Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

06/06/2023

CASE STUDY: O ensino do Portugal dos Pequeninos como retardador social

Só há poucos dias tive oportunidade de conhecer um estudo (Benchmarking of secondary schools based on Students’ results in higher education) publicado em 2020 por Maria Conceição Silva (UCP), Ana Camanho (UP) e Flávia Barbosa (UP), baseado no desempenho de mais de dez mil estudantes da Universidade do Porto e do polo da Católica no Porto.

O estudo concluiu que, ao contrário dos resultados dos rankings das escolas secundárias em que as privadas suplantam largamente as públicas, no desempenho universitário os estudantes com mais sucesso são os oriundos das escolas públicas. De facto das 64 escolas secundárias de onde provêm os alunos da amostra, as 15 escolas cujos alunos são mais bem sucedidos são públicas e 9 das 15 cujos alunos têm menos sucesso são do ensino particular e cooperativo.

A curiosa, mas plausível, explicação do economista Aguiar-Conraria que na sua coluna semanal do Expresso citou o estudo, é a de que os alunos do ensino público, sendo em muito maior número, em média de origens sociais mais baixas e com um ambiente familiar menos estimulante, foram sujeitos a um processo de selecção mais apertado para vencerem as barreiras de acesso do que os do ensino privado, e, por isso, quando em igualdade de condições com os do ensino privado, mostram melhores resultados. Faz todo o sentido e mostra o enorme desperdício que é num ensino universitário esmagadoramente público dar prioridade ao esperma feliz com menos talento em detrimento do esperma infeliz com mais talento.

A conclusão inevitável é que o ensino secundário em Portugal, por uma série de razões (entre eles o facilitismo socialista) de que agora não me vou ocupar e sobre as quais já se escreveu muitas vezes no (Im)pertinências (ver etiqueta inducação), mais do que não ser um elevador social é um retardador social.

Ser de esquerda é... (21) - ... estar possuído pelo pensamento mágico

Um dos exemplos mais notáveis do pensamento mágico esquerdista a propósito dos salários, já contado pelo outro contribuinte, é o de um sindicalista que em pleno PREC, durante um debate na TV, fez umas contas e concluiu, para viver segundo o que o sindicalista entendia ser o mínimo de dignidade, um "operário" (sim, naquela época a esquerda não tinha descoberto a identidade de género e ainda se preocupava com os pobres e os operários) precisaria de x contos, x que multiplicado pelo número de activos era muito superior ao PIB da época, como fez questão de lembrar um outro participante no debate.

Quase cinquenta anos depois, os descendentes desse sindicalista são representados pelo camarada Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, que dita para o semanário de reverência «se estão preocupados com a sustentabilidade [da Segurança Social], nós também e [a solução] é simples: façam aquilo que têm de fazer, que é aumentar salários e pensões e o problema desaparece imediatamente». Ao contrário do outro participante no debate de há 50 anos, a jornalista que recolheu o pensamento não lembrou o sindicalista que, só por si, o aumento dos salários não melhora a sustentabilidade da Segurança Social e que esta inevitavelmente diminuirá com o aumento das pensões.

Outros "Ser de esquerda é..."

05/06/2023

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (16) - Look On The Bright Side, três quartos já não têm pachorra

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

Uma sondagem sobre o presidente que os portugueses preferem teve os seguintes resultados:

  • Marcelo Rebelo de Sousa 27% dos inquiridos
  • António Ramalho Eanes, com 25,7% 
  • Aníbal Cavaco Silva, 6,7% 

Tenho amigos que ficaram deprimidos pelo catavento mediático ter sido preferido. Não há razões para a depressão, a meu ver. Interpreto os resultados como significando que quase três quartos dos portugueses (73%) depois de sete anos de selfies e de uma presença constante dos mídia a debitar banalidades - que muitos portugueses preferem às duras verdades - não preferem o Dr. Marcelo.

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (69a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Obrigado Dr. Costa por nos ter feito crescer mais do que a Óropa

O PIB cresceu 2,5% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, graças ao Dr. Costa que fez aumentar as exportações produzindo bens (6,3%) e, sobretudo, ao turismo (20,2%) mobilizando milhões de turistas.

Infelizmente, os indígenas não corresponderam à mobilização do Dr. Costa e a procura interna caiu 0,8% e o investimento caiu 6,1%.

Cada vez mais distantes dos comedores de batatas

mais liberdade

O modelo de “desenvolvimento” do Dr. Costa tem estas consequências

mais liberdade

Quem disse que o governo do Dr. Costa não faz reformas estruturais?

Só por estes dias ficámos a conhecer duas: (1) os bebés podem não ter creches onde ser depositados, mas desde agora têm acesso gratuito ao cartão de cidadão; (2) podemos a quarta produtividade (ou “protividade” como diz o Dr. Costa) mais baixa da UE, mas a partir de hoje terá início o projecto-piloto da semana de quatro dias.

Há elefantes brancos que voam e outros que rolam

Desde 2015, a CP já bateu a TAP a torrar dinheiro com 3,6 mil milhões e este ano com mais 1,8 mil milhões.

