Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

07/04/2023

Lost in translation (364) - O pensamento da Dr.ª Mortágua sobre a TAP é insondável

A Dr.ª Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, candidata a líder e provável futura líder da mesma agremiação, depois de três audições na CPI em que sucessivas personagens revelaram detalhes sobre os bastidores dos escândalos que têm envolvido a TAP, produziu o seguinte pensamento:

«A gestão privada da TAP canibalizou a empresa utilizando os seus recursos em benefício próprio.»

Espantado com o pensamento, mesmo proveniente da emérita deputada, sobre os escândalos que se têm abatido sobre uma empresa que o governo socialista, apoiado pela geringonça de que fez parte a agremiação da Dr.ª Mortágua, nacionalizou e onde já injectou cerca de dois mil milhões de euros, parte de três mil e duzentos milhões, perguntei ao ChatGPT 4 o que significaria. 

Após duas horas a moer o pensamento, desisti do ChatGPT 4 e submeti-o ao web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data que uso há alguns anos e treinei para desintrincar os elaborados pensamentos da esquerdalhada do Portugal dos Pequeninos. O Web Bot piscou bullshit várias vezes respondeu passados alguns segundos: 

«Não é um pensamento. Não estou preparado para interpretar a fórmula. Favor carregar a BD de slogans e palavras de ordem.»

05/04/2023

Dúvidas (354) - «Não nos faz bem»? Como é que ele sabe isso? Não está a pensar no Portugal dos Pequeninos, pois não?

Público

O Dr. Pais Mamede, professor de economia do ISCTE, instituição também conhecida como a madrassa do PS, comentador do canal público RTP3 e insigne representante do pensamento da Mouse School of Economics, não pode estar a referir-se ao Portugal dos Pequeninos onde nos últimos 100 anos só tivemos governos inspirados no radicalismo republicano, no corporativismo, episodicamente no comunismo, em várias modalidades de socialismo de cuja governação resultou um socialcapitalismo dependente e uma economia periférica sucessivamente ultrapassada pelos sobreviventes do colapso do império soviético.

Sendo certo que entre essas modalidades socialistas, se conta uma modalidade assistida pelas instâncias internacionais durante o resgate consequente da governação socialista anterior, modalidade a que algumas criaturas por não terem percebido a génese do que se passou, ou por terem percebido bem demais, atribuíram de boa-fé ignorante, ou de má-fé militante, a etiqueta "neoliberalismo".

04/04/2023

Is Trumpism letting Trump down? It seems so, at least Murdoch's instrumental Trumpism

Continuation from here and there and there.

«What Led to Trump’s Indictment—and What Could Be Next?» 

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (60b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 60a)

A novel paixão socialista pela habitação vai ter o mesmo desfecho da velha paixão pela educação

A empresa pública Parque Escolar vai construir habitação pública e fica tutelada pelo Ministério da Habitação. Para quem já esqueceu o que é esta empresa e o papel que teve na “modernização” das escolas, remeto para este post de 2012 ou para a leitura do artigo de Joana Amaral Dias cujo título «Parque Escobar» diz quase tudo.

O Dr. Costa dá aos portugueses o que a maioria quer…

… e os portugueses retribuem-lhe dando-lhe maioria o ano passado e decorrido um ano ainda há um terço desses portugueses que avaliam a governação do Dr Costa como muito boa ou boa. Talvez porque com o multiplicador de pobres do PS «há hoje mais portugueses directamente dependentes dos apoios do Estado para fugir à pobreza». Porque haveria o Dr. Costa de mudar?

O elevador social socialista deixa os pobres no rés-do-chão

Depois de anos a sabotar as escolas com facilitismos de avaliação e injecções de ideologia do género, praticando uma discriminação positiva dos filhos das famílias “ricas” que ou estudam nas escolas particulares ou têm um ambiente familiar que resiste melhor à degradação das escolas públicas, o governo resolveu adoptar a discriminação positiva dos pobres, criando quotas no ensino superior. Essas quotas servirão para admitir alunos pobres mal preparados que ou não terão sucesso nas universidades ou, após obterem penosamente um canudo, não terão sucesso nas profissões.

Take Another Plan. Take 1 - Os apparatchiks da Inspeção-Geral das Finanças pertencem à minoria de 20% dos portugueses?

A IGF explicou ao parlamento de um país que é visitado por mais de 15 milhões de estrangeiros e em que 80% da população diz que fala inglês ou francês, que na avaliação que fizeram ao caso da indemnização à Dr.ª Alexandra Reis não ouviram Mme Ourmières-Widener por causa da «barreira da língua».

Take Another Plan. Take 2 – A memória socialista é fraca

O Dr. Galamba, um discípulo do Eng. Sócrates, agora ministro das Infraestruturas, garantiu no parlamento que não tinha dado instruções à TAP para não fazer uma conferência de imprensa a apresentar os resultados positivos de 2022. Esqueceu o Dr. Galamba que tinha enviado um email a dizer o contrário. Isso comprova que é um sucessor à altura do sucedido Dr. Pedro Nuno que também se esqueceu de ter aprovado o despedimento da Dr. Alexandra Reis por WhatsApp.

Cada vez menos alunos, cada vez mais professores

De vez em quando lá aparece alguém, neste caso José Luís Presa, a dizer e mostrar o óbvio obscurecido pelo discurso do governo e dos sindicatos.


«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Prossegue a novela da EFACEC com custos mensais de produção de 14 milhões a somar às várias centenas de milhar que já lá foram torradas.

«Pagar a dívida é ideia de criança». Estamos quase lá e esgotado o efeito da inflação lá estaremos

Jornal Eco

No Portugal dos Pequeninos a «descida impressionante de quase 12 pontos percentuais» da dívida pública no ano passado, de que o Dr. Medina se vangloriou, foi engolida sem dificuldade com poucas excepções - por exemplo o (Im)pertinências. Foi preciso o FMI vir lembrar o óbvio e estimar uma redução de 0,6 pontos percentuais no rácio da dívida por cada ponto a mais na inflação.

03/04/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (60a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O governo do Dr. Costa não tem emenda. Depois de uma tentativa falhada para iludir o problema, medidas erradas para o resolver

Entendamo-nos: o Dr. Costa não é culpado pela inflação. A inflação mais elevada das últimas décadas em Portugal e na maior parte dos países é a consequência imprevista pela maioria e prevista pela minoria (na qual se contam os contribuintes do (Im)pertinências) das políticas dos bancos centrais de juros reais negativos e dinheiro injectado na economia, política necessária durante algum tempo, mas mantidas para além do inevitável (algures entre 2013 e 2015). Isso constituiu o líquido inflamável que só estava à espera da faísca da invasão da Ucrânia e de outros eventos menores.

O Dr. Costa é culpado, em primeiro lugar, por continua a tentar prolongar essas políticas que o ajudaram a evitar as reformas, mantendo os portugueses anestesiados com os dinheiros que caíam do céu de Bruxelas. É culpado, em segundo lugar, por tentar chutar a culpa da inflação para os supermercados. É culpado, em terceiro lugar, porque caída a desculpa dos supermercados, em alternativa a ajudas monetárias aos mais pobres, adoptou políticas completamente erradas, que ajudam quem não precisa, por exemplo o IVA 0% num cabaz que pode poupar a uma família pobre 6 cêntimos por quilo de arroz barato e a uma família da classe média-alta 27 cêntimos por quilo de arroz topo de gama.

Da bazuca só sai fumaça (e ainda bem)

A execução do PRR está em 75% de aprovações e 10% de pagamentos (fonte). O que parece à primeira uma incompetência do governo do Dr. Costa e uma desgraça para o país, é à segunda vista, tendo em conta a agravamento da inflação resultante de despejar dinheiro na economia, uma consequência feliz e imprevista da incompetência e, tendo em conta o histórico de aplicação do dinheiro caído dos subsídios, um alívio para o país.

A Roménia viu-se livre de Ceaușescu. Portugal ficou com Dr. Costa

mais liberdade

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (1)

O pacote “Mais Habitação” continua sete anos de anúncios de programas de renda acessível e acaba a chutar para os municípios a responsabilidade por disponibilizarem habitações devolutas para o arrendamento coercivo. Habitações devolutas que afinal, segundo as contas do governo, são menos de 10 mil, das quais cerca de 6 mil em Lisboa, uma gota de água no oceano do número das habitações necessárias, que ninguém sabe qual seja, mas é astronómico segundo a esquerdalhada.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (2)

No Verão de 2017, o Dr. Costa acompanhado por vários ministros e autarcas locais andou a passear pelos concelhos do Barreiro, do Seixal e de Almada anunciando o «investimento no arco ribeirinho sul». Seis anos depois, na Primavera de 2023, o Dr. Costa acompanhado por vários ministros e autarcas locais voltou a passear pelos mesmos concelhos a anunciar o projeto "Arco Ribeirinho Sul".

(Continua)

02/04/2023

O prof Sachs é apenas mais um académico "maluquinho" ressentido do Ocidente

Jeffrey D. Sachs, um «professor de economia reconhecido mundialmente, autor de "best-sellers", inovador educador e líder global em desenvolvimento sustentável», com um enviesamento acentuadamente esquerdista, acrescento eu, escreveu no seu site sobre a guerra na Ucrânia um panfleto «The Ninth Anniversary of the Ukraine War» do qual, com o atraso de um mês, o Jornal de Negócios publicou uma versão em português.

A tese do prof Sachs, segundo o Jornal de Negócios, pode resumir-se assim:

«Esta é uma guerra que começou devido à pressão impulsiva dos neoconservadores norte-americanos em prol do alargamento da NATO, seguida da participação – por parte desses mesmos neoconservadores – na operação de mudança de regime de 2014.» 

Por coincidência, escrevi o ano passado um post sobre os maluquinhos que defendem teses semelhantes fundadas não nos factos históricos, que agora recordo, mas em inserções ideológicas na amígdala e no córtex parietal. Aqui vai a lista cronológica:

As "operações militares especiais" russas são a resposta à expansão da NATO, uma teoria da conspiração para devotos do Czar e para maluquinhos

  • 1939 URSS e Alemanha de Hitler assinam Pacto Molotov-Ribbentrop e invadem a Polónia
  • 1939-1940 URSS invade a Finlândia e anexa Região do lago Ladoga
  • 1944-1949 URSS instala governos fantoches na Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Checoslováquia, Hungria, Polônia e Roménia 
  • 1949 Criação da NATO com Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido
  • 1952 Adesão à NATO da Grécia e Turquia
  • 1955 Adesão à NATO da Alemanha Federal
  • 1956 URSS esmaga a revolução democrática da Hungria
  • 1968 URSS invade a Checoslováquia, derruba governo de Dubček e instala um governo fantoche
  • 1982 Adesão da Espanha à NATO
  • 1989 Queda do Muro de Berlim
  • 1991 Dissolução da URSS
  • 1991 Extinção do Comecon
  • 1991-1992 Guerra da Ossétia do Sul
  • 1991-1994 Guerra na Abecásia
  • 1992 Guerra da Transnístria
  • 1992 Conflito na Ossétia do Norte
  • 1992–1997 Guerra Civil do Tajiquistão
  • 1993 Guerra Civil na Geórgia
  • 1994-1996 Primeira guerra na Chechénia
  • 1999 Invasão do Daguestão
  • 1999–2009 Segunda Guerra da Chechênia
  • 1999 Adesão à NATO da República Checa, Hungria, Polónia e Bulgária
  • 2008 Guerra Russo-Georgiana
  • 2009 Insurgência no Cáucaso Norte
  • 2009 Adesão à NATO da Albânia e Croácia
  • 2013 Euromaidan na Ucrânia
  • 2014 Anexação russa da Crimeia
  • 2017 Adesão à NATO do Montenegro
  • 2020 Adesão à NATO da Macedónia do Norte
  • 2022 Invasão russa da Ucrânia
  • 2022 Pedido de adesão à NATO da Finlândia e Suécia
Os maluquinhos do título são os ressentidos do Ocidente a que se referiu Sérgio Sousa Pinto.

01/04/2023

Pro memoria (429) - Evocando o Dr. Costa no Dia das Mentiras

TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: Os piores estão cheios de intensidade exacerbada (ou consumada hipocrisia)


«A ânsia sanguínea de aproveitamento político do hediondo crime de Abdul Bashir - estrangeiro, afegão, muçulmano - por parte de André Ventura só tem paralelo com o denodo da comunicação social respondendo-lhe a deitar água na fervura com a vitimização do refugiado, afinal assassino das duas jovens mulheres, potenciando uma reacção ao contrário. Nestes padrões salta à vista a grande fragilidade da democracia, avessa à complexidade e refém de emotividades e excitações, vulnerável aos clichés de cada momento. É difícil lidar com excitação à volta da fixação dos preços nos supermercados, da condenação dos Padres por pedofilia, das casas devolutas por maldade do senhorio ou o medo dos estrangeiros miseráveis. A exploração de sentimentalismos é tentação em tempos de decadência que atrai mais justiceiros que a necessária racionalidade.

Pior mesmo são as agendas mal disfarçadas. Que a Comunicação Social supostamente séria não perceba quão voláteis são os instintos da turba. Do mesmo modo acho estranho que os jornalistas ditos “sérios” se recusem a olhar sob diferentes ângulos o relatório da Comissão Independente e as perversas consequências que dele emergem. Os populistas usam a mesma técnica para públicos mais ou menos básicos, alimentando-os dos bodes expiatórios de ocasião, sacrificados na fogueira da praça pública para alívio das suas frustrações e pobres vidas. O André Ventura pretende ganhar votos, a Comunicação Social audiências, de pessoas zangadas ou com medo.

Quando a tensão chegar ao máximo e a rua imperar, a primeira coisa a ceder será a liberdade que tomamos por garantida. Ou o Terror de Paris.»

João Távora no Corta-Fitas

Contrariando Yeats, Not all the best lack conviction, while the worst; Are full of passionate intensity.

31/03/2023

CASE STUDY: Tyranny is a disgrace. Incompetent and corrupt tyranny is a catastrophe. The nightmare of Russian demography

«Over the past three years the country has lost around 2m more people than it would ordinarily have done, as a result of war, disease and exodus. The life expectancy of Russian males aged 15 fell by almost five years, to the same level as in Haiti. The number of Russians born in April 2022 was no higher than it had been in the months of Hitler’s occupation. And because so many men of fighting age are dead or in exile, women now outnumber men by at least 10m.

«Russia’s population nightmare is going to get even worse»

War is not the sole—or even the main—cause of these troubles, but it has made them all worse. According to Western estimates, 175,000-250,000 Russian soldiers have been killed or wounded in the past year (Russia’s figures are lower). Somewhere between 500,000 and 1m mostly young, educated people have evaded the meat-grinder by fleeing abroad. Even if Russia had no other demographic problems, losing so many in such a short time would be painful. As it is, the losses of war are placing more burdens on a shrinking, ailing population. Russia may be entering a doom loop of demographic decline.»

30/03/2023

No Portugal dos Pequeninos a justiça não julga e não prende os políticos (alegadamente) corruptos. Para compensar, a imprensa amiga publica-lhes a opinião


Citando o acusado Dr. Manuel Pinho, ex-ministro e empregado do Dr. Salgado, o Dono Disto Tudo, é «um processo complexo que está sob investigação há 12 anos e cuja acusação tem 570 páginas, 85 volumes e mais de 100 apensos, isto fora o registo áudio do depoimento de testemunhas», processo que até hoje a justiça não conseguiu julgar, como não conseguiu julgar o processo da Operação Marquês com 53 mil páginas de provas, mais 6 mil páginas do despacho de um juiz e vários milhares de páginas dos recursos do MP, onde é acusado o ex-primeiro ministro socialista Eng. José Sócrates.

Durante estes 12 anos, aos acusados, nomeadamente ao segundo, a imprensa amiga foi dando acolhimento às suas opiniões, umas vezes escritas por comentadores ao seu serviço e outras escritas pelos próprios, directa ou indirectamente relacionadas com o processo. Só este ano, os dois citados tiveram oportunidade de ver publicados artigos de opinião saídos do seu punho: «Uma história de aflição» do Eng. Sócrates, no Expresso, e «Um "não" dito com convicção» do Dr. Pinho no Diário de Notícias.

29/03/2023

Ser de esquerda é... (19) - ... ser lunático, ontem, hoje e sempre

Outros "Ser de esquerda é..."

Reiteradamente o jornalismo de causas doméstico publica as mesmas teses. Neste caso é o estudo requentado do CESIS sobre o «valor do trabalho não pago de cuidado e doméstico», objecto de mais uma "notícia" pelo Negócios. Republico por isso, sem pudor, o post requentado de há quatro meses sobre o mesmo estudo. Aqui vai ele:

Um estudo de Heloísa Perista e Pedro Perista do CESIS - Centro de Estudos para a Intervenção Social, inspirado nas ideologias da "identidade de género" e no combate à "assimetria de género", estimou que em 2019 se as actividades domésticas e de cuidados fossem remunerados com base no salário horário médio isso representaria 78 mil milhões. Dito isso assim, nem merece discussão é aritmética pura. 

A coisa começa perder contacto com a realidade quando, escreve o Público que cita o estudo, os autores propõem que «as actividades dos agregados domésticos sejam objecto, periodicamente e de forma mais exaustiva possível, de contas satélite». Proposta que o Público, aka o Avante da Sonae, empolgado pelo mais puro lunatismo, transforma em tese no título da peça: «Se o trabalho doméstico e de cuidados não pago contasse, PIB subiria 36,2%».

Certamente, e aumentará até muito mais se nas actividades domésticas e de cuidados incluirmos os serviços sexuais no seio da família e os valorizarmos a preços médios de mercado. Considerando dois serviços recíprocos em cada coito (para evitar a discriminação de género cada uma pagaria o serviço do outro) e assumindo uma frequência média semanal de dois coitos por cada um dos 4 milhões de casais, a preços médios de mercado o PIB aumentaria mais de 80 mil milhões de euros ou quase 40%. Qed.

28/03/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (59b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 59a) 

Cada tiro, cada melro

O Dr. Cravinho na sua passagem pelo ministério da Defesa deixou um rasto de suspeitas de corrupção, além do caso das obras do Hospital Militar de Belém. Curiosamente, a página da Sic Notícias onde a estória era contada é agora uma «página não encontrada». Será a "central de comunicação" já a funcionar?

A formatação da amígdala e do córtex parietal não sai barata

Por falar em central de comunicação, nas últimas eleições «o PS gastou mais de 737 mil euros em “estudos de apoio à comunicação”, o que é quatro vezes mais do que gastou em 2019 e oito vezes mais do que o segundo partido mais votado na mesma eleição».

Primeiro será o Czar Vlad e a seguir o Eng. Sócrates, o Dr. Salgado e outros arguidos que por aí andam à solta

Por falar em Dr. Cravinho, ele mesmo garantiu que em cumprimento do mandato do Tribunal Penal Internacional (que aguarda ser bombardeado pelo Czar Putin, conforme ameaçado pelo секретарь Medvedev), poderá mandar deter o Czar, se ele passar pelo Portugal dos Pequeninos, isto, claro, se o navio patrulha Mondego já tiver sido reparado para o interceptar.

A igualdade será alcançada quando todos forem pobres

Segundo o Banco de Portugal a desigualdade salarial caiu 22% entre 2006 e 2020. Em 2006 o rácio entre os percentis 90 e 10 era de 4,1 e em 2020 desceu para 3,2. Enquanto isso, no mesmo período, o salário médio real dos trabalhadores com ensino secundário e superior diminuiu.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

O absentismo no SNS por doença aumentou 54% em 2022 em relação a 2019, com mais de três milhões de dias de faltas por doença, o que equivale a uma média diária superior a 13.000 funcionários ausentes, ou mais de 10% dos técnicos de saúde.

«Temos resultados, temos contas certas»

O Dr. Costa diz ter ficado surpreendido pelo défice ter sido menos 1,4 mil milhões do que o previsto porque «a contabilidade tem razões que a razão desconhece muitas vezes». Ele não esclareceu se os seus contabilistas também ficaram surpreendidos.

Take Another Plan. Take 1 – “Resultados históricos”, disse Mme Ourmières-Widener

Foi assim que a CEO da TAP anunciou os 65,6 milhões de lucros em 2022. “Históricos” não se refere certamente ao montante dos lucros que é um número pífio face a receitas de 3,5 mil milhões de uma empresa que recebeu até agora mais de 2 mil milhões a custo zero, quando a margem líquida média no transporte aéreo anda pelos 4-5%.

Take Another Plan. Take 2 – O último a sair desliga os motores

Mais uma administradora da TAP (Silvia Mosquera Gonzalez da equipa da CEO) apresentou a renúncia.

Take Another Plan. Take 3 – Cortina de fumaça

O governo do Dr. Costa e a imprensa amiga não têm poupado esforços em manobras de diversão para fazer esquecer ou relativizar o desastre da nacionalização da TAP. Depois da estória dos fundos recebidos da Airbus pela troca dos A350 pelos NEO, estória convincentemente desmontada por David Neeleman numa carta publicada no Expresso, emergiu no mesmo Expresso, com título na primeira página «TAP paga mais pelos aviões que Air France, Lufthansa e Iberia», uma peça baseada em contas a olho por cento de um «analista financeiro independente» que confessou não conhecer os contratos de leasing, as maturidades, nem valores de entrada e residuais. É preciso muita audácia para comparar, por exemplo, os custos anuais de um leasing a 5 anos com uma entrada de 10% com os de um leasing a 10 anos com uma entrada de 20%.

O Dr. Centeno perdeu o chapéu de governador e tem enfiado o barrete de político

Sobre a inflação o Dr. Centeno já disse qualquer coisa e o seu contrário: que «tudo indica que se possa estar a atingir o pico da inflação», que “era e ainda é demasiado alta” e “já pouco temporária”, que a “Inflação acima de 2% é uma coisa má” e “nunca é temporária”.

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Em Fevereiro o número de despedimentos colectivos aumentou 31,3% face e o número de trabalhadores em lay-off subiu 8%. Não são ainda muitos, é apenas um sinal confirmado pelo Conselho das Finanças Públicas que prevê um aumento da inflação e da taxa de desemprego.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

A dívida directa do Estado aumentou 3% em Fevereiro e o endividamento total da economia aumentou em Janeiro para 794 mil milhões.

27/03/2023

Cinco anos para perceber é demasiado. Melhor tarde do que nunca

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (59a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O segredo está no anúncio

Em contraponto à notícia dos seis meses de atraso na modernização da Linha do Oeste, o Dr. Galambra anunciou uma fábrica de comboios, querendo significar que o fornecedor que ganhar o concurso irá montar as carruagens em Portugal.

O Dr. Costa pelo seu lado anunciou que desde 2006 o seu governo conseguiu contar quatro mil imóveis devolutos do Estado e irá transformá-los em cerca de oito mil apartamentos de arrendamento acessível. Não disse quando, mas se foram necessários sete anos para contar os devolutos, transformá-los em oito mil apartamentos é coisa para umas décadas, o que é bom para acertar a oferta com a procura, uma vez que a população residente está a diminuir.

Não havia lugar para ilusões. Ela avisou ao que vinha

«Queremos que esta política fique como o SNS ou a escola pública» disse a Dr. Marina, ministra da Habitação, referindo-se ao plano “Mais Habitação”. Ninguém reparou na sinceridade da ministra e andou-se a discutir desnecessariamente.

O Dr. Siza Vieira teve um ataque de sizo desde que foi despedido pelo Dr. Costa

Em entrevista ao Negócios, o Dr. Siza desmontou a farsa do Dr. Costa sobre a inflação e o suposto papel dos supermercados, dizendo o óbvio, que não foi demonstrado o aumento das margens, que aumentaram sobretudo os preços na produção o que até é “saudável” porque estavam muito baixos.

Primeiro tenta-se responsabilizar alguém, depois logo se vê

Com a inflação dos produtos alimentares o Dr. Costa usou a sua táctica favorita e começou tentar encontrar um culpado – os supermercados. A coisa não correu bem e o Dr. Costa tirou da cartola à pressa um pacote de medidas de apoio às famílias e empresas, sendo a coisa tão mal amanhada e precipitada que a criatura que tanto gosta de anunciar boas-novas estava no estrangeiro e teve que enviar um trio de apoderados, a quem interrompeu a partir de Bruxelas.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. O Portugal dos Pequeninos é mesmo pequenino e isso acontece

A Dr.ª Stéphanie Sá da Silva, que por acaso é esposa do Dr. Medina, foi por coincidência directora jurídica da TAP, tendo-se cruzado com a Dr. ª Alexandra Reis, que entretanto renunciou/demitiu-se, recebendo uma indemnização de 500 mil euros com pareceres positivos de duas sociedades de advogados, uma delas tendo como sócio o irmão do Dr. Marcelo, pareceres sobre os quais se ignora a opinião da directora jurídica da TAP nessa altura. A Dr. Alexandra Reis foi por acaso nomeada secretária de Estado pelo Dr. Medina, que por acaso, recorde-se, é esposo da Dr.ª Stéphanie, Dr.ª Stéphanie a quem, por coincidência, foi pago um bónus de cerca de 20 mil euros no ano em que trabalhou 8 meses e a TAP teve um prejuízo de 118 milhões.

É preciso segurar a freguesia eleitoral

Uma parte significativa dos quase 750 mil funcionários públicos constituem freguesia que o PS tem de manter, se não feliz, pelo menos apaziguada, e daí estar disposto a acelerar a “progressão na carreira”, um expediente para evitar coisas desagradáveis como ter que avaliar o desempenho e determinar a remuneração em concordância.

Cada vez menos alunos, cada vez mais professores

A parceria Fenprof-ministério da Educação vem há décadas usando expedientes para justificar a falta de professores e a necessidade do seu aumento, que vão desde a criação de novas disciplinas até à redução do número de alunos a pretexto de responder às “necessidades educativas especiais” de alguns deles. O resultado deste último expediente é que 55,6% das turmas só tem 20 alunos.

A insustentável leveza da política de investimento do FEFSS

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social cujas reservas se destinam a garantir o pagamento futuro das pensões aplicou 2,7 milhões em acções do Crédit Suisse, um banco agora resgatado cujos problemas são publicamente conhecidos há 10 anos. O FEFSS registou uma perda de 95%.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Enquanto o governo anda há dois anos a tentar vender o que comprou à Dr.ª Isabel dos Santos, a situação da EFACEC não pára de se degradar. De 2021 para 2022 as encomendas caíram para metade, as receitas baixaram quase 30% e a margem bruta diminuiu 300%.

(Continua) 

26/03/2023

Não acredito em bruxas, mas é bem possível que as haja

«A propósito da insubordinação no navio Mondego, ouvi vários comentadores dizer que o chefe do Estado-Maior da Armada tinha dado uma «reprimenda em público» aos marinheiros sublevados, sujeitando-os a «uma tremenda humilhação».

Os próprios advogados bateram na mesma tecla, afirmando que os militares estavam «psicologicamente afetados» por esse puxão de orelhas em público.

Ora, nem os militares insubordinados levaram uma ‘reprimenda’, nem foi ‘em público’.

Estranho que os comentadores não soubessem que os marinheiros sublevados não estavam presentes na cerimónia, e, sobretudo, que não tenham reparado que as imagens mostradas pela RTP eram filmadas de longe e não captadas no local. 

Nenhuma câmara nem nenhum microfone estavam no convés do navio.

Os cameramen atuaram como os paparazzi: filmaram de longe e captaram o som com microfones de longo alcance.

E isso era fácil de percecionar, pois as imagens não eram nítidas e o som era defeituoso, tanto assim que foi necessário recorrer a legendas.»

«Como foi possível ninguém se aperceber disto?» pergunta-se retoricamente José António Saraiva no jornal Nascer do Sol, sabendo certamente que os comentadores em causa (por exemplo o Dr. Daniel Oliveira e o Dr. Pacheco Pereira) e a esquerdalhada em geral sofrem do reflexo de Pavlov e, apercebendo-se ou não, começam logo a salivar quando se fala de certos nomes, como Cavaco Silva, Passos Coelho e, mais recentemente, de Gouveia e Melo.

Disse-se na II Guerra Mundial que os generais franceses estavam preparados para combater a guerra anterior. Os generais americanos também

Há mais de 20 anos que as forças armadas americanas estão focadas nos conflitos numa área geográfica que se costuma chamar o Grande Oriente Médio e em acções de "nation-building" e contra-insurgência. Este foco teve consequências em todos os domínios e deixou os EU muito mal preparados para enfrentar os desafios estratégicos do século 21, como acentua um artigo recente (How the Iraq war bent America’s army out of shape) de onde extrai os parágrafos seguintes (tradução automática).

«Pior ainda, tudo isso veio em um período crucial para a posição global dos Estados Unidos. Na década anterior à invasão do Iraque, os gastos militares da China praticamente dobraram. Na década que se seguiu, quadruplicou. Enquanto isso, os Estados Unidos desperdiçavam recursos extraordinários. O custo das operações militares no Iraque desde 2003 chega a mais de US$ 800 bilhões em uma estimativa conservadora, e aos trilhões em medidas mais expansivas.

O problema não era apenas a perdulidade. Por mais de uma década, apesar de um esforço muito elogiado pelo governo Obama para efetuar um "pivô" da estratégia americana para a Ásia e o Pacífico, as forças armadas dos EUA dedicaram a maior parte de seus esforços intelectuais e organizacionais à guerra irregular que enfrentaram no Iraque e no Afeganistão. Os oficiais ganharam experiência de combate, com certeza. Mas eles foram festejados por escrever manuais sobre contra-insurgência, em vez de ponderar batalhas de tanques na Europa ou guerra naval na Ásia. (...)

A China assistiu e aprendeu. Embora o Exército de Libertação Popular estivesse impressionado com a velocidade e a determinação do impulso dos EUA a Bagdá, ele observou cuidadosamente a dependência dos EUA de grandes bases, logística segura e acesso garantido a satélites. Investiu metodicamente em táticas e capacidades – como mísseis balísticos, armas antissatélite e guerra cibernética – projetadas para perfurar esse modo americano de guerra. "Muitas dessas reformas foram criadas a partir da experiência americana no Iraque", observou um relatório do Centro para uma Nova Segurança Americana, um think tank, em 2008 (um dos autores foi Kurt Campbell, que agora atua como principal autoridade do presidente Joe Biden na Ásia). (...)

"Durante grande parte das últimas duas décadas, o foco de Washington no Oriente Médio reduziu a prontidão militar, distorceu as prioridades da estrutura da força e, até recentemente, deixou a força conjunta mal equipada e incapaz de se preparar adequadamente para a competição militar de ponta com um adversário de pares", concluiu uma avaliação contundente das tendências de segurança asiáticas publicada pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. um think-tank, em junho. Uma guerra que foi travada em 2003 em parte para espantar adversários e cimentar a primazia militar americana deixou cicatrizes duradouras no vencedor.»

Perguntar-se-á e o que importa isso aos europeus que esperam que os ianques lhes protejam as costas enquanto eles se esmeram nos regulamentos sobre a protecção de dados? E o que importa isso em particular aos habitantes do Portugal dos Pequeninos que nem conseguem manter operacionais os seus equipamentos? The answer, my friend, is not blowing in the wind. The answer, my friend, is blowing in history. Starting in old Thucydides' History of the Peloponnesian War.

25/03/2023

Pela mão do governo de Jacinda Ardern, o wokeism infectou a Nova Zelândia

The Spectator

Fica-se a saber por este artigo do biólogo e escritor Richard Dawkins, escrito durante a sua visita à Nova Zelândia, que o governo woke de Jacinda Ardern adoptou uma política, saída da cabeça do ministro da Educação e seu substituto Chris Hipkins, segundo a qual nas aulas de ciência deve ser ensinado que os "Caminhos do Conhecimento" Maori (Mātauranga Māori), um repositório dos saberes tradicionais misturados com mitologia indígena, estão em igualdade com a ciência "ocidental" e que, entre muitos outros insultos à inteligência que o governo de Ardern incitou e promoveu, encontramos princípios como «insistir que as crianças maori aprendam a ler é um ato de colonização».