Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

03/09/2019

ACREDITE SE QUISER: O programa do BE é o que o berloquismo precisar para sobreviver

O programa eleitoral do BE «é essencialmente social-democrata, no sentido em que corrige os excessos com controlo da economia e mecanismos de igualdade», disse Catarina Martins em entrevista ao Observador.

O BE pela sua génese começou por ser um caldeirão ou um albergue espanhol de esquerdismos que dentro da panela dos marxismos incluía o trotskismo, o estalinismo, o maoísmo e a correcção política, esta última uma deriva do marxismo cultural que acabou por ser o substracto doutrinário e ideológico das chamadas causas fracturantes, como a identidade do género e as outras tretas.

Apesar de caldeirão, tinha uma certa autenticidade que foi perdendo à medida em que para crescer para além dos limites naturais das mentes perturbadas e dos revoltados sem causa, na sua maioria oriundos de uma classe média com uma vidinha protegida e garantida, teve de abdicar de várias bandeiras revolucionárias que ficaram reduzidas ao crescimento do Estado e à asfixia da sociedade civil, bandeiras partilhadas com o PS e o PCP, e às ditas causas fracturantes, que na verdade já incomodam pouca gente e são uma espécie de masturbação intelectual pour épater le bourgeois e cola-tudo para as diferentes facções. Já agora, a esta evolução não foi alheia a vontade do tele-evangelista Louçã, eminência parda do berloquismo, ganhar um papel proeminente que o excesso de radicalismo dificultava - e aí está ele pousado no Conselho de Estado e no Conselho Consultivo do Banco de Portugal e inchado pela veneração da legião de idiotas do regime.

Ao declarar-se pela boca da sua líder essencialmente social-democrata - interessa pouco que tal declaração tenha sido ou não sincera -, sem que isso tenha aparentemente dado origem a mais uma cisão, o berloquismo deu agora, com quatro anos de atraso, o mesmo passo que tinha condenado a Tsipras e ao Syriza [ver Quem é realmente Alexis Tsipras? (1), (2) e (3)].

Com isso perdeu o que lhe restava de autenticidade... e de graça.

02/09/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (203)

Outras avarias da geringonça e do país.

E quando se pensava que já tinha sido atingido o supremo descaramento, Costa volta a superar-se

Fui repescar o título deste e deste posts do outro contribuinte para classificar a entrevista também dissecada aqui de Costa ao semanário de reverência, cada vez mais a merecer o epíteto de Acção Socialista. A circunstância de, para além de algumas poucas almas, como Joaquim Aguiar e António Barreto, uns linces de Malcata liberais perdidos na blogosfera e os colunistas do Observador, pouca gente parece incomodar-se com os factos alternativos de Costa e a progressiva instrumentalização do aparelho do Estado pelo PS, é um indício preocupante do futuro que nos espera se o PS de Costa, tal como o PS de Sócrates, só for derrotado pela realidade.

Já virámos a página da austeridade

O calendário eleitoral influencia tudo e no tudo incluem-se as cativações, uma das ferramentas a que o Ronaldo das Finanças tem recorrido abundantemente para cumprir a «obsessão do défice» (era o nome de Costa para o o rigor orçamental do governo anterior). Sem surpresa, as cativações baixaram este ano para 582 milhões no primeiro semestre e ainda mais previsivelmente não se sabe ainda quais os montantes do segundo semestre que Centeno só revelará depois das eleições.

Se há áreas onde o Estado não pode falhar é a da segurança pública, incluindo o policiamento das cidades. Enquanto prossegue a agenda berloquista da «identidade dos géneros» e legisla sobre os urinóis das escolas, falha na segurança policial, pelo menos no Distrito do Porto onde várias esquadras fecham durante a noite. Dizem os polícias que é falta de efectivos, causa estranha quando temos uma das polícias mais numerosas da OCDE (ver a série de posts «Casos de polícia»). Inclino-me para a causa do costume - a incompetência da gestão socialista do Estado Sucial.

Com este pessoal político, Portugal, que tem algum passado e pouco presente, dificilmente terá um futuro diferente (ACTUALIZAÇÃO)

Em complemento do post anterior, confirmando que a porta-voz de Marcelo no semanário de reverência, tinha dotes de vidente quando há dois meses anunciou «Moedas na calha para a Gulbenkian», Ângela Silva escreveu numa coluna que ocupa toda a altura da pág 10 do Caderno Principal do dito que «Moedas tem convite para a UNESCO e quer garantir que a Comissão Europeia não vê impedimentos na sua ida para a Gulbenkian».

O que é extraordinário a vários títulos: pelo lado de Moedas, o patriotismo que o faz trocar a UNESCO pela Gulbenkian, pelo lado da porta-voz, a sua presciência que a faz saber coisas antes da Comissão da qual Moedas ainda faz parte e a disponibilidade para promover Moedas, o que indicia estar este pronto a desempenhar também o papel de peão de brega de Marcelo.

Como se vê, o talento desta gente, destas elites merdosas, que não é muito, esgota-se nestas pequenas manobras.

01/09/2019

Dúvidas (278) - Não será um poucochinho exagerado? (2)

Continuação desta dúvida.

A dúvida anterior foi sobre se «temos os melhores engenheiros nas escolas portuguesas, que estão entre os melhores do mundo, o que faz com que Portugal não fique atrás de nenhum outro país a nível mundial em matéria de tecnologia e inovação», como afirmou uma luminária.

Dessa dúvida, se os engenheiros portugueses estão entre os melhores do mundo, resultaram outras:
  1. como explicar que só foram registadas por portugueses o ano passado 220 patentes que representam 0,13% do número de patentes registadas na UE?
  2. porquê o número de patentes por milhão de residentes em Portugal (22) é uma fracção ínfima (0,06) do mesmo indicador na União Europeia (341)?
A notícia de há dias que «Portugal ganhou mais de 30 mil cientistas e engenheiros num ano... (e) ... conseguiu duplicar a média de crescimento dos 28 Estados membro, com uma taxa de 9,2%» levou às mesmas dúvidas e a acrescentar outras.

30 (trinta) mil cientistas e engenheiros? O que são cientistas? Quantos são os cientistas? O que fazem esses cientistas que Portugal ganhou? Serão os «quadros técnicos superiores do Estado» cientistas? Como explicar que os nossos 362,2 mil cientistas e engenheiros, ou 2,1% do total da UE, só produziram o ano passado 0,13% do número de patentes registadas na UE?

Estas dúvidas levam-me a uma outra dúvida filosófica: porquê as nossas elites não perdem uma oportunidade de dar graxa e lustro despropositado aos portugueses? Sem prejuízo de tratar mais tarde este tema, adianto estar desconfiado que o fazem como sucedâneo de lamberem o seu próprio ego.

O silêncio dos culpados (Vol II)

Continuação do Vol I

José Sócrates quebrou o pesado silêncio e voltou a protestar inocência e a desvendar cabalas contra a sua ilustre pessoa usando as mesmas páginas do mesmo semanário de reverência que acolheu a acção de propaganda entrevista do seu rival sucessor e agora acolhe a indignação do Eng. Sócrates sob a forma de um artigo de opinião com um título ("Sem querer ir mais longe") que é um aviso e uma ameaça.

Com isso destruiu uma a uma as teorias da conspiração que esforçadamente alinhavei. Vejamos:
  1. Estamos no verão e os jornalistas amigos estão a banhos - há pelo menos um jornalista amigo que não está a banhos;
  2. O arguido converteu-se ao evangelismo e assumiu a culpa - não sabemos da conversão mas assumiu-se mais inocente do que o cordeiro pascal;
  3. Durante as férias judiciais o processo está parado - o processo está parado mas José nunca pára;
  4. O trabalho de desmantelamento das provas pelo juiz a quem saiu à terceira tentativa o processo no sorteio prossegue a bom ritmo e o José está optimista quanto ao desfecho  - não estando esta teoria negada pelos factos, até agora não está confirmada;
  5. Estamos em plena campanha eleitoral e o Dr. Costa exigiu ao Eng. Sócrates que ficasse calado e este trocou o silêncio pela assistência da máquina do PS na desinfecção do seu currículo - depositei uma certa esperança nesta teoria, pelos vistos sem fundamento. 
Especulando sobre esta última teoria, ou bem o Dr. Costa não exigiu o silêncio (embora tivesse uma óbvia vontade) ou exigiu e o Eng. Sócrates, com a pouca consideração que mostrou ter pelo Dr. Costa («o merdas do Costa que não tem tomates»), reagiu violentamente à acção de propaganda entrevista e fulminou -o com um «nunca me ocorreu vir a encontrar-me na desconfortável situação de ter que recordar a alguém que o governo que agora maldiz foi, afinal, um governo no qual participou».

Com a sua exaltada indignação o Eng. Sócrates, depois de já ter feito um retrato realista do Dr. Costa, mostra agora pouca clarividência ao surpreender-se pela criatura maldizer um governo no qual participou. Qual é a surpresa? Afinal foi essa mesma criatura que viraria a página da austeridade, com a sua inclinação pelas políticas do Syriza, a sua crítica à obsessão pelo défice, o seu amor ao SNS, o seu desvelo pelo investimento público e agora defende o que defende e faz o que se sabe.

31/08/2019

Com este pessoal político, Portugal, que tem algum passado e pouco presente, dificilmente terá um futuro diferente

Já poucos acreditam nos políticos com graus académicos ornamentais que fazem o circuito das feiras a comer sandes de carne assada e pastéis de bacalhau ou a tournée de prova dos tintos. Ou que fingem interessar-se pela Lavoura (com maiúscula) ou que fazem campanha nos mercados municipais a dar beijinhos às peixeiras.

Contudo, parece haver ainda um resíduo de fé numa nova geração de políticos ilustrados com graus académicos prestigiados, por vezes em universidades estrangeiras, que aparentam ter vida para além do orçamento. Essa nova geração com outra cultura, outras ideias e outras práticas, assim reza a profecia, irá substituir gradualmente os velhos políticos.

É uma profecia comovente, mas, como é costume nas profecias, se calhar tem uma baixa probabilidade de se concretizar. Vem esta profecia a propósito de um desses novos políticos que aqui no (Im)pertinências já fez gastar muita tinta desde os tempos longínquos em que a criatura emergiu da sombra na encarnação de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro Passos Coelho.

Trata-se, pois, de Carlos Moedas que nos últimos dias confirmou que, aparte os graus académicos, o inglês fluente e o à vontade no "estrangeiro" e alguns tiques, reúne muitos dos atributos que fazem dos políticos portugueses o que eles costumam ser.

Por exemplo, costumam ter uma ideia da Europa como a Óropa dos subsídios e o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito, como o  homem que se orgulha que «vai duplicar os fundos comunitários para ciência» e exorta «Portugueses devem ir buscar mil milhões aos apoios à inovação».

Por exemplo, costumam ser desprovidos de coluna dorsal, como o homem que é um bajulador emérito que, jogando no tabuleiro do PS, mete a língua no ouvido de Costa dizendo-lhe «foram cinco anos com uma relação institucional com o primeiro-ministro que correu sempre tão bem».

Como já tinha jogado no tabuleiro de Marcelo que encomendou à sua porta-voz, que faz as vezes de jornalista do Expresso, uma enjoativa peça com um título que, quando se discutia a sucessão de Passos Coelho, era todo um programa  - «Marcelo sonha com ele para o PSD».

Por exemplo, quando prepara cuidadosamente com jogos de bastidores o seu limbo de dois anos após a fim do mandato na CE, pondo, como diz o povo, o palito no bolo das Fundações Gulbenkian e Champallimaud através da citada porta-voz de Marcelo no semanário de reverência.

30/08/2019

Dúvidas (277) - A propósito do pulmão amazónico, uma dúvida meio escatológica


Down and dirty
«Então está tudo tão preocupado com a qualidade do ar e com a Amazónia, está tudo tão inquieto com o alegado pulmão do mundo e não sobra nem um bocadinho de histeria para o hipotético esfíncter do planeta, responsável por 30% do dióxido de carbono libertado para a atmosfera, de seu nome China?»

Dúvida, que partilho, de Tiago Dores em «O pulmão está na Amazónia, do cérebro nem sinal»

O silêncio dos culpados

Desde há algumas semanas, o processo Marquês praticamente desapareceu dos mídia e as frequentes intervenções de José Sócrates protestando inocência e desvendando cabalas deixaram de ser notícia.

O que significa o silêncio de Sócrates? Algumas explicações no domínio das teorias da conspiração:
  1. Estamos no verão e os jornalistas amigos estão a banhos
  2. O arguido converteu-se ao evangelismo e assumiu a culpa
  3. Durante as férias judiciais o processo está parado
  4. O trabalho de desmantelamento das provas pelo juiz a quem saiu à terceira tentativa o processo no sorteio prossegue a bom ritmo e o José está optimista quanto ao desfecho
  5. Estamos em plena campanha eleitoral e o Dr. Costa exigiu ao Eng. Sócrates que ficasse calado e este trocou o silêncio pela assistência da máquina do PS na desinfecção do seu currículo.

29/08/2019

Catarina Martins garante que é capaz de aprender com empresários. Só se forem empresários do alterne

«Não é verdade que não sejamos capazes de ter conversas e de aprender com empresários. Lembro-me de fazer visitas a empresas e de estar a conversar com empresários com práticas laborais e estratégia económica importante. Tenho sempre muito gosto em fazê-lo, continuarei a fazê-lo.»

Catarina Martins, chef@ berloquista, em entrevista ao Jornal Eco

Esclarecimento:
O título desde post não tem propósitos ofensivos. É meramente a constatação que o BE tem vocação para o alterne: ora está no governo, ora está na oposição.

ACREDITE SE QUISER: Cursos de guerrilha para jovens ambientalistas


«Há dias, fiquei pasmado ao descobrir que hoje pululam as academias ou boot camps onde os jovens aprendem técnicas de guerrilha para resistir às autoridades e tornar os seus protestos mais eficientes.

O problema é que isto revela: 1. que os protestos não são espontâneos, mas cuidadosamente orquestrados; 2. que são apoiados com dinheiros vindos não se sabe de onde nem com que interesses; 3. que para alguns dos jovens os protestos não são ações pontuais contra certas injustiças, mas tornaram-se um modo de vida; 4. que os manifestantes baseiam a sua visão do mundo na luta de classes – dos indefesos contra os poderosos, dos idealistas contra o capitalismo, dos bons contra os maus. Só que os indefesos pelos vistos também estão armados, os idealistas afinal também são pragmáticos e os bons... enfim, podem estar cheios de boas intenções, mas não sabemos se serão assim tão bonzinhos.»

«Cursos de guerrilha para jovens ambientalistas», José Cabrita Saraiva no jornal i

Pensamentos do dia a propósito:
A luta de classes foi substituída pela luta de «géneros».
Os operários foram substituídos pelos homossexuais e outros praticantes do sexo vudu.
A defesa da liberdade de expressão foi substituída pela imposição dos códigos e das praxes do politicamente correcto.
É uma espécie de nacional-socialismo por outros meios.
«Deus morreu, Marx morreu e eu mesmo não estou me sentindo muito bem.» (Millôr Fernandes)

28/08/2019

Lost in translation (327) - Escolher entre manifestamente incompetente e manifestamente mulher

Disse Carlos Zorrinho, eurodeputado socialista,  que «a presidente da CE optou por Elisa Ferreira, fica garantido, em primeiro ligar a grande qualidade da representação de Portugal nesse órgão».

Intrigados, recorremos, como é costume aqui na casa para traduzir o politiquês enigmático, ao nosso web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data para traduzir a proposição de Zorrinho, primeiro em europês e depois em português corrente. O resultado foi
«A presidente da CE rejeitou Pedro Marques por ser manifestamente incompetente e aceitou Elisa Ferreira por ser manifestamente mulher.»
De seguida o nosso web bot entrou em loop, começou a explorar os servidores de Big Data e continuou a debitar statements, como:
Elisa ficou célebre por durante a campanha as eleições de 2009 para a câmara do Porto ter corrigido «vou só dar o nome e volto» quando um adepto disse que ela iria para ao Parlamento Europeu. Aos velhinhos do lar que visitou a seguir, Elisa Ferreira explicou que «pintaram [a vereação de Rui Rio] os bairros, mas esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS».
«o dinheiro é do Estado, é do PS», o Estado é o PS, o dinheiro é do PS, o dinheiro é do PS, ...
(o bot encheu duas páginas com este statement)
Pour Elise, membro da grande família socialista e esposa do vice-presidente de La Seda e da Fundação Berardo, instituições que muito contribuíram para o sucesso da Caixa Geral de Depósitos, é o apogeu da sua carreira.
... 
Ainda não foi desta vez que se cumpriu o postulado de Françoise Giroud: «a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres será alcançada quando uma mulher incompetente tirar o lugar a um homem competente».
... 
Chegado aqui, achámos que era demasiado e desligámos o bot.

Dúvidas (276) - Quanto é vão começar as manifs de protesto contra os camaradas presidentes Lourenço e Tshisekedi?


27/08/2019

ARTIGO DEFUNTO: Como o jornalismo de reverência deixa uma entrevista a Costa transformar-se num instrumento de propaganda

A entrevista da Revista do Expresso a António Costa publicada no fim de semana é um bom exemplo de como uma entrevista frouxa, sem confrontar o entrevistado com os factos, lhe proporciona uma boa oportunidade para fazer agitprop com uma aura de estadista certificado por um jornalismo reverencial.

Passemos em revista algumas declarações de Costa que não resistem aos factos com que os jornalistas do Expresso (por coincidência vindos ambos do Observador) o deveriam ter confrontado.

«... estamos a poucas semanas da conclusão desta legislatura e podemos dizer que cumprimos os compromissos que assumimos»
Revejam-se as nossas mais de 200 Crónicas da avaria que a geringonça está a infligir ao País carregadas de factos ou, para simplificar, leiam-se as Prioridades à la carte de Alexandre Homem Cristo.

«... começou a convergir com a Europa em 2017, 2018... e em 2019 ainda mais vai convergir...»
Deveriam ter-lhe lembrado que isso se deve à Itália, e este ano à Alemanha, porque quase todos os outros países estão a crescer mais depressa e nomeadamente os comparáveis com Portugal que tinham um PIB per capita inferior e nos tão a ultrapassar um a um.

«... temos estado a evoluir em contraciclo com a economia mundial»
Como? Estamos a crescer há décadas menos do que a economia mundial. Perante a evidente baboseira, Costa corrige e acrescenta

«Estamos a crescer acima da média europeia, não estamos a ir à boleia de quem cresce menos.»
Quase todos os outros países europeus estão a crescer mais depressa.

«... sem a devolução de rendimentos não tínhamos reposto a confiança na sociedade portuguesa, que foi a base para o aumento do investimento.»
Aumento do investimento? Qual aumento? Qual investimento? O investimento público só este ano ultrapassaria (se ultrapassar, o que se duvida) o investimento do governo anterior e a Formação Bruta de Capital fixo em 2018 (34.363,8 milhões) estava ao nível de 2003 (34.705,4 milhões). (Pordata)

«É fazer o investimento público sem necessidade de aumentar o défice.»
«... melhorámos o investimento do ponto de vista de instalações e equipamentos, nas escola, serviços de Saúde, Forças Armadas e de segurança...»
É muito descaramento quando se sabe que é o aumento da carga fiscal e o corte das despesas de capital que tem permitido diminuir o défice à custa da degradação dos serviços públicos, da paralisação do SNS, da inoperacionalidade das Forças Armadas, etc.,  enquanto se dá prioridade a reduzir o horário, aumentar os salários e os efectivos da freguesia eleitoral do governo.

«... estamos a aumentar a população activa...»
Grande realização: a população activa em 2018 (5.232,6 mil) era inferior à de 2013 (5.284,6 mil) (Pordata)

«... quando em Junho derreteram 200 mil toneladas na Gronelândia...»
Esta é uma bacorada ao melhor nível de um Trump e dá uma ideia do calibre da ignorância de Costa. Foram só 3 mil milhões de toneladas por dia ou cerca de 200 mil em cada 6 segundos.

«... melhorar a progressividade e baixar os impostos...»
Para quem bateu em 2018 o recorde de todos os tempos da carga fiscal, esta está ao nível das 200 mil toneladas.

«... (se tivesse tido a maioria)  ... a reforma da floresta teria avançado mais rapidamente»
A não ser as «golas» inflamáveis, não seria difícil porque a reforma da floresta não avançou nada, tal como todas as outras reformas.

26/08/2019

Ainda a desfaçatez a propósito da Amazónia, desta vez de Macron

Adicionalmente às manipulações do esquerdismo a pretexto dos incêndios da Amazónia, tivemos no fim de semana as manipulações de Macron com propósitos obscuros ameaçando defender o fim do acordo comercial UE-Mercosul e, com uma desfaçatez terminal, indo à caixa das esmolas buscar vinte milhões de dólares para a ajuda no combate aos incêndios. Vinte milhões de dólares foi quanto um cento de celebridades idiotas torraram para montar há 3 semanas um show off ambiental de 3 dias em Palermo.

Aos olhos dos brasileiros esta fantochada não pode deixar de ser vista como hipócrita, vinda de dirigentes de países que nos últimos três séculos contribuíram para a degradação ambiental dos seus e dos países terceiros colonizados e ainda hoje contribuem com um múltiplo das emissões dos países de quem esperam agora a salvação do planeta.

No caso particular de Macron, apelidado de Macrocon por Olavo de Carvalho, é notável a hipocrisia ao atacar sem motivo legítimo o acordo com o Mercosul, dando razão ao ministro brasileiro da Agricultura que lhe chamou «calhorda oportunista» e o acusou de fazer o frete ao «lobby dos agricultores europeus diante da iminente invasão de produtos brasileiros».

E não, a questão não fica arrumada por Bolsonaro não estar à altura do desafio de governar um país da dimensão e complexidade do Brasil com os problemas que herdou (uma boa porção do pêtismo), nem talvez à altura de manter relações exteriores civilizadas - a piada sobre a idade de Brigitte Macron é de labrego. É claro que, em contraste, Macron sabe comportar-se e diz as coisas execráveis com muita elegância, mas há também boas razões para se duvidar se estará à altura de governar a França.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (202)

Outras avarias da geringonça e do país.

Cuidando da freguesia eleitoral

Quereis um exemplo da complementaridade do esquerdismo senil do PS e do esquerdismo infantil do BE nos cuidados intensivos da freguesia constituída pelos funcionários públicos? O PS, que toma conta do governo com procuração do berloquismo, nos 4 anos terminados em Junho colocou 35.732 novos fregueses na administração pública. O BE no seu «autêntico programa de governo», segundo o dirigente Pureza, pretende contratar 120 mil novos clientes durante os mesmos 4 anos. De onde, podemos concluir, o esquerdismo infantil é como o senil potenciado pelo multiplicador socialista (exemplos do multiplicador).

A família socialista tem imenso jeito para o negócio

Passando da macroeconomia para a microeconomia dos cuidados, relevo o caso do funcionário da IP com baixa médica a explorar o bar da estação do Pocinho e antecipo as consequências futuras para a grande família socialista do parecer do jurisconsulto Costa que habita o corpo do primeiro-ministro e postulou a interpretação da lei das incompatibilidades da forma magistral que deixou embasbacado o outro contribuinte.

Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei

Este é o mote mais popular entre os socialistas e teve mais uma aplicação prática com atribuição dos fundos para recuperação dos incêndios de 2017 (sim, esses mesmo de que fugiu para férias o Dr. Costa) à câmara de Mação cujo presidente não pertence à família socialista (ler aqui o relato).

25/08/2019

Não o levem à letra. Pode não ser o ilusionismo habitual. Pode ser uma passagem administrativa do primeiro ano

O Prestidigitador de Bosch
Em entrevista ao Expresso, António Costa explicou que pediu um parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República para saber se há incompatibilidade na situação de familiares de três ministros e um secretário de Estado terem contratos com entidades públicas e diz que vai «analisar o parecer e, se concordar homologo, se não concordar não homologo». De caminho dá a sua contribuição para a doutrina jurídica, postulando:
«É uma regra básica da interpretação e que está no artigo 9.º do Código Civil - qualquer aluno que tenha concluído o primeiro ano da faculdade do curso de direito estudou-o. E diz assim (vou citar de cor): a interpretação não se pode cingir à letra da lei.»
Vejamos o que diz o regime jurídico de incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos (Lei n.º 64/93, de 26 de Agosto), recordando que Costa em 1996, então secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, apresentou uma proposta de lei para alteração do regime de incompatibilidades com regras que agora questiona.

Dispõe o artigo 8.º da Lei n.º 64/93:

1 - As empresas cujo capital seja detido numa percentagem superior a 10 por cento. por um titular de órgão de soberania ou titular de cargo político, ou por alto cargo público, ficam impedidas de participar em concursos de fornecimento de bens ou serviços, no exercício de actividade de comércio ou indústria, em contratos com o Estado e demais pessoas colectivas públicas. 
2 - Ficam sujeitas ao mesmo regime: 
a) As empresas de cujo capital, em igual percentagem, seja titular o seu cônjuge, não separado de pessoas e bens, os seus ascendentes e descendentes em qualquer grau e os colaterais até ao 2.º grau, bem como aquele que com ele viva nas condições do artigo 2020.º do Código Civil; 
b) As empresas em cujo capital o titular do órgão ou cargo detenha, directa ou indirectamente, por si ou conjuntamente com os familiares referidos na alínea anterior, uma participação não inferior a 10 por cento.

Não é preciso ser um jurisconsulto para perceber que não é uma questão de interpretação, a letra da lei aplica-se ao caso daqueles membros do governo.

Vejamos agora o que diz o artigo 9.º do Código Civil de que Costa de que só refere o n.º 1, et pour cause:

1 - A interpretação não deve cingir-se à letra da lei, mas reconstituir a partir dos textos o pensamento legislativo, tendo sobretudo em conta a unidade do sistema jurídico, as circunstâncias em que a lei foi elaborada e as condições específicas do tempo em que é aplicada.
2 - Não pode, porém, ser considerado pelo intérprete o pensamento legislativo que não tenha na letra da lei um mínimo de correspondência verbal, ainda que imperfeitamente expresso.
3 - Na fixação do sentido e alcance da lei, o intérprete presumirá que o legislador consagrou as soluções mais acertadas e soube exprimir o seu pensamento em termos adequados.

Em conclusão, há duas explicações possíveis para a interpretação defendida por Costa:
  • Costa está de boa fé e fez uma passagem administrativa no primeiro ano do seu curso, o que na época (princípio dos anos 80) aconteceu várias vezes; ou
  • Costa está a praticar o seu ilusionismo habitual fazendo desaparecer a letra da lei e os nºs 2 e 3 do artigo 9.º do Código Civil.

A desfaçatez das manipulações do esquerdismo só é superada pela credulidade e seguidismo dos idiotas úteis

A pretexto dos incêndios na Amazónia foram organizadas maninfestações junto a embaixadas brasileiras em vários países. O povo, mostrando um louvável siso, primou pela ausência. Em Londres juntaram-se umas centenas de activistas (segundo o Guardian, um patrocinador habitual destes eventos), em Paris umas dezenas, com destaque para as meninas que protestam tirando os trapinhos e em Lisboa fez-se uma vigília nos Restauradores com meia dúzia de dondocas e um cão com um lacinho amarelo. De todos estes eventos, esta vigília em Lisboa terá sido a mais chocante pela razão óbvia que é a capital do país onde há dois anos arderam 563 mil hectares (5.600 km2 ou 6% do território continental) e foram mortas por incúria e incompetência do governo socialista mais de uma centena de pessoas, com o primeiro-ministro fugido em férias na semana seguinte ao primeiro grande incêndio, sem que sejam conhecidas manifestações de protesto.

Brazil’s embassy in Paris August 23, REUTERS/Charles Platiau
Um pouco por todo o mundo a esquerdalhada e os idiotas úteis que a servem omitiram, manipularam, e distorceram grosseiramente informação, e por vezes pura e simplesmente inventaram, para justificar a sua indignação face a um Bolsonaro, que não sendo uma boa escolha de qualquer ponto de vista, foi eleito como resposta do povo brasileiro à corrupção extrema de um pêtismo que convocou os apoios dessa mesma esquerdalhada e dos mesmos idiotas úteis.

Façamos então um exercício de colocar em perspectiva os incêndios na Amazónia com base em factos mensuráveis.

Os dois mapas seguintes (The Economist) mostram as concentrações no dia 23 de Agosto de aerossóis resultantes de incêndios de matérias vegetais.


O primeiro mapa mostra que estão a decorrer incêndios com maior impacto global do que os da Amazónia, nomeadamente na Sibéria (estão a arder 5,5 milhões hectares = 55 mil km2) e na África Central, sem que isso indigne a esquerdalhada. Um dos incêndios mais violentos em apenas 100 km2, que no dia 23 já estava extinto mas cujos efeitos nas concentrações de aerossóis ainda é visível, foi o da Gran Canaria em que foram deslocadas 9 mil pessoas e ninguém se lembrou de propor manifs ou vigílias pedindo a demissão de Pedro Sánchez.


O segundo mapa mostra como os incêndios na floresta amazónica no interior do território brasileiro são uma apenas uma parte dos incêndios no conjunto da floresta amazónica (delimitada pela «fronteira» azul). Alguém ouviu falar de manifs de protesto pelos incêndios nas florestas amazónicas dos outros países, nomeadamente da Bolívia e do Paraguai?

Segundo os dados de satélite da NASA, a intensidade dos fogos na bacia amazónica reportada a 16 de Agosto estava próxima da média dos últimos 15 anos (fonte).

Nos últimos 15 anos a taxa de desflorestação no Brasil reduziu-se de uma média de cerca de 20,3 mil km2 nos anos de 2004-2006 para 7,6 mil km2, cerca de um terço, nos anos 2016-2018 (fonte). Por memória recorde-se o PT ocupou o poder desde que Lula foi presidente entre 2003 e 2011, seguindo-se Dilma Roussef até 2016.

O incêndio florestal de Fort McMurray, Alberta no Canada, em 2016 queimou 5,9 mil kms de floresta sem que nenhuma das almas hoje indignadas com Bolsonaro apontasse o dedo a Justin Trudeau, por coincidência um darling da esquerdalhada.

24/08/2019

As minhas ditaduras são melhores do que as tuas, ou como a esquerdalhada convive mal com a história

A onda de indignação que percorre as redacções dos jornais e as redes sociais, a pretexto de um museu dedicado a Salazar, está a mostrar, uma vez mais, o apego à doutrina Somoza pela esquerdalhada que ocupa as primeiras e infecta as segundas. Por isso, para a esquerdalhada a limitação das liberdades pelo salazarismo é condenável, ao mesmo tempo que é louvável a limitação das liberdades e a violência extrema do radicalismo republicano.

A esse respeito, para não repetir o que já foi escrito, aqui um vai excerto da «Crónica sobre quando o meu fascismo é melhor que o teu...» de Pedro Ferros no jornal i:

«Esta é a horda dos fanáticos ultrapolitizados, militantes das causas fracturantes e não só, signatários e impulsionadores destas sucessivas cruzadas, que na imbecilidade do seu fanatismo não percebem que Salazar deve ter um museu, exactamente por causa deles, e da sua versão em cada época.

A um tempo, para que não esqueçamos essa página da história, mas sobretudo para nos lembrarmos por que razão houve, em 28 de Maio de 1926, uma revolução pacífica que desceu de Braga até Lisboa e instalou, sem necessidade de nenhum PREC, um regime autoritário de sinal contrário, que estes ora tanto abominam, e que durou quase meio século, com grande aceitação popular durante muitos desses anos.

Estes idiotas de hoje em dia são, pois, os herdeiros morais dos muitos desmandos da i República e das suas lutas intestinas. Indignam-se com os mortos da Guerra Colonial e são indiferentes às vítimas da i Guerra Mundial, quando o Portugal das esquerdas revolucionárias carbonárias e jacobinas, que tanto glorificam e com o qual vivem pacificamente, enviou para as trincheiras de França 50 mil soldados impreparados e mal armados, de onde não voltaram quase oito mil soldados, um número quase idêntico ao das baixas de todos os teatros de guerra durante a Guerra Colonial, que durou década e meia.

Desconhecem, ou branqueiam, a barbaridade dos episódios desta putativa democracia dos golpes sucessivos, de um clima de quase guerra civil constante em que, num período de 16 anos, a República Portuguesa teve sete Parlamentos, oito Presidentes da República, 39 Governos, com 40 chefes diferentes, uma junta constitucional e uma junta revolucionária. E em que entre 1920 e 1926 houve 23 Governos.»

23/08/2019

Eu diria mesmo mais, é um partido de mass media

«Há um amigo meu que compara o PCP ao Bloco de uma forma muito engraçada. O PCP é um verdadeiro partido de massas, o Bloco é um partido de mass media. E isso torna os estilos de atuação diferentes.»

Foi assim que, em entrevista ao Expresso, António Costa se referiu aos berloquistas, antecipando o que provavelmente será o fim da geringonça tal como a conhecemos e também o movimento táctico em curso para conter o pedronunismo no PS.

Uma proposta modesta para evitar que os filhos dos portugueses sejam um fardo para os seus pais ou para o país

Esta proposta modesta é sobre o despacho d@s secretári@s de Estado para a Cidadania e a Igualdade e da Educação que, entre outras medidas de «protecção da identidade de género e de expressão», postula:
«As escolas devem garantir que a criança ou jovem, no exercício dos seus direitos, aceda às casas de banho e balneários, tendo sempre em consideração a sua vontade expressa e assegurando a sua intimidade e singularidade.»
Esta medida em particular, como chamei a atenção no meu post, constitui uma violação dos direitos de expressão dos outros 8 (oito), 69 (sessenta e nove) ou 110 (cento e dez) géneros, por ainda não existirem nas escolas (ainda estamos a caminho do socialismo) as 10 (dez), 71 (setenta e uma) ou 112 (cento e doze) casas de banho e balneários diferentes. 

Por isso, como medida para preservar o equilíbrio orçamental em transição para o estádio superior do socialismo com as suas 10 (dez), 71 (setenta e um) ou 112 (cento e doze) casas de banho e balneários diferentes em cada escola, proponho que nas duas casas de banho e balneários existentes se substituam os símbolos existentes, assim: