Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/07/2005

BREIQUINGUE NIUZ: também o usavam para partir pedras

O homem das cavernas também brincava em serviço (BBCNews)

30/07/2005

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Kafka na EMEL

Do meu amigo e detractor habitual do Impertinências JARF recebi a seguinte desesperada mensagem:
«Vejam só o que preciso para ter a porra do carro á porta de casa ou em qualquer rua lá do bairro.
Para além do que consta do regulamento também estão pedindo a última declaração do IRS.
Se ao menos a CML constituisse as putas de Lisboa em Empresa Municipal, e me nomeasse Presidente do Conselho de Administração, ainda vá que não vá
.»

DOCUMENTAÇÃO REQUERIDA PELA EMEL PARA A ATRIBUIÇÃO DO DÍSTICO DE RESIDENTE

1) Formulário, de onde conste:
· Nome
· Morada e Código Postal
· Nº. da Carta de Condução, Validade e Local de Emissão
· Data de Nascimento
· Nº. de Eleitor
· Freguesia de Residência
· N.º de Contribuinte
· Telefone ou Telemóvel
· Matricula do automóvel
· Marca e Modelo do automóvel
· (assinatura)
Caso o veículo automóvel seja propriedade da entidade patronal do requerente, e associado á sua actividade profissional, ainda:
· Designação da Entidade Patronal
· Nº. de pessoa colectiva
· Capital Social
· Conservatória do Registo Comercial da matrícula
· Nº. de registo na CRC
· Sede Social
· Representante para efeitos desta declaração
· Nº de Bilhete de Identidade
· Data de emissão
· Local de emissão
· (assinatura)

2) Cartão de Eleitor, (ou atestado de residência)

3) Carta de Condução

4) Certidão de Domicílio Fiscal, donde conste:
· Nome
· Nº. de contribuinte
· Morada
· Referência á EMEL
· Data do requerimento
· Assinatura
· Certificação da Repartição de Finanças

5) Título de Registo de Propriedade do veículo

6) O Dístico a revalidar

PARA CORRECTA APRECIAÇÃO DO REQUERIMENTO PODERÁ SER PEDIDA CÓPIA DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO REQUERENTE (Art 13º., Nº. 3 do Regulamento Geral das Zonas de Estacionamento de Duração Limitada)

Os Dísticos são válidos por 3 anos findos os quais se reinicia o processo. Caso o deixe caducar poderá ser multado todos os dias por ter o carro á porta de casa.

29/07/2005

CASE STUDY: procura-se e oferece-se

Anúncio publicado em The Economist, July 23rd :

Non-Executive Board Members
English Partnerships

2 days per month £11,743 per annum

English Partnerships is the Government’s national regeneration agency delivering high quality, sustainable growth in England and helping to create communities where people can afford to live and want to live. Information on our projects and programmes can be found at www.englishpartnerships.co.uk
English Partnerships now seeks two non-executive Board Members, both Public Appointments, who share our commitment and enthusiasm to help deliver the Office of the Deputy Prime Minister’s Sustainable Communities Plan.

You will have a strong record of achievement at the highest level in either commercial property and development or construction and design, as well as a detailed understanding of how property deals are structured. You will also have a working knowledge of government, including public finance, with an appreciation of the importance of public accountability and good governance.

The ODPM promotes equal opportunities in Public Appointments. Applications from women, people from ethnic minority backgrounds, and disabled people are particularly welcome.

For more information and to download an application pack please visit www.e-penna.com/recruitment/englishpartnerships.



TRADUÇÃO (resumida)

CIRCULAR INTERNA DO PARTIDO

Camaradas,

O nosso governo vai criar a Unidade de Missão para a Conversão dos Bairros Degradados em Locais Agradáveis para Viver (UMCBDLAV). A UMCBDLAV irá promover a transferência das populações excluídas que vivem nos bairros degradados dos centros urbanos para novas urbanizações a construir nos subúrbios em terrenos camarários. Os bairros urbanos degradados serão reconvertidos e neles serão construídas habitações de qualidade.

Este projecto é muito importante para o partido porque vai ser desenvolvido com parcerias público-privadas (PPP) e dele resultarão benefícios para todos: autarquias e construtores, sem esquecer os excluídos. Vai ser aplicado um novo conceito: SECCOs (Sem Custos para os Construtores).

Dos 23 lugares da Administração da UMCBDLAV ainda restam 2 vagas, depois de preenchidas as quotas do secretário-geral, da distrital e das concelhias.

Exortam-se todos as camaradas e os camaradas, de qualquer cor, credo, orientação sexual ou habilitação académica, detentores de carta de condução válida, a candidatarem-se.

(Juntar cartão de militante, comprovativo das quotas em dia e fotocópia autenticada da carta de condução)

28/07/2005

SERVIÇO PÚBLICO: o governo tem a oposição que merece

«A oposição parlamentar manifestou-se hoje em bloco contra a proposta do Governo de reduzir as férias judiciais dos magistrados e funcionários de justiça para um mês, classificando a medida como populista e demagógica.» (Público)

Porque não propõe a oposição «férias fiscais», «férias hospitalares», «férias policiais», etc.? Porquê são filhos uns e os outros enteados?

DIÁRIO DE BORDO: será o liberalismo um estado de espírito? (6)

[Prosseguindo a série «será o liberalismo um estado de espírito?» (1), (2), (3), (4) e (5)]

Talvez seja. Mas nesta terra será mais fácil uma criatura ser vítima do terror da Al Qaeda do que ter a mente atormentada por tal estado de espírito.

Em que se distingue o «liberalismo» dum governo do PS do «liberalismo» dum governo do PSD ou PSD-CDS? No traçado do TGV e na escolha dos artistas contemplados com os subsídios.

Qual foi o pensamento mais heterodoxo que o doutor Vitorino, a luminária mais «liberal» do PS, e um dos poucos socialistas que põe reservas aos projectos faraónicos da Ota e do TGV, produziu na sua entrevista de 3.ª feira à RTP? A dúvida quanto aos privados assumirem o risco da exploração destes projectos o que permitiria que o investimento público não fosse contabilizado como despesa para o cálculo do défice. As reservas do doutor Vitorino são reservas contabilísticas - mais uma vocação que se perdeu.

Até há poucos meses, quem era para a esquerda o paradigma do político neo-liberal? O inefável doutor Santana Lopes. O mesmo que prometeu aos artistas viabilizar o parque Mayer iniciando a conhecida e infindável saga. O mesmo que agora se propõe encerrar o seu desastroso mandato na CML com a «viabilização» duma companhia de ballet que a Fundação Gulbenkian deixou de manter.

27/07/2005

BLOGARIDADES: eu não estive lá mas

Quem lá esteve conta aqui e aqui o que se passou na Ordem dos Economistas na passada 2ª Feira.

Aparentemente o menor dos dislates do ministro da Economia na sua conferência foi confundir biliões com mil milhões. O que, de resto, lhe dará acesso directo ao MASP III.

Os maiores dislates (e os mais caros) terão sido pronunciados na sua qualidade de emérito otário e sacerdote do culto do investimento público.

ESTÓRIA E MORAL: o 18 Brumário de Soares ou Soares por ele próprio

Estória
Um dos temas inesgotáveis no pequeno mundo da política portuguesa é a candidatura à presidência da República.

Já tratei do inventário dos candidatos no post Senhor livra-nos deles que careceu de actualização no post Lugares comuns.

Também já tratei no post O ersatz do líder da oposição duma teoria conspirativa que explicaria a irresistível atracção dos nossos políticos por um lugar em Belém.

Retomo agora o tema, depois do anúncio da candidatura do doutor Soares, patrocinada pelo engenheiro Sócrates.

Na idade dele, os anos são sempre um possível handicap, sobretudo face à possibilidade de um segundo mandato. Não obstante, Pacheco Pereira tem razão: «o mais estúpido dos argumentos contra Soares é a idade». O homem está em muito bom estado, lúcido, e tem uma vitalidade notável.

«Soares na Presidência não actuará contra o PS, porque tem uma cultura jacobina de partido, mas será frontalmente contra "este" PS.» Também aqui Pacheco Pereira terá razão - o percurso político do doutor Soares mostra o caminho que inexoravelmente percorreu desde o «socialismo na gaveta» até ao esquerdismo senil, desde mon ami Miterrand até compagnon de route do doutor Anacleto Louçã.

Se assim for, ser contra «este» PS pode ser o mais inteligente dos argumentos a favor de Soares, que enviará doses letais de intriga a partir de Belém e fará a cama ao engenheiro Sócrates. Teremos então uma farsa.

À farsa poderá seguir-se uma nova tragédia com um governo soarista ainda mais despesista que deixará o país exangue e à beira dum ataque de nervos e talvez então preparado para inevitáveis e dolorosas reformas.

Moral
«Hegel observa em uma de suas obras que todos os factos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por Danton, Luís Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho pelo tio.» (Karl Marx, O 18 Brumário de Luís Bonaparte)

...
Da tragédia ... à farsa

26/07/2005

SERVIÇO PÚBLICO: «o que é que acham?»

«O que é que acham? Que eu ia desmentir o que eu disse?»


Read my lips (pardon, watch my leaps)

O Impertinências acha que tudo é possível para quem já disse isto

«Eu recomendo que leiam o meu programa: não está no programa nenhum aumento de impostos»,

e dois meses depois, para justificar aquilo, disse isto

«Nunca ninguém pensou que o valor do défice fosse quase de sete por cento»

mas quatro meses antes, na Sessão plenária de 18 de Novembro de 2004 da AR, tinha ouvido da boca do doutor Jaime Gama isto (*)

«Considerando as necessidades globais de financiamento do Estado do sector público administrativo, das empresas públicas deficitárias, dos hospitais SA e de outros, o défice anual já é superior a 6%. Ora, isto coloca um conjunto de problemas a prazo...»
(Aplausos do PS)

(*) Citado pelo Grande Loja do Queijo Limiano.

ESTÓRIA E MORAL: ele é ele ou o outro?

Estória
No passado dia 21 o anacleto doutor Louça deu uma entrevista ao Público. Leram? Eu também não.

Só fiquei a conhecê-la numa das minhas excursões ao Abrupto - o blogue em que Pacheco Pereira escreve ocasionalmente. Soterrada debaixo de várias camadas de erudição, lá estava a entrevista.

Vale a pena lê-la e aos comentário de JPP. É um brilhante exercício evasivo do doutor Anacleto a respeito de ser ou não ser trotskista, marxista, leninista, marxista-leninista ou, no limite, ter uma ideologia qualquer que seja. Porque se esconde o homem atrás dessa camuflagem de rebelde sem causa?

Moral
À força de querer parecer outra coisa, já não sei quem sou (alguém disse isto, mas não sei quem).

24/07/2005

ESTÓRIA E MORAL: «sucesso adiado»

Estória
Na próxima semana, os delegados ao congresso em Buxton da Associação Profissional de Professores inglesa ouvirão da boca da professora reformada Liz Beattie, uma beata da religião do politicamento correcto, a condenação da palavra «insucesso», traumática para os jovens, e a sua substituição por «sucesso adiado».

A BBC dá vários exemplos do conceito aplicado fora dos domínios do ensino. Podemos acrescentar alguns genuinamente lusitanos: o sucesso adiado por 18 anos dos lagartos ou por 11 anos dos lampiões, sem esquecer o sucesso adiado sine die (ou sine spe?) do equilíbrio orçamental que espera a ressurreição do professor Botas, ou outro qualquer acontecimento mais miraculoso.

Moral
É impossível fazer alguma coisa à prova de imbecis, porque os imbecis são extremamente engenhosos (Terceiro Corolário de Murphy).

23/07/2005

ARTIGO DEFUNTO: o milagre da multiplicação, segundo um otário

Numa peça enganadoramente titulada «Contra o pensamento dominante», no Expresso de hoje, o doutor Nicolau Santos, socorrendo-se do estudo de Marvão Pereira e Miguel Andraz («O impacto do investimento público na economia portuguesa»), afirma que «o investimento público de um Euro conduz, no longo prazo, ao aumento do produto em cerca de 9,5 euros, a receitas fiscais 3,3 vezes superiores, ao aumento do investimento privado em 8,1 euros e à criação de 230 novos empregos».

Se, como diz o ministro das Obras Públicas, o investimento público na Ota vai representar 15 a 18% do investimento total, então com os cerca 5 mil milhões de euros, no longo prazo (seja lá o que isso for, mas fiquemo-nos por 20 anos), duas pistas para aviões, uns hangares, umas torres de controlo, umas mangas, umas gares, um auto-estrada e mais umas miudezas irão fazer chover sobre nós o seguinte maná:
  • incremento do PIB superior a 7 mil milhões de euros
  • aumento de 2,5 mil milhões de euros na colecta
  • aumento do investimento privado em 6 mil milhões de euros
  • e, last but not least, mais de 170 mil milhões novos empregos.
Esqueça-se este último milagre, que só pode dever-se a uma gralha ou ao arrebatamento do doutor Nicolau. Esqueça-se até tudo o resto, excepto o pequeno milagre do aumento da colecta que, graças à Ota, nos proporcionaria uma redução do défice de quase 2%. Duas Otas e estamos novamente nos carris do PEC.

Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto?

(Para levar a coisa um pouco mais a sério, pode ler-se o que escreveu o blasfemo João Miranda a respeito da falácia dos multiplicadores.)

DIÁRIO DE BORDO: o homem não é humano

DIÁRIO DE BORDO: pensamento do dia (2)

Ele queria ir como se ficasse e queria ficar como se fosse. É um pusilânime.

(Inspirado numa paródia com LA a propósito de alguém que se fosse objecto da Avaliação Contínua sê-lo-ia na Secção Sol na eira e chuva no nabal)

22/07/2005

DIÁRIO DE BORDO: o socialismo é um comunismo de 3.ª idade?

Lembro-me como se fosse hoje: JM a dizer-me, há uns bons 25 anos, que o doutor Jaime Gama nunca poderia ser um bom socialista, porque todo o bom socialista teria que ter sido comunista na sua juventude.

Só muitos anos mais tarde percebi a profundidade (talvez involuntária) do pensamento.

Vem isto a propósito do engenheiro Mário Lino que foi um comunista ortodoxo e encartado na juventude (e na maturidade), convertido mais tarde ao socialismo em liberdade. Está agora ao leme das grandes obras faraónicas do governo e iluminou ontem os deputados com a explanação da sua inovadora metodologia de avaliação de projectos:

«Cada um dos projectos será depois avaliado à medida que for sendo implementado.»(*)

Vem isto também a propósito do doutor Teixeira dos Santos que foi um comunista reconstruído na sua juventude e se deixou mais tarde conquistar pelas delícias do socialismo. Está agora ao leme da máquina de extorsão que tentará alimentar a fornalha de Moloch onde seu colega Lino se propõe torrar muitos mil milhões de euros.

(*) Tenho para mim que o pensamento do engenheiro Lino não é inteiramente original. Salvo erro, o senhor João Pinto já tinha dito o mesmo nas suas palavras simples de profissional do chuto: «prognósticos só no fim do jogo». Numa óptica fiscal também se poderia dizer: «pague primeiro e reclame depois».

21/07/2005

DIÁRIO DE BORDO: pensamento do dia

Ser português é fazer do inexorável contingência e da contingência inexorabilidade.

(Inspirado numa discussão com APS a propósito da reconstrução do 5º Império que vai impedir a decadência historicamente inevitável da Europa, em contraponto à falta de ganas para cortar uns míseros 20% na ração da vaca marsupial pública, cujo empaturramento reclamado pelos otários está entregue desde hoje aos cuidados do doutor dos Santos.)

20/07/2005

BREIQUINGUE NIUZ: os otários marcam ao fim de 5 minutos de jogo

Incapaz de aguentar a pressão dos otários, a equipa da casa substitui o ponta de lança Cunha pelo centro-campista dos Santos.

Segundo o treinador, dos Santos está mais afeiçoado à toada de jogo que os otários estão a impôr. Remetida à defesa, a equipa da casa ficará à mercê dos otários que se preparam para aviar uma convincente goleada, prevêem os comentadores.

O começo da época foi fatal para o ponta de lança Cunha

TRIVIALIDADES: não é preciso agradecer-me

O DN vai publicar daqui a pouco uma entrevista do excelso professor Freitas do Amaral que, ainda antes de ser publicada, já levantou imensa poeira soprada pelo próprio e pela oposição (CDS, PSD e PCP). Até o engenheiro Sócrates se sentiu obrigado a borrifá-la para a assentar.

A poeira faz mal aos delicados pulmões do governo e por, muito que se proteste inocência, só pode enfraquecê-lo no braço de ferro com os lóbis e a oposição. E, por muito que se proteste inocência, improvável quando vinda da excelsa figura, no mínimo trata-se de um afloramento da grandiosa ideia que o excelso tem de si próprio, que não o deixa ficar atrás do ministro das Finanças na marcação de subtis distâncias ao governo (artigo de opinião no Público do último domingo). No máximo trata-se de uma cavilosa manobra com vista a melhorar as suas chances de proto-candidato no eleitorado da oposição.
«Tal como no passado traiu o doutor Soares, aliando-se com ele para chegar ao governo e dele saindo para o fazer cair, o professor Freitas irá trair no futuro o engenheiro Sócrates, mesmo que este aceite pagar o preço de o deixar preparar um futuro radioso à medida da sua vaidade. Está na sua natureza.»
Há quatro meses eu avisei. E ainda não viram nada.

19/07/2005

BREIQUINGUE NIUZ: crime e castigo em terras do tio Sam

Já aqui, aqui e aqui contei as agruras da família Greenberg e de outros próceres do capitalismo ianque às mãos da justiça, contrapondo o seu sofrimento à leveza dos incómodos a que tem sido sujeitos os seus homólogos lusitanos.

Para além das trapalhadas do IVA que custaram alguns incómodos ao doutor Cebola, não são conhecidos entre nós outros casos relevantes. A não ser que se considere que as multas (uma pequena fracção das mais-valias que realizaram com a sua batota) pagas por Miguel Sousa Cintra e Carlos Magalhães Pinto por operações de inside trading sejam um castigo - prefiro chamar-lhe custos de operação. (Não falo sobre o caso dos sobreiros e do mensalão que ainda estão, ou ainda não estão, em segredo de justiça.)

Do outro lado do Atlântico, a acrescentar a todos os casos já conhecidos, tivemos a semana passada (por isso é que são BREIQUINGUE NIUZ) a condenação a 25 anos de cadeia de Bernard Ebbers, ex-CEO da WorldCom.

A próxima vez que um dos nossos empreendedores se queixar do clima desfavorável aos negócios e vier com aquela tanga do «se fosse nos EU», lembrem-lhes que os capitalistas americanos são demasiados apreciados pela direita e são demasiado odiados pela esquerda. Diferentemente, os portugueses não são suficientemente apreciados pela direita nem suficientemente odiados pela esquerda, por isso não ganham tanto dinheiro e só são presos durante as revoluções.

18/07/2005

SERVIÇO PÚBLICO: paralisia geral

Um só dos vários exemplos citados pelo engenheiro Nuno Ribeiro da Silva no Jornal de Negócios da paralisia que ataca o artrítico corpo do estado napoleónico-estalinista:
«Um Instituto Público enganou-se na transposição de uma Directiva de Bruxelas. Teve de refazer o trabalho. Ao fim de 10 anos (!) tinha, enfim, a Directiva correctamente transposta. Mas, essa Directiva havia sido revogada e substituída por outra, sete meses antes?»
Como é possível alguém não perceber que a deriva decadente de Portugal não se resolve engordando o monstro? Não será óbvio que, se a doença é criada pela medicina administrada há décadas por sucessivas levas de pessoal político, essa doença não se cura administrando mais do mesmo?

ARTIGO DEFUNTO: ainda outro óbvio e risível tijolo para reparar a danificada reputação do doutor Freitas

O Expresso, em parceria com o media spin doctor do ministro dos Negócios Estrangeiros (creio que é o Sr. Carneiro Jacinto), continua a promover a imagem do excelso professor Freitas do Amaral. (ver alguns outros tijolos aqui e aqui, por exemplo).

No último número do antigo semanário de referência, convertido no pasquim de Paço de Arcos, pode ouvir-se o arrulhar do pombinho Diogo para a rolinha Condi e até admirar-se na pág. 8 uma foto em que o body language do excelso fala mais alto do que as palavras: a curvatura lânguida e respeitosa da sua postura ameaça a espondilítica coluna, gasta de maus tratos durante 30 anos de arrojados swings.

Não contente de arrastar a asa à ajudante do Hitler ianque, o excelso usou as suas feromonas para seduzir Bill Gates, outro ícone do Império. Certamente receoso de também ele cair nas garras do excelso, Bill mandou o seu heli para o levar a jantar com uma sua vice-presidente, cujo nome o Expresso não nos revela, com exemplar e cavalheiresca discrição.

Eu, no lugar da esposa do excelso, faria uma cena de ciúmes. No mínimo.