Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/08/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (48) - Em tempo de vírus (XXV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa soltou o animal feroz que há nele…

… em off, claro, que o Dr. Costa é quase sempre feroz em privado e quase sempre manso em público. Primeiro insultou os médicos com um «gajos vírgula cobardes» no final da entrevista ao semanário de reverência. Parêntesis para dizer que os médicos são gajos e, na circunstância, talvez tenha sido cobardes, porém não é costume um primeiro-ministro dizê-lo. De seguida tem uma longa reunião com os médicos onde em privado, segundo o bastonário, se retratou enfaticamente, e por último na conferência de imprensa que se seguiu «não transmitiu integralmente e fielmente». Ora isto não compromete em nada a imagem do Dr. Costa que permaneceu intocada, mostra apenas que o bastonário ainda não percebeu com quem lida.

Milagre! A Drª Graça ressuscitou 13 falecidos no dia 27...



... e o Dr. Costa quer ressuscitar a geringonça

Talvez com inveja da sua directora-geral de Saúde, o Dr. Costa mostrou vontade de trazer ao redil as ovelhas comunistas e berloquistas agora tresmalhadas e ressuscitar a geringonça. É um reconhecimento oficial que a passarola com que sobrevoou os problemas do país nos últimos dez meses ameaça despenhar-se. Seguindo uma táctica trumpiana, alterna as ameaças de «se não houver acordo, há uma crise política» com a sedução de «não estou aqui a traçar linhas vermelhas». E, de facto, a linha vermelha que traça é para o Dr. Rui Rio, o eterno candidato a seu vice, a quem o Dr. Costa manda um recado recomendando que vá procurar outro emprego.

E se de repente lhe disserem que o governo “neoliberal” fez mais pela habitação social do que o governo socialista?

Como? Do programa Mercado Social de Arrendamento lançado pelo governo de Passos Coelho em 2012 resultaram 4.400 casas no valor de 360 milhões para arrendamento habitacional

Então e os anúncios dos programas de renda acessível dos dois candidatos à sucessão? Foram anúncios e aí o Dr. Costa e os seus putativos sucessores são imbatíveis. Segundo o antigo presidente do IHRU que sabe do que fala, o FNRE gastou 7,1 milhões de euros do fundo de pensões e não fez uma obra; do programa “Chave na Mão” não resultou nenhuma casa; do programa de “Arrendamento Acessível” resultaram 242 contratos.

30/08/2020

ARTIGO DEFUNTO: Quando a emenda do semanário de reverência é pior do que o soneto do Dr. Costa. Expiação da culpa

Sobre a "fuga" do vídeo do Expresso em que o Dr. Costa foi apanhado a chamar aos médicos «gajos cobardes», fuga que motivou um indignado comunicado, previ que o semanário de reverência iria tentar limpar a sua folha para recuperar as boas graças do governo e do PS que lhe fazem imensa falta e, de caminho, justificaria ainda mais o epíteto de "Acção Socialista", fazendo as vezes do semanário senão oficial pelo menos reverencial do PS.

Era obviamente uma previsão fácil e aí está o Expresso a confirmá-la com a publicação de uma «segunda parte» que ocupa 10-páginas-10 da Revista do semanário, ilustrada com 8-fotos-8 do Dr. Costa que ocupam o equivalente a umas 3-páginas-3. Onde é que já se viu um semanário de referência publicar entrevistas a políticos em «partes» e, para mais, num "caderno" dedicado à cultura e às actividades do espírito, como poderia ter escrito Pessoa, se ainda vivesse, na hipótese improvável de ser seu leitor?

Se houvesse dúvidas sobre o propósito do Expresso limpar a folha do Dr. Costa e ao mesmo tempo brunir o pedronunismo, leia-se o apologético parágrafo seguinte do artigo com o título A ‘bomba’ do Governo vai demorar mais de um ano a surtir efeito, onde se descrevem os projectos grandiosos do governo em matéria de habitação social, artigo que, só por si, qualifica o periódico como jornal oficial do regime, uma espécie de diário da manhã publicado ao sábado.
«Este é, na verdade, também um teste político ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, numa área querida à esquerda que tem demorado a apresentar resultados.»

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (37) - O risco da pandemia nos jovens é muito pequeno e não há razões para manter as escolas fechadas

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Desde que foram conhecidos os primeiros dados por escalões etários, ficou evidente que a letalidade da pandemia era muito baixa nos jovens e principalmente nas crianças. 

Essa constatação foi uma vez mais confirmada pelo estudo Clinical characteristics of children and young people admitted to hospital with covid-19 in United Kingdom: prospective multicentre observational cohort study da Universidade de Liverpool, abrangendo dois terços de todos os pacientes internados em 260 hospitais da Inglaterra, Escócia e País de Gales, publicado há poucos dias no British Medical Journal. 

Dos cerca de 70 mil pacientes com sintomas de Covid-19 admitidos nesses hospitais entre 17 de Janeiro e 3 de Julho, 651 tinham menos de 19 anos e apenas 6 morreram, todos eles com problema graves de saúde pré-existentes.

A Dra. Olivia Swann, uma das co-autoras, professora clínica em doenças infecciosas pediátricas na Universidade de Edimburgo, disse ao Guardian que o risco das crianças terem de ser internadas é muito pequeno, assim como o risco de doença grave, e o risco de morte é evanescente.

Como já se tinha visto antes, o encerramento das escolas não encontra justificação do ponto de vista da pandemia e tem um impacto discriminatório que se prolongará por muitos anos nos jovens afectados.


 Esse efeito é mais intenso nos alunos mais pobres nas escolas públicas com menos acesso aos métodos mais interactivos e mais eficazes do que os alunos mais ricos nas mesmas escolas. E esses alunos mais pobres têm ainda muito menos acesso a esses métodos do que os alunos das escolas privadas, geralmente provenientes de famílias das classes médias altas. 

Também nos EUA se constatou que os efeitos negativos do ensino online, adoptado em substituição do ensino presencial devido ao fecho das escolas, eram mais fortes nos estudantes mais pobres.

29/08/2020

Pro memoria (404) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VII) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Numa entrevista que o Jornal Económico destaca na primeira página, o presidente da MOBI.E – a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME) «revela o projeto de instalação de postos de carregamento que aumentará a cobertura geográfica de 165 para 278 municípios, admitindo que a atual rede nacional duplicará no espaço de um ano». 

Vejamos o que se passou até agora com as Boas Novas Socialistas nesta matéria.

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. 

Alternative Fuels Observatory

Como se pode ver no gráfico anterior existem actualmente no total cerca de 1.750 postos (*) de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática. Isto desacreditaria qualquer governo e qualquer partido em qualquer país civilizado. No Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

(*) O número existente em 2019 citado no post anterior era cerca de 3 mil e não os cerca de 1.700 que aparecem neste gráfico. Há várias explicações: (1) um erro do Alternative Fuels Observatory; (2) um erro do governo; (3) uma aldrabice do governo. Faça a sua escolha. 

28/08/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (36) - Habituem-se. Ele e os outros vieram para ficar

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Será necessário lembrar que as 831 mil mortes atribuídas até agora à pandemia representam 0,01% da população mundial e que a média diária de mortes ainda não ultrapassa as da tuberculose?

Em qualquer caso, este vírus veio para ficar, como todos os outros que são imensos. Numa simples análise ocasional de água do mar foram encontradas 200 mil espécies diferentes de vírus. Um só litro de água do mar pode ter mais de 100 mil milhões de partículas de vírus e um quilo de solo seco dez vezes mais ou seja um bilião. Num cálculo aproximado, podem existir em todo o mundo 10 elevado à potência 31 partículas de vírus, algo como 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.

E eles existem dentro de nós. Entre 8% e 25% do genoma humano parece ter origem viral. A capacidade dos mamíferos desenvolverem placenta é uma consequência da modificação viral de um gene. Os vírus contribuíram também para o desenvolvimento do cérebro humano. (Viruses have big impacts on ecology and evolution as well as human health)

Habituem-se. Este vírus veio para ficar.

Intervalo para lembrar que depois da pandemia teremos a anemia, de novo. O Covid-19 segue dentro de momentos (2)

Continuação do intervalo anterior.

A descapitalização crescente da economia portuguesa, a impreparação de uma parte significativa dos empresários e gestores e a falta de qualificações adequadas da mão-de-obra portuguesa explicam o enorme handicap da economia portuguesa em matéria de produtividade e, em consequência, também de competitividade.

Uma das consequências dessa descapitalização é a alienação pelos empresários portugueses das suas empresas. No sector financeiro, onde os bancos e as seguradoras foram quase todos vendidos, o processo foi mais longe, mas também a uma parte da pouca indústria que por cá havia foi alienada. O sector da construção civil e obras públicas foi dos mais atingidos a começar pela Somague e a acabar em muitas outras empresas. 

Sobrou na construção civil e obras públicas a Mota-Engil, a única portuguesa entre as 250 maiores construtoras internacionais, entre as quais no top 10 se encontram sete chinesas.

Sobrou mas pode estar a caminho de deixar de sobrar. A China Communications Construction Company (CCCC), a quarta maior construtora do mundo, vai ter uma participação de 30% e a holding da família Mota ficará, por agora, com 40%. Para a China e a sua estratégia de hegemonia, Portugal é o ventre mole da Europa.

27/08/2020

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Boris Johnson,

Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro / Secção Still crazy after all these years



Não é que fosse razoável esperar muito de Boris Johnson, mas, ainda assim, está a falhar mais do que as piores previsões em três frentes críticas. No Brexit perdeu-se o norte e ninguém sabe como e quando vai estar fechado o processo. A resposta à pandemia foi até agora um desastre, com a terceira taxa de óbitos a seguir à Bélgica e à Espanha, apesar de ter uma taxa de infectados inferior à portuguesa. O impacto na economia também foi mais elevado do que qualquer dos países da EU, excepto a Espanha.

Como se não fosse o suficiente, fabricou uma lista de 36 candidatos à câmara dos Lordes que incluiu: um oligarca russo dono de vários jornais na GB e filho de um agente da KGB; um jogador de críquete envelhecido e irascível que apoiava o Brexit; um ex-activista do Partido Comunista Revolucionário e apologista do IRA que também apoiou o Brexit; o próprio irmão do primeiro ministro; e diversos doadores do partido Conservador, e ainda "bag-carriers and hangers-on".

Leva quatro bourbons por não ter esquecido nada e ter aprendido pouco e cinco chateaubriands por confundir agitação com governação e imaginar-se Winston Churchill a comandar a batalha de Inglaterra.

Aditamento a propósito deste simpático comentário:

Sim, mais na Inglaterra do que no resto no Reino Unido, historicamente sabe-se de política. Infelizmente essa política nem sempre é bem servida pelos políticos britânicos e parece-me claríssimo que, se Boris Johnson não é o Winston Churchill que ele pensa ser, também está muito longe de ser a Margaret Thatcher que o Reino Unido precisaria que ele fosse.

Ser de esquerda é... (7)

... ser um defensor irredutível do ensino público e inscrever os filhos no Colégio Moderno, ou no Liceu Francês, ou no Colégio Alemão, ou na St. Peter’s School, etc.

Outros "Ser de esquerda é..."

26/08/2020

CASE STUDY: «A única função das previsões económicas é tornar respeitável a astrologia» (5)


A blague do título é de John Kenneth Galbraith e aplica-se a muitas previsões e em particular às que são apresentadas nos programas de governo.


Desta vez é o caso particular das previsões do FMI da profundidade das recessões nas economias dos países pobres. Como se vê no diagrama, seguem o padrão geral das previsões, tornando-se gradualmente mais pessimistas à medida que o tempo passa. Já agora, aproveito para recordar que, nove em cada dez vezes, um optimista é um pessimista mal informado.

Dúvidas (316) - Quem é Fa? Quem é AntiFa?

25/08/2020

SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria" (5)

Este post é uma continuação de (1), (2), (3) e (4) e está relacionado com a série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.
«Every time a parent sends their child off to school pre-covid they may have been involved in a road traffic accident... that risk, or the risk from seasonal flu, we think is probably higher than the current risk of covid.» 
Deputy chief medical officer Jenny Harries on school’s reopening

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (35) - Efeitos secundários do confinamento

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Nesta altura já não é possível, a não ser por má-fé, ignorar as consequências das estratégias de resposta à pandemia adoptadas na maioria dos países em consequência de histerismo ou oportunismo dos mídia e dos decisores políticos e em particular dos prosélitos do estatismo. No fim do dia, essas consequências estão a traduzir-se por excessos de mortalidade em relação à média dos últimos anos, excessos de que só numa pequena parte são explicados pela pandemia, sendo a maior parte consequência da falta de resposta da saúde pública inexplicavelmente focada a 100% na pandemia e ainda dos efeitos secundários do confinamento. 

Entre efeitos secundários do confinamento de natureza psicológica, que só nos casos extremos têm como consequência a morte, as depressões são talvez os mais comuns. A este respeito, o Office for National Statistics publicou a semana passada (Coronavirus and depression in adults, Great Britain: June 2020) alguns dados que permitem avaliar a extensão deste problema no caso britânico. Em síntese, relativamente ao mês de Junho:
  • Um em cada cinco adultos experimentaram alguma forma de depressão, o dobro da média antes da pandemia;
  • Um em cada oito adultos desenvolveram sintomas moderado ou severos
  • As mulheres adultas entre os 16 e os 39 anos sem possibilidade de suportar despesas inesperadas foram as mais propensas à depressão
  • Oito em cada dez adultos sentiram stress ou ansiedade associada à depressão
  • Dois em cada cinco adultos que experimentaram alguma forma de depressão disseram que as suas relações foram afectadas o dobro dos adultos sem ou com depressão moderada 
  • Os jovens adultos (16-39 anos) mostraram-se os mais propensos à depressão (ver diagrama)

24/08/2020

ARTIGO DEFUNTO: Quando a emenda do semanário de reverência é pior do que o soneto do Dr. Costa

«É que o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia. E os gajos, cobardes, não fizeram.» 

Ficámos a conhecer por um vídeo gravado pelo Expresso após a entrevista, que o Dr. Costa a propósito do escândalo do lar de Reguengos de Monsaraz, em que estão envolvidos os Três Zés socialistas, disse o que disse.

A "fuga" do vídeo motivou um indignado comunicado da direcção do semanário onde argumenta que «os sete segundos do vídeo ilegal descontextualizam quer a entrevista, quer a conversa que o primeiro-ministro teve com o Expresso». O descontextualizar é um argumento assim como eu, depois de ter falado on record durante uma hora sobre o Dr. Costa, tendo sido gravado off the record a dizer que o senhor primeiro-ministro é um aldrabão, vir protestar que aldrabão estava fora do contexto.  

Percebe-se a indignação. Afinal num ápice foi introduzido um factor de desconfiança entre o semanário de reverência e o Dr. Costa e o seu governo que pode prejudicar no futuro a cooperação, até agora sem mácula. Foi um verdadeiro tiro no pé. Prevejo que o Expresso no próximos tempos vai justificar ainda mais o epíteto que lhe temos aposto de "Acção Socialista", o semanário senão oficial pelo menos reverencial do PS.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (47) - Em tempo de vírus (XXIV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

No passado usaram-se guardas-florestais para prevenir incêndios. Há dois anos o exército torrou quase 6 milhões na compra de drones para a vigilância de fogos que não foram usados. E o que faz um governo socialista nestas circunstâncias? Compra mais 12 drones para a Força Aérea e começa a contratar guardas-florestais. Isto foi o que escrevi há quase três meses. Depois disso, a Força Aérea assina o contrato em 3 de Julho quando os drones já deveriam andar a vigiar os incêndios; a 17 o ministro do Ambiente diz que estariam operacionais dentro de dias; a 4 de Agosto os ministros fazem uma acção de promoção e nada de drones; talvez alguns sejam entregues a partir de 31 de Agosto.

Quando um cão é raivoso todos lhe mandam pedras

Numa entrevista de várias páginas ao Expresso, a ministra da Segurança Social explicou os seus feitos que incluíram admitir não ter lido os famigerados relatórios do lar de Reguengos de Monsaraz - uma espécie de espécie de Buchenwald para velhinhos, administrado por uma troika local de Zés socialistas. A partir daí, metade do país mediático zurziu-lhe forte e feio e foi preciso o Dr. Costa, depois de algumas hesitações, vir em defesa da sua ministra - que deveria ter deixado no Turismo.

Para a ministra foi uma lição para aprender que dizer a verdade no regime não compensa. A partir de então, garantiu que já tinha lido todos os relatórios e aumentou de 100 para 500 as vistorias feitas pela Segurança Social aos lares. De caminho, insinuou que a entrevista do Expresso não teria reproduzido com exactidão o que disse. Tocou-lhe no nervo e em paga o semanário de reverência, como se fosse pouco dedicar-lhe um artigo com o título «As contradições e os equívocos da ministra», esclareceu que «a proposta de entrevista ao Expresso partiu de Ana Mendes Godinho», o que diz tanto sobre a ministra que propôs como sobre a independência do jornal que aceitou uma "proposta de entrevista".

O balão de hidrogénio de Galamba

À míngua de argumentos inexistentes na profunda ignorância pesporrente do Dr. Galamba sobre a produção de hidrogénio, e suspeito sobre qualquer outro tema, o apparatchik socrático insultou o professor de engenharia Clemente Pedro Nunes, uma autoridade na energia e em particular do hidrogénio, chamando-lhe aldrabão encartado, insulto que dito por um aldrabão desencartado até pode ser um elogio.

Uma espécie de montra do PS

A Circulatura do Quadrado, é um programa na TVI do Dr. Pacheco Pereira, o intelectual oficial do socialismo, que sucedeu à Quadratura do Círculo. O programa deu um púlpito mediático ao Dr. António Costa enquanto ele aguardava a sua vez, ia amolecendo a liderança de António Seguro e preparando a sua ascensão. Quando o Dr. Costa trocou a cadeira do programa pela cadeira de secretário-geral do PS foi substituído por Jorge Coelho. Quando esta outra abencerragem socialista anuncia a sua reforma será substituída, segundo o jornal SOL, por Ana Catarina Mendes, a líder parlamentar do PS e membro honorário do círculo costista.

Para os amigos tudo, …

Vítor Escária que havia sido assessor económico de Socrátes e mais tarde do Dr. Costa até ter sido demitido por ter sido arguido no caso das viagens para o Euro 2016 pagas pela Galp, foi agora de novo nomeado para chefe de gabinete do Dr. Costa. E porque não? Afinal, na escala socialista aceitar viagens é quase o máximo de virtude de um apparatchik.

... para os inimigos nada (ou pior)

Segundo o relatório da Ordem dos Médicos o presidente da Administração Regional de Saúde ameaçou com um processo disciplinar os médicos que denunciaram falta de condições de Reguengos de Monsaraz no lar onde morreram 18 pessoas.

23/08/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (3) - Da discussão nasce a luz, salvo quando se discute com lâmpadas fundidas

[Continuação dos balões (1) e (2)]

Já tinha citado no post anterior Clemente Pedro Nunes, um professor de engenharia que tem obra publicada sobre os temas da energia e em particular do hidrogénio, entretanto insultado pelo apparatchik socrático estacionado na secretaria de Estado da Energia. Volto hoje a fazê-lo respigando um excerto do seu escrito muito esclarecedor no Expresso de ontem: 

«Estamos, sim, perante o retomar do circo mediático iniciado em 2005 pelo Governo Sócrates para promover as potências elétricas intermitentes, solares e eólicas, à custa dos consumidores.

Para atrair investidores para essas tecnologias, na altura imaturas, foram-lhes oferecidas FIT (Feed in Tariffs), que dão a quem delas beneficia generosas tarifas garantidas, em simultâneo com uma reserva absoluta de mercado durante 15 anos.

É assim que ainda hoje as famílias e as PME estão a pagar 380 euros/MWh pela eletricidade solar dos parques concedidos pelo Governo Sócrates em 2010, quando o preço atual de mercado está abaixo de 40 euros/MWh!

O que conduz a um sobrecusto de 600 milhões de euros por ano. E se juntarmos as FIT concedidas maciçamente às eólicas, os sobrecustos atingem os 2000 milhões de euros por ano. Uma bagatela para uma economia muito enfraquecida como a portuguesa.

E foram também as FIT concedidas às potências intermitentes que expulsam a atual central de Sines do mercado e forçaram a proprietária EDP a solicitar o respetivo encerramento, deitando assim ao lixo a mais eficiente central a carvão da Península Ibérica.

E para a substituir aparece agora um projeto megalómano de fazer uma monumental unidade de eletrólise para consumir eletricidade e água do mar, que para o efeito terá de ser dessalinizada para produzir hidrogénio, que, por sua vez, se vai queimar para depois se voltar a produzir eletricidade ...

Ou seja, desperdiçar milhares de milhões de euros de um país terrivelmente endividado num projeto completamente desnecessário e ineficiente do ponto de vista energético. E, de caminho, dar mais FIT aos novos promotores de mais 2000 MW de potências intermitentes, destruindo qualquer veleidade de se voltar a ter um mercado elétrico nos próximos 15 anos.

O país não pode derreter mais dinheiro em mais tecnologias imaturas, que apenas têm contribuído para enriquecer os respetivos promotores e arruinar a economia portuguesa desde 2005.

Por expor estas ideias no âmbito da discussão pública promovida pelo próprio Governo, fui já publicamente insultado pelo secretário de Estado João Galamba. Será uma nova ferramenta de pressão mediática que, todavia, não me intimida ... »

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Devotos da submissão

«Não ocorre por um instante a estes devotos da submissão que as regras que postulam a utilização da máscara foram evoluindo, para a frente e para trás, de acordo com alucinações diversas – e com a capacidade de socialistas criarem empresas para importar o pechisbeque. E os devotos da submissão não se lembram de questionar decretos produzidos pelos exactos génios que, em sete meses de “pandemia”, deixaram os velhos nos “lares” entregues ao abandono e, desculpem a redundância, ao PS. E os devotos da submissão não duvidam da propaganda espalhada por “media” ligados à vida por subsídios governamentais. E os devotos da submissão não ligam às opiniões de especialistas que desaconselham a máscara e, em caso de hereges terminais, desvalorizam a covid. Os devotos da submissão não questionam coisa nenhuma, nem sequer as excepções abertas para que comunistas festejem o estalinismo, pasmados aplaudam comediantes, o dr. Costa assista à bola e o prof. Marcelo finja resgatar banhistas em apuros. Os devotos da submissão limitam-se a obedecer às mais absurdas directivas a propósito dos mais absurdos pretextos. O curioso é que os devotos da submissão julgam que os indivíduos sem açaime os ameaçam com um vírus gripal, e não reparam que eles é que nos condenam a todos ao vírus da tirania, que parecendo que não é ligeiramente pior.»

Baile de máscaras, Alberto Gonçalves no Observador

Caminho para a Servidão, nome com que baptizei esta série de posts há mais de uma década foi inspirado na obra de Friedrich Hayek de 1944. Decorridos estes anos, talvez deva alterar o nome para simplesmente Servidão.

22/08/2020

CASE STUDY: Elefantes brancos em Espanha (24)

Este post é uma continuação da série Elefantes brancos em Espanha onde publiquei quase toda a colectânea apócrifa «ESPAÑA PAIS DE MILLONARIOS» dos resultados do socialismo ibérico em Espanha. Oito anos depois repesco o tema a propósito de um artigo recente da Economist, sobre o AVES (TGV em Espanha), um gigantesco elefante branco. Respigo desse artigo alguns passagens baseadas num estudo da AIReF (Autoridad Independiente de Responsabilidad Fiscal, entidade que tem como missão «velar pela sustentabilidade das finanças públicas»).

«Nas últimas três décadas, a Espanha injectou dinheiro nas infraestruturas de transporte, incluindo rodovias e aeroportos, bem como no AVES. Agora tem 3.086 km de linhas ferroviárias de alta velocidade (mais de 250 km por hora), rede superada apenas pela China. O número de passageiros quase dobrou na última década, à medida que o AVES conquistou passageiros aos voos domésticos. Mesmo assim, há menos de um terço do número de passageiros por quilómetro de França.

A rede custou € 61 mil milhões até agora. A AIReF já fez o primeiro estudo completo de custo-benefício dos comboios. Constatou que os benefícios, inclusive para o meio ambiente, são inferiores ao custo total, embora isso possa eventualmente mudar para as linhas de Madrid a Sevilha e Barcelona. Mas há planos para mais 5.654 km de linhas de alta velocidade, a um custo de pelo menos € 73 mil milhões. Muito melhor, diz a AIReF, seria investir nas redes de passageiros esquecidas, que transportam 89% dos passageiros ferroviários. A AIReF pressiona a criação de uma agência independente para definir as prioridades do transporte e avaliar os projectos.»

É o socialismo, na sua modalidade ibérica.

21/08/2020

Dúvidas (315) - E porque não uma petição para ilegalizar os grupos de cariz neocomunista?

A petição Contra conferências Neonazis em Portugal e pela ilegalização efetiva de grupos de cariz fascista/racista/neonazis, criada em 2 de Novembro do ano passado a pretexto da realização no dia 10 de Agosto, em Lisboa, de uma reunião de organizações de extrema-direita, assinada por dezenas de associações como Antifascistas Autonômos de Goiâna, Bloco de Esquerda, MTST - Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Queer Tropical, UMAR, etc., foi avaliada por uma Comissão Parlamentar em 7 de Julho, e vai ser discutida em plenário depois de Setembro (DN).

É discutível que numa democracia avançada (estou a falar em abstracto, porque Portugal é uma democracia asmática com um Estado ocupado por neosituacionistas) se devam ilegalizar entidades porque, segundo os peticionários, perfilham a ideologia fascista. Dando de barato a legitimidade de ilegalizar tais entidades fundada no facto de se identificarem com regimes políticos totalitários e considerado a resolução do Parlamento Europeu que equiparou nazismo e comunismo,  pergunto se não devemos peticionar a ilegalização do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda, por exemplo.

LA DONNA (E L'UOMO) È UN ANIMALE STRAVAGANTE: Para tirar os trapinhos qualquer causa é boa (25)

Outros trapinhos tirados.


"alemães jogam futebol nus contra a corrupção"

Durante vários anos publiquei nesta série mais de duas dezenas de posts ilustrando demonstrações de "libertação da mulher" por via de tirar os trapinhos e expor as suas parte pudendas aos poucos passantes e aos muitos mídia. 

No último post publicado as demonstrações alargaram-se aos homens e a outras causas (o Brexit). Agora são só homens alemães e, segundo o Público, é um «protesto pensado por artista (que) pretende alertar para a influência do dinheiro e dos “falsos ideais de beleza” no mundo do futebol.» De onde me permito confirmar uma conclusão e acrescentar outra:
  • Para tirar os trapinhos qualquer causa é boa;
  • Se Françoise Giroud, que no seu tempo disse o que se sabe, ainda por cá andasse, poderia dizer agora que já foi alcançada a igualdade em matéria de imbecilidade.

20/08/2020

Putin é um modelo para todos os déspotas. Ele aproveita o melhor de vários mundos


Trata a oposição interna com os métodos de Koba, o Zé dos Bigodes. Recriou o KGB soviético, do qual foi agente, sob o nome de Serviço Federal de Segurança. Desfruta de um estatuto constitucional vitalício governando como o Czar de Todas as Rússias. Associou-se à igreja ortodoxa fingindo ser um modelo de conservadorismo moral. Adoptou uma espécie de capitalismo de Estado em regime de cleptocracia com os seus compadres. Combate os Estados democráticos seus inimigos com exércitos virtuais baratos usando as suas redes sociais.