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| Paul McCartney & Linda, ele muito bom de pés, ela nem por isso |
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
31/03/2013
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Iliteracia económica, suficiência bacoca e total ausência de sentido crítico
É sabido que os portugueses, e em particular as nossas elites, gostam de se auto-engraxar. Todos os dias há múltiplos exemplos deste exercício só explicável como compensação de complexos de inferioridade. Abre-se um jornal, qualquer jornal, e lá vem ele. Para citar um só exemplo dos vários do último Expresso, no suplemento de Economia afinfam um título megalómano, «Portugueses constroem canal do Panamá», num artigo pelo qual se fica a saber que existem 38 portugueses de uma empresa de Esposende com uma subempreitada de 15 milhões de montagem de cofragens para a construção das eclusas de um novo trecho do canal, uma obra de milhares de milhão onde trabalham milhares de operários.
É por isso muito raro que um membro dessas elites merdosas reconheça a merdosidade das mesmas e fazendo-o se liberte um pouco dessa merdosidade. É o caso de João Ferreira do Amaral que no seu livro recentemente publicado «Porque devemos sair do euro», citado pelo Expresso umas páginas antes da ejaculação megalómana, escreve:
É por isso muito raro que um membro dessas elites merdosas reconheça a merdosidade das mesmas e fazendo-o se liberte um pouco dessa merdosidade. É o caso de João Ferreira do Amaral que no seu livro recentemente publicado «Porque devemos sair do euro», citado pelo Expresso umas páginas antes da ejaculação megalómana, escreve:
«O espesso manto de iliteracia económica que as afecta, a suficiência bacoca e a total ausência de sentido crítico que as caracteriza fazem de Portugal um dos países da Europa com piores elites.»
30/03/2013
O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Uma aplicação do axioma de Sócrates-Passos (1)
[Em rigoroso exclusivo, o (Im)pertinências vai publicar em fascículos durante as próximas semanas o paper «Teoria Geral da História de Portus Cale e Arredores à luz do Axioma de Sócrates-Passos» do detractor e amigo Pai Silva]
O Axioma de Sócrates-Passos constata curta e grosso que:
Antes parece-me necessário remover algumas eventuais dúvidas que possam surgir no espírito de pessoas pouco habituadas à metodologia específica das teorias axiomáticas.
Teoria Geral da História de Portus Cale e Arredores à luz do Axioma de Sócrates-Passos
O Axioma de Sócrates-Passos constata curta e grosso que:
Há os que nos metem num buraco e, depois, os que nos asseguram que não saímos dele
Antes parece-me necessário remover algumas eventuais dúvidas que possam surgir no espírito de pessoas pouco habituadas à metodologia específica das teorias axiomáticas.
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delírios pontuais,
Ridendo castigat mores
29/03/2013
A manif como instrumento de combate ao desemprego
Pelo menos desde há uns dois séculos quando foram inventadas, fazem-se manifs para lutar por tudo e qualquer coisa. Por ser a manif uma actividade eminentemente lúdica percebo não carecer de justificação – gostamos de manifs, fazemos manifs e pronto. O que me custava perceber é atribuir-lhe um propósito, nomeadamente a luta contra o desemprego. Como poderia uma manifs combater o desemprego?
Custava, mas agora fez-se-me luz ao ler esta notícia: «Portugal saiu à rua. No ano passado, o número de manifestações cresceu mais de 300% em relação a 2011 e deu trabalho a 17 mil polícias, quase todos da PSP». A coisa fica ainda mais clara, porque como dizia o grande Mao Ze Dong, uma imagem vale mais do que mil palavras, com este gráfico:
Eis, pois, confirmada a eficácia das manifs na luta contra o desemprego, pelo menos o dos polícias. Para terminar com outra citação do presidente Mao: que mil manifs floresçam.
Custava, mas agora fez-se-me luz ao ler esta notícia: «Portugal saiu à rua. No ano passado, o número de manifestações cresceu mais de 300% em relação a 2011 e deu trabalho a 17 mil polícias, quase todos da PSP». A coisa fica ainda mais clara, porque como dizia o grande Mao Ze Dong, uma imagem vale mais do que mil palavras, com este gráfico:
Eis, pois, confirmada a eficácia das manifs na luta contra o desemprego, pelo menos o dos polícias. Para terminar com outra citação do presidente Mao: que mil manifs floresçam.
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se non è vero
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (68) – a carta aberta e as cartas fechadas
Em tempos, a propósito desse apreciado desporto nacional de produção de cartas abertas, o Impertinente acrescentou ao Glossário das Impertinências o termo, assim definido:
É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.
É mais ou menos isto que se está a passar com o líder do PS que anda há vários dias a escrever uma carta à troika cujas diferentes versões já são conhecidas de toda a gente menos dos seus destinatários: o BCE, a CE e o FMI. A carta, à maneira do seu autor, parece dizer uma coisa e o seu contrário. Por um lado jura que «honrará os compromissos assumidos pelo Estado português» mas, por outro lado, diz que «o momento chegou para reorientar o memorando», ou seja para não os cumprir.
Passemos às cartas fechadas, que são como os melões – só se sabe se são boas depois de as abrir. Como os melões ou como os militantes dos partidos, cujo recrutamento parece estar muito difícil como, segundo o SOL de ontem, confessou com apreciável e distraída sinceridade o dirigente do PS Ricardo Gonçalves durante o jantar da «tertúlia dos amigos do Tó Zé»: «como é que em época de crise prolongada vou integrar gente, se não tenho nada para distribuir?»
É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.
É mais ou menos isto que se está a passar com o líder do PS que anda há vários dias a escrever uma carta à troika cujas diferentes versões já são conhecidas de toda a gente menos dos seus destinatários: o BCE, a CE e o FMI. A carta, à maneira do seu autor, parece dizer uma coisa e o seu contrário. Por um lado jura que «honrará os compromissos assumidos pelo Estado português» mas, por outro lado, diz que «o momento chegou para reorientar o memorando», ou seja para não os cumprir.
Passemos às cartas fechadas, que são como os melões – só se sabe se são boas depois de as abrir. Como os melões ou como os militantes dos partidos, cujo recrutamento parece estar muito difícil como, segundo o SOL de ontem, confessou com apreciável e distraída sinceridade o dirigente do PS Ricardo Gonçalves durante o jantar da «tertúlia dos amigos do Tó Zé»: «como é que em época de crise prolongada vou integrar gente, se não tenho nada para distribuir?»
28/03/2013
CASE STUDY: Quem acha insuportável o risco dos aviões caírem, é melhor não andar de avião
E, contudo, todos nós andamos sem pensar muito nisso. Sendo assim, por que ficamos tão espantados quando ocorre uma crise do sistema financeiro? Um sistema financeiro que, como mostrou Hyman Minsky no paper de 1992 «The Financial Instability Hypothesis», é impossível ser à prova de crise. E se é certo que nos atinge com a crise do subprime é igualmente certo que viabilizou as revoluções das tecnologias de informação e da web, como o tinha feito antes com o caminho-de-ferro, o petróleo, o automóvel e a aviação, para só nomear as mais notáveis.
DIÁRIO DE BORDO: Caught in the Act (58)
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| José Sócrates em entrevista que a RTP melhor teria baptizado de «O Princípio do Ruído» |
Não esquecendo nada e nada tendo aprendido mostra-se um verdadeiro bourbon. En passant, comete um lapso freudiano e admite que andou a «vender ilusões», e acusa o actual governo de lhe copiar o «now-how?».
27/03/2013
Presunção de inocência ou presunção de culpa? (13) – Os alegados maus costumes da banca do regime
[Outras presunções acerca dos banqueiros do regime: (9), (10), (11)]
Por várias vezes os Espíritos foram citados no (Im)pertinências por más razões. Esta é mais uma delas: «José Maria Ricciardi, líder do BESI, terá sido constituído arguido na investigação às privatizações da EDP e REN. Banco assessorou vencedores.»
Já não estamos a falar apenas da alegada promiscuidade entre a gente do BES e os governos, nem da alegada participação nas manobras de assalto ao BCP. Com o caso da alegada evasão fiscal de Ricardo Salgado, travestida de alegado esquecimento fiscal, sem falar da pouco patriótica alegada fuga de capitais, e com este caso de alegado uso de informação privilegiada e alegado tráfico de influências por quem assessoria a compra de empresas, estamos alegadamente a entrar no domínio criminal. Se esta gente fosse aquilo que alegadamente pretende mostrar que é, já teriam havido demissões e, se Portugal fosse um país sério, o BdeP já teria há muito posto em causa a alegada idoneidade profissional de vários membros da administração.
Já não estamos a falar apenas da alegada promiscuidade entre a gente do BES e os governos, nem da alegada participação nas manobras de assalto ao BCP. Com o caso da alegada evasão fiscal de Ricardo Salgado, travestida de alegado esquecimento fiscal, sem falar da pouco patriótica alegada fuga de capitais, e com este caso de alegado uso de informação privilegiada e alegado tráfico de influências por quem assessoria a compra de empresas, estamos alegadamente a entrar no domínio criminal. Se esta gente fosse aquilo que alegadamente pretende mostrar que é, já teriam havido demissões e, se Portugal fosse um país sério, o BdeP já teria há muito posto em causa a alegada idoneidade profissional de vários membros da administração.
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teorias da conspiração
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Cada povo tem o governo que pode (ou merece?)
«Já o PS assume-se naturalmente como o partido do poder em Portugal. É assim que se sente e é assim que se apresenta. Esta relação do PS com o poder é um extraordinário trunfo quando é governo e em boa verdade é também um factor de tranquilidade para o País pois mesmo que a CGTP peça a demissão de um qualquer ministro a ninguém de bom senso ocorrerá pôr em causa a legitimidade quer do ministro visado quer do Governo no seu todo. A isto acresce que em países como Portugal, França e Espanha o socialismo passou de ideologia a ‘password' que pode validar uma coisa e o seu contrário. Nesse sentido, o PS é o partido ideal para reformar o Estado pois aquilo que num ministro do PSD é um sinal de insensibilidade social num ministro do PS é um gesto de coragem em defesa do Estado Social: foi preciso uma ministra da ala esquerda do PS, Ana Jorge, para que por uma vez se dissesse o óbvio sobre as crianças com fome nas escolas sem que meio País não desmaiasse com o choque: "Apelo às crianças e famílias que aproveitem a necessidade de contenção para fazerem sopa em casa, por forma a não gastarem em ‘fast-food' que, para além de fazer mal, é mais caro".
26/03/2013
SERVIÇO PÚBLICO: Escrevendo direito por linhas tortas
A estória conta-se rapidamente. Depois de muita barganha e chantagem mútua, o Euro Grupo forçou o governo cipriota a deixar cair a solução que tinha imaginado para manter Chipre como uma offshore bancária para os russos, a qual passava por resgatar os dois maiores bancos e distribuindo as perdas por todos os depositantes, aplicando uma taxa de 6,75% para os depósitos até 100 mil euros e de 9,9% para os superiores.
25/03/2013
SERVIÇO PÚBLICO: Felizmente ainda há memória, apesar de curta
Petição Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP
Nós subscrevemos a Petição Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP, Para Deputados da Assembleia da República; Presidente da Administração da RTP: Alberto da Ponte; Presidente da ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social: Carlos Magno Castanheira; Secretário de Estado com funções sobre a Comunicação Social: Feliciano Barreiras Duarte; Provedor da RTP: José Carlos Abrantes.
128830 pessoas já subscreveram.
Petição A FAVOR da presença de Sócrates na RTP
Nós subscrevemos a Petição A FAVOR da presença de Sócrates na RTP, Para Assembleia da República
7178 pessoas já subscreveram.
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a memória dos povos é curta,
E agora José?,
RTP
Curtas e grossas (11) - Ele sabe do que fala
Referindo-se ao acordo alcançado esta madrugada entre o Eurogrupo e o governo cipriota, Dmitri Medvedev, o parceiro do czar Vladimir Putin com quem faz o alterne entre presidente e primeiro-ministro do império russo, comentou que no Chipre «continuam a roubar o roubado», certamente referindo-se às consequências das medidas tomadas que vão «roubar» aos oligarcas russos o dinheiro por eles «roubado» à economia russa, num montante que se estima em mais de 40 mil milhões de euros.
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Quem fala assim não é gago,
verdade inconveniente
SERVIÇO PÚBLICO: Não há boas notícias quanto à produtividade
Os custos unitários da mão-de-obra aumentaram em Portugal 0,6% no 4.º trimestre de 2012, acima dos 0,5% da Zona Euro, em consequência de um aumento de 0,7% dos salários e de apenas 0,2% da produtividade.
Não é uma boa notícia porque significa que não estamos a inverter de uma forma sustentada o declínio da produtividade da última década. E isto não é senão uma falha acessória do governo. É uma falha principalmente das empresas e dos empresários.
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| Early Estimates of Quarterly Unit Labour Costs, OECD, 03-2013 |
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ecoanomia,
Faltam dedos na mão invisível
Mitos (105) – O «imperialismo» alemão quer mandar na Europa
A Europa sem dono
«Os gregos de Chipre queixam-se do imperialismo alemão. Teriam no entanto mais razões para se queixar da ausência desse imperialismo. Porque uma Alemanha imperial estaria talvez disposta a pagar pela parte grega da ilha, mais não fosse para não dar lugar aos russos. Mas a Alemanha de hoje não é imperial, nem aspira a dominar a Europa. Desejaria certamente que os sócios do euro funcionassem como ela, como um Estado de direito, onde o governo central pode pouco, e uma economia social de mercado, onde o bem-estar depende da produtividade. Mas ter governadores em Nicósia, direta ou indiretamente, não. A Alemanha, tal como o Japão, foi submetida depois da guerra à mais implacável operação de lobotomia cultural da história. Hoje, o antigo Reich é uma espécie de Suíça em ponto grande. As suas empresas não são o avatar dos exércitos que perdeu: são apenas empresas.
«Os gregos de Chipre queixam-se do imperialismo alemão. Teriam no entanto mais razões para se queixar da ausência desse imperialismo. Porque uma Alemanha imperial estaria talvez disposta a pagar pela parte grega da ilha, mais não fosse para não dar lugar aos russos. Mas a Alemanha de hoje não é imperial, nem aspira a dominar a Europa. Desejaria certamente que os sócios do euro funcionassem como ela, como um Estado de direito, onde o governo central pode pouco, e uma economia social de mercado, onde o bem-estar depende da produtividade. Mas ter governadores em Nicósia, direta ou indiretamente, não. A Alemanha, tal como o Japão, foi submetida depois da guerra à mais implacável operação de lobotomia cultural da história. Hoje, o antigo Reich é uma espécie de Suíça em ponto grande. As suas empresas não são o avatar dos exércitos que perdeu: são apenas empresas.
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Desfazendo ideias feitas,
eu diria mesmo mais,
Óropa
24/03/2013
Mitos (104) – As vítimas da intervenção no Iraque
A semana passada, a propósito do décimo aniversário da intervenção da coligação liderada pelos EU no Iraque, a imprensa portuguesa divulgou o número de mortes de iraquianos estimado em 120 mil pelo Iraq Body Count. Entre outros, os seguintes jornais trataram o assunto: Expresso, Público, Diário de Notícias, Sábado.
Para sermos rigorosos, devemos considerar serem menos de 14 mil as mortes devidas às acções directas da guerra - as verificadas no 1.º ano da intervenção. Os restantes 90% são mortes causadas pelos conflitos políticos e religiosos internos, nomeadamente resultantes das rivalidades chitas-sunitas.
Contudo, se queremos considerar todas aquelas 120 mil mortes como provocadas pela intervenção, teremos que considerar igualmente que nos 23 anos anteriores a brutalidade do regime de Sadam Hussein, apeado por essa intervenção, foi responsável por 500 mil mortes só do lado iraquiano na guerra de 8 anos Iraque-Irão, a ocupação e libertação do Kuwait causou cerca de 100 mil mortes e o gulag iraquiano montado pelo regime pode ter atingido cerca de 200 mil (estimativas do prémio Pulitzer John Burns, publicadas no NYT antes da intervenção). A ser assim, a intervenção no Iraque teria causado uma média de 12 mil mortes por ano contra uma média de 35 mil nos 23 anos anteriores.
Evidentemente esta contabilidade mórbida não pode justificar a posteriori uma intervenção militar cujo móbil foi baseado na ficção de inexistentes armas de destruição maciça. Mas, querendo-se ir por aí, como o anti-americanismo disfarçado de anti-bushismo gosta de ir, terão que contar-se as vidas poupadas pelo fim de um regime por quem esse anti-americanismo sempre nutriu mal disfarçadas simpatias.
Para sermos rigorosos, devemos considerar serem menos de 14 mil as mortes devidas às acções directas da guerra - as verificadas no 1.º ano da intervenção. Os restantes 90% são mortes causadas pelos conflitos políticos e religiosos internos, nomeadamente resultantes das rivalidades chitas-sunitas.
Contudo, se queremos considerar todas aquelas 120 mil mortes como provocadas pela intervenção, teremos que considerar igualmente que nos 23 anos anteriores a brutalidade do regime de Sadam Hussein, apeado por essa intervenção, foi responsável por 500 mil mortes só do lado iraquiano na guerra de 8 anos Iraque-Irão, a ocupação e libertação do Kuwait causou cerca de 100 mil mortes e o gulag iraquiano montado pelo regime pode ter atingido cerca de 200 mil (estimativas do prémio Pulitzer John Burns, publicadas no NYT antes da intervenção). A ser assim, a intervenção no Iraque teria causado uma média de 12 mil mortes por ano contra uma média de 35 mil nos 23 anos anteriores.
Evidentemente esta contabilidade mórbida não pode justificar a posteriori uma intervenção militar cujo móbil foi baseado na ficção de inexistentes armas de destruição maciça. Mas, querendo-se ir por aí, como o anti-americanismo disfarçado de anti-bushismo gosta de ir, terão que contar-se as vidas poupadas pelo fim de um regime por quem esse anti-americanismo sempre nutriu mal disfarçadas simpatias.
DIÁRIO DE BORDO: Grande Auditório Gulbenkian, o Pequeno Met dos tesos (7)
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| Eva-Maria Westbroek e Marcello Giordani em Francesca da Rimini |
Duas belas interpretações em Francesca da Rimini de Riccardo Zandonai, o drama que Tito Ricordi pediu emprestado a uma peça de D’Annunzio, por sua vez inspirada numa passagem do Inferno de Dante
Nunca me canso de o dizer: O Sr. Cinco por Cento fez mais pela divulgação da cultura erudita aos alfacinhas do que todos os subsídios estatais e todos os apparatchiks da cóltura doméstica.
23/03/2013
O que está em causa no convite a José Sócrates
«O que está em causa no convite a José Sócrates não é o seu direito à palavra, a ser ouvido ou ao contraditório. O que está em causa é que são precisamente esses princípios que foram violados ao ser feito esse convite.»
Continua a ler aqui o post «Uma vergonha eterna, a RTP» de José Manuel Fernandes no Blasfémias, uma análise lúcida e desapaixonada do que está em causa.
Entretanto, o número de signatários da petição «Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP» continua a crescer.
Continua a ler aqui o post «Uma vergonha eterna, a RTP» de José Manuel Fernandes no Blasfémias, uma análise lúcida e desapaixonada do que está em causa.
Entretanto, o número de signatários da petição «Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP» continua a crescer.
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a memória dos povos é curta,
E agora José?,
insultos à inteligência,
RTP
Chávez & Chávez, Sucessores (2) – and counting
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| Madurodice |
22/03/2013
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Verdadeiros bourbons
Secção Padre Anchieta
Um bom exemplo de gente que nada esquece e nada aprende é o da ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues nesta entrevista ao ionline, onde debita todos os lugares comuns das políticas socialistas que nos trouxeram até aqui, quer pela mão do PS, em 13 dos últimos 18 anos, quer pela mão do PSD em 3 dos últimos 18 anos (o governo actual é uma espécie de governo híbrido) e numa boa parte do resto.
Na entrevista está lá muito do repertório: «medidas cegas e transversais», «não há professores a mais», «negociação das condições de pagamento», etc. Destaco, porém, duas tiradas que são um paradigma da visão do PS:
«Reformar o Estado por vezes exigiria um aumento circunstancial da despesa para a seguir se poder tornar mais sustentável, às vezes é preciso um investimento inicial», uma espécie de vamos reduzir a despesa aumentando-a;
«O que não é sustentável não é o Estado social, é termos encargos com a dívida desta ordem» ou seja o estado social seria sustentável se não tivéssemos de sustentar a dívida necessária para o manter.
Por tudo isto, é justo avaliar a Dr.ª Rodrigues com 5 bourbons por nada ter esquecido nem aprendido e ainda 4 chateaubriands pela confusão entre causas e efeitos.
Um bom exemplo de gente que nada esquece e nada aprende é o da ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues nesta entrevista ao ionline, onde debita todos os lugares comuns das políticas socialistas que nos trouxeram até aqui, quer pela mão do PS, em 13 dos últimos 18 anos, quer pela mão do PSD em 3 dos últimos 18 anos (o governo actual é uma espécie de governo híbrido) e numa boa parte do resto.
Na entrevista está lá muito do repertório: «medidas cegas e transversais», «não há professores a mais», «negociação das condições de pagamento», etc. Destaco, porém, duas tiradas que são um paradigma da visão do PS:
«Reformar o Estado por vezes exigiria um aumento circunstancial da despesa para a seguir se poder tornar mais sustentável, às vezes é preciso um investimento inicial», uma espécie de vamos reduzir a despesa aumentando-a;
«O que não é sustentável não é o Estado social, é termos encargos com a dívida desta ordem» ou seja o estado social seria sustentável se não tivéssemos de sustentar a dívida necessária para o manter.
Por tudo isto, é justo avaliar a Dr.ª Rodrigues com 5 bourbons por nada ter esquecido nem aprendido e ainda 4 chateaubriands pela confusão entre causas e efeitos.
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