Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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14/01/2026

Crónica da passagem de um governo (32a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A Portela não se protela mais. O tempo das realizações ainda não começou e o dos resultados ainda não sabemos

Depois décadas de adiamentos pelos quais todos os governos foram responsáveis, o ministro das Infraestruturas, Dr. Pinto Luz, ao inaugurar a enésima expansão do Terminal do Aeroporto da Portela, espetou ameaçadoramente o dedinho na cara do Dr. Arnaut, actual presidente do CA da ANA que no passado exerceu uma dúzia de cargos políticos e entre eles o de ministro que tutelou os aeroportos, e disse sem se rir «o tempo dos adiamentos acabou, teremos um novo aeroporto dentro de 10 a 12 anos».

Ideias simples para reformas baratas

Há vários anos que o (Im)pertinências vem criticando as políticas energéticas dos sucessivos governos (ver, por exemplo, este post de 2017), em particular, os avultados subsídios aos operadores, através do mecanismo das tarifas garantidas.

[Carlos Enes no jornal Sol (sem link)]

O diagrama acima evidencia os sobrecustos para os consumidores e as empresas desses subsídios políticos e também um aspecto geralmente ignorado que é o desequilíbrio dos preços garantidos de compra aos produtores domésticos e aos pequenos produtores empresariais. Aqui está uma oportunidade para o governo fazer uma reforma barata e simples.

O ministro das Finanças chumbou no exame de Economia

A semana passada, o Dr. Miranda Sarmento disse com orgulho que a isenção de IMT e do Imposto de Selo na compra de casa beneficiou cerca de 70 mil jovens e a garantia pública beneficiou 23 mil jovens. Dito de outro modo, estes incentivos representaram uma percentagem significativa do número de casas vendidas em 2025. Entretanto, o ministro ainda não decretou a revogação das leis da procura (que aumentou em boa parte devido a essa medidas) e da oferta, que não aumentou, apesar da palavra de ordem do ministro «oferta, oferta, oferta», porque não foram tomadas as medidas necessárias, que vão desde o aumento das superfícies urbanizáveis e a simplificação da burocracia desmedida no licenciamento e na aprovação de projectos até aos benefícios fiscais de incentivo ao arrendamento para colocar no mercado as 250 mil casas vazias em boas condições e à construção.

(Continua)

4 comentários:

Luís Lavoura disse...

benefícios fiscais de incentivo ao arrendamento

Eu diria que tais benefícios são pouco importantes, uma vez que grande parte dos arrendamentos se faz no mercado negro, isto é, sem contrato.
O principal é garantir aos proprietários das casas que as podem reaver no término do contrato, ou logo que o inquilino deixe de pagar a renda, sem demoras nem protelamentos. Muitos proprietários não querem arrendar as suas casas principalmente porque temem não poderem depois pôr os inquilinos de lá para fora,

Luís Lavoura disse...

Há números bastante estranhos. Então a eletricidade produzida por painéis solares domésticos custa 35 euros - muito abaixo do preço médio da eletricidade, que é 63 euros - mas a eletricidade produzida por painéis solares numa central custa 291 euros? A que se deve tal diferença, se os painéis são basicamente a mesma coisa, e de facto numa central até estão posicionados de forma ótima, o que não será o caso no telhado de uma casa?

Luís Lavoura disse...

a simplificação da burocracia desmedida no licenciamento

Li há uns tempos uma coisa qualquer (que não confirmei, nem sei exatamente a que se refere - estou a vender o peixe ao preço a que o comprei) segundo a qual o governo de António Costa fez um decreto-lei qualquer nesse sentido mas que as Câmaras Municipais, pura e simplesmente, se recusam a aplicar (um belo exemplo de Estado de Direito).
Não basta o poder central simplificar as regras - é preciso que o poder local o queira. E esse poder local pode escudar-se atrás de empresas municipais, como por exemplo as das águas, que também fazem umas ricas regras de licenciamento.

Luís Lavoura disse...

a enésima expansão do Terminal do Aeroporto da Portela

É interessante verificar que todas estas expansões se devem, basicamente, à vontade férrea das autoridades de que a TAL tenha hub em Lisboa.
Isto é: se o aeroporto de Lisboa servisse apenas para as pessoas que querem viajar de e para Lisboa, não precisaria de ter um terminal tão vasto. O problema é que o governo insiste que Lisboa deve também servir de ponto de passagem de pessoas que viajam entre a América (sobretudo Brasil e EUA) e a Europa.