Enquanto a CP torra a dinheiro, os seus mais de uma dezena de sindicatos convocam greves. Vai agora começar mais uma de 30 dias convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante que não aprovou o acordo da CP com os restantes.

Take Another Plan. De volta ao elefante branco voador

O Dr. Pedro Marques que, ao contrário do que parece, pode não ser totalmente destituído de inteligência, postulou na CPI da TAP que «os privados poderiam, querendo, endividar a companhia o que quisessem e no limite conduzi-la à insolvência» confundindo a gestão “dos privados” (um verdadeiro socialista reconhece-se pelo uso recorrente desta expressão) com a gestão pública.

O elefante branco social. Internacionalização? Tende misericórdia.

A internacionalização iniciada em 2021 dos jogos de apostas e da lotaria promovida pela Santa Casa Global, um spin off high tech da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, não gerou até hoje um cêntimo de receita e já torrou 20 milhões. E daí? Afinal o chamado sector da economia social também tem direito aos seus elefantes brancos.

O anúncio do fim da inflação é um pouco precipitado

A imprensa amiga titula entusiasmada «inflação desce em maio para os 4%» o que é verdade, mas não toda a verdade. A inflação está a desacelerar devido a descida dos preços da energia e da alimentação, quando se excluem estes bens a inflação da zona euro que estava em 5,0% em Outubro está agora em 5,6%. Sem esquecer que o BCE prevê que inflação não ficará abaixo de 5,3% em 2023 e 2,90% em 2024 o que terá consequências a longo prazo sobre o custo da dívida e outros pequenos detalhes. Vem a propósito referir que o próprio governo no Programa de Estabilidade 2023-2027 reconhece que os juros da dívida pública irão subir de 4,7 mil milhões em 2022 (=1,96% do PIB), para 7,4 mil milhões de euros em 2025 (=2,8% do PIB).

A justiça lusitana tarda e falha

O Dr. Zeinal Bava um dos vértices do triângulo da PT (os outros dois eram o Dr. Granadeiro e o DDT Dr. Salgado) que continua por julgar em Portugal foi o condenado pela Comissão de Valores Mobiliários do Brasil a uma coima de 30 milhões de euros por ter-se autoatribuído um bónus.

(Continua)

04/06/2023

As políticas socialistas são um dos melhores exemplos das leis de Merton

Em 2009 o governo socialista do saudoso Eng. Sócrates limitou os contratos temporários às empresas com mais de 750 trabalhadores que representavam 15% do emprego total, com o propósito de reduzir a "precariedade", aumentando o número de contratos por tempo indeterminado.

Treze anos depois, uma equipa de investigadores do Institute of Labor Economics, entre os quais Pedro S. Martins, um economista português da Nova School of Economics, concluiu no paper «Employment effects of restricting fixed-term contracts: Theory and evidence» que esta medida reduziu o número de contratos temporários, mas não aumentou o número de contratos por tempo indeterminado e diminuiu o emprego nas grandes empresas.
 
Duas das alterações ao Código do Trabalho agora introduzidas foram (1) redução do número máximo de renovações dos contratos temporários de seis para quatro e (2) após quatro anos de cedências temporárias pelas empresas de trabalho temporário ou outra empresa do mesmo grupo, as empresas são obrigadas ter um contrato de trabalho sem termo com estes trabalhadores.

Muito provavelmente, estas medidas terão, como as anteriores, efeitos imprevistos e indesejados de reduzir o emprego, uma vez que a difusão dos contratos temporários não surge por malvadez dos empresários para castigar os pobres trabalhadores. Na verdade, são os excessos proteccionistas da legislação laboral que, ao inflexibilizarem o mercado de trabalho, tornam mais difícil às empresas adaptarem-se a uma economia mutável e competitiva, e induzem-nas a usarem a contratação a prazo como um meio de reduzir a inflexibilidade pela redução dos custos fixos.

03/06/2023

CASE STUDY: Saying that a country is an autocracy or a flawed democracy is another way of saying that its elites are corrupt

[This post is a sequel to posts Saying that a country is socialist is another way of saying that it is poor (1) and (2)]

Crony capitalists’ wealth has risen from $315bn, or 1% of global GDP, 25 years ago to $3trn or nearly 3% of global GDP now 

We classify the source of wealth into rent-seeking and non-rent-seeking sectors. An economic rent is the surplus remaining once capital and labour have been paid which, with perfect competition, tends towards zero. Rent-seeking is common in sectors close to the state, including banking, construction, property and natural resources. It can sometimes be possible for rent-seekers to inflate their earnings by gaining favourable access to land, licences and resources. They may form cartels to limit competition or lobby the government for cosy regulations. They may bend rules, but do not typically break them.


Russia is, once again, the most crony-capitalist country in our index (see chart 2). Billionaire wealth from crony sectors amounts to 19% of gdp. The effects of the Ukrainian war are clear, however. Crony wealth declined from $456bn in 2021 to $387bn this year. Only one-fifth of Russian billionaires’ wealth is derived from non-crony sectors, which shows just how distorted the economy is.

In March last year, the g7, the eu and Australia launched the Russian Elites, Proxies and Oligarchs (repo) Task Force to “isolate and exert unprecedented pressure on sanctioned Russian individuals”. A year later it announced that it had blocked or frozen $58bn of assets. But repo admits that in some cases oligarchs have found it easy to evade sanctions by using shell companies, passing assets to family members or investing in property. Wealth is increasingly stored in manicured lawns and marble columns.

Pressure on the oligarchs comes from Russia, too. In March Mr Putin chastised them for becoming “dependent on foreign authorities” by hiding their assets offshore. Mr Putin is a hypocrite. By one estimate he has stolen more than $100bn from Russia—which has helped pay for a compound on the Black Sea estimated to cost $1.4bn and a $700m yacht impounded by the Italian authorities last year. But he is not on the Forbes billionaires’ list.

02/06/2023

Dúvidas (359) - Por onde anda a menina Greta?

Sem qualquer escrúpulo, áctivistas climáticos usaram em 1992 uma criança canadiana de 12 anos (Severn Cullis-Suzuki) para recitar no púlpito a sua agenda. Nas palavras célebres de Andy Warhol, Severn foi «mundialmente famosa por 15 minutos». Trinta anos depois, salvo alguma efémera recordação do jornalismo de causas, quem se lembra de Severn?
 
Severn Cullis-Suzuki, em 1992, na UN Conference on Environment and Development
no Rio de Janeiro e Greta Thunberg em 2019 na UN Climate Action (créditos)

Vinte e sete anos mais tarde, os filhos dos activistas climáticos de 1992 usaram com o mesmo propósito Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg, uma jovem de 17 anos sofrendo de transtorno obsessivo-compulsivo. Em 2020, a Fundação Gulbenkian atribuiu-lhe Prémio Gulbenkian para a Humanidade de um milhão de euros dos restos do dinheiro de Mr. Five per Cent. Os anos da pandemia levaram ao seu quase esquecimento e desempenhado o seu papel de «idiota útil» do áctivismo climático (eram assim que eram conhecidos os intelectuais de esquerda que faziam a propaganda comunista no ocidente), Greta parece estar a caminho do cemitério da áctivismo climático.

01/06/2023

Com a nomenclatura política merdosa do Portugal dos Pequeninos estamo-nos a ver gregos, mas não somos vistos como tais

Como seria de esperar, com as redações dos mídia do Portugal dos Pequeninos regurgitando de jornalistas de causas da esquerdalhada, as vitórias da direita nas eleições são na melhor hipótese ignoradas e na pior adulteradas. Foi assim recentemente com as eleições regionais espanholas e foi assim menos recentemente com as eleições legislativas gregas e era aqui que queria chegar.

Na eleição do dia 21 de Maio a Nova Democracia ganhou folgadamente obtendo a mesma percentagem (quase 40%) dos votos das eleições anteriores e 146 lugares, perdendo 12 lugares. O Syriza, a versão grega do Berloque de Esquerda, obteve 32% dos votos e 71 lugares, perdendo 15. O Pasok, a versão grega do PS, obteve 8% dos votos e 41 lugares, tendo ganho 19. 

Há várias diferenças políticas entre a Grécia e Portugal e a maior diferença é provavelmente que não existe em Portugal um político de primeira linha como Kyriakos Mitsotakis, o líder da Nova Democracia, actual e futuro primeiro-ministro, como se percebe pelo seu currículo antes de se dedicar à política full time:  
  • De 1986 a 1990 - frequentou Harvard e formou-se em estudos sociais, recebendo o Prémio Hoopes e sua tese foi publicada como um livro intitulado «The Pitfalls of Foreign Policy»
  • De 1990 a 1991 - analista financeiro do Chase Bank em Londres. 
  • De 1991 a 1992 - prestou serviço militar obrigatório 
  • De 1992 a 1993 - frequentou Stanford, obtendo um mestrado Ford Dorsey em Política Internacional
  • De 1993 a 1995 - frequentou a Harvard Business School e obteve um MBA
  • De 1995 a 1997 - consultor da McKinsey em Londres para as telecomunicações e serviços financeiros
  • De 1997 a 1999 - director de investimentos na Alpha Ventures:
  • Em 1999 a 2003 - fundou a NBG Venture Capital, subsidiária de private equity e venture capital do Banco Nacional da Grécia, foi seu CEO, gerindo a sua carteira e executando transações na Grécia e nos Balcãs
  • 2003 - nomeado pelo Fórum Económico Mundial como um líder global do futuro.

31/05/2023

O tiro do Czar Vlad saiu-lhe pela culatra


Serhii Plokhy. um americano de origem ucraniana, numa obra publicada recentemente («The Russo-Ukrainian War», apud The Economist) descreveu os três modelos que Vladimir Putin teria considerado para restaurar uma das versões do império russo: (1) o modelo da "Eurásia" com a reconstituição de quase toda a União Soviética disfarçada de união comercial, sem a Estónia, Letónia e Lituânia; (2) a "grande Rússia", uma união por ele presidida entre Rússia, Bielorrússia e Ucrânia; e a "Grande Rússia", uma versão da Rússia apenas, mas com partes da Ucrânia, no leste e no sul. 

Em vez disso, Putin que quando foi eleito pela primeira vez, em 2000, encontrou uma Ucrânia profundamente dividida entre os ucranianos pró-Rússia e os pró-Europa, conseguiu uni-los na aversão a ele próprio e à Rússia e comprometer os seus sonhos imperiais, possivelmente em definitivo.

E, de caminho, conseguiu ainda transformar uma anunciada «amizade sem limites» com a China numa submissão a Xi Jinping.

30/05/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (68b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 68a)


Enquanto a afluência às urgências no 1.º trimestre voltou a atingir os níveis pré-pandemia, faltam as macas nalguns hospitais. São apenas exemplos de como a paixão socialista pelo SNS que conduziu à falência da saúde pública tem sido a grande amiga da saúde privada que hoje já presta mais de metade dos cuidados, apesar de só absorver um terço da despesa em saúde (Saúde e Hospitais Privados em Portugal, Miguel Gouveia).

Já se sentem os efeitos do Mais Habitação

Do Mais Habitação está a resultar menos habitação na área metropolitana de Lisboa onde no 1.º trimestre as vendas de apartamentos se reduziram de 56%.

O PS quer transformar o Estado sucial em Estado corporativo

Pedi ao ChatGPT para definir cooperativismo e o zingarelho respondeu: «cooperativismo é um modelo socioeconómico baseado na cooperação entre indivíduos ou empresas que se unem voluntariamente para alcançar objetivos comuns, promovendo a igualdade, solidariedade e autogestão.» No Portugal socialista, como não há união voluntária, o cooperativismo é uma iniciativa do Estado «para combater a falta de habitação acessível.»

E num Estado corporativo os funcionários públicos constituem uma parte substancial da freguesia eleitoral do Partido do Estado e, com toda a naturalidade, têm de ser mais bem pagos do que os outros. Por isso é natural que «em 2021, a remuneração bruta mensal média dos trabalhadores da Administração Pública era superior à dos trabalhadores do sector privado em todos os níveis de escolaridade, incluindo os licenciados».

Os portugueses emprestam ao Estado sucial as sobras do saque fiscal

Desde o aumento das taxas de juro, as poucas poupanças das famílias portuguesas (taxa de poupança inferior a metade da Zona Euro), estão a ser aplicadas em certificados de aforro que já atingiram 30 mil milhões de euros ou 10% do total da dívida pública.

Take Another Plan. A Dr.ª Alexandra Reis é menos importante do que os copos de papel

O ex-administrador financeiro da TAP ouvido na CPI revelou que a comissão executiva deliberava sobre a compra de copos de papel, mas o pagamento da indemnização de 500 mil euros à Dr.ª Alexandra Reis passou-lhe ao lado.

Os melhores da Óropa

Mais de um terço dos passageiros que voaram de Janeiro a Abril a partir dos aeroportos portugueses tiveram os seus voos atrasados ou cancelados. Lisboa bateu o recorde com mais de 40%.

O socialismo do PS transformou Portugal no paraíso dos reformados abonados

Enquanto na União Europeia a produção industrial cresceu 13,9% desde 2005, Portugal foi o país em que mais diminuiu (-18,9%) no mesmo período. Quanto à indústria de alta-tecnologia que na UE cresceu 16%, Portugal foi o quarto com menor crescimento, (fonte: Key figures on European business, 2023 edition)

«Pagar a dívida é ideia de criança»

No topo do mundo, mais uma vez. Com 52% da dívida pública detida pelo BdP e pelo BCE, o dobro da média da OCDE, Portugal é o país mais dependente dos bancos centrais.


O endividamento da economia (Estado, empresas e famílias) aumentou em Março 100 milhões para 802,1 mil milhões.

29/05/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (68a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Tutti frutti, oh rutti. A wop bop a loo bop a lop bam bam. O bloco central dos merdosos. Haverá algo que não esteja podre no Portugal dos Pequeninos?

«Está combinado com o Medina eles apresentarem uns gajos merdosos para garantirmos (PSD) as nossas juntas» disse um apparatchik do PSD, à época vice-presidente da bancada, a outro apparatchik do PSD, presidente da junta da Estrela, segundo uma escuta no contexto da operação Tutti frutti de investigação de «corrupção, tráfico de influência, participação económica e em negócio e financiamento proibido» que envolve dois actuais ministros do PS num «acordo secreto, ou pacto de não agressão, com responsáveis do PSD, seis meses antes das eleições autárquicas».

Desta vez, o PSD está directamente envolvido e o Dr. Montenegro terá de escolher se quer ser um sucedâneo do Dr. Costa e fazer do PSD uma muleta na alternância ou se quer ser um líder de uma alternativa ao governo socialista.

O Dr. Cavaco é campainha de Pavlov da nomenclatura socialista

De vez em quando, o Dr. Cavaco sai do seu recolhimento e diz qualquer coisa e é escutado com mais atenção do que o Dr. Marcelo a quem só se presta atenção aos seus raros silêncios. Desta vez o Dr. Cavaco falou durante 30 minutos sobre o desgoverno socialista no encerramento do encontro de autarcas do PSD. Como o cachorro que salivava ao ouvir a campainha do Dr. Pavlov, a maioria da nomenclatura socialista latiu e uivou intensamente nos dias imediatos, mais ainda do que o costume. A nomenclatura jovem fez de Sigmund Freud, deitou o Dr. Cavaco no divã socialista e postulou que estava «muito mal resolvido com a sua impopularidade»

A bazuca do Dr. Costa é uma pescadinha de rabo na boca

No terceiro ano do PRR, ou bazuca como lhe chamou o Dr. Costa, o governo propôs a Bruxelas a sua reprogramação aumentando o montante a torrar de 16,6 para 22,2 mil milhões. Do aumento de 5,6 mil milhões, 3,2 mil milhões serão financiados por dívida pública. Mais ainda do que a média dos 150 mil milhões torrados em quase quatro décadas pelos contribuintes europeus, estes 22,2 mil milhões contribuirão tanto como as centenas de milhar de licenciaturas e mestrados em ogias produzidos pelas universidades para o desenvolvimento do Portugal dos Pequeninos.

Exagero? Talvez não. Sabeis quem é o maior fornecedor de bens e serviços para investimento público no âmbito do PRR? A Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional que vendeu por 74 milhões o direito de superfície de 8 imóveis da Defesa Nacional ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana para construir um dia habitações a preço acessível.

Credo! O Dr. Centeno está possuído

Por falar na torrefacção dos fundos europeus, o Dr. Centeno foi assaltado por uma epifania e fez uma síntese retrospectiva da sua aplicação dizendo «em Portugal, acabámos por pagar estradas onde nunca vamos andar, e isso foi investimento público", "temos estádios [de futebol] que estão vazios, e isso é investimento público".

Boa Nova. A inteligência artificial não pode ser pior do que a incompetência e negligência naturais

A Agência para a Modernização Administrativa anunciou o que vai ser desenvolvido em parceria com a Microsoft (leia-se pela Microsoft) uma solução de inteligência artificial em português para interagir com o “utente”. 

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central». «Está ali ligada às máquinas»

Segundo as contas do Expresso, desde que o governo há dois anos comprou a EFACEC à Dr.ª Isabel dos Santos, já lá enterrou 250 milhões de euros entre injecções de capital e garantias públicas. Dos 115 milhões de dívida bancária, na maioria garantidos pelo governo em nome dos contribuintes, a Parpública está a propor aos bancos o perdão de metade. Se tomarmos com referência o que acontece com as previsões de custos e perdas é prudente aplicar o multiplicador socialista e duplicar as perdas previstas.

(Continua)

28/05/2023

Questions (389) – Will Brexit happen? (XXIII) - A perfect example of Merton's laws

Other doubts about the consummation of Brexit (mostly in Portuguese).

[For those unfamiliar with Merton's laws or the laws of unintended consequences, see here.]

Try asking ChatGPT «What did the brexiters want to achieve by leaving the EU?» and you will probably get an answer «... some key factors that motivated Brexiters:
  1. Sovereignty: One of the central arguments put forward by Brexit supporters was the desire to reclaim national sovereignty. (...)
  2. Economic and Trade Independence: Some Brexit supporters emphasized the potential economic benefits of leaving the EU. (...)
  3. Immigration Control: Concerns over immigration played a significant role in the Brexit debate.  (...)
  4. Democratic Governance: Brexit supporters often raised concerns about the democratic deficit within the EU. (...)» 
With these goals in mind, let's take a look at some recent news about the Brexit outcome.

«German carmakers are lobbying the European Commission to delay post-Brexit rules that threaten to deliver a severe blow to Britain’s troubled car industry.

From next year, electric vehicles shipped between the UK and the EU will need to have 45 per cent of their parts sourced from within the two regions or face 10 per cent tariffs, under “rules of origin” terms set out in their post-Brexit trading agreement.

With many of the batteries still sourced from Asia, EVs are likely to fall foul of the new threshold and incur the tariff, which Vauxhall and Peugeot owner Stellantis warned on Tuesday might force it to shut its UK plant at Ellesmere Port.» (FT)

In a recently published article, ECB economists Katrin Forster-van Aerssen and Tajda Spital analyzed developments in the UK's trade and labor market two and a half years after Brexit and concluded that «the available data suggest that Brexit has been a drag on UK trade and contributed to a fall in labor supply, both of which are likely to affect the country's long-term growth potential».


«During the Brexit campaign, much fuss was made of the news that immigration had hit 323,000 a year, making a mockery of David Cameron’s promise to reduce it to the ‘tens of thousands’. Brexiteers and Remainers alike assumed the whole point of leaving the EU and ending ‘free movement’ was to reduce arrivals. The consensus was that about 130,000 a year was right. We now take that amount of people roughly every ten weeks. The net migration figure released next week is expected to come in at above 700,000 a year: by far the largest in the history of our islands.» (Spectator)

Since the first poll on February 2012 in which Leave was worth 48% and Remain 30%, the values reversed around May 2017 when the percentages were equal. Two and a half years after Brexit, here's what the British think of it.

Source

Once again, the truth and the facts end up exposing the lies, unfortunately at a high cost. One after another, the various lies and distortions were revealed and the result of the "liberation" of the United Kingdom from the European yoke is so far: increasing immigration, massive deficits, a sharply increasing public debt and... the lowest forecasted growth in the next two years, from all OECD countries.

27/05/2023

O Dr. Marçal Grilo está farto de quase tudo. Receio que falte apenas fartar-se daquilo de que deveria estar mais farto

O Eng. Marçal Grilo, que parece ser uma criatura integra e bem-intencionada cujo maior pecado foi ter sido ministro do primeiro governo Guterres, publicou no Público o artigo «Estou farto e cansado» onde se lamenta e confessa «estou farto de quase tudo o que ouço e vejo à minha volta».

Partilho de muitas suas críticas às críticas, por vezes disparatadas e sem fundamento, e aos críticos, por vezes oportunistas, do statu quo, mas não «estou cansado de ler as notícias da corrupção que corrói a democracia e alimenta os populismos». Em vez disso, estou cansado da corrupção que corrói a democracia e alimenta os populismos.

Também não me parece que seja um problema a suposta «vontade de deitar abaixo os que fazem qualquer coisa que se veja», porque, o mais das vezes, as coisas deitadas abaixo que se vêem são sobretudo a corrupção que corrói a democracia e alimenta os populismos.

Não «estou farto de ver aqueles que, como portugueses, gostam de se autoflagelar», estou mais farto dos "influenciadores" e da sua promoção das supostas notáveis realizações dos portugueses no topo do mundo.

Porém, a minha maior discordância do Eng. Marçal Grilo, mais sobre o que escreve, é sobre o que ele omite, como qualquer crítica às políticas públicas adoptadas pelo governo socialista que só empobrecem o país, às iniquidades que o PS tem cometido e à ocupação do Estado com os seus apparatchiks que são o equivalente aos situacionistas do Estado Novo, e ao prudente silêncio que mantém perante o desastre político e ético que tem sido a governação do Dr. Costa, desastre que esse, sim, alimenta os populismos. Esta omissão faz-lhe perder toda a autoridade moral para criticar os que criticam.

26/05/2023

CASE STUDY: Prever o futuro em Portugal é quase tão difícil como prever o passado na Rússia

Um amigo de muitos anos do (Im)pertinências publicou recentemente no LinkedIn um paper (não lhes chamem isso, ele irrita-se) sobre o desempenho das previsões oficiais de crescimento do PIB que têm servido de base à formulação das Grandes Opções dos Planos (GOP) portugueses.

As conclusões não deveriam surpreender quem está atento ao que se passa no Portugal dos Pequeninos e está consciente da dificuldade dos nativos preverem o futuro, que é quase tão grande como a dos russos preverem o passado.

Aqui vai um resumo resumido (certamente repudiado pelo autor):  

  • Previsões pouco precisas e sem capacidade para antecipar as mudanças de conjuntura;
  • As previsões seriam mais precisas se, em vez da parafernália de modelos, o MF tivesse usado a taxa de crescimento do ano da previsão;
  • Apesar de tudo, as previsões dos governos PSD são menos más do que as dos governos PS;
  • Tendência sistemática para o wishful thinking;
  • As previsões das GOP são muito menos precisas e muito mais enviesadas do que as das instituições multinacionais e o retrato piora quando se comparam com as instituições nacionais de outros países.
Em suma, estamos perante um dos casos em que John Kenneth Galbraith poderia dizer (se ainda fosse vivo): «a única função das previsões económicas é tornar respeitável a astrologia».

25/05/2023

Três décadas depois da queda do muro, a herança da "democracia" da RDA continua pesada

Vinte anos depois de derrubado o muro de Berlim, quando circulava na cidade ainda era perfeitamente visível se estava na antiga Berlim Leste.

A generation after Germany reunited, deep divisions remain

Quase trinta e três anos depois da reunificação e apesar dos biliões de marcos e euros derramados no Leste, são ainda também muito visíveis as profundas diferenças económicas, demográficas e sociais entre a Alemanha capitalista e a Alemanha comunista, como dois gémeos separados à nascença educados por pais diferentes. 

Dois detalhes muito significativos: (1) a redução demográfica nos distritos do Leste resulta de um quarto dos jovens alemães de Leste entre os 18 e os 30 anos se terem mudado para o Oeste e (2) o partido mais popular do Leste antigamente comunista é a AfD (Alternative für Deutschland), um partido chauvinista de extrema-direita.

24/05/2023

Os "famosos" da esquerda têm razão. A TAP não é um "activo tóxico"

No nosso Glossário das Impertinências define-se Carta Aberta assim: 

É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.

Pois bem, foi mais uma Carta Aberta que um conjunto de personalidades - uma espécie de "famosos" sofrendo o complexo de não serem verdadeiramente famosos - escreveram, subscreveram e publicaram no Público (what else?), jornal a que alguém chamou com propriedade o Avante da Sonae. É um conjunto que vai do realizador e promotor da TAP pública António-Pedro Vasconcelos, até ao incontornável Capitão de Abril e pedreiro do Grande Oriente Lusitano Vasco Lourenço, passando por outros incontornáveis nomes da esquerdalhada. 

Propõem aquelas personalidades que o governo que nacionalizou a TAP, confiscou mais de três mil milhões de euros para nela torrar, criou a maior trapalhada e sem-vergonhice que este país viu desde Dona Maria II e agora a pretende privatizar, mantenha o “controlo estratégico" do elefante branco para o que teria de encontrar um grupo de benfeitores patetas que se dispusesse a esturricar dinheiro no dito forno crematório. 

Numa única coisa estou de acordo com os famosos, a TAP não é um activo tóxico". E não é "activo tóxico" pela razão simples que não é um activo. É mais um passivo, tóxico.

23/05/2023

TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: "Fomos invadidos pela letargia socialista"

 «98 é um marco, mas as raízes do problema já vinham de trás. Cavaco deu um importante impulso desenvolvimentista ao país, mas nos dois últimos anos de mandato já era visível que o modelo estava esgotado. Estava esgotado o modelo, e estavam esgotados os protagonistas. Cavaco acabou rodeado de "yes men". Depois veio Guterres com o propósito de anestesiar um país já de si amorfo. A bandeira do "diálogo" foi uma óptima desculpa para suspender o reformismo e promover uma cultura de pântano na qual tão bem nos damos. 

O facto de nos últimos vinte cinco anos sermos dos piores países no que a crescimento económico diz respeito, sim os piores somos nós a Grécia e a Itália, entristece-me, mas não é o que me entristece mais. O que mais me entristece é a forma como passámos a aceitar a mediocridade. Da mesma forma que a China, do século XIX foi invadida pelo entorpecente ópio, nós fomos invadidos pela letargia socialista, em que o partido do Governo faz uma campanha a gabar-se que mais de um milhão de famílias acede a medidas de apoio ao cabaz alimentar. Sim, o que me entristece foi como perdemos qualquer ambição ou brio.» 

"Da Expo até à desesperança", Miguel A. Baptista no Corta-fitas

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (67b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 67a)

Take Another Plan. Take 1. A mitologia cuidadosamente tecida pelo agiprop socialista vai-se descosendo

A estória da privatização com fundos da Airbus que já estava um bocadinho descomposta descompôs-se de todo com a audição do antigo presidente da Parpública, accionista da TAP, que arrumou o assunto com «é um problema político que montaram agora».

A estória dos 55 milhões que o governo socialista pagou a David Neeleman foi agora explicada pelo Dr. Mourinho Félix, ex-secretário de Estado à época, como visando evitar custo "reputacional" de nacionalizar a TAP. Foi dinheiro deitado para a sanita, como disse o CEO da Ryanair, a propósito do dinheiro que o Dr. Pedro Nuno Santos torrou na TAP na sua campanha para CEO do PS (quem escreveu isto foi o outro contribuinte), porque, escrevo eu, a reputação do PS já então não valia um cêntimo.

Take Another Plan. Take 2. L’État et la Loi c’est nous

Com a maior normalidade, o ministro das Infraestruturas e todos os seus apparatchiks que depuseram na CPI admitiram sem qualquer dificuldade que o apparatchik dissidente Dr. Frederico Pinheiro tinha sido exonerado pelo telefone, sem mais delongas, sem qualquer despacho do ministro, como a lei impõe.

Também se ficou a saber que o bónus que o Dr. Pedro Nuno prometeu a Mme Ourmières-Widener foi com desrespeito total dos procedimentos legais.

Mais recentemente, na contratação do substituto de Mme Ourmières-Widener, o ministério das Infraestruturas pressionou o presidente da comissão de vencimentos da TAP, que entretanto se demitiu, para fixar a remuneração do novo CEO.

Take Another Plan. Take 3 – TAP, La Putain de la République

Por todos estes acontecimentos, e muitos outros do domínio público a que por falta de tempo e de pachorra não me referi, declaro a cloaca TAP La Putain de la République no sentido de que Mme Christine Deviers-Joncour chamou a si própria (quem não conheça esta Mme pode conhecê-la na Wikipedia em francês).

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS


Fonte

Como se pode ver no gráfico, o investimento público líquido das amortizações, ou seja, deduzido da utilização do capital, é negativo desde 2012, o que significa que o stock de capital vem diminuindo deste então. E foi precisamente nos primeiros quatro anos do governo socialista que o stock mais se reduziu.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»


mais liberdade

O SNS foi um dos mais atingidos pela redução do stock do capital das administrações públicas e um dos resultados é degradação visível também pelo aumento constante desde 2019 do número de “utentes” sem médico de família que cresceu de 850 mil para 1.680 mil.
 
De volta ao velho normal

No primeiro trimestre o crédito ao consumo atingiu quase 2 mil milhões, o valor mais elevado desde 2013.

A geração mais bem-educada de sempre


Ao arrepio do mito que da banalização dos diplomas universitários nasce o desenvolvimento do Portugal dos Pequeninos, há quem preveja que metade dos 63 mil novos licenciados em 2023 irão emigrar e contribuir para o desenvolvimento dos países anfitriões, seguindo o exemplo das centenas de milhar que os precederam.

22/05/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (67a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Não é por causa do governo que a economia ainda flutua. É apesar dele

O Dr. Costa, as luminárias socialistas e a comentadoria do regime não se cansam de se felicitar pelos êxitos da economia e das contas públicas. E o povo, que engole tudo, engole também isso, não percebendo que, se economia não vai mal, não é por causa do, é apesar do governo. Porque o governo não produz as exportações, não traz os turistas (as receitas do alojamento local aumentaram 45% de Março apesar dos esforços do governo para acabar com ele), não compra os imóveis de luxo dos estrangeiros abonados que fazem entrar milhões, nem mesmo fabrica os euros que os contribuintes europeus nos doam nas bazucas. O que o governo faz é torrar os impostos e os donativos da Óropa nas TAP, nas CP, nos Metros, a financiar projectos mal-amanhados e inviáveis e nos 87 mil funcionários públicos que acrescentou aos 659 mil que recebeu para atingir em Março um recorde de 746 mil.

A herança de 48 anos de Estado Novo e 49 de Estado sucial é mais pesada do que 42 anos de comunismo, incluindo 24 de Ceaușescu

Segundo as previsões da primavera da CE, a Roménia será mais um dos sobreviventes do colapso do comunismo que no próximo ano ultrapassará Portugal no PIB per capita.

Estamos a crescer mais do que a Óropa? Depende de qual Óropa e crescer em quê

mais liberdade

Se falarmos da Óropa dos sobreviventes do colapso do comunismo, que estava atrás de nós, só crescemos mais nos impostos sobre o capital e o trabalho.

Playing cool. Não se percebe a indignação

Enquanto o Dr. Galamba e o seu governo eram esmiuçados na CPI da TAP, o Dr. Costa foi a Coimbra assistir a um dos concertos dos Coldplay o que, parece, desencadeou as habituais ondas de indignação de gente que não tem mais nada para se indignar.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

No SEF acontece tudo. Desde o assassinato de uns imigrantes até à legalização temporária imediata e automática de outros, que está a consumir até dois anos, através do portal do SEF, sem qualquer controlo com nomes, moradas e documentos (até folhas em branco) inventados.

Às obras públicas socialistas acontecem uma de duas coisas: são anunciadas e não se realizam ou realizam-se e os custos derrapam, como nas obras nos Metros de Lisboa e do Porto que poderão ter uma derrapagem superior a 500 milhões de euros.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio ou serão “historietas histriónicas”?

Começo por cumprimentar a Judiciária que pode não ser o FBI mas tem um enorme talento para baptizar as operações de investigação (ver aqui um curto inventário que fiz há quatro anos). Desta vez, foi a operação Babel em que são investigados negócios de centenas de milhões com o grupo privado Fortera do sefardita Elad Dror, a quem foi concedida a nacionalidade portuguesa, negociações que envolveram várias personalidades da nomenclatura socialista, como o vice-presidente da câmara de Gaia, o líder da do PS-Porto, ex-secretários de Estado, entre vários outros, incluindo o actual ministro do SNS Dr. Pizarro que é suspeito de cunha para empregar um apparatchik socialista.

Boa Nova para a freguesia eleitoral

A nulinária socialista Dr. Brilhante Dias, que faz de líder parlamentar, já está a tocar a campainha de Pavlov anunciando com meses de antecedência “um passo em frente salários da função pública”.

Paz Sucial

Fonte

(Continua)

21/05/2023

Albertina. No Portugal dos Pequeninos a IA é pequenina e a garganta é grande

«Albertina é um nome com tradição, mas foi escolhido por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) também para apontar para o futuro com o primeiro modelo de Inteligência Generativa, que permite produzir textos com vários temas, de forma completamente autónoma tanto nas variantes europeia e brasileira, da língua portuguesa. Desde a discreta estreia, na sexta-feira, até esta segunda-feira, a Albertina já foi descarregada 33 vezes – um número que não é assim tão reduzido se se tiver em conta que esta ferramenta foi desenhada para correr em servidores (computadores empresariais, de grande capacidade).» (notícia do Expresso com o habitual título hiperbólico)

Sabendo-se que o LLM (large language model) da Albertina tem 900 milhões de parâmetros o que compara, por exemplo, com 540.000 milhões do PaLM da Google, seria mais adequado dizer que a Albertina tem um SLM (small language model). 

Entendamo-nos, isso não é vergonha nenhuma, afinal estamos no Portugal dos Pequeninos. É, porém, um pouco embaraçoso que isso precise de equipas de investigadores de duas universidades porque, segundo um email interno da Google, um modelo LLM pode ser preparado em apenas algumas horas por uma centena de dólares com um laptop robusto e uma técnica chamada LoRa (low-rank adaptation) que permite especializar uma LLM existente para uma tarefa em particular (provavelmente foi esta a via escolhida pela FCUL e a FEUP).

Vergonha, mais do que embaraço, é ainda não nos termos conseguido libertar do complexo de inferioridade que nos leva a exaltar constantemente coisas relativamente triviais, complexo que Eduardo Lourenço descreveu assim:

«Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranoia, exibição trágica, não aquela desinibida que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós».