D. Roosevelt justificou em 1939 o seu apoio ao ditador Somoza dizendo: «he may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch». É o que baptizámos como doutrina Somoza. Vem isto a propósito de um artigo de Rui Ramos no Observador que termina assim:  

«Há duas visões da América. Em 2020, uma dessas visões é representada por Trump e outra por Biden. Dir-me-ão: Trump é um “filho da mãe”. Até pode ser, mas é o “filho da mãe” dos que preferem um Estado pequeno e uma economia livre, tal como Biden – acusado e suspeito dos mesmos pecados que Trump – é o “filho da mãe” dos que preferem um Estado maior e uma economia dirigida. Não devia ser assim? É assim.»

Concordo frequentemente com Rui Ramos, mas não desta vez. Ou, para ser exacto, desta vez discordo absolutamente. Não há só duas visões da América e, ainda que Trump fosse «o "filho da mãe” dos que preferem um Estado pequeno e uma economia livre», ninguém pode concluir que prefira um Estado pequeno e uma economia livre, sendo igualmente certo que também não se pode concluir que prefira um Estado maior e uma economia dirigida. Trump já mostrou que pode preferir e defender qualquer coisa e o seu contrário. O que prefere ou defende tem exclusivamente a ver com o que em cada momento imagina aumenta as suas chances de manter o poder. Ele já mostrou que pode preferir um Estado de qualquer tamanho em que ele ocupe a presidência. O seu programa é ele próprio, e é por isso que o seu narcisismo patológico é tão perigoso.

Se do ponto de vista da realpolitik pudesse ter feito sentido o apoio de Roosevelt a um Somoza alinhado com a versão New Deal da doutrina Monroe, não faz sentido apoiar uma criatura errática cujo programa é ele próprio e que é uma ameaça para uma democracia americana em crise. 

E não, ameaça não é retórica. A resposta de Trump no final do debate com Biden sobre a aceitação dos resultados das eleições era algo que só era habitual ouvir de Mugabe ou outros déspotas africanos. Desde o princípio de 2017 as sondagens do Voter Study Group mostram que a percentagem de americanos que pensam ser aceitável o uso da violência pelo seu partido para conseguir os objectivos vem aumentando consistentemente de 8% para mais de 30% (fonte: newletter Checks and Balance da Economist).

02/10/2020

Se non è vero, è ben trovato

I have tested positive. The experts say it is the most positive test they have ever seen. It was so positive they couldn't even believe it. They had to do another test to be sure. They said no one has tested this positive ever. They were quite frankly amazed! #TrumpHasCovid

O inferno está cheio de boas intenções (55) - Sem dar por isso, o parlamento quer produzir 7,8 milhões toneladas de gases

Os deputados de todos os partidos, com excepção do Iniciativa Liberal, aprovaram uma resolução proposta pelo PAN que recomenda ao Governo português que intervenha junto do Governo Espanhol no sentido de proceder ao encerramento da central nuclear de Almaraz.

Sem se darem conta, com esta ejaculação do órgão legislativo, deputados fervorosos adeptos da defesa do ambiente e em particular da redução das emissões de gases de efeito estufa, principalmente dióxido de carbono, aprovaram com a maior das inconsciências que os 16 mil GW produzidos por ano em Almaraz deveriam ser produzidos por uma fonte alternativa que, na melhor hipótese de centrais a gás, feitas as contas por Filipe Sengo Furtado, significaria um aumento anual das actuais 196 mil toneladas para cerca de 8 milhões de CO2, quarenta vezes mais ou quatro vezes as emissões anuais de Malta.

01/10/2020

¿Por qué no te callas? (27) - Resumo do show off Trump-Biden

Por via de regra, não assisto a debates políticos, nem mesmo os do Portugal dos Pequeninos. Não votando nas eleições americanas, estava fora de causa abrir uma excepção. Ainda assim, não querendo privar os nossos visitantes de uma apreciação do show off Trump-Biden, escolhi um post de Rita Carreira, que cito na língua original porque me pareceu sem sentido traduzir para português um texto em inglês escrito por uma portuguesa.

«We are stuck between a rock and a hard place. If there is any take away to be had from the first Presidential debate it is that Joe Biden is a terrible candidate. He is too old, lethargic, and his tongue gets tied in knots. Trump is a compulsive liar, but he has spent his whole life swindling people, so he's very good at it. 

Plus, the standard rules do not apply to Trump: he lies and contradicts himself like it's nobody's business. He goes from saying that the Spring shutdown was a necessity and saved a ton of people to affirming with great conviction what a big mistake shutdowns are. Biden can't even connect the dots and push back.

At another time, Trump prods Biden to admit that he's planning on packing the court, i.e., increasing the number of Justices in the SCOTUS--he cannot, only Congress has that power. Biden coyly tries to get out of it. Then when Trump is asked about the election ending up in the courts, he admits that he is packing the courts as much as he can, since Obama left a bunch of openings left to fill. And, yes, he is counting on SCOTUS to give him the election.

Perhaps Biden's funniest moment was when he called Trump a clown, after which he immediately apologized. He should have owned it. He should've said "You're a fucking clown and people are dying because of how incompetent you are!" There, go for the kill, surprise your audience and you adversary! Don't act like a little boy who got caught with his hand in the cookie jar.»

Lembrei-me de Juan Carlos, o rei espanhol caído em desgraça, que perguntou «¿Por qué no te callas?» a Hugo Chávez, o coronel tapioca que reinava então na Venezuela, num encontro em que este último debitava ininterruptamente baboseiras.

30/09/2020

SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria" (7)

Este post é uma continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e está relacionado com a série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Fonte: The Spectator

Em Inglaterra e País de Gales já se morre mais de gripe e pneumonia do que de Covid. Registe-se também que, diferentemente de Portugal onde há um excesso significativo de mortalidade não Covid devido à falta de resposta do SNS, por lá o HNS parece ter-se aguentado bem melhor porque o excesso total de mortalidade em relação à média é desde Junho pouco significativo. 

29/09/2020

De boas intenções está o inferno cheio (54) - Como desacreditar a escola pública e aumentar a desigualdade de oportunidades

 «No exame de acesso de Matemática A, a moda — ou seja, a nota que se repetiu mais vezes — foi 19. Em Física e Química A, do 11º ano, a moda foi 18. Olhando para as médias de acesso à Universidade, ficamos com a ideia de que o futuro do país está garantido. Os gestores portugueses serão, em breve, os melhores do mundo. Os economistas, idem. Temos uma medicina que não se compara a nada. Os juristas são tão extraordinários que a nossa Justiça rapidamente se tornará uma referência internacional. Cereja em cima do bolo, temos os melhores engenheiros aeroespaciais do mundo: em 10 anos, vamos a Marte e voltamos.

(Se tivermos em atenção que mais de metade dos professores universitários tem a avaliação máxima, de Excelente, somos obrigados a concluir que a academia portuguesa há de ser a melhor do mundo.)

Como, evidentemente, não somos todos uns génios, o que isto quer dizer é que os exames foram fáceis demais, não permitindo distinguir os bons alunos dos muito bons e dos excelentes. Isto tornou o acesso a alguns cursos numa autêntica lotaria. E numa tremenda injustiça para tantos jovens. Não consigo imaginar o que é estar na pele de um adolescente que desde o 10º ano só tira dezoitos, dezanoves e vintes, que nas provas de acesso não tem nenhuma nota abaixo de 18 e não consegue entrar no curso pretendido. Ou estar na pele de alguém que, ao longo de 3 anos, tirou 20 a tudo e que teve um azar no exame de Matemática, não conseguindo mais do que 16, e que por isso não entra no seu curso de sonho. Ao tornar o acesso ao superior numa lotaria, os exames foram um fracasso.»

Excerto de Mais um prego no caixão da escola pública, Luís Aguiar-Conraria no Expresso

A falta de exigência e de rigor e a cedência ao facilitismo está no ADN da esquerdalhada e reflecte-se nas políticas de educação que promovem, a pretexto de facilitar a vida aos mais pobres. Não é preciso ser um génio para perceber que o efeito é precisamente o contrário: o facilitismo agrava o handicap das origens sociais que dá vantagem aos jovens provenientes de famílias que dão importância ao ensino e estimulam a aprendizagem, comparativamente com os jovens de classes mais pobres que frequentemente não têm um ambiente familiar estimulante. Evidentemente que este resultado não tira o sono aos promotores do facilitismo por duas razões: (1) muitos deles inscrevem os seus rebentos em escolas privadas e (2) para quem vê o futuro dos jovens como funcionários de um Estado pantagruélico e omnipresente um diploma é suficiente e estar mal preparado não é um problema.

A longo prazo, esse facilitismo incentiva a optar pelo ensino privado as famílias que têm meios para isso, transformando gradualmente as escolas públicas em repositórios de jovens destinados a adultos falhados, sobretudo as escolas fora das zonas privilegiadas. O resultado final é o aumento das desigualdades, precisamente aquilo que se pretendia evitar.

Malhar em defuntos políticos e bajular quem tem popularidade e quem controla votos. Há quem lhe chame coragem

Ana Gomes sobre:

Cavaco Silva: «múmia paralítica»

Marcelo Rebelo de Sousa: «afectos foram úteis para desanuviar do estilo múmia paralítica»

António Costa: «desempenho de quadro de honra como governante»; «não precisava» de estar em comissões de honra, isto para quem disse de Vieira o que Maomé não disse do chouriço.

28/09/2020

ARTIGO DEFUNTO: "Material impreciso e pouco rigoroso"

O Código de Conduta dos jornalistas do Expresso

2. EXACTIDÃO

Deve haver o cuidado de não divulgar material impreciso ou pouco rigoroso, ao nível do texto ou da imagem, susceptível de induzir em erro ou distorcer os factos.

Os factos
Material impreciso e pouco rigoroso

Bruno Ciancio, diretor do Departamento de Emergência em Saúde Pública do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) em entrevista ao Expresso de 26-09-2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (52) - Em tempo de vírus (XXIX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A raposa vai ficar no galinheiro a tomar conta dos ovos

O Expresso, pela pena de um dos ouvidos do Dr. Costa, informa-nos que «o governo vai criar comité para supervisionar obstáculos na aplicação dos fundos», presidido pelo Dr. Costa para «garantir autoridade política».

O Dr. Costa tem a paixão dos planos

O Eng. Guterres tinha a paixão da educação - deu no que deu. O Dr. Costa tem a paixão dos planos e está a dar no que já deu e vai dar: «Uma década para Portugal» (o relatório dos 12 sábios, entre eles o Dr Centeno, escalpelizado na série de posts dos amanhãs que cantam do PS), o Programa Eleitoral do PS, o programa de governo do PS, os múltiplos planos sectoriais e por último a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030. Ainda a tinta deste último não secou e já o governo incluiu nas Grandes Opções do Plano a recuperação do estudo Porter pedido por Mira Amaral em 1994. Ora se há líquidos não miscíveis é a metodologia de Porter - uma abordagem microeconómica - e os devaneios poéticos macroeconómicos do Dr. Costa Silva.

O Dr. Pedro Nuno Santos é um verdadeiro socialista

Recordam-se da polémica do risco de infecção nos comboios (superlotados), risco negado pelo ministro dos comboios com amianto? Pois bem, foi publicado um estudo da Universidade do Porto a partir do qual o Dr. Santos, com a ajuda do diário de manhã, resolveu concluir «que não existe ligação direta entre as infeções da covid-19 e utilização do transporte ferroviário na Área Metropolitana de Lisboa. Como se conclui lendo o estudo, esta tese não é concluível do estudo, é antes uma espécie de facto alternativo.

O Zeppelin do Dr. Galamba

O Dr. Galamba, o criador do elefante branco da cor do hidrogénio verde, produziu há dias um pensamento: «a introdução do hidrogénio aumenta o valor económico de cada euro investido em eletricidade». Não entendem? Eu também não, mas entendo que, segundo as estimativas de Abel Mateus, o «hidrogénio verde vai aumentar fatura do gás em cerca de 20%», o que não admira porque só para começo de conversa o governo vai torrar 900 milhões. E também entendo que os gestores da Fusion Fuel, que têm um projecto para produzir hidrogénio verde em Sines, são também os gestores de duas empresas com várias acções judiciais e vários pedidos de insolvência.

«Estamos preparados»

Um estudo da Associação dos Administradores Hospitalares e da Ordem dos Médicos estima que com uma possível «segunda vaga da pandemia» até ao final do ano fiquem por fazer mais de 10 milhões de consultas nos centros de saúde e mais de 2,2 milhões nos hospitais e 214 mil cirurgias. Mesmo sem segunda vaga, os dados disponíveis até Agosto tornam essa estimativa muito plausível. Isso e os efeitos secundários do confinamento, sobretudo nos idosos, explica o excesso de óbitos não Covid em relação à média que as estatísticas evidenciam.

Cuidando da freguesia eleitoral / Um dia ainda vamos ser todos funcionários públicos

Em Junho já eram mais de 705 mil funcionários públicos, um aumento de 15 mil em 12 meses. A remuneração média mensal aumentou 3,3%. Enquanto isso, aumenta o desemprego e diminui o salário entre os párias que não foram abençoados com uma tença pública.

27/09/2020

"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes"

Expresso de 22-09-2020

No último dos "Encontros fora da Caixa" promovidos pelo banco público que já custou aos contribuintes vários milhares de milhões de euros e pelo semanário de reverência Expresso, encontro que juntou umas dúzias de luminárias, entre as quais o escritor Gonçalo M. Tavares e o músico Pedro Abrunhosa, reflectiu-se sobre a salvação de Portugal pelo plano dos Costas para torrar 26 mil milhões de euros em dez anos, e produziram-se ideias, entre as quais a que o Expresso justamente destacou. Ditosa Pátria que tais Filhos tem.

Dúvidas (287) – Irá o Brexit consumar-se? (XIX) - Done? Undone yet!

O último post desta série tinha no título «Done» e o título deste oito meses depois é um exemplo de que o futuro é geralmente difícil de prever, salvo no caso da Rússia em que o passado é ainda mais imprevisível do que o futuro.

Porque está o Brexit a falhar em toda a linha, ao ponto do governo de BoJo propor ao parlamento uma violação do tratado que assinou em Janeiro com a UE?  Certamente porque uma reforma desta magnitude está a ser conduzida como uma questão eleitoral. Em primeiro lugar, porque o referendo convocado por Cameron foi um expediente para evitar perder as eleições para o UK Independence Party de Nigel Farage. Em segundo lugar, porque a campanha pelo Brexit foi promovida por todos os partidos com mentiras e meias verdades e os eleitores, nomeadamente os restos da classe operária que rejeitaram o esquerdismo de Corbyn, votaram no Brexit proposto pelos conservadores com base em premissas falaciosas. Em terceiro lugar, porque um referendo sobre uma questão complexa como esta é de legitimidade duvidosa porque a maioria dos eleitores não tem a informação fiável indispensável nem condições para avaliar as alternativas - é por isso que a democracia liberal assenta na representação e existem os parlamentos.

No passado, as grandes reformas no Reino Unido foram longamente discutidas e preparadas. As reformas mais importantes envolveram trabalhistas e conservadores durante décadas que recorreram intensamente uma instituição tipicamente britânica - o think-tank. A criação do Estado Social pelos trabalhistas no pós-guerra conduzida pelo governo trabalhista de Clement Attlee foi uma ideia e um projecto amadurecido entre as duas guerras. O beco sem saída do Estado Social trabalhista abriu a oportunidade à reforma conduzida pelo governo de Margaret Thatcher que adoptou as políticas liberais inspiradas por Friedrich Hayek e propostas pelo Centre for Policy Studies. Nada disto se passou, está a passar ou improvavelmente se passará no caso do Brexit onde o debate está sufocado pela demagogia. Não vai acabar bem e o Partido Conservador vai ser o primeiro a pagar a factura. Talvez então Boris Johnson perceba que está tão longe de ser Winston Churchill como Theresa May de ter sido Margaret Thatcher.

26/09/2020

Ser de esquerda é... (8)

... defender que "arte independente" é a arte que depende do Estado.

Dúvidas (320) - Também já tive essas dúvidas

«É possível uma democracia com uma sociedade fraca e dependente do Estado, e um Estado dependente de ajudas externas, ou por outra palavras: é possível uma democracia sem verdadeira autonomia dos cidadãos e da sua comunidade política? É possível uma democracia com um Estado ocupado há um quarto de século por um mesmo grupo partidário, sem perspectivas de alternância, a não ser em caso de catástrofe? É possível uma democracia onde o poder é sustentado por partidários confessos de ditaduras? É possível uma democracia com instituições minadas por suspeitas de amiguismo e de corrupção? É possível uma democracia onde décadas de estagnação económica e de constrangimentos financeiros tiraram qualquer relevância a propostas de governo alternativas? É possível uma democracia onde, por tudo isto que ficou dito, mais de 50% dos eleitores já não parecem acreditar que valha a pena votar? É possível uma democracia onde, com esse nível de abstenção, o governo pode perpetuar-se confiando apenas no voto fiel da minoria de clientes e beneficiários do poder, como nos regimes não democráticos do passado português?

E se uma democracia não é possível assim, como devemos chamar a um regime com estas características? Talvez que, por pudor ou à falta de melhor palavra, se lhe tenha de continuar a chamar “democracia”. »

Dúvidas que só podem ser retóricas porque Rui Ramos sabe muito bem qual é a resposta. Pela minha parte chamo-lhe, por enquanto, democracia asmática.

25/09/2020

SERVIÇO PÚBLICO: Recomendação de leitura

Mitos e falácias sobre o IRS em Portugal um artigo de Carlos Guimarães Pinto com rigor e uma clareza meridiana que desfaz as construções ideológicas que a esquerdalhada costuma fazer com o IRS e o seu papel no sistema fiscal.

Dúvidas (319) - Já estarão a faltar condecoráveis para S. Ex.ª precisar de os exumar?

Alguém pode explicar porque carga de água o prof Marcelo foi agora condecorar postumamente Ruben A., um escritor falecido há 45 anos, que já havia sido condecorado em 1973 com a Ordem do Infante, uma condecoração apropriada a um escritor que viveu e ensinou no estrangeiro? Sim, eu sei que é este ano o centenário do nascimento de Ruben A., mas, nesse caso, irá S. Ex.ª condecorar em cada ano os escritores que nasceram cem anos antes? Ainda para mais S. Ex.ª condecorou-o com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada que não parece ter nada a ver com o condecorado.