Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

07/08/2020

Ser de esquerda é... (4)

... defender «que CP deve ser “operador único” a nível ferroviário para se evitarem acidentes como o de Soure», isto é defender que fundindo dois operadores públicos ineficazes, ineficientes, cronicamente subsidiados e tecnicamente falidos (que já foram um só) se obtém um "operador único" eficaz, eficiente e auto-suficiente.

Se pensais que isto é pura estupidez, pensai outra vez. O que está em causa é eliminar a separação entre a operação do transporte e a propriedade e gestão da rede ferroviária que é condição para manter operadores privados, como a Fertagus que cumpre os horários, funciona com pouquíssimos acidentes, praticamente sem greves e ... onde a CGTP não consegue implantar-se.

06/08/2020

Michelle is depressed and Barack doesn't do it. Is it Donald's fault? For God's sake!


A friend of mine says that a characteristic common to most creatures on the left is that they are never responsible for anything. It's always the fault of others. That's it.

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (2) - A bazuca dele é maior do que a delas

Continuação de (1)

Como se pode ver no diagrama seguinte (*), a tão celebrada bazuca de Merkel-von der Leyen é afinal modesta comparada com a bazuca de Trump, constatação que o pensamento oficial nunca poderá fazer por razões que dispensam ser explicadas.

 
(*) Os números do diagrama são os provisórios de Junho e diferem dos números finais. 

À modéstia da bazuca acrescenta-se a profunda diferença que resulta dos EUA constituírem uma zona monetária quase óptima o que está muito longe de acontecer com a Zona Euro, sem falar dos restantes países com moeda própria. De facto, uma zona monetária para ser óptima precisa cumprir várias condições e entre elas a mobilidade da mão-de-obra. Ora, na UE existem fortes barreiras culturais e administrativas (acesso condicionado a muitas profissões, sistemas de segurança social heterogéneos, etc.), e linguísticas (mais de 20 línguas diferentes) que constituem sérios obstáculos (para aprofundar este tema ver a etiqueta zona monetária óptima).


Como se não fosse suficiente, a adicionar à discrepância entre a queda do PIB e o tamanho da bazuca para cada país (ver no primeiro diagrama a comparação da Alemanha com a Espanha), a exposição à dívida pública e o impacto previsto no PIB da pandemia é muito diverso, como se pode constatar no segundo diagrama.

(Continua)

05/08/2020

O mesmo vírus, impactos diferentes (aditamento). Afinal, qual foi a queda do PIB americano?

Esclarecendo a questão colocada num comentário ao post de ontem:

A generalidade dos mídia referiram uma queda do PIB americano de 32,9%, muito superior à indicada no 1.º gráfico (9,5%) do post. Na verdade, as duas percentagens estão correctas, 9,5% refere-se à queda efectiva do PIB no trimestre em percentagem do PIB anual e 32,9% refere-se a uma base anualizada, ou seja corresponde à queda anual se as condições do segundo trimestre continuassem por um ano, o que é altamente improvável, uma vez que a economia começa a recuperar. Os jornais portugueses, com as redacções controladas pelo jornalismo de causas estruturalmente anti-americano e conjunturalmente obcecado por Trump, fizeram o agitprop do costume e apenas referiram 32,9%.

Afro-americanos? Não será racista essa designação?

Ao ler no post anterior do outro contribuinte, «a minoria negra americana, a que chamam afro-americanos», pergunto-me como é que alguém se lembra de designar como afro-americanos os americanos negros cujos ascendentes deixaram África há um século e meio ou mais? Faria muito mais sentido chamar euro-americanos aos milhões de americanos descendentes de europeus emigrados depois da segunda guerra mundial.

O que tem a ver com África uma criatura cujo tetravô do tetravô nasceu na América? Chamar-lhes afro-americanos não será uma manifestação de rácismo e logo por parte dos áctivistas anti-rácistas?

CASE STUDY: Quem está mais preocupado com a livre expressão?

Quem apenas escute o ruído mediático do áctivismo ampliado pelos mídia amigos poderá concluir que a minoria negra americana, a que chamam afro-americanos, se sente mais ameaçada na sua liberdade de expressão.


Pois, parece que não. Os resultados do inquérito do Cato Institute mostram que, ao contrário dos brancos e latinos que aumentaram o constrangimento, os negros americanos que já se sentiam menos constrangidos em 2017 sentem-se hoje ainda mais à vontade para exprimir as suas opiniões. É também interessante constatar que os republicanos sentem mais dificuldade com a livre expressão do que os democratas. Interessante mas não surpreendente, porque os mídia, cada vez mais dominados pelos democratas e, principalmente pelo áctivismo, influenciam as "ideias certas".


O diagrama anterior confirma o menor preocupação dos negros americanos e dos democratas com a expressão das suas ideias em contexto laboral.

04/08/2020

SERVIÇO PÚBLICO: Leitura recomendada sobre o planeamento do Estado em Portugal

«Afinal, como se tomam as grandes decisões de investimento? Esvaziados de capacidade técnica e sem estudos encomendados de reputação, os governos tornam-se reféns de grandes grupos de interesse, como na Energia, ou como foi nos anos 2000 das empresas de construção e banca, no caso das PPPs. Já nos esquecemos dos projetos de PPPs ou das eólicas que asseguravam taxas de rentabilidade de 11 a 20% aos investidores privados? Não se salvaguarda o interesse público. As decisões são tomadas ao sabor de alguns interesses privados, que até mobilizam a opinião pública do momento. E as decisões são tomadas nos gabinetes ministeriais e depois encomendados os “pareceres técnicos ou jurídicos” para sua fundamentação “a posteriori”, escolhendo-se pessoas que já se sabe que irão validar a escolha previamente feita.»

Excerto de Porque falta visão estratégica no planeamento do Estado?,  Abel Mateus no Observador

Recomendo a leitura não porque partilhe da opinião do autor sobre a importância do planeamento do Estado, mas porque o ensaio permite perceber que no lugar do planeamento do Estado existe em Portugal a gestão partidária dos lóbis económicos.

O mesmo vírus, impactos diferentes



Como explicar que uma taxa de casos muito elevada nos EUA tenha tido um impacto económico relativamente moderado, ao contrário do Reino Unido?

Esclarecimento:

Num comentário levanta-se a questão de os mídia terem referido uma queda do PIB americano de 32,9%, muito superior à indicada no 1.º gráfico (9,5%). Na verdade, as duas percentagens estão correctas, 9,5% refere-se à queda efectiva do PIB no trimestre em percentagem do PIB anual e 32,9% refere-se a uma base anualizada, ou seja corresponde à queda anual se as condições do segundo trimestre continuassem por um ano, o que é altamente improvável, uma vez que a economia começa a recuperar. Os jornais portugueses, com as redacções controladas pelo jornalismo de causas estruturalmente anti-americano e conjunturalmente obcecado por Trump, fizeram o agitprop do costume e apenas referiram 32,9%.

Comportamentos racistas em Portugal não fazem de Portugal um país racista, tal como a existência de áctivistas anti-rácistas não faz de Portugal um país de imbecis

«Em Portugal, vivemos dias particularmente sensíveis. Por razões justificadas, movimentos de minorias têm vindo a organizar a sua actividade na defesa de interesses e na afirmação de cidadania. Por razões de oportunismo, alguns movimentos e forças políticas entenderam explorar todas as situações em que possam enxertar a indignação e a solidariedade selectivas. Assim é que se tenta exacerbar a questão do racismo em Portugal, em polémica quase sempre destituída de razão. 

O problema tem sentido. Mas a polémica é inútil e artificial. Há racismo em Portugal? Com certeza. Há racistas em Portugal? Evidentemente. Portugal é um país racista? Não, nem faz sentido tal observação. Na legislação, nos tribunais, nos sistemas de saúde e educação, em nenhum dispositivo legal há conteúdos racistas e de segregação racial objectiva. Mais: a legislação e a Constituição proíbem as manifestações de racismo. São estas considerações que permitem dizer que “Portugal não é um país racista”, o que parece ferir as sensibilidades de alguns políticos, mas também que as designações de “racismo estrutural” e “racismo sistémico” são meros divertimentos semióticos de quem quer alimentar uma disciplina na sua faculdade.»

Crime e preconceito, António Barreto

03/08/2020

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (103) - O presidente faz de porta-voz da CP e limpa a folha do ministro dos comboios

Outras preces



«Tenho que elogiar a forma rápida e empenhada com que o senhor ministro dirigiu, coordenou, esteve presente, veio para aqui e não largou um segundo o que se passava (…) Isto permite que 24 horas depois estejamos perante uma realidade que não tem a ver com aquilo que se temia.»

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (44) - Em tempo de vírus (XXI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Boa Nova

Mostrando-se putativos sucessores à altura do putativo sucedido, o Dr. Pedro Nuno Santos e o Dr. Medina desmultiplicam-se em anúncios concorrentes sobre a maná de habitações de que os cidadãos em geral e os alfacinhas em particular vão poder dispor. O Dr. Pedro Nuno Santos, que só tem dinheiro para comprar carruagens para a CP na sucata dos espanhóis, vai neste momento à frente com o anúncio de 18.660 casas a incluir no Programa de Arrendamento Acessível, onde diz que vai gastar 2.300 mil milhões de euros. O Dr. Medina que tem o handicap de ainda só ser presidente de câmara anunciou 1.507 habitações no Programa Renda Acessível (não confundir com o Programa de Arrendamento Acessível) onde se propõe gastar 402 milhões. Registe-se que o Dr. Medina com os seus pouco mais de meio milhão de súbditos está à frente em termos relativos do Dr. Santos com os seus 10 milhões de súbditos.

O choque da realidade com a Boa Nova

No confronto com a realidade a disputa é igualmente intensa. O Dr. Santos ao fim de um ano e meio do seu programa pessoal parece que conseguiu duzentos e quarenta e dois contratos. Quanto ao Dr. Medina, para citar o antigo presidente do IHRU que escreveu em Fevereiro, «prometeu 6000 casas de renda acessível, mas não produziu uma única. Foi ao baú de velharias e até usa os tarecos do Dr Salazar para mostrar 120 casas como se fossem uma obra inovadora». Graças ao Dr. Salazar, o Dr. Medina que não quer ceder um palmo ao seu concorrente, foi a correr e anunciou em Março o primeiro sorteio de 120 habitações e «lançou a primeira pedra do primeiro lote de 128 fogos a preços acessíveis, de um total de cinco, na Avenida das Forças Armadas, orçado em 14 milhões de euros» (fonte). Perguntareis: e a última pedra ainda virá a tempo do Dr. Medina se sentar na cadeira do Dr. Costa? É irrelevante, meus caros. Aliás, até será preferível que a última pedra se atrase porque o Dr. Medina, como o seu mestre, poderá anunciar várias vezes a obra ao pelotão de obedientes apparatchiks travestidos de jornalistas que se encarregarão da propagar a boa nova às multidões de basbaques.

Perguntareis também: e poderia ser diferente? Poder, podia, mas não seria o Portugal dos Pequeninos governado por esta gente.

Correndo bem, é nossa realização. Correndo mal é problema deles

Sabeis que o Lone Star já em Março de 2017, quando negociava com o governo socialista a compra do Novo Banco, estava a ser investigado em vários países pela venda de activos de bancos em que participava (há uma notícia do jornal Sol dessa época)? Lembram-se do Dr. Costa ladeado pelo Dr. Centeno numa conferência de imprensa a anunciar a excelência do acordo com o fundo Lone Star para a compra do Novo Banco? Não? Não se penalizem porque a memória do povo é curta e a falta de vergonha do governo é grande. Três anos depois a mesma gente rasga as vestes de indignação e põe a lavandaria socialista a funcionar no Novo Banco como se o Dr. Costa e o Dr. Centeno não tivessem nada a ver com o assunto.

Perguntareis: não tem o Dr. Costa um pingo de vergonha na cara? Não, não tem. E podeis insistir: e os jornalistas de causas e a comentadoria do regime não deveriam mostrar as responsabilidades do governo? Deveriam, mas se o fizessem não seriam de causas e do regime, respectivamente

02/08/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Portugal dos Pequeninos parasitado pelo Estado Sucial ocupado pelo PS

Clara Ferreira Alves, a Pluma Caprichosa, no seu habitual debita pletóricas demonstrações de cosmopolitismo e no seu pior dispõe-se à lavagem da imagem de José Sócrates com uma entrevista encomendada por Mário Soares - ver Autópsia de uma entrevista do «chefe democrático que a direita sempre quis ter». No seu menos frequente melhor, denuncia a parasitagem do Portugal dos Pequeninos pelo Estado Sucial ocupado pelo PS, como no seu artigo na Revista do Expresso Vícios públicos, virtudes privadas de onde respigo o seu final:

«Nestas histórias, nos interstícios do desenho humano, entrevê-se um retrato de Portugal. De um lado um conjunto de funcionários que reclamam um estatuto de exceção, sem retribuição do demérito, carregado de privilégios instalados pelo tempo, o hábito, as clientelas dos partidos. No Estado coexistem dinastias inteiras, nas repartições, ou à sombra das autarquias. Pouca gente deste grupo deseja a mudança do Estado e do estado paralisado das coisas, ou deseja perder uma unha da sua vantagem. Do outro lado, os privados que carregam nas costas frágeis o peso do mundo. As pequenas empresas que são o tempero de uma economia saudável. Os que pagam mais impostos, os que não têm segurança no trabalho, os que pagam salários, os que investem o que ganham, os que arriscam, os que nada esperam de um Estado que os tributa, os pune e os esquece nas horas duras. Estes esperam uma austeridade que virá, sabem-se arredados de prebendas e fundos europeus, sabem que a insolvência espreita e acreditam que o trabalho é a salvação.»

O momento Huawei - uma demonstração de fraqueza americana

«For most of the past century America has been happy to compete with any other country on technological development, knowing that its scientists and engineers could usually better what anyone else came up with. The Huawei fight is, in part, an attempt by the American government to see off the threat of foreign competition by squashing it, rather than by inventing something better.»

(Lido algures)

01/08/2020

Entre a Rua do Comércio e a Threadneedle Street e entre a Av. da República e o One Angel Court a distância é mais ou menos a mesma

São aproximadamente 2.200 Km. É muito? Nem por isso. A maior distância é entre a instituição da Rua do Comércio n.º 148, que alberga o recém-chegado da Avenida Infante Dom Henrique n.º 1, e a instituição da Threadneedle Street. Ou entre a instituição da Avenida da República n.º 35 e a instituição de One Angel Court.

É um mundo de distância entre uma instituição paroquial como o Banco de Portugal, que já acolheu como governadores, entre outros, um seu funcionário, ex-secretário geral do Partido Socialista entre dois mandatos como governador, e acolhe agora um outro seu funcionário, ex-ministro das Finanças do governo socialista em curso, e uma instituição como o Bank of England cujo governador durante 8 anos foi o canadiano Mark Carney, anteriormente governador do Bank of Canada. 

É a mesma distância que separa outra instituição paroquial como a Associação Portuguesa de Bancos, com duas dúzias de associados, que já teve como presidentes ex-ministros e ex-secretários de Estado, como o actual presidente que desempenhou cargos governamentais durante 12 anos, e uma instituição como o UK Finance, com 250 entidades financeiras associadas, que está a anunciar em várias revistas internacionais o recrutamento de um CEO, a high profile and challenging opportunity for an ambitious, accomplished and visionary individual.

É um mundo de distância.

NÓS VISTOS POR ELES: O Portugal dos Pequeninos visto por um português que vive num país "frugal"

Em entrevista ao DN Rentes de Carvalho, residente há décadas na Holanda, fala do país que o acolheu e do país onde nasceu. Respigo algumas passagens:

 «Uma boa parte da população [da Holanda] pensa o mesmo [do governo], tanto mais que têm a tributação mais elevada da Europa, e pergunta-se por que carga de água devem pagar a desorganização, a corrupção e o desleixo dos outros. (...)

A mentalidade protestante dos holandeses é toda voltada para a frugalidade, nada de chapa ganha chapa gasta, e a obsessão da poupança faz dela uma das nações mais ricas do mundo. Há ainda a seriedade no trabalho, a pontualidade, o cumprimento das obrigações, a disciplina. O espírito mercantil também ajuda. E já no século XVII a Universidade levava muito a sério o estudo científico, de que desde então tiram bons proveitos. (...)

Quando estou em Portugal, dá-me mais pena o confronto com o que vai mal, a ingénua ou fingida docilidade com que o povo se deixa enganar, a confiança que continua a ter no jeito e na cunha, do que resulta uma sociedade que não acredita no poder que tem e por desleixo ou preguiça acomoda-se na passividade, iludindo-se de que o passo de caracol também é um avanço.»

31/07/2020

A lavandaria socialista já está a funcionar no Novo Banco


Foi este o título do diário da manhã DN sobre o relatório do TdC, É uma leitura abusiva do relatório mas está em linha com a campanha de lavagem em curso para branquear as responsabilidades do governo no acordo de venda do BES "bom" com o fundo Lone Star.

De facto como escreveu o jornalista António Costa (não confundir com o primeiro-ministro) no jornal Eco (O Novo Banco é uma história velha?) «os mecanismos de acompanhamento e de fiscalização criados para garantir o cumprimento dos termos do acordo não agradam a ninguém, desde logo ao Governo (e o atual governador, Mário Centeno) que os exigiu quando negociou os termos da venda. Bem pode o PS agora atirar areia para os olhos dos contribuintes com os nomes de Carlos Costa e de Sérgio Monteiro, mas quem assumiu o negócio, e até deu uma conferência de imprensa a anunciar as virtudes do acordo, foi António Costa (com Mário Centeno ao seu lado). Agora, o primeiro-ministro pede a intervenção da PGR num banco em que uma entidade pública (o Fundo de Resolução, liderado por Máximo dos Santos) tem 25% do banco e a responsabilidade de aprovar as vendas que são feitas. Há ainda uma comissão de acompanhamento de que nos lembrámos apenas por causa de uma prestação parlamentar do seu presidente (que é para recordar, mas não é pelos melhores motivos).»

No caso do Banif a lavagem é ainda mais escandalosa, como se pode ler neste post do Natal de 2015 com o título «Banif, o presente de Natal socialista. Nele se registou que Mário Centeno se vangloriou que o seu governo «fez em três semanas o que o anterior não fez em três anos»: salvou accionistas, obrigacionistas e grandes depositantes e fez os contribuintes pagar 1,7 mil milhões de euros, pelo menos.

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (1) - Pensamento milagroso

Expresso, CE 25-07-2020
À primeira vista, o diagrama acima mostra que o aparente alívio do Dr. Costa e a sua foguetada são justificados. Ele vê a coisa como a garantia de uma bonança até ao final da legislatura e, quem sabe, um trampolim para uma eventual candidatura a Belém em 2026.

À segunda vista a coisa parece menos promissora. É verdade que Portugal irá receber 57,9 mil milhões (mM) em 10 anos, mas apenas 15,3 mM serão subvenções e quase 3/4 serão empréstimos que terão de ser reembolsados. Aliás, para sermos rigorosos, até mesmo as subvenções que saem do orçamento comunitário terão de ser financiadas por contribuições de todos os países, incluindo os beneficiários.

Acresce que estamos a falar de valores brutos, sem descontar as contribuições para o orçamento comunitário. Se compararmos com o período de 20 anos de 2000 a 2020, Portugal recebeu um valor líquido de 51,8 mil milhões equivalente a uma média anual de 2,5 mM superior em quase 40% à do Plano de Recuperação Europeu.

Durante esse período de 20 anos a dívida pública aumentou de 70 mM para mais de 260 mM, ou seja um incremento de 190 mM e nos últimos 10 anos teve um incremento de 80 mM que foram torrados com o resultado conhecido. Também em 10 anos, da bazuca sairão 40 mM de empréstimos ou seja metade do incremento líquido da dívida pública nos 10 anos anteriores.

Se considerarmos que nos últimos 10 anos o crescimento do PIB foi positivo, apesar de medíocre (média anual de 0,5%), enquanto que, na estimativa super-optimista do governo, o PIB cairá este ano 9%, ou seja quase o dobro do montante das subvenções para os próximos 10 anos, temos de concluir que a salvação pela bazuca é puro pensamento milagroso, de resto, uma especialidade socialista. 

(Continua)

30/07/2020

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (35) - Já chegou à nomenclatura do regime. E os outros animais são tutelados por quem? Porque não o primeiro-ministro?

Outras manifestações de paranóia/esquizofrenia


«Morte de cães e gatos devido a incêndio que afetou abrigos ilegais em Santo Tirso leva Governo a passar as competências sobre os animais de companhia da Agricultura para o Ambiente. Ao Expresso, o ministro Matos Fernandes explica que vai ser criado um novo cargo relacionado com a decisão e admite que "o país não estava a fazer o melhor que poderia fazer»"

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (32) - Há infectados que não foram testados? (5)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação dos posts "Há infectados que não foram testados?" (1), (2), (3) e (4).

Em retrospectiva: deve-se distinguir-se a taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). Acumulam-se dados mostrando ser o número real de infectados muito maior do que os infectados testados.

Testes sorológicos em Nova Delhi realizados entre 27 de Junho e 10 de Julho pelo National Center for Disease Control permitiram estimar que 23,5% da população da cidade possui anticorpos contra o Sars-Cov-2, isto é 3,8 milhões de pessoas do total de 16 milhões. Como até à altura em que foi conhecido o teste tinha sido registadas cerca de 3.600 mortes, a taxa de letalidade seria inferior a 0,1%, comparável à da gripe comum.

Segundo a newsletter da Spectator, estes números revelam que o Covid-19 parece estar a ser muito menos mortal nos países em desenvolvimento do que na Europa e na América do Norte, não se confirmando os receios dos menores recursos de saúde conduzirem a um número de mortes muito mais elevado. A explicação pode ser estirpes menos mortais do vírus, populações mais jovens, um menor índice de obesidade ou ainda que uma hipotética exposição no passado a um coronavírus semelhante possa ter determinado alguma imunidade.

CASE STUDY: O caso da Nova SBE versus o caso do ISCTE

Para quem não saiba, a Nova SBE foi acusada de limitar a liberdade de expressão ao recomendar aos professores que não assinassem artigos de opinião envolvendo a escola. A ocasião foi a economista Susana Peralta que escreve no Público e a consequência foi o equivalente a meter a vara no ninho de vespas. No mesmo dia a comentadoria do regime começou a malhar na suposta cedência da Nova SBE às empresas privadas que são mecenas da escola e financiaram a maior parte do campus de Carcavelos. Poucos dias depois, Daniel Traça, o director da escola que deveria estar em regime de exclusividade, foi criticado por ser administrador não executivo do Banco Santander, apesar de autorizado. Na semana seguinte, outra vez pela pena da antiga namorada e companheira de férias do Sr. Eng. Sócrates, um expoente da comentadoria independente, voltou a zurzir-se na Nova SBE.

Pelo meio dos episódios citados, áctivistas de várias universidades publicaram o abaixo-assinado «Contra a higienização académica do racismo e fascismo do Chega» e defenderam que na universidade deles não deveria ter lugar o autor do estudo em causa Riccardo Marchi, professor do ISCTE.

As reacções do áctivismo a estes dois casos é muito interessante porque revela a dualidade subjacente. No primeiro caso, a proximidade entre a universidade (pública) e as empresas privadas é em si mesma condenável e não carece de demonstração. Pelo contrário, no segundo caso a presença e controlo da universidade (pública) pelo áctivismo ideológico e partidário são em si mesmos perfeitamente legítimos, como é positiva a consequente tentativa de censura do trabalho universitário.

Trato este tema com atraso a propósito do artigo "Liberdade académica" de Luís Cabral, professor da Universidade de Nova Iorque e da ESE Business School, no Expresso do fim de semana passado, que põe em confronto os dois citados casos e se foca sobre a questão central do governo das universidades, do qual respigo os parágrafos seguintes.

«A parte mais interessante do caso é o problema do governo. Há dois perigos no governo das instituições académicas, perigos que de alguma forma se relacionam com os casos do mês: primeiro, o perigo do mecenato académico, o perigo de que o apoio de instituições privadas comprometa a liberdade e isenção académicas (ver caso Nova). Segundo, o perigo do corporativismo, o perigo de que a academia como colégio de professores se cerre sobre si própria numa fortaleza que efectivamente veda o acesso à variedade de opinião (ver caso ISCTE).

O caso da Nova preocupa-me menos: iniciativas inovadoras inevitavelmente sofrem acidentes de percurso. Por um lado, exigir ou mesmo recomendar que os professores escondam a sua afiliação académica faz pouco sentido: o leitor entende perfeitamente que o que escrevo aqui é a minha opinião, não a opinião da Universidade de Nova Iorque. Por outro lado, conflitos de interesses com empresas doadoras existem, e espero que a Nova SBE proceda às medidas necessárias, quer no que respeita à transparência com que as coisas são feitas, quer no que respeita à interferência dos mecenas no governo da instituição.

O caso do ISCTE preocupa-me muito mais pois reflecte o paradigma português. Enquanto que, desde o princípio, a Nova SBE (então FEUNL) se preocupou por contratar professores ‘de fora’ (incluindo eu próprio em 1983), a típica universidade portuguesa é um clube de professores que contrata os seus próprios discípulos, um incesto intelectual que resulta numa hegemonia ideológica com contornos de cancel culture.»