Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

09/07/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (27) - Qual é afinal a taxa de letalidade da Covid-19? (4)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação deste.

Um estudo publicado na Lancet (Prevalence of SARS-CoV-2 in Spain (ENE-COVID): a nationwide, population-based seroepidemiological study) realizado por uma equipa espanhola sobre uma amostra aleatória de mais de 61 mil pessoas em diversas regiões de Espanha concluiu que a prevalência de anticorpos Covid-19 é de 5% na população ou cerca de 6 vezes maior do que a taxa de infecção registada (6.408 por milhão).

Uma das razões para isso é o facto de a maioria dos infectados não apresentar sintomas. No caso de Inglaterra, segundo o Office for National Statistics, apenas 22% das pessoas com testes positivos tinham apresentado sintomas.

Em consequência, como já tínhamos concluído, a taxas de letalidade (IFR = Infection Fatality Rate) são muito inferiores às estimadas com base no número de pessoas detectadas que são, na maioria dos casos, apenas as que tiveram sintomas e foram por isso testadas. Veja-se o quadro seguinte extraído de Studies on Covid-19 lethality da Swiss Policy Research.

Controlled PCR studies in population subgroups.
CountryDatePopulationIFR (%)Source
FranceMay 21Health workers0.05Study
USAMay 10MLB employees0.00Report
FranceMay 10Aircraft carrier0.00Report
USAMay 10Aircraft carrier0.09Report
USAMay 1Tennessee prison0.00Report
ItalyApril 28Health workers0.30¹Study
USAApril 17Boston homeless0.00Report
USAApril 17Boston blood donors0.00Report
GreeceApril 16Repatriations0.00Study
USAApril 13NYC pregnant women0.00Study
ShipMarch 17Diamond Princess0.13²Study

1) See table below; 2) Age-adjusted IFR based on US population.
1) Deaths in Italian health care workers by age group (ISS, May 20)

08/07/2020

Lost in translation (339) - Com o pedronunismo nos comandos da TAP haverá rupturas nos bolsos dos sujeitos passivos

Como resultado da sua «bravata ideológica», o ministro das Superestruturas pagou 55 milhões ao accionista David Neeleman para ele se libertar do pesadelo TAP, comprometeu-se a considerá-lo credor privilegiado do seu empréstimo de 90 milhões a uma generosíssima taxa de 7,5%, conseguiu que a TAP fosse a única companhia europeia a não receber um apoio Covid, vai enterrar naquele cemitério 1.200 milhões como primeira de várias prestações a sacar aos contribuintes, despediu o único gestor que conhece o negócio de aviação e garantiu que irá recrutar para a gestão da TAP uma equipa de topo. A respeito desta última garantia só me ocorre o que escreveu José Diogo Quintela: «faz tanto sentido como a minha filha contratar o Chef Kiko para preparar o chá imaginário que ela serve às suas bonecas».

O Dr. Pedro Nuno Santos, a berrar há meses que a TAP está falida, teve de aceitar que a CE considerasse a TAP inviável, apesar dos capitais próprios e os resultados operacionais ainda serem positivos. E, a propósito, recorde-se que quem está de facto falida é a holding TAP SGPS porque uma das participadas é a TAP Manutenção e Engenharia que tem perdido milhões parcialmente compensados pelos lucros na operação da TAP. Recorde-se também que na compra e na gestão desta participada andaram as mãozinhas de Lacerda Machado, o amigo do Dr. Costa, e de outros socialistas (Almeida Santos, por exemplo).

Ah!, quase esquecia, o Dr. Pedro Nuno Santos ainda garantiu que «Não haverá rupturas. Não vamos deixar isso acontecer» o que é uma ameaça assustadora para os sujeitos passivos.

Qual o racional de comprometer os portugueses com o desastre anunciado? Salvar uma companhia de bandeira (leia-se o post there is no such thing as flag carrier)? Dos 10 milhões de portugueses só uma pequeníssima parte viaja regularmente na TAP e os outros milhões de portugueses não residentes, dispõem da oferta das low cost. Querem proporcionar voos baratos aos residentes nas Regiões Autónomas? Subsidie-se se necessário (e talvez não seja) os voos das low cost para as RA- já agora recorde-se que o turismo para os Açores só se começou a desenvolver quando a Ryanair e outras passaram a operar. Querem salvar dez mil postos de trabalho ao custo de 120 mil euros cada, só para começo de conversa?

E qual foi o resultado de tudo isto? Para citar Helena Garrido, «o Governo cavou um buraco ainda maior na TAP e salvou um dos accionistas privados de referência. Com a cumplicidade do primeiro-ministro, do Presidente da República e de todos os partidos. As vítimas desta gestão irracional do processo da TAP serão mais de dez mil famílias, os contribuintes portugueses e o dinheiro que vai faltar noutras áreas em que o Estado é importante.»

Há, porém, um hipotético, ainda que desmesuradamente caro, resultado positivo se o pequeno oráculo Marques Mendes tiver razão e a TAP vier a ser um «grande crematório político ... (que) pode queimar ministros a torto e a direito».

[Para uma recapitulação da saga veja-se etiqueta TAP]

Aditamento:

Já depois de publicado este post, li este artigo de André Abrantes Amaral citando alguns números comprovando a fraude da TAP ser uma "companhia de bandeira": «apenas 28% dos passageiros que chegam ao Funchal o fazem através da TAP. Para Ponta Delgada são apenas 17%. Quanto ao Porto só 20% dos passageiros que chegam à invicta o fazem por via da TAP. Mas a cereja em cima do bolo diz respeito a Faro. Sabia que a TAP foi responsável por apenas 3% (repito, 3%) dos turistas que chegaram ao Algarve no terceiro trimestre de 2019?» 

07/07/2020

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (190) - No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito


«O PS não é só um partido, é uma máquina voraz com uma insaciável vocação de poder; não surpreende, portanto, que seja o elevador social preferido de alguns que, em circunstâncias normais, nunca passariam do rés-do-chão. Colonizar o Estado com os seus, como aqui sinalizei, é a primeira coisa que o PS faz quando chega ao poder; não só para satisfazer as vastas e fiéis clientelas, como alguns mais incautos podem pensar, mas para eliminar qualquer espécie de atrito ou necessidade de prestação de contas e de contraditório. E é nessa mesma linha que, na primeira oportunidade que tem, se vê livre das vozes e poderes mais incómodos, como procura fazer com a comunicação social e como fez com Joana Marques Vidal.»

Não há anjos em São Bento, Pedro Gomes Sanches no Observador

Um dos exemplos da voracidade do PS e do seu controlo sobre os mídia é a participação no comentário político de dirigentes partidários no activo e ocupando lugares públicos. É uma situação que em qualquer país civilizado não teria lugar. É verdade que quase todos os partidos o fazem, mas com o PS as coisas assumem proporções escandalosas, como no caso de Fernando Medina, o presidente da câmara de Lisboa onde sucedeu a António Costa e de quem se diz lhe sucederá na liderança do PS. A exemplo de Costa, a quem Pacheco Pereira ofereceu um palco no seu programa Quadratura do Círculo para minar a liderança de António Seguro, Medina dispõe de um púlpito na TVI24 onde faz comentário político.

Além da TVI24, Fernando Medina faz igualmente comentário político num programa de debate da Rádio Renascença onde ele e João Taborda da Gama, filho de Jaime Gama (cá está, outra vez, a grande família socialista), simulam confrontar-se. Apesar de se dizer próximo do CDS, João Taborda da Gama parece estar quase sempre de acordo com Medina. Poderia ser mera coincidência, não fosse o caso de Gama ter dois contratos de assessoria jurídica com a câmara de Lisboa, de nomeação directa, pelos quais factura uma bela soma de 17 mil euros por mês.

06/07/2020

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.


Ennio Morricone, 91 anos, 70 anos de carreira, centenas de composições para dezenas de filmes. Sem ele o western spaghetti não seria western e a minha adolescência não teria sido a mesma.

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (102) - O presidente anestesista

Outras preces

«O problema é que o país precisa de um Presidente da República com distanciamento e vontade de exercício dos seus poderes de escrutínio, de exigência e de alerta. Um desses poderes reside no uso da palavra – veja-se os antecessores Soares, Sampaio ou Cavaco -, que Marcelo cedo desbaratou ao falar todos os dias sobre tudo e mais alguma coisa. Já banalizou a sua palavra e vai custar-lhe agora muito mais ser ouvido quando for importante.

O outro é o de vigilância, de que o Presidente abdicou ao tornar-se um protagonista activo das políticas públicas e um cúmplice da forma como são abordados e comunicados os problemas e as dificuldades.

O que resulta daqui é um Presidente que branqueia onde devia exigir e que distrai quando devia notar.

Os problemas e insuficiências do país, tradicional falta de exigência e o fraco escrutínio dispensam bem a espécie de União Nacional, o “tudo pela Nação, nada contra a Nação” em vigor sem que a alternativa tenha que ser uma crise política.

As anestesias saem-nos sempre caras e esta já vai longa. Marcelo saberia, certamente, ser popular de outra forma.»

O custo elevado da popularidade de Marcelo, Paulo Ferreira no Eco

Disse José Gameiro, que conhece de perto MRS, em entrevista ao jornal i que «é demasiado anestesista em relação a Portugal. Gostava que fosse mais cirurgião, que separasse bem as coisas, cortasse mais a direito. Mas acho que pelo menos até ser eleito quer ser anestesista para ver se tem 75% dos votos.»

Pela minha parte depois de quatro ano de piruetas confirma-se tudo o que me levou a não votar em MRS. Ele não foi e não será nunca um presidente de direita e muito menos um presidente liberal. É um entertainer obcecado pela sua popularidade e que serve de adorno do governo socialista.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (40) - Em tempo de vírus (XVII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Mayday mayday. A queda anunciada sobre os contribuintes da TAP tripulada pelo pedronunismo

Numa demonstração de ignorância pesporrente, o Dr. Pedro Nuno Santos, ministro das Superestruturas, transformou a renacionalização da TAP numa vitória pírrica. Sem se dar conta, fez a vontade ao accionista David Neeleman, ansioso por ir à sua vidinha e deixar a TAP aos cuidados do governo português, e ainda lhe pagou 55 milhões de euros.

Uma bagatela, aliás, face aos 1.200 milhões que o governo vai sacar aos contribuintes a título de empréstimos e aumentos de capital, como primeira prestação dos muitos milhões que irão ser torrados num operador que entregue ao Estado Sucial irá dedicar-se ao que sempre se dedicou: explorar as carreiras em que os operadores comerciais não estão interessados. Mesmo para os serviços mínimos, a TAP precisará de um gestor profissional que, dando de barato ser o governo capaz de o contratar, custará mais por ano do que o milhão de prémios que o governo impediu que fossem distribuídos a 180 trabalhadores. Como brinde, conseguiu ainda, com a sua «bravata ideológica», que a TAP fosse a única companhia europeia que não vai receber um apoio Covid porque o Dr. Pedro a declarou falida em público antes da epidemia. É muito para um homem só.

O ministério da Verdade vai vigiar os crimideias nas plataformas online

A ministra Vieira da Silva, filha do ex-ministro com o mesmo nome, anunciou no parlamento que o governo vai criar uma Polícia do Pensamento para «perceber a forma de propagação deste discurso nas plataformas online, as mensagens que contém, identificar autores, monitorizar processos de queixas, entre outros aspectos». Aguarda-se com expectativa para saber quais são os outros aspectos e as medidas punitivas que o futuro ministério do Amor reservará aos crimes de ódio.

Querendo, o Dr. Costa poderia ser humorista

Foi um verdadeiro sucesso a presença do primeiro-ministro no programa «Isto é Gozar com Quem Trabalha» do Humorista Oficial da Situação. Em particular, foi muito saudada a sua piada em que. abandonando a sua tese de «à justiça que é da justiça», abundantemente usada para evitar explicações sobre o Operação Marquês, exaltou a acção patriótica para a recuperação das armas, as quais no limite poderiam até não ter sido furtadas, como disse então o seu ex-ministro da Defesa agora arguido na «narrativa» do ministério público.

05/07/2020

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (3) - Anti-rácistas de todo o mundo rumai ao Novo Império do Meio

Outras propostas modestas


Recapitulando: em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public. Inspirado no clérigo Swift, o (Im)pertinências tem vindo a apresentar propostas modestas aos áctivistas de diversas causas e chegou agora a vez dos áctivistas que combatem o rácismo a quem propomos modestamente que se dirijam com urgência à China, tendo em atenção os factos de que vamos dar conta.

O governo chinês que tinha aberto uma consulta pública sobre uma proposta para facilitar estrangeiros ricos ou altamente qualificados serem autorizados a residir na China em permanência, resolveu retirar a proposta que entretanto desencadeara um incêndio xenófobo nas redes sociais. (Fonte: Economist)

Nos primeiros dias de Abril, foi publicado no Weibo (o Facebook chinês) uma série de cartunes com o sugestivo título de «Manual ilustrado sobre como classificar lixo estrangeiro». Exemplo:


Ainda em Abril, as autoridades chinesas confiscaram os passaportes de famílias negras, perdão afro-qualquer coisa, que foram expulsas das casas onde viviam. Lojas chinesas recusaram servir clientes afro-qualquer coisa, os quais foram obrigados a uma quarentena apenas por razões rácicas. (Fontes: CNN, FT) As medidas discriminatórias foram tão ostensivas que embaixadores de diversos países africanos enviaram uma nota conjunta ao ministro chinês dos negócios estrangeiros.

Aqui fica a exortação: áctivistas de todo o mundo deixai de ser maricas a deitar a língua de fora a polícias bonzinhos e rumai ao Novo Império do Meio e ide combater o rácismo amarelo.

04/07/2020

ARTIGO DEFUNTO: A verdade do jornalismo de causas é como a verdade do Pimenta Machado


«Em janeiro e fevereiro, a narrativa dos “liberais” (*) sobre a pandemia era esta: não podemos exagerar, não podemos ceder ao medo, há “racismo” nos bloqueios que Trump faz a chineses e europeus!

A CNN e o Times criticavam (e bem, a meu ver) os excessos securitários que Trump já estava a impor. Ou seja, em janeiro, fevereiro e parte de março a esquerda americana era a maior adversária dos lockdowns e dos estados de emergência, porque sabia que um cenário destes era o sonho de um autoritário como Trump. Em janeiro e fevereiro a CNN dizia aquilo que a Fox diz desde abril ou maio.

A narrativa começou a mudar quando Nova Iorque foi atingida. De repente, os média liberais passaram a ser os mais radicais do lockdown e do medo. Porquê? Perceberam que o número de mortos e de infetados podia ser uma arma anti-Trump. Ou seja, a CNN e o New York Times não têm tentado perceber a verdade da pandemia, nem têm desenvolvido uma posição moral sobre o medo e a quarentena; têm usado a situação para fragilizar Trump, criticando-o por uma coisa e o seu contrário consoante o momento. A tática muda a verdade. A proibição de voos de Trump em fevereiro era "racismo". Em abril essa proibição já tinha chegado tarde e era insuficiente. As manifs republicanas pelo regresso à normalidade são "irresponsáveis". As manifs dos antifas são "heroicas". A verdade que se amanhe.»

Excerto de "CNN e New York Times: o pós-verdade à esquerda", Henrique Raposo no Expresso

(*) Recordo que os americanos chamam "liberais" às várias esquerdas, enquanto na Europa (incluindo Portugal), os liberais são os democratas não socialistas que preconizam os mercados.

Ficou célebre no mundo do futebol o "pensamento" de Pimenta Machado, o antigo presidente do Vitória de Guimarães,
«No futebol, o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira» 
Na época Pimenta Machado foi ridicularizado sem razão porque foi um verdadeiro percursor e o seu pensamento aplicado nos mídia é hoje praticado pelo jornalismo de causas que infesta as redacções, para quem a verdade é um conceito instrumental que serve o seu agitprop.

03/07/2020

Mitos (305) - O racismo, a mortalidade violenta e a violência policial são um problema nos EUA muito mais grave do que na maioria dos países

The killing of George Floyd has sparked global soul-searching
É claro que depende de quais os países com que se comparam os EUA, mas os factos mostram que só por má-fé se pode dizer que o racismo e a violência constituem um problema muito mais grave do que na maioria dos países. Outra coisa é a percepção do racismo e da violência que têm uma presença muito mais frequente e intensa no cinema e nos mídia americanos - e consequentemente no cinema visto e nos mídia de outros países - do que o racismo e a violência de origem nacional na maioria dos países.

CASE STUDY: Parece um círculo vicioso, mas não é

Fonte: Newsletter Abr.-Jun. 2020, Ordem dos Economistas

Não investimos em I&D porque somos pobres ou somos pobres porque não investimos em I&D? Para o caso interessa pouco a relação causal, porque salvo uma nova aparição da Nossa Senhora de Fátima, desta vez aos pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam, para aumentar o PIB per capita é preciso aumentar a produtividade e para aumentar a produtividade são precisas várias coisas e entre elas um maior investimento em I&D.

Enquanto pensávamos no assunto, nós, os melhores dos melhores, segundo o presidente dos beijinhos, fomos sendo ultrapassados pelos sobreviventes do colapso do socialismo soviético: República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Lituânia, Estónia, Hungria. Polónia e Hungria e os outros estão a caminho.

02/07/2020

Lost in translation (313) - A salvação de empresas segundo o pedronunismo

O ministro das Superestruturas Dr. Pedro Nuno Santos garantiu há dias no parlamento a respeito da TAP «não vamos ceder nas nossas condições e estamos preparados para intervencionar e salvar empresa».

Fiquei confundido. Então este ministro não é o que tutela a CP e outros elefantes brancos dos transportes públicos? Por via das dúvidas, submeti a declaração do ministro ao nosso web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data que a traduziu assim:
«Se não fosse o Lacerda que é amigo do primeiro e está contra porque perderia o tacho, eu nacionalizava já a TAP e inclui-a na lista das empresas subsidiadas.» 

Aprendam. É assim que as coisas se fazem desde que os comunistas soviéticos inventaram o agitprop


A estória é conhecida. Tudo começou quando um@ daquel@s imbecis da identidade dos 71 géneros escreveu qualquer coisa sobre «pessoas que menstruam». De seguida J. K. Rowling, a criadora de Harry Potter, arvorou-se em impertinente e, esquecendo que tinha um negócio a defender, brincou com a imbecilidade escrevendo que essas pessoas que menstruam costumavam chamar-se mulheres. Açulou, assim, inadvertidamente a tropa do politicamente correcto (PC) que enxameia as redes sociais e, cada vez mais, os jornais.

O incêndio propagou-se rapidamente e até a sua editora hesitou em publicar o último dos seus livros. Contudo, a tropa do PC e em particular a brigada LGBTIQQAAP não estava ainda satisfeita e queria atingir Rowling onde lhe dói mais: as vendas dos seus livros.
 
Era pois necessário criar uma reacção "viral" que infectasse as livrarias. Como? Um outro imbecil de nome Jarek Steele, «writer, bookseller, tree whisperer in variable order according to my whim», condenou a "transfobia" e declarou solenemente que a sua incógnita e merdosa livraria deixaria de vender os livros da Rowling. Segue-se o inevitável incêndio da redes sociais soprado pela tropa do PC e o jornalismo de causas em geral, na esperança que mais livrarias adiram ao justo repúdio da obra da pérfida Rowling e, acima de tudo, que isso sirva de lição os escritores adeptos do cis-heteropatriarcado.

Identitários de todo o mundo, ide catar os piolhos púbicos que infestam as vossas promíscuas genitálias! Vou já encomendar Harry Potters para oferecer aos netos dos amigos (os meus netos já estão devidamente fornecidos).

01/07/2020

O óbvio que deveria ser ululante em relação ao peditório da bazuca

Não fosse o Portugal dos Pequeninos dominado por elites medíocres com uma cultura extractiva que instila a mendicância na populaça e torna a dissidência um acto perigosamente revolucionário, o texto seguinte de Ramón O'Callaghan, dean da Porto Business School, seria de um óbvio tão ululante que não valeria a pena citá-lo. Como não é o caso, aqui vai.

«A chanceler alemã e o Presidente francês querem dar 500 mil milhões de euros aos países da UE mais afetados economicamente pelo “lockdown” da covid-19, especialmente os do Sul da Europa. Pretende-se que este fundo constitua uma doação incondicional. Com ele, a Alemanha está “a atravessar o Rubicão”. Pela primeira vez, está disposta a transferir dinheiro para o Sul da Europa. Embora a maioria dos Estados-membros da UE pareça apoiar a proposta, os chamados “Quatro Frugais” (Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia) estão contra.

Um artigo recente na revista holandesa Elsevier argumenta que esta proposta é perversa, pois os países do Sul da Europa (particularmente França e Itália) não são, de modo algum, pobres e têm acesso a dinheiro. De acordo com o Credit Suisse Global Wealth Report (a referência no que toca à avaliação de riqueza doméstica global), os alemães são menos ricos do que os franceses e os italianos. A riqueza média dos franceses é de 276.121 euros, e a dos italianos é de 234.139 euros. Mas para os alemães é de 216.654 euros. Assim, os alemães são, em média, mais pobres do que os franceses e os italianos. Os holandeses são um pouco mais ricos (279.077 euros).

De acordo com a mesma revista, o que os holandeses acham mais estranho é a acusação do Presidente francês, Emmanuel Macron, e do primeiro-ministro italiano, Guiseppe Conte, de que a Europa do Norte não é solidária. Isto é um disparate. A Alemanha sempre foi um contribuinte líquido para a União Europeia e para os seus antecessores. E a Holanda é, per capita, o maior contribuinte líquido para o orçamento da UE.

Dúvidas (312) - E se o pedronunismo defendesse a nacionalização da CP para resolver os problemas que o accionista não resolve?

«Governo vai demorar três meses a estudar reforço da Linha de Sintra (que pode nem acontecer)».

Repare-se: três meses a estudar e pode nem acontecer. Seria caso para o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, terror dos banqueiros alemães e putativo candidato a sucessor do Dr.  Costa, reproduzir a propósito da CP o mesmo discurso que fez no parlamento há dois meses ameaçando os accionistas da TAP com um «a música agora é outra» e acusando-os de má gestão

Seria, não fosse o caso dele por coincidência ser o representante do accionista único da CP. Sendo assim, na falta de acordo com o accionista da CP porque não nacionalizá-la? O quê? Já está nacionalizada? Então talvez privatizá-la.

30/06/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Take Another Plane ou Take Another Plan? (VIII)

«As discussões em Portugal começam sempre em pontos de partida sagrados e definidos pelo PS e pela restante corte socialista de Lisboa. O alegado debate continua a partir desta sacralização inicial e é ampliada por dezenas de comentadores que dizem exatamente a mesma coisa mil vezes; é como se fossem pagos para não pensar pela sua própria cabeça, é como se fossem pagos para não agitar águas, para manter uma dormência discursiva na sociedade portuguesa, uma mesmice que enfarta e adormece.

A verdadeira questão não é se o Estado deve entrar na TAP, porque a TAP não pode ser sagrada. Porque é que temos de manter dentro do erário público uma companhia aérea eternamente deficitária numa era em que há dezenas e dezenas e dezenas de outras companhias? A TAP, a meu ver, ou é privada ou não é. Ou se orienta sozinha ou pode falir como qualquer outra empresa, porque já não estou disponível para suportar a TAP enquanto contribuinte. Já chega, de facto, de Novos Bancos.»

Excerto de Você quer pagar a TAP ou o SNS?, Henrique Raposo no Expresso

NOTA: Este post é uma sequência deste e faz parte das dezenas que sobre a TAP publicámos em 17 anos (ver etiqueta TAP).

Dúvidas (311) - É o governo que aldraba os números da pandemia ou o vírus é "relativamente bonzinho"?

O outro contribuinte do (Im)pertinências tem tratado o assunto da pandemia com seriedade e rigor na série de posts De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. Não vou por isso acrescentar nada, a não ser a dúvida cartesiana enunciada no título do post que resulta da comparação da histeria generalizada com os factos conhecidos e a conclusão chocante para a verdade oficial da cientista Maria Manuel Mota. Como a dúvida me foi suscitada pelo título do texto do médico Tiago Tribolet de Abreu: Covid-19: afinal quão grave é esta doença? vou citar alguns curtos excertos.

Desde logo não se sabe se o número de “casos confirmados” é o número de pessoas com a doença Covid-19 porque «a presente definição de “caso confirmado” possui, em si mesma, uma enorme e grave incongruência, pois permite classificar como “caso confirmado” (pressupõe-se que de Covid-19) alguém sem qualquer manifestação de doença, em plena saúde, apenas com um teste positivo».

Dando de barato a questão da causa mortis que segundo o critério da DGS inclui "por Covid" e "com Covid", «para comparação, em 2019 morreram 111.793 indivíduos em Portugal. Ou seja, estes 1.549 mortos com teste positivo corresponderiam a 1,4% da mortalidade total em Portugal em 2019.

Também para comparação, cumpre referir que, de acordo com a DGS, terão morrido mais de 3.300 pessoas de gripe na época de 2018-2019» e, acrescento, ninguém se inquietou com o dobro das mortes.

Por isso, é razoável supor que ou bem os mídia sabem coisas que nós os humanos não sabemos, por exemplo que o governo aldraba os números da pandemia para não inquietar a populaça, ou bem a Dr. Mota tem razão e o vírus é «relativamente bonzinho».

29/06/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (39) - Em tempo de vírus (XVI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Correndo bem, é nossa realização. Correndo mal é problema deles

«O líder socialista, “visivelmente aborrecido”, pôs-se de pé e quis “deixar claro” que, se algo falhar, a culpa não será sua» e , dito isto, deu de frosques deixando S. Ex.ª a falar sozinho. Foi assim, segundo a Visão, que o Dr. Costa lavou antecipadamente as mãos se a coisa correr mal.

Ele deixou claro que não aceitou o lugar de primeiro-ministro para a choldra mal agradecida lhe pedir responsabilidades das mortes de Pedrógão Grande, das vergonhas de Tancos, das consequências dos ajuntamentos do 1.º de Maio ou dos espectáculos no Campo Pequeno ou das finais da UEFA ou da Festa do Avante. Por exemplo, a choldra que acagaçada se refugiou em casa deve agradecer-lhe a mitigação dos efeitos da pandemia e não responsabilizá-lo pelos efeitos devastadores na economia das medidas que tomou de parceria com o Dr. Rebelo de Sousa. Quereis outros exemplos? Culpai a pandemia da queda das exportações e do turismo e agradecei ao Dr. Costa o que ele exportou e os turistas que mandou vir.

A família Costa está já a trabalhar para o futuro

O presidente socialista da junta de freguesia de Campo de Ourique renuncia ao cargo e passa a pasta ao vogal Pedro Miguel Tadeu Costa que tem sido sido responsável pelo relacionamento com a câmara municipal de Lisboa de que é presidente o putativo sucessor na liderança do PS do seu pai, o Dr. Costa.

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

A semana passada o Dr. Costa informou o parlamento que o Dr. Leão, ex-secretário de Estado do Dr. Centeno e seu sucessor na pasta das Finanºas, tinha proposto ao seu governo a nomeação do Dr. Centeno para governador do Banco de Portugal, onde será fiscalizado por um conselho de auditoria por ele nomeado e onde terá nas mãos os casos do Banif e do Novo Banco, as mesmas mãos onde já estavam como ministro das Finanças.

Por uma daquelas felizes coincidências que os deuses reservam aos seus favoritos, o BCE a quem compete dar um parecer sobre o projecto de lei que altera as regras de nomeação e que se aprovado impediria o Dr. Centeno de ser agora nomeado, pediu mais quatro semanas. Em consequência, o parlamento não aprovará a lei antes na nomeação e permitindo ao Dr. Centeno ser governador do Banco de Portugal e ter finalmente um merecido descanso como gerente de uma sucursal do BCE com um salário superior em 100 mil euros ao salário do presidente da Reserva Federal americana.

Ser de esquerda é... (3)

... fingir que se combate o racismo incentivando a vitimização das minorias étnicas e inventando "discriminações positivas" e depois queixar-se da discriminação pelas maiorias, em vez de remover os obstáculos à igualdade de oportunidades e criar incentivos para que essas minorias se auto-promovam.


A propósito, nova entrada para o Glossário das Impertinências:

Rácismo
A causa fracturante inventada pelo áctivismo para vitimizar minorias étnicas e servir de pretexto para a destruição de estátuas e outros supostos símbolos do rácismo. (*)

(*) Sim, eu sei, o definiendum está ser usado no definiens. Mas que fazer? Estamos no domínio surreal do áctivismo.

28/06/2020

Do lives only matter if they are black?


«The Cuban government continues to repress and punish dissent and public criticism. The number of short-term arbitrary arrests of human rights defenders, independent journalists, and others was lower in 2019 than in 2018, but remained high, with more than 1,800 arbitrary detentions reported through August. The government continues to use other repressive tactics against critics, including beatings, public shaming, travel restrictions, and termination of employment.»

Human Rights Watch, World Report 2020 Cuba

A pandemia é politicamente incorrecta. Mata conforme a classe social e o sexo

Spectator