Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

10/11/2022

O "Corredor verde" do Dr. Costa explicado às criancinhas

O economista e engenheiro Mira Amaral, que, suspeito, em apenas dois dos seus neurónios tem mais know-how nestas matérias do que têm no interior dos seus crânios os Drs. Duarte Cordeiro e João Galamba, respectivamente ministro e secretário de Estado do agora pomposamente chamado ministério do Ambiente e da Ação Climática, autopsiou a semana passada no Expresso a produção de ficção "Corredor Verde" do Dr. Costa, saída da cimeira com M Macron e el Señor Sanchéz. Aqui vai o excerto mais relevante a este respeito. 

«Na recente cimeira entre Macron, Costa e Sánchez as interligações gasistas foram embrulhadas no conceito dos corredores verdes para gases renováveis da taxonomia financeira da União Europeia…

Macron ofereceu em troca ao MidCat um novo gasoduto marítimo de Barcelona a Marselha, útil para os terminais espanhóis, designadamente Barcelona. O nosso primeiro-ministro, reputado especialista em marketing energético, deixou então cair o gasoduto Sines-Alemanha, tendo eu e outros especialistas demonstrado que Sines não era competitivo em relação aos terminais espanhóis para fornecer gás natural (GN) à Alemanha, e vendeu-nos a terceira interligação gasista Portugal-Espanha, orçada em €300 milhões, para através dela exportarmos hidrogénio verde para a Europa. A REN tinha há muito esse projeto, sendo o problema para a empresa simples: desde que o regulador aceite, as amortizações do investimento são custos elegíveis para a tarifa de transporte e os consumidores portugueses de GN irão pagar o investimento caso a ­União Europeia não o financie. Ora, a exportação desse hidrogénio de Portugal para a Europa é prematura porque: esse hidrogénio está numa fase de projetos-piloto e não numa fase madura que justifique investimentos significativos em infraestruturas de transporte; no estado atual da tecnologia, mais vale transportar a energia sob a forma de eletricidade e produzir o hidrogénio localmente com essa eletricidade; não vale a pena pagar o sobrecusto de construir os tubos nessa nova ligação preparados para o hidrogénio, pois que a restante tubagem dos gasodutos em Portugal e Espanha não está preparada para tal. E, segundo o Governo, o GN estará em phasing out, pelo que também não se justifica para o transporte de GN.»

O "Corredor Verde" do Dr. Costa não passa, pois, de uma cortina de fumaça para esconder a cedência do par ibérico aos interesses da França que, por um lado, já dispõe de infraestruturas para a importação de LNG e, por outro, aspira ser um fornecedor europeu ainda maior de electricidade de origem nuclear e não está interessada na concorrência da electricidade das energias renováveis ibéricas.

09/11/2022

Even a man who thinks quickly should not speak faster than he thinks (2) - An “absolutist of free speech”, he said

Continued from previous post.
   
WSJ

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (99) - O camarada Jerónimo levou o PCP quase até à irrelevância. O camarada Raimundo vai acabar o trabalho. Bem haja

Fonte

Escolher por um processo opaco («concluída a devida auscultação») para substituto do camarada Sr. Jerónimo de Sousa, o camarada Sr. Paulo Raimundo, um funcionário com 20 anos de casa, a quem atribuem «identificação com os trabalhadores e as massas populares» e a quem a imprensa afecta chamou «operário», escolha que o Comité Central do PCP irá formalizar no sábado, é mais um must bastante previsível do Partido Comunista.

Façamos votos para que o Sr. Raimundo cumpra a sua missão e, para bem da Nação, mantenha encalhado o último partido leninista-estalinista do Mundo Livre.

08/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (39b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 39a)

Infantilização e tiro no pé

As medidas que o governo está a adoptar para “ajudar” as famílias em matéria de habitação tudo indica tenham efeitos perversos que acabem a anular os seus efeitos potencialmente positivos. Quanto a obrigar os bancos a renegociar as condições dos créditos, o que a APB classificou como «paternalista», já na semana passada assinalei o perigo de se criar uma bolha imobiliária semelhante à que esteve na origem da crise de 2008.

Do lado do arrendamento, a limitação de 2% à actualização das rendas (o índice real é 5,43%) parece estar a desencadear uma vaga de despejos com os senhorios a tentarem novos contratos para fintarem a fixação administrativa da actualização. Afinal não seria novidade, a história está cheia de exemplos das consequências indesejadas da intervenção dos governos no mecanismo dos preços.

Por falar em habitação, mais uma Boa Nova

Depois de vários programas de habitação lançados nos últimos 6 anos pelo Dr. Pedro Nuno em concorrência com o Dr. Medina, à época presidente da câmara de Lisboa, todos eles falhados, o governo pela boca do Dr. Pedro Nuno anunciou que vai apresentar ao parlamento um Programa Nacional de Habitação, com 22 medidas e um investimento de 2,377 mil milhões de euros a partir de 2023 até 2026. Auguro-lhe o mesmo destino dos anteriores, de quem de resto já ninguém se lembra.

A família socialista é muito unida

Não obstante o SE adjunto do Dr. Costa ser arguido como autarca de Caminha não de um mas de dois processos (um deles aqui descrito por JMT no Público) o Dr. Costa mantém a confiança política no Dr. Miguel Alves.

O dinheiro não é tudo. O sexo também é importante

A confirmar que o SEF é uma verdadeira escola de virtudes, como já se suspeitava com o caso do ucraniano assassinado, um apparatchik do SEF foi aliciado com favores sexuais por comerciante chinês para facilitar autorizações de residência a compatriotas seus.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

A dívida pública lá vai subindo regularmente, desta vez mais 1,6 mil milhões para 280 mil milhões em Setembro. Graças à inflação, cujas consequências o Dr. Costa gostaria de limitar aos efeitos sobre o rácio dívida/PIB, este diminuiu 2,9 pontos percentuais.

Boa Nova

«Portugal lidera crescimento na UE no 3.º trimestre», escreveu entusiasmado o semanário de reverência, para celebrar um resultado que só acontece porque o PIB do 3.º trimestre de 2021, com a qual a comparação é feita, ainda estava abaixo do seu valor de 2019.

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Apesar da Boa Nova, até o próprio Expresso admite uma recessão em 2023, e é acompanhado pelo Fórum para a Competitividade que prevê uma variação entre -2% e 1%.

As taxas de juro continuam a aumentar e a Euribor a 6 meses (a mais usada no crédito à habitação) aumentou de -0,539% em Janeiro para 2,278% no passado dia 4, próximo dos valores de 2009. (fonte) Sabendo-se que 68% dos créditos à habitação em Portugal estão a taxa variável, é fácil antecipar efeitos dramáticos sobre as famílias portuguesas em cima de uma inflação próxima dos dois dígitos.

07/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (39a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A cartola socialista está cheia de coelhos

O maior problema da economia portuguesa, e a raiz da nossa pobreza relativa, é a produtividade aparente do trabalho (isto é, a riqueza produzida em média por cada trabalhador), que é uma das mais baixas da Óropa. Se é certo que a riqueza produzida cresce com o aumento do número de horas de trabalho, é igualmente certo que diminui se esse número se reduzir, a menos que a produtividade do trabalho por hora trabalhada aumente mais depressa. Ora acontece que a produtividade do trabalho por hora não só é também uma das mais baixas da Óropa, representando menos de 66% da média da UE27, como tem vindo a diminuir.

Neste contexto a medida que o governo está a promover de redução da semana de trabalho para quatro dias revela-se mais uma negaça para iludir o povo ignaro e um expediente a adicionar ao repertório do Dr. Costa que aumenta na medida que mais entalado o governo se sente.

O Dr. Costa a tentar fugir ao dilema de «optar entre morrer da doença ou da cura»

No seu esforço para tentar ter a chuva no nabal da inflação que lhe aumenta as receitas fiscais e ter o sol na eira das taxas de juro baixas, o Dr. Costa argumentou, com a sua ciência económica aprendida nos corredores da Mouse School of Economics, que a inflação se deve à escassez da oferta pelo que não faria sentido aumentar os juros. O BCE e o próprio Dr. Centeno, o seu ex-ministro das Finanças, não concordam e um paper publicado pelo BCE também não.

Será que o Dr. Costa, depois de ter culpado o “neoliberalismo” pelo desastre socrático, se prepara com a cumplicidade de S. Ex.ª o PR para atribuir a culpa do próximo desastre ao BCE, seu salvador na crise anterior?

Banco de Fomento é «torrar dinheiro em coisas que não valem pevide»

O Banco de Fomento é mais uma das vítimas da maldição das empresas públicas. A sua criação foi várias vezes durante dois anos anunciada para as «próximas semanas», sucedendo a um banco de fomento que fora privatizado por um governo PS, ressuscitado em 2018, só viu a luz do dia em 2021. Descobriu-se recentemente que a Portugal Ventures, uma sociedade de capital de risco que o BF controla, gere 13 fundos com rentabilidade negativa. Sabe-se agora que as contas de 2021 só foram publicadas em Outubro e, por último, a Comissão de Auditoria queixou-se ao BdP de obstáculos ao seu trabalho. Guess why!

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC, uma empresa nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, foi tentada vender n vezes, a última à DST, chumbada pela DGComp. Em 2021 já tinha prejuízos de 184 milhões e no primeiro semestre de 2022 acrescentou mais 55 milhões. «Do lado dos trabalhadores, o desejo é manter o Estado como accionista», esclarece-nos o Expresso, sem surpresa, afinal quem não gostaria de ter um benfeitor?

Take Another Plan

O resultado positivo de 111 milhões da TAP no terceiro trimestre foi muito celebrado pelo governo e pelas suas agências de propaganda. Pouca gente se deu ao trabalho de verificar que nos últimos 12 meses terminados em 30 de Setembro a TAP teve um prejuízo de 1.060 milhões de euros e com os cancelamentos (300 tripulantes de férias no Natal, queixou-se a CEO) e as greves já anunciadas o quarto trimestre, por via de regra pior do que o terceiro, e todo o ano de 2022 arriscam-se a ser outro desastre. Quem não parece estar preocupado é o Dr. Pedro Nuno, aqui impiedosamente retratado por Henrique Raposo.

(Continua)

06/11/2022

The New Middle Kingdom, a vast propaganda theme park


«It was my first visit, and at Chinese passport control I had my fingerprints recorded and my photo taken to be fed into a system of web-cameras across the country that would instantly identify me wherever I might be. lndeed, the country can be viewed as a vast propaganda theme park offering every method of manipulation and coercion that I have touched on in this book, and more. ln western China, there are labor camps right out of mid-twentieth-century totalitarian dictatorships, where entire communities of Muslim Üighurs are indiscriminately rounded up and hauled off for "re-education" because the government is worried. that they might want independence. At other times, the situation can be more reminiscent of the 1970s.»

Peter Pomerantsev, "This is not propaganda"

05/11/2022

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (12) - Uansupapaua, tusupapua & Uereisdameia

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).



Nunca tive orgulho em ser português (nem em ser outra coisa qualquer), mas agora é diferente. Com as palhaçadas de uma criatura que é presidente deste país, estou a ficar com vergonha.

Subsidizing fuel prices is the wrong policy. And sometimes, like now, useless

«Is Europe’s chilly winter destined to be a much-feared disaster that never transpires? Only a few weeks ago wholesale gas prices were surging, leading to predictions of blackouts, rationing and people unable to heat their homes.

Wholesale gas prices, however, have recently plummeted. Yesterday, they fell below 100 euros per MWh for the first time since June – less than a third of their peak in August. It is possible that the government’s energy price guarantee – which remains in place until April – will end up costing taxpayers nothing.

What’s going on? Oil and gas prices have always been very sensitive to minor changes to the balance of supply and demand – and that is exactly what is happening now. In preparation for this winter, European countries have been rapidly filling their gas storage facilities with liquified natural gas (LNG) imported by ship from Qatar, the US and elsewhere. Those facilities are now reported to be virtually full. LNG ships are queuing off European coasts waiting to unload their cargoes – and being kept waiting because there is a shortage of storage space and facilities to unload. There are believed to be around 50 such ships currently at sea off Europe.

At the same time, demand for gas is significantly lower than in recent years – around 7 per cent lower than the average for the past three Octobers. This is, in part, due to consumers being more careful with their energy use in reaction to higher prices and governments instigating deliberate demand-reduction measures. The EU, for instance, has agreed to try to cut consumption by 15 per cent this winter. Energy-hungry plants like steelworks have been ordered to lower production. It also helps that western Europe has enjoyed an especially mild October.

So, what happens now? Was the spike in gas prices in the summer a result of a panicked effort to stock up with gas, or will wholesale prices start to rise again as the weather inevitably eventually turns colder and the energy storage facilities begin to run empty? On the positive side, Europe is hurriedly beefing up its facilities for offloading and re-gasifying LNG. Germany, for example, has developed five floating LNG terminals this year. That should go some way to replacing the loss of Russian gas.

However, importing LNG by ship is a more expensive process than importing via pipeline – around 10 per cent of the energy is lost in the process of liquifying and then degasifying it. Therefore, even if Europe can succeed in replacing Russian gas entirely with LNG, we can’t necessarily expect gas prices to return to what they were before this year’s crisis. At 100 euros per MWh, wholesale gas prices are still more than twice what they have been for most of the past decade. There is also the matter of the harm wrought on European economies by high gas prices this year. Will production driven abroad by high energy prices ever return?

But, for the moment, it appears as if some of the grim predictions for the winter of 2022/23 may have been exaggerated. The market has done its work and corrected the imbalance between supply and demand. The winter is not likely to be as chilly as it was feared only a few weeks ago.»

Why are Europe’s gas prices falling? , Ross Clark, The Atlantic

04/11/2022

Ser de esquerda é... (17) ... entender que há um totalitarismo mau e um totalitarismo bom

Outros "Ser de esquerda é..."

«A exposição “Totalitarismos na Europa”, dedicada aos crimes cometidos por regimes fascistas e comunistas em diversos países europeus, foi recusada pela Assembleia da República quase cinco meses após ser enviado um pedido, a 1 de Maio, para que estivesse patente no Palácio de São Bento. Para a decisão de Augusto Santos Silva contribuíram as objecções dos representantes dos partidos de esquerda no Grupo de Trabalho para as Actividades Culturais (GTAC), órgão consultivo do presidente da Assembleia República.» (Novo Semanário)

Dúvidas (345) – Ainda falta muito para termos benzina?



«Este governo não há de cair - porque não é um edifício. Tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!»
Eça de Queirós, O Conde d'Abranhos / A Catástrofe



«Em Caminha, um empreendedor chamado Ricardo Moutinho convenceu há dois anos o presidente da câmara, Miguel Alves, a avançar para a construção de um Centro de Exposições Transfronteiriço (CET), da seguinte forma: a empresa de Moutinho (a Green Endogenous) construía o centro, a câmara ficava a pagar 25 mil euros por mês durante 25 anos (total: 7,5 milhões), e à cabeça avançava logo com 300 mil euros, correspondentes à renda do último ano de contrato.

Problema: Miguel Alves garantiu publicamente que a empresa promotora do CET era de confiança, já que tinha “experiência na construção e exploração de equipamentos semelhantes". Só que não tinha: a Green Endogenous foi formada oito meses antes do negócio com a câmara e tem como único accionista o próprio Ricardo Moutinho, com um longo historial na criação de empresas inactivas, e que ainda por cima foi apresentado na vila com um currículo falso. A construção do CET ainda não arrancou e ninguém sabe se arrancará.

Explicações para isto? Zero. E como é possível? Graças a uma cultura de irresponsabilidade política, que se agrava de ano para ano. Só mesmo numa república das bananas é que um secretário de Estado pode ser confrontado com suspeitas deste calibre e uma semana depois continuar escondido e caladinho, com o país indiferente ou conformado
.»

O respeitinho é muito bonito, João Miguel Tavares no Público

03/11/2022

As qualidades do Dr. Costa servem para aumentar as consequências dos seus defeitos

No seu estilo elegante, levemente gongórico, António Barreto discorre sobre o Dr. Costa, com o equilíbrio e a independência que lhe é habitual (o que para tratar da criatura em causa é um feito), num artigo do Público do passado sábado, também disponível no seu blogue Jacarandá.

Enumera os aspectos que considera positivos, como: «inteligente, um grande prático do poder, entre a esquerda e a direita, entre o mercado e o Estado (...) entre Lisboa e Berlim, entre Bruxelas e Frankfurt, construiu o seu caminho (...) conseguiu destroçar, quem sabe se definitivamente, as esquerdas radicais do PCP e do Bloco (...) com o mesmo discernimento empírico e pragmático, soube e tem sabido governar, ora à esquerda, ora à direita».

Conclui que «os êxitos políticos deste homem, indiscutíveis, são apenas comparáveis aos seus desastres ou, noutras palavras, à sua incapacidade» e aponta entre os muitos fiascos da sua governação, os resultados do SNS, a Justiça paralisada, a perda do investimento privado, a emigração dos quadros.

Faltou a António Barreto escrever a conclusão mais importante: das qualidades do Dr. Costa têm resultados benefícios para ele, para o seu partido e os apparatchiks que o rodeiam; porém, para o país essas qualidades têm sido nefastas ao servirem para iludir, potenciar e encobrir os defeitos, a incompetência e a falta de integridade da sua governação.

02/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (38c)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 38a e 38b)

E por falar em gás, o gasoduto do Dr. Costa é para «hidrogénio verde» e chama-se "Corredor de Energia Verde"

Em resumo, nas palavras de JMC: «Espanha recebe gás através de Barcelona; a Espanha fornece gás a França por via marítima até Marselha; e a França distribui pela Europa. Portugal vai fazer, em data não anunciada, um gasoduto até Espanha, a custo ignorado e com financiamentos desconhecidos, para transportar um produto que ainda não existe (o hidrogénio verde, cuja investigação, de êxito incerto, nunca custará menos de dezenas de milhares de milhões de euros).»

E por uma mão cheia de nada o Dr. Costa fez um grande favor à França, que quer continuar a fornecer energia eléctrica para viabilizar as suas centrais atómicas e acena com o projecto do hidrogénio verde para entreter os ibéricos e Herr Scholz durante uma década ou mais. Em troca, o Dr. Costa e seu parceiro Dr. Sanchéz, deixaram cair um projecto com acordo assinado em 2015 para a construção do MidCap e três ligações eléctricas que agora ficaram reduzidas a uma única.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

De cada vez que o endividamento da economia (a dívida total das famílias, das empresas e do Estado) tem uma ligeira redução fruto dos ciclos da dívida, a imprensa do regime celebra o facto. Logo em seguida, como agora, o endividamento retoma o seu caminho inexorável, fruto de uma economia que consome mais do que produz. Foi o que aconteceu em Agosto em que endividamento total cresceu outra vez para 794,4 mil milhões.
 
A acção do governo para reduzir a dívida vale menos de 5% da inflação

mais liberdade
A redução total do rácio de 4,3%, deduzida do impacto da inflação que é 4,1%, fica em 0,02%= 4,3%-4,1%, ou seja, menos de 5% da redução total.

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Dez meses depois de terminado 2021, ficámos agora a saber o défice da balança comercial do ano passado atingiu a bela cifra de 20 mil milhões ou 10% do PIB, em resultado das importações terem aumentado 22,0% e as exportações apenas 18,3%. Enquanto a taxa de inflação atingiu 10,2% em Outubro e o BCE aumentou as taxas de referência de 0,75 pontos percentuais.

O dilema do Dr. Costa - «optar entre morrer da doença ou da cura»

Começam a ser visíveis sinais do estado de turbação que o Dr. Costa atravessa, não obstante a confortável maioria (ou talvez por causa da confortável maioria que lhe retira as escapatórias), ainda antes de ser confrontado com o grande dilema que poderá ser, como escreveu Rui Ramos, optar entre morrer da doença da inflação ou morrer da cura pelo aumento das taxas de juro ou, talvez pior, não ter opção e morrer da doença (que lhe consumirá a base eleitoral) e da cura (que o empurra para outra bancarrota do Estado sucial).

Pro Bono. An example that there can be hope even in the most desperate cases


In a recent interview with the New York Times, under the pretext of publishing a kind of autobiography (“Surrender: 40 Songs, One Story”), Paul David Hewson, better known as Bono Vox, leader of the band U2, showed a surprising maturity and realism that, being to be expected in a 62-year-old man, is surprising in a rocker better known as an "anti-system" activist. Here are some excerpts from his responses to an interviewer who barely disguises his displeasure with such developments and who only doesn't call him a traitor because it would be politically incorrect.

«I ended up as an activist in a very different place from where I started. I thought that if we just redistributed resources, then we could solve every problem. I now know that’s not true. There’s a funny moment when you realize that as an activist: The off-ramp out of extreme poverty is, ugh, commerce, it’s entrepreneurial capitalism. I spend a lot of time in countries all over Africa, and they’re like, Eh, we wouldn’t mind a little more globalization actually. 

Be careful to placard the poorest of the poor on politics when they are fighting for their lives. It’s very easy to become patronizing. Capitalism is a wild beast. We need to tame it. But globalization has brought more people out of poverty than any other-ism. If somebody comes to me with a better idea, I’ll sign up. I didn’t grow up to like the idea that we’ve made heroes out of businesspeople, but if you’re bringing jobs to a community and treating people well, then you are a hero. That’s where I’ve ended up. God spare us from lyricists who quote themselves, but if I wrote only one lyric that was any good, it might have been: Choose your enemies carefully because they will define you. Turning the establishment into the enemy — it’s a little easy, isn’t it? 

I often instead use the word “actualist,” because activists sometimes like to stay on the outside and criticize, whereas the “actualist” wants to get [expletive] done. I found that if I was ready to drop some biases, coming from the left to work with the right, we could get stuff done. I know it will lose some music fans, but it was important for me to have that in there.»

01/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (38b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 38a)

O que é hoje verdade pode amanhã ser mentira

Numa semana, a actualização automática das pensões em 2023, apesar de prevista na lei, anteciparia em cinco anos o défice da Segurança Social e seria o inferno, pelo que foi descartada. Na semana seguinte, o excedente da SS no OE 2023 tinha -se multiplicado por dois e o défice só chegaria em 2060 e seria o paraíso. Decorrida outra semana, o saldo do FEFSS estava no final do 3.º trimestre 12% abaixo do mesmo período de 2021 e era o purgatório. Decorrida ainda outra semana, a actualização automática anteciparia défice da Segurança Social em dois anos e era o limbo.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Depois de garantido pela ministra de Justiça que nunca faltou nem faltaria papel, desmentindo a conclusão de inquérito do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, afinal a DIAP não tinha mesmo papel.

Após duas décadas a promover o progresso energético, nomeadamente na produção de electricidade,a Direção-Geral de Energia e Geologia concluiu que o sistema poderá não ser «capaz de dar resposta às necessidades de consumo de eletricidade em 2023».

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC é uma espécie de TAP terrestre. Nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, foi vezes sem conta anunciada a sua venda, a última das quais à DST. Esta última acabou de ser chumbada pela DGComp que considera um auxílio encapotado do Estado à DST.

Normal é o que o homem quiser

Fonte
Confrontado com o facto das reservas de gás do país chegarem para menos de um mês, o Dr. Rodrigo Costa tranquilizou o jornalista com «este número pode parecer muito baixo, mas é um número normal para muitos países». Vejamos o normal na UE no mapa aqui ao lado. 

O diagrama mostra-nos que o normal do Dr. Rodrigo é bastante anormal, e os números seguintes de capacidade (TdW) e do nível de armazenamento, comparativamente com a população confirmam o que o número não só parece mas é muito mais baixo do que de outros países comparáveis:
  • Portugal 3,7 / 87,6% (10,3 milhões)
  • Áustria 95,5 / 86,8% (9,1 milhões)
  • Hungria 67,7 / 79,2% (9,6 milhões)
  • Holanda 139,0 / 93,0% (9,0 milhões)
  • Chéquia 43,8 / 89,5% (10,7 milhões)
Receio que o estilo manipulativo próprio do PS já tenha contaminado os gestores do regime.

«Temos resultados, temos contas certas»

A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) no seu relatório sobre o OE2023, aponta secretismo sobre eventuais encargos para os contribuintes em 2023, que no caso da TAP quer do Novo Banco, e o Conselho das Finanças Públicas põe em dúvida o cenário macroeconómico e a redução prevista na despesa de capital.

(Continua)

31/10/2022

CASE STUDY: Um imenso Portugal (60) - Os pobres e analfabetos funcionais votam em quem dá mais garantias de assim continuarem

Outros imensos Portugais

A pobreza e o pêtismo de mãos dadas


O analfabetismo e o pêtismo de mãos dadas

Fonte

CASE STUDY: Um imenso Portugal (59) - A vitória do candidato dos pobres e analfabetos funcionais garantirá que continuarão pobres e analfabetos funcionais

Outros imensos Portugais

Folha de S. Paulo

É mais um drama brasileiro: as políticas menos más são protagonizadas por uma criatura execrável; o voto em Lula é o voto dos pobres e analfabetos funcionais que o PT com as suas políticas assistencialistas irá garantir que continuarão pobres.

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (38a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Aves da mesma plumagem voam juntas

«Conte comigo» diz o Dr. Costa num vídeo em que manifesta o seu apoio ao Sr. Lula, chocando muita gente sem razão. Afinal é apenas a continuidade da relação solidária do PS com o PT iniciada pelo Eng. Sócrates, da qual resultou a troca da Vivo, uma operadora dinâmica e viável participada da PT, pela Oi, um zumbi infestado de apparatchiks pêtistas, com grande felicidade do Dr. Ricardo DDT Salgado que recebeu um chorudo dividendo especial da PT, o qual, no entanto, serviu apenas para adiar a queda anunciado do GES (pode ler aqui em retrospectiva a história de um dos maiores escândalos do Estado sucial).

A grande ambição do Dr. Costa é tornar irresponsáveis todos os portugueses e fazê-los dependentes do Estado sucial

Em mais um passo nesse sentido, o governo anunciou que vai obrigar os bancos a renegociar os créditos à habitação «quando os juros subam para além do teste de 'stress' a que as famílias foram sujeitas aquando do momento da contratação do crédito», uma medida tão irresponsável e infantilizante que até a sempre muito contida e respeitadora APB a classifica como «paternalista». Na verdade, essa medida introduz no risco de crédito uma adverse selection que num caso extremo pode conduzir à multiplicação de crédito malparado em proporções que ameacem a solvência da banca e obriguem os contribuintes a despejar outra vez mais dinheiro. Isso aconteceu na crise de 2008, espoletada pelo crédito barato e a má gestão do risco que alimentaram a bolha imobiliária com hipotecas subprime, bolha que ao estoirar deixou os bancos ficaram com ziliões irrecuperáveis.

O Estado sucial como máquina de extorsão

Não satisfeito com um aumento até Setembro de 21% da receita fiscal, o Dr. Costa ainda garantiu que vai também tributar os “lucros excessivos” do sector da distribuição. Com este pretexto, o Dr. Costa pode tributar todo e qualquer lucro se tiver como medida do excesso a bitola das empresas públicas que têm habitualmente prejuízos, periodicamente cobrados dos contribuintes.

No Estado sucial não há conflito de interesses. Há interesses em conflito

Depois de duas semanas em que surgiram sucessivamente casos com o marido da secretária de Estado das Pescas, a mulher do secretário de Estado da Conservação da Natureza e Floresta, o marido da ministra da Ciência e os ministros das Finanças e do Ambiente e a ex-ministra da Cultura, a semana passada surgiu mais o caso da ex-presidente da Câmara de Odivelas e actual vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS. Para equilibrar as contas e relativizar a coisa, este último caso foi divulgado pela SIC Notícias num pacote que inclui vários outros autarcas.

Contas que ficaram de novo desequilibradas quando se soube que o novíssimo secretário de Estado Dr. Miguel Alves, adjunto do primeiro-ministro (uma escolha pessoal do Dr. Costa), esteve envolvido como presidente da câmara de Caminha numa trapalhada tipicamente socialista em que adiantou 300 mil euros em condições suspeitas a um empresário suspeito para fazer uma obra suspeita.

(Continua)

30/10/2022

CASE STUDY: Um imenso Portugal (58) - Hoje é a segunda volta e a escolha dos brasileiros só pode o menor dos males

[Outros imensos Portugais]

mais liberdade

O que se passou com a economia brasileira entre 2003 e 2016 é comparável ao que se vem passando com a portuguesa desde 1995, exceptuando o período 2011-2014 de resgate pela troika que foi uma sequela da governação do Eng. Sócrates, amigo do Sr. Lula.

29/10/2022

Even a man who thinks quickly should not speak faster than he thinks

I suspect that Elon Musk shot himself in the foot (he and the tycoons he recruited for the venture) when he was forced to buy Twitter for 44 billion whose market capitalization dropped to 25 billion in July and yesterday, after the confirmation of the purchase, it was in 41 billion.

He is already making another sudden change of heart when, after announcing that as an “absolutist of free speech” he would allow on Twitter everything that is not illegal, he swallow his words and writes “Twitter obviously cannot become a free-for-all hellscape, where anything can be said with no consequences!” 

And yet another sudden change of heart after saying that it would eliminate advertising (and implicitly switch to the model of charging a fee to tweeters) ended up saying a few days ago “I also very much believe that advertising, when done right, can delight, entertain and inform you…low-relevancy ads are spam, but highly relevant ads are actually content!”

These are examples that even a man who thinks quickly should not speak faster than he thinks.

ACREDITE SE QUISER: Ele disse fábrica de unicórnios. E não pode ser só uma oficina? (2)

Continuação de (1)

Há um ano, o Dr. Moedas anunciou uma «fábrica de unicórnios, onde vamos ensinar os detalhes e os processos, e fazer dos sonhos grandes negócios, criar empregos e mudar o mundo e ter propósito. É isso que a Fábrica de Unicórnios será.»

Ontem o Dr. Moedas cumpriu o prometido e anunciou que a nova Fábrica de Unicórnios vai arrancar em 2023 com um investimento de €8 milhões para três anos de funcionamento. Cumpriu o prometido? Pois parece que não, porque primo, ele fez apenas outro anúncio, e secundo, oito milhões em três anos não dão nem para mandar cantar um cego, quanto mais para "apoiar" empresas inovadoras que um dia serão avaliadas em mais de mil milhões de dólares.

É mais um equívoco que começa por imaginar que já existem unicórnios portugueses, os quais segundo a AICEP seriam Farfetch, OutSystems, Talkdesk, Feedzai, Remote, SWORD Health, Anchorage Digital. Na verdade, um já não é classificado como tal (a Farfetch já está cotada) e os outros seis estão sedeados em cidades americanas: Boston, São Francisco (3), São Mateo e Nova Iorque. Entre os 1.191 (número de hoje) unicórnios não se encontra um único com sede em Portugal. Mais, entre os vários milhares de "Selected Investors", numa vista rápida em diagonal não encontrei um único português.

Todos aqueles supostos unicórnios lusitanos são considerados pela CBInsights como americanos porque foram criados, operam e se financiam nos Estados Unidos e a nacionalidade dos fundadores só é considerada quando a sede do unicórnio se situa no exterior. 

E o equívoco continua com o imaginar que atirar (pouco) dinheiro para um terreno inóspito a respeito do risco e da inovação irá criar uma safra de unicórnios, quando virtualmente todos os unicórnios nasceram sem dinheiro ou com o dinheiro de venture capitalists que puseram o dinheiro onde puseram a boca apostando numa ideia e numa equipa. 

E o equívoco termina, por agora, com o pensar que a inovação, isto é, a criatividade organizada e sistemática, e a iniciativa, isto é, a disposição para assumir riscos, precisam do «edifício da Factory que está em fase de conclusão no Hub Criativo do Beato.» É o equivalente a pensar que a fé precisa de um Convento de Mafra, ainda para mais sem o ouro do Brasil. Não temos emenda.