Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

02/10/2019

A encomenda de Guterres ou a ONU como departamento de agitprop do PS


Relatora especial das Nações Unidas para o problema da habitação pede a outros países para seguirem o exemplo de Portugal»

Depois queixem-se da falta de credibilidade desta agremiação em que os sócios são maioritariamente governos de regimes com democracia meramente formal ou abertamente totalitários.

Mitos (295) - O racismo retroactivo

Quem já era adulto por alturas do PREC (ou seja nascido antes da década de 60 - o estado mental de adulto atingia-se então numa idade em que hoje ainda se está na adolescência) sabe perfeitamente que na sociedade portuguesa do Estado Novo não faria sentido falar de racismo, como uma ideologia discriminatória dos indivíduos de certas raças, o que em termos práticos queria dizer negros.

O que havia era um preconceito e uma discriminação em relação às classes baixas da sociedade, fossem os indivíduos negros ou brancos, não muito diferente do que hoje existe. Isso mesmo tem sido mostrado pelo historiador João Pedro Marques em vários artigos e nomeadamente no último, significativamente intitulado Portugal não era nem é racista, cuja leitura se recomenda.

O politicamente correcto luso-serôdio, representado pelo berloquismo e suas derivações, imitando o marxismo universitário americano tenta reinventar retroactivamente um clima social como se estivesse no Alabama ou na Georgia. É uma espécie de fake history. Não há pachorra.

01/10/2019

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA (27) - «You should not be fooled twice»

Em Agosto o Financial Times publicou o artigo «Portugal’s bright outlook offers Europe some hope» que pintou de cor de rosa uma realidade portuguesa irreconhecível por quem cá vive e entronizou o «sagaz Costa».

Não foi a primeira vez que o FT teve estes devaneios. Em Novembro de 2007, quando os observadores atentos já viam no horizonte as consequências das políticas do governo de Sócrates, de que Costa fez parte até essa altura, o FT escrevia  «O país mudou para muito melhor ... em menos de dois anos o défice de Portugal desceu para 3,9% e é esperado que caia para perde 3% ... a taxa de crescimento económico ultrapassou as previsões ... (em consequência de) ... reformas estruturais que o governo tem em curso».

Desta vez os devaneios do FT foram comentados pelos mídia domésticos, mas com bastante complacência, pois trava-se do FT...

Foi preciso esperar várias semanas para o FT ser ver obrigado a publicar no dia 23 uma carta de um leitor português muito especial Pedro Caetano, que vive em Abingdon, Oxfordshire, carta que acabou por ser the most read letter of the last week e reduz às devidas proporções a narrativa épica do FT. Aqui vai ela.

Portuguese deserve a clearer vision for country’s future

From Pedro Caetano, Abingdon, Oxfordshire, UK — The most read letter of the last week 

SERVIÇO PÚBLICO: António Costa, el gran prestidigitador

O Prestidigitador de Bosch
«Prosseguindo as reflexões semanais a que me propus, salientarei que potencialmente a informação é um dever, a publicidade um direito, a propaganda um abuso. Esta abre as portas à demagogia das falsas promessas e considerações. Manipula a credulidade do destinatário, sendo certo que há quem goste de ser bem enganado. O sucesso do ilusionista assenta aí. O público sabe que está a ser alvo do logro, mas quanto mais difícil lhe resulta perceber como, mais aplaude. António Costa na sua idiossincrasia gostará de saber, que ó reconheço como o melhor mágico do cenário político português, ultrapassando, na arte do fazer de conta, quantos rivais de cariz guterrista, futuros socráticos ou não, o acompanharam há anos no êxito de substituir no PS a ética cavalheiresca de Jorge Sampaio. Rasteira atrás de rasteira, ainda hoje me doem as canelas.

O atual primeiro-ministro já era um desembaraçado demagogo, mas a parceria, durante quatro anos, com o BE aperfeiçoou a ávida enunciação de quantas necessidades e aspirações se lembrem, para segundo as melhores regras do marketing político as transformar em objetivos, sem cuidar das possibilidades de os materializar sem as graves sequelas da irresponsabilidade e do despesismo. A isso a CDU não se opôs, fiel à incongruência dos comunistas serem austeros quando governam, mas reivindicativos quando tal não ocorre. Os dirigentes da Intersindical seriam silenciados na União Soviética.»

Excerto de «O futuro está ao virar da esquina», Joaquim Silva Pinto no jornal SOL

O título do post é roubado deste artigo do El País, da altura em que perdeu as eleições e ficou primeiro-ministro. O jornalista viu logo desde o princípio quem era a criatura. Quatro anos depois um terço dos portugueses ainda não perceberam.

30/09/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (207)

Outras avarias da geringonça e do país.

«Os portugueses não gostam de maiorias absolutas». Nós gostamos, mas fingimos que não gostamos

De tanto fingirem vão acabar a ter de gostar, porque até para os (alguns) eleitores portugueses há um limite e depois do desmoronar do castelo de Tancos de onde fugiram os ratos do regime, o PS vê mais longe a maioria absoluta. Uma semana depois, perde 3,5% nas intenções de voto e o PSD que chegou a 28,5% está agora nos 26,4% a 10,4% (fonte)

Tão amigos que nós fomos

Depois de ser pegado com Catarina Martins a propósito da paternidade/maternidade da geringonça que ambos disputam, Costa acabou a pegar-se com Rio que, depois de um ano e meio de grande convergência, viu no caso Tancos a sua oportunidade de aumentar a sua esperança de vida política concluindo o óbvio: ou bem Costa sabia e é mentiroso, ou bem Costa não sabia e é incompetente. De caminho, deixou cair mais um dos seus princípios éticos, na circunstância o de que se deve deixar funcionar a justiça e não antecipar condenações na praça pública.

O Estado sucial tem de ter instituições socialistas

Desde logo uma justiça compatível e daí a preocupação de Costa (Marcelo deu uma ajudinha) em não renovar o mandato de Joana Marques Vidal. Já está a dar frutos. O parecer do Conselho Consultivo da PGR pedido por Costa sobre a lei das incompatibilidades «inventou um novo método de interpretação das leis: a interpretação irreal. Ou seja aquela que mais se afasta da literal» confirmando o que mais convinha a Costa e à família socialista que parasita o Estado Sucial.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A maior ameaça à democracia vem da suas instituições ocupadas por "gente que não sabe estar"

«Não quero dizer que Tancos seja o cenotáfio da democracia. Seria exagerado. Mas, se houver um dia uma tragédia, poder-se-á dizer que alguma coisa começou ali, naquela charneca. Tancos acrescenta-se ao BNP, ao BES e ao BCP. À PT, à EDP e aos cimentos. À Face Oculta e à Operação Marquês. Aos incêndios e à Protecção Civil. Aos políticos arguidos e nunca julgados. Aos despachos de arquivamento inexplicáveis. (...)

Em tempos de politica de massas, de redes sociais e de lugares comuns, os regimes autoritários, fascistas, comunistas ou populistas são, como no passado recente, golpes em democracias falhadas, em países onde as revoluções não vingaram e onde a democracia foi capturada.

Não serão brigadas fascistas, regimentos europeus ou destacamentos comunistas que ameaçarão a democracia portuguesa. Nem sequer o capitalismo chinês ou as multinacionais americanas. Quem o fizer, será graças aos políticos portugueses e aos tribunais portugueses. E será por causa da corrupção, do nepotismo e da porta giratória. E da falta de justiça.»

«Os inimigos da democracia», António Barreto

29/09/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (90) - O «papagaio-mor do reino» pode não ser o «papagaio-mor» de Tancos

Outras preces

O meu post anterior sobre o «papagaio-mor do reino» escrito a quente pode ter deixado a impressão que estaria a insinuar que Sua Excelência seria "o" «papagaio-mor» de Tancos. 

Não estava. Em primeiro lugar porque neste blogue não se pratica o género literário da insinuação e neste caso estava simplesmente a concluir que qualquer pessoa não desprovida de neurónios deduziria que o major Brazão se estava referir a Sua Excelência, por razões que, apesar de não carecerem de explicação, sempre explico: (1) Sua Excelência falou pelos cotovelos sobre o caso de Tancos; (2)  Sua Excelência é há décadas e continua a ser "um" «papagaio-mor» e (3) ao ocupar o topo das instituições do regime foi promovido a «papagaio-mor do reino».

Um escrutínio mais cuidado do que vem desde então escorrendo para os mídia pela mão dos jornalismos das diversas causas levou-me a concluir que, sendo Sua Excelência indubitavelmente "o"«papagaio-mor do reino», é pouco provável que seja o «papagaio-mor» de Tancos.

Pro memoria (396) - A reversão para as 35 horas não iria custar nada (IV)

Sequência de (I) e (II) e (III)

Primeiro Costa e o seu Ronaldo das Finanças, a encarnação do rigor orçamental, garantiram que a redução do horário de 40 para 35 horas semanais da legião de centenas de milhares de funcionários públicos não teria impacto orçamental. De seguida, num exercício de maquiavelismo cínico e irresponsável, o presidente dos Afectos no seu despacho de promulgação da Lei 18/2016 em 20 de Junho escreveu:

«Porque se dá o benefício da dúvida quanto ao efeito de aumento de despesa do novo regime legal, não é pedida a fiscalização preventiva da respectiva constitucionalidade, ficando, no entanto, claro que será solicitada fiscalização sucessiva, se for evidente, na aplicação do diploma, que aquele acréscimo é uma realidade».

Desde o final de 2015, quando a geringonça começou a desgovernar, até ao final do 2.º trimestre deste ano o número de utentes da vaca marsupial pública aumentou cerca de 41 mil de 659.144 para 690.494 [Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP)].

Há 3 meses, 41 mil novos funcionários públicos depois, concluiu-se que ainda faltavam mais de 45 mil.

Esta semana, soube-se que no SNS se fizeram em 2017 quase 12 milhões e em 2018 mais de 13 (treze) milhões) horas extraordinárias.

Percebe-se porque o Estado Sucial português está condenado, mais tarde ou mais cedo, ao quarto resgate resultante da governação socialista.

28/09/2019

A Amazónia de Macron são as ruas de Paris

Uma espécie de sequela de Ainda a desfaçatez a propósito da Amazónia, desta vez de Macron,

Algumas imagens (atrasadas) da "Marcha pelo clima" em Paris no sábado passado.

Le Journal de Dimanche

LCI

Direis que é absurdo esta pândega a propósito do clima, mas a verdade é que botar fogo a qualquer coisa é uma espécie de desporto nacional francês. Sobretudo brûler les bagnoles, como na foto a seguir.

Le Figaro
Segundo uma estimativa recente, são incendiados em França uma média diária de 110 veículos.

Dúvidas (279) – Irá o Brexit consumar-se? (XVI) - Bojo self defeated

Spectator

27/09/2019

Eduque o seu cão a comer couve de Bruxelas no Brave New World ou vá viver para a Savage Reservation


Nem só o Estado é amigo do empreendedor (13) - A maldição do jornalismo promocional não falha

Outras maldições do jornalismo promocional.

Repetindo-me:

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

Espero que não seja o caso da Farfetch, uma plataforma de venda de artigos de luxo, o único unicórnio português - unicórnio segundo o jargão startápico é uma empresa tecnológica que foi avaliada em mais de mil milhões de dólares.

Mas receio que seja, porque desde 2007 até hoje, a Farfetch só perdeu dinheiro num total de quase 100 milhões de euros, dos quais 38 milhões só no ano passado, prejuízos que lhe comeram os capitais próprios negativos em quase 80 milhões de euros. É claro que existem a Amazon (desde a fundação), o Facebook (nos primeiros anos), a Tesla e várias outras empresas que perderam ou ainda perdem imenso dinheiro, crescem desalmadamente e estão cotadas em bolsa por dezenas ou centenas de vezes o seu valor contabilístico. Só que são todas elas empresas que criaram produtos ou serviços disruptivos o que não parece ser o caso da Farfetch. Pode ser que seja um unicórnio, mas até ver não apostaria neste cavalo.

Porém, a maior dúvida sobre o futuro radioso da Farfetch é a intensa paixão que está a provocar nos meios do jornalismo promocional, com destaque para o semanário de reverência que já tem um longo currículo de promoções falhadas.

Novos desenvolvimentos:

O texto acima foi escrito há quase dois anos e parece agora premonitório das últimas notícias que nos chegam:  

Greta & Guterres, a mesma luta?

Uma adolescente a fazer de adulta e um adulto a fazer de adolescente

26/09/2019

O bode "espiatório" convertido em bode expiatório pelo papagaio-mor do reino

Onde raio se meteu o papagaio-mor do reino?
«Não sei se alguém entrou em Tancos. No limite, pode não ter havido furto», dizia há dois anos o então ministro da Defesa, figura que imaginei ter sido dispensado do SMO por ter pé chato e ter entrado pela primeira vez num quartel depois de entronizado ministro.

Dois anos depois, Azeredo Lopes é acusado de vários crimes: denegação de Justiça e prevaricação, favorecimento pessoal e abuso de poder. (jornal i)

Ó Dr. Centeno, olhe que já estamos na Liga dos Campeões da Dívida Pública. Ó Ronaldo das Finanças não marque golos na própria baliza



World Economic Outlook (April 2019)

Send Miss Greta by yacht to China to make Comrade President Xi Jinping aware

The past, present and future of climate change

25/09/2019

ACREDITE SE QUISER: Depois de um programa «social-democrata», o berloquismo preocupa-se com «o privado»

Primeiro foi o programa eleitoral do BE «essencialmente social-democrata» segundo Catarina Martins que agora «admite que os trabalhadores do setor privado acabaram por ser penalizados face à Função Pública».

O «privado» para o berloquismo é uma espécie de resíduo do Estado Sucial e lembrou-se agora da sua existência em desespero por ter percebido que os utentes da vaca marsupial pública e em geral os dependentes do Estado já tem os seus votos adjudicados ao Partido do Estado e lhe resta tentar pescar nos «privados» de dois dos 112 "géneros" .

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (89) - Quem é «papagaio-mor do reino»?

Outras preces

Sua Excelência durante a sua estadia em representação do Estado Português na AG da ONU, excepcionando o princípio de não falar no estrangeiro sobre assuntos internos, por ele próprio assumido, declarou 
«É bom que fique claro que o Presidente não é criminoso»
a propósito do seu alegado envolvimento na mistificação montada sobre o roubo das armas da Base de Tancos, suspeita que resulta de uma escuta ao major Brazão, ex-porta-voz da PJM detido na sequência de "terem sido encontradas" as armas roubadas.

Nessa escuta o major Brazão diz que o «papagaio-mor do reino» tinha conhecimento da montagem. O Ministério Público suspeita, e com ele a maioria dos portugueses que ainda disponham de um neurónio activo, que o «papagaio-mor do reino» seja Sua Excelência. As dúvidas não se dissiparam quando Sua Excelência, em vez de ficar calado ou negar ser o «papagaio-mor do reino», coisa difícil de negar, convenhamos, garantiu que «o Presidente não é criminoso», referindo-se a ele próprio como se fosse outro